História My Destiny - Markson - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias 2PM, Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Wooyoung, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Got7, Jinyoung, Markson, Mpreg, Yugbam
Visualizações 215
Palavras 3.574
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 16 - 16


JACKSON POV

ISSO QUE EU chamo de frustração sexual matutina. Tudo bem, vou ter que pegar leve, senão ele vai começar a achar que eu estou aqui de bobeira para tentar me dar bem. Se fosse em outra época, com outro garoto qualquer, eu já estaria levantando da cama para jogar a camisinha na privada, mas com Mark é diferente. É duro (com trocadilho), mas vou ter que tentar parar de paquerá-lo. Esta é uma viagem importante para nós dois. Só tenho uma chance de fazer isso certo, e não quero fazer merda nem fodendo.

— Então, o que vem a seguir na nossa viagem espontânea? — ele pergunta.

— Primeiro o café da manhã — explico, pegando minhas mochilas do chão —, mas acho que não seria espontânea se eu tivesse um plano.

Ele pega o celular da mesa ao lado da cama, verifica se tem novas mensagens de texto e ligações e depois o joga na bolsa.

Saímos.

Eis que surge o Mark teimoso e reclamão: — Por favor, Jackson; não consigo comer nesses lugares — ele diz do banco do passageiro.

A cidade é pequena, e quase todos os restaurantes são de fast-food ou ainda estão fechados.

— Tô falando sério — ele insiste, fazendo um bico tão bonitinho que quero segurar seu rosto com as duas mãos e lambê-lo, só para ele gritar e fingir que é a coisa mais nojenta do mundo. — A menos que você queira um companheiro de viagem irritante, com uma hora de enjoo, dor de estômago e gemidos, não me faça comer esses troços, especialmente de manhã tão cedo.

Jogo a cabeça para trás e aperto os lábios, olhando para ele.

— Você tá exagerando, vai.

Começo a achar que ele não está. Mark balança a cabeça, apoia o cotovelo na porta do carro e o polegar nos dentes da frente.

— Não, é sério; toda vez que como fast-food, eu passo mal. Não tô tentando dificultar tua vida, pode acreditar; é um problema sempre que vou pra qualquer lugar com a minha mãe ou com o Youngjae. Eles precisam ficar dando voltas pra achar um lugar pra comer que não vai me deixar na pior.

Bom, então ele está dizendo a verdade.

— Tudo bem, com certeza não quero que você passe mal — rio baixinho —, então vamos rodar um pouco mais e procurar outra coisa no caminho. Vão ter mais lugares abertos daqui a umas horas.

— Obrigado. — Ele sorri com doçura.

Disponha sempre...

Duas horas e meia depois chegamos na próxima cidade.

Mark olha para o grande logotipo amarelo e preto da Waffle House, tão conhecido por todos, e acho que ele está decidindo se quer comer ali ou não.

— Na verdade, só tem um lugar bom mesmo pra tomar café da manhã — explico, parando numa vaga —, especialmente no Sul. Tem uma Waffle House em cada esquina por aqui, que nem a Starbucks lá no Norte.

Ele faz que sim.

— Acho que eu consigo encarar... Tem salada lá?

— Olha só, eu concordei em não te obrigar a comer uma porcaria gordurosa — inclino a cabeça para o lado e viro o corpo no assento —, mas salada já é demais.

Ele faz um bico, morde a bochecha por dentro e finalmente diz, balançando a cabeça: — Tá, não vou comer salada, mas saiba que uma salada pode ter frango e um monte de coisas gostosas, que alguém como você provavelmente nem considerou.

— Não. Portanto, desista — afirmo resolutamente, e depois jogo a cabeça para trás, devagar. — Vamos lá, já esperei demais pra comer. Tô morrendo de fome. E fico mal-humorado quando tô com fome.

— Você já é mal-humorado — ele resmunga.

Eu o seguro pelo braço e o puxo para perto de mim. Ele tenta esconder o rosto, que está ficando vermelho.

Adoro o cheiro da Waffle House; é o cheiro da liberdade, de estar na estrada e saber que 90% das pessoas comendo ao seu redor também estão. Motoristas de caminhão, mochileiros, bebuns — aqueles que não levam a vida monótona e escravizada da sociedade.

O restaurante está quase cheio. Mark e eu conseguimos uma mesa perto do grill e o mais longe possível das altas vidraças. Há uma jukebox obrigatória — um símbolo da cultura das Waffle Houses — perto de uma daquelas janelas.

A garçonete nos recebe com um sorriso, um bloco de anotações numa mão e uma caneta pronta para escrever, com a ponta apoiada no papel.

— Posso trazer café pra vocês?

Olho para Mark, que já está correndo os olhos pelo cardápio sobre a mesa.

— Vou tomar um chá doce — ele diz.

A garçonete anota e olha de novo para mim.

— Café.

Ela balança a cabeça e vai preparar nossas bebidas.

— Parece que tem umas coisas boas aqui — Mark comenta, olhando o cardápio com uma bochecha apoiada na mão fechada. Seu dedo indicador corre pelo plástico e para na pequena seção das saladas. — Viu? Olha só — ele olha para mim —, tem salada de frango grelhado e salada de frango com maçã e noz-pecã.

Não resisto a esse olhar esperançoso dele.

Eu entrego os pontos. Totalmente.

— Pode pedir o que quiser — autorizo, com uma expressão de ternura. — Sério, não vou reclamar.

Mark pisca duas vezes, um pouco atordoado por eu ter cedido tão facilmente, e então seus olhos parecem sorrir para mim. Ele fecha o cardápio e o coloca no suporte sobre a mesa enquanto a garçonete volta com nossas bebidas.

— Vão pedir agora? — ela pergunta, depois de deixar as bebidas na nossa frente. A ponta de sua caneta, como se nunca saísse do lugar, ainda está encostada no bloco, pronta para ser usada.

— Vou querer a omelete fiesta — Mark diz, e vejo um sorrisinho em seu rosto quando ele me olha.

— Com torradas ou pão? — a garçonete pergunta.

— Pão.

— Com creme de milho, batata ou tomate?

— Batata.

A garçonete termina de anotar o pedido de Mark e se vira para mim.

Penso por um segundo e então digo:

— Vou querer a salada de frango com maçã e noz-pecã.

O sorriso de Mark desaparece imediatamente e seu rosto fica imóvel. Pisco para ele e guardo o cardápio no mesmo suporte.

— Tá vivendo perigosamente, hein? — a garçonete brinca.

Ela arranca a primeira folha do bloquinho.

— Só por hoje — respondo, e ela balança a cabeça e vai embora.

— Que porra...? — Mark diz, estendendo as mãos com as palmas para cima. Ele não consegue decidir se deve sorrir ou me olhar, sem graça, então acaba fazendo um pouco dos dois.

— Acho que se você tá disposto a comer uma coisa só por minha causa, posso fazer o mesmo por você.

— Ah, é? Mas acho que essa salada não vai ser suficiente pra você.

— E eu acho que você tá certo — concordo —, mas o que é justo é justo.

Ele faz uma cara levemente incrédula e se recosta no banco.

— Não vai ser tão justo se eu tiver que ficar ouvindo você reclamar que tá com fome quando a gente voltar pra estrada. Você mesmo disse que a fome te deixa de mau humor.

Não consigo realmente ficar de mau humor com Mark, mas ele tem razão: a salada não vai bastar para mim. E alface me dá gases — com certeza ele vai odiar viajar comigo se eu comer essa porra. Mas eu consigo. Só espero conseguir comer tudo sem me entregar, deixando escapar alguma das mil reclamações que já estão na ponta da minha língua.

Isso vai ser interessante.

Alguns minutos depois, a garçonete traz a comida de Mark e põe meu prato de blasfêmia diante de mim. Ela reabastece nossas bebidas, pergunta se precisamos de mais alguma coisa e volta a atender os outros clientes.

Mark já está me examinando.

Ele olha para o seu prato, põe o pão do lado oposto das batatas e gira o prato, segurando a borda, para deixar a omelete ao seu alcance. Eu pego o garfo e mexo um pouco na salada, fingindo, como Mark, que a estou preparando.

Nós nos entreolhamos e ficamos em silêncio, cada um esperando que o outro diga alguma coisa. Ele franze os lábios. Eu também.

— Quer trocar? — ele pergunta.

— Quero — aceito sem hesitação, e deslizamos os pratos sobre a mesa um para o outro.

O alívio se espalha nos nossos rostos.

Não é o prato que eu pediria, mas é melhor que alface.

Na metade da refeição — bem, na metade para ele; eu já terminei a minha — peço uma fatia de torta de chocolate e mais café. E ficamos falando do ex-melhor amigo dele, Youngjae, e de como esse Youngjae é um bissexual espalhafatoso. Ao menos é isso que estou entendendo, pela descrição que Mark faz dele.

— E o que aconteceu depois do incidente no banheiro? — pergunto, mordendo minha torta.

— Nunca mais entrei num banheiro público com ele depois disso — Mark conclui. — Aquele garoto não tem vergonha na cara.

— Ele parece divertido — comento.

Mark parece pensativo.

— Ele era.

Eu o estudo discretamente. Está perdido em alguma lembrança, cutucando o último pedaço de frango de sua salada com o garfo. Meu garfo tilinta contra o prato quando tomo uma decisão e o solto. Limpo a boca com o guardanapo e me levanto.

— Aonde você vai? — Ele olha para mim.

Apenas sorrio e vou até a jukebox perto da janela. Enfio uma moeda e corro os olhos pelos títulos, finalmente escolhendo uma canção e apertando os botões. Raisins In My Toast, um dos clássicos presentes em todas as jukeboxes de todas as Waffle Houses, começa a tocar enquanto estou voltando.

As três garçonetes e o cozinheiro me fuzilam com olhares implacáveis. Eu simplesmente sorrio.

O corpo todo de Mark está travado no lugar. Suas costas estão rígidas, o branco dos seus olhos brilha para mim, e quando começo a mexer a boca formando a letra da canção estilo anos 50, ele afunda muito no assento, com o rosto vermelho como nunca vi.

Volto para o meu lugar, mexendo os quadris enquanto me sento.

— Ai meu Deus, Jackson, por favor, não canta isso também!

Estou me esforçando ao máximo para não rir, mas canto a letra da música com um sorriso gigante grudado na cara. Mark cobre o rosto com as mãos, e seus ombros, cobertos pela fina blusa branca, sobem e descem enquanto ele reprime as gargalhadas.

Estalo os dedos no ritmo da música como se eu estivesse usando brilhantina, e quando começa a voz aguda, eu a imito, com a cara toda contorcida por uma emoção exagerada.

E canto as notas mais graves também, apoiando o queixo no peito com a expressão bem séria. Não paro de estalar os dedos. Quanto mais a canção avança, com mais emoção eu canto. No meio dela, Mark não consegue mais se segurar. Ri tanto sem abrir a boca que seus olhos ficam cheios d’água.

Ele já afundou tanto no assento, a essa altura, que seu queixo está quase encostando na mesa.

Quando a canção termina — para alívio dos funcionários — recebo as palmas solitárias da senhora sentada à mesa atrás de Mark. Ninguém mais liga, mas, pela expressão de Mark, é como se todos no restaurante estivessem olhando e rindo de nós. Hilariante. E ele fica tão lindinho quando está constrangido.

Apoio os cotovelos na mesa e estendo os braços por cima do tampo, juntando as mãos.

— Ah, até que não foi tão ruim, foi? — provoco com um sorrisinho.

Mark passa a ponta do dedo sob os dois olhos para limpar o borrão preto que ele sabe instintivamente que se formou. Mais algumas risadas ainda agitam seu peito antes que se acalme.

— Você também não tem vergonha na cara — ele diz, rindo mais uma vez.

— Foi constrangedor, mas acho que eu tava precisando disso. — Mark tira os sapatos e põe os pés sobre o banco da frente do carro.

Estamos na estrada de novo, seguindo apenas a orientação do dedo de Mark.

— Fico feliz em poder ajudar.

Estico o braço e ligo o som.

— Ah, não — ele provoca. — Pra que momento distante dos anos 70 será que vamos voltar desta vez?

Inclino a cabeça e sorrio para ele.

— Esta música é legal — defendo, aumentando um pouco o volume e tamborilando com os polegares no volante.

— É, já conheço — ele admite, apoiando a cabeça no encosto. — Wayward Son.

— Quase isso — digo —, Carry On Wayward Son.

— Se tava quase certo, não precisava me corrigir. — Ele finge estar ofendido, mas não convence muito.

— E de que banda é? — pergunto para testá-lo.

Ele faz uma careta para mim.

— Não sei!

— Kansas — eu conto, com uma sobrancelha intelectualmente levantada. — Uma das minhas favoritas.

— Você diz isso de todas. — Ele franze os lábios e pisca algumas vezes.

— Pode ser — confesso —, mas, na real, as músicas do Kansas têm muita emoção. Dust in the Wind, por exemplo; não consigo pensar numa música mais adequada pra morte. Porque de algum jeito, ela me faz parar de ter medo de morrer.

— Parar de ter medo de morrer? — Mark exclama, incrédulo.

— É, acho que sim. É como se Steve Walsh fosse o Ceifador, e estivesse te dizendo que não há o que temer. Cacete, se eu pudesse escolher uma música pra ouvir na hora da morte, essa seria a primeira da playlist.

Mark parece desanimado.

— Isso é um pouco mórbido demais pra mim.

— Se você encarar desse jeito, acho que é.

Ele está virado para mim, agora, com as duas pernas sobre o assento, os joelhos dobrados, e o ombro e a cabeça encostados no banco.

— Hotel California — diz. — Eagles.

Olho para ele. Estou impressionado.

— Esse é um clássico que eu gosto.

Isso me faz sorrir.

— É mesmo? Essa canção é ótima; de arrepiar... Me faz meio que sentir que tô num daqueles velhos filmes de terror em preto e branco. Boa escolha.

Estou muito impressionado, na verdade.

Tamborilo com os polegares mais um pouco no volante acompanhando Carry On Wayward Son, e então ouço um pou! alto e um flap-flap-flap-flop-flap-flop constante, até que eu desvio lentamente para o lado e paro no acostamento.

Mark já apoiou novamente os pés descalços no assoalho do carro e está olhando em volta, tentando descobrir de onde veio o barulho.

— O pneu furou? — ele pergunta, mas é mais como se dissesse: “Que legal, o pneu furou!”

— Furou — respondo, pondo o câmbio em park e desligando o motor. — Ainda bem que tem um estepe no porta-malas.

— É um daqueles minipneus feios?

Eu rio.

— Não, tenho um pneu em tamanho natural lá dentro, com roda e tudo, e te garanto que vai ficar igualzinho aos outros três.

Ele parece um pouco aliviado, até que percebe que estou gozando com a sua cara, e então mostra a língua e fica vesgao para mim. Não sei por que isso me dá vontade de transar com ele no banco de trás, mas cada louco com suas manias, acho.

Ponho a mão na maçaneta e ele volta a dobrar as pernas sobre o banco.

— Por que você tá ficando todo confortável aí?

Ele pisca.

— Como assim?

— Calça os sapatos — digo, acenando para eles no assoalho do carro —, levanta essa bunda daí e vem me ajudar.

Ele arregala os olhos e fica parado, como que esperando que eu ria e diga que estou só brincando.

— Eu-eu não sei trocar pneu — ele diz, ao perceber que não é brincadeira.

— Você sabe trocar pneu — corrijo, e isso o deixa ainda mais atordoado. — Já viu como se faz milhares de vezes ao vivo e nos filmes; pode acreditar, você sabe; todo mundo sabe.

— Nunca troquei um pneu na minha vida. — Ele só falta fazer beicinho.

— Bom, hoje você vai trocar — digo sorrindo, abrindo minha porta só alguns centímetros para que uma carreta que se aproxima não a arranque.

Depois de mais alguns segundos de incredulidade, Mark enfia os pés nos tênis e fecha a porta do carro atrás de si.

— Vem cá. — Faço um gesto para ele, que me acompanha até a traseira do carro.

Aponto para o pneu furado, o traseiro direito. — Se fosse um dos pneus do lado da estrada, você ia se livrar dessa.

— Vai mesmo me fazer trocar um pneu?

Achei que já tivéssemos resolvido isso.

— Sim, baby, vou mesmo fazer você trocar um pneu.

— Mas no carro você disse que eu ia ajudar, não fazer todo o trabalho.

Balanço a cabeça.

— Bom, tecnicamente, você vai me ajudar, mas... vem cá de uma vez.

Ele dá a volta no porta-malas, eu tiro o estepe de dentro e apoio no asfalto.

— Agora pega o macaco e a chave de roda no porta-malas e traz aqui.

Mark faz o que eu mando, resmungando baixinho alguma coisa sobre sujar as mãos com a “nhaca preta”. Controlo minha intensa vontade de rir dele enquanto rolo o pneu para perto do furado e o deito ao lado. Mais uma carreta passa velozmente; o vento balança um pouco o carro.

— Isto é perigoso — ele reclama, largando o macaco e a chave de roda aos meus pés.

— E se um carro sair da estrada e atropelar a gente? Você não vê os Vídeos Incríveis?

Puta merda! Ele também assiste?

— Na verdade, vejo, sim — digo —, agora vem cá e vamos fazer isso logo. Se for você que estiver agachado, escondido do trânsito pelo carro, vai ser menos provável que alguém atropele a gente.

— Por que menos provável? — Ele franze as sobrancelhas.

— Bom, se você estivesse de pé, todo sexy e tal, acho que eu também ia ficar olhando pra você e sair da estrada.

Mark revira os olhos exageradamente e se curva para pegar a chave de roda.

— Ui! — ele grunhe, tentando afrouxar as porcas. — Tá apertado demais, cacete!

Afrouxo para ele, mas deixo que termine de desatarraxar as porcas, mantendo os olhos no trânsito sem deixar transparecer que estou ficando nervoso. Se eu estiver vigiando, fica mais fácil agarrá-lo e sairmos do caminho do que se fosse ele de olho nos carros.

A seguir vem o macaco; eu o ajudo, mostrando como girar para abri-lo e qual o melhor lugar para fixá-lo, mas até que isso ele já parecia saber sem minha ajuda. A princípio ele se atrapalha com a manivela, mas pega o jeito rapidamente e levanta um pouco o carro.

Dou uma manjada na bunda dele porque eu seria um idiota, se não fizesse isso.

E então, do nada, sem nem sombra de um relâmpago para avisar, começa a chover como se alguém tivesse aberto uma torneira no céu.

Mark grita que está ficando encharcado e isso o distrai do pneu completamente. Ele se levanta num salto e começa a correr para a porta do carro, mas para quando se dá conta de que não deve entrar no carro levantado pelo macaco.

— Jackson! — Ele está completamente encharcado, com as mãos na cabeça, como se isso realmente fosse ajudá-lo a se proteger da chuva.

Eu estou rolando de rir.

— Jackson!

Ele está ridiculamente furioso.

Eu o seguro pelos ombros e digo, com a chuva batendo no meu rosto: — Eu termino de trocar o pneu. — É difícil ficar sério. E eu não fico.

Em poucos minutos, o estepe está aparafusado e eu jogo o pneu furado, junto com o macaco e a chave de roda, no porta-malas.

— Peraí! — digo, quando Mark faz menção de entrar no carro, agora que é seguro.

Ele para. Está tremendo na chuva, seu corpo todo encharcado. Bato a tampa do porta-malas e me aproximo dele, sentindo meus pés chafurdando na água dentro dos tênis porque não estou usando meias, e sorrio para ele, esperando que ele sorria também.

— É só chuva.

Ele cede um pouquinho, sem dúvida buscando mais brincadeiras de encorajamento da minha parte.

— Vem cá. — Estendo a mão e ele a segura.

— Que é? — pergunta timidamente.

Eu o levo para o porta-malas e subo nele. Ele fica ali, com a chuva escorrendo continuamente pelo seu corpo. Estendo a mão de novo, e com hesitação Mark a toma e eu o puxo para cima da traseira do carro. Ele sobe no teto comigo, o tempo todo me olhando como se eu fosse um louco irresistível.

— Deita — digo por cima do barulho alto da chuva torrencial, deitando de costas no teto, com os pés em cima do para-brisa.

Sem questionar ou protestar — embora ambas as coisas estejam meio que escritas no seu semblante — ele se deita ao meu lado.

— Isto é loucura! — grita. — Você é louco.

Ele deve gostar de loucos, porque começo a sentir que quer estar ali em cima comigo.

Descartando aquele meu plano inicial, que diz que preciso me controlar quando estou perto dele, estendo meu braço esquerdo, e ele instintivamente deita a cabeça nele.

Engulo em seco. Não esperava mesmo isso. Mas fico feliz que ele tenha feito.

— Agora abre os olhos e olha pra cima — falo, eu mesmo já olhando para o céu.

Um caminhão menor passa rapidamente, seguido por alguns carros, mas nós nem notamos. Mais uma carreta passa e o vento balança um pouco o carro, mas também não damos importância a isso.

De início, ele faz caretas quando a chuva entra em seus olhos, mas obedece, de vez em quando piscando e tentando esconder o rosto no meu peito para protegê-lo da chuva, o tempo todo rindo baixinho. Ele se obriga a olhar diretamente para cima, mas desta vez fecha os olhos e deixa a boca entreaberta. Olho para seus lábios, para a chuva que escorre em fios sobre eles, para seus sorrisos e sobressaltos quando os pingos entram na sua garganta. Para seus ombros que se erguem quando ele tenta esconder o rosto, sorrindo e gargalhando, ensopado.

Olho tanto para ele que esqueço completamente que está chovendo.


Notas Finais


Essa bomba no final. Agora vou comer o meu miojo picante e ver uns ep de Tomorrow With You, mas mais tarde eu posto mais capítulo.


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