História My Boss - Capítulo 50


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber
Personagens Jaxon Bieber, Jazmyn Bieber, Jeremy Bieber, Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Comedia, Drama, Justin Bieber, Romance, Sexo, Suícidio, Tragedia, Violencia
Exibições 396
Palavras 5.609
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi meus amores. Chorei rios.
Ps : não é o último capítulo! Vai ter o epílogo *-*
Escutem " I dont wanna miss a thing - Aerosmith "
Notas finais, certo?
Boa leitura

Capítulo 50 - Angel?




Justin Bieber p.o.v


Meu corpo simplesmente não está processando a imagem que eu estou vendo… os aparelhos apitando mostrando a perca do pulso, seu corpo mole e sem vida na maca, os gêmeos chorando loucamente, médicos me arrastando, agulhas entrando pelo corpo todo da minha mulher. Eu sabia que isso poderia acontecer, eu só não pensei que fosse ser tão letal, tão doloroso. É como se eu estivesse em um transe, minha cabeça parece ter congelado, pareço estar em baixo d’água.

- Levem as crianças - uma enfermeira diz - preciso que saia!

- E ela!? - digo sendo arrastado para fora.

- Ela não vai acordar agora  - a médica foi dura - se fizermos mais alguma coisa, ela pode sofrer ainda mais. Agora saia! - me puxaram pra fora e eu cai sentado em um banco, chorando, sentindo meu coração doer. A dor é tanta que chega a ser física, é como se meu coração estivesse esmagado.


Minha mulher, a minha princesa, está… está morrendo.



“ - Essa é Alyssa Smith, sua nova assistente.”


“- Então me acha gostoso?- perguntei mordendo meu lábio inferior.”


“-Você é uma amiga maravilhosa Aly, obrigado.”


“- Lógico que tem! Você despertou coisas em mim!

- Coisas? - ela perguntou”.


“-Eu gosto de você Justin, eu sei que não deveria, mais eu gosto, você me faz bem apenas com um bom dia, eu não consigo me controlar quando te vejo perto de mim, eu quero te beijar á todo instante, quero te abraçar, mais dói saber que só eu sinto isso e que pra você, eu sou só mais uma”


“ -Por isso que eu te amo, Princesa.- Eu disse sorrindo e ela pareceu incrédula.
-Você disse oque?- Parou na frente do espelho.
-Oque você ouviu. - Vi ela sorrir e seus olhos brilharem”



- Senhor Bieber? - Alguém me tira dos devaneios.

- ELA ESTÁ BEM? - pergunto  agitado vendo o médico torcer a boca.

- Se quiser ir no berçário ver seus filhos, pode ir.

- E ela? Como ela está?! - grito - Pelo amor de Deus! - sinto meus olhos arderem. - como ela está…? - balanço a cabeça.

- Estamos tentando. - ele suspira e eu fraquejo colocando a mão no rosto me apoiando na parede.

- Ela não pode… - apoio minha cabeça na parede - por favor, faz alguma coisa!

- Não tem o que fazer, ela sabia dos riscos, vocês sabiam. Se permite, você tem dois filhos agora, duas vidas querendo amor dentro de um berçário, você tem um papel de pai, de homem da casa. Você pode executar sem ela, ela ficaria feliz em saber que você vai ser um bom pai, vai saber se virar, você precisa!

- Por que está falando como se ela estivesse morta? - meu coração parou.

- Por que eu encaro a realidade. É difícil, mais é crua, é dura… é a vida, ela está lutando naquela sala, ela é forte, ela tenta se mover, ela tenta abrir os olhos, mais eu sei que ela pode não aguentar, eu sei que ela está em risco e você deve ter isso em mente. Eu não quero ser pessimista, mais ela precisa de um milagre. Os aparelhos não podem ficar ligados pra sempre.


Aperto os olhos mordendo os lábios me encurvando.


- Eu preciso dela… que homem eu seria sem ela? Como eu vou viver e criar minha pequena e os garotos sozinho? Como eu vou dormir sem ela do meu lado? Como? - mais lágrimas - eu a amo, se ela for eu vou junto. - o ar começa a faltar em meus pulmões - se ela for eu não vou aguentar ficar aqui sozinho, eu não aguentaria.


Em todos os momentos que passamos juntos, os tempos difíceis, um ano sem ela, nossa vida… nossa história, ela não pode. Ela não pode fazer isso comigo.


Em um surto, eu me ergui totalmente fora de mim entrando no quarto vendo médicos para todos os lados.


- MEU AMOR, NÃO ME DEIXA, EU TE AMO! POR FAVOR, AMOR, NÃO ME DEIXA - Grito batendo em seu peito com força, e ela continua imóvel - MEU AMOR, ALYSSA!!! - Ergo sei corpo - FALA COMIGO, NÃO FAZ ISSO, NÃO ME ABANDONA, EU TE AMO, NÃO… NÃO! POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO? NÃO FAÇA ISSO, NÃO SEJA EGOÍSTA, NÃO MORRE POR FAVOR, EU TE AMO, FALA COMIGO, ABRE OS OLHOS! - Deito ela de volta sentindo alguém me puxar - NÃO! ME DEIXA COM ELA, ELA TEM QUE ACORDAR, FAZ ELA ABRIR OS OLHOS, FAZ ELA ME RESPONDER!

- Senhor, saia. - Uma mulher diz - Saia.

- NÃO! - Digo desesperado - ELA É MINHA MULHER, ELA MEU AMOR, NÃO… NÃO! PORRA! - Caio de joelhos - EU NÃO POSSO VIVER SEM ELA! - Todos aqui me olham com piedade - ELA NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO!


[...]


- Quem você acha que tem que ser o Tierry? - William funga o nariz e eu ignoro suas palavras olhando fixamente para os bebês deixando com que toda minha angústia caia dos meus olhos. - Justin, por favor, tenta ser forte! - ele diz enquanto olhamos meus filhos pelo vidro.

- É a minha mulher, morrendo! - Travo o maxilar - o que eu vou fazer da minha vida?

- Justin… - ele se encosta na parede de vidro - é a minha melhor amiga, é a mãe de três crianças, é filha, é irmã, é tia, é neta, esposa… sobrinha - quando nos damos conta estamos nós dois chorando - Olha… - ele perde a fala levando a mão no rosto - eu…

- Ela vai morrer - eu digo me sentando no chão - eles não estão ao menos dando esperanças…

- Eu tinha onze anos - William começa a dizer - eu não sentia atração por mulheres, eu não conseguia, eu até tentei beijar a Alyssa uma vez pra ver se eu era realmente gay - ele fecha os olhos soluçando - A Aly sempre foi forte, ela estava comigo quando eu contei pro meu pai que eu era diferente… ele veio me bater - ele chora - ela entrou na frente e disse “ Senhor Thompson! Ele é seu filho, você o ama pelo fato de ele ser seu único filho ou pela opção sexual dele?” - ele ri fraco - meu pai se trancou no quarto por semanas, eu me sentia mal, eu queria ser igual os garotos que ficavam com as meninas nos cantos da escola, eu tinha pretendentes mais eu nunca quis - Ele suspira - A minha melhor amiga, que eu conheci num parquinho  me ajudou tanto, ela me mostrou que eu era um diferente bom, que eu era um ser humano, ela me deixou passar dias na casa dela, ela me ajudou a lidar comigo mesmo… - ele morde os lábios - está sendo difícil pra você perdê-la tanto quanto está sendo difícil pra mim. Se ela for embora eu vou guardar a imagem da minha melhor amiga com tanto amor, eu vou lembrar dela como a melhor pessoa do mundo, a que errou e consertou todos os erros com amor, a que me ajudou, a que me amou como eu sou, eu vou ter as melhores lembranças da minha vida, assim como você vai ter.


Eu absorvi as palavras em silêncio, sem discordar ou acrescentar nada. E ele continuou a dizer :


- A maioria das pessoas, pensam que ela é uma vadia burra. - ele murmura - ela foi criticada por estar com você. Ela é. Tem pessoas desejando a morte dela, mais Justin, ela te ama tanto - assinto - ela te ama tanto que amor não é uma palavra propícia pra descrever o sentimento. Você é o cara mais sortudo do mundo, você tem ao seu lado uma mulher de valores altos. Nós sabemos que ela pode ir há qualquer instante, Alyssa está viva por misericórdia, eu não sei como ainda não ouvimos o pior… mais algo me diz que ela está lutando. Ela não pode nos deixar.

- Se ela for embora - murmuro - como eu vou criar meus filhos?

- Você não está sozinho nessa. - Ele bate no meu ombros - Vamos decidir quem é quem. - nos levantamos.


[...]


03h00


Entrei em casa derrotado, sem estímulo pra nada, indo direto para o quarto da bebê. Subi as escadas com lentidão respirando fundo, parece que o cheiro leve de erva doce da Aly está por toda casa, abro  a porta entrando lentamente e fecho vendo Emu dormindo. Eu não queria acordá-la, mais eu realmente preciso ficar algum tempo com ela.


- Filha? - passo as mãos em seu rostinho - filha vem aqui - pego ela no colo vendo ela abrir os olhinhos - O que eu vou fazer sem a sua mãe? - soluço me sentando na poltrona - Como eu vou te criar, Emy? - ela sorriu, essa inocência é tão perfeita… - Sabe o quanto eu a amo? - faço uma pausa - É mais do que eu posso imaginar, anjinho - cheiro seus fios vendo Clara entrar no quarto e me lançar um olhar piedoso, provavelmente ela veio ver como a bebê estava, ela sai em seguida cabisbaixa  - Eu seria um bom pai se eu fosse sozinho? Eu conseguiria lidar com você e seus irmãos? Eu conseguiria ver você trazendo namorado em casa sem sua mãe pra me acalmar? - mordo os lábios colocando Emy no meu ombro - Como eu iria apartar as brigas entre você e os gêmeos sem ela pra me ajudar? Eu posso te dar tudo, tudo menos uma mãe nova… vou te contar sobre ela todos os dias caso ela… ela - eu simplesmente não consigo dizer - eu queria tanto estar no lugar dela. Ela saberia o que fazer eu não sei. - ergo minha filha olhando em seus olhos - eu sinto que eu falhei com vocês, eu falhei, é culpa minha… se eu não tivesse batido nela, terminado, feito ela perder o outro bebê ela iria estar bem. - Emy aperta os olhinhos e os mesmos enchem de lágrimas.

- “Mamamamaã” - ela faz bico e começa a chorar.

- Eu…eu quero tanto que ela entre por aquela porta - puxo o ar - eu vou tentar ser o melhor pai do mundo. Eu juro. - Faço carinho em duas bochechas - Nós vamos ser uma boa família.


- Senhor Bieber - Clara entra com uma mamadeira nas mãos -  eu sinto muito.

- Eu também - entrego Emy à ela - Estou perdendo a razão da minha vida.

- Acho que tudo acontece por alguma razão… sabe? - ela diz - a senhorita Alyssa é forte, mais nessas circunstâncias força não é o suficiente, não só da parte dela. - ela suspira - o Senhor já tentou falar com ela? Já tentou entrar no quarto e falar o que está sentindo? Já tentou se mostrar forte e determinado à enfrentar tudo o que está por vir?

- Não tive coragem de vê-la.

- Coragem então! - ela diz e Emy começa a mamar me fazendo rir fraco - Tente falar com ela, aperte as mãos dela, só… mostre força e coragem, se ela ir embora… você vai ter certeza que disse tudo o que tinha pra dizer e ela vai se orgulhar de você.



[...]


Dia seguinte.


Deitado na minha cama enorme, olhando o espaço vazio preenchido por Emy, tento fechar os olhos mais uma vez, pra me acalmar, eu não dormi a noite toda. William passou a noite com ela no hospital, disse pra eu cuidar da minha filha, está cedo, Emy não vai acordar tão rápido. Me sento olhando em volta vendo um quadro nosso na prateleira, tiramos a foto na lua de mel. Sorrio fraco passando a mão no rosto indo até o banheiro, retirei toda a roupa que eu estava no hospital e fui para o banho.


Cada lugar da casa tem um traço dela. Seja na sala, com a decoração de tulipas brancas, no nosso quarto,com fotos e pertences, ou no banheiro, onde nós passávamos boa parte do tempo fazendo sexo.


Tierry e Lucca. Logo eles vão estar correndo perturbando a irmã mais velha, brincando com os enfeites da sala de estar, sendo bajulados… eu quero tanto que ela esteja aqui pra ver isso.


Como vai ser acordar de madrugada pra ver três crianças sozinho? Eu não conseguiria colocar outra mulher em seu lugar. É impossível.


Deixei a água cair em mim me envolvendo no vapor, lavei meu cabelo e desliguei o chuveiro rapidamente ao ouvir um gritinho fino. Emy sempre dá sinal quando acorda. Amarro a toalha na cintura saindo do banheiro vendo ela sentada na cama no meio de alguns travesseiros.

- Papapapa - ela diz esticando os bracinhos e eu pego ela no colo.

- Bom dia - digo. É fascinante a capacidade que ela tem de me acalmar. Sinto sua fralda cheia e levo ela até o quarto da mesma, pegando algo para vesti-la. Eu não sou o melhor pra pôr fraldas, tanto é que as duas primeiras que eu coloquei, eu colei os adesivos para fechar errado e deixei frouxo. Com muito tédio eu consegui colocar uma outra fralda nela e vesti uma roupa qualquer. Eu tenho que ir o mais rápido possível para o hospital.

Desci para a cozinha -  depois de me trocar - vi Clara com a mamadeira pronta.

- Preciso ir pro hospital, você vai pra ficar com a Emy la. - digo e  ela assente - Vamos! - pego a mamadeira da minha filha e nós saímos rapidamente entrando no carro, Clara coloca Emy na cadeirinha e se senta, saio de lá suspirando pesadamente passando pelo portão da mansão.


“-Tá Ta Tá!!- Arregalei os olhos- Você é a coisa mais importante e maravilhosa que ja me aconteceu!- Senti um alívio quando ela desprende as unhas do meu saco- Agressiva.”


“-Eu sei que é que você é nova e blá blá blá, mais eu já quero planejar nossa vida juntos, começando por isso, vamos noivar daqui seis meses já que a turnê vai estar no fim e ai no ano que vem casamos- Fiz uma pausa segurando firme em suas mãos- Eu não vou quero demorar pra ter você inteiramente minha porque eu não sei oque pode acontecer amanhã, eu quero você comigo pra sempre.”


Esfrego os olhos voltando a atenção na direção, por tudo que é mais sagrado. Eu…eu não sei o que fazer isso está me matando, ela está… está respirando por aparelhos como eu vou encarar isso?  

Parece que a minha ficha caiu agora, ela está com agulhas e sondas pelo corpo, se alguém ousar em desligar ela vai embora. Eu não posso deixar com que façam isso.


Estaciono pegando Emy e nós corremos até a entrada, já que aqui virou o ponto favorito dos paparazzis e eu coloco a neném na curvatura do meu pescoço a protegendo.


- Justin! - Anna vem até mim chorando desesperadamente - Minha filha, Justin, minha menina está morrendo - ela soluça me abraçando e eu fico em silêncio - ela está respirando por aparelho, Justin ela… eu - Anna se desmancha e Matthew a segura com força - Minha filha… - ela diz fechando os olhos perdendo a força do corpo e eu aperto Emily em mim vendo William aparecer na recepção, percebi que ele está agitado e trêmulo.

Matthew chama alguns médicos levando minha sogra para um consultório.

- Vamos ver os gêmeos? - Clara sugere e eu assinto querendo sair daquela confusão.

Caminhamos até a maternidade olhando através do vidro, os dois com uma roupa azul clara e com os olhos fechados. Entramos no quarto e eu sorrio. É a primeira vez que eu estou próximo à eles.

- Veja, Emy, seus irmãos - inclino a pequena em direção deles e ela passa as mãos cuidadosamente sobre o rostinho de um deles, o Lucca - se eu não me engano -.

- Mamamã - Ela faz bico - Mamamamã! - Logo ela solta um grunhido começando a chorar, ela é grudada com a Aly e agora eu não sei mais o que fazer. Os gêmeos começam a se mexer abrindo os olhos e eu quase perco o fôlego. Os olhos são idênticos aos da Aly, a coloração esverdeada com o contorno da íris num castanho mel, são os dois pares de olhos mais lindos que eu já vi.

Emy vai no colo da babá e eu me inclino beijando meus dois garotos com cuidado.

São tão pequenos e frágeis.

Com meu polegar eu acaricio a bochecha do Tierry enquanto passo meu nariz sobre as bochechas do Lucca. Eles estão saudáveis e isso me trás uma paz enorme.


- O senhor quer pegar eles no colo? - A médica que está nos acompanhando pergunta e eu assinto - Sente - ela aponta para uma poltrona e eu me sento, cuidadosamente, ela pega Lucca e o embrulha como um presente numa manta azul clara colocando sobre meu braço esquerdo. Meu corpo todo treme com a sensação. Uma das melhores sensações que eu já tive. Logo ela me entrega meu outro garoto colocando sobre meu braço direito. Eles são tão frágeis, as mãos, o rostinho. Em toda essa agitação e tristeza eu não vi o quão lindo meus filhos são.

- Eles são cabeludos - a médica ri de lado erguendo a touquinha dos dois, mostrando os cabelinhos bem claros.

Bom, nessa parte eles puxaram à mim.

- Com quantos quilos eles nasceram? - pergunto sorrindo de lado, eu queria tanto que minha mulher pudesse presenciar esse momento.

- O Lucca - ela faz carinho no mesmo - com três quilos e setecentas gramas - ela ri - ele é o mais pesadinho, já o Tierry nasceu com três quilos e trezentos gramas. Ambos com quarenta e quatro centímetros.

Sorri largo vendo Clara segurando Emy, a mesma que se acalmou.

- Em todos meus quarenta anos de vida, eu nunca vi uma bebê tão serelepe igual à essa - Clara diz e nós rimos.

- Preciso dar o leite à eles, estamos amamentando de uma maneira artificial - A médica, doutora Collins, retira os bebês do meu colo - Precisam ir.

- Tudo bem eu… eu ainda tenho que ver minha mulher. - vou em direção à porta.

- Senhor Bieber… - a médica chama e eu me viro - Sinto muito pela sua esposa.

- Eu também - saio dali suspirando. Agora eu só preciso de coragem para vê-la.

E o pior não é vê-la adoecendo. O pior é vê-la respirando por aparelhos.


[...]


Três horas nesse inferno de recepção olhando para o nada, mais de vinte e quatro horas vendo todos em pânico, ouvindo Emy gritar com saudades da mãe, ouvindo Anna chorar e Marcos inquieto para lá e para cá.


- Senhor Bieber - O médico me chama e eu o encaro - Podemos nos falar um pouco?

- Claro - Entrego minha filha para Anna e William me olha esfregando os olhos.

O acompanho até o quarto em que Aly está e ele abre a porta.

- O que eu vou te falar é sério - ele diz - O corpo dela não está respondendo a nada, exatamente nada. O pulso está no fim e se nós desligarmos o aparelho, ela não vai aguentar.

- Tem chances dela aguentar? - pergunto sentindo minha garganta se fechar.

- Só por milagre - ele diz suspirando - olhe para ela, olhe bem. - Ele diz e eu direciono o olhar até ela deixando uma lágrima cair - Acha que nós podemos deixar ela assim pra sempre, com tubos no nariz? Com um pulmão de aluguel? - Ele diz - é difícil, eu já vi casos assim que os familiares deixaram cerca de um mês um aparelho ligado, isso só machuca mais o paciente, só o faz sofrer.

- Eu não posso autorizar que você desligue essa merda e mate a minha esposa. - Digo quase em um sussurro - Você não está vendo que ela tem uma família!? - pergunto e ele assente.

- A família vai sofrer mais se você deixar ela assim, acredite.

- Tem que ter uma saída.

- Eu queria que tivesse, Senhor, nós estamos em um caso complicado, não é fácil ver isso pra mim, eu imagino como seja pra você é pra sua família. Eu peço que você reflita bastante, peço que você se coloque no lugar dela, no lugar de todos e pense em tudo.

- No lugar dela eu já estava morto - eu digo - eu não tenho metade da força dessa mulher. - fungo o nariz - Posso ficar um pouco aqui com a minha filha?

- Não é bom trazer crianças aqui - ele diz.

- Ela precisa ver a mãe… nem que seja pela última vez.

- Certo - ele diz e eu saio rapidamente pegando a Bebê do colo da avó.

O médico sai e eu entro suspirando pesadamente e Emy grita ao ver quem está ali na cama.

- Mamamamã! - ela solta uma gargalhada gostosa balançando os bracinhos.

- É a mamãe? - eu afino a voz chegando perto da cama me machucando por ver seu rosto sem cor - fala “oi” pra mamãe - digo com a voz embargada - fala meu anjo, assim “ Oi mamãe”.

- Ooo mamamaã - ela ri e eu beijo sua bochecha.

- Tá quase lá - digo. Emy tenta sair dos meus braços e eu coloco ela de pé na cama segurando suas costas, ela leva o dedinho até o rosto de Aly e passa a mão devagar.

Minha menina começa a fazer alguns barulhos engraçados tentando acordar Aly, e é aí que eu percebo que tenho que tirá-la daqui, eu não quero que a última lembrança dela sobre a mãe seja ter visto ela morrendo.

- A mamãe precisa dormir - digo secando meus olhos.

- É? - Emy diz embolado balançando a cabeça. - É… É… é… é  - ela dispara as palavras e eu saio do quarto vendo Anna me olhar pegando a bebê.

- Pode ir pra casa se quiser - ela diz - eu fico.

- Não eu… estou bem - digo travando o maxilar.

- Você acha que ela aguenta? - Anna me pergunta.

- Eu quero me convencer que sim - me sento abaixando a cabeça - Acho melhor Clara ir com a pequena pra casa - olho para a mesma que assente pegando Emily do colo da avó e dou um beijinho nela - distraí ela bastante.

- Certo - ela diz e sai dali brincando com a pequena.

O silêncio vagou entre nós.

- Quando eu dei à ela um ingresso do seu show, ela tinha quatorze anos - Marcos diz e sua voz ecoa por todo local - Ela te amava tanto - ele ri - foi inesperado isso de vocês dois juntos, mais eu sei o quanto ela te ama e que você, melhor que ninguém faz ela feliz demais.

- Obrigado - olho para ele dando um meio sorriso.

- Fui muito injusto com ela desde que me mudei pra Sidney, dei um carro e pensei que estaria tudo bem… me sinto mal por não ser mais visto como um super-pai pra ela, nao faça com suas crianças o que eu fiz, não a deixe como eu deixei, já se passaram dois anos desde que eu e Anna nos divorciamos, mais eu sei que Alyssa ainda está sentida comigo.

- Aly não guarda rancor - afirmo.

- Só não quero que ela se vá sem antes eu me desculpar.

- Ela não vai morrer!! - Anna grita se levantando - Minha filha não vai morrer! - ela sai dali indo para o corredor que dá acesso aos banheiros.

- Por que você deixou ela desamparada quando ela mais precisou? - Pergunto. Eu estava querendo fazer essa pergunta há séculos.

- Eu sabia que com você por perto, eu seria o de menos - ele diz - você assumiu toda a proteção dela, eu boto fé em você.

- Agradeço mais uma vez - digo e vejo Anna voltar secando os olhos. Eu estou mal, horrível mais ela é mãe, ela deve estar bem pior.

- Vou ver ela - Anna diz mostrando o crachá da visita.

- Tudo bem - eu digo e ela entra rapidamente.

- O que eu quero dizer é que eu não consigo ver minha filha lá dentro sofrendo - ele funga o nariz - eu amo os meus filhos, Justin, amo mesmo,mais eu não consigo olhar pra ela nessa situação, me dói demais.

- É difícil, mas eu quero esperar mais um pouco - eu digo - ela é mãe, a Emy ficou toda animada quando viu ela lá e… eu não consigo abrir mão dela, não agora.

- Não tem como guardar ela numa cúpula eternamente - ele diz e eu bufo.

- Ela é mãe, por Deus, Marcos! Eu não consigo nem sequer pensar em deixar eles desligarem os aparelhos, não agora, eu tenho três crianças que precisam de esperança!

- Ela está praticamente morta! - uma lágrima cai dos seus olhos - As sondas no nariz, o jeito que estão cuidando da alimentação dela, ela está sofrendo! Não vamos ter um pensamento egoísta!

- Não é egoísta eu pensar nas minhas crianças!

- Você quer deixar ela deitada aqui até as costas dar bolhas? Ela vai vegetar, pelo amor de Deus, desligue a porra dos aparelhos e liberte a minha menina deste sofrimento!

- Eu não vou fazer isso! - Digo nervoso me levantando - não vou!

- Se você não fizer, eu o faço. Ela é minha filha!

- Ela é minha mulher! - digo vendo William aparecer com sacolas de alguma lanchonete.

- Ela é minha filha, eu coloquei ela no mundo e sempre quis o melhor pra ela, isso é o melhor à se fazer! - ele grita e Anna sai do quarto.

- VOCÊ ENLOUQUECEU?! - Ela vai pra cima dele acertando um tapa em cheio em seu rosto, William a segura e Marcos ri amargo.

- Nossa filha vai sofrer até quando? - Ele pergunta passando as mãos no rosto - não sejam egoístas.

- Não vamos desligar até que o médico diga que não tem mais outra saída, eu vou persistir - Anna diz - eu vou persistir pela vida da minha filha.

Marcos assente com o maxilar travado saindo dali.

- Trouxe comida - Will suspira - Come aí JB, precisamos de mais força do que nunca.


[...]

20h


“-Eu não acredito!- Deixei o violão no sofá -Princesa, você... Você tatuou "purpose"!- A abracei forte - Eu não creio!”


“-Eu te amo!-  Ela disse me apertando com força e eu retribui - Te amo Justin!- Soluçou molhando minha camisa com lágrimas- Você é quem me faz bem, e agora que eu me sinto tão sozinha, não posso te perder!

-Você não vai me perder!- Me beijou e eu apertei o botão para o elevador subir.”


“- Não são só planos como fizemos no outro dia, casa comigo, vamos ter filhos, vamos ter uma casa nossa com espaço. Casa comigo?”


- Justin? - Anna me chama e eu olho saindo dos devaneios me sentando ereto na cadeira - Eu pensei muito - ela diz e eu fico sem entender - eu quero desligar os aparelhos.


Eu perdi o chão.


- Não podemos! - digo com as lágrimas já a aflorando - Anna, ela é sua filha!

- É por isso! - Ela soluça - ela está sofrendo demais! Eu não quero ver ela morta, mais vê-la assim….

- Anna, não… - eu me ajoelho no meio do hospital - pelo amor de Deus, não faz isso.

- Justin - ela me abraça se ajoelhando - nós temos que fazer isso.

- Não temos… por favor - eu a aperto como se seu abraço fosse fazer minha dor desaparecer.

- Temos, nós à amamos. Eu não consigo ver ela assim e está acabando com ela. - ela diz - eu quero que entre lá e fique bastante tempo refletindo. A decisão final é sua, Justin. Você decide se nós deixamos desligar os aparelhos ou não.


Era como uma granada em minhas mãos.


Me levanto sem me importar com poucos olhares e entro no quarto lentamente.


Deixar ela viva e vê-la sofrer ou deixar com que ela se livre disso?


- Meu Amor, por favor… acorde - eu digo pegando em suas mãos - por favor!? - encosto meu nariz ao seu - eu não posso te deixar ir! Por favor… eu te amo demais pra fazer isso, fala comigo, reage, eu imploro.



Eu poderia ficar acordado só para te ouvir respirar
Ver você sorrir enquanto está dormindo
Enquanto você está longe e sonhando
Eu poderia passar a minha vida nesta doce rendição
Eu poderia ficar perdido neste momento para sempre
Cada momento gasto com você
É um momento que eu valorizo



- Meu amor - Aperto sua mão - Eu te amo demais, você não pode me deixar, você é minha razão, você é meu tudo, por favor! - Passo as mãos em seu rosto - Eu juro que eu te amo demais, desde quando você entrou na merda daquele escritório, desde que você se apresentou eu me senti iluminado, eu te amo… amo muito - Sinto às lágrimas caírem - Pelos nossos filhos, tente! - A chacoalho - Meu Deus, eu imploro! Não leve ela de mim! - Fecho os olhos com força - Alyssa!



Deitado perto de você
Sentindo o seu coração bater
E eu estou pensando sobre o que você está sonhando
Querendo saber se sou eu que você está vendo
Então eu beijo os teus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos
E eu só quero ficar com você
Neste momento para sempre, para sempre e sempre


- Eu prometi tantas vezes cuidar de você - soluço - tantas e tantas vezes e eu falhei, era pra ser eu aí, você não merece isso, não merece! - passo as mãos no rosto - Eu não sei o que fazer, eu não sei como escolher a opção certa, te deixar assim não parece certo, mais se você for embora, eu vou morrer com você.




Eu não quero perder um sorriso
Eu não quero perder um beijo
Eu só quero estar com você
Mesmo aqui com você, apenas isso
Eu só quero te abraçar
Eu sinto o teu coração tão perto do meu
E só ficar aqui neste momento
Para todo o fim do tempo
Sim, sim, sim, sim, sim


- Como eu vou ficar sem acordar e ver seu rosto amassado ao meu lado? - fungo o nariz pela milésima vez - quem vai maquiar a Emy e me atrasar sempre?... Quem? - faço carinho em seus fios - Quem vai me ajudar a saber quem é quem quando nós formos passear com os gêmeos? Quem vai me inspirar pra fazer canções?



Não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu perderia você, amor
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce que nunca tive
Eu estaria te perdendo, amor
E eu não quero perder nada
Não quero fechar os meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu perderia você, amor
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce que eu nunca tive
Eu estaria te perdendo,amor
E eu não quero perder nada


- Faz três anos que nós nos conhecemos, e parece que é a vida toda, você me mudou, você não pode… o seu lugar agora era no topo do mundo, sendo minha rainha, me fazendo feliz! Não aqui, você merece o mundo!


O médico abre a porta entrando com uma equipe de enfermagem.


- E então? - ele pergunta e eu congelo olhando para Aly.

- Eu quero fazer um transplante de pulmão! Coloca a porra do meu pulmão nela, me deixa morrer mais salva ela! - Digo desesperando apertando meu cabelo.

- Ela não aguenta nem comer, senhor Bieber, isso a mataria.

- Não desligue!! - eu grito.

- Quer deixar ela sofrendo? A mãe dela autorizou, o pai e até o melhor amigo. Eu preciso fazer isso, ela está sofrendo.

- A PORRA DA TUA FUNÇÃO É SALVAR AS PESSOAS!

- Eu estou salvando-a - ele diz - Desculpe.

- Não! - Eu grito ficando ao lado da maca - não toquem em nada!

- Precisamos - ele diz e eu fico estático vendo eles começarem a se organizar. - Podemos livrar ela de toda dor?

Minha mente vagou e eu dei uma última olhada para a mulher que eu mais amo em todo mundo.


- Eu vou te amar onde quer que você esteja - digo em um sussurro e assinto, vendo eles se organizarem.

- Você fez bem - ele disse - se acalme.

- Não deixe ela sentir dor - eu peço - podem desligar.


Saindo dali eu parei na porta ouvindo os ruídos dos tubos e os bisturis sendo colocados na mesa de ferro.

Fechei os olhos e me preparei para sair. Para nunca mais vê - la. 


- Meu Deus! - ouvi o médico dizer e travei ouvindo um barulho, o aparelho de pressão, o eletrocardiograma.

Ambos apitaram.

- O que foi?! - Eu digo correndo até eles é o médico me olha com os olhos arregalados, olho para a maca perdendo a força das pernas.



Não quero fechar os meus olhos
Não quero adormecer, sim
Eu não quero perder nada


Foi como se eu tivesse sido sufocado, como se eu estivesse embaixo d'água, eu fixei meus olhos na maca, olhando profundamente em seu rosto encontrando um par de olhos verdes me olhando com lágrimas escorrendo.


- Justin? - ela diz baixinho - Meu anjo? 


Notas Finais


Esse não é o último capítulo. Decidi fazer um epílogo.
Sofri demais escrevendo esse! Bom, vcs viram que eu fiz a sinopse e postei o extra da My Boss? TEREMOS EXTRAAAAS!

Bom, eu pensei em fazer um Q&A, vcs perguntam aí qualquer coisa e eu respondo nos agradecimentos! Oq acham? Podemos tentar? Pode ser mais de uma pergunta!

LINK DOS EXTRAS : https://spiritfanfics.com/historia/my-boss--extras-7121042

CRIMINAL : https://spiritfanfics.com/historia/sweet-revenge-6434328

Na próxima semana eu iniciarei uma fic nova, The Tourist Guide ( O guia turístico ) com o Justin também!

Até o epílogo! Amo vocês ♡


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