História My Angel – Norminah G!P - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony, Shadowhunters, The Vampire Diaries
Personagens Damon Salvatore, Dinah Jane Hansen, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Katherine Pierce, Normani Hamilton
Tags Norminah
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Palavras 6.328
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, meus amores... Demorei pra postar, porque vocês não cumpriram o desafio do capítulo anterior. Mas prometo não fazer isso de novo. Relevem os erros e bom capítulo.
PS.: esse capítulo ta muito tenso...

Capítulo 19 - Capítulo 19


Fanfic / Fanfiction My Angel – Norminah G!P - Capítulo 19 - Capítulo 19

Normani P.O.V 

Val se juntou a nós para jantar — comida chinesa de ótima qualidade, uma boa taça de vinho e a programação de segunda à noite na TV. Enquanto trocávamos de canal e ríamos dos nomes hilariantes de certos reality shows, vi duas pessoas importantíssimas na minha vida relaxando e se divertindo juntas. Eles se deram bem, ficavam se desafiando e se xingando daquela maneira brincalhona tão habitual entre as pessoas. Nunca tinha visto esse lado de Dinah antes, e adorei. Enquanto eu ocupava uma lateral inteira do sofá modulado, os dois estavam sentados no chão de pernas cruzadas, usando a mesinha de centro como mesa de jantar. Eles usavam calça larga de agasalho e blusa com mangas justas, e eu só apreciava a vista. Eu era ou não era uma garota de sorte? Estalando os dedos, Val fez um preâmbulo dramático antes de abrir seu biscoito da sorte.

– Vamos ver. Vou ser rico? Famoso? Estou prestes a conhecer o homem ou a mulher dos meus sonhos? Vou visitar terras distantes? O que saiu no de vocês?

– O meu era uma porcaria – eu disse.

– No fim tudo será revelado. Dã. Eu não precisava de previsão nenhuma pra descobrir isso.

Dinah abriu o seu e leu em voz alta:

– A prosperidade baterá à sua porta em breve.

Dei risada. Val olhou para mim.

– Você roubou o biscoito de alguém, Hansen.

– É melhor manter Val à distância do seu biscoito – eu disse, brincando.

Dinah se inclinou na minha direção e roubou metade do meu.

– Não se preocupe, meu anjo. Seu biscoito é o único que me interessa.

Ela o jogou na boca e piscou para mim.

– Ei – protestou Val.

– Já para o quarto, vocês duas.

Ele quebrou seu biscoito da sorte com um gesto floreado, e logo depois ficou furioso:

– Que porra é essa?

Eu me inclinei para a frente.

– O que está escrito aí?

– Confúcio diz – Dinah impostou a voz – o homem de uma perna só tem sempre um pé no passado.

Val atirou metade de seu biscoito em Dinah, que o apanhou com habilidade e sorriu.

– Dê isso aqui.

Tomei o papelzinho da mão de Val e li. Imediatamente caí na risada.

– Vá se foder, Normani.

– E então? – Dinah quis saber.

– Pegue outro biscoito.

Dinah abriu um sorriso.

– Até os biscoitos estão zoando com a sua cara.

Val atirou a outra metade do biscoito. Era uma noite como tantas outras que passei com Val na época da SDSU, o que despertou meu interesse sobre como Dinah devia ser na época da faculdade. Pelo que tinha lido na imprensa, sabia que ela tinha se formado na Columbia, mas saiu antes da pós-graduação para expandir os negócios. Ela tinha amigos por lá? Fazia parte de alguma fraternidade, ia a festas, ficava bêbada, transava por aí? Ela era uma mulher tão controlada que eu não conseguia imaginá-la num momento de descontração, ainda que fosse exatamente isso o que estávamos fazendo ali. Ela olhou para mim, ainda sorrindo, e meu coração disparou dentro do peito. Pela primeira vez eu a via como alguém de sua idade, jovem e simpática, apesar de séria — enfim, uma pessoa normal. Nesse momento, éramos só um casal de vinte e poucos anos se divertindo em casa com um colega de apartamento e um controle remoto. Ela era simplesmente minha namorada, nada mais. Tudo parecia gostoso e descomplicado, o tipo de ilusão que tinha um enorme apelo para mim. O interfone tocou e Val levantou em um pulo para atender. Ele me olhou e sorriu.

– Pode ser o Tyler.

Cruzei os dedos. Minutos depois, porém, quando Val abriu a porta, quem entrou foi a loira alta bronzeada com quem eu tinha cruzado na outra noite.

– Oi – ela disse, atacando o que restou do jantar sobre a mesa.

A loira de corpo bronzeado espichou os olhos para Dinah quando ela educadamente se levantou com toda a beleza de movimentos a que estava acostumada. Ela deu um sorrisinho falso para mim, e logo em seguida fez sua melhor pose de supermodelo para minha namorada enquanto estendia a mão para ela.

– Jilly Anais.

Ela apertou sua mão.

– Sou a namorada de Normani.

Fiquei surpresa com a maneira como ela se apresentou. Estaria protegendo sua identidade? Queria estabelecer certa distância entre elas logo de cara? Fosse como fosse, gostei da resposta. Val reapareceu com uma garrafa de vinho e duas taças.

– Vamos lá – ele disse, apontando para o quarto.

Jilly se despediu com um rápido aceno e foi atrás de Val. Quando ela estava de costas, chamei a atenção de Val para que ele lesse meus lábios:

– O que você está fazendo?

Ele piscou e respondeu baixinho:

– Estou pegando outro biscoito.

Dinah e eu decidimos que já estava na hora de dormir, e fomos para o quarto. Enquanto nos trocávamos, quis esclarecer com ela a dúvida que surgiu durante o jantar:

– Você tinha um "matadouro" na época da faculdade também?

Ela tirou a blusa ficando apenas de top antes de responder.

– Como é?

– Você sabe, um lugar como aquele seu quarto de hotel. Você é uma mulher ativa. Só queria saber se você já tinha um esquema bem organizado desde aquela época.

Ela balançava a cabeça, mas naquele momento eu só tinha olhos para seus seios fartos e seus quadris.

– Já transei mais com você do que nos últimos dois anos da minha vida somados.

– Até parece.

– Trabalho muito, e malho que nem uma condenada, exatamente para ficar exausta na maior parte do meu tempo livre. De vez em quando recebia ofertas que decidia não recusar, mas fora isso o sexo sempre foi uma coisa secundária na minha vida até conhecer você.

– Que mentira.

Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Ela me fuzilou com o olhar enquanto se dirigia ao banheiro com sua nécessaire vermelha.

– Continue duvidando de mim, Normani. Pague pra ver.

– O quê?

Eu a segui, aproveitando para admirar sua bunda enquanto andava.

– Você vai provar que o sexo é uma coisa secundária pra você transando comigo de novo?

– Quando um não quer...

Ela abriu a nécessaire e pegou uma escova de dente nova, que tirou da embalagem e deixou no meu banheiro.

– Você toma a iniciativa tanto quanto eu. Precisa sentir essa ligação que temos tanto quanto eu.

– É verdade. Eu só queria...

– Só queria o quê?

Ela abriu uma gaveta, fez cara feia ao ver que estava cheia e partiu à procura de outra.

– Pia errada – eu disse, sorrindo ao notar sua presunção de que teria gavetas reservadas para ela na minha casa, e sua irritação ao perceber que não era bem assim.

– A outra é toda sua.

Dinah se dirigiu à outra pia e começou a guardar suas coisas.

– Só queria o quê? – ela repetiu, guardando o shampoo, condicionador e o sabonete líquido no box.

Apoiei-me na pia e cruzei os braços enquanto a via se apossar de meu banheiro. Era bem isso que ela estava fazendo: deixava claro para qualquer um que entrasse ali que havia uma pessoa na minha vida. Foi quando me dei conta de que o mesmo estava acontecendo comigo em relação a ela. Os empregados de sua casa agora sabiam que ela tinha um relacionamento estável. Só de pensar nisso fiquei toda animada.

– Durante o jantar, estava tentando imaginar como você era na época da faculdade – continuei – como seria cruzar com você por acaso no campus. Eu teria ficado obcecada por você. Faria de tudo para entrar no seu caminho, só pra ficar admirando. Ia tentar cursar as mesmas matérias que você, só pra ficar fantasiando sobre como seria te levar pra cama.

– Sua safada.

Ela me deu um beijo na ponta do nariz quando passou por mim para escovar os dentes.

– Nós duas sabemos muito bem o que aconteceria assim que eu pusesse os olhos em você.

Penteei o cabelo, escovei os dentes e comecei a lavar o rosto.

– E então... você tinha um lugar especial pra quando alguma vaca sortuda conseguia te arrastar pra cama?

Ela olhou para o reflexo ensaboado do meu rosto no espelho.

– Sempre usei aquele hotel.

– Foi o único lugar onde você fez sexo? Antes de mim?

– Foi o único lugar onde fiz sexo consensual – ela respondeu baixinho – antes de você.

– Ah.

Aquilo cortou meu coração. Andei até ela e a abracei por trás, acariciando suas costas com meu rosto. Fomos para a cama e deitamos bem juntinhas. Enterrei meu rosto em seu pescoço e respirei bem fundo. Seu corpo era todo delicado e sensível, maravilhosamente confortável ao toque. Ela era quente e delicada, poderosamente feminina. Bastava eu pensar nela para querê-la. Passei minhas pernas por seus quadris e me elevei acima dela, com as mãos espalmadas sobre seu abdômen. Estava escuro, mas eu não precisava vê-la. Por mais que gostasse de seu rosto — rosto do qual ela se ressentia às vezes —, era a maneira como ela me tocava e falava comigo que me deixava maluca. Como se não houvesse nada neste mundo que ela desejasse mais.

– Dinah.

Não precisei dizer mais nada. Ela se sentou, envolveu-me nos braços e me deu um beijo profundo. Depois rolou para cima de mim e fez amor comigo de uma maneira tão carinhosa e possessiva que abalou minha alma.

[***]

Acordei com um sobressalto. Um peso enorme me esmagava, e uma voz áspera vomitava palavras desagradáveis, detestáveis, na minha orelha. O pânico tomou conta de mim, deixando-me sem ar.

– De novo, não. Não... Por favor, não...

Nathan tapou minha boca com a mão e abriu minhas pernas. Senti seu membro duro tateando por ali, tentando abrir caminho para dentro do meu corpo. Meu grito saiu abafado pela palma de sua mão, que cobria meus lábios, e eu me encolhi toda, com o coração prestes a explodir. Nathan era pesado demais. Pesado e forte demais. Eu não conseguia afastá-lo. Não conseguia tirá-lo dali.

– Pare com isso! Me largue! Não encoste em mim! Pelo amor de Deus... por favor, não faça isso comigo... de novo não...!

Onde é que estava minha mãe?

– Mamãe!

A mão de Nathan abafava meus gritos, esmagava-me contra o travesseiro. Quanto mais eu resistia, mais excitado ele ficava. Arfando como um cão, ele investia contra mim de novo e de novo... tentando se enfiar dentro de mim...

– Agora você vai ver o que é bom.

Gelei. Aquela voz eu conhecia. E sabia que não era de Nathan. Não era um sonho, era um pesadelo. Meu Deus, não. Piscando enlouquecidamente em meio à escuridão, eu fazia força para tentar enxergar. O sangue pulsava em meus ouvidos. Não consegui ouvir mais nada. Mas eu conhecia o cheiro da sua pele. Conhecia seu toque, mesmo quando ela era cruel. Conhecia a sensação de seu corpo junto ao meu, mesmo quando sua intenção era me violar. O pênis ereto de Dinah batia nas minhas coxas. Em pânico, empurrei-me para cima com toda a força. Consegui me libertar da mão que cobria minha boca. Enchi os pulmões de ar e berrei. Seu peito se inflou quando ela grunhiu:

– Não é tão bom quando é você que está sendo comido, é?

– Hansen – eu disse, perdendo o fôlego.

Um facho de luz vindo do corredor me cegou, e logo depois o peso esmagador de Dinah foi retirado de cima de mim. Rolando para o lado, comecei a soluçar, com os olhos cheios de lágrimas, o que borrou minha visão de Val arrastando Dinah pelo quarto e a prensando contra a parede, provocando uma rachadura no revestimento de gesso.

– Normani, você está bem?

Val acendeu o abajur do lado da cama e soltou um palavrão quando me viu deitada em posição fetal, tremendo violentamente. Quando Dinah endireitou o corpo, Val foi até ela.

– Se sair mais um centímetro daí antes da polícia chegar, acabo com sua raça!

Tentando engolir com minha garganta em chamas, eu me sentei. Olhei diretamente nos olhos de Dinah e dentro deles vi a névoa do sono ser substituída pelo terror.

– É um sonho – eu consegui dizer, resfolegada, agarrando o braço de Val, que se dirigia ao telefone.

– E-ela está sonhando!

Val então viu Dinah encolhida sem roupa no chão como um animal selvagem. Ele ficou sem reação.

– Minha nossa. E eu achando que o pirado era eu.

Desci da cama com as pernas trêmulas, com o estômago revirado de medo. Meus joelhos cederam e Val teve que me amparar, baixando meu corpo até o chão e me abraçando para acalmar o choro.

– Vou deitar no sofá.

Val passou as mãos pelos cabelos amassados de sono e se apoiou na parede do corredor. A porta do quarto estava aberta atrás de mim, revelando a imagem de Dinah lá dentro, pálida e assustada.

– Vou separar uns cobertores e uns travesseiros pra ela também. Não é uma boa ela ir sozinha pra casa. Está abalada demais.

– Obrigada, Val.

Seus braços estavam tensos junto a mim.

– Jilly ainda está aqui?

– Claro que não. Nada a ver. Nós trepamos e ela caiu fora.

– E Tyler? – perguntei baixinho, já voltando a pensar em Dinah.

– Eu amo Ty. Acho que ele é a melhor pessoa que conheço, tirando você.

Ele se inclinou para a frente e beijou minha testa.

– O que os olhos não veem o coração não sente. Pare de se preocupar comigo e cuide de você.

Olhei para ele com os olhos banhados de lágrimas.

– Não sei o que fazer.

Val suspirou, e seus olhos verdes ganharam um tom de seriedade.

– Acho que você precisa refletir se não está dando um passo maior que a perna, gata. Algumas pessoas não têm solução. Veja meu exemplo. Arrumei um cara ótimo e estou transando com uma menina que detesto.

– Val...

Eu apertei seu ombro. Ele segurou e apertou minha mão.

– Estou aqui se precisar de mim.

▶ Leia ouvindo: Halo – Beyoncé

Dinah já estava fechando sua mala quando voltei para o quarto. Quando ela me olhou, senti um frio na barriga de medo. Não por mim, por ela. Nunca tinha visto alguém tão desolado, tão inapelavelmente arrasado. A melancolia em seus lindos olhos me deixou apavorada. Eles estavam sem vida. Dinah estava pálida como a morte, imersa nas sombras sob todos os ângulos de seu rosto de tirar o fôlego.

– O que você está fazendo? – sussurrei.

Ela se afastou, como se quisesse manter a maior distância possível de mim.

– Não posso ficar.

Fiquei preocupada quando senti uma pontada de alívio ao ouvir isso.

– Nós combinamos... chega de fugir.

– ISSO FOI ANTES DE EU ATACAR VOCÊ! –  ela gritou, mostrando o primeiro sinal de vida depois de uma hora.

– Você estava inconsciente.

– Você não pode virar vítima de novo, Normani. Minha nossa... o que eu ia fazer com você...

Ela deu as costas para mim, e seus ombros se curvaram de uma maneira que me assustou muito mais que qualquer outra coisa.

– Se você for embora, quer dizer que nosso passado levou a melhor sobre nosso futuro.

Minhas palavras a atingiram como um soco no estômago. Todas as luzes do quarto estavam acesas, como se a eletricidade fosse capaz de extinguir as sombras de nossa alma.

– Se sair daqui agora, acho melhor você manter distância e eu esquecer de você. Vai ser o fim, Dinah.

– Como posso ficar? Por que você ia me querer aqui?

Ela se virou e me olhou com tamanho sentimento que meus olhos se encheram de lágrimas.

– Prefiro me matar do que machucar você.

Esse era um de meus medos. A Dinah que eu conhecia — a mulher dominadora, uma força da natureza — jamais se mataria, mas aquela Dinah que estava diante de mim era outra pessoa. E era filha de um suicida. Meus dedos se enroscavam na bainha da minha camiseta.

– Você jamais me machucaria.

– Você está com medo de mim – ela disse, quase sem voz.

– Dá pra ver no seu rosto. Até eu estou com medo de mim. Com medo de cair no sono e fazer uma coisa que destruiria minha vida e a sua.

Ela tinha razão. Eu estava com medo. Com um frio na barriga que não passava. Agora eu conhecia seu lado violento. Toda a sua fúria. E nossa relação era passional demais. Dei um tapa na cara dela no dia da festa, coisa que eu nunca tinha feito antes. Fazia parte da natureza de nossa relação andar no fio da navalha, com os nervos à flor da pele. A confiança que havia entre nós fez com que existisse uma abertura para que nos tornássemos vulneráveis e perigosas uma para a outra. E isso só ia piorar antes de melhorar. Ela passou as mãos pelos cabelos.

– Normani, eu...

– Eu te amo, Dinah.

– Meu Deus.

Ela me olhou como se estivesse enojada. Se era comigo ou com ela mesma, eu não sabia.

– Como você pode dizer uma coisa dessas?

– É a verdade.

– Você só está vendo isto aqui – ela apontou para seu corpo.

– Não está vendo tudo o que existe de perturbado e traumatizado aqui dentro.

Respirei fundo.

– Como você tem coragem de me dizer uma coisa dessas? Sabendo que eu também sou perturbada e traumatizada...!

– Talvez você esteja mesmo atrás de alguém que te faça mal – ela respondeu, amarga.

– Pode parar com isso. Sei que você está chateada, mas descarregar tudo em cima de mim só vai piorar as coisas.

Olhei para o relógio e vi que eram quatro da manhã. Caminhei até ela, motivada pela necessidade de superar meu medo de tocá-la e ser tocada por ela. Ela ergueu uma das mãos para me manter longe.

– Estou indo pra casa, Normani.

– Durma aqui, no sofá. Faça o que estou dizendo desta vez, Dinah. Por favor. Vou morrer de preocupação se você for embora.

– E vai ficar mais preocupada ainda se eu ficar.

Ela olhou para mim, parecendo perdida, furiosa e ao mesmo tempo cheia de desejo. Seus olhos me pediam perdão, mas ela não o aceitava quando eu o oferecia. Fui até ela e peguei sua mão, lutando contra a apreensão que tomou conta de mim quando nos tocamos. Meus nervos ainda estavam tensos, minha garganta e minha boca, doloridas. A lembrança de suas tentativas de penetração — tão parecidas com as de Nathan — ainda estava viva demais.

– N-nós vamos superar isso – prometi, com raiva de mim mesma por ter gaguejado.

– Você vai conversar com o doutor Petersen e depois vemos o que podemos fazer.

Ela levantou uma das mãos, como se fosse tocar meu rosto.

– Se Val não estivesse em casa...

– Ele estava, e eu vou ficar bem. Eu te amo. Vamos superar isso.

Caminhei até ela e a abracei, enfiando minhas mãos sob sua camisa para sentir sua pele.

– Não vamos deixar o passado destruir o que temos.

Eu não sabia quem estava tentando convencer ao dizer isso.

– Mani.

Ela retribuiu o abraço, apertando-me com tanta força que perdi o fôlego.

– Desculpe. Isso está me matando. Por favor. Me perdoe... Não posso te perder.

– E não vai.

Fechei os olhos, concentrando-me em seu toque. Em seu cheiro. Lembrando que costumava não ter medo de nada quando estava com ela.

– Sinto muito.

Suas mãos trêmulas acariciavam a curvatura das minhas costas.

– Faço qualquer coisa...

– Shh. Eu te amo. Vai ficar tudo bem.

Ela virou a cabeça e me beijou de leve.

– Desculpe, Normani. Eu preciso de você. Tenho medo do que pode acontecer se eu te perder...

– Não vou deixar isso acontecer.

Minha pele se arrepiou sob o movimento constante de suas mãos nas minhas costas.

– Estou bem aqui. Não vou mais fugir.

Ela fez uma pausa, respirando bem perto da minha boca. Depois baixou a cabeça e me deu um beijo na boca. Meu corpo reagiu àquele estímulo suave. Curvei-me em sua direção sem perceber, trazendo-a mais para perto. Ela agarrou meus seios, acariciando-os, estimulando meus mamilos com os polegares até eles ficarem pontudos e sensíveis. Gemi de medo e de desejo, e ela estremeceu ao ouvir esse som.

– Normani...?

– Eu... não consigo.

A lembrança de como havia sido acordada ainda era recente demais. Foi doloroso para mim rejeitá-la, principalmente por saber que ela precisava receber de mim a mesma coisa que havia me oferecido quando contei a ela sobre Nathan — uma prova de que o desejo não tinha morrido, uma prova de que, por mais feias que fossem nossas cicatrizes do passado, elas não afetavam o que sentíamos uma pela outra naquele momento. No entanto, não fui capaz de fazer isso. Não naquela hora. Estava me sentindo ferida e vulnerável.

– Me abrace, Dinah. Por favor.

Ela concordou com a cabeça e me envolveu em seus braços. Eu a fiz deitar no chão comigo, na esperança de fazê-la voltar a dormir. Aninhei-me a seu lado, jogando minha perna sobre a dela e apoiando meu braço sobre sua barriga. Ela me apertou de levinho, dando um beijo na minha testa e sussurrando várias vezes que sentia muito.

– Não vá embora – murmurei.

– Fique.

Dinah não respondeu nem fez nenhuma promessa, mas também não me soltou.

▶ Music Off

[***]

Acordei algum tempo mais tarde, ouvindo o coração dela bater tranquilamente sob minha orelha. Todas as luzes ainda estavam acesas, e o chão acarpetado parecia duro e desconfortável. Dinah estava deitada de costas, seu lindo rosto estava adormecido como o de uma menina, com a blusa levantada só o suficiente para mostrar seu umbigo. Aquela era a mulher que eu amava. Aquela era a mulher cujo corpo me dava tanto prazer, cuja consideração por mim sempre me emocionava. Ela ainda estava lá. E as rugas que se viam entre suas sobrancelhas mostravam que ainda estava chateada. Enfiei minha mão em sua calça. Pela primeira vez desde que estávamos juntas, ela não estava duro como pedra ao toque da minha mão, mas logo começou a inchar e engrossar quando passei a masturbá-la. Um temor ainda se fazia presente na minha excitação, mas o medo de perdê-la era maior que o dos demônios que viviam dentro dela. Ela se mexeu e me apertou forte, com os braços nas minhas costas.

– Normani...

Dessa vez respondi como deveria ter feito anteriormente, mas não consegui.

– Vamos esquecer – eu disse com a boca colada à sua.

– Nos faça esquecer.

– Normani.

Ela rolou para cima de mim, tirando minha camiseta com movimentos cuidadosos. Eu também tateava com cautela ao despi-la. Encostamos uma na outra como se fôssemos feitas de açúcar. O laço que nos unia estava frágil. Estávamos ambas preocupadas com o futuro e com as feridas que poderíamos acabar reabrindo. Seus lábios abocanharam meu mamilo e suas bochechas desinflaram lentamente, em um gesto de sedução menos violento que o de costume. Aquela sucção suave era tão gostosa que perdi o fôlego e me dobrei em sua direção. Ela acariciou meu corpo do seio até o quadril, descendo e subindo até meu coração disparar. Ela passou a boca por meu peito até chegar ao outro seio, murmurando palavras de desculpas e carência com a voz carregada de arrependimento e tristeza. Sua língua chegou ao mamilo enrijecido, provocando-o um pouco antes de envolvê-lo em uma chupada quente e molhada.

– Dinah...

Suas carícias delicadas foram perfeitas para encher de desejo minha mente inquieta. Meu corpo já estava entregue a ela, ávido por sentir prazer e desfrutar de sua beleza.

– Não tenha medo de mim – ela sussurrou.

– Pode ficar tranquila.

Dinah beijou meu pescoço e depois foi descendo, acariciando minha barriga com os cabelos enquanto se acomodava no meio de minhas pernas. Manteve-me aberta para ela com as mãos trêmulas, e acariciou meu clitóris com a boca. Suas lambidas leves e provocadoras por toda a minha abertura, combinadas com as entradas furtivas de sua língua no meu sexo fremente, levaram-me às raias da loucura. Minhas costas se arquearam. Súplicas roucas saíam do meu lábio. A tensão se espalhou pelo meu corpo, fazendo com que eu me contraísse inteira até quase explodir sob tanta pressão. Ela conseguiu me levar ao orgasmo apenas com o toque delicado da ponta de sua língua. Gemi bem alto ao sentir aquela onda morna de alívio se apoderar de meu corpo estremecido.

– Não posso perder você, Normani.

Dinah se deitou sobre mim enquanto meu corpo se contorcia de prazer.

– Não posso.

Limpando as marcas de lágrimas em seu rosto, eu me vi diante de seus olhos vermelhos. Seu sofrimento era um tormento para mim, de cortar o coração.

– Você não me perderia nem se quisesse.

Ela penetrou em mim lentamente, com todo o cuidado. Pressionei a cabeça contra o chão duro à medida que ela chegava mais fundo, tomando conta de meu corpo centímetro a centímetro. Quando entrou por inteiro, ela começou a se mover em investidas calculadas e cautelosas. Fechei os olhos e pensei apenas no sentimento que havia entre nós. Foi quando ela parou e deitou sobre mim, com a barriga encostada na minha, e meu coração disparou em pânico. Assustada, eu não sabia o que fazer.

– Olhe para mim, Normani.

Sua voz estava tão rouca que eu não consegui reconhecê-la. Obedeci, e pude ver toda a sua angústia.

– Faça amor comigo – ela implorou em um sussurro quase sem fôlego.

– Faça amor comigo. Toque em mim, meu anjo. Ponha suas mãos sobre mim.

– Sim.

Pus as mãos espalmadas em suas costas, depois explorei seus seios e os músculos contraídos de seu traseiro. Apertando bem forte sua carne, eu a fiz se mover mais rápido, chegando mais fundo. As estocadas ritmadas de seu pau grosso contra as profundezas convulsionadas de meu sexo fizeram o prazer se espalhar por mim em ondas de calor. Ela era tão gostosa. Minhas pernas envolveram seus quadris em movimento, minha respiração acelerou e o caroço congelado que havia se instalado em minha barriga começou a derreter. Nossos olhares grudaram um no outro. As lágrimas escorriam por minhas têmporas.

– Eu te amo, Dinah.

– Por favor...

Ela fechou os olhos.

– Eu te amo.

Ela me conduziu ao orgasmo mexendo os quadris com habilidade, movimentando seu pau dentro de mim. Meu sexo ficou inchado e apertado, fazendo de tudo para mantê-la dentro de mim.

– Goze, Normano – ela disse com a boca colada na minha garganta.

Eu me esforcei para isso, esforcei-me para deixar para trás a apreensão que sentia com ela ali em cima de mim. A ansiedade se misturou ao desejo, mantendo-me em um estado de excitação suspensa. Ela soltou um gemido carregado de dor e arrependimento.

– Preciso fazer você gozar, Normani... preciso dessa sensação... Por favor...

Agarrando minha bunda, ela ajeitou a posição de meus quadris e atacou de novo e de novo o mesmo lugarzinho sensível dentro de mim. Ela era incansável, implacável, e continuou metendo com força até eu perder o controle sobre meu corpo e gozar violentamente. Mordi seu ombro para abafar meus gritos enquanto me contorcia embaixo dela, sentindo os pequenos músculos de meu ventre se contraírem em espasmos de êxtase. Ela soltou um gemido profundo, que reverberou em seu peito, um ruído áspero de prazer misturado com sofrimento.

– Mais – ela ordenou, entrando mais fundo para me fazer sentir dor.

O fato de ela se sentir confiante o bastante para me infligir uma pequena dose de sofrimento derrubou a última de minhas preocupações. Enquanto confiássemos uma na outra, poderíamos confiar nos nossos instintos também. Gozei mais uma vez, ferozmente, dobrando os dedos do pé até sentir câimbras. Senti que a tensão habitual tomava conta de Dinah e apertei ainda mais seus quadris, puxando-a para perto à força, desesperada para senti-la jorrar dentro de mim.

– Não!

Dinah se afastou, caindo de costas e cobrindo os olhos com um dos braços. Ela estava punindo a si mesma, negando a seu corpo o conforto e o prazer que costumava extrair do meu. Seu peito oscilava violentamente, encharcado de suor. Seu pau caiu pesadamente sobre sua barriga, exibindo toda a sua impetuosidade na cabeça larga e arroxeada e no corpo atravessado por veias grossas. Mergulhei sobre ela com as mãos e a boca, ignorando seus palavrões furiosos. Prendendo seu tronco ao chão com o antebraço, eu a masturbei com força com a outra mão e chupei sedentamente sua região mais sensível.

– Porra, Normani. Caralho.

Ela enrijeceu e expirou com força, puxando meu cabelo e movimentando os quadris.

– Caralho. Minha nossa...

Ela explodiu em um jorro poderoso que quase me fez engasgar, inundando minha boca. Eu bebi tudinho, ordenhando com a mão cada pulsação que fazia seu pau tremer, engolindo sem parar até que ela estremeceu de satisfação e me implorou para parar. Eu me endireitei e Dinah se sentou para me abraçar. Ela me puxou de volta para o chão, onde enterrou o rosto no meu pescoço e chorou até o dia amanhecer.

[***]

Na terça-feira, fui trabalhar usando calça e uma blusa de seda de mangas compridas, sentindo a necessidade de estabelecer uma barreira entre mim e o restante do mundo. Na cozinha, Dinah pegou meu rosto entre as mãos e me beijou com um carinho apaixonante. Seu olhar permanecia perturbado.

– Almoço hoje? – sugeri, sentindo que ainda precisávamos restabelecer a intimidade e a confiança entre nós.

– Tenho um almoço de negócios.

Ela passou os dedos por meus cabelos soltos.

– Você quer ir? Alex pode levar você de volta a tempo.

– Eu adoraria.

Lembrei-me da agenda de eventos noturnos, reuniões e consultas que ela havia mandado para meu celular.

– E amanhã à noite temos um jantar beneficente no Waldorf-Astoria?

Sua expressão se amenizou. Vestida para trabalhar, ela parecia um tanto deprimida, apesar de absolutamente controlada. Mas eu sabia muito bem como ela se sentia.

– Você não vai desistir mesmo de mim, não é? – ela perguntou com a voz baixa.

Levantei a mão direita e mostrei meu anel.

– Você está amarrada a mim, Jane. Pode ir se acostumando.

No caminho do trabalho, ela me sentou no seu colo, assim como na hora do almoço, enquanto nos deslocávamos até o Jean Georges. Não falei mais de dez palavras durante a refeição, que Dinah escolheu para mim e estava maravilhosa. Fiquei sentada em silêncio a seu lado, com a mão esquerda sobre sua perna firme sob a toalha da mesa, uma afirmação não verbal de meu comprometimento com ela. Conosco. Uma de suas mãos segurava a minha, quente e forte, enquanto ela conversava sobre um novo empreendimento em Saint Croix. Mantivemos esse contato durante todo o tempo, preferindo comer com uma mão só a ter de abrir mão daquele toque. A cada hora que se passava, eu sentia o terror da noite anterior ficar mais distante de nós. Seria apenas uma cicatriz a mais em sua coleção, outra lembrança amarga que ela sempre teria, uma recordação e um medo que também seriam meus, mas que não mudariam nada entre nós. Nós não íamos permitir que isso acontecesse. Alex estava a postos para me levar para casa quando o expediente terminou. Dinah ficaria no trabalho até mais tarde, e iria direto do Building Hansen para o consultório do dr. Petersen. Aproveitei o trajeto para me preparar mentalmente para mais uma semana de treinamento com Damon. Até pensei em faltar, mas no fim cheguei à conclusão de que era importante manter uma rotina. Já havia descontrole demais na minha vida naquele momento. Cumprir meus compromissos era uma das poucas coisas que ainda dependiam somente de mim.

[***]

Depois de uma hora e meia de golpes de mão aberta e trabalho de solo com Damon, eu me senti aliviada quando Clancy me deixou em casa — e orgulhosa de mim mesma por ter ido treinar apesar de ser a última coisa que eu queria naquele dia. Quando entrei no saguão, dei de cara com Tyler na recepção.

– Oi – eu cumprimentei.

– Está subindo?

Ele se virou para mim, com seus olhos brilhantes e seu sorriso aberto. Tyler tinha uma suavidade nos modos, uma espécie de ingenuidade sincera, que o tornava diferente de todas as pessoas com quem Val já havia se relacionado. Ou talvez eu devesse dizer apenas que Tyler era “normal”, algo raro tanto na minha vida como na de Val.

– Val não está – ele disse.

– Ninguém atendeu ao interfone.

– Você pode subir comigo e esperar lá. Não vou sair mais hoje.

– Se você não se incomodar.

Ele foi junto comigo quando acenei para a menina da recepção e tomei o caminho do elevador.

– Eu trouxe uma coisinha pra ele.

– Claro que não me incomodo – garanti, retribuindo seu sorriso gentil.

Ele olhou para minha calça de ioga e meu top de ginástica.

– Está vindo da academia?

– Pois é. Apesar de ser a última coisa que eu gostaria de ter feito hoje.

Tyler deu risada ao entrar no elevador.

– Sei bem como é.

Enquanto subíamos, o silêncio se estabeleceu. E começou a pesar.

– Está tudo bem? – perguntei.

– Bom... – Tyler ajeitou a alça da mochila.

– Val anda meio distante ultimamente.

– Ah, é?

Mordi os lábios.

– Em que sentido?

– Não sei. Não consigo explicar. Acho que tem alguma coisa acontecendo com ele e não sei o que é.

Pensei na modelo bronzeada e gelei por dentro.

– Vai ver ele está estressado por causa do trabalho para a Grey Isles e não quer incomodar você com isso. Ele sabe que você já tem muito com que se preocupar, com o trabalho e a faculdade.

A tensão em seus ombros se aliviou um pouco.

– Talvez seja isso mesmo. Faz sentido. Pode ser. Obrigado.

Abri a porta do apartamento e disse a ele que se sentisse à vontade. Tyler foi deixar suas coisas no quarto de Val e eu fui até o telefone para ver se havia alguma mensagem. Um grito vindo do corredor me fez pegar o telefone por outro motivo, com o coração na mão de medo de algum invasor ou outro perigo iminente. Mais gritos se seguiram, e em um deles reconheci claramente a voz de Val. Soltei um suspiro de alívio. Com o telefone na mão, arrisquei-me a ir ver o que estava acontecendo. Quase fui atropelada por Jilly, que saiu do corredor ainda abotoando a blusa.

– Ops – ela disse, abrindo um sorrisinho sem nenhuma culpa.

– Até mais.

Os gritos de Tyler impediram que eu ouvisse quando ela fechou a porta do apartamento atrás de si.

– PORRA, VALENTIN! A GENTE CONVERSOU SOBRE ISSO! VOCÊ PROMETEU!

– VOCÊ ESTÁ EXAGERANDO! – rebateu Val, também aos berros.

– Não é o que você está pensando.

Tyler saiu pisando duro do quarto, e com tamanha pressa que eu tive que me espremer junto à parede para sair do caminho. Val foi atrás, enrolado num lençol até a cintura. Quando passou por mim, eu o olhei de um jeito que não deve ter sido muito agradável, porque em resposta ele me mostrou o dedo do meio. Deixei que os dois se virassem e fui tomar banho, furiosa com Val por ele ter mais uma vez arruinado uma das poucas coisas boas em sua vida. Era um padrão que eu nunca deixaria de esperar que fosse quebrado, apesar de ele parecer incapaz de fazer isso. Quando fui até a cozinha, meia hora depois, o silêncio dentro do apartamento era absoluto. Concentrei-me em cozinhar, decidindo fazer lombo assado com batatas e aspargos, um dos pratos preferidos de Val, para o caso de ele querer jantar em casa e precisar de algo para se animar. Fiquei surpresa ao ver Tyler saindo do corredor enquanto eu punha a comida no forno, um pouco triste. Não gostei nada de vê-lo todo vermelho, descabelado e chorando. Minha piedade se transformou em decepção furiosa quando Val apareceu na cozinha cheirando a suor e sexo. Ele me olhou feio ao passar por mim para pegar um vinho na adega. Eu o encarei com os braços cruzados.

– Trepar com um namorado traído na mesma cama em que ele pegou você com outra não ajuda muito.

– Cale a boca, Normani.

– Ele deve estar se odiando por ter cedido.

– Eu mandei calar a boca, porra.

– Tudo bem.

Dei as costas para ele e comecei a temperar as batatas para levar ao forno junto com o lombo. Val pegou duas taças no armário.

– Pelo jeito você também está me julgando. Se ele tivesse me pegado com outro homem, provavelmente não faria essa cena toda.

– Então é tudo culpa dele?

– Só pra lembrar: sua vida amorosa também não é nada perfeita.

– Golpe baixo, Valentin. Eu é que não vou me sujeitar a ser seu saco de pancadas. Foi você que estragou tudo, e depois ainda conseguiu piorar as coisas. O problema é todo seu.

– Não vem querer dar uma de superior, não. Você está dormindo com uma mulher que vai acabar te estuprando, mais cedo ou mais tarde.

– NÃO É NADA DISSO!

Ele soltou um riso de deboche e se encostou no balcão, olhando-me com seus olhos verdes inundados de mágoa e raiva.

– Se você vai arrumar justificativas para ela porque estava dormindo quando te atacou, vai ter que fazer o mesmo para os bêbados e drogados. Eles também não sabem o que fazem.

A verdade que havia naquelas palavras me atingiu duramente, assim como o fato de ele tê-las dito só para me magoar.

– Parar de beber as pessoas conseguem, mas deixar de dormir, não.

Val se endireitou, abriu a garrafa que havia escolhido e serviu duas taças, empurrando uma para o outro lado do balcão, para mim.

– Se existe alguém que sabe o que é se envolver com pessoas que só trazem mágoas, esse alguém sou eu. Você a ama. Você quer salvá-la. Mas quem vai salvar você, Normani? Eu não vou estar sempre por perto quando estiver com ela, e a mulher é uma bomba-relógio.

– Você quer falar sobre relacionamentos que só trazem mágoas, Valentin? – rebati, tirando o foco da conversa das verdades incômodas a meu respeito.

– Você, que traiu Tyler só pra se proteger? Você percebeu que fez de tudo para afastar o cara antes que surgisse alguma chance de ele te decepcionar?

Val abriu um sorriso amargo. Ele bateu sua taça na minha, que ainda estava sobre o balcão.

– Um brinde a nós, os seriamente perturbados. Pelo menos temos um ao outro.

Ele saiu da sala e eu desabei. Sabia que isso estava por vir — parecia tudo bom demais para ser verdade. O bem-estar e a felicidade nunca duravam muito na minha vida, e nunca passavam de mera ilusão. Sempre havia algo escondido nas entrelinhas, a postos para vir à tona e arruinar tudo.


Notas Finais


Durmam bem e até mais! ❤


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