História My Destiny - Markson - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias 2PM, Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Wooyoung, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Got7, Jinyoung, Markson, Mpreg, Yugbam
Visualizações 224
Palavras 2.796
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - 12


JACKSON POV

MINHA GARGANTA SE FECHA assim que pisamos no hospital, como se uma muralha de escuridão surgisse do nada e me engolisse. Paro por um segundo na entrada e fico ali, com os braços pesadamente caídos. E então sinto a mão de Mark tocar meu pulso.

Olho para ele. Está sorrindo com tanta ternura que me faz derreter um pouco. Alguns fios de cabelo caem pelos lados do seu rosto. Sinto a necessidade de esticar a mão e afastá-los delicadamente com o dedo, mas não faço isso.

Não posso fazer essas merdas. Preciso me livrar dessa atração. Mas ele é diferente dos outros garotos e garotas, e acho que é exatamente por isso que estou tendo tanta dificuldade. Não preciso disso agora.

— Você vai ficar bem — ele diz.

Sua mão solta meu pulso quando ele nota que chamou minha atenção. Sorrio fracamente para ele.

Seguimos o corredor até o elevador e subimos para o terceiro andar. A cada passo do caminho, sinto que deveria dar meia-volta e sair daqui. Meu pai não quer que eu demonstre emoção lá dentro, e no momento estou prestes a explodir.

Talvez seja melhor eu sair, esmurrar algumas árvores e descarregar tudo antes de entrar no quarto.

Paramos na sala de espera, onde algumas outras pessoas estão sentadas, lendo revistas.

— Vou te esperar aqui — Mark diz, e eu olho para ele.

— Por que você não entra comigo?

Quero muito que ele entre. Não sei por quê.

Mark começa a fazer que não com a cabeça.

— Não posso entrar lá — diz, parecendo pouco à vontade agora. — É sério, eu... eu não acho adequado.

Estendo a mão, pego delicadamente a mala do ombro dele e ponho no meu. Está leve, mas ele estava começando a parecer incomodado.

— Não tem problema — insisto. — Eu quero que você entre comigo.

Por que estou dizendo isso?

Ele baixa a cabeça e depois observa cautelosamente o resto da sala, antes que seus olhos me encarem de novo.

— Tá — ele diz com um breve aceno.

Sinto meu rosto se abrir num sorrisinho e instintivamente seguro a mão dele. Ele não me impede.

Me sinto reconfortado por ele, nem é preciso dizer, e tenho a sensação de que ele está feliz em aceitar. Com certeza sabe o quanto algo assim deve ser difícil para qualquer um.

Andamos de mãos dadas até o quarto do meu pai.

Ele aperta minha mão uma vez, me olhando como que para me encorajar mais. E então eu empurro a porta do quarto de hospital. Uma enfermeira me olha quando entramos.

— Sou o filho do sr. Wang.

Ela balança a cabeça solenemente e continua ajustando as máquinas e tubos conectados ao meu pai.

O quarto é um espaço tipicamente neutro e estéril, com paredes brancas brilhantes e um chão de cerâmica tão lustroso que as lâmpadas dos painéis do forro são refletidas por ele. Ouço o bipe constante e regular do monitor de frequência cardíaca ao lado da cama do meu pai. Ainda não olhei para ele, na verdade. Noto que estou olhando para tudo no quarto, menos para ele.

Os dedos de Mark apertam os meus.

— Como ele está? — pergunto, mas sei que é uma pergunta idiota. Está morrendo; é assim que ele está. É que não consigo dizer mais nada.

A enfermeira me olha sem expressão.

— Ele não está consciente o tempo todo, como você já deve saber.

Não, na verdade eu não sabia.

— E não houve nenhuma mudança, nem para melhor, nem para pior. — Ela ajeita um tubo de soro preso nas costas da mão enrugada dele.

Então ela dá a volta na cama, pega uma prancheta da mesinha e enfia debaixo do braço.

— Mais alguém esteve aqui? — pergunto.

A enfermeira balança a cabeça.

— Parentes têm vindo nos últimos dias. Alguns saíram há mais ou menos uma hora, mas acho que devem voltar.

Provavelmente Yugyeom, meu irmão mais velho, e seu esposo, Bambam. E meu irmão mais novo, Sungjin.

A enfermeira sai discretamente do quarto.

Mark olha para mim, apertando mais forte minha mão. Seus olhos sorriem cautelosamente.

— Vou sentar ali e deixar você visitar seu pai, tá?

Concordo com a cabeça, embora tudo que ele disse tenha sumido da minha mente como uma lembrança fugidia. Seus dedos soltam os meus devagar e ele se senta perto da parede, numa poltrona de vinil. Respiro fundo e passo a língua em meus lábios ressecados.

O rosto do meu pai está inchado. Tubos entram em suas narinas, levando oxigênio.

Fico surpreso em ver que ele ainda não está sendo mantido por aparelhos, mas isso me dá uma pequena esperança. Bem pequena. Sei que ele não vai melhorar; isso já foi praticamente confirmado. O que sobrava do seu cabelo foi raspado. Falaram em tentar uma cirurgia, mas quando meu pai ficou sabendo que isso não iria salvá-lo, naturalmente reclamou:

— Vocês não vão mexer na minha cabeça, caralho — ele exclamou. — Querem que eu pague milhares de dólares pra um médico de meia-tigela rachar a minha cachola? Puta que pariu, rapaz! (Ele estava falando especificamente com Yugyeom.) Nem parece que você tem dois bagos no meio das pernas!

Meus irmãos e eu estávamos dispostos a fazer o que fosse preciso para salvá-lo, mas ele assinou escondido da gente algum tipo de “cláusula” que dizia que, quando a situação piorasse, ninguém teria o direito de tomar essas decisões por ele.

Foi minha mãe que alertou o hospital sobre os desejos do meu pai, dias antes que a cirurgia fosse realizada, e apresentou todos os papéis. Isso nos abalou, mas minha mãe é uma mulher inteligente e amorosa, e nenhum de nós jamais conseguiria ficar puto com ela por ter feito isso.

Eu me aproximo e olho para o corpo dele. Minha mão meio que tem vontade própria, e quando dou por mim, está deslizando ao lado da dele e segurando-a. Até isso parece estranho. Como se eu não devesse tê-lo feito. Se fosse qualquer outra pessoa, eu não teria problema em segurar a mão dela. Mas este é meu pai, e sinto que estou fazendo algo errado. Posso ouvir a voz dele na minha cabeça: “Homem não pega na mão de homem, rapaz. Qual é o teu problema?”

De repente, meu pai abre os olhos e instintivamente solto a mão dele.

— É você, Jackson?

Balanço a cabeça, olhando para ele.

— Cadê a Linda? (Ela é estrangeira meus amores)

— Quem?

— Linda — ele diz, e seus olhos não conseguem decidir se querem ficar abertos. — Minha mulher, Linda. Cadê ela?

Engulo com dificuldade e olho rapidamente para Mark, que está sentado quietinho, observando.

Eu me viro para o meu pai.

— Pai, você e Linda se divorciaram ano passado, lembra?

Seus olhos estão molhados. Não são lágrimas. É só umidade. Ele parece zonzo por um momento e estala os lábios, passando a língua seca na boca.

— Quer um pouco d’água? — pergunto, e estico o braço para a longa mesa com rodinhas que foi afastada da cama. Uma jarra d’água cor-de-rosa e uma caneca grossa de plástico com tampa e um canudo no meio estão em cima dela.

Meu pai faz que não com a cabeça.

— Você ajeitou a sra. Nina? — ele pergunta.

Balanço a cabeça de novo.

— Sim, ela tá linda. Pintura e rodas especiais novas.

— Que bom, que bom — ele aprova, assentindo um pouco com a cabeça também.

A situação é meio constrangedora, e sei que isso está escrito na minha testa e na minha postura. Não sei o que dizer, se devia tentar forçá-lo a beber um pouco d’água ou apenas me sentar e esperar Yugyeom e Sungjin voltarem. Prefiro que eles cuidem dele. Não sou bom nessas coisas.

— Quem é aquela coisinha linda? — ele pergunta, olhando para a parede.

Eu me pergunto como meu pai consegue ver Mark lá longe, e então noto que ele o vê pelo espelho alto do outro lado, que reflete aquela parte do quarto. Mark fica imóvel por um instante, mas aquele sorriso lindo dele lhe ilumina o rosto. Ele levanta a mão e acena para ele pelo espelho.

Mesmo com todo o inchaço, vejo um sorriso nos lábios do meu pai.

— Aquela é a tua Eurídice? — ele pergunta, e eu arregalo os olhos. Espero que Mark não tenha ouvido isso, mas não sei como ele poderia não ouvir. Meu pai levanta fracamente uma mão e acena para Mark.

Ele se levanta e vem ficar ao meu lado. Sorri com tanta ternura para ele que fico até impressionado. Parece que ele nasceu pra isso. Sei que está nervoso e talvez se sinta menos à vontade do que nunca, neste quarto com este moribundo que ele nem conhece, mas segura a onda.

— Olá, sr. Wang — ele diz. — Sou Mark Tuan, amigo de Jackson.

Ele olha para mim. Conheço essa cara; está comparando a resposta dele com a minha expressão, tentando decifrar o significado de “amigo”.

E então, de repente, meu pai faz algo que nunca o vi fazer: ele estica a mão... para mim.

O gesto me deixa atordoado.

Só quando noto Mark disfarçadamente me alertando com os olhos para aceitar a mão dele é que caio em mim e a seguro, nervoso. Eu a seguro por um momento longo e embaraçoso e meu pai fecha os olhos e volta a dormir. Solto a mão dele quando sinto seu fraco aperto perder completamente a força.

A porta se abre e meus irmãos entram, junto com o esposo de Yugyeom, Bambam.

Me afasto do meu pai na hora, levando Mark comigo, sem perceber que estou segurando a mão dele de novo até que os olhos de Yugyeom descem para nossos dedos entrelaçados.

— Que bom que você chegou — Yugyeom comenta, mas com uma pitada de desprezo na voz, sem dúvida.

Ainda está puto comigo por não ter tomado um avião e chegado mais rápido. Ele vai ter que se conformar; cada um lamenta à sua maneira.

Apesar disso, ele me puxa num abraço, apertando uma das mãos entre nós e batendo nas minhas costas com a outra.

— Este é Mark — apresento, olhando para ele.

Ele sorri para os três, já da poltrona perto da parede.

— Estes são meu irmão mais velho, Yugyeom, e seu esposo, Bambam. — Aponto delicadamente para eles. — E aquele é o mais pirralho, Sungjin.

— Babaca — Sungjin responde.

— Eu sei — concordo.

Yugyeom e Bambam se sentam nas outras duas cadeiras, perto de uma mesa, e começam a distribuir os hambúrgueres e fritas que acabaram de comprar.

— O velho ainda não acordou — Yugyeom diz, enfiando algumas batatas fritas na boca. — Detesto dizer isso, mas acho que nem vai.

Mark olha para mim. Nós dois falamos com meu pai agora há pouco e sei que elaeespera que eu conte isso.

— Provavelmente não — digo, e vejo Mark apertando os olhos, confuso.

— Quanto tempo você vai ficar? — Yugyeom pergunta.

— Não muito.

— Por que isso não me surpreende? — Ele dá uma mordida no seu hambúrguer.

— Não começa com essa merda, Yugyeom, não tô a fim disso, e aqui não é a hora nem o lugar, porra.

— Você que sabe — Yugyeom diz, balançando a cabeça e mastigando a comida. Ele mergulha algumas batatas fritas num montinho de ketchup que Bambam fez num guardanapo no meio da mesa. — Faz o que você quiser, mas esteja aqui pro enterro.

Não há emoção no seu rosto. Ele simplesmente continua a comer.

Eu fico completamente paralisado.

— Porra, Yugyeom — Sungjin diz atrás de mim. — Dá um tempo, cara! Fala sério, mano, o Jackson tem razão.

Sungjin sempre foi o mediador entre mim e Yugyeom. Sempre foi o mais equilibrado. Eu e Yugyeom pensamos melhor com os punhos. Meu irmão mais velho sempre ganhou de mim quando éramos mais novos, mas mal sabia ele que sempre que me enchia de porrada estava me treinando.

Agora estamos no mesmo nível. Evitamos as vias de fato a todo custo, mas sou o primeiro a admitir que não sei segurar minha onda tão bem quanto ele. E Yugyeom sabe disso. Por isso está ficando na dele, agora, e usando Bambam como uma distração. Ele limpa um pouco de ketchup da boca do esposo. Ele dá uma risadinha.

O olhar de Mark cruza o meu; provavelmente ele está tentando chamar minha atenção há alguns minutos, e por um momento penso que quer me avisar que é hora de ir embora, mas ele só balança a cabeça, pedindo que eu me acalme.

Obedeço na hora.

— Então — Sungjin diz, para aliviar a tensão no ambiente —, há quanto tempo vocês estão saindo? — Ele se apoia na parede perto do aparelho de TV, cruzando os braços no peito.

— Oh, não, somos só amigos — digo.

Acho que Mark ficou vermelho, mas não tenho certeza.

— Deve ser um bom amigo, pra vir até Mingongjae com você — Yugyeom diz.

Por sorte, ele não está sendo babaca. Se decidisse descontar em Mark a raiva que sente de mim, eu ia ter que quebrar a cara dele.

— Pois é — Mark diz, e sou instantaneamente absorvido pela doçura da sua voz —, eu moro em Jeju; achei que alguém devia viajar com o Jackson, já que ele vinha de ônibus.

Fico surpreso por ele lembrar onde falei que morava.

Yugyeom faz que sim com a cabeça para ele com simpatia; suas bochechas se movem enquanto ele mastiga.

— Maior gato, mano — ouço Sungjin cochichar atrás de mim.

Eu me viro e o silencio com o olhar. Ele sorri, mas cala a boca.

O velho se mexe quase imperceptivelmente e Sungjin se aproxima do lado da cama. Ele dá um soquinho amigável no nariz de papai.

— Acorda. A gente trouxe hambúrguer.

Yugyeom levanta seu sanduíche como se nosso pai pudesse vê-lo.

— Tá bem gostoso. Melhor acordar logo, senão a gente come tudo.

Papai continua imóvel.

Ele treinou muito bem os três filhos. A gente jamais pensaria em ficar em volta da cama dele, deprimidos e essas merdas todas. E, quando ele morrer, Yugyeom e Sungjin provavelmente vão pedir uma pizza e uma caixa de cerveja e ficar falando merda até amanhecer.

Eu não estarei aqui para participar disso.

Aliás, quanto mais tempo eu ficar, maior a chance de ele morrer antes que eu vá embora.

Falo com meus irmãos e com Bambam mais alguns minutos, e então me aproximo de Mark.

— Você tá pronto?

Ele pega minha mão e fica de pé.

— Já vão embora? — Yugyeom diz.

Mark fala antes de mim, dizendo com um sorriso: — Ele volta; a gente só vai comer alguma coisa.

Ele está tentando desarmar a discussão antes que comece. Olha para mim e eu, concordando em fazer o mesmo, viro para Sungjin e digo: — Me liga se alguma coisa mudar.

Sungjin concorda com a cabeça, mas não diz mais nada.

— Tchau, Jackson — Bambam diz. — Foi bom te ver de novo.

— Você também.

Sungjin nos acompanha até o corredor.

— Você não vai voltar, vai? — ele diz.

Mark se afasta de nós e anda pelo corredor para nos deixar conversar.

Balanço a cabeça.

— Desculpa, Sung, mas não consigo lidar com isso. Não consigo.

— Eu sei, mano. — Ele faz que sim com a cabeça. — Papai não ia nem ligar, você sabe. Ia preferir que você fosse transar ou encher a cara em vez de ficar olhando pra ele naquela cama.

Meu irmão está dizendo a verdade, por mais estranha que ela seja.

Ele também olha de relance para Mark, depois de dizer isso.

— Só amigos? Mesmo? — cochicha para mim com um sorriso malicioso.

— Sim, a gente é só amigo, então cala essa boca, porra.

Ele ri silenciosamente e bate no meu braço.

— Te ligo quando for preciso, tá?

Balanço a cabeça, concordando. Quando “for preciso” significa quando papai morrer.

Sungjin levanta a mão para acenar para Mark.

— Prazer.

Ele sorri e ele volta para dentro do quarto.

— Acho que você devia ficar aqui, Jackson. Acho mesmo.

Começo a andar mais rapidamente pelo corredor e ele me acompanha. Enfio as mãos nos bolsos. Sempre faço isso quando estou nervoso.

— Sei que você deve me achar um babaca egoísta por estar indo embora, mas você não entende.

— Então me explica — ele insiste, me segurando pelo cotovelo enquanto continuamos andando. — Não acho que esteja sendo egoísta, só acho que você não sabe como lidar com esse tipo de dor.

Ele está tentando me olhar nos olhos, mas não consigo olhar para ele. Só quero sair de dentro desta sentença de morte feita de tijolos vermelhos.

Chegamos ao elevador e Mark para de falar porque há duas outras pessoas dentro dele, mas assim que chegamos ao térreo e as portas de metal se abrem, ele continua.

— Jackson. Para. Por favor!

Paro ao ouvir a voz dele e ele me faz virar. Ele me olha com uma expressão tão atormentada que meu coração dói.

— Fala comigo — ele diz mais baixinho, agora que chamou minha atenção. — Falar não faz mal.

— Do mesmo jeito que não faz mal me contar por que Jeju?

Isso o atinge.



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