História My Angel – Norminah G!P - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, Shadowhunters, The Vampire Diaries
Personagens Damon Salvatore, Dinah Jane Hansen, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Katherine Pierce, Normani Hamilton
Tags Norminah
Visualizações 266
Palavras 5.634
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello... Como vocês estão?
Esse na capa é o Mark, chefe da Normani.
Cheguei trazendo mais um capítulo tenso, cheio insegurança e medo...
Boa leitura *-*
PS.: não tive tempo de reler tudo, então relevem os erros.

Capítulo 20 - Capítulo 20


Fanfic / Fanfiction My Angel – Norminah G!P - Capítulo 20 - Capítulo 20

Normani P.O.V

Dinah chegou bem na hora em que o jantar estava saindo do forno. Estava com umas roupas numa das mãos e um laptop numa bolsa de couro nude na outra. Estava preocupada que ela fosse para casa depois da sessão com o dr. Petersen, e fiquei aliviada quando recebi sua ligação avisando que estava a caminho. Ainda assim, quando abri a porta e pus os olhos nela, senti um calafrio.

–Oi – ela disse baixinho enquanto me seguia até a cozinha.

– O cheiro aqui está uma delícia.

– Espero que você esteja com fome. Fiz um monte de comida, e acho que Val não vai aparecer para ajudar a comer.

Dinah deixou suas coisas perto do balcão e foi até mim com passos cautelosos, procurando meus olhos enquanto se aproximava.

– Trouxe algumas coisas para passar a noite aqui, mas posso ir embora se você quiser. A qualquer hora. É só dizer.

Expirei em uma bufada, determinada a não deixar o medo comandar minhas ações.

– Quero que você fique.

– E eu quero ficar.

Ela parou ao meu lado.

– Posso te abraçar?

Eu me virei para ela e a apertei bem forte.

– Por favor.

Dinah apertou o rosto contra o meu e me abraçou. Não era um abraço gostoso e natural como de costume. Havia um desgaste entre nós, algo que nunca tínhamos experimentado juntas.

– Como você está? – ela murmurou.

– Melhor agora que você chegou.

– Mas ainda está nervosa.

Ela beijou minha testa.

– Eu também. Não sei como vamos conseguir dormir juntas de novo.

Recuando um pouco, olhei bem para ela. Era o que eu temia também, e minha conversa com Val não tinha ajudado muito. A mulher é uma bomba-relógio..., pensei no que ele disse.

– Nós damos um jeito – respondi.

Ela ficou em silêncio por um bom tempo.

– Nathan já tentou entrar em contato com você?

– Não.

Ainda assim, eu morria de medo de encontrá-lo de novo algum dia, fosse por acidente ou deliberadamente. Ele estava em algum lugar do mundo, respirando o mesmo ar que eu...

– Por quê?

– Fiquei pensando sobre isso hoje.

Dei um passo atrás para olhar seu rosto, e senti um nó na garganta ao perceber como ela estava chateada.

– Por quê?

– Porque existe um bocado de coisa entre nós.

– Você está achando que é coisa demais?

Ela sacudiu a cabeça.

– Não consigo pensar assim.

Eu não soube o que fazer, nem o que dizer. Que garantia poderia dar a ela se não sabia que meu amor e a necessidade que ela sentia de ficar comigo seriam suficientes para fazer nossa relação dar certo?

– E você, está pensando em quê? – ela perguntou.

– Na comida no forno. Estou morrendo de fome. Você pode perguntar a Val se ele quer comer? Depois podemos jantar.

Val estava dormindo, então Dinah e eu jantamos na mesa à luz de velas depois que ela tomou banho, uma refeição um tanto formal para quem estava de camiseta velha e calça de pijama. Eu estava preocupada com Val, mas precisava muito de um tempinho tranquilo a sós com Dinah.

– Almocei com Katherine no escritório ontem – ela disse depois de começarmos a comer.

– Ah, é?

Então quer dizer que, enquanto eu saía atrás de um anel, Katherine Pierce estava a sós com minha namorada?

– Não precisa ficar assim – ela me censurou.

– Ela almoçou em um escritório dominado por suas flores, com você me mandando beijinhos da minha mesa. Você estava tão presente ali quanto ela.

– Desculpe. O primeiro impulso é esse mesmo.

Ela pegou minha mão e a beijou com força.

– Fico aliviada por você ainda sentir ciúmes de mim.

Suspirei. Meus sentimentos ficaram à flor da pele durante o dia todo; não conseguia me decidir sobre como me sentia a respeito de nada.

– Você falou com ela sobre Jace?

– Foi por isso que a chamei para almoçar. Mostrei o vídeo pra ela.

– Quê?

Eu franzi a testa ao lembrar que meu telefone tinha ficado sem bateria no carro.

– Como você fez isso?

– Levei seu celular pro escritório e passei o vídeo pro computador. Você não reparou que eu o trouxe de volta pra cá ontem à noite, com a bateria carregada?

– Não.

Larguei os talheres. Dominante ou não, Dinah precisava que alguns limites bem claros para o espaço pessoal de cada um fossem estabelecidos. 

– Você não pode simplesmente hackear meu celular, Dinah.

– Não precisei hackear nada. Não tem senha.

– Não importa! Isso é invasão de privacidade, porra. Minha nossa...

Por que ninguém conseguia entender que eu tinha direito a meu espaço?

– Você gostaria que eu ficasse fuçando nas suas coisas?!

– Não tenho nada a esconder.

Ela tirou seu celular do bolso da calça de moletom e entregou para mim.

– E você também não deve ter.

Eu não queria brigar num momento como aquele, em que as coisas estavam tão abaladas entre nós, mas não dava mais para relevar o assunto.

– Não interessa se tenho ou não alguma coisa a esconder. Tenho direito ao meu espaço e à minha privacidade, e você precisa pedir antes de ir atrás de informações a meu respeito e antes de mexer nas minhas coisas. Você precisa parar com essa mania de fazer de tudo sem minha permissão.

– E o que aquele vídeo tinha a ver com privacidade? – ela perguntou franzindo a testa.

– Foi você mesma que me mostrou.

– VOCÊ ESTÁ PARECENDO MINHA MÃE, DINAH! – eu gritei.

– UMA MALUCA PRA MIM JÁ BASTA!

Ela recuou diante de minha agressividade, claramente surpresa ao ver que eu estava chateada de verdade.

– Está certo. Desculpe.

Dei um gole no vinho, lutando para recuperar a tranquilidade.

– Está se desculpando por ter me irritado? Ou por ter feito o que fez?

Dinah demorou alguns instantes para responder.

– Por ter irritado você.

Ela não tinha entendido nada.

– Você não consegue ver como isso é bizarro?

– Normani.

Ela suspirou e gesticulou.

– Passo um tempão do meu dia dentro de você. Quando você estabelece esses limites, só consigo ver como uma coisa arbitrária.

– Pois não tem nada de arbitrário. É importante pra mim. Se você quiser saber alguma coisa a meu respeito, precisa me perguntar.

– Certo.

– Não faça mais isso – avisei.

– Não estou brincando, Dinah.

Ela cerrou os dentes.

– Está bem. Já entendi.

Como eu realmente não estava a fim de brigar, retomei a conversa anterior.

– O que ela falou quando viu o vídeo?

Ela relaxou visivelmente.

– Foi difícil, é claro. Principalmente por saber que eu já tinha visto.

– Ela viu a gente na biblioteca.

– Não tocamos nesse assunto diretamente, mas o que eu poderia dizer? Não vou me desculpar por transar com minha namorada entre quatro paredes.

Ela se recostou na cadeira e bufou.

– Ver a cara de Jonathan no vídeo... Ver exatamente o que ele pensa dela... Foi isso que a magoou. É difícil descobrir que está sendo usada dessa forma. Principalmente por alguém que você acha que conhece, que diz gostar de você.

Para esconder minha reação, tratei de reabastecer as duas taças de vinho. Ela falou como se já tivesse sentido aquilo na pele. O que exatamente teria acontecido com Dinah? Depois de um rápido gole de vinho, perguntei:

– E como você está lidando com isso?

– O que posso fazer? Durante anos, tentei conversar com Jonathan de todas as maneiras. Já tentei dar dinheiro pra ele. Já tentei ameaçar meu irmão. Ele nunca mostrou o menor sinal de mudança. Percebi há muito tempo que o máximo que posso fazer é amenizar as consequências dos atos dele. E manter você à maior distância possível.

– Agora que sei disso, vou fazer de tudo pra ficar longe.

– Ótimo.

Ela deu um gole no vinho, olhando-me por cima da taça.

– Você não me perguntou como foi a consulta com o doutor Petersen.

– Não é da minha conta. A não ser que você queira contar.

Olhei bem pra ela, na esperança de que fizesse isso.

– Estou aqui pra ouvir o que você quiser falar, mas não vou ficar insistindo. Quando estiver pronta pra se abrir comigo, fique à vontade. Mas adoraria saber se você gostou dele.

– Por enquanto.

Dinah sorriu.

– Ele me faz falar várias vezes a mesma coisa. Poucas pessoas são capazes de me convencer disso.

– Verdade. Ele faz a gente repensar e ver as coisas por outro ângulo, faz a gente refletir sobre por que não pensou naquilo antes.

Os dedos de Dinah subiam e desciam pela haste da taça.

– Ele me receitou um remédio para tomar antes de ir pra cama. Comprei no caminho pra cá.

– Como você se sente a respeito de tomar remédios?

Ela me olhou com os olhos sombrios.

– Acho que é algo necessário. Preciso de você e quero mantê-la segura, custe o que custar. O doutor Petersen disse que esse medicamento, combinado a terapia, tem ótimo resultado no tratamento de casos de parassonia sexual atípica. Não tenho por que duvidar disso.

Eu me inclinei para a frente e apertei sua mão. Tomar remédios era um grande passo, principalmente para alguém que tinha evitado encarar o problema por tanto tempo.

– Obrigada.

Dinah retribuiu o aperto com delicadeza.

– Ao que parece existe um monte de gente com esse problema em grupos de estudos do sono. Ele me contou sobre um caso documentado de um homem que atacou a esposa durante o sono por doze anos antes de procurar ajuda.

– Doze anos? Minha nossa.

– Eles demoraram tanto assim porque pelo jeito o cara transava melhor dormindo que acordado – Dinah complementou, sarcástica.

– Se isso não é motivo para destruir o ego de alguém, não sei o que é.

Olhei bem nos olhos dela.

– Que merda.

– Pois é.

O sorriso irônico desapareceu de seu rosto.

– Mas não quero forçar você a dormir comigo, Normani. Não existe remédio milagroso. Posso dormir no sofá ou ir pra casa, apesar de preferir o sofá. Meu dia fica melhor quando vamos juntas pro trabalho.

– O meu também.

Dinah pegou minha mão e a levou aos lábios.

– Nunca imaginei que teria isso na minha vida... Alguém que sabe tanto sobre mim como você. Alguém que consegue conversar sobre meus traumas durante o jantar porque me aceita como sou... Muito obrigada por você existir, Mani.

Meu coração quase parou, e uma dor gostosa se espalhou por meu peito. Ela sabia mesmo como dizer coisas bonitas, perfeitas.

– Sinto a mesma coisa por você, Jane.

E talvez mais, porque eu a amava. Mas não disse isso em voz alta. Algum dia ela chegaria lá. Eu não desistiria enquanto ela não fosse absoluta e irrevogavelmente minha. Com os pés descalços sobre a mesa de centro e o computador no colo, Dinah parecia tão à vontade e relaxada que eu não conseguia prestar atenção na TV. Como chegamos até aqui?, perguntei-me mentalmente. Essa mulher absurdamente sexy e eu?

– O que você está olhando? – ela murmurou sem tirar os olhos da tela do laptop.

Mostrei a língua para ela.

– Está se insinuando sexualmente pra mim, senhorita Kordei?

– Como você consegue me ver enquanto está vidrada aí no computador?

Ela desviou sua atenção da tela. Seus olhos castanhos irradiavam poder e tesão.

– Vejo você o tempo todo, meu anjo. Desde que nos encontramos pela primeira vez. Não tenho olhos pra mais nada além de você.

[***]

A quarta-feira começou com o membro de Dinah me penetrando por trás, meu novo jeito favorito de acordar.

– Ora, ora – eu disse com a voz rouca, esfregando os olhos para espantar o sono enquanto seu braço envolvia minha cintura e me puxava para mais perto de seu peito quente.

– Você está animadinha esta manhã.

– E você está linda e gostosa todas as manhãs – ela murmurou, mordendo meu ombro.

– Adoro acordar ao seu lado.

Comemoramos a noite ininterrupta com uma bela sessão de orgasmos. Bem mais tarde naquele dia, fui almoçar com Mark e seu companheiro Steven em um restaurante mexicano delicioso escondido sob o nível da rua. Ao descer apenas alguns degraus de cimento, encontramos um restaurante surpreendentemente espaçoso e iluminado, com garçons e garçonetes muito bem vestidos.

– Você precisa vir aqui qualquer dia com sua namorada – comentou Steven – e pedir para ela te pagar uma margarita de romã.

– É boa? – perguntei.

– Ô, se é.

Quando a garçonete veio tirar nosso pedido, começou a paquerar descaradamente Mark, usando e abusando de seus olhos com cílios longos de fazer inveja. Mark entrou na dela. À medida que o tempo passava, a ruiva exuberante — cujo crachá informava que se chamava Maryann — foi ficando mais ousada, acariciando os ombros e a nuca dele toda vez que passava pela mesa. Ao mesmo tempo, as respostas de Mark foram ficando mais sugestivas, a ponto de olhar para Steven e ver seu rosto ficar vermelho e sua expressão mudar. Remexendo-me o tempo todo na cadeira, eu estava contando os minutos para que aquela refeição carregada de tensão terminasse logo.

– Vamos sair juntos hoje à noite – Maryann disse para Mark ao trazer a conta.

– Uma noite comigo e você está curado.

Prendi a respiração. Não podia acreditar no que estava ouvindo.

– Às sete horas está bom pra você? – perguntou Mark em um tom de voz sedutor.

– Vou acabar com você, Mary. Você nem imagina quanto tempo faz que...

Engasguei com a água e comecei a tossir. Steven levantou correndo e foi até o outro lado da mesa bater nas minhas costas.

– Que coisa, Normani – ele falou, aos risos.

– Estamos só brincando com você. Não precisa se matar por nossa causa.

– Quê? – perguntei quase sem fôlego, com os olhos cheios de lágrimas.

Sorrindo, ele passou por trás de mim e abraçou a garçonete.

– Normani, essa é minha irmã Maryann. Mary, Normani é aquela que eu falei que está facilitando a vida de Mark.

– Que ótimo – disse Mary – já que você não facilita a vida dele em nada.

Steven piscou para mim.

– É por isso que ele não me larga.

Vendo os irmãos lado a lado, enfim captei a semelhança, que até então havia passado despercebida. Recostei-me na cadeira e estreitei os olhos para Mark.

– Isso foi golpe baixo. Pensei que Steven fosse ter um ataque.

Mark levantou as mãos em sinal de rendição.

– Foi ideia dele. Steven adora um drama, você sabe.

Ele sorriu e rebateu:

– Ora, Nomani, você sabe que Mark é o mentor intelectual do nosso relacionamento...

Mary tirou um cartão de visitas do bolso e entregou para mim.

– Meu número está no verso. Dê uma ligadinha pra mim quando puder. Conheço os podres desses dois. Você pode dar o troco em grande estilo.

– Traidora – acusou Steven.

– Ei – Mary encolheu os ombros.

– As mulheres precisam se unir.

[***]

Depois do trabalho, Dinah e eu fomos à academia dela. Alex nos deixou bem na frente e, quando entramos, o lugar estava bombando; até o vestiário estava lotado. Eu me troquei, guardei minhas coisas e encontrei Dinah no corredor. Acenei para Dean, o instrutor com quem havia conversado na primeira visita à HansenTrainer, e levei um tapa na bunda por isso.

– Ei – protestei, devolvendo o tapa no mesmo lugar.

– Pare com isso.

Ela puxou meu rabo de cavalo, forçando minha cabeça para trás, e marcou seu território me dando um beijo profundo e lascivo. O jeito como ela puxou meu cabelo me deixou toda arrepiada.

– Se essa é sua ideia de reprimenda – sussurrei com os lábios bem próximos dos dela – fique sabendo que parece mais um incentivo.

– Estou disposta a pegar mais pesado, se necessário.

Ela mordeu meu lábio inferior.

– Mas sugiro que você não teste meus limites dessa maneira, Normani.

– Não se preocupe. Tenho outras maneiras de fazer isso.

Dinah foi correr na esteira primeiro, proporcionando-me o prazer de ver seu corpo brilhando de suor... em público. Por mais que eu a visse assim o tempo todo em particular, era sempre uma visão e tanto. E, minha nossa, como ela ficava linda com o cabelo amarrado... Seus músculos flexionados sob a pele levemente bronzeada... A graciosidade poderosa de seus movimentos... Ver aquela mulher elegantérrima tirar suas roupas casuais e mostrar seu lado animal me deixava cheia de tesão. Eu não conseguia parar de olhar, e ainda bem que não precisava. Ela era minha, afinal de contas, uma constatação que fez um calor subir por meu corpo. Além disso, as outras pessoas da academia estavam fazendo o mesmo. Quando ela trocava de aparelho, dezenas de olhos admirados a seguiam. Quando ela me surpreendia nesses momentos, eu lançava um olhar sugestivo e passava a língua pelos lábios. Sua sobrancelha erguida e seu meio-sorriso perverso me provocaram um frio na barriga. Não me lembro de algum dia ter tido tanta disposição para malhar. Uma hora e meia passavam voando. Quando voltamos para o Jeep a caminho da cobertura, eu não conseguia parar quieta no assento. Lançava olhares e mais olhares insinuantes para Dinah. Ela segurou minha mão.

– Você vai ter que esperar.

Tomei um susto ao ouvir aquilo.

– Quê?

– Você ouviu muito bem.

Ela beijou meus dedos e teve a cara de pau de abrir um sorriso pervertido.

– Vamos prolongar o estado de excitação, meu anjo.

– E por que faríamos isso?

– Imagine o quanto vamos estar malucas uma pela outra depois do jantar.

Cheguei mais perto para que Alex não me ouvisse, apesar de saber que ele era profissional o bastante para ignorar nossas conversas.

– A gente nem precisa prolongar a espera pra ficar maluca...

Mas ela não cedeu. Em vez disso, deu início a um processo de tortura.

[***]

Despimos uma a outra e entramos no chuveiro, acariciando as curvas e as reentrâncias de nossos corpos. Depois nos vestimos para o jantar. Ela estava toda formal, usando um terninho feminino azul com uma blusa branca por dentro. O vestido que ela reservou para mim era um Vera Wang champanhe com bustiê sem alça, costas abertas e uma saia pregada que ia até um pouco acima dos joelhos. Sorri quando ela olhou para mim, sabendo que ficaria maluca me vendo naquele vestido a noite inteira. Era maravilhoso e eu tinha adorado, mas foi feito para ser usado por modelos bem altas e magras, e não por mulheres baixas e cheias de curvas. Em um acesso de vergonha, eu havia deixado meu cabelo cair por cima dos seios, mas não tinha adiantado muito, conforme a expressão de Dinah indicava.

– Minha nossa, Normani.

Ela se ajeitou dentro da calça.

– Mudei de ideia sobre o vestido. Você não deveria usar isso em público.

– Agora é tarde demais pra mudar de ideia, garota.

Ela sorriu.

– Pensei que ele tivesse mais pano que isso.

Encolhi os ombros, sorrindo.

– Não posso fazer nada. Foi você que comprou.

– Mas eu me arrependi. Quanto tempo você demora pra tirar?

Passando a língua pelo lábio, respondi.

– Não sei. Por que você não tenta descobrir?

Ela ficou séria.

– Nós nem sairíamos de casa se eu fizesse isso.

– Eu não ia reclamar.

Ela estava linda, e eu — como sempre — morria de tesão.

– Não tem um casaco que você possa vestir por cima? Um blazer, talvez? Ou um sobretudo?

Aos risos, peguei minha bolsinha de mão na gaveta e dei o braço para ela.

– Não se preocupe. Vai estar todo mundo ocupado demais olhando pra você. Ninguém vai nem reparar em mim.

Ela me olhou feio quando a arrastei para fora do quarto.

– Estou falando sério. Seus peitos cresceram? Eles estão quase pulando pra fora da roupa.

– Tenho vinte e quatro anos, Dinah – eu disse, irônica.

– Já parei de me desenvolver faz tempo. Você está me vendo como sou.

– Sim, mas eu deveria ser a única a ver, já que sou a única que tem acesso liberado a você.

Quando chegamos à sala, durante o tempinho mínimo que demoramos para ir até o elevador, admirei a beleza sóbria da casa de Dinah. Era deliciosamente acolhedora. O charme europeu da decoração em estilo antigo era para lá de elegante, além de muito confortável. A vista magnífica das janelas com arcadas complementava o ambiente, sem destoar dele. A mistura de tons escuros de madeira e de pedra, cores vivas e toques vívidos de joias era claramente um luxo dos mais caros, assim como as obras de arte penduradas na parede, mas de muito bom gosto. Ali ninguém se sentiria temeroso de tocar nas coisas, ou pouco à vontade na hora de se sentar, com medo de estragar alguma antiguidade. A casa dela não era esse tipo de lugar. Entramos no elevador privativo e Dinah me encarou quando as portas se fecharam. Ela foi logo tentando puxar meu vestido para cima.

– Se você puxar muito – avisei – logo mais o que vai aparecer vai ser minha calcinha.

– Droga.

– Isso pode ser divertido. Posso fazer o papel da moreninha piranha que só quer saber do seu pau e do seu dinheiro, e você pode fazer seu próprio papel — da badgirl bilionária exibindo o brinquedinho novo. É só parecer entediada e tolerante enquanto eu me esfrego em você e fico tagarelando sobre suas imensas qualidades.

– Isso não tem graça.

Logo depois seus olhos brilharam.

– Que tal uma echarpe?

[***]

Quando chegamos ao jantar em benefício da construção de um abrigo de emergência para mulheres e crianças vítimas de abuso, tivemos que passar por um tapete vermelho repleto de fotógrafos, o que me provocou uma crise de medo do excesso de exposição. Concentrei-me em Dinah, porque nada era melhor para me fazer esquecer de todo o resto do que ela. E, exatamente por estar prestando tanta atenção nela, pude ver quando a mulher que me levou até ali se transfigurou em sua persona pública. A máscara cobriu seu rosto com naturalidade. Seus olhos perderam o brilho, sua boca sensual ficou séria. Dava quase para sentir seu poder de isolamento envolvendo nós duas. Havia um escudo entre nós e o restante do mundo, simplesmente porque aquela era a vontade dela. Caminhando ao seu lado, eu sabia que alguém só teria coragem de se aproximar caso recebesse algum sinal de aprovação expressa. Mas o aviso de “mantenha distância” não se estendia aos olhares. Dinah fez os pescoços se torcerem ao entrar no salão. Eu me contraí toda ao notar a atenção que ela estava atraindo, enquanto permanecia impassível. Se eu tinha em mente ficar tagarelando sobre Dinah enquanto me esfregava nela, era melhor entrar na fila. No momento exato em que paramos de andar, fomos cercadas por todos os lados. Eu me afastei para abrir espaço àquelas pessoas ansiosas por sua atenção e circulei por ali à procura de uma taça de champanhe. A Waters Field & Leaman tinha participado da campanha de divulgação do evento criando um anúncio, e eu vi por ali alguns rostos conhecidos. Tinha acabado de tirar uma taça da bandeja de um garçom que passava por ali quando ouvi alguém chamar meu nome. Ao me virar, dei de cara com o sobrinho de Stanton e seu enorme sorriso, seus cabelos escuros e seus olhos verdes. Ele era mais ou menos da minha idade. Tínhamos nos conhecido em uma das visitas à minha mãe durante as férias da faculdade, e fiquei feliz em vê-lo.

– Alec!

Eu o cumprimentei com um rápido abraço.

– Como vão as coisas? Você está um gato.

– Eu ia dizer a mesma coisa.

Ele me olhou, apreciando meu vestido.

– Ouvi dizer que você tinha se mudado pra Nova York e estava querendo te encontrar. Faz tempo que está aqui?

– Não muito. Algumas semanas.

– Termine seu champanhe e vamos dançar – ele disse.

O espumante ainda estava borbulhando alegremente pelo meu corpo quando fomos para a pista de dança ao som de uma música de Adele.

– E então – ele começou – está trabalhando?

Enquanto dançávamos, contei sobre meu emprego e perguntei o que ele estava fazendo. Não fiquei nada surpresa ao ouvir que ele trabalhava no banco de investimentos de Stanton e estava se saindo muito bem.

– Adoraria ir até Manhattan um dia desses almoçar com você – ele disse.

– Seria ótimo.

Dei um passo atrás quando a música terminou e acabei esbarrando em alguém. Suas mãos agarraram minha cintura para que eu não me desequilibrasse, e quando olhei sobre os ombros vi que era Dinah.

– Olá – ela cumprimentou, lançando um olhar gelado para Alec.

– Nos apresente.

– Dinah, esse é Alexander Stanton. Nós nos conhecemos há um bom tempo. Ele é sobrinho do meu padrasto.

Respirei fundo antes de continuar.

– Alec, essa é a mulher da minha vida no momento, Dinah Jane Hansen.

– Hansen.

Alec sorriu e estendeu a mão.

– Sei quem você é, claro. Prazer em conhecer. Pelo jeito, em breve vou começar a encontrar vocês nas reuniões de família.

Dinah apoiou o braço no meu ombro.

– Pode contar com isso.

Alec foi chamado por algum conhecido, e se inclinou para a frente para me dar um beijo na bochecha.

– Eu ligo para combinar aquele almoço. Semana que vem, pode ser?

– Claro.

Eu sentia toda a energia de Dinah pulsando bem ao meu lado, mas, quando me virei, ela parecia tranquila e impassível. Dinah me tirou para dançar ao som de “Tell Me”, na voz de Sabrina Claudio. 

– Não sei se gostei dele – murmurou.

– Alec é um cara legal.

– Desde que ele saiba que você é minha...

Ela me deu um beijo na testa e posicionou sua mão no decote nas costas do meu vestido, pele com pele. Segurando-me daquele jeito, ninguém ousaria duvidar que eu pertencia a ela. Gostei da oportunidade de ficar tão próxima de seu corpo maravilhoso em público. Respirando bem perto dela, deixei-me levar por sua conduta firme.

– Adoro isso.

Acariciando-me com o rosto, ela murmurou:

– E é pra gostar mesmo.

Uma enorme alegria. Durou o mesmo tempo que a dança. Estávamos saindo da pista quando vi Katherine parada em um canto. Demorei um tempo para reconhecê-la, porque ela havia cortado o cabelo curtinho. Estava elegante e cheia de classe em seu vestidinho preto, mas era totalmente eclipsada pela morena lindíssima com quem conversava. Dinah hesitou diante delas, reduzindo um pouco o ritmo da passada antes de seguir adiante. Eu estava olhando para baixo, imaginando que havia algum obstáculo no chão, quando ela disse baixinho:

– Preciso apresentar você a alguém.

Voltei a prestar atenção ao lugar para onde nos dirigíamos. A mulher ao lado de Katherine viu Dinah e se virou para olhá-la. Senti seu antebraço se enrijecer sob meus dedos no instante em que seus olhares se encontraram. Dava para entender por quê. Fosse quem fosse, aquela mulher estava completamente apaixonada por ela. Isso estava estampado em seu rosto e em seus magníficos olhos castanhos escuros. Sua beleza era estonteante, quase surreal. Seus cabelos eram pretíssimos, grossos e lisos, e iam quase até a cintura. Seu vestido tinha um tom glacial verde, envolvendo seu corpo longilíneo de curvas perfeitas e sua pele morena.

– Zendaya – ela a saudou, e a suavidade natural de sua voz se tornou ainda mais pronunciada.

Ela me soltou e pegou as mãos dela.

– Você não me disse que já estava de volta. Eu teria ido te buscar.

– Deixei algumas mensagens no seu telefone – ela disse, com o tom de voz tranquilo de uma pessoa culta e bem-educada.

– Ah, eu quase não parei em casa ultimamente.

Isso fez Dinah lembrar que eu estava ao seu lado, e ela a soltou e me puxou mais para perto.

– Zendaya, esta é Normani Kordei. Normani, Zendaya Coleman. Uma velha amiga.

Estendi a mão e ela me cumprimentou.

– Qualquer amiga de Dinah é amiga minha também – ela disse com um sorriso ameno no rosto.

– Espero que isso se aplique a namoradas também.

Ela me olhou como se já soubesse de tudo.

– Principalmente a namoradas. Se você me permitir, gostaria de apresentar Dinah a uma pessoa.

– Claro.

Minha voz soava calma e controlada, mas eu estava bem longe disso. Ela me deu um beijo indiferente na testa e ofereceu o braço a Zendaya antes de se afastar com ela, deixando-me embaraçosamente ao lado de Katherine. Senti pena dela, sinceramente. Parecia abandonada e desolada.

– Seu cabelo ficou uma graça, Katherine.

Ela olhou para mim sem abrir a boca, mas depois atenuou a situação com um suspiro que me pareceu carregado de resignação.

– Obrigada. Estava na hora de mudar. Muitas coisas, aliás. Além disso, não havia por que continuar imitando o visual dela agora que voltou.

Franzi a testa, confusa.

– Não entendi.

– Estou falando de Zendaya.

Ela olhou bem para mim.

– Ah, você não sabe. Ela e Dinah foram noivas por mais de um ano. Ela terminou tudo, casou com um ricaço francês e se mudou para a Europa. Mas o casamento não deu certo. Eles estão se divorciando, e ela voltou pra Nova York.

Noiva. Senti meu rosto ficar pálido e meu olhar se dirigir para a mulher que eu amava, ao lado da mulher que um dia ela havia amado, com as mãos na parte inferior de suas costas para conduzi-la enquanto ela se inclinava em sua direção aos risos. Senti meu estômago se revirar de ciúme e de medo, e foi quando me dei conta de que nunca havia me perguntado se ela já havia tido uma relação romântica antes de mim. Idiota. Linda como era, eu deveria ter imaginado. Katherine pôs a mão no meu ombro.

– É melhor você se sentar, Normani. Está pálida.

Eu estava mesmo ofegante, com os batimentos cardíacos perigosamente acelerados.

– Verdade.

Sentei na primeira cadeira que encontrei. Katherine se acomodou ao meu lado.

– Você está apaixonada por ela – ela disse.

– Eu não sabia. Desculpe. E desculpe pelo que disse a você no dia em que nos conhecemos.

– Você também está apaixonada por ela – respondi, sem nenhuma emoção, com os olhos fora de foco.

– E naquela época eu não estava. Ainda não.

– Isso não justifica o que eu fiz.

Aceitei de bom grado uma taça de champanhe e peguei uma para Katherine antes que o garçom se afastasse. Brindamos em um gesto patético de solidariedade feminina. Eu queria sumir dali. Queria levantar e ir embora. Queria que Dinah percebesse que eu tinha ido, e que fosse atrás de mim. Queria que ela sentisse a mesma dor que eu. Ideias idiotas, imaturas e dolorosas povoavam minha mente e faziam com que eu me sentisse a mais insignificante das mulheres. Consolei-me com o fato de Katherine estar ali comigo. Ela sabia o que significava ser apaixonada demais por Dinah. Senti que ela estava tão infeliz quanto eu, o que só confirmava o tamanho da ameaça representada por Zendaya. Ela estava sofrendo esse tempo todo por ela? Era por isso que tinha se fechado de tal forma para outras mulheres?

– Aí está você.

Olhei para Dinah quando ela me encontrou. Obviamente, Zendaya ainda estava pendurada em seu braço, e pude observar bem o efeito que causavam como um casal. Elas ficavam insuportavelmente maravilhosas juntas. Zendaya se sentou ao meu lado e Dinah acariciou meu rosto com os dedos.

– Preciso ir falar com uma pessoa – ela disse.

– Quer que eu traga alguma coisa pra você na volta?

– Stoli com suco de cranberry. Dose dupla.

Eu precisava de alguma coisa para me entorpecer. E muito.

– Certo.

Ela franziu a testa antes de se afastar.

– Estou tão feliz em te conhecer, Normani – disse Zendaya.

– Dinah falou muito sobre você.

– Não pode ter sido tanto assim. Vocês mal tiveram tempo de conversar.

– Conversamos quase todos os dias.

Ela sorriu, e não havia nada de falso ou malicioso em seu rosto.

– Somos amigas há muito tempo.

– Mais que amigas – Katherine fez questão de dizer.

Zendaya olhou feio para Katherine, e eu percebi que sua intenção era esconder essa informação de mim. Teria sido ideia dela ou de Dinah, ou das duas em comum acordo? Por que omitir algo se não havia nada a esconder?

– Sim, é verdade – ela admitiu, visivelmente relutante.

– Mas já faz alguns anos.

Eu me virei na cadeira para encará-la.

– Você ainda é apaixonada por ela.

– Bom, você não pode me culpar. Qualquer pessoa que passa algum tempo com ela acaba apaixonada. Ela é linda e inacessível. Uma combinação irresistível.

Seu sorriso arrefeceu.

– Dinah me disse que você a encorajou a começar a se abrir mais. Agradeço por isso.

Por pouco não respondi: Não fiz isso pra você. Foi quando uma dúvida insidiosa se instalou na minha cabeça, abrindo espaço para que uma de minhas vulnerabilidades tomasse conta de meu pensamento. E se eu tiver feito isso para ela sem saber? Eu girava sem parar a base da taça vazia de champanhe sobre a mesa.

– Ela ia casar com você.

– E foi o maior erro da minha vida ter terminado tudo.

Ela pôs a mão sobre a garganta. Seus dedos se mexiam sem parar, como se brincassem com um colar que na maior parte do tempo estava lá.

– Eu era jovem, e em certas situações tinha medo dela. Era possessiva demais. Só depois de me casar descobri que a possessividade é melhor que a indiferença. Pelo menos pra mim.

Olhei para o outro lado, lutando contra a ânsia de vômito que subia por minha garganta.

– Você está tão quieta – ela comentou.

– O que ela poderia dizer? – soltou Katherine.

Estávamos todas apaixonadas por ela. E disponíveis para ela. No fim, Dinah teria que escolher uma de nós.

– Uma coisa você deve saber, Normani – recomeçou Zendaya, lançando sobre mim seus olhos límpidos castanhos – ela me contou o quanto te considera especial. Precisei de um tempo para tomar coragem de voltar e ver vocês juntas. Cheguei inclusive a cancelar a viagem umas duas semanas atrás. Liguei para Dinah no meio de um evento em que ela daria um discurso, coitadinha, pra dizer que estava voltando e precisava de ajuda pra me instalar aqui.

Fiquei paralisada, sentindo-me frágil como uma taça de cristal rachada. Ela devia estar falando da noite em que Dinah e eu fizemos sexo pela primeira vez. Da noite em que estreamos sua limusine e ela imediatamente se retraiu toda, deixando-me sozinha logo depois.

– Quando ela me ligou de volta – ela continuou – disse que tinha conhecido alguém. Que queria me apresentar a você quando eu chegasse. Acabei me acovardando. Ela nunca havia me pedido pra conhecer uma mulher com quem estava.

Ai, meu Deus. Dei uma olhada de relance para Katherine. Dinah tinha me abandonado naquela noite por causa dela. De Zendaya.


Notas Finais


Tô começando a gosta da Kath por ela "defender" a Mani...
Qual a opinião de vocês sobre o capítulo? Deixem nos comentários.
Um beijoo e boa noite.


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