História My black apocalypse - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 7
Palavras 2.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Sci-Fi, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Survival, Suspense, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Esse capítulo ficou um pouco grande, mas não quer dizer que todos serão assim, eles podem variar bastante, sendo uns maiores e outros bem menores.

Capítulo 1 - Não vou a lugar nenhum


Chovia, o tempo estava fechado à semanas, aqueles errantes continuavam andando de um lado para outro na rua, a temperatura parecia estar abaixo de zero graus celcius. Eu me encontrava no segundo andar da casa, no antigo quarto de meus pais. Observava os raios e a água que escorria pela janela, era o quinto mês desde que a epidemia começara, Coreia do Norte foi o primeiro país a ser atingido, bem, pelo menos foi isso que a mídia mostrou, depois os Estados Unidos, logo após o Brasil, pelo que eu lembre, África foi o último continente atingido. Armas biológicas, infectados ou seja lá do que quiserem chamar, eles são os novos comandantes da sociedade, estão por todas as partes e é difícil saber como lidar com eles já que não dava pra distinguir qual deles corria ou andava. Já cheguei a contemplar um que tinha um pescoço mais largo, seu grito era como arranhar um quadro negro e quase tão alto quanto um megafone, talvez fosse uma mutação do vírus, houve um também que parecia estar soltando fumaça, quando atirei em sua cabeça, o sangue caiu amarelo, como um ácido, corroendo o chão à sua volta. 

-Atenção! Todos os cidadãos, há um abrigo, repito, há um abrigo. Conseguimos cercar boa parte de –a voz picotou, então não consegui o ouvir. -Sendo assim, cuidado, o exército estará ao redor da cidade esperando sobreviventes durante essa semana, depois irão se recolher por ordens do governo, até lá, tomem cuidado e tentem chamar pouca atenção, o gabinete do presidente dos Estados Unidos desliga. 

Eu deveria estar frustrado por não conseguir ouvir tudo que foi dito no rádio, mas depois do massacre de tantas cidades, eu desisti de ter esperanças. Em cinco meses cerca de quinze cidades foram destruídas por essas criaturas, Rio de Janeiro, Nova York, Tokyo, Vancouver, e até mesmo proteções no Alasca. Esse é um ciclo vicioso, mas acho que as pessoas não o entendem tão bem quanto parece. Simplesmente patético o fato de pessoas desesperadas irem até lá só para morrerem, isso me deixava com um pouco de raiva, pensar que talvez meus pais estivessem sendo uma delas... Preferi apagar os pensamentos da cabeça e ir até a cozinha, apenas uma vela acesa se encontrava iluminando o local, sentei na cadeira e abri uma lata de ervilha, observei aquilo com um certo enjôo, era a quinta só aquela semana, já que tinha bastante, não queria desperdiçar as salsichas e milho, nem os biscoitos. Passaram umas horas e já era noite, uns errantes batiam em portas e cachorros latiam. 

-Boa noite, o senhor presidente quer informar a todos que levem suprimentos até a nova cidade, o máximo que acharem, além de gasolina para uma possível fuga e circular com helicópteros, pedimos também que por favor, não andem a noite por aí, é mais perigoso, achem uma casa e se mantenham nela. A cura está sendo desenvolvida pelos melhores cientistas do mundo, todos eles dentro do melhor laboratório do nosso país numa base secreta do governo, o professor August Angile Montty é o líder da operação, como sabem, ninguém mais capacitado do que ele na medicina e farmácia - a voz picotou, e ninguém mais voltou a falar. 

Doutor August, já tinha o conhecido antes, foi amigo do meu pai na escola e vezes ou outra fazia uma visita, mas quando viajou para fora, não voltou mais, começou a ficar famoso, trabalhar em projetos importante e pouca notícia se tinha dele, de um amigo de família, se tornou um completo estranho, até sua filha havia sumido do mapa.  

Meus pensamentos foram interrompidos por um grito, os bichos que batiam na porta agora não faziam barulho, olhei para meu taco baiseboll na mesa, ele estava novo, já que eu pouco o usei, ele tinha um pequeno revestimento de ferro na ponta. Com a força certa, dava para estourar uns miolos. Observei o fim da rua, um garoto não muito alto de cabelos loiros molhados, provavelmente por conta da chuva, que por algum motivo tinha parado. Ele corria com uma mochila nas costas e tinha uma pistola em mãos, não consegui distinguir o modelo, estava realmente muito escuro, a lua pouco iluminava o local, mas enxerguei o quão ferrado ele estava quando notei duas criaturas correndo atrás do menino e os dois que estavam na minha porta indo em sua direção. 

Eu sei que me arrependerei eternamente por isso, mas num impulso abri a porta, bati com a parte de ferro num gnomo que tinha no jardim o quebrando e chamando a atenção dos que estavam mais próximos, eles eram como humanos, só que cinzentos e fedorentos por conta da falta de banho, os dentes já amarelados. Pareciam gemer, numa tentativa falha de falar, mas poderia ser apenas algo que faziam naturalmente. Assim que o primeiro se aproximou, levantei o taco acima da cabeça e o desci com toda minha força, esmagando seu crânio, como o outro estava muito perto, apenas dei uma estocada na cara dele, o afastando um pouco, depois bati horizontalmente em sua cara, escutei um barulho de ossos quebrando, e quando meu dei conta, o loiro estava do meu lado, ele se virou e atirou na criatura mais próxima, a segunda eu esperei se aproximar, me posicionei como se fosse rebater uma bola, o errante corria de forma estranha, o corpo um pouco inclinado pra frente e os braços meio para trás, eu me lembrei de um anime, só não sabia o nome. E com esse pensamento eu acertei sua face, o fazendo cair de costas no chão, e quando tentou se levantar, pisei em sua cara diversas vezes, até ele parar de se mexer. 

-Eu não sei como te agradecer –eu não respondi o menino, encarei o fim da rua, uma daquelas coisas vinha, acompanhado de mais, seu pescoço era enorme e era gordo, não sei se passaria nem pela porta de um carro, sua pele estava meio roxa na garganta, mas não dava para ver bem pela pouca luz. -É melhor... 

-Entrarmos, você já causou problemas demais por hoje, garoto –eu disse o cortando, me virei para ir para dentro de casa, mas fiquei paralizado ao ouvir o grito do pescoçudo(Será que é certo o chamar assim?), era alto, esganiçado, parecia que panelas de tramontina estavam sendo arranhadas, tapei meus ouvidos e me joguei pela por porta. -Tranque essa maldita porta –eu tentei falar mais alto que o barulho, acho que o menino me entendeu, ou apenas pensou rápido, pois fez o que foi pedido, com o barulho diminuído, tomei forças para me levantar e arrastar o sofá até a entrada e depois uma estante. Fiz sinal para ele ficar quieto. -Me siga, vamos para o sótão, lá estaremos seguros. 

Peguei dois pacotes de biscoito e uma garrafa de água, logo após fui liderando o caminho, enquanto subia a escada, ouvi os barulhos altos na porta, os bichos tinham chego na entrada, e isso fez com que um frio se instalasse no meu estômago, quando chegamos no corredor do andar superior, parei para puxar uma cordinha que se encontrava no teto, a puxei e escadas se formaram, dei passagem para o loiro e fui logo atrás dele. O lugar não era muito grande, porém inteiro feito de madeira, apertei o interruptor na parede, acendendo apenas uma luz no centro do local que estava relativamente vazio e bem empoeirado. Três sacos de dormir se encontravam enrolados perto de um baú velho de roupas, uma mesa com latas de alimento e um rádio estavam de frente à uma janela alta. 

-Obrigado –disse o menino, que agora sob a luz, eu poderia facilmente dizer que era mais novo e branco que eu. -Meu nome é Ethan, do que devo lhe chamar? 

O encarei com aquelas roupas molhadas e o olhar um pouco assustado. -Tente falar o mínimo possível, eu agradeceria –coloquei a garrafa de água e comida na mesa, depois peguei os sacos de dormir e o rádio, arrumei nossas camas e liguei o aparelho, ficamos um tempo em silêncio mas não tivemos nenhuma notícia, então o desliguei. 

-Isso significa algo bom, certo? Quer dizer que nada de ruim aconteceu –eu suspirei, preferi me manter quieto ou invés de socar a cara dele. 

-Troque essas roupas molhadas, por favor –falei enquanto deitava. 

-Mas, não tem lugar pra isso –o encarei como se ele estivesse brincando e o mesmo desviou o olhar. -Onde tem roupas? -Apontei pro báu, quando Ethan chegou lá, puxou uma blusa de manga amarela, da cor de seu cabelo, uma cueca e uma calça jeans, ver outra pessoa segurando uma roupa íntima minha era algo estranho, mas preferi não pensar nisso. Eu olhava pra ele, pensando de onde veio e por qual motivo estava sozinho, mas claro, o mais importante, se ia me matar. 

Quando me dei conta, estava encarando demais enquanto ele se despia, Ethan já estava só com a roupa de baixo e o rosto corado, desviei o olhar antes que ficasse mais constrangedor e ele achasse que eu estava querendo algo. -Quando acabar, desligue a luz e deite para dormir, e não tente nada, pois eu mato você primeiro –ele não respondeu e eu não me atrevi a olhar para o menino, apenas deitei e fechei os olhos, sem dormir. Só consegui pegar no sono quando escutei o barulho do garoto deitando ao meu lado, esperei um tempo para ele conseguir dormir, me virei para o mesmo, e fiquei o olhando, pensando no que faria amanhã de manhã, mas meu principal objetivo era sair antes que aquelas coisas invadissem, e o mais importante, continuar meu caminho sozinho. Não preciso de ninguém para me atrapalhar mais, já seria difícil ter que deixar alguma comida e uma casa com gerador pra trás, porém ter que cuidar de alguém? Passou do meu limite. Quando o sono finalmente me venceu, eu dormi. 

Olhei para o lado quando acordei, estava sol, a luz entrava levemente pela única janela no cômodo, Ethan ainda dormia. Levantei, pegando uma mochila onde guardei o rádio e as comidas que achei pelo sótão, dei uma última olhada no menino dormindo e desci as escadas. Os barulhos na porta ainda eram audíveis, fui até a cozinha no primeiro andar, comecei a vasculhar os armários, tinha bastante comida, mais do que eu poderia consumir, então enchi a mochila com enlatados e amarrei uma sacola com biscoitos nela, peguei meu bastão encima da mesa e o coloquei no cinto, olhei para a minha arma encima da mesa, era um tanto leve, tinha ainda três pentes, a coloquei no coldre e saí da casa pela porta dos fundos. O quintal estava vazio, a grama alta pelo tempo sem cortar, a churrasqueira elétrica tombada num canto, as cadeiras de ferro todas enferrujadas e a mesa de vidro quebrada, a cerca era um tanto alta, mas pular não seria problema. Tentei fazer a menor quantidade de som possível para que ninguém me escutasse, e ao mesmo tempo ser rápido para Ethan não acordar e me encontrar tentando fugir sem ele. Olha, não me entendam mal, eu só prefiro ficar sozinho, nesse mundo não se faz amizade com qualquer um, eu o salvei, já foi o suficiente por uma noite, foi bem mais do que já fiz por uma pessoa desde que essa droga começou. 

 Posicionei a cadeira ao lado da cerca, subi no objeto e observei o quintal do vizinho, tinha um errante ali, estava deitado no chão, eu não sabia se estava vivo ou morto, será que estava dormindo? Não imaginava que eles faziam isso, me joguei para o outro lado, quando toquei o chão me desequilibrei e caí de cara naquele mato, o que fez minha boca ficar com gosto de capim. Grunhi de frustação, levantei a cabeça, olhando ao redor, e em poucos segundos ficando de pé, além de grama e um inimigo supostamente dormindo, não tinha nada ali, o que foi um alívio para mim, até o momento que pisei numa bolinha de cachorro e e ela apitou, naquele momento a única coisa que pensei foi, "Como eu sou azarado", e comecei a correr o mais rápido que pude dali, quando dei a volta na casa até a rua, observei Ethan na janela de minha casa, seu olhar para mim era melancólico, a porta principal abriu num rombo enorme, se tinha alguma coisa atrás de mim, com certeza foi atraída para lá, ele desviou o olhar e fechou a cortina. Talvez eu devesse sentir remorso, mas não senti nada, apenas alívio por não ter tanto mais com o que me preocupar, peguei a reta da rua que estava vazia e segui meu caminho, seja lá ele qual for naquele momento.


Notas Finais


Posso dizer que não esperem "finais felizes" ou amizades fáceis quanto ao personagem principal, e esperem menos ainda que ele esbanje bondade. Ele é um pouco frio as vezes, mas como pudemos ver, também foi justo ao salvar o Ethan, que pode ou não estar vivo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...