História My Girl, My Woman - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Colin Firth, Helena Bonham Carter, Johnny Depp
Personagens Personagens Originais
Tags Colin Firth Fake, Fake, Guerra, Helena Bonham Carter Fake, Johnny Depp Fake, Romance
Exibições 31
Palavras 5.755
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Heeeey passarinhos.
Faz tempo eu sei, sorry.
Mas... são tempos difíceis.
Vou tentar att mais vezes.
Espero que não desistam.
Acho que o cap ficou meio grandinho.
Eu fiz pelo cel, se tiver muitos erros peço desculpas.

Espero que gostem do cap ^^
O comecinho é continuação do cap anterior.

Boa leitura ^^

Capítulo 6 - Leitura


- Essa sua cama é macia mesmo, eu achei que só existia nos filmes.
- Sam comprou há quase um ano, ele já quer trocar.
- Agora entendi porque vocês fornicam tanto. - disse Clarissa se colocando entre as pernas da irmã.
Esther riu antes de dizer:
- Ah, sua boba, a cama não interfere muito nesse quesito.
- Hmm...
- Mas... - fez Esther conseguindo ficar por cima da irmã com as pernas em volta de seu quadril. - Se você acha que ajuda tanto assim, eu te dou uma igual.
- Eu não sabia que lutava.
- Eu não luto.
- Não vai me dizer que consegue fazer isso com um homem do tamanho do Satan.
- Claro que eu consigo, não ouviu aquele ditado? Na horizontal somos todos iguais.
- Ah, Esther não começa com esse assunto não nojentos. - pediu Clarissa tentando empurrar a irmã.
- Eu poderia te ensinar a lidar com o Arnold. - disse Esther fazendo-a deitar novamente.
- Eu já sei lidar com ele. E deixa eu sair sua chata, eu vou quebrar sua unha e não adianta chorar.
As duas começaram uma pequena luta corporal, claro que nada grave, era apenas duas irmãs brincando uma com a outra. As duas rolaram pela cama e acabaram caindo no chão as gargalhadas.
- Você é tão chata. - resmungou Clarissa.
- E eu te amo tanto. - disse Esther.
As duas levantaram e Esther olhou-se no espelho.
- Está bonita, madame. Eu já disse que acorda bonita.
- Eu preciso trocar de roupa.
- Mas isso já não é um vestido de festa?
- Isso é uma camisola, Cissa. - respondeu Esther rindo.
-Arrg. - fez Clarissa revirando os olhos.
Esther levou cerca de quinze minutos para se aprontar.
- Você trouxe a Claire?
- Hoje não, mas juro que trarei no fim de semana.
  Esther sorriu e segurou a mão da irmã e juntas desceram as escadas.
- Quantas pessoas irão tomar café da manhã conosco? - perguntou Clarissa quando chagaram á mesa.
- Só nós duas, Sam e Barth.
- Ah, onde ele está?
- Deve estar com Sam. - respondeu a irmã mais velha.
- E como ele é?
- Hmm, ainda não sei. Mas não parece ser tão problemático.
- Andando com Sam, vai ficar.
Clarissa percebeu o prato de Liesel, mas não comentou nada.
Sam chegou acompanhado de Barth.
- Bom dia, querido. Bom dia, Barth.
- Bom dia. - respondeu Bartholomew.
Clarissa limpou a garganta.
- Ah, Clarissa, ainda está ai.
- Sam! - fez Esther.
- Teté, não vai nos apresentar?
- Claro, Barth essa é minha irmã Clarissa, e Cissa esse é o Bartholomew ele vai morar conosco por uns tempos.
Os dois trocaram um aperto de mãos para se cumprimentarem.
- O que irão fazer hoje? - perguntou Esther.
Barth não ouviu a resposta, sua atenção estava voltada ao prato a mais na mesa. Por um momento pensou que a filha de Clarissa estivesse na casa. Mas então lembrou das fotos pela casa, e do que Sam havia dito sobre a filha que eles haviam perdido.
Bartholomew voltou a atenção para a conversa novamente, Esther conversava animadamente com a irmã. E tudo que Barth havia pensado em fazer para inferniza-la não lhe parecia mais justo, ele não queria mais magoa-la, ela era tão doce, tão serena, tão linda, que não merecia suas travessuras. Mas com Sam seria diferente.
- Por favor, Clarissa. Faça isso por mim.
Clarissa revirou os olhos.
- Está bem, está bem, como você é chata.
- E qualquer dia quando Hannah estiver aqui, poderíamos sair nós quatro. Claire e você, e Hannah e eu.
- Sim, Esther. Se não tiver problemas, não é. - disse Clarissa olhando para Sam.
- E qual seria o problema? - perguntou o homem.
- É claro que não tem problema.
- Hmm... - fez Clarissa.
- Eu irei trocar de roupa. - disse Esther.
- Outra vez?
- Eu não vou sair com esse vestido.
- Fresca.
Sam levantou-se.
- Bartholomew, um homem sempre deve levantar antes de uma dama retirar-se da mesa.
- Por quê?
- Uma questão cavalheirismo.
Barth não rebateu, apenas levantou-se. Esther sorriu para o marido e o garoto, e saiu arrastando a irmã.
- Quer trocar de roupa? Tenho vestidos que ainda não usei.
- Não.
- Um lenço?
- Não, Esther.
- Óculos escuro então?
- Óculos pode ser.
Esther sorriu e puxou a irmã até o closet.
- Os óculos estão naquela gaveta. Pode escolher o que você quiser.
  Esther escolheu um vestido amarelo com um cinto branco, e os sapatos de salto branco. Clarissa pegou um livro enquanto esperava a irmã arrumar-se.
- Estou pronta. Vamos?
- Finalmente.
As duas passaram o dia fazendo algumas compras. Embora Clarissa odiasse fazer isso, estava fazendo um esforço pela irmã. Cissa podia imaginar como seria se a sobrinha estivesse viva, provavelmente as duas sairiam muito para fazerem compras, podia imaginar o quanto Liesel seria linda e vaidosa.
As vezes Clarissa ainda não conseguia pensar que a sobrinha estava morta, que estava embaixo da terra. Toda vez que entrava na casa da irmã era como se Liesel fosse ao seu encontro lhe convidado para o jardim, ou querendo pintar suas unhas, a chamando para um chá com bonecas.   Esther parecia tão frágil, como se fosse desabar a qualquer momento, então não custava passar algumas horas ao lado dela, mesmo fazendo algo tão chato.
- Obrigada pelo dia de hoje, Cissa. De coração, eu sei que você não gosta muito disso, então muito obrigada. - agradeceu Esther já em frente a casa da irmã.
- Ahm, tudo bem, Esther.
- Eu sinto muito sua falta.
- Eu também sinto a sua, Teté.
Esther abraçou a irmã com força.
- Eu não posso te perder, Cissa. Não posso. Não vai sobrar nada de mim se você me deixar. Desculpa se eu te decepcionei. Um dia você vai entender o que fiz. E espero que me perdoe. Eu te amo tanto, tanto minha maninha.
- Do que está falando, sua maluca? - perguntou Clarissa sem entender.
- Só estou dizendo que te amo, e que faria qualquer coisa por você. Qualquer coisa mesmo.
- Eu também faria qualquer coisa por você, mesmo você tendo tornado-se essa madamezinha fútil e sem graça. - disse Clarissa saindo do abraço da irmã.
- Um dia vai entender, minha menininha.
- Esther você fala como se eu tivesse cinco anos.
- Não importa quanto tempo passe, você sempre vai ser a minha menininha.
- Só temos um ano de diferença. Quando eu era uma menininha, você também era uma menininha.
- Eu sou a mais velha, então você era a minha menininha sim. Minha menininha doce e rebelde. Que sempre soube o quis. Mamãe teria muito orgulho de você. Vocês são tão iguais. E eu faria qualquer coisa para ter morrido no lugar dela aquele dia. Qualquer coisa. - dizia Esther fazendo um carinho no rosto da irmã.
- Não vamos falar disso. Eu tenho que entrar. - pediu Clarissa lembrando das vezes que disse á irmã que ela deveria ter morrido no lugar da mãe.
Esther assentiu e deu mais um abraço na irmã.
- Eu ligo para você mais tarde. - disse Clarissa ao sair do carro com suas sacolas.
Esther assentiu e mandou um beijo para irmã. Clarissa apenas acenou.
O motorista deu partida e Esther segurou-se para não chorar durante a volta, era como se uma ferida se abrisse toda vez que ela despedia-se de Cissa. Quando chegou em casa foi para o escritório do marido.
- Demorou mais que eu imaginava.
- Desculpa, querido. Eu não vi a hora passar.
O homem a encarou.
- Você passou muito tempo fora com sua irmã, Esther. Eu não quero que ela enfie as idéias malucas dela na sua cabeça.
- Ela não conseguiu anos atrás, como conseguiria agora?
- Hmm...
  Esther caminhou até marido e sentou-se no colo do mesmo.
- Você não confia em mim?
- Eu não confio nela, e não gosto que encha sua cabeça de bobagens. As vezes acho que ela não te faz bem.
  Os olhos de Esther marejaram e ela abraçou-se ao marido.
- Sam, por favor não me peça para afastar-me da minha irmã. Por favor. Depois de você, a Clarissa é tudo que tenho, Emília e papai estão longe. Eu perdi uma mãe e minha filha, por favor não peça para esquecer minha irmã. - pediu Esther sem conseguir conter o choro.
Sam fez a esposa levantar-se e ficou de pé também.
- Eu também perdi uma filha, Esther. Se caso não me traiu, Liesel era nossa. As vezes você fala como se eu não sentisse a falta de dela, a dor não é apenas sua. Você acha que eu não queria abrir a porta dele quarto e ver a minha filha lá brincando ou pintando as unhas com esmalte? Ou agora que ela seria adolescente, acha que eu não gostaria de vê-la ao telefone tagarelando com as amigas? Saindo para comprar vestidos e maquiagem. É isso que você pensa? Está sendo muito egoísta, Esther.
- Não foi isso que eu quis dizer, Sam. Me desculpe, eu só...
- Desculpas não vai mudar o que você disse. E se a sua mãe não fosse uma inconseqüente maluca ainda estaria viva. Agora vá lavar o rosto e depois desça para o chá da tarde.
- Eu não estou com fo... - Esther parou no meio da frase devido ao olhar que recebera do marido.
- Ia dizer alguma coisa?
A mulher apenas negou.
Samuel caminhou até a porta e abriu, mas esperou a esposa passar.
- Estarei esperando á mesa.
  O general saiu do corredor e foi até o quarto de Barth, bateu três vezes na porta e abriu.
- Bartholomew, já pode descer para o chá da tarde.
- Sim senhor.
Os dois desceram juntos e aguardaram Esther que chegou três. minutos depois. Barth sentiu o coração acelerar ao vê-la chegando, se ele não tivesse escutado atras da porta, não diria que ela tinha chorado.
- Boa tarde, Barth.
- Bo-boa tarde, mada-dame.
Sam levantou-se para puxar a cadeira para esposa.
- Obrigada, querido.
Sam apenas assentiu.
- E então Barth, como foi o seu dia?
O garoto não conseguiu responder.
- Ela lhe fez uma pergunta.
- Eu fiz exercícios.
Esther apenas sorriu.
- Então coma bastante querido, precisa recuperar suas forças.
O garoto assentiu, pensando que no lugar de Sam teria feito tudo para ela sorrir novamente.
- Coma alguma coisa Esther.
A mulher assentiu e serviu-se de uma fatia de torta e um pedaço de bolo. O três fizeram a refeição em silêncio.
- Descanse por meia-hora,Bartholomew. Depois faça aquela lista de exercícios físicos que passei. Logo lhe apresentarei o colégio que irá estudar. Esther lhe passará deveres de casa.
- Eu não sabia que ela era professora.
- Ela não é. Ela não precisa trabalhar, mas ela é tão inteligente quanto uma.
- Bondade sua querido.
- E não pense que terá regalias lá por estar aqui.
- Ele é o dono do colégio. - sussurrou Esther.
Samuel assentiu.
- Sim senhor.
- Preciso me retirar querido.
Barth logo levantou-se assim como Samuel.
Esther subiu para o quarto e foi direto para o banheiro, ergueu a tampa do vaso sanitário e ajoelhou tossiu um pouco após vomitar.
- O que houve? - perguntou Sam.
- Nada, eu estou bem.
  O homem negou com a cabeça e pegou um lenço para limpar a boca da esposa. Sam a colocou sentada e abriu seu vestido.
- Esta respirando melhor?
- Sim.
- Você não deveria ter comido tanto.
- Acho que você tem razão.
Samuel assentiu e tirou os sapatos da esposa.
- Eu estou bem, Sam.
Samuel não deu ouvidos á esposa e continuou a preparar o banho na banheira.
- Quer ajuda? Posso te dar um banho. - ofereceu o homem com um sorriso de lado.
- Bobo. Não precisa.
- Você tem certeza?
- Sai daqui Samuel, você não vai conseguir nada agora.
- Está bem, nervosinha. Então eu vou mandar fazer um chá.
Esther apenas assentiu.
- Eu vou para o escritório, se precisar de mim estarei lá.
A mulher sorriu e recebeu um beijo na testa. Samuel saiu do banheiro e antes de ir para o escritório deu as ordens ás empregadas.
 
O jantar ocorreu em silêncio, e depois foram para uma das salas que tinham televisão.
Depois de duas horas Sam desligou a TV.
- Hora de dormir Bartholomew.
  O garoto apenas assentiu e saiu da sala.
O casal subiu para o quarto e Sam foi para um banho, depois de escovar os cabelos Esther sentou-se na cama e pegou uma revista. Lia um artigo sobre beleza.
- Você não precisa disso. - disse Sam que havia saido do banho, estava somente com a calça do pijama.
- É claro que eu preciso.
  Sam negou com a cabeça e puxou as pernas da esposa para baixo de modo que ela ficasse deitada e não mais sentada.
- Você não quer ler isso. - disse o homem apoiado nos braços.
- Não?
- Não.
- O que eu quero,  então? - perguntou Esther entre os braços do marido.
O homem não respondeu apenas deu algumas mordidas no pescoço da esposa, fazendo-a gemer baixinho.
- Respondeu a si mesma.
Rapidamente o homem abaixou-se ainda beijando a esposa.
- Acha que é isso que eu quero?
- Eu tenho certeza. - disse Sam enquanto a despia.

Cerca de três horas depois, Sam ainda não tinha dormido, pensava na conversa que tivera com a esposa horas atras e sobre a falta que a filha lhe fazia. Samuel não podia mentir para si mesmo, e sempre deixou claro que queria um filho homem. Mas isso não significava que ele não amava sua pequena dama.

                **Flashback on**

  "A semana havia sido difícil, muitos homens haviam morrido em campo, Sam havia presenciado muitas mortes, e ajudado a carregar muitos corpos. Mas agora ficaria uns dias longe disso. Sam chegou em casa e depois de um banho ia para o quarto, mas uma música lhe chamou a atenção.
Esther tocava ao piano e Liesel cantava uma canção.
- Papai! - fez Liesel feliz ao ver o pai.
A pequena correu até o pai e o abraçou.
- Eu tava com saudades papai.
- Estava, Liesel. - corrigiu Sam levantando com a filha.
- Sim, estava.
A garotinha passou os braços ao redor do pescoço do pai e recebeu um leve carinho em troca.
- Olha o meu vestido novo, papai.
Samuel apenas assentiu.
- Papai vamos no jaidim vê as floles?
- Lilica seu pai está cansado, deixe-o descansar. - pediu Esther levantando e indo em direção ao marido.
- Sua mãe está certa, Liesel.
- Mas, papai elas tão lindas.
- Não insista, Liesel. - pediu Sam.
- Venha querida, deixe o papai em paz, sim?
Esther pegou a filha no colo e lhe deu um beijo.
- Ouça a sua mãe.
  A garotinha apenas assentiu.
  
           ***

  Liesel brincava com suas bonecas na sala de brinquedos. Samuel entrou e sentou-se em uma poltrona.
- Oi papai.
- O que está fazendo?
- Bincando. Quer bincar comigo?
- Eu sou homem Liesel, eu não brinco com essas coisas.
- Então vamos bincar de tomar chá.
Liesel correu até a mesinha e pegou uma pequena xícara.
- Tó.
- É uma xícara vazia, Liesel.
- Você tem que imaginar, papai.
Sam não respondeu e colocou a xícara no colo.
- Vamos pintar quadlos?
- Eu não quero me sujar.
- Então vamos lá no jaidim, tem umas flo...
- Isso é coisa de mulher.
- Mas o Sr. Sintle. ... é homem, e cuida do jaidim. - disse Liesel com as mãos na cintura.
- Ele é pago para fazer isso. -respondeu o homem.
- Espela aqui.
Liesel saiu da sala de brinquedos deixando o pai sozinho. Voltou correndo cerca de dois minutos depois.
- Eca, isso é nozento papai. - disse Liesel referindo-se ao charuto do pai.
- O que foi fazer?
- Eu fui peigar meu poiquinho de dinheilo.
- Para quê?
- O senhor disse que o Sr. Sintle fica no jaidim poique é pago, então eu peguei dinheilo. - respondeu a garotinha erguendo o cofrinho frente ao pai.
- Guarde o seu dinheiro Liesel. Sua mãe já não passa tempo bastante com você no jardim?
- Mas eu quelia passar com o senhor também. Eu sinto saudade.
- Estamos aqui agora, e você está desperdiçando o tempo tagarelando coisas desnecessárias. - disse Samuel firme antes de dar uma tragada no charuto.
- Não glita. - pediu a pequena tossindo devido a fumaça do charuto.
- Eu não gritei.
- Estagou minha boneca, se o senhor não quer bincar não binca, mas plecisa estagar não. - reclamou Liesel ao ver o rosto da boneca queimado pelo charuto.
- Olha como fala comigo Liesel Frida Lundstreen. - fez Samuel levantando e quebrando a pequena xícara.
- E quebou minha xiclinha. Vai estagar tudo?
- Eu não aceito a forma que está se dirigindo a mim, mocinha.
  Liesel apenas pegou a boneca e saiu correndo chorando e chamando pela mãe.
Sam respirou fundo e foi atrás da filha, mas ao chegar no quarto da pequena percebeu que Esther já estava lá.
- Meu amor, o papai não fez por mal.
- Ele não me ama.
- É claro que ele ama você.
- Mas ele nunca blinca comigo, nunca fica comigo, eu dei dinheilo pá ir comigo no jaidim e ele não foi, e ele fuma aquela coisa nozenta.
- Mas ele ama sim, filha. Ama muito. Acontece que o papai é homem. As coisas que ele gosta são diferentes das coisas que nós gostamos.
- Mas...
- Lilica não devemos incomodar o papai, ele trabalha muito. E quando está em casa temos que deixa-lo em paz. Temos que ser gratas á ele, e você tem que ser boazinha.
- De você ele gosta, de mim não. Ele quelia que eu fosse menino, não é?
- Para de pensar bobagens querida. E não chore mais. Quando chove você acha que o sol nunca mais vai aparecer?
Liesel negou com a cabeça.
- Então não precisamos ouvir toda hora que o papai nos ama. Quer dormir um pouquinho?
Liesel assentiu.
Esther deu um beijo na filha e cantou uma canção de ninar. A menininha dormiu e a mulher saiu do quarto.
- Eu vou dar uma boneca nova para ela. - disse Sam que ouvira toda conversa.
- Eu acho que não precisa.
- Ela é muito nervosinha para o meu gosto. - resmungou Sam.
- E a quem ela puxou nisso, hein general Lundstreen?
O homem limpou a garganta, e Esther sorriu.
- Eu vou até a loja.
- Tudo bem, querido.
Depois de algumas horas Liesel ainda estava na soneca, até Sam sentar-se na cama e acorda-la.
- Oi papaizinho.
- Já se acalmou?
A pequena assentiu.
- Deculpa, papai.
- Você é igualzinha sua mãe quando fica brava. - disse Sam, mesmo sabendo que aquele temperamento era dele.
Liesel sentou-se na cama e encarou o pai.
- Isso é para você.
Samuel colocou o embrulho em cima da cama. Liesel sorriu e abriu o presente.
- Que boneca linda, papai. Obigada.
- Tem umas xícaras também, e uma fita para por na cabeça. - Samuel disse colocando uma outra sacola na cama da pequena.
Liesel ficou em pé na cama e abraçou o pai.
- Me ajuda ablir?
Sam assentiu e ajudou a filha a tirar os brinquedos da embalagem.
- Ela vai chamar Lily. - disse Liesel passando a mão no cabelo ruivo da boneca. - Ela palece Lily não palece?
- Se você diz.
- Me ajuda po a fita?
- Eu não sei fazer isso, Liesel.
- Só segula meu espelo.
A pequena pegou o espelho de mão que estava no criado-mudo ao lado e fez o pai segurar.
- Meu espelo de moça.
- Espelho de quê, menininha? - perguntou Sam segurando o espelho que tinha a letra L na parte de trás.
- De moça.
- Mas você não é moça.
- Sou sim.
- Não, não é.
- Mas eu vou clescer.
- Quem disse?
- Eu. - respondeu a pequena ajeitando a fita.
- Está enganada.
- Hmm... - resmungou Liesel.
- Com licença, senhor. A madame Lundstreen os aguarda. - fez uma empregada.
- Vamos, Liesel. - fez Sam guardando o espelho.
- A Lily pode ir? Pô favor paizinho bonitão.
  Liesel sorriu eu deu um beijo no pai.
- Você é igualzinha a sua mãe mesmo.
  Liesel sorriu novamente e ganhou um beijo do pai.
- Minha pequena dama.
O homem levantou com a filha no colo e pegou a boneca.

  ***

A chuva caia forte aquela noite, Sam lia um livro em sua cama, Esther não estava nela, pois estava ajudando o pai a cuidar da irmã mais nova. Um trovão fez o quarto clarear por alguns segundos.
- Quem é? - perguntou o homem ao ouvir batidas na porta.
- Eu!
Sam levantou-se e a abriu e antes de olhar para baixo Liesel passou por de baixo de suas pernas e pulou na grande cama.
- Posso ficá?
O homem esperou um pouco para responder.
- Poi favô, bonitão. - pediu a pequena.
- Agora pode.
Liesel sorriu contente.
Samuel fechou a porta e voltou para a cama.
- Cuidado com a Kika, papai. - pediu Liesel referindo-se a elefantinha rosa de pelúcia.
- Quem disse que podia trazer esses brinquedos para a cama, Liesel Frida?
- Eu sei que o senhor deixa, não é?
- Hmm...
Liesel sorriu balançando o corpinho.
- Lindo. 
- Esther em miniatura.
- Quando eu clescer, acha que vou ser linda igual ela?
- Vai sim. - respondeu Sam esticando as pernas.
- Não vai fumar, não é? - perguntou Liesel.
- Eu quelo casá com um homem glande e foite igual o senhor.
- E quem disse que você vai casar?
- Eu vou sim. - respondeu Liesel sentando nas pernas do pai.
- Não vai não. - repetiu Sam.
- Poi quê não? - quis saber a pequena.
- Porque eu não vou deixar. Eu vou fazer todos que olhar pra você virarem adubo.
- Mas o vovô Gel deixou a mamãe casá com o senhor.
- Mas você vai ser freira.
Liesel colocou as mãos na cintura.
Sam sorriu, ela era tão parecida com Esther.
- Eu só deixaria você casar se fosse comigo.
- Então plá quem que você vai pedir minha mão?
- Para mim mesmo.
Liesel riu.
- Vai ser englaçado.
Samuel sorriu.
- O que o senhor e a mamãe fazem de noite aqui?
- Ahmm... Nós fazemos leitura.
- Então a noite o casados só ficam lendo?
- Sim.
- A mamãe lê muito?
- Sim, mas já chega desse assunto sim? Você e sua mãe parece que competem para ver quem é mais tagarela.
- Eu estou com saudade do vovô Sam.
- Ele disse que vai te visitar em breve.
- Papai?
- Sim?
- Eu te amo. Nunca esquece disso, tá?
O homem apenas assentiu.
Liesel aconchegou-se perto do pai.
- Conta uma histolia, papai.
- Eu não sei história de menina.
- Como senhor conheceu a mamãe?
- Eu conheço a sua mãe desde que ela era do seu tamanho.
- O senhor já ela glande?
- Ninguém nasce grande, Liesel.
- Hmmm... continua.
- Sua mãe era a menininha mais linda de todas. Ela gostava de usar laços no cabelo, e os vestidos dela estavam sempre limpos.
- Ela palecia eu?
- Parecia sim. E ela amava flores também. Então o tempo ia passando e sua mãe ficava cada vez mais bonita, e quando ela já era uma moça e eu um rapaz. Eu pedi para ela ser a minha namorada e ela aceitou. E depois eu a pedi em casamento.
- E ela disse sim, não é?
- Isso.
- E agola vocês vão viver felizes pá semple. - disse Liesel sorrindo. - Igual plíncipe e pincesa.
Samuel assentiu.
- Deita, papai.
O homem apagou a luz e deitou-se, Liesel logo ajeitou-se ficando com a cabeça no ombro dele.
- Eu te amo paizinho. - sussurrou Liesel.
A pequena deitou em cima do pai, e recebeu um carinho nos cabelos em troca.

   ***

  Esther estava sentada no pequeno sofá branco, segurava sua pequena e mais valiosa jóia. A recém mãe admirava cada detalhe do rostinho delicado da filha que nascera há poucas semanas.
Sam entrou no quarto e sentou-se ao lado da esposa.
- Como você está?
- Ótima. Estamos ótimas.
- Ainda está sangrando? - perguntou Samuel.
- Sim, mas é normal.
- Hmm...
- Seu pai ainda está muito nervoso.
- Logo passa, você vai ver.
- Sua mãe também não ficou feliz.
- Não seja boba Esther.
- Eu sinto muito.
- Não tem que sentir. A menina é resistente e saudável. Eles irão aceita-la, vai ver. Logo a senhora Margaret estará caindo de amores, e irá querer leva-la aos salões de beleza.
- Mas...
- Ela parecer com você. E sei que vai cria-la para ser uma boa mulher honrada, recatada e cristã igual á você. E eu vou amar, honrar e proteger as duas.
  Esther sorriu, e Sam lhe deu um beijo na mão e depois deu um beijo no pézinho da filha. A bebê sorriu.
- Eu juro que vou dar o seu filho homem. - sussurrou Esther.
- Não.
- Eu quero, Sam. Eu não me importo em morrer por isso.
- Eu não iria cria-los sem mãe, Esther. A menina vai precisar de você. Você não pode ter outro filho. E não vai ter outro filho. Eu não quero um filho homem se não for pra cria-lo ao seu lado. 
- Me perdoe, querido. Me perdoe por ter me tornando inválida.
- Você não está inválida. Eu vou me adaptar com a menina.
- Mas eu sou uma inútil. - lamentou Esther.
- Para com isso, Esther. Não é o fim do mundo. E quem sabe achem a cura para o seu problema? O médico disse que você não pode passar nervoso, pode secar o leite.
- Se você você quiser que eu vá embora com a menina, eu irei entender.
- Eu fiz uma promessa. Na saúde e na doença.
Esther abriu a boca e iria dizer alguma  coisa. Mas Sam a interrompeu.
- Você quer que eu chame a babá?
- Agora não, querido.
Liesel mexeu-se um pouco antes de chorar.
- O-o que ela te-tem? Eu vou chamar o médico.
Esther riu baixinho.
- Ela só está com fome.
-Então eu vou chamar a cozinheira.
Esther riu novamente ajeitando a filha para mamar.
- Por enquanto eu serei a cozinheira dela. Ela vai mamar por muito tempo.
- Hmm... - fez Sam.
A mulher sorriu enquanto fazia carinho na cabeça da filha.
- Você fica linda assim amamentando.
- E nós amamos você, bonitão.
Sam deu um sorriso de lado antes de dar um beijo na esposa.

            ***Flashback off***

Samuel sentiu a garganta apertar, e uma dor no peito. Esther estava ao seu lado de costas para ele. O homem suspirou e puxou a esposa para os seus braços.
- Sam? - sussurrou Esther.
- Shii...
A mulher assentiu e aconchegou-se nos braços do marido.
- Esther? - chamou o general.
- Hmm? - respondeu a mulher meio sonolenta.
Samuel fez uma pausa antes de falar. Perguntaria sobre Liesel, mas anulou a idéia.
- Quer jantar fora amanhã?
- Não.
- Precisava responder assim? - perguntou o homem.
Mas Esther não respondeu.
- Esther? Está acordada? Tetéia?
Novamente não houve respostas. Sam puxou o cobertor e abraçou a esposa.
  Samuel foi o primeiro a acordar na manhã seguinte e ficou fazendo carinho no quadril e na coxa da esposa ainda despida.
- Bom dia, querido.
- Bom dia, nervosinha.
- O que eu fiz?
- Você não lembra?
Esther negou com a cabeça.
- O que eu fiz?
O homem não respondeu.
- Diga, Samuel. - pediu Esther colocando as mãos na cintura.
Samuel sorriu e abraçou a esposa.
- Você é linda pela manhã, sabia?
- Só de manhã?
- De manhã... De tarde... De noite... De madrugada, vinte e quatro horas por dia. - a cada pausa o homem dava um beijo na esposa.

Barth estava a quase uma hora aguardando o casal. Não entendia como uma mulher tão doce, gentil, calma, e perfeita como Esther, podia ser casada com alguém como Samuel.
  O garoto olhava para o prato a mais na mesa. Tinha visto fotos pela casa, desde a garotinha bebê até cerca de sete ou oito anos. Barth deduziu que provavelmente ela deveria ter morrido com aquela idade. Só não sabia quando ou como, nem ao menos o nome da menina. Só que ela era parecida com Esther, como os olhos e os cabelos. Deveria ser um pequeno anjo.
- Bom dia, querido. - fez Esther chegando.
- Bom dia, garoto.
- Bom dia. - respondeu Barth.
Samuel puxou a cadeira para a esposa sentar.
- A senhora caiu? - perguntou Barth á Esther.
- Por que a pergunta? - quis saber Samuel.
- Ahm... está com marcas nos ombros e pescoço.
  Esther sentiu o rosto corar.
- Ela esta bem. - disse Sam.
- Sim, eu estou. Obrigada por se preocupar. - agradeceu Esther sorrindo.
 

           ~~Bartholomew P.O.V On~~

   Ela disse que estava bem, eu apenas assenti. O vestido dela era amarelo, estava linda. Eu não podia olha-la por muito tempo, é uma tarefa quase impossível. Por que ela tinha que ser tão bonita? Como Sam havia conseguido casar com uma mulher igual á ela? Doce e linda como um anjo.
  Aquelas marcas na pele dela ainda me intrigavam. O que poderia ser aquilo? Lembro-me que tempos atrás vovó Meg permitia casais na pensão, e algumas moças apareciam com essas marcas no pescoço e ombros, sendo que nas noites anteriores eu ouvia barulhos vindo dos quartos deles. Eu vou tentar me esconder no guarda-roupa do quarto deles para saber o que acontece.
- E então, o que irão fazer hoje? - ela perguntou.
A voz dela era tão bonita e doce que eu gostaria de ouvi-la para sempre.
- O de sempre. - respondeu Sam.
Ela sorriu, um sorriso lindo e maravilhoso.
- Está ansioso para as aulas, Barth?
Eu simplesmente amava a forma que ela falava meu nome.
- Aham... - foi a única coisa que consegui dizer.
- Responda direito, moleque. - pediu Samuel.
- Sim senhora.
- Eu o colocarei em uma escola de etiqueta também. Você deve aprender a se portar em eventos sociais e jantares.
- Sim senhor. - disse de má vontade.
  Etiquetas? Etiquetas não são aquelas coisas pregadas nas roupas? Mas achei melhor não contestar. 
Ficamos em silêncio por uns minutos.
- Com licença, general. O pai do senhor está ao telefone.
  O pai dele ainda era vivo? Então deveria ter mais de cem mil anos.
- Você tem um sorriso muito bonito, Barth.
Quando percebi estávamos apenas o anjo e eu.
- O-obriga-gado.
- Eu vou falar com as meninas na cozinha. - disse ela.
Eu rapidamente levantei para puxar sua cadeira, como Samuel fazia.
- Você é muito gentil, meu rapazinho. - ela falou pondo a mão no meu rosto.
Se eu morresse nesse momento não iria me importar. Ela é perfeita, mas seus belos olhos carregam um rastro de tristeza. Provavelmente pela filha que perdera.  O andar dela também era lindo, eu queria segui-la até a cozinha, mas não tinha uma desculpa pra isso. Fiquei ali parado ainda sentia o perfume dela."

          ~~P.O.V Bartholomew Off~~

  Esther ficou alguns minutos na cozinha conversando com as empregadas. E ficou feliz ao saber que Hannah estaria ali em breve.
- Madame?
- Sim, Martha?
- O patrão aguarda a senhora no escritório.
- Obrigada, querida. Me dêem licença meninas.

- Me chamou, general?
- Sim, madame.
- Sim?
- Eu recebi uma outra ligação.
  Esther fez um aceno de cabeça para que ele continuasse.
- Sente-se aqui comigo.
  A mulher sorriu e sentando-se em seu colo.
- Agora fale, querido.
- Eu primeiro lugar terei que sair por uns dias á trabalho.
- E o garoto.
- Bom se ele lhe der trabalho o tranque na sala de tortura.
   Esther riu.
- Acredito que não ficarei fora muito tempo.
- Eu acho melhor mesmo.
- Eu sei que você não aguenta ficar longe de mim por muito tempo. E a segunda coisa é que quando eu voltar, meus pais passarão um tempo conosco.
  Esther apenas assentiu.
- Quando que você irá?
- Amanhã.
  A mulher fechou os olhos e abraçou o marido.
- Você mal chega e vai embora.
- Eu não estou indo embora, Esther.
- Você sabe que uma parte minha vai com você, não sabe?
- E parte minha fica aqui.
- Eu tenho tanto medo.
- Não tenha, minha Teteinha. Eu sempre volto pra você. É você, sempre foi e sempre será você que me dá forças.
- O que acha de subirmos para o quarto, só alguns minutos? - sugeriu Esther passando o dedo indicador pelo peito e tórax do marido.
- Minutos, horas... O que quiser. - disse Sam antes de puxa-la para um beijo.
- Horas? E o garoto?
- Ele espera. Vá na frente.
  Esther assentiu e levantou-se. Sam a imitou e abriu a porta para a mesma passar. O homem observava a esposa afastar-se, mesmo depois de mais de vinte anos ele ainda era fascinado por aquele balançar de quadris. Sentiu um calor e tremor pelo corpo como se fosse a primeira vez.
  O general desceu e encontrou Barth na escada.
- Bartholomew?
- Sim?
- Ahmm... eu preciso tratar de alguns assuntos com minha esposa. Você pode usar a academia ou a biblioteca por enquanto. Ou até mesmo a televisão.
- Sim senhor.
- O que vocês vão fazer?
- Hmm leitura.
- Então porque não lêem na biblioteca? - quis saber Barth
- Por que você está aqui.
- Eu não entendi.
- Apenas vá garoto, e se nos atrasarmos para o almoço, comece sem nós. 
- Sim senhor.
Samuel apenas assentiu e subiu as escadas praticamente correndo, deixando um Barth inocentemente confuso para trás.


Notas Finais


E então?
Sobre a inocência do Barth? Kkk

Eu tido sobre a infância da Clarissa e Esther.
Mas não consegui colar..
Mas coloquei esses flashs do Sam com a Liesel, o que acharam?

No próximo conhecerão os pais do Sam.
Como acham que eles são?

E em breve também conhecerão o pai da Esther e Clarissa.

Até quando acham que o Barth vai ficar com essa inocência? e.e

Enfim, espero que tenham gostado.
Criticas e sugestões são sempre bem vindas *-*


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