História My Dear Writer - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7
Personagens BamBam, Jackson, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V, Yugyeom
Tags Abo, Alfa, Anonimato, Beta, Escritor, Hoseok!alfa, Jikook, Jimin!ômega, Jin!ômega, Jungkook!alfa, Mpreg, Namjin, Namjoon!alfa, Ômega, Passado, Romance, Taegi, Taehyung!ômega, Taeyoonseok, Universo A/b/o, Vhope, Yoomin!insinuação, Yoongi!beta
Visualizações 923
Palavras 4.981
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oioi meus amores, mil desculpas pela demora, mas foi necessário.
Aliás, muito obrigada, socorrro! Já somos 1000+

Espero que gostem dessa capítulo, peguem os lencinhos e...
Bora ler?
(*3*)//

Desculpem qualquer erro.

Capítulo 19 - Capítulo 18


Don’t lie to me

 

O som das gotas, provindas da torneira mal fechada, parecia tão alto que sua cabeça latejava. Aquele plock irritante soando por todo o cômodo estava o deixando nervoso demais. Sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento e parecia que quanto mais massagear a suas têmporas, com mais dor ficava. Todavia este não era o único som que escutava, não, tinha o choro baixo e cortante de Jimin vindo de seu quarto. Ele não parava de chorar, por mais que Jin estivesse com ele, o ômega continuava se afundando nas próprias lágrimas e isso estava deixando Jungkook frustrado e com raiva. Não, ele não estava com raiva de Jimin, mas queria estar lá no lugar do outro ômega, o que não pôde graças ao Park que o pediu para não ficar ali. Sim, Jimin havia o expulsado do quarto.

Não o culpava, até mesmo entendia sua ação, mas ainda não aceitava. Jeon queria estar lá, tinha que ser ele consolando Jimin e dizendo que tudo ficaria bem, não que tivesse algo contra Jin, mas seu lobo estava chorando junto com o ômega e isso o fazia se sentir horrível. As vezes escutava os dois conversarem aos sussurros, mas não conseguia fazê-lo tão bem para entender o que tanto diziam um para o outro, a única coisa que sabia era que isso sempre acabava com Jimin voltando a chorar ainda mais alto. Seu peito doía tanto, nunca imaginou sofrer tanto pela carga de outra pessoa como estava agora.

Ouviu a campainha tocar e fitou a porta sem um pingo de vontade de atendê-la, mas então ouvia a voz um pouco chorosa de Seokjin percebendo só então que o mesmo também estava chorando. Mesmo que a contragosto, Jung se levantou e foi atender a porta, estava tão absolto que nem chegou a olhar para ver quem era, apenas abriu a porta e fechou ainda mais a cara ao ver o tal Min bem ali, parado a sua frente com uma expressão preocupada.

— Jimin está chorando não é? O que aconteceu, o que você fez? — Jeon não respondeu, na verdade, tentou fechar a porta na cara do outro, mas o mesmo interveio e entrou sem sua permissão deixando ainda mais irritado.

Afinal de contas, quem aquele beta pensava que era para entrar e ir até seu ômega desse jeito?

O seguiu fechando a porta com força, Jimin tinha pedido para ficar sozinho com o melhor amigo, não podia deixar Min lá, até por que, tinha que ser ele a ficar com o Park. Contudo, todo o seu controle, que já não era muito, se esvaiu quando entrou no quarto vendo Jimin se jogar nos braços de Yoongi voltando a chorar ainda mais alto. Aquilo foi demais, ver que seu ômega preferia estar nos braços de outros aos seus em um momento tão delicado o deixou do no, sabia que não era intensão de Jimin que provavelmente estava com vergonha de si, mas... Isso machucava.

— Jungkook? — Jin o chamou ao notá-lo parado e encostado no batente da porta o que  chamou atenção de Jimin.

Park levantou o olhar ainda com a cabeça nos ombros do beta que acariciava suas costas e mordeu a os lábios, envergonhado. Jungkook piscou algumas vezes soltando um ar desistente de seus pulmões, não tinha nada pra ele ali, não naquele momento, Jimin queria um tempo sem ele e o teria realmente. Talvez devesse dormir, isso deixaria sua mente mais limpa para cuidar do ômega. Respirou fundo caminhando até sua jaqueta, sentia os olhos de Jimin em suas costas, mas fingia não notar. Pegou a peça de couro preta e então as chaves de seu carro que havia ficado estacionado em frente  ao prédio.

— Jungkook, aonde vai? — Jin perguntou se levantando e o seguindo quando o mesmo não respondeu e apenas se virou voltando para a sala onde começou a calçar os tênis. — Está indo embora?

— Tanto quanto parece. — respondeu calma, porém cortante.

— Mas e o Jimin? — o ômega parou a sua frente quando se levantou para sair dali. — Ele precisa de você!

— Precisa? — repetiu aquilo como uma pergunta, foi mais pra si mesmo do que a Jin.

— É claro que precisa!

— Pois não é o que parece, Jin. Não sou eu que está lá com ele em seus braços, e acredite, não é por não querer, mas você já sabia disso. — o alfa falou saindo do encalço do ômega e olhando para a porta do quarto ouvindo algumas vozes vindas de lá.

— Ele só estava se resolvendo antes de falar com você, precisa dar esse tempo pra ele. — o rosado insistiu. — Você é o alfa dele, deveria entendê-lo!

— Eu estou tentando, ok? — respondeu alto, talvez até demais. — Mas não é fácil, eu amo o Jimin droga! Sabe o que é ver a pessoa que você ama sofrendo, chorando e não poder nem mesmo abraçá-la? Eu não estou pedindo explicações agora, é claro que eu quero saber o que está acontecendo, mas acima de tudo eu quero estar ao lado dele, estar com ele! Isso dói em mim, muito. Eu me sinto um inútil por não ser o suficiente para consolá-lo e ver outro chegando com Jimin caindo em seus braços por livre e espontânea vontade, ah, isso não melhora a situação!

— Jeon...

— Eu me conheço, não cem por cento, mas o suficiente para saber quando é a hora de parar.

— Está terminando comigo? — Os dois se assustaram com a presença repentina do Park na sala, o mesmo estava em pé na entrada do cômodo com Min atrás de si.

— Não, não conseguiria mesmo se quisesse. — Jungkook sussurrou torcendo o maxilar aí ver Yoongi com a mão na cintura do ômega e Seokjin seguiu seu olhar notando o incômodo também.

— Por causa da marca? — Jimin perguntou segurando o choro.

— Não, por que eu te amo, não seria capaz de ficar longe de você. — viu a face de Jimin se tornar pensativa e então o mesmo olhou para si.

— Então por que está indo agora, não vê que preciso de você? — Jimin falou caminhando para mais perto.

— Vai me deixar ficar ao seu lado? — Park olhou desesperado para Seokjin e aquela foi à resposta para a pergunta de Jungkook.

— Estou aqui há quase quatro horas, essa é a primeira vez que, durante esse tempo, você falou diretamente comigo. — viu o outro engolir em seco e então prosseguiu. — Todo esse tempo, perdi as contas de quantas vezes fui até seu quarto para tentar te abraçar e você apenas recuou. Não me entenda mal, mas não foi agradável saber que Yoongi mal chegou e já o tinha nos braços.

— Jungkook... — Jimin tentou, mas Jeon o que interrompeu.

— Quando eu falei sobre limites, estava me referindo a minha paciência, meu controle. Não quero dizer coisas das quais sei que vão deixar pessoas machucadas, por isso vou ir pra cada, dormir pelo menos uns dias horas e então voltarei, preciso relaxar minha mente. — soltou um longo suspiro caminhado para fora do apartamento. — Você está machucado, um de nós precisa estar forte aqui Jimin.

Jeon disse aquilo, por fim saindo do apartamento, chamou o elevador enquanto ouvia passos e vozes se aproximarem. A caixa de metal estacionou no andar e então entrou tendo a visão de Jimin parado com, mais uma vez, Yoongi ao seu encalço. A porta se fechou e pode respirar novamente. Aquilo tinha sido horrível, mas sabia que se continuasse mais um minuto vendo Jimin receber carinho de outro e  nem sendo que nem mesmo podia ficar no mesmo cômodo que ele, ah, isso o teria feito cometer um erro dos grandes.

Foi para a casa e tomou um banho quente, deitou na cama mesmo sabendo que não iria conseguir dormir. Não com seu lobo e o ômega sofrendo tanto.

Não foi grosso e muito menos dramático com a situação. Muito menos estava abandonando Jimin em um momento delicado pelo qual ele passava, mas, ainda era uma pessoa como qualquer outra. Alfas também têm sentimentos, também se magoam com coisas poucas, eles também choram, mesmo que raramente. Não era tão forte assim como a sociedade estipulava que ele deveria ser, Jungkook tinha suas fraquezas também e elas não eram sua culpa.

Um longo suspiro escapou de seus lábios, tão carregado de sentimentos quanto seu corpo e mente  estavam. O alfa fitava o teto sem nem mesmo piscar, secando toda aquela superfície branca do gesso ainda mais claro por conta da luz. Em sua mente ele formulação várias coisas e situações, tinha tanta coisa acontecendo em sua vida no momento que se perguntava ser forte o suficiente para aguentá-las sozinho. Talvez devesse conversar com alguém, seu amigo Taehyung quem sabe…

— Aish! — resmungou tampando o rosto é bufando. — Merda!

 

(...)

 

O dia se iniciou frio, muito frio. Jungkook ainda estava deitado em sua cama sem um pingo de vontade de ir trabalhar. Não estava sendo preguiçoso, simplesmente não via motivo para fazê-lo. Não queria chegar na revista fingindo ser alguém que não quando tinha noção de que isso acabaria em muito pouco tempo, muito menos tinha vontade de saber que aquelas pessoas com quem trabalha o odiariam quando descobrissem quem realmente é e qual seu verdadeiro lugar dentro da empresa.

Mas então seu celular apitou alto num toque especial e privado. Era o que tinha escolhido para o detetive J-Hope. Resolveu não atender naquele momento e fechou os olhos, se alguém perguntasse estaria mal, muito mal. Uma gripe logo no início do inverno, se certificaria de que ninguém questionasse isso. Nem mesmo o melhor amigo.

Tudo que Jungkook fez foi apenas se virar no colchão e fechar os olhos com força, mas o sono não vinha. Estava tão inquieto dentro de si… Havia aquela voz que gritava para ir até Jimin, mas ao mesmo tempo sabia que não tinha cabeça para isso agora. Temia ir até lá e em vez de ajudar, só acabar piorando as coisas; não queria ser a causa das lágrimas do ômega, mesmo que sentisse já ser.

Não soube exatamente quando, mas em algum momento parou de forçar os olhos e aquilo se tornou algo mais sereno, ainda que sua face não demonstrasse tranquilidade e paz, Jungkook caiu em sono sem nem mesmo perceber.

 

(...)

 

Taehyung alternava o olhar entre o celular e o corpo do homem ao seu lado, acariciando seu corpo nu, ondulando as pontas dos dedos em suas costas de forma lenta e gostosa. Sua curiosidade é receio estava matando-o por dentro, pouco antes de despertar por completo, notou que Hoseok havia recebido uma mensagem, e pelo pouco que entendeu era seu chefe reclamando de algum caso que ele estava demorando em resolver.

De forma óbvia, sua mente brincou os seus pensamentos diversos até chegar na investigação para qual Jungkook havia o contratado, e então seu todo ficou em alerta. Quando Hobie, como o chamava ali no privado, voltou a deitar-se à cama, Taehyung abri os curiosos olhos à procura do aparelho, este que estava desbloqueado prestes a bloquear sozinho. Todavia, o problema não era esse, e sim o nome para o qual a última mensagem havia sido enviada. Era Jungkook.

Por mais que Hoseok tenha aceitado enrolar um pouco aquela situação toda, estava na cara desde o início que não seria para todo o sempre. Aquele ainda era o trabalho do alfa, era claro que teria que cumpri-lo, ou Jungkook não pagaria a outra parte deixando sua empresa então no prejuízo. Só não esperava que fosse ser assim tão rápido.

— Está quieto demais, Tae. — seu corpo fora puxado até que os dois rostos estivessem rentes um ao outro.

— Aish, por que me tirou do confortável? — desconversou reclamando por não ter mais o peito quente do alfa aquecendo seu rosto. — Já estava quase voltando a dormir. — mentiu, ele queria mesmo era que Hoseok voltasse a pegar no sono para poder ver o que havia enviado ao melhor amigo.

— Sei… Tae? — murmurou um “hm?” vendo o alfa prosseguir. — Não fique bravo, não sou o cara mal, sabe disso, não sabe? — assentiu mordendo o lábio inferior já esperando pelo pior. — Marquei um encontro com Jungkook, disse a ele que já sei quem é J. M. e realmente pretendo contar a ele a verdade.

— Não pode separar mais um pouco? Por favor!

— Já estamos no segundo mês, não demoro tanto assim para algo com tantas pistas disponíveis, pra falar a verdade, descobrir a vida desse escritor foi tão fácil que fiquei surpreso por ele não ter sido descoberto antes. — Hoseok falou pensativo. — O que acha que Jungkook vai fazer?

— Não sei.

— É melhor amigo dele.

— Eu sei.

 

(...)

 

Já passava das duas da tarde e Jeon ainda não havia saído da cama, ele realmente dormiu, mas com o toque de seu celular constante acabou despertando. Ainda sentia-se incrivelmente cansado, mas já havia dormido até demais, então se levantou ficando sentado numa postura um tanto quanto desajeitada. Fitou o aparelho que ainda reluzir com a tela acesa e o pegou soltando um longo bufar. Eram algumas mensagens no kakkao e mais outras ligações perdidas. Entre as ligações havia as do seu pai, não estava falando com seu velho, não muito. Ia apenas visitá-lo por respeito, mas realmente não estava tão ansioso por saber como o mesmo estava, não depois da conversa que tiveram.

 

Fazia dois dias que não falava com Jimin, seu humor já não estava dos melhores e tudo a sua volta si parecia contribuir ainda mais para piorá-lo, principalmente seu pai. Mais uma vez estava indo visitar o Jeon mais velho, quando chegou uma mensagem de um contato desconhecido em seu celular. Mas aquele número não era tão desconhecido, não. Era o mesmo que vivia passando informações sobre sua mãe.

Abriu a mensagem vendo que se tratava de uma foto, seguida da mensagem: “Seu pai te contou que transa com ruivas pilantras mesmo na enfermidade?” Seu olhos se arregalaram assim que viu a imagem que tinha outra legenda nela própria: “Ao vivo”. Seu corpo se aqueceu, mas era pela raiva se acumulando. Aquela mulher, pouco conhecia sobre a mesma, mas sabia que ela tinha dedo em todo o afastamento que teve com o pai.

Respirou fundo tentando se controlar e então subiu, pelas escadas mesmo, até o andar VIP. Quando chegou lá apertou os punhos com força ao ouvir barulhos de respirações mescladas e fracas, alguns gemidos baixos, mas ainda audíveis. Decidiu que acabaria com aquilo ali mesmo, mas então a voz da mulher soou fraca e atrevida.

— Ah Jeon… Você ainda me fode tão bem quanto há anos atrás, parece até mesmo que sua esposa ainda não te satisfaz como antes… — ela falou gemendo.

— Minha esposa está morta. — voz do seu pai saiu rude e então a mulher gemeu ainda mais alto.

— Não tente me enganar mocinho, nós dois sabemos que pagou a ela para sumir com aquele namoradinho e ficar longe do próprio filho. Você é cruel, só seu bebezinho iludido que não vê e…

— Ela quis ir embora, não foi minha culpa, só não a quis perto de Jungkook quando ela se arrependeu pelo filho. — ouvir aquilo de seu o deu desnorteado, Jungkook se sentiu fraco e escorou o corpo na parede coberta pelo gesso claro do hospital.

Era isso, sua mãe havia voltado por que o amava e sentiu sua falta, mas seu pai a pagou para ir embora e não vê-lo? Por quê?

— Sei... E então, você é a vítima aqui? Isso soa interessante...

— Podemos não falar daquela vaca que me trocou por um morador de rua imundo? — depois disso Jungkook não havia escutado mais nada, pois saiu dali, não queria ouvir mais nada. Estava tão... Era seu pai, o homem que o criou e amou, em quem confiou a vida toda.

 

Naquele dia toda a raiva e angustia que sentiu daqueles dois o fez fazer algo que não deveria, e claro, se arrependeu. Mandou uma mensagem para o número que estava o presenteando com informações sobre sua mãe, queria encontra-la, ouvi-la dizer que ainda o amava e tinha ficado longe dele por algo a mais que dinheiro. Por que não conseguia aceitar que sua mãe havia voltado por si, mas desistiu dele por dinheiro.

Mordeu os lábios soltando uma negação leve com a cabeça indo ver as mensagens que havia recebido durante o dia. Havia algumas de Seokjin, uma de J-Hope, o detetive; e outra que lhe chamou a atenção suficiente para passar todas as outras. Era o número para o qual havia perguntado sobre onde encontrar sua mãe, a resposta estava ali, com horário e endereço.

Apertou com demasiada força o aparelho em suas mãos, alternando o olhar entre a mensagem e o horário que já marcava no topo do visor. Passou a remexer os pés, uma inquietação estranha o dominando, talvez fosse ansiedade, quem sabe até mesmo medo. Ele não sabia ao certo dizer o que era... Tinha essa vontade estranha de correr até o local endereçado ali, mas ao mesmo tempo, queria apenas que tudo aquilo sumisse e voltasse a ser como antes. Apenas ele, um pai com segredos e um ômega tímido por quem se apaixonou.

Todavia isso seria o mesmo que viver uma mentira encobertas por desejos fantasiados e perfeitos. Não conseguiria viver assim por muito tempo, esse não era ele. Foi por isso que se levantou indo tomar um banho e quando já pronto enviou uma mensagem como resposta as preocupadas de Seokjin, apenas para tranquiliza-lo. Foi exatamente por isso que saiu de seu apartamento e bairro indo até uma parte mais pobre de Seul em busca das respostas que precisava, e eram tantas...

Jeon viu a paisagem da cidade mudar, não estava acostumado com aquela região então precisou do GPS de seu carro o caminho todo praticamente. Não podia negar que sua mente estava um pouco dividida, já que ao mesmo tempo em que estava indo de encontro a sua mãe também tinha Jimin, e por mais confuso que estivesse, em momento nenhum deixou de pensar que havia deixado o outro em um momento que precisava de si. A única coisa que mais o tranquilizava era saber que o ômega estava nas mãos de Seokjin e que, pela mensagem que havia recebido, Min Yoongi não estava mais lá.

Não, ele não estava com ciúmes, ao menos não era esse o motivo. Talvez tenha sentido um pouco de inveja ao ver o outro podendo consolar seu amado enquanto suas tentativas foram recusadas no mesmo segundo em que tentara. O maior problema em Yoongi era a forma como conseguia se manter perto de seu ômega mesmo depois de tudo. Ele agarrou Jimin, Jungkook viu seu ômega querendo fugir dos braços alheios e deixar claro que não gostou do beijo. Não era ódio o que sentia pelo Min, era um pouco de insegurança e desconfiança, algo que, em sua mente, era totalmente compreensível.

Apertou o volante, coberto pelo couro sintético, e negou voltando sua concentração pelo trajeto. Logo já estava em frente a um prédio compartilhado, um tipo de residencial bem pequeno, tinha em torno de quatro andares. Olhou para o endereço marcado na mensagem e um longo suspiro escapou pelos lábios finos e avermelhados do alfa. Desligou o carro, mas não saiu dele. Era como se algo estivesse o segurando, com tanta força que podia jurar doer; inspirava e espirava tentando organizar sua mente e seu corpo, estava tão ansioso e com tanto medo que tinha medo de travar e apenas ficar ali parado até ver que tinha que ir embora.

Tinha medo de chegar de frente à mulher que um dia chamou de mãe e a mesma o ignorar, ou rejeitá-lo ainda mais. Temia que a verdade doesse ainda mais do que a possibilidade dela, por isso estava ali, segurando o volante com tanta força que seus dedos doíam. Queria vê-la, céus, como ele queria. Sentia saudades, afinal. Por um momento ele um sorriso fechado, mas sincero, preencheu seus lábios ao lembrar-se de quão lindo e doce era o sorriso de sua mãe, de como os dentes dela aparecia quando a mesma estava feliz, de sua gargalhada ao contar a própria piada fazendo todos rirem.

E então aquele sorriso sumiu. Não tinha mais visto o sorriso dela, as piadas, não havia mais saído com sua mãe comer algo na rua, não comia frango frito quando seu pai não estava, nem tomava refrigerante com sorvete escondido do Jeon mais velho em seu quarto. Não assistia mais filmes depois do horário estipulado com seus pais; não tinha sua mãe arrumando os fios lisos e rebeldes de sua cabeleira nem o provocando sobre ter um ômega no futuro enquanto fazia isso. Não teve mais companhia para ir à escola por que seu pai não fazia isso. Não tinha para quem dar um presente dos dias das mães por que seu pai não aceitava receber no lugar dela.

Crescer sem uma mãe é bem mais difícil do que pode se parecer, preferia não ter tido uma desde o começo, pois assim não teria do que sentir falta. Todavia ele estava ali agora, a veria, mesmo não tendo a certeza de que seria algo bom. Já havia crescido, era um homem formado, trabalhava, tinha amigos e um ômega que amava com toda a sua força. Tudo o que sua mãe dizia querer vê-lo fazer, ele fez, mas ela não estava lá para ver.

Saiu do carro, ainda parecia ter algo que o segurava lá, mas foi mais forte que isso; ele precisava ser. Entrou no prédio vendo que não tinha um porteiro ou recepcionista então subiu as escadas devagar parou no segundo andar quando a numeração da mensagem em uma das quatro portas ali. Aproximou-se da mesma, não esperou para bater na porta, temia não ter coragem e desistir caso esperasse um pouco mais. Ele ouviu algumas vozes e uma delas parecia ser de criança, começou a abrir e fechar as mãos um pouco rápido demais, estava tão ansioso que mão conseguia conter-se.

Soltou o ar um pouco mais pesado pelos lábios quando a porta começou a ser aberta. Foi então que a viu, um sorriso lindo, da forma como se lembrava. Ela sorriu para alguém dentro do apartamento e isso incomodou um pouco Jungkook, por que sabia para quem era, o filho, o outro filho.

— Pois não, você é? — ela perguntou claramente confusa. Não o reconhecia.

— Seu filho. — soltou rápido vendo a feição dela aos poucos mudar de confusa para temerosa.

— Vá embora! — ela falou rude, apertando com força no trinco onde sua mão ainda estava escorada.

— Desculpa como? — ele ficou confuso, Jungkook não estava entendendo... Ela não estava acreditando em si? — Eu disse que sou seu filho! Sou eu, Jungkook, não se lembra?

— Eu sei quem é, e quero que vá embora; não volte, por favor. — falou calma começando a fechar a porta, mas ele a impediu.

— Então por que perguntou quem eu era? — questionou sem entender nada.

— Pensei que entenderia, mas pelo visto não.

— Entender o que, mãe? — a viu fechar os olhos e engolir em seco ao ouvi-lo chama-la daquela forma, mas manteve a postura.

— Não é bem vindo.

— Onde? — sua voz saiu falhada. — Aqui?

— Na minha vida.

Jungkook deu um passo para trás, como se sentisse o impacto de algo contra seu corpo, contra seu peito agora ainda mais ferido. O que tinha feito de tão errado?

— Jungkook, não acha que existe um motivo para eu viver em Seul e não te procurar? — ela perguntou ao jovem que ainda parecia formular as palavras escutadas em sua mente.

— Eu sou seu filho, você me ama?

— E te deixei.

— Mas eu posso te perdoar se me disser o que houve, por que fez isso! — insistiu. — Eu... Eu quero te contar como anda minha vida, você não está curiosa? Eu trabalho na revista do meu pai, sabia? Tem um amigo ômega que é editor chefe lá, também tenho um ômega, eu amo muito ele e nós somos...

— Eu acho que não fui clara... — ela sussurrou o interrompendo. — Eu não quero saber de sua vida, deixei de ser sua mãe no momento que sai daquela casa. Não espero seu perdão, então continue me odiando. Eu disse que te amava, mas não tenho culpa se foi uma criança tola que acreditou em tudo.

— Por quê? — sua voz saiu tão fraca... — Eu nunca te odiei; você é minha mãe, não importa o que diga. — mais uma vez a viu fechando os olhos com força, por que ela parecia odiar tanto ser chamada de mãe por ele?

— Jungkook, não vou repetir o que já disse, apenas suma e finja que não esteve aqui, não volte, eu não quero tomar medidas drásticas, seu pai não o quer aqui e eu também não. Apenas me deixe viver minha vida, longe de... Você.

Após ter dito aquilo ela entrou e fechou a porta a trancando, Jungkook foi rápido até a mesma, mas não conseguiu impedir. Gritou de raiva, chamou-a pelo nome alto suficiente para alguém aparecer ali e dizer que chamaria a policia se não saísse, mas mesmo assim não parou, batia com força na porta e gritava para ela abrir aquela maldita barreira de madeira que o separava de sua mãe.

Quando viu que realmente estavam ligando para a polícia, Jungkook se afastou da porta e desceu correndo. Sem pensar muito, entrou em seu carro ouvindo o barulho da sirene bem próximo, eles tinham mesmo chamado a polícia. Deu partida acelerando o carro saindo dali antes que fosse preso e só prejudicasse mais sua situação. Na verdade, ele nem mesmo estava pensando sobre isso, a única coisa que queria agora era sair dali, não estava bem, não estava nada bem. Respirava fundo, várias vezes para manter controle no carro que dirigia.

 

 

(...)

 

Não soube exatamente quando, mas ao se dar conta de todas as suas recentes ações, Jungkook já estava em frente ao apartamento de Jimin. Aquilo estava corroendo ela de uma forma inexplicável. Era como se todo um peso absurdo despencasse sobre suas costas já feridas deixando-o vulnerável e ainda mais fraco. Não estava aguentando com aquele peso, não sozinho. Queria poder dizer que estava atrás de alguém com menos problemas que si, mas tinha que ser ele, com ele.

— Jungkook? — Jin correu até si todo feliz, mas ao fitar por mais tempo o rosto do alfa, o ômega recuou com a feição preocupada. — Está tudo bem? — Jungkook assentiu olhando em volta.

— Ele está bem? — questionou se referindo a Jimin que deveria estar no quarto.

— Sim, bem melhor que antes, mas está preocupado. Jimin parece ter mais medo de perder você do que qualquer outro. — Jin suspirou. — Eu odeio essa insegurança dele, me dá uma angústia tremenda... Ele é a melhor pessoa que conheço, só queria que Jimin entendesse isso.

— Eu também... — Jungkook soltou pensativo. — Pode fazer uma coisa por mim? — Jin assentiu. — Vai ao mercado e encha essa geladeira e a dispensa dele, tenho certeza que está vazia. — pediu entregando um tanto de dinheiro ao ômega.

— E está mesmo, mas e quanto a Jimin?

— Eu cuido, preciso ficar sozinho com ele.

— Tem certeza?

— Jin. — Jungkook apenas o olhou e o ômega soube que algo estava acontecendo, ele assentiu e logo já estava saindo do apartamento.

Jungkook olhou para o corredor que levava ao quarto de Jimin e não esperou nem mãos um segundo para ir até lá. Seus passos agora estavam apressados e desajeitados, sua mente, seu corpo, inteiramente todo o seu ser clamava para que fizesse isso. Já havia segurado por muito tempo. Jungkook precisava estar nos braços do seu ômega. Sentir ele, a segurança que lhe dava.

Ao entrar no quarto o ômega que estava saindo do banheiro com a toalha na cintura ficou assustado e tentou tampar o corpo, o que foi em vão. Jungkook sabia que Jimin ficaria envergonhado demais e tentaria de esquivar disso, então foi mais rápido e puxou o corpo pouco menor que si fazendo o mesmo cair deitado no colchão.

— Jungkookie? — Jimin perguntou estranho aquele comportamento vindo do alfa, mas Jungkook não esperou que dissesse algo mais. Deitou seu corpo sobre o alheio ficando entre as pernas do mesmo tomando em seus braços.

O abraçou com força, como se Jimin fosse sumir dali a qualquer momento.

 

— Você está cheirando a comida. — Jungkook sussurrou fazendo Jimin franzir o venha confuso. — Talvez seja a cama... De qualquer forma isso me deixa feliz.

— Oh... Está tudo bem? — Park conseguia sentir que Jungkook estava inquieto e estranho, por mais que sua voz soasse calma e suave.

— Meu pai mentiu pra mim, minha mãe mentiu pra mim. — Jungkook estava com a bochecha acomodada no tórax do ômega e então 9lhou para baixo, para a mão apoiada na barriga do ômega. — Tenho quase certeza de que meu melhor amigo mentiu pra mim, acho que meu detetive particular também está mentindo para mim...

— Jungkook o que...

— Você também está mentindo para mim.  — O moreno notou que Jimin ficou nervoso com aquilo, mas não tinha terminado de falar ainda. — Eu não quero que você se sinta pressionado, não quero te prejudicar mais ainda. Mas nós dois sabendo que tem algo acontecendo, você nunca me fala sobre a sua vida, mas isso não quer dizer que eu não queria falar sobre ela.

— Jungkook eu... Do que está falando? — a voz do ômega saiu tremida.

— Eu te amo, muito mesmo... Mas você precisa parar com isso Jimin. Eu quero que me conte a verdade, não minta pra mim também. Eu preciso que ao menos alguém me conte a verdade, não posso aceitar mais mentiras na minha vida. Eu cansei...

— Está chorando? — Jimin havia enfim notado.

— Não me ache um fraco por isso, por favor! Eu só... Só preciso da verdade Jimin, ela machuca, mas a mentira me machuca ainda mais.

Jungkook levantou o corpo olhando nos olhos do ômega que também o fitava. Os dois estavam em silêncio, os olhos do alfa que alguns soluços do mesmo era o único conjunto de som dentro do quarto.

— Eu tenho medo. — Jimin admitiu.

— Eu também.

 


Notas Finais


Link do grupinho no whats: https://chat.whatsapp.com/G6w0u7IAXUDK0p7csfGdJ4
Fic nova (não me xinguem): https://spiritfanfics.com/historia/a-maldicao-9827079
Espero que tenham gostado, diga, se puderem, o que estão achando da fic, eu realmente queria saber meus amores!

Quem eu ainda não respondi os comentários, fique tranquilo que tô respondendo aos poucos, mas tô <3

BEIJÃO *3*


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