História My Masked - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags J-suga, Sobi, Sugahope, Yoonseok
Visualizações 247
Palavras 5.483
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Nova capa da fanfic feita pela minha linda amada maravilhosa hyung, amo vc, amorzinho, muito obrigada! <3

xoxo'

Capítulo 18 - Past


YOONGI

Eu cochilava quando senti uma freada brusca e meu corpo foi levemente arremessado para frente. Pisquei os olhos, completamente fora de órbita, tentando entender o que acontecia ao meu redor. E então, ao focar a visão corretamente, me lembrei de que estava no jipe com Hoseok e Namjoon, a caminho do novo esconderijo da Resistência. Pisquei os olhos mais uma vez, desacostumado com a claridade do lugar. Quando tentei me mover, senti um peso em meu colo e rapidamente baixei o olhar para verificar o que era. E foi somente ao ver o pequeno Taekwoon ali, deitado em minhas coxas num sono quase profundo, que me lembrei dos acontecimentos anteriores a tudo aquilo. Sentindo um gosto amargo em minha boca, endireitei minha coluna a tempo de ver Hoseok se virando para mim do banco da frente. Quando nossos olhares se encontraram, senti um incomodo tão estranho no peito que precisei desviar o olhar imediatamente. Aquilo estava tão errado...

- Yoongi... – Escutei sua voz baixa e cautelosa me chamando. Sem responder, continuei a desviar o olhar e decidi que o couro do banco do jipe era extremamente interessante. – Melhor acordar o garotinho. Precisaremos ir a pé a partir daqui. – Ele disse, e então, depois de uma pequena pausa ainda me olhando, ele se virou para frente novamente, me dando a oportunidade de relaxar.

Com um suspiro baixo, me espreguicei rapidamente antes de me mover novamente. Ao escutar um barulho atrás de mim, me virei um pouco para ver Jimin ajudando Jeongguk a descer do jipe de trás. Me virando novamente, toquei os ombros pequenos de Taekwoon em meu colo e o balancei suavemente, chamando seu nome. Ao ver que ele despertara, um pequeno sorriso se abriu em meu rosto ao ver o pequeno tão sonolento e adorável, nem parecendo que há poucas horas estava em um campo de execução prestes a ser morto. Vendo-o se levantar e se sentar no banco, toquei sei rosto ao vê-lo já totalmente desperto. Um tanto surpreso com minha própria ação, parei por alguns segundos, me perguntando por que eu estava sendo tão cuidadoso e carinhoso com aquela criança, tão de repente. Recuei a mão rapidamente com aquele pensamento. Taekwoon me olhou com os olhos meio entreabertos.

- Ei, pequeno. – O chamei, vendo-o dirigir o olhar para mim. – Precisamos ir agora. Consegue andar? – Perguntei, vendo-o assentir com a cabeça, ainda um tanto grogue. Sorri inconscientemente para ele, bagunçando seus cabelos. Com aquela afirmativa, me vi livre para abrir a porta do jipe e sair, esperando para ajudar Taekwoon a descer, já que tinha as perninhas tão curtas.

Quando estávamos finalmente a pé, me juntei ao resto do grupo. Reunidos em frente aos jipes, notei que estávamos em um bairro residencial um tanto quanto silencioso demais. Os carros estavam estacionados em um terreno baldio, mas mais à frente eu conseguia ver um conjunto de prédios baixos e uma pequena feira de agricultores às margens da avenida principal que dividia o bairro do terreno onde estávamos. Pelo que pude ver, era um bairro um tanto classe-média baixa, devido aos prédios e casas de aparência suja e mal cuidada e bastante lixo nas calçadas. Internamente, eu me perguntava onde é que estávamos. Uma realidade tão diferente em comparação ao centro de Seul, onde estávamos antes. No entanto, a pergunta que não queria calar não veio de mim, e sim, de Jimin.

- Onde é que estamos? – Ele perguntou, e o agradeci mentalmente por isso. Hoseok se adiantou um pouco e respondeu, sem tirar os olhos da feira lá na frente.

- Estamos no distrito de Daehak-ro, na parte mais afastada do centro. – Ele disse, mas ainda não respondia o porquê de estarmos ali. Sem nos dar mais informações, Hoseok se virou para o resto do grupo. – Para chegarmos em segurança até o esconderijo, precisamos desviar daquela feira. – Ele disse, a voz soando um pouco pesarosa. – Vamos precisar nos dividir.

- E como vamos saber onde é o esconderijo? – Namjoon quem perguntou, um ponto importantíssimo. Hoseok se virou e apontou para o aglomerado de prédios que vimos antes.

- Aquele conjunto residencial fica numa parte um tanto suspeita do bairro, alguns são casas de traficantes. – Ele disse, me fazendo arregalar os olhos levemente. Como ele podia dizer uma coisa daquelas como se fosse tão banal? – São nove prédios no total, mas apenas os primeiros cinco ao norte são residências de pessoas comuns. Nosso esconderijo fica no prédio número 3, quarto andar, apartamento 410. – Ele disse, repassando as informações rapidamente. Todos concordaram com acenos de cabeça, analisando com olhos de águia o aglomerado de prédios mais à frente. – O caminho mais rápido é passar por dentro do aglomerado, mas corremos o risco de topar com pessoas suspeitas ou arrumar problemas se não passarmos despercebidos demais.

- Algum caminho alternativo? Ou atalho? – A pergunta veio de Taehyung, que olhava para outro ponto além da feira e da avenida. Hoseok pensou um pouco antes de responder.

- Se seguirmos a avenida principal até uma escola infantil a seis quarteirões daqui, podemos contornar os outros prédios perigosos seguindo pelas vielas, ao norte. – Ele disse, apontando ao longe o que identifiquei como um cruzamento de ruas. Ainda calado, me ative à discussão dos outros membros da equipe. – Por outro lado, podemos seguir reto atravessando a feira e pegando uma rua um pouco mais movimentada, mas que nos deixa mais perto dos prédios. – Ele disse e então todos pareceram discutir sobre s melhores rotas.

- Como dividiremos os grupos? – Namjoon perguntou, tomando as rédeas por um momento. Imediatamente vi o olhar de Hoseok sobre mim. Desviando o olhar novamente, precisei me livrar daquilo rapidamente.

- Eu vou com Namjoon pelo caminho da feira. Não iremos chamar muita atenção com uma criança. – Me pronunciei, olhando rapidamente para o líder da equipe, que assentiu com a cabeça concordando com meu posicionamento. Parecendo entender minha atitude, percebi Hoseok baixando a cabeça momentaneamente antes de voltar a falar.

- Então irei com Jimin e Jeongguk pelo caminho mais longo. – Ele disse, sobrando para Jin e Taehyung como o último grupo a seguir pelo caminho mais perigoso.

Com tudo aparentemente decidido, todos nos desejamos boa sorte e nos despedimos brevemente. Jin e Taehyung foram os primeiros a sair. Andando um pouco afastados um do outro, atravessaram a avenida e passaram pelo portão e muro altos que cercavam o aglomerado. Assim que eles estavam fora de nosso campo de visão, Hoseok saiu com Jimin e Jeongguk, ajudando o mais novo dos três a andar sem chamar muita atenção, por causa dos ferimentos. Sendo assim, sobrara apenas Namjoon, Taekwoon e eu para seguirmos em direção à nossa rota. Trocando olhares, assentimos com a cabeça e deixamos aquele terreno baldio, atravessando a avenida principal e seguindo em direção à pequena feira do outro lado. Segurando firmemente em minha mão, Taekwoon seguia ao meu lado praticamente grudado em minha perna, olhando ansioso para todos os lados.

Namjoon seguia um pouco distante à minha frente, sinalizando discretamente para onde exatamente eu deveria ir ou evitar. Assim que adentramos a feira, imediatamente nossos ouvidos se encheram de conversas, gritos e burburinhos de toda parte. As barracas estavam todas próximas e senti o inconfundível cheiro de Hoppang*, uma deliciosa comida de rua que eu sempre comia quando era mais jovem, quando ainda estava na faculdade. Repentinamente, um ronco alto veio de meu estômago, me lembrando de que eu não comia há pelo menos um dia inteiro. Com a fome definitivamente atacando meu corpo naquele momento, quase senti vontade de ir lá na barraquinha e mendigar um daqueles pãezinhos recheados de kimchi e carne de porco grelhada. Mas consegui me controlar, me lembrando de que, na verdade, eu ainda era um fugitivo e poderia ser reconhecido.

Apertei o passo, notando Namjoon um pouco mais distante do que deveria estar. Eu devia ter parado por um instante cedendo ao meu delírio causado pela fome. Puxando Taekwoon comigo, finalmente deixamos a feira e todo aquele barulho foi ficando para trás junto com as barraquinhas e o cheiro tentador de comida de rua. Assim que já estávamos bem longe, podemos relaxar e andar mais calmamente lado a lado. Evitando olhar diretamente para os carros que eventualmente passavam na rua ao nosso lado, eu caminhava olhando para o chão, às vezes alternando o olhar para Taekwoon, vigiando-o. Permaneci em silêncio, na dúvida se deveria ou não conversar com Namjoon e, mesmo que conversássemos, eu não sabia exatamente sobre o que. No entanto, não precisei me preocupar com isso quando sua voz grave soou entre nós.

- Eu nunca vi alguém confrontar Jung Hoseok como você confrontou hoje. – Ele disse, me fazendo erguer a cabeça para olhar em seus olhos. Ele caminhava olhando para frente, mãos nos bolsos e ombros relaxados. Com minha falta de resposta, ele me olhou, me encontrando completamente perdido. – Apesar de eu ser o líder da nossa equipe de resistência, Hoseok sempre foi muito difícil de ser convencido. Eu mesmo quase nunca ganhava alguma discussão ou argumento contra ele. – Ele comentou, casualmente. Eu conseguia claramente imaginar Namjoon e Hoseok discutindo sobre alguma coisa na sala principal do Túnel.

- Ele é realmente muito teimoso e cabeça-dura algumas vezes. – Eu disse, me lembrando das poucas vezes que discutimos sobre alguma coisa. – Falta um pouco de empatia nele na maioria das vezes. – Disse, e Namjoon assentiu com a cabeça como se concordasse plenamente.

- E você conseguiu fazê-lo calar a boca em apenas algumas frases. – Ele pontuou e então me senti um tanto constrangido. – Acho que deve estar se perguntando o que eu penso sobre tudo isso que está acontecendo entre vocês dois. – Ele disse, como quem não quer nada. Desviei o olhar, mordendo o lábio inferior.

- Nunca foi minha intenção causar algum tipo de desavença entre vocês. – Eu me adiantei, fazendo uma pausa para atravessarmos a rua para o outro lado. Namjoon riu de leve ao passo que caminhávamos paralelamente aos muros do conjunto de prédios.

- Não se preocupe com isso. – Ele disse. – As desavenças que você acha que provocou sempre existiram em nossa equipe. Hoseok e Jimin sempre estavam em pé de guerra por qualquer coisa, principalmente quando Jeongguk chegou na equipe e foi designado como parceiro de Hoseok. – Ele contava enquanto andávamos. – Mas depois que você chegou e toda aquela situação aconteceu, tenho notado que ele anda muito diferente do que costumava ser. – Ele disse e então ergui as sobrancelhas, surpreso.

- Como ele costumava ser? – Perguntei, movido pela curiosidade. Namjoon riu um pouco.

- Hoseok era carrancudo demais, rabugento demais. Sério demais. – Ele disse e então me perguntei se ele estava falando do Hoseok que eu conhecia. Nunca conseguiria imaginar Hoseok agindo de tal maneira, sempre tão atencioso e preocupado, demonstrando seus sentimentos. – Depois que passou a se relacionar com você, pra mim pareceu o nascimento de uma borboleta de um casulo duro e áspero. – Ele disse e quase não contive minha risada. – Ele passou a ligar para o lado emocional da situação, e não apenas o racional e lógico. Quando te sequestraram, nunca o vi agir tão desesperado e fora do normal. Hoseok nunca se colocava no lugar de outra pessoa ou se dispunha a proteger alguém além dele mesmo. – Ele suspirou, e eu continuava sem fala, totalmente abismado com aquelas informações. – Somente quando o vi se colocar entre você e Jimin naquele caminhão, a caminho do campo de execução, que percebi o quanto ele tinha mudado. – Ele terminou, me deixando sem palavras.

Era completamente surreal pensar que, antes de me salvar e me conhecer pessoalmente, Hoseok podia ser uma pessoa tão... horrível. Pelo que Namjoon tinha descrito, parecia ser uma pessoa completamente diferente, quase como se existissem dois Hoseok. O que me levava a pensar que o Hoseok que eu conhecia hoje só existia por minha causa. Eu tinha mudado-o, eu tinha feito com que ele deixasse de ser recluso e antissocial. Somente naquele momento eu percebi o quanto eu devia ser importante para ele. Com o coração acelerado, engoli em seco enquanto Namjoon me conduzia pelo grande portão do conjunto de prédios.

Por um momento, interrompi minha linha de pensamentos ao adentrar naquele conjunto. Diante de meus olhos, uma realidade completamente fora do comum surgia diante de meus olhos. Os prédios estavam totalmente deteriorados, sujos e pichados, grama alta crescia por todos os cantos e, assim como o lado de fora, havia muito lixo espalhado por cada canto onde meus olhos podiam alcançar. Apesar de aquele ser um prédio residencial, pude ver alguns mendigos se abrigando ao longo do grande muro, com suas carroças e carrinhos de supermercado cheio de coisas que eu não conseguia identificar. O lugar inteiro fedia a lixo e sujeira. Por um instante, precisei segurar a respiração para não sentir aquele cheiro horrível. Me perguntei, silenciosamente, se aquele era realmente o lugar onde Hoseok pretendia nos esconder. No entanto, não verbalizei aquela questão, me resumindo apenas a seguir Namjoon e ter certeza de que Taekwoon estava bem perto de mim, onde eu conseguia vê-lo e, quem sabe, protegê-lo.

Andamos por alguns metros em meio aquele caos até que finalmente avistamos o prédio número 3, o último antes do muro se fechar em 90 graus. Nos aproximamos em silêncio do prédio, esperando que algo viesse a acontecer, mas nada pareceu fora do lugar até que adentramos o saguão. Estranhamente, mas não surpreendentemente, não havia sinal de qualquer tipo de porteiro ou vigia para controlar a entrada e saída de pessoas ali. Me perguntei se todos os prédios também eram assim. Olhei para Namjoon, que também olhava para mim, e arrisquei que pudéssemos estar pensando a mesma coisa. Tudo aquilo estava quieto demais, calmo demais. Parados no centro do saguão, Namjoon e eu nos olhamos, pensando no que fazer em seguida.

- Não que eu não confie no Hoseok, mas isso tudo está suspeito demais para o meu gosto. – A voz grave de Namjoon soou baixa, para que só eu pudesse ouvir. Concordei com um aceno de cabeça e voltei a olhar para fora, procurando qualquer sinal de algo fora do lugar.

- Acha melhor esperarmos os outros antes de subir? – Perguntei, vendo o outro morder o lábio, pensativo.

- Não acho seguro ficarmos aqui em baixo, mas subir também não é uma boa opção. – Ele disse. – E não deveríamos nos separar de maneira alguma. – Ele pontuou, e eu assenti. Eu não queria mesmo ficar sozinho com uma criança num lugar desses. Após alguns minutos pensando, nosso problema deu-se por resolvido quando escutamos barulhos vindo do lado de fora do saguão. Namjoon rapidamente me puxou para trás do balcão onde o porteiro deveria estar e nos escondemos tempo o suficiente para que a imagem de Hoseok, Jimin e Jeongguk surgisse pela portaria. Um arrepio de alivio percorreu meu corpo e Namjoon e eu achamos seguro revelar nossa posição.

- O caminho de vocês foi seguro? – Hoseok foi o primeiro a abrir a boca para dizer alguma coisa assim que nos viu. Ao passo que Namjoon foi prontamente ajudar Jimin a amparar Jeongguk antes que ele desmaiasse no chão, me vi obrigado a responder Hoseok.

- Não tivemos nenhum problema. E vocês? – Perguntei, mas não precisei de uma resposta clara quando o gemido de Jeongguk chegou aos meus ouvidos.

- Precisamos socorrê-lo rápido. – Hoseok disse, apressado. – Precisamos dar um jeito de carregá-lo até o quarto andar. – Ele disse e então olhei ao meu redor. Meus olhos rapidamente identificaram um elevador no fim do saguão, mas dado à situação do prédio, duvidei que ele funcionasse perfeitamente. – Nem tente. – A voz de Hoseok chamou minha atenção. – Aquela coisa não funciona faz uns 20 anos. – Ele disse, apontando para o elevador. O olhei, me perguntando como é que ele poderia saber de uma coisa daquelas.

Com um suspiro, não deixei que aquilo afetasse minha tentativa. Decidido, deixei Taekwoon perto dos outros e me aproximei do elevador. Encostei meu ouvido esquerdo no metal frio da porta, na brecha entre as portas. Franzindo o cenho, senti e escutei o leve som de uma corrente de ar quente e o barulho de algo metálico. Me afastei. “Como uma coisa que não funciona há 20 anos produz ar quente?”, me perguntei. Com aquela dúvida implantada na cabeça, não hesitei em apertar o botão que chamava o elevador. E então, para minha surpresa e a de todos, o botão se acendeu e um barulho mecânico soou de dentro do poço. Com as sobrancelhas erguidas, me virei para o resto do grupo e os vi me retribuindo o olhar com a mesma expressão. Principalmente Hoseok. Mas ao analisa-lo melhor, percebi que ele parecia mais paralisado e assustado que surpreso. No entanto, o som leve que indicava a chegada do elevador no térreo interrompeu minha análise e então as portas duplas do elevador se abriram, mostrando um interior rustico e antigo. Um tanto duvidoso até.

- Bem, vamos lá então. – Jimin quem tomou a iniciativa. Com a ajuda de Hoseok e Namjoon, os três conseguiram carregar Jeongguk para dentro do elevador. Taekwoon e eu fomos os últimos a entrar. E então, quando a porta se fechou, apertei o botão do quarto andar e senti o baque do elevador nos levando para cima. Não demorou muito para que o elevador apitasse levemente novamente e as portas se abrissem, mostrando um grande e descascado número 4 pintado na parede diante do elevador.

Com pressa, saímos do elevador e Hoseok indicou para seguirmos em direção à esquerda. O apartamento 410 era o último do corredor, com a porta ao lado de grandes janelas sujas e entreabertas. Então, Hoseok tomou a frente e bateu fortemente contra a porta cinco vezes, demonstrando sua pressa. Em silêncio, tentamos escutar algum som vindo do outro lado da porta. Apenas trinta segundos depois, escutamos passos vindo do outro lado e, depois de alguns segundos, a o som de chaves soou e a porta finalmente foi destrancada e aberta. E a pessoa que se revelou diante de nós me fez arregalar os olhos e deixar um ofego escapar pelos meus lábios.

- Daehan?

 

Cinco horas depois...

 

Um suspiro de alívio deixou meus lábios assim que a água quente do chuveiro caiu sobre meus ombros e meus cabelos. Um sorriso singelo se formou em meus lábios e passei a me banhar com calma e lerdeza. Enquanto a água quente percorria meu corpo em direção ao chão, fechei os olhos e passei a pensar em tudo o que tinha acontecido nas últimas horas. Inevitavelmente, minhas memorias voltaram para seis dias atrás, quando Hoseok e eu fomos procurar ajuda com meu amigo de infância, Kim Daehan, que era além de jornalista, hacker e criptógrafo. No entanto, depois da grande descoberta sobre a aspiração do governo norte-coreano em jogar uma bomba de nêutrons no centro de Seul para dizimar a resistência sul-coreana e, impiedosamente, uma grande parte da população civil, Hoseok o mandou para cá para se esconder e ficar em segurança.

E agora, estávamos devidamente acomodados. Exatamente como no refúgio que Hoseok e eu ficamos quando fugimos da polícia após a invasão do Túnel, este apartamento possuía todo o tipo de suprimentos e armamentos que um espião precisaria. Armas, roupas, comida, medicamentos e tudo mais que se puder imaginar. Alguns minutos depois de nos reencontrarmos e adentrar o apartamento, Jimin, Hoseok e Namjoon se empenharam totalmente em cuidar dos ferimentos de Jeongguk. Duas caixas inteiras de primeiros socorros foram utilizadas e, depois de muito nervosismo, preocupação e cuidado, Jeongguk estava estável novamente, completamente enfaixado e dopado de morfina, mas agora dormia tranquilamente num dos quartos do apartamento. E então, todos puderam finalmente descansar e relaxar. Enquanto deixava que todos fossem tomar banho e se trocar antes de mim, aproveitei para me sentar ao lado de Daehan e conversar um pouco com ele, matar um pouco a saudade.

Durante seis dias, o tempo que tínhamos nos visto pela última vez, Daehan se escondeu aqui e saiu apenas uma vez para comprar comida, já que os armários da cozinha estavam fechados e lacrados. Somente Hoseok conseguia abri-los. Ficou sozinho e longe de qualquer tecnologia, como celulares, televisões e seu amado notebook. Passou os dias dormindo e perambulando pelo apartamento, vigiando o pátio lá fora em busca de qualquer sinal de vida meu ou de algum conhecido. Um pouco mais aliviado, ele me disse que “se não fosse pela preocupação por mim e pelo medo paranoico de ser descoberto de alguma forma pelo governo, aquelas eram as férias que ele tanto sonhara”. E depois de algumas horas conversando e rindo, precisei me retirar para ajudar Taekwoon a tomar banho e, em seguida, tomar o meu próprio.

E ali estava eu, naquele momento. Completamente aliviado por finalmente estar em segurança. Eu sentia todos os meus músculos doerem e minha barriga chorar de fome. Mas eu estava feliz. Por ter sobrevivido mais uma vez. Me dando por satisfeito, encerrei aquele banho fechando a torneira do chuveiro, lamentando quando a água quente subitamente parou de jorrar e senti um pouco de frio. Ainda dentro do banheiro, me sequei e vesti as roupas que Taehyung havia gentilmente deixado em cima da pia para mim. Nada mais era do uma calça de moletom preta lisa, uma camiseta branca e um moletom mais quentinho para a noite. Assim que a maciez dos tecidos envolveu meu corpo, me senti muito mais confortável e relaxado. Eu precisava dormir.

Saí do banheiro, me deparando com o quarto que Hoseok havia dito que eu poderia usar para dormir, se quisesse. O cheiro de comida imediatamente me atingiu, fazendo meu estômago roncar novamente. Era Daehan quem cozinhava, após ter ido ao supermercado ao lado do condomínio e comprado comida o suficiente para alimentar o pequeno batalhão que estava ocupando o apartamento. Disse a todos que poderiam comer sem mim, já que deviam estar muito mais cansados e famintos do que eu. Com a toalha sobre a cabeça, passei a secar meus cabelos enquanto caminhava descalço pelo quarto. Deitado sobre a cama no canto do quarto, envolvido em pelo menos dois cobertores, Taekwoon ressonava baixinho. Sorri para ele, me sentando na cama devagar para então fazer um carinho em seus cabelos. No entanto, enquanto fazia aquilo, meus olhos foram de encontro à parede e, surpreso, vi ali vários rabiscos de giz de cera, um tanto apagados, mas com certeza estavam ali. Intrigado, me aproximei mais e identifiquei vários desejos infantis, como cães e gatinhos e até mesmo uma espaçonave e algumas estrelas. Mas o que mais me chamou a atenção, no entanto, foram as duas letras pequenas no canto, quase escondidas. “J.H.”

De sobrancelhas erguidas, me afastei e deixei que meu cérebro processasse aquela informação. Não, não podia ser. Devia ser alguma coincidência muito impertinente para aquele momento. Com o coração começando a bater desenfreado, me levantei da cama com cuidado e fui em direção ao armário antigo que ficava do outro lado do quarto, de frente para a cama e ao lado de uma janela com vidros faltando e uma cortina rasgada. Afastei a cortina para deixar a luz da lua lá fora iluminar o quarto e o armário. Um tanto hesitante, abri o armário, no entanto ele estava trancado. Frustrado, tentei abrir mais uma vez, mas devido à força que apliquei, a fechadura velha acabou de rompendo e a porta se abriu um pouco.

Deixando que minha curiosidade me dominasse, abri o armário e me deparei com várias prateleiras com coisas tão diversas que me perdi por um momento. Tinham ali entre porta-retratos e pequenos trófeuzinhos de competições de corrida e até mesmo um de judô. Tinha alguns brinquedinhos, como um carrinho de madeira antigo com uma roda faltando. Como coração acelerado e a garganta seca, toquei o carrinho de madeira, sentindo a pequena camada de poeira em cima do mesmo. Desviei meu olhar para um dos porta-retratos na prateleira de baixo e, acertando no meu palpite, vi uma foto de uma criança que sem sombra de dúvidas era Hoseok. Tinha os mesmos cabelos negros e lisos e a pele branquinha como leite. Os olhos eram indiscutivelmente dele. Mordi o lábio, colocando o porta-retratos de volta no lugar. Ao lado dele, havia um álbum de fotos empoeirado. Peguei-o, assoprando de leve a poeira de cima. Assim que abri a primeira página, fui bombardeado com fotos do Hoseok criança em diversos momentos. No balanço numa pracinha. Com a cara toda suja de tinta. Correndo com alguns amigos. Vestindo uma fantasia bonitinha de onça-pintada. Conforme eu ia passando as páginas, praticamente vi toda a infância de Hoseok com meus próprios olhos, tudo de uma vez. E então, em uma determinada página, encontrei uma foto sua, um pouco mais velho, ao lado de uma mulher estupidamente bonita e parecida com ele. Tinha o mesmo sorriso e os mesmos olhos. Só podia ser sua mãe.

- Uma hora dessas, sua curiosidade vai acabar te matando, Min Yoongi. – Uma voz extremamente familiar me tirou a concentração e senti todo o meu corpo tremer quando identifiquei Hoseok parado encostado no batente da porta do quarto, me observando com os braços cruzados. Tremi involuntariamente.

- M-me desculpe... eu não-

- Tudo bem. – Ele disse, interrompendo meu gaguejo. – Eu já tinha me esquecido da existência disso aí. – Ele disse, apontando para o álbum em minhas mãos à medida que ia adentrando o quarto em minha direção.

- Eu não quis me intrometer desse jeito. – Eu disse baixinho, mesmo que, na verdade, eu queria sim. Mas jamais diria isso para ele, pois além de ser extremamente interesseiro e mal-educado, eu me sentia realmente mal por ter sido pego mexendo em suas coisas.

- Eu disse que está tudo bem. – Ele disse, pegando o álbum das minhas mãos. Ele foleou algumas páginas em silêncio, sorrindo de leve ao ver as fotos antigas. Apesar de extremamente envergonhado daquela situação, não consegui segurar minha língua.

- Então foi aqui que você... cresceu? – Perguntei baixinho, temendo por uma resposta mal-humorada dele. Mas Hoseok apenas sorriu ao dirigir o olhar para mim.

- Sim. Esse era meu quarto, onde morei com minha mãe até meus sete anos. – Ele disse, olhando ao redor pelo quarto. Um tanto mais relaxado, me permiti encostar na parede da janela, cruzando os braços. – Eu não venho aqui faz doze anos. – Ele disse e então suspirou.

- O que aconteceu? – Perguntei, ainda hesitante de estar sendo invasivo demais. Hoseok então suspirou e fechou o álbum, guardando-o de volta na prateleira do armário.

- Minha mãe morreu quando eu tinha 13 anos. – Ele começou a contar. Me atentei em sua voz. – Vivíamos aqui nesse apartamento com minha tia Sunghwa até que os traficantes dos prédios mais à frente começaram uma guerra e minha mãe acabou no fogo cruzado quando voltava do supermercado. – Disse aquilo num misto de angústia e raiva. – Daquele dia em diante, prometi a mim mesmo que iria acabar com aquela facção que dominava esse bairro todo. Dois anos depois, entrei para a escola militar e deixei essa casa sob os cuidados da minha tia. E desde então, não voltei mais. – Ele disse aquilo com simplicidade. – Fui cada vez mais, mais e mais sendo engolido pelo treinamento militar e acabei na academia de recrutas do serviço de espionagem sul-coreano. Desde então, passei a atuar como espião e há exatamente dois anos, fui designado para essa missão como membro da equipe de resistência sul coreana. – Ele riu de leve, um tanto amargo. – E aqui estou. – Ele disse, tocando o mesmo carrinho de madeira que vi antes. Mordi o lábio, sem saber exatamente o que responder ou dizer.

- Sua tia... onde ela está? – Eu perguntei com cuidado, notando que sua expressão quase não mudara enquanto mexia e revirava as coisas dentro do armário.

- Ela morreu há um ano de pneumonia, no quarto ao lado. – Ele disse, a voz neutra. Senti meu coração se comprimir em meu peito. Me doía perceber que Hoseok já não tinha mais nenhum parente vivo desde então. – Quando soube por um telegrama da academia que minha casa seria leiloada e vendida, gastei todo o meu dinheiro para comprar esse apartamento e tê-lo no meu nome. – Ele disse, voltando a me olhar. – Se não, todas essas memórias e coisas importantes para mim seriam destruídas e esquecidas. – Pude sentir um tom de lástima em sua voz. Hoseok claramente estava se segurando para não chorar diante de mim. Meu primeiro pensamento foi querer abraçá-lo e confortá-lo, mas meu corpo estava travado, paralisado ao saber de tudo aquilo tão subitamente.

- Eu sinto muito. – Eu disse baixinho. – Pela sua mãe e pela sua tia. Deve ter sido muito difícil para você lidar com isso sozinho. – Eu disse, incerto se aquilo realmente faria alguma diferença. Hoseok sorriu para mim, um tanto melancólico, mas não respondeu nada. – Eu perdi minha família num incêndio quando eu tinha 10 anos. – Eu sussurrei, surpreendendo tanto Hoseok quanto a mim mesmo por ter dito aquilo. – Minha mãe, meu pai e minha irmã mais velha estavam em casa na noite em que a vizinha deixou o gás ligado e acabou explodindo o prédio todo com mais de 50 pessoas dentro. – Continuei sussurrando, erguendo o olhar para Hoseok. Ele agora me olhava com uma expressão indecifrável, a boca fechada numa linha tênue. – Eu estava na casa de um amigo jogando videogame depois da escola. Quando voltei para casa, as únicas coisas que me aguardavam eram os corpos carbonizados da minha família e uma casa completamente em cinzas. – Um bolo começava a se formar em minha garganta ao me lembrar de tudo aquilo. – Passei por sete lares adotivos desde então até que eu completasse 18 e pudesse começar minha faculdade. – Eu terminei de falar, o olhando enquanto suspirava fortemente. – Eu tenho estado tão sozinho quanto você, Hoseok.

Sem dizer mais nada, Hoseok apenas venceu o curto caminho que nos separava e me abraçou fortemente contra seu corpo. O prendi em volta de meus braços, enterrando o rosto em seu peito ao passo que senti seu nariz encaixado em meu pescoço. Eu não soube dizer por quanto tempo ficamos ali abraçados, mas senti como se um grande peso saísse de minhas costas e meu coração ficasse mais leve. Ter Hoseok junto a mim sempre me acalmava e me fazia esquecer tudo ao nosso redor, por mais terrível ou triste que fosse. E saber que de seu passado, sobre sua mãe e sua vida tão triste e solitária quanto a minha, só me fez perceber o quanto precisávamos um do outro em nossas vidas. Para completar aquele buraco que faltava em nossos corações. Sem conseguir me conter, me desmanchei em seus braços, o apertando forte contra mim. Pouco tempo depois, escutei o choro baixo e contido de Hoseok contra meu pescoço. Meu coração batia forte e rápido, mas agora tão leve que parecia nem pesar nada. Eu sabia que não conseguiríamos ficar separados por muito tempo, mesmo que por motivos tão sérios quanto uma guerra à nossa frente ou uma pequena criança órfã. Nada daquilo era tão maior quanto o que sentíamos pelo outro. E só naquele momento foi que percebi a intensidade de meus sentimentos e a grandeza do laço que nos unia. Deixei que ele me abraçasse e chorasse contra mim da mesma forma em que me permiti chorar em seus braços e o apertar contra mim. Um consolando e amparando o outro. Após um tempo que pareceu interminável, nos separamos o suficiente para nos olharmos nos olhos. Seus olhos negros ficavam incrivelmente lindos quando molhados de lágrimas.

- Me desculpe pelo meu comportamento mais cedo. – Ele sussurrou, me causando arrepios. – De todas as pessoas no mundo, eu devia ser a última a julgar o que é melhor ou não para alguém que não tem nada nem ninguém. – Ele disse, e então eu apenas neguei com a cabeça, segurando seu rosto entre minhas mãos.

- Hoseok, está tudo bem. – Eu disse, quase sentindo na pele a força de suas palavras. – Está tudo bem agora. Não precisa se desculpar por nada. – Eu disse, o puxando para um abraço novamente. Como ele era bobo, eu pensava. Nunca havia tido um motivo para brigarmos, logo ele não precisava se desculpar.

Após alguns segundos naquele aperto, o afastei de mim levemente para apenas deixar um singelo beijo em seus lábios. Ao nos afastarmos, eu limpei suas lágrimas e ele limpou as minhas. Com um sorriso desenhando nossos lábios, nos aproximamos devagar para dar início a um beijo, mas o ronco do meu estômago faminto nos interrompeu, causando em Hoseok uma risada divertida e um rubor de vergonha em meus lábios.

- Acho melhor te levar para comer antes que você caia duro. – Ele disse divertido antes de rir novamente e me puxar em direção à porta do quarto. Mesmo envergonhado, não pude deixar de sorrir.

Naquele momento, eu nunca tive tanta certeza de que Hoseok caiu de cima de uma marquise numa viela de madrugada para se tornar não apenas minha salvação, mas também o pedaço que faltava em minha vida.

 

 

 

 

 


Notas Finais


*Hoppang é um bolinho coreano muito consumido na Coréia, tem uma variação ENORME de recheios skjhbes aqui uma fota: http://www.trifood.com/image/food/hoppang.jpg

AAAAA me desculpem pela demora, tomem aqui um capitulo enorme de 5000 palavras como desculpas askdjbgwje
Como vão meus amores? <3

Espero que tenham gostado! Deixem um comentário pra elevar minha auo-estima, pq eu meio que gostei e não gostei desse capitulo... (?) enfim qqq Façam uma boa ação.

Eu não corrigi e nem betei, entao qualquer erro me avisem pra eu consertar! Tava morrendo de sono ontem e nao tenho tempo hj agora :v então paciencia skdjgbekrs

No mais, OLHEM QUE LINDA A CAPA NOVA DA FANFIC, ESTOU PLENA E MARAVILHADA COM A BELEZA DELA, quero morrer!! Muito obrigada à minha hyung lindona, sinta-se beijada e abraçada <3

E gente, eu fiz um curiouscat, se vcs quiserem mandar alguma coisa pra mim, sintam-se a vontade! <3
< curiouscat.me/Bluue_Miin >

Agora sim vou terminar por aqui. Mesmo aviso de sempre, gente, eu nao sei quando posso atualizar de novo, mas prometo que vai ser bem mais rápido que das ultimas vezes! Esperem por mim :3

Um beijo e até a proxima! <3

xoxo'


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