História My Memories - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Amizade, Camren, Drama, Fifth Harmony
Exibições 123
Palavras 4.200
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OIE AMORES!! Feliz dia das crianças porque todos somos!

Novamente, nao sou medica entao leia com amorzinho e paciência, passagem de tempo que eu prometi e finalmente... Nao conto, deixo pro capítulo. E ah, flashback é lembrança da Lauren, okay? Okay.

Vamos a ele. Desculpe qualquer erro e boa leitura!

Capítulo 7 - Time After


 

[Narrador Pdv]

As luzes fortes apontavam em sua maioria para o centro da sala, o ar era gelado e mórbido, poucos desejariam estar ali, e os poucos que faziam estavam. Um anestesista controlava a pressão de Lauren, garantido que permanecesse dormindo e com os batimentos normais, os instrumentistas manuseavam materiais cirúrgicos auxiliando os cirurgiões, alunos aprendendo para um dia se tornarem salvadores de vidas e enfim a paciente. Tudo trabalhando em conjunto para manter uma vida, uma história, um ser humano, respirando.

Alguns poderiam dizer que é como arte, o teatro por exemplo, o palco onde grandes mágicas aconteciam, onde os holofotes focavam nas mãos ágeis que consertavam corpos com defeito, cada um no seu lugar, ensaiado, era em câmera lenta e muito rápido ao mesmo tempo. O silencio reinava e apenas as máquinas demonstrando os batimentos condenava som, tudo precisava ser perfeito. Cada coisa em seu lugar, era hora de começar o show. A equipe se posicionou, Normani entrou na sala e suas luvas foram colocadas junto com sua roupa cirúrgica, sua toca prendia seu cabelo e sua máscara impedia de falar com clareza.

– Vamos salvar uma vida. – Era o empurrão que precisavam, a calma de antes se acabou, a movimentação se iniciou e era tudo para salvar sua perna. – Lâmina 10.

A Dra. pediu e logo lhe entregaram o objeto de metal. O dedo indicador da mulher apoiou sobre a pequena faca e foi até a perna de Lauren, próximo a sua virilha, pressionou contra a pele da paciente e puxou por uma longa extensão de sua coxa, a lâmina cortava com precisão dando visão do interior dela e então do problema. A sutura feita numa cirurgia de meses atrás se rompeu, não se sabia o motivo, talvez uma pequena infecção ou esforço que Lauren havia feito, havia um sangramento pequeno que poderia causar algo maior, então a decisão teria que ser feita.

– O que vamos fazer? – A residente Adamson perguntou se livrando com calma do pequeno sangramento.

– Vamos retirar as suturas e refaze-las. – Falou simples em meio a um suspiro. Normani era uma das melhores médicas do hospital, e sabia o que fazer, sempre com o olhar erguido e um sorriso no rosto, mas ali era uma vida em suas mãos, temia por isso, mas sempre com seriedade.

– Ela vai sangrar até morrer. – Falou de uma vez com a voz tremida.

– Não vai. Vamos retirar as suturas, estancar o sangramento, refazer o enxerto e em poucos minutos fechar. – Falou alto impondo o procedimento.

– Eu não acho que...

– Não preciso saber o que você acha. Esse é o plano cirúrgico, quer participar? Participe, se não, deixe a sala, qualquer um pode te substituir. Decida-se, não tenho tempo para isso. Fui clara? – Encarou a residente que tremia e não respondeu a princípio. – Fui clara? – Repetiu mais alto.

– Sim, Dra. Kordei. – Respondeu engolindo o nó que se formou em sua garganta. 

– Que bom que está comigo. – Normani encarou a perna mais uma vez e fechou os olhos,  a sala a encarou esperando que terminasse, todos em silêncio, ela era o maestro, quem comandava o show. – Vamos fazer o enxerto.

[...]

A pinça fina encaixava o molde que formava um pequeno cano para ser substituído pela parte com defeito na artéria. Optaram por utilizar um enxerto sintético para não causar problemas em outras estruturas, estavam a pouco mais de uma hora montando o tubo, um trabalho meticuloso que precisava de total atenção.

– Vamos prepara-la. – O enxerto estava finalmente pronto. A sala cirúrgica se movia o tempo todo, cada cena deveria ser remontada para funcionar. – Pronta?

– Perguntou para sua residente.

– Pronta. – Respondeu com certeza diferente de uma hora atrás.

Logo estavam de volta encarando a perna exposta de Lauren, ainda sangrava, mas muito pouco. Mais uma vez o sangue foi limpo para dar uma visão melhor da parte que teriam que reparar. Normani então começou, agarrou uma pinça e retirou a primeira sutura, depois a segunda, e logo os pontos deixavam a artéria. Seria a hora de puxar o enxerto antigo para colocar o novo. Alguns pontos foram feitos para parar por pouquíssimo tempo o fluxo sanguíneo, tempo suficiente para fazer a troca, o novo tubo foi colocado e os novos pontos retirados, o sangue correria normalmente perante o novo acessório. Mais uma vez teriam que colocar suturas, para pregar de vez o cano sintético, a sala estava calma, tudo ocorria bem, e nenhum sangramento intenso.

– A pressão está caindo. – O anestesista comentou distraído aplicando um medicamento para que se normalizasse. 

– Controle. – A Dra. ordenou e o homem assentiu. 

Ao longo do procedimento a perna de Lauren voltava a sua coloração normal. Algumas enfermeiras e técnicas se mantinham ocupadas mandando estímulos para os músculos e para o cérebro. Pouco mais de três horas de cirurgia e todas as suturas estavam em seus devidos lugares, toda a sala sorriu caindo em palmas, não era uma cirurgia simples, parar um sangramento numa região de grande fluxo não é para qualquer um. Normani sorriu com os olhos e os lábios, deu um passo para trás e girou o pescoço no próprio eixo com satisfação. Voltou para a maca e olhou as pessoas ao redor.

– Vamos fechar. – As palmas cessaram e a atenção fora voltada para a mesa. A parte difícil passou, agora era fechar e leva-la ao quarto.

O silêncio logo acabou, o monitor demonstrava batimento cardíaco irregular e a pressão subiu rapidamente ate voltar a descer, seu corpo estava entrando em choque na mesa, se entrasse em parada poderia ser fatal. O monitor descontrolado demonstrava pânico, e as médicas tiveram que manter a calma para decidir o que fazer.

– Pensei que estava estável. – Gritou para o anestesista.

– E estava, foi um choque. – Choques costumam ser repentinos e pegam cirurgiões nos piores momentos, causando em sua maioria, a morte.

O que fazer? Como fazer? Primeiramente encontrar o problema, a doutora logo procurou em todo o lugar com a ajuda de sua residente mas nada foi encontrado, parecia impossível, até que enfim um rompimento no enxerto foi encontrado, estava embaixo e estava sangrando ha algum tempo, não se via por estar tão baixo e escondido mas agora teriam que reparar, e o mais rápido possível.

– Temor que amputar. – Adamson falou assustada.

– Não vamos amputar. – Repreendeu rígida.

– Não tenho direito de duvidar das suas habilidades. – Admitiu em um apelo. – Mas não temos tempo de preparar outro enxerto, seu corpo não vai aguentar. Ou cortamos sua perna ou ela sangra até a morrer.

– Não vamos amputar. Espero que tenha entendido. – Falou firme pausadamente.

– Certo. Estou com você então, mas o que vamos fazer?

– Vamos salvar a perna. 

[...]

Clara chorava em silêncio, as lágrimas caiam sem fazer tanta força, Michael sustentava seu corpo para que ela não desabasse, sua expressão era impossível de decifrar, o homem estava opaco e nada diferente da sua esposa, os dois ouviam atentamente o que a doutora explicava sobre o procedimento cirúrgico, sem entender muito bem. Normani tentava tornar o ambiente agradável mas dar uma notícia sobre um paciente para a família sempre fora difícil. Lauren estava de volta nos tubos, sairia em breve, seria apenas enquanto o corpo expelia a anestesia, mesmo assim ver seu corpo conectado a máquinas mais uma vez era tortura.

– O enxerto, infelizmente, rompeu e não fomos capaz de ver o sangramento até que se tornou intenso. Não teríamos tempo de reconstruí-lo. – Gesticulava em meio a explicação. – Tentemos a cola para reparar o rompimento mas...

– Ela vai andar? – Michael perguntou interrompendo e acabando com a dúvida maior ali.

– Não se sabe. Pessoas se recuperam de casos assim, mas não é possível ter certeza.

– Voltamos a estaca zero? – Clara retrucou limpando uma lágrima grossa que escorreu por seu rosto.

– Sinto muito. – Não havia muito o que dizer, era o suficiente, por enquanto.

[Dois dias mais tarde]

O tubo havia sido retirado horas antes e Lauren ja respirava sozinha, Camila estava sentada ao pé da cama observando as feições da amada. Estava serena e o peito subia e descia com ritmo. Iria acordar a qualquer segundo. Naquele momento, olhando os traços da mais velha, prometeu para si mesma que apoiaria ela não importa o que viria depois. Quando Taylor ligou avisando sobre a cirurgia seu coração parou por alguns segundos, não era capaz de absorver a informação com clareza, passaria por tudo de novo? Pelas lágrimas? Pelas noites em claro? Pela preocupação? Não desejava isso.

Lauren suspirou profundamente, abriu os olhos lentamente se acostumando com a claridade, sua maca estava deitada e odiava aquela posição mas era necessário naquele momento. Buscou qualquer pessoa ao redor encontrando o rosto da latina sorridente. Fez uma careta com a dor que sentia na cabeça, apertava com tanta força que era difícil manter os olhos abertos, efeito pôs cirurgia e anestesia pesada.

– Você deu um susto em todo mundo. – Camila começou segurando na mão de Lauren, que a princípio estranhou o contato repentino mas permitiu.

– O que aconteceu? – Retrucou com a voz falha.

– Não se lembra? – Lauren negou cansada. – Você passou mal por uma quase infecção na perna. Normani a levou para a cirurgia para reparar, foi um procedimento difícil que demorou algumas horas.

– Tenho que começar a me manter longe de problemas. – Brincou com um meio sorriso.

– Me deixou preocupada. – Falou com os olhos marejados. – Vou estar do seu lado, quando precisar chame. Descanse, okay? 

Camila fez menção de sair mas Lauren não permitiu, a deixou no mesmo lugar segurando com força a mão da latina que parou encarando as orbes verdes.

– Fica. Por favor. – Pediu manhosa e a mais nova se sentou novamente acariciando a mão de Lauren com o polegar.

– Não vou a lugar algum. – Camila sorriu de orelha a orelha, e a mais velha sentiu a necessidade de te-la mais perto.

Logo um silêncio se apoderou da situação, apenas compartilhavam o ambiente e era bom estarem perto, apesar de Lauren ainda não ter uma forte conexão com Camila, sentia que existia, ou existiu, ou queria que existisse.

– Não quer que eu avise sua mãe que acordou? – Perguntou erguendo a sobrancelha, atenciosa.

– Quero ficar com você. – Lauren só podia ter batido a cabeça durante a cirurgia, estava doce, como açúcar. Camila apenas desfrutava do momento. – Deita comigo. – Pediu e a latina pensou por longos e incontáveis segundos.

Decidiu acatar ao pedido, se acomodou no espaço vago da maca larga e encarou o teto assim como a mais velha fazia, as duas estavam próximas mas não trocavam tanto contato físico, apenas como duas amigas que tirariam o momento para conversar, mas suficiente para acelerar os batimentos cardíacos.

– Como está minha perna? – Perguntou sem tirar os olhos do branco opaco.

– Está no lugar, se é o que quer saber. – Brincou ganhando uma gargalhada baixa. – Normani fez um ótimo trabalho. –Comentou e Lauren sorriu orgulhosa. Agradeceu mentalmente pela doutora ter salvado mais uma vez sua vida e agradeceria pessoalmente quando tivesse a chance.

– Eu vou voltar a andar? – Retrucou desviando o olhar. 

– Não temos certeza. – Permaneceu estática. – Nada é impossível, como dizem os clichês.

– Não sei se consigo. 

– Onde está a Lauren que não tem medo de nada e que enfrenta o perigo de cabeça erguida? – Camila sorriu para si mesma lembrando da infância.

– Acho que se perdeu e levou algumas memórias com ela. – Seu tom era bem humorado mas no fundo queria ela de volta.

– Não vou dizer que vai ficar tudo bem, porque não sei se vai, mas saiba que vou estar com você, mesmo se nada estiver bem. – Colocar em palavras o que sentia foi até mais fácil do que parecia, apenas desabafou. 

Mais uma vez um silêncio se formou entre elas, cada uma mergulhada em seus pensamentos, Camila com a certeza do que sentia e Lauren com a incerteza de todas as coisas, pareciam muito distantes, agora, do zero, teria que fazer força para se recuperar e voltar a andar, que era seu maior desejo. A latina, do nada, se levantou e caminhou até sua bolsa, agarrou um cartão grande e voltou para a cama, se sentando dessa vez.

– Tenho um presente pra' você. – Sorriu, e sorriu abertamente.

[Quatro anos atrás]

– Eu não tenho tanta imaginação assim, Lauren.

O dia estava ensolarado, porém agradável, o suficiente para deitar na grama macia debaixo de uma árvore e observar as nuvens por entre as folhas verdes. Camila estava ombro a ombro com Lauren, e a pedido da mais velha, observava atentamente cada nuvem que passava. As duas apoiavam as mãos na barriga e as pernas cruzadas, os cabelos revoltos se enroscavam na grama fofa, e o sol não as atingia por completo. A mais velha encarava o azul vivo do céu imaginando milhares de histórias e possibilidades, cada nuvem poderia ser um sonho ou um desejo, a latina apenas acompanhava tentando entender um pouco mais da cabeça complexa da menina.

– Pare de olhar para as nuvens e tente ver através delas. – Explicou calmamente com a voz serena.

– São só nuvens, Laur. – Revirou os olhos mesmo achando aquilo um tanto fofo.

– São só nuvens porque você quer que sejam, podem ser o que você quiser, se olhar direito. – Sorriu para si mesma fixando as orbes verdes numa nuvem que ela poderia jurar ser uma rosa envolvida num pano.

– Tenho coisa melhor pra olhar. 

Camila se virou na grama encarando o perfil da mais velha, sorriu largamente ao ver como estava entretida nas nuvens, amava o jeito moleca de Lauren ser, como uma criança grande. 

– Você, por exemplo. – Completou chamando sua atenção. 

Lauren virou o rosto rapidamente enquanto contraía os lábios escondendo um sorriso, mergulhou nos olhos castanhos da morena que logo avançou sobre seus lábios num beijo calmo, apenas selando suas bocas que ja se conheciam ha bastante tempo. 

– Acho as nuvens bem mais interessantes. – Provocou se soltando dos lábios da mais nova e voltando a encarar o céu.

– Pois eu não. – Camila deu vários beijos rápidos na bochecha de Lauren e se levantou caminhando até a casa na árvore.

– Onde vai? – Retrucou pensativa se sentando na grama repentinamente.

– Eu ja volto. 

Os olhos claros tiveram dificuldades em seguir Camila pela casa com o olhar, o sol refletia sobre eles e nada se via além dos reflexos solares. Guardou a curiosidade para si e esperou a mais nova descer novamente, o que testou alguns minutos da paciência de Lauren que ja estava angustiada com a demora. 

Camila desceu com um pequeno livro em mãos, se sentou de frente para a mais velha com as pernas cruzadas repetindo sua posição. O pequeno caderno tinha uma capa escura como pintura de madeira, alguns desenhos o contornavam no meio dando um ar rústico e antigo. 

– Tenho um presente pra' você. – Sorriu.

– Um presente? – Sua expressão passou de ansiosa para desconfiada. 

– Seu aniversário de dezesseis está chegando... – Começou e logo foi interrompida. 

– É daqui a dois meses, Mila. – Enfatizou o quanto ainda demorava para a data chegar.

– Sabe que sou ansiosa. Não vou aguentar dois meses pra' te entregar. – Comentou o óbvio e Lauren apenas assentiu concordando. – Bom, eu queria que fosse algo sentimental, então... Feliz dezesseis anos. Ou quase dezesseis anos, tanto faz.

A morena ergueu o caderno e Lauren logo o agarrou sorridente, pausou alguns segundou e abriu na primeira folha. Era a letra de Camila, escrito de maneira perfeita seu nome completo.

– Lauren Michelle Jauregui Morgado, feliz dezesseis.

– Repetiu em voz alta em meio a um sorriso de canto.

Havia uma marca de batom ao lado do nome, condenando os lábios da mais nova, era simples e doce assim como o início de seu relacionamento. Lauren folheou para a segunda página a ali haviam três fotos, uma de quando as duas eram bem pequenas, a segunda de poucos anos atrás e a última que não parecia ter mais de um mês. Cada fotografia acompanhada de uma legenda.

– 'Lembra quando eu roubei o chocolate?' – Leu no final da página e encarou o rosto que a observava. – Não tem como esquecer.

– Me arrependo todos os dias de não ter comido aquele bolo.

Lauren rolou os olhos e voltou a atenção para o caderno, passou então para a terceira página onde Camila havia escrito um pequeno texto desejando feliz aniversário.

– 'Quero ver seu sorriso todos os dias, porque é lindo ver seu rosto alegre, junto ao meu. Desejo o melhor aniversário do mundo para você, meu amor.' – Terminou encarando a latina por longos segundos. – Isso foi muito gay.

– Cala boca, Jauregui. – Claro que Lauren ganharia um tapa com o comentário.

– Eu amei, é lindo, obrigada. – Lauren se aproximou do corpo da mais nova e o abraçou com força deixando um beijo longo em sua bochecha. 

Quando se afastaram do abraço, Lauren voltou a folhear o caderno, e o resto estava todo em branco, olhou desconfiada para Camila que se propôs a responder.

– Quero que escreva tudo que sente por mim, cada dia um pouco, pra' nunca me esquecer.

– Não vou. Eu prometo

[Agora]

– Você é viciada em presentes e cartões. – Afirmou com um meio sorriso.

– Na verdade, Sofia mandou o presente. Mas não torna o fato menos verdadeiro. 

O cartão foi estendido para que Lauren o pegasse e abrisse, dentro, algumas folhas coloridas com inúmeros desenhos, infantis porém habilidosos, em sua maioria, as pessoas representadas possuíam nomes, e todos se repetiam: Camila, Lauren e Sofia. A mulher sorriu ao ver cada um deles, cheios de vida e alegria, em alguns, pequenos recados como: sinto sua falta, lolo. 

– Sofi. – Pensou alto em meio a um sorriso. 

– Se lembra dela? – Questionou. 

– Muito pouco. Taylor me contou sobre ela. – Comentou distraída enquanto ainda olhava os desenhos.

– Se ela perguntar, você se lembrou. – Combinou lançando um olhar mortal para Lauren que apenas sorriu. 

– Não se preocupe. 

– Eu vou avisar que você está bem. Devem estar preocupados.

Lauren apenas assentiu e Camila deixou o quarto, dali em diante seria um longo caminho para a recuperação, faria de tudo para torna-la mais rápida, com a mente e o corpo.

[Três semanas mais tarde]

Ansiosa, muito ansiosa. Depois de três meses em coma e um mês vivendo no hospital seria a hora de um pequeno teste para seguir adiante no tratamento. O peito ja havia cicatrizado ha um tempo e por conta da cirurgia de três semana atrás, teria que esperar mais um pouco para que a nova cicatriz fechasse por completo. O dia enfim havia chegado, Lauren esperava ansiosa em seu quarto esperando por Normani que apareceria a qualquer instante. Seria apenas ela e uma cadeira de rodas por algum tempo. 

– Como estamos? – A voz da negra soou do lado de fora do quarto e o coração de Lauren palpitou.

– Ela vai ter um ataque se não formos logo. – Taylor abriu a porta e Normani a seguia com aquele sorriso largo nos lábios, como de costume.

– Está ansiosa, senhorita Jauregui? – A doutora instigou também empolgada.

– Está brincando comigo, não é? – Respondeu no mesmo tom brincalhão.

– Sabe como funciona o procedimento? 

Normani logo assumiu o papel de médica, nas três semanas que passaram, Lauren perdeu as contas de quantas vezes havia agradecido à sua médica, se tornou cansativo depois de um tempo até terminar por completo. Apenas de ser seu dever como médica, criou uma conexão com Lauren e sua família, o que tornava tudo mais fácil quando o assunto era seu estado clínico.

– Sentar e ficar. Como comandos de cachorro, mas em uma cadeira de rodas. – Repetiu a mesma piada que fizera a semana inteira, desde que soube do tal teste.

– Eu não diria dessa maneira, mas se prefere. – Pausou por longos segundos antes de prosseguir. – Terá que ficar na cadeira de rodas por uma hora, sem passar mal ou romper algum ponto, se não esperamos mais e repetimos o teste.

– Sentar e ficar. Eu acho que consigo. 

Normani sorriu e alguns enfermeiros entraram no quarto, tomaram todo o cuidado e moveram Lauren, da maca, até a cadeira de rodas, na qual se acomodou sentindo uma estranha dor muscular mas nada que comprometesse o resultado. Logo todos se retiraram e o sorriso de Lauren na cadeira parecia o de uma criança, Taylor a encarava com o cenho semicerrado e Normani por ja estar acostumada com o que viria a seguir, apenas observou.

– Okay, eu não aguento mais, quanto tempo passou? – Perguntou rápido demais.

– Três minutos. – Taylor respondeu segurando o riso. 

Estava chato, sem graça, como na cama só que agora na cadeira, pelo menos a cama era mais confortável. Olhou ao redor procurando algo para se entreter mas nada lhe veio a mente.

– Meu Deus, eu desisto.

– Sete minutos. 

– Você não está ajudando. – Suspirou fundo ganhando um sorriso cínico como resposta.

– Eu não deveria me meter, mas... – A doutora começou trazendo esperança ao olhos verdes. – Acho que sei um lugar para passar um tempo. 

– Normani e seus segredos. – Taylor negou com a cabeça achando graça da situação, se colocou em posição de empurrar o novo automóvel de Lauren e seguiu a médica pelos corredores chegando a um elevador estranho.

Era quase vazia aquela área do hospital, poucos transitavam por ali e Normani parecia suspeita. Lauren encarava os corredores com novos olhos, sentada agora, o que fazia uma grande diferença. O elevador finalmente apareceu no andar as levando ate o topo da construção, a paciente estava ansiosa e queria desvendar aquele mistério. 

Lindo.

Simplesmente lindo.

O sol começava a se pôr no horizonte e o vento bagunçava o cabelo das três, Taylor carregou a cadeira ate bem perto da beirada do prédio e se sentou ao lado de Lauren observando o brilho amarelo se esconder lentamente. Era uma sensação de liberdade que a mulher não tivera desde que acordou do coma, era incrível se preocupar apenas com o vento ou os raios de sol dando lugar ao brilho da lua.

– É meu segundo lugar favorito em todo o hospital.

– Eu chutaria que o primeiro é a... Sala de cirurgia. – Taylor comentou ja contando vitória. Normani assentiu e a menina se vangloriou ainda mais.

– Como descobriu esse lugar? – Retrucou tirando sua maior dúvida do momento.

– Todo residente precisa de um lugar para se sentir seguro. Bom, esse é o meu. 

Lauren sentia como se Normani compartilhasse um pedaço de si com ela, e realmente o fazia, sorriu abertamente com isso.

– Traz sempre seus pacientes aqui? – Questionou com um tom humorado.

– Somente os mais importantes. – Respondeu no mesmo tom.

Lauren ergueu os braços e deixou a cabeça leve, puxou fundo o ar sentindo o vento passar por todo o seu corpo e não se preocupou com o pouco de frio que sentiu ou com o arrepio que tomou conta de si. Queria levantar e correr por ali deixando os poucos raios de sol que restavam bater contra sua pele. Parou para encarar o sol que se escondeu por completo deixando o céu com pequenos tons alaranjados e azuis quase escuros. 

O tempo passou e quase não perceberam, era um silêncio confortável que compartilhavam por entre os minutos rápidos. Seria hora de voltar. Desceram retornando ao andar na qual estava o quarto de Laurene era, mas para sua surpresa, não voltaram para ele, seguiram pelo corredor imenso indo para... Ela não sabia onde.

– Onde estamos indo? – Retrucou com o coração acelerado. O medo de ter feito algo errado e não ter passado no teste tomou conta de si.

– Comemorar. – Sua irmã respondeu simples.

– Quanto tempo ainda falta? – Para ela, haviam se passado pouco mais de vinte minutos, mas a pouco noção do tempo que ficou no telhado tirou sua ansiedade e assim passou rápido.

– Faltam dois minutos, Lauren. – Normani respondeu olhando em seu relógio de pulso.

– O que?

Enfim chegaram, todos gritaram como numa festa supresa, um grande espaço que parecia para confraternização, no alto um grande cronômetro marcava o tempo, pouco mais de um minuto para completar o exercício, ela passou. Lauren abriu a boca completamente supresa, Taylor levou a cadeira até o centro da sala e todos começaram a cumprimenta-la parabenizando por mais uma vitória. Quando o relógio finalmente chegou no zero a sala se tomou pelas palmas e gritos alegres. Chris filmava tudo com um sorriso largo no rosto, estavam todos ali, a família de Lauren, seus amigos, pessoas que a memória começou a recordar. 

– Eu sabia que você ia conseguir, Lolo. – Sofia correu para perto da mulher dando um beijo estalado em sua bochecha.

– Obrigada pelo apoio, meu amor. – Sorriu deixando também um beijo ma bochecha da pequena que logo correu dali.

– Ela insistiu tanto para vir. – A voz da latina se aproximou e Lauren ergueu o olhar.

– Que bom que a trouxe. E que bom que veio. – Sorriu de orelha a orelha.

– Não podia ficar de fora dessa comemoração. Sabe qual o próximo passo? 

– Voltar a andar.

[...]

– Por favor, me diz que eu vou poder logo.– Dramatizou implorando para sua doutora.

– Vai, Lauren, pode começar na segunda. 

A mulher queria gritar, mas manteve a sanidade, apenas sorriu e abraçou a negra com muito força. Depois de longas semanas de recuperação, seria hora de começar a fisioterapia, o treinamento para voltar a caminhar. Algumas batidas na porta interromperam a conversa de ambas, Normani caminhou até ela e abriu sorrindo para a mulher que entrou no quarto. Ambas foram de encontro com Lauren que sorris para a mais baixa.

– Lauren, quero que conheça sua fisioterapeuta. Doutora Allyson Brooke.

– É um prazer conhece-la, Lauren.
 


Notas Finais


Entao? Gostaram?

Primeiramente NORMANI MELHOR PESSOA, so queria dizer isso mesmo. Ally finalmente deu o ar da graca e vai aparecer bastante enquanto a Lolo se recupera.

O que acharam do flashback?

Entao é isso, beijos e até o proximo. ;)


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