História My Destiny - Markson - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias 2PM, Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Wooyoung, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Got7, Jinyoung, Markson, Mpreg, Yugbam
Visualizações 106
Palavras 3.315
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Falei que ia postar outro capítulo ontem, mas eu dormi que nem pedra. Hoje vou postar mais, certeza.

Capítulo 15 - 15


MARK POV

ACORDO DEPOIS QUE ESCURECE, quando Jackson diminui a velocidade para passar por um pedágio. Não sei quanto tempo dormi, mas sinto que tive uma noite inteira de sono, apesar de estar encolhido no canto do banco do passageiro, com a cabeça encostada na porta. Eu deveria estar massageando alguns músculos entrevados, como fazia no ônibus, mas me sinto bem.

— Onde a gente tá? — pergunto, cobrindo um bocejo com a mão

— No meio do nada — Jackson responde. — Você dormiu bastante.

Termino de erguer o corpo e deixo meus olhos e o resto se acostumarem a estar acordados de novo. Jackson pega outra estrada.

— Acho que sim, melhor do que dormi no ônibus em toda a viagem de Seul até Mingongjae.

Olho para o display azul do som do carro: 22h14. Uma canção soa nos alto-falantes.

Me faz pensar em quando conheci Jackson no ônibus. Sorrio comigo mesma, notando que ele fez questão de deixar a música baixinha no carro enquanto eu dormia.

— E você? — pergunto, me virando para ver seu rosto parcialmente escondido pela escuridão. — Acho esquisito oferecer, porque o carro é do teu pai, mas posso dirigir, se precisar

— Não, não precisa achar esquisito — ele diz. — É só um carro. É uma antiguidade preciosa e meu pai te enforcaria se soubesse que você pegou no volante dele, mas eu deixo você dirigir, com certeza. — Mesmo nas sombras, vejo o lado direito da boca dele formando um sorriso maldoso.

— Bom, agora não sei mais se eu quero.

— Meu pai tá morrendo, lembra? O que ele pode fazer?

— Isso não tem graça, Jackson.

Ele sabe que não. Tenho plena consciência do jogo que Jackson está jogando consigo mesmo, sempre procurando qualquer coisa que o ajude a lidar com o que está acontecendo, mas em vão. Só me pergunto por quanto tempo mais vai conseguir continuar assim. As piadinhas fora de hora vão acabar se esgotando, e ele não vai mais saber o que fazer.

— Vamos parar no próximo motel — ele diz, pegando outra estrada. — Aí eu vou dormir um pouco.

Então ele me olha de relance.

— Em quartos separados, claro.

Fico feliz por ele ter pensado nisso tão rápido. A gente até pode estar viajando constrangedoramente sozinhos pela Coreia, mas acho que não conseguiria dormir no mesmo quarto que ele.

— Ótimo — digo, esticando os braços à minha frente com os dedos cruzados. — Preciso tomar um banho e escovar os dentes por mais ou menos uma hora.

— Não vou discordar disso — ele brinca.

— Ei, teu hálito também não tá essa maravilha toda.

— Eu sei — Jackson admite, cobrindo a boca com a mão e expirando nela. — Parece até que comi aquela caçarola de merda que a minha tia faz todo ano na reunião de família.

Rio alto.

— Péssima escolha de palavras — digo. — Caçarola de merda? É de merda mesmo? — Sinto vontade de vomitar.

Jackson também ri.

— Olha, podia até ser. Amo a tia Jiho de paixão, mas a mulher não foi abençoada com dotes culinários.

— Parece a minha mãe.

— Deve ser ruinzão — ele comenta, olhando para mim. — Ser criada na base do macarrão instantâneo e Hot Pockets.

Balanço a cabeça.

— Não, eu aprendi a cozinhar. Não como porcarias, lembra?

O rosto sorridente de Jackson é iluminado pela luz suave dos postes ao longo da rua.

— Ah, é — ele diz —, a srta. Bolinhos de Arroz não quer saber de hambúrgueres sangrentos, nem de fritas gordurosas.

Faço cara de nojo, rejeitando sua teoria dos bolinhos de arroz.

Minutos depois, entramos no estacionamento de um pequeno motel de dois andares; do tipo com quartos que dão para uma área aberta, e não para um corredor. Saímos e esticamos as pernas — Jackson alonga pernas, braços, pescoço, praticamente o corpo todo — e pegamos as malas no banco de trás. Ele deixa o violão.

— Tranca a porta — ele pede, apontando.

Entramos no saguão que cheira a sacos de aspirador de pó e café.

— Dois quartos de solteiro adjacentes, se tiver — Jackson diz, tirando a carteira do bolso de trás.

Ponho a bolsa na frente do corpo e pego minha carteira de zíper.

— Eu pago o meu quarto.

— Não, pode deixar.

— É sério, me deixa pagar.

— Já falei que não, tá? Guarda essa carteira.

Obedeço relutantemente.

A mulher de meia-idade com o cabelo grisalho preso num coque malfeito nos olha com expressão neutra. Ela volta a tamborilar no teclado para ver quais os quartos disponíveis.

— Fumantes ou não fumantes? — ela pergunta, olhando para Jackson.

Noto que os olhos dela descem pelos braços musculosos de Jackson enquanto ele pega o cartão de crédito.

— Não fumantes.

Tap, tap, tap. Clic, clic, clic. Mexe no teclado, mexe no mouse.

— Os únicos quartos de solteiro adjacentes que tenho são um de fumante e outro de não fumante.

— Podem ser esses — ele diz, entregando o cartão.

Ela o pega dos dedos dele, e o tempo todo observa cada movimento que a mão de Jackson faz até sumir de vista atrás do balcão.

Vadia.

Depois que pagamos e recebemos as chaves, saímos de novo e Jackson pega o violão no carro.

— Eu devia ter perguntado antes de a gente chegar aqui — ele comenta enquanto o sigo —, mas se você tá com fome, posso sair e trazer alguma coisa.

— Não, tô legal. Obrigado.

— Tem certeza? — Ele olha para mim.

— Tenho, tô sem fome nenhuma, mas se depois eu ficar, posso comprar alguma coisa na máquina.

Jackson enfia o cartão na fechadura da primeira porta e uma luz verde aparece. Ele abre a porta em seguida.

— Mas tudo o que tem naquele negócio é puro açúcar e gordura — diz, lembrando nossas conversas anteriores sobre comer porcarias.

Entramos no quarto de decoração monótona, com uma cama de solteiro encostada numa cabeceira de madeira presa à parede. A colcha é marrom, feia e me deixa apavorada. O quarto cheira a limpeza e parece decente, mas nunca dormi num motel sem antes tirar a colcha da cama. Não há como saber o que vive nela, ou quando foi lavada pela última vez.

Jackson inspira profundamente, sentindo o cheiro do quarto.

— Este é o de não fumantes — decide, olhando ao redor, como se o estivesse inspecionando. — Você fica com ele. — Ele apoia o violão na parede e entra no pequeno banheiro, acende a luz, testa o exaustor, depois vai para a janela do outro lado da cama e testa o ar-condicionado, afinal, estamos no meio de julho. Em seguida, vai até a cama, puxa cuidadosamente o edredom e examina os lençóis e travesseiros.

— O que você tá procurando?

Ele diz, sem me olhar:

— Quero ver se tá limpo; não quero você dormindo em cima de nenhuma nojeira.

Fico bem vermelho e me viro antes que ele perceba.

— Meio cedo pra dormir — ele diz, se afastando da cama e pegando o violão de novo. — Mas a viagem me cansou bastante.

— Bom, tecnicamente, você não dorme desde que a gente desceu do ônibus.

Deixo minha bolsa e a mala no pé da cama.

— Verdade —Jackson diz. — Isso significa que tô acordado há umas 18 horas.

Caramba, eu nem tinha percebido.

— Culpa do cansaço.

Ele vai até a porta e põe a mão na maçaneta prateada, abrindo-a de novo. Fico ali, ao pé da cama. É um momento embaraçoso, mas não dura muito.

— Bom, a gente se vê de manhã — ele diz da entrada. — Tô aqui do lado, no 110; pode ligar, bater na porta ou na parede se precisar de mim. — No seu rosto há só gentileza e sinceridade.

Concordo com a cabeça, sorrindo em resposta.

— Então boa noite — ele se despede.

— Noite.

E Jackson sai, fechando devagar a porta atrás de si.

Depois de pensar nele distraidamente por um segundo, caio em mim e mexo dentro da minha mala. Vai ser meu primeiro banho em alguns longos dias. Estou babando só de pensar. Tiro da mala uma cueca limpa, meu short branco de algodão favorito e uma camiseta do time da universidade com listras rosa e azuis nas mangas. Depois acho minha escova de dentes, a pasta e o Listerine e entro no banheiro levando tudo. Fico nua, arrancando alegremente as roupas sujas e jogando as numa pilha no chão. Me olho no espelho. Ai meu Deus, tô horroroso. Minha maquiagem saiu quase toda; mal sobrou um pouco de rímel.

Não acredito que eu estava viajando com Jackson nesse estado.

Escovo os dentes primeiro e fico com a boca cheia de Listerine de menta até bem depois de parar de arder.

O chuveiro parece o paraíso. Fico debaixo do jato por uma eternidade, deixando a água quase pelando bater no meu corpo até que eu não aguente mais, e o calor começa a me fazer adormecer de pé mesmo. Lavo tudo. Duas vezes. Só porque posso e porque já faz um tempão. Por fim, me depilo, feliz em me livrar dos pelos nojentos que estavam começando a crescer nas minhas pernas. E, finalmente, fecho as torneiras que rangem e pego a toalha branca do motel, dobrada obsessivamente sobre o suporte atrás da privada.

Ouço o chuveiro funcionando no quarto ao lado e me surpreendo prestando atenção no barulho. Imagino Jackson lá, só tomando banho, nada sexual nem pervertido, embora pensar em algo assim não seria nada difícil. Penso só nele de maneira geral, no que estamos fazendo e por quê. Penso no seu pai e meu coração dói de novo só de lembrar o quanto Jackson está sofrendo, e como me sinto impotente na hora de ajudá-lo.

Finalmente, me obrigo a pensar de novo em mim, na minha vida e nos meus problemas, que na verdade perdem de longe para os de Jackson.

Espero que eu nunca seja obrigado a lhe contar sobre minhas dificuldades e todas as coisas que me levaram a fazer aquela viagem de ônibus, porque vou me sentir tão ridículo e egoísta. Meus problemas não são nada, comparados com os dele.

Deito na cama com o cabelo molhado, penteando com os dedos. Ligo a TV — não estou nada cansado, já que dormi a maior parte do caminho desde Momoland — e vou mudando de canal, finalmente deixando num filme qualquer com Jet Li. Mas é mais para servir de ruído de fundo do que para qualquer outra coisa.

Mamãe ligou quatro vezes e deixou quatro recados.

Ainda nada de Youngjae.

— Como vão as coisas? — Minha mãe diz no meu ouvido. — Espero que esteja se divertindo muito.

— Tô, tá tudo ótimo. Como você tá?

Ela ri do outro lado da linha e aquilo instintivamente me causa repulsa. Tem um homem com ela. Que nojo, espero que ela não esteja falando comigo na cama, pelada, com um cara lambendo o seu pescoço.

— Estou bem, querido — ela responde. — Continuo saindo com Hodong, vamos fazer aquele cruzeiro no fim de semana que vem.

— Que bom, mãe.

Ela dá outra risadinha.

Eu torço o nariz.

— Bom, querido, preciso desligar (Para, Hodong). — Ela ri de novo. Desse jeito vou vomitar. — Só queria saber como você estava. Por favor, me ligue amanhã a qualquer hora, e me mantenha informada, certo?

— Tá, mãe, eu ligo. Te amo.

Desligamos e eu deixo o celular cair na cama na minha frente. Depois me jogo nos travesseiros, imediatamente pensando em Jackson no quarto ao lado. Ele pode estar com a cabeça encostada nesta mesma parede. Mexo nos canais da TV mais um pouco até passar por todos pelo menos umas cinco vezes, e aí desisto.

Me afundo mais e olho para o quarto.

O som de Jackson tocando violão me deixa alerto, e me levanto devagar dos travesseiros para ouvir melhor. É uma melodia suave, uma coisa entre vaga e lamentosa.

E então, quando vem o refrão, o ritmo acelera só um pouco, mas volta a ser um lamento no compasso seguinte. É absolutamente linda.

Ouço-o tocar pelos 15 minutos seguintes, e depois vem o silêncio. Desliguei a TV quando o ouvi, e agora o único som é o do pinga-pinga da pia do banheiro e ocasionalmente algum carro no estacionamento do motel.

Pego no sono e o sonho volta:

Naquela manhã, não recebi a costumeira sequência de mensagens de texto de Wooyoung antes de levantar. Tentei ligar para o celular dele, mas só tocou e tocou e a caixa postal não atendeu. E Wooyoung não estava na escola quando cheguei.

Todos estavam me encarando enquanto eu andava pelos corredores. Alguns não conseguiam me olhar nos olhos. Jennifer Parsons(estudante estrangeira) caiu no choro quando passei por ela perto dos armários, e outro grupo de garotas, líderes de torcida, empinaram o nariz e me olharam como se eu tivesse alguma doença contagiosa. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas parecia ter entrado num universo alternativo esquisito. Ninguém me dirigia a palavra, mas era bem óbvio que todos naquela escola sabiam de algo que eu não sabia. E era algo ruim. Nunca tive nenhum inimigo, a não ser algumas líderes de torcida que de vez em quando sentiam inveja de mim porque Wooyoung me amava e não dava bola para elas. Fazer o quê? Jang Wooyoung era mais gato que o astro do time de futebol, e ninguém se importava.

Todas queriam ele.

Fui até meu armário, esperando ver Youngjae logo, pois talvez ela pudesse me contar o que estava acontecendo. Fiquei perto do meu armário mais tempo do que de costume, esperando algum sinal dela. Foi Jinyoung que me encontrou e me contou o que havia acontecido. Ele me levou para um canto, ao lado do átrio onde ficavam os bebedouros.

Meu coração martelava dentro do peito. Eu sabia que algo estava errado desde que acordei, antes mesmo de me dar conta de que não tinha recebido nenhuma mensagem de texto de Wooyoung. Eu me sentia... deslocado. Era como se eu já soubesse...

— Mark — Jinyoung começou, e entendi na hora a gravidade do que ele ia me contar, porque ele e Youngjae nunca usavam esse tom de voz comigo. — Wooyoung sofreu um acidente de carro ontem à noite...

Senti meu fôlego faltar e levei as duas mãos à boca. Lágrimas estavam ardendo na minha garganta e correndo dos meus olhos.

— Ele morreu hoje de manhã no hospital. — Jinyoung estava se esforçando tanto para me contar, mas a dor no seu rosto era inconfundível.

Fiquei olhando para Jinyoung pelo que pareceu uma eternidade antes de não conseguir mais ficar de pé sozinho e desabar nos braços dele.

Chorei e chorei até passar mal, e finalmente Youngjae nos encontrou e os dois me levaram para a enfermaria.

Acordo do pesadelo suando, meu coração batendo feito louco. Jogo o lençol para longe e me sento no meio da cama com os joelhos dobrados, passando as mãos na cabeça e soltando um longo suspiro. Eu tinha parado de ter esse sonho há muito tempo. Aliás, é o último sonho de que me lembro. Por que ele voltou?

Batidas fortes na porta do meu quarto me fazem acordar sobressaltado.

— LEVANTE E SORRIA, FLOR DO DIA! — Jackson diz harmoniosamente do outro lado.

Nem lembro quando peguei no sono de novo depois do sonho. O sol está brilhando por uma fresta das cortinas, banhando o carpete marrom logo abaixo da janela. Eu me levanto da cama e vou abrir a porta antes que Jackson acorde o motel inteiro.

Ele arregala os olhos quando abro a porta.

— Porra, garoto — exclama, me olhando de alto a baixo —, o que você tá tentando fazer comigo?

Olho para mim mesmo, ainda tentando terminar de acordar, e me dou conta de que estou usando só a boxer branca de algodão e a camiseta do time da escola. Meu Deus, meus mamilos parecem dois faróis acesos por baixo da camiseta!

Cruzo os braços no peito e tento não olhar nos olhos de Jackson quando ele entra no quarto.

— Eu ia falar pra você se vestir — ele continua, sorrindo de orelha a orelha e carregando suas mochilas e o violão —, mas, tipo, pode ir assim mesmo, se quiser.

Balanço a cabeça, escondendo o sorriso que está se abrindo no meu rosto.

Ele se joga na poltrona perto da janela e deixa suas coisas no chão. Está usando bermuda cargo marrom, camiseta cinza-escuro e aqueles tênis baixos de corrida com meias sem cano, ou sem meia nenhuma. Olho para a tatuagem no seu tornozelo; parece algum tipo de desenho celta redondo, bem em cima do osso. E ele tem mesmo pernas de corredor; suas panturrilhas têm músculos grossos e rijos.

— Peraí que eu vou me aprontar — digo, indo até minha mala, que está sobre o gaveteiro longo onde fica a TV, no outro canto.

— Quanto tempo vai levar? — ele pergunta, e detecto um tom inquisidor em sua voz.

Lembrando o que ele disse na casa do pai, penso antes de responder e pondero minhas opções: demoro meus costumeiros trinta minutos ou entrego os pontos e visto qualquer coisa?

Ele me ajuda com o dilema:

— Você tem dois minutos.

— Dois minutos? — protesto.

Jackson balança a cabeça, sorrindo.

— Você ouviu. Dois minutos. — Ele ergue e mexe dois dedos. — Topou fazer tudo que eu mandar, lembra?

— É, mas achei que ia ser alguma doideira, tipo mostrar a bunda pra alguém na estrada ou comer baratas.

Ele ergue uma sobrancelha e encolhe o queixo, como se eu tivesse acabado de jogar duas ideias no seu colo.

— Na hora certa, você vai mostrar a bunda pra alguém na estrada e comer uma barata, a gente faz isso depois.

O que foi que eu fiz, cacete?

Jogo a cabeça para trás, contrariado e mortificado, e ponho as mãos na cintura.

— Hã, de jeito nenhum... — Noto que seu sorriso está mais para “adolescente malandro” agora e, olhando para baixo, percebo que meus braços não estão mais cobrindo meus mamilos, que erguem orgulhosamente o tecido fino da minha camiseta.

Eu bufo e fico de boca aberta. — Jackson!

Ele baixa a cabeça fingindo vergonha, mas só fica parecendo mais safado, me olhando cabisbaixo assim.

Ele é tão gostoso, porra...

— Ei, é você que prefere ficar reclamando das minhas regras básicas em vez de proteger tuas crianças... Já vou avisando, meus olhos têm vontade própria.

— Ah, tá. Aposto que não são a única parte do teu corpo que tem vontade própria. — Dou um sorrisinho e pego minha mala, ando descalço até o banheiro e fecho a porta.

Estou sorrindo como uma daquelas fotos bregas de book dos anos 80 quando me olho no espelho.

Tá, dois minutos. Literalmente mergulho no jeans apertado, dando pulinhos para fazê-lo deslizar sobre a minha bunda. Zíper. Botão. Escovar bem os dentes. Um gole rápido de Listerine. Bochecha. Gargareja. Cospe. Pentear o cabelo embolado. Um pouco de base e uma camadinha de pó. Rímel preto, porque o rímel é a peça mais importante do arsenal de maquiagem.

Batonzi...

BAM! BAM! BAM!

— Teus dois minutos acabaram!

Passo o batom assim mesmo e tiro o excesso com um pedaço de papel higiênico.

Posso sentir que ele está sorrindo do outro lado da porta do banheiro, e quando a abro, um segundo depois, vejo que acertei. Ele está com os dois braços erguidos, apoiados no batente. Seu tanquinho rijo está parcialmente à mostra com a camiseta assim, bem levantada. Uma trilha de pelos começa logo abaixo do seu umbigo e desce até a cintura da bermuda.

— Viu só? Olha pra você! — Ele assobia, bloqueando a passagem, mas com certeza não é para mim que esta olhando. — O simples é sexy.

Abro caminho empurrando-o, encontrando a oportunidade perfeita para pôr as mãos no seu peito, e ele me deixa passar.

— Não sabia que eu tava tentando ficar sexy pra você — digo de costas, jogando minhas roupas de dormir na mala.

— Uau, olha isso — ele continua —, simples, sexy e desorganizado. Tô orgulhoso!

Nem tinha percebido. Enfiei as roupas na mala sem nem pensar em tentar arrumá-las.

Não sou um “caso clínico” de TOC; sou só uma dessas pessoas que usam o termo por causa de alguns hábitos metódicos. Mas dobrar minhas roupas e tentar ser organizado é algo que faço desde que tinha 11 anos.

 

 

 



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