História My new life - Capítulo 35


Escrita por: ~ e ~MarcelineQueen

Postado
Categorias Hora de Aventura
Personagens Ash, Cake, Finn, Fionna, Hudson Abadder, Jake, Marceline, Marshall Lee, Personagens Originais, Princesa Jujuba, Principe Chiclete, Rainha Gelada, Rei Gelado
Visualizações 50
Palavras 4.193
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Ecchi, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Quem quer vir em casa e me bater por ter esquecido de publicar o capítulo? Desculpe, eu tive um aniversário, um trabalho e uma viagem para fazer e quando finalmente voltei para meu lar doce lar esqueci totalmente do social spirit e fui dormir. E como eu meio que troco meus horários (durmo a tarde e fico acordada boa parte da noite) eu só pude fazer isso agora.
Sinto muito mas espero que gostem. O próximo só daqui duas semanas (uma se eu conseguir agilizar os trabalhos e tirar boas notas nas provas).

Capítulo 35 - Negação (Segredos de Família - Parte 2)


Fanfic / Fanfiction My new life - Capítulo 35 - Negação (Segredos de Família - Parte 2)

Ela encarou o celular por um tempo e seu rosto de repente empalideceu.

-Bonni: Finn... – Sussurrou cautelosa. – Onde você encontrou isso? – Perguntou com um ar sombrio.

- Numa parede perto do bairro do meu irmão... – Inventei.

- Finn isso é latim.

- Hm...e qual o problema?

- O que diz aqui é algo como "Morte aqueles que foram abandonados pela luz" em tradução livre "Morte aqueles que foram abandonados por deus". Finn... é uma “oração” para afastar e\ou matar shikis. Caçadores usam. Finn se você achou isso por aqui quer dizer que pode existir um na cidade!

Caçador. A informação me desnorteou por alguns instantes.

Esse foi o primeiro passo para o que se tornaria uma série de negação.

-Finn: Mas alguém que tenha visto isso em algum lugar não poderia copiar?

Eu acreditei mesmo nisso. Ou tentei forçar minha mente até que acreditasse. Funcionou por um tempo, me ajudou a ir adiante até que tudo me fosse revelado.

-Bonni: Mas se dar ao trabalho de escrever perfeitamente em latim? Os termos usados aqui não são dos mais comuns. É preocupante. Marceline é um alvo desejado por eles, assim como Marshall, Simon, Simone e Flame. E tem o orfanato! Se for mesmo um caçador deve ser localizado imediatamente! Você poderia me levar até o lugar que viu isso?

-Finn: E-eu...

-Bonni: Finn é uma emergência!

-Finn: Esta bem... – concordei sabendo que não havia escapatória.

-Bonni: Não conte aos outros até eu verificar.

Apenas assenti e voltei para minha carteira pensando no que eu faria e no que aquilo significaria. Ou melhor....

Tentando ao máximo evitar pensar. A verdade começava a ficar clara, mas eu não queria permitir. Infelizmente ela veio a mim de qualquer forma.

(---x---)

Durante o resto do dia permanecia meio alheio e ao fim das aulas estava nervoso com o que aconteceria, nem vi quando Fionna apareceu.

-Fi: Finn. – Me chamou.

-Finn: Oi Fi, o que foi?

-Fi: Finn você anda dormindo direito? Já é segundo dia que você está mais que distraído.

-Finn: Desculpe. Só estou meio pensativo. Mas e então? O que foi? Se for sobre o orfanato não vou poder ir hoje, esqueci ontem que era tempo de ir ao Jermaine.

-Fi: Tudo bem, não era isso. Eu só queria te contar uma coisa, mas vai ter que ser em particular.

-Bonni: Te achei! – Disse aparecendo entre os alunos. – Finn vamos, não há tempo a perder.

-Me virei para Fionna: Eu...

-Fi: Onde vocês vão?

-Bonni: Resolver um assusto urgente, será que posso roubá-lo?

-Fi: Claro. Mais tarde eu te ligo Finn. – Se despediu e foi embora.

-Bonni: Vamos?

Não consegui pensar em nenhum desculpa para despista-la então meia hora depois estávamos na estação de trem. Seguimos até um ponto antes do que eu normalmente descia para ir ao Jermane e enquanto andávamos sem direção eu tentava pensar numa solução. Depois de alguns minutos veio a ideia. Achei uma parede que parecia ter sido pintada recentemente e apontei para ela.

-Finn: Estava aqui. Devem ter pintado por cima durante a noite.

-Bonni: Tem certeza de que era aqui mesmo? – Concordei e vi seu rosto ser tomado por alívio. Ela suspirou sorridente. – Que bom.

-Finn: O que foi?

-Bonni: Uma oração como aquela, se feita por um caçador de verdade, principalmente para proteção, não some com tinta. Ela é perpétua. "Se sobressai sobre tudo como a luz sob a escuridão”. Para esconde-la você tem que colocar algo na frente, mas não diretamente em contato. Bem que eu achei estranho. Caçadores não deixariam isso à mostra, é arriscado para eles próprios, mas eu precisava garantir. Deve ter sido alguém que copiou de algum lugar como você disse, ou uma daquelas pessoas que descobriu a existência dos shikis e entrou em pânico, viu na Internet e decidiu fazer, mas não sabe direito. - Ela encarou a parede uma última vez e suspirou. - De qualquer forma podemos nos tranquilizar. Vamos voltar?

-Finn: Eu tenho que resolver umas coisas na casa do meu irmão, nos vemos amanhã.

-Bonni: Esta bem, tenha um bom dia.

Esperei até ela virar a esquina e assim que o fez corri o mais rápido que pude e não parei até chegar à casa de Jermaine.

Emburrei o portão e abri a porta correndo, fui até a sala de jantar, tirei o quadro da parede, corri até os fundos e voltei com uma lata de tinta e um pincel que tirei do galpão. Fui calmamente até a parede e abri a lata de líquido branco. Passei o pincel já molhado por cima da escrita.

Uma...

Duas...

Sete vezes.

Em nenhuma delas as letras sequer vacilaram.

A parede em volta foi pintada e escorria tinta molhada, mas as letras reluziam em preto. Um desespero me atingiu. De mãos tremulas peguei meu celular.

-Finn: Bonni? – Perguntei ao ser atendido no terceiro toque.

-Bonni: Oi Finn, o que foi?

-Tentei ao máximo controlar minha voz: Fiquei curioso, como você sabe aquilo sobre os caçadores?

-Bonni: Existem alguns registros e depoimentos, de alguns que foram presos e revelaram certas informações. Apesar de serem muito poucos, eu achei um assunto interessante e já li tudo que Marceline conseguiu sobre o assunto. – Típico da Bonni. – O registro mais interessante é de um caçador que conseguiram capturar sem que o Vaticano ficasse sabendo, com isso eles até mesmo conseguiram encontrar sua casa e verificá-la. O lugar inteiro tinha orações como as que falei, pintadas pelas paredes dos cômodos. Era tão forte e carregada que até mesmo os mutantes, que geralmente tem resistência a essas coisas, e os elementares, que como sabe inicialmente nem eram shikis, passavam mal eram alguns segundos lá dentro.

Não pense. Não pense. Eu repetia o mantra em minha cabeça.

-Finn: Hum... Existe mais alguma coisa que você saiba sobre essas orações?

-Bonni: Como eu mencionei caçadores de verdade não as deixam em qualquer lugar e muitas vezes elas vêm acompanhadas de várias outras. Foram feitas para proteger então quanto mais melhor. Mas são trabalhosas e complexas de se fazer, apenas alguns conseguem com perfeição, isto é, ao ponto de se sobressaírem a qualquer coisa que tente mancha-las. Depois eu posso falar mais, agora tenho que desligar, até mais Finn.

Nos despedimos e eu fiquei ao menos mais uns dez segundos parado.

Tentava simplesmente ter algum tipo de reação. Foi então que tive um choque repentino e corri para a cozinha. Fui até o quadro negro de avisos pendurado por lá, o tirei da parede e me deparei com outra frase, mesma letra, aparentemente a mesma língua, mas era diferente. Passei o pincel pelas escritas e o mesmo padrão se repetiu.

Palavras chaves: Não somem com tinta; Varias outras; Viaja muito; Caçador; "Objetos históricos"; Itália...

Caçador...

Itália. Vaticano. Igreja.

Caçador.

Não somem com tinta.

Deixei a lata cair das minhas mãos e sujar o chão.

Fui para o corredor e derrubei um a um todos os quadros que via pela frente. Sem exceção, atrás de cada um deles uma nova frase aparecia. Parei de testar a tinta no quinto. Fui para os quartos e foi a mesma coisa.

Achava que Jermaine apenas tinha herdado o gosto por arte dos nossos pais. Agora...

Não.

Não pense.

A simples ideia de formular um pensamento concreto me assustava e eu o impedia assim que começava a juntar as peças. Aquilo tinha que ter uma explicação.

Eu realmente achava que ficar negando adiantaria...

A sala foi meu último alvo. Haviam 3 grandes obras lá, duas que formavam um par na parede da porta, mais aquela na lareira.

As duas primeiras guardavam frases escritas em dourado e dessa vez consegui ler mesmo que estivesse em latim, pois as conhecia bem: "Assim na terra" dizia uma "Como no céu" completava a outra.

Peguei uma cadeira, coloquei em frente à lareira, subi e tirei a última pintura que faltava. Assim que olhei para a parede me desequilibrei e caí no chão.

Não era nada escrito, mas um desenho, um símbolo. O símbolo do império shikis, pintado de preto e por cima por uma cruz dourada sobressaía-se impotente.

Esse era o símbolo dos caçadores de shiki.

(N\A: Para aqueles que quiserem saber como é esse símbolo peguem uma folha que vou explicar como fazer, quem não se interessar pode pular e continuar com a história. Os que tentarem me avisem por mensagem ou nos comentários que eu vou passar meu wats para vocês me mandarem a foto dos seus desenhos, quero ver se ficaram parecidos com o meu.

Folha e lápis em mãos vamos começar.

Faça bem no meio um retângulo, não o faça muito grande e sua largura deve ser de uma linha. Agora faça outros dois, um em cima e outro em baixo, com uma linha do caderno de diferença. Ambos tem de ser um pouco menores que o primeiro retângulo, mas iguais entre si. Agora mais uma vez pule uma linha em cima e outra em baixo e faça dois triângulos. O de cima apontando para cima, o de baixo apontando para baixo. Isto é, com suas bases viradas para os retângulos. Estas mesmas bases deverão ser menores que os retângulos aos quais que estão próximas, mas de mesmo tamanho entre si. Em relação a altura destes, use duas linhas. Considere o primeiro retângulo como nossa base, o centro, pegue o retângulo logo a cima dele e pinte de preto, agora faça o mesmo com o triângulo lá em baixo. Faça uma linha saindo do meio da base do triângulo de cima até o meio da base do triângulo de baixo - ligue todas as formas - mas evite pintar esse linha dentro dos retângulos. Faça um arco nos triângulos, como um anel envolto no meio deles ou os anéis de saturno. Apague as laterais do retângulo base. Faça duas meia luas, uma do lado esquerdo e outra do direito. Elas devem se encerrar junto com o topo de ambos os triângulos e se ligarem às laterais apagadas do retângulo base, formando assim uma figura só. Agora olhe o desenho.

O Retângulo base é o Reino dos Demônios, grande e forte, as luas são os braços desse reino, que junta e busca proteger todos os outros. O retângulo pintado é o Reino dos Mortos-Vivos, onde estão vampiros, zumbis, fantasmas, shikigames, etc. Ele é próximo da morte e é considerado pelos humanos o mais terrível, por isso é pintado de preto, é um dos maiores e mais importantes, o segundo na classificação, muito próximo dos demônios. O retângulo branco é o reino de Animalha. Transmorfos, meio-humanos e meio-animais, além de criaturas mágicas temidas pelos humanos se encontram ali. É um reino mais pacífico, como os próprios animais, se baseiam na ideia de sobrevivência e apenas isso, não tiram da natureza o que não precisam e vivem em contato com ela, leiais e amorosos no geral e em número muito grande. São os terceiros na classificação e também muito próximos aos demônios já que foram a segunda espécie de shikis que surgiu. O triângulo negro é o reino dos Elementares. Fortes, muitos impiedosos, ambiciosos, inteligentes e poderosos. Um povo muito odiado pelo reino dos céus, pois um dia já fizeram parte desse, mas "se corromperam". Seus poderes surgiram do bem, mas sua história fez com que, para sobreviverem, se juntassem a Lúcifer, que lhes ofereceu, além de seus poderes normais ligados a elementos, magia. Isso os salvou, mas jamais foram perdoados, recebem então a cor negra. O anel em volta deles representa uma auréola, o bem que um dia representaram. Estão próximos do reino de Animalha já que possuem ambos forte ligação com a natureza e com as criaturas mágicas. O triângulo branco é o reino dos Mutantes. Possuem poderes pois algum de seus antepassados faziam parte dos outros reinos, mas seus filhos até então não manifestaram tais habilidades, isso porque, na maioria esmagadora, se casaram com humanos. São brancos exatamente por isso, seu sangue é muito mais humano que shiki, não são tão temidos ou odiados, o anel neste caso representa o quão grande e imprevisível é o reino, já que mutantes nascem por toda parte e muitos morrem sem saber dos poderes. Está próximo do reino dos Mortos-Vivos pois por algum motivo, parte significativa dos antepassados que garantiram os poderes aos membros desse reino foram Mortos-Vivos. Ambos são os que mais se relacionam com os humanos.

Para fazer o símbolo dos caçadores desenhe uma cruz por cima do desenho cobrindo o máximo que conseguir dele.

 

Fiquei um tempo encarando aquilo, revendo em minha cabeça todas aquelas provas e tentando ao máximo continuar em meu estado de negação.

Passei as mãos pelo meu cabelo, o mundo a minha volta não fazia sentido, não parecia existir, eu estava parado no vazio.

- Assim na terra como no céu. - Murmurei em meio a minha crise.

Na mesma hora todas as escritas se iluminaram brevemente, como um celular desbloqueando, o desenho da lareira foi o mais evidente, a cruz ganhou um brilho significativo e o símbolo shiki atrás sumiu momentaneamente.

“A luz se sobressaindo à escuridão”...

Me levantei e fui até o telefone no canto da sala, disquei o número de emergência e logo ouvi a voz de Jermaine.

- Aconteceu alguma coisa Finn?

-Finn: Onde você está?

-Jermaine: No Japão. Deu sorte, estou resolvendo umas coisas aqui em Tókio, dando uma bronca em Pen.

Em outra ocasião eu poderia me sentir feliz por isso, no momento eu não sentia nada.

-Finn: Porque...? – Foi o que consegui me forçar a dizer. Acho que já entenderam: eu não queria pensar, se pensasse entraria em caos, precisava me manter firme.

Mas sentia um por um os cacos do chão que me sustentava se quebrando.

- Porque o que? Você e o Jake disseram que Pen...

- Porque existem... – O interrompi, mas novamente não consegui fazer sentido. - O que... eu...

- Finn você está bem?

- Assim na terra como no céu. - Repeti e vi as frases se iluminarem de novo. – Morte aqueles que... Foram abandonados pela luz.

- Finn... – Sua voz saiu cautelosa. – Onde você viu isso?

- Onde acha? Estou na sua casa, telefone fixo, não me diga que é coisa dos antigos moradores. Ninguém se muda para uma casa em que as paredes estão cheias de frases em latim que não somem com tinta... Jermaine o que é isso? - Minha voz era melancólica.

Ele ficou um tempo em silêncio, quase um minuto inteiro.

- Fique aí, chego em duas horas.

Enquanto o esperava permaneci deitado no sofá, a cabeça latejando de dor, coloquei o braço em frente aos olhos e respirei fundo. Me senti sufocado ali dentro. Certo momento ouvi meu celular tocar e atendi.

-Fi: Oi Finn, está ocupado?

-Finn: Não exatamente. O que foi?

-Fi: Não pude te contar na escola, mas achei que deveria saber. Não ia aguentar o fim de semana inteiro sem contar e...

-Finn: Fi, se importa de ir direto ao assunto? Minha cabeça está doendo um pouco.

-Fi: Você está bem?

-Finn: Estou sim, mas diga, o que você queria contar?

-Fi: É sobre Marshall e Marceline...

(---x---)

Jermaine chegou em uma e meia. Ouvi o barulho de sua moto seguido pelo portão se abrindo, ele estacionou na frente e entrou pelo hall. Deve ter visto os quadros no chão e a tinta caída (que não me preocupei em limpar) porque assim que entrou na sala e me viu já começou a falar.

-Jermaine: Eu disse que tinham coisas que você e seus irmãos ainda não entendiam.

-Finn: Bom..  Você disse que eu era mais sábio, vamos ter que adiantar um pouco as explicações.

-Jermaine: Finn... O mundo tem mistérios que você não faz ideia... Nem sei por onde começar.

-Finn: Posso te dar um tempo para pensar. – Coloquei minha mão em baixo do sofá e de lá tirei uma arma prata com detalhes em dourado que havia achado em seu quarto. – Aposto que é uma longa história. – Disse jogando a mesma na mesa de centro. O barulho alto que fez foi horrível.

-Jermaine ficou uns segundos calado antes de perguntar: Como descobriu?

-Finn: Toby derrubou o quadro da sala de jantar. Tenho uma amiga que fala latim, sabia?

-Jermaine: Entendi. - Sua voz era firme, grossa, potente, mas parecia medir cada uma de suas palavras. Como se não soubesse ao certo até onde ia me revelar.

Mas eu queria saber tudo.

-Jermaine: A “faculdade” que eu disse que trabalhava na Itália... na verdade é o estado do Vaticano. – Fechei os olhos com força, podia sentir a explosão se aproximando, os braços da vida tocando minhas costas. – Eles pagam bem por sigilo e para conseguir documentos importantes perdidos, objetos da igreja ou...

-Finn: Eliminar pessoas?

-Jermaine piscou: De onde tirou isso?

-Finn: Uma arma? Uma adaga no quarto de visitas? Um revolver dentro da lareira? Não me parece o tipo de coisa que um “caça tesouros” teria.

-Jermaine: Todos precisam de proteção.

-Finn: Assim na terra como no céu. – repeti e as frases nas paredes se iluminaram. - Ótimo sistema de iluminação o seu. – Esbanjei ironia.

-Jermaine: Não fique repetindo a frase em vão.

-Finn: Não me diga o que fazer! – Me sentei e o encarei. – Você não tem esse direito. Nos abandonou! Nos deixou a mercê da sorte! Jake teve de roubar para nos alimentar! Mas agora eu entendo por que... – Me levantei e apontei para a arma. – Porque o maldito dinheiro era sujo!

-Jermaine: Não diga maldito.

-Finn: Já disse para não mandar em mim! Por isso insistiu tanto que um de nós aceitasse arrumar sua casa! Você não queria que ganhássemos dinheiro por mérito próprio, queria alguém que não o denunciaria se descobrisse isso tudo! Nem espalharia por ai!

-Jermaine: Está tirando conclusões precipitadas.

-Finn: Então me diga o que isso tudo significa! E diante do Deus que acredita! – Disse apontando para a frase na parede. – Em nome de Deus não minta para seu próprio irmão! Eu saberei se estiver e mesmo que não, Ele saberá.

Jermaine me encarou por um tempo, sustentei o olhar o desafiando a me contrariar, ele suspirou.

-Jermaine: Você acredita em anjos Finn?

-Não entendi o porque da pergunta, mas decidi responder: Sim.

-Jermaine: Acredita no Yin e no Yang?

-Finn: Creio que sim.

-Jermaine: Então se existem anjos, por lógica devem existir demônios, o Yin.

-Finn: Onde quer chegar com isso?

-Jermaine desviou o olhar por um tempo: Vamos. Vou te mostrar uma coisa.

(---x---)

Aquilo foi demais para mim.

Senti que estava a ponto de desmaiar, ou de ter algum ataque. Não sei nem explicar só sei que por um minuto não me senti mais eu mesmo, como se algo tivesse se perdido, ido embora para sempre. Quando dei por mim estava vomitando. Jermaine disse algo, mas não ouvi, ele se aproximou e tocou minhas costas. Sentir sua mão em contato comigo me deu ainda mais enjoo. O afastei bruscamente e sem uma palavra corri para longe. Atrás ouvi seus gritos me chamando, mas o ignorei completamente.

Só o que eu conseguia fazer era correr. Correr daquele quarto, daquela casa, dos meus pais, do meu irmão, de tudo.

Só queria poder correr da verdade e da vida.

Ouvi uma moto e soube que era a dele, entrei em uma rua estreita e depois virei à direita e a esquerda em seguida, o som permaneceu por um tempo, ele estava me procurando. Só consegui despistado ao chegar em uma das avenidas da cidade. As luzes me davam vertigem, mas eu tinha que continuar, me misturei com as pessoas até encontrar um beco escuro, entrei e andei por ele até parar em um lugar conhecido. Ali perto ficava um parque.

Ar. Eu disso que eu precisava. De ar, ficar sozinho e...

Voltar no tempo.

Fui até ele. Havia uma quantidade razoável de pessoas levando em consideração à hora. Segui até a pista de skate e me sentei no canto mais escuro, atrás de um half pipe. Várias pessoas se divertiam e sequer me notaram, lá eu poderia ficar praticamente invisível. Encostei a cabeça na parede, olhos fechados, tentando saber o que fazer.

E então ouvi sua voz.

- Finn?

Abri os olhos, o coração acelerado. Bem a minha frente estava ela.

Marceline.

Seu rosto, que tanto me animava e me acalmava, fez minha cabeça girar tão rápido que quase desmaiei ali mesmo, ela percebeu na mesma hora e correu se ajoelhar o mais perto possível de mim.

-Marcy: Finn o que aconteceu? Você está bem? – perguntou assustada.

Por um tempo não consegui dizer nenhuma palavra, olhei para seus olhos preocupados e senti uma lágrima escorrer por meu rosto, isso só a deixou mais alarmada.

-Finn: Eu...

-Jermaine: Finn! – ouvir sua voz foi como ouvir a morte me chamando, o mesmo desespero me consumiu. Puxei Marceline e a fiz se sentar ao meu lado, talvez ele não nos visse escondidos aqui.

-Marcy: Finn...

-Me virei para ela: Marceline eu preciso que você saia daqui. O mais rápido que puder! Eu prometo que te conto tudo depois, mas por favor vá. – Implorei segurando sua mão com força, tentei segurar ao máximo para meus olhos não começarem a lacrimejar novamente.

A morena me encarou bem no fundo dos olhos, esticou a mão para o meu rosto e limpou a lágrima que ainda estava ali, com certeza havia percebido minha tentativa de segurar novas.

-Marcy: Tem certeza?

-Finn: Por favor. – Minha voz estava fraca, ela me olhou uma última vez e decidiu obedecer. Se levantou para ir.

Mas já era tarde.

Jermaine apareceu bem na nossa frente.

-Jermaine: Finn! – Ele olhou para Marcy e fui tomado por pânico, usei todas as forças para não transparecer isso. – Quem é essa?

-Me levantei e puxei a vampira para que ficasse atrás de mim: Não te interessa! Vá embora daqui! Me deixe em paz!

-Jermaine: Foi você que quem quis a verdade. – Disse firme e ameaçador, me encarando, mas percebi que ele desviava disfarçadamente o olhar para a garota atrás de mim com frequência.

-Finn: E você já a disse ela. Agora saia de perto de mim! Não quero mais olhar para você!

-Jermaine: Eu avisei que vocês não estavam prontos para isso! Mas agora já e tarde. Ao menos ouça toda a história.

-Finn: Ainda tem mais? Achei que aquilo já fosse perturbador o bastante.

-Jermaine: Não seja uma criança impulsiva como seus irmãos.

-Finn: Acredite, ser impulsivo é bem melhor do que ser como você.

-Jermaine: Finn...

-Finn: Quer tanto assim que eu saiba o resto? Ótimo, mas por hoje chega! Não suporto a ideia de continuar perto de você. Quer que eu seja maduro? Que tente entender, como sempre fiz? Então me de um tempo. Vá embora. – Encerrei o mais firme possível.

-Jermaine pareceu pensar na possibilidade e então voltou-se para minhas costas: Quem é?

Marceline havia permanecido quieta e obediente ali atrás até o momento, e eu ainda não tinha soltado sua mão. A menção à ela me fez apertá-la com força.

-Finn: Já disse que não te interessa.

-Jermaine: Pelo contrário... – Murmurou e se aproximou de nós, dei um paço para trás junto dela. – Prazer sou o irmão mais velho do Finn, Jermaine. Você é amiga dele?

Marcy apertou minha mão, não devia estar entendendo muita coisa, mas sabia que algo estava acontecendo. Virei a cabeça para trás e nos encaramos brevemente.

-Ela hesitante respondeu: Sou Marceline. Sim, somos amigos.

Jermaine lhe estendeu a mão e a mesmo educadamente foi apertá-la, mas eu segurei seu pulso antes, fazendo-a recuar.

-Jermaine: Desculpe, eu e meu irmão estamos no meio de uma discussão familiar, não queria colocá-la nisso. Ele está bravo comigo.

-Marcy: Não parece novidade. – O mais velho lhe ergueu as sobrancelhas. – Jake o insulta toda vez que pode.

-Jermaine riu: Entendi. Bom, agora parece que perdi Finn também. – disse com um sorriso simpático que era tão falso quanto possível. – Você tem olhos incomuns, muito bonitos.

Meu coração praticamente parou.

-Marcy: Puxei ao meu pai. Ele e o irmão nasceram com albinismo. – Mentiu. Na hora me lembrei que a vampira estava longe de ser idiota. Algo ali a tinha deixado com o pé atrás, estava em modo de defesa, por precaução. Lhe apertei a mão tentando indicar para continuar assim.

-Jermaine: Entendi. Você também é bem pálida... Outra característica herdada do pai, suponho.

-Marcy: Sim.

-Jermaine: Me parece familiar. Já nos vimos?

-Marcy: Não. Mas a maioria dos adultos diz que sou parecida com uma cantora dos anos 90, até meus pais.

-Jermaine: Como se conheceram?

-Finn: Não me lembro de termos concordado com um interrogatório. Te disse para me deixar sozinho. Vá embora Jermaine. Nós também vamos. – Encerrei já me virando de costas para ele e seguindo para a outra saída da pista, Marceline me acompanhava.

-Jermaine: Foi um prazer! – Parei por um segundo para verificar seu rosto, não indicava grande coisa. Ele estendeu a mão novamente e dessa vez não impedi Marceline. Poderia parecer suspeito demais.

-Marcy: Prazer. – Disse estendendo a sua.

Ver ele a tocando me incomodou profundamente. Me arrependi de não ter feito nada. Eu havia deixado que ela apertasse a mãe de Jermaine.

A mão de um verdadeiro monstro.

A mão... Do filho dos assassinos de sua mãe.

Continua...


Notas Finais


Espero que tenham gostado, comentem e até a próxima.


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