História My new life - Capítulo 37


Escrita por: ~ e ~MarcelineQueen

Postado
Categorias Hora de Aventura
Personagens Ash, Cake, Finn, Fionna, Hudson Abadder, Jake, Marceline, Marshall Lee, Personagens Originais, Princesa Jujuba, Principe Chiclete, Rainha Gelada, Rei Gelado
Visualizações 24
Palavras 5.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Ecchi, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Como esse cap ficou com exatas 5000 palavras e eu sou neurótica, não quero estragar a exatidão desse número e por isso colocarei aqui a última parte do capítulo anterior para mantê-los lembrados, já que essas palavras não são contadas :)
Referente a esse infelizmente ficou grande, estou tentando evitar esse meu vício, mas ainda está difícil, se não me engano no próximo me contive mais (ele ainda falta ser revisado). Falando em revisão como a minha co-autora está viajando de férias não pode revisar esse ainda também, mas não queria deixa-los esperando, cá está, depois editamos sem os erros, por hora pedimos que entendam. De toda forma espero que gostem...
Ps: O social spirit me odeia e n quer fazer o gif q eu quero funcionar ;-; e como to sem tempo agora vou deixar ele mesmo parado, desculpem.

Anteriormente...
- No que está pensando tanto? – perguntou Shoko me trazendo momentaneamente para a realidade.
Mas eu a amava. Eu estava disposto a fazer o que fosse preciso para nos dar uma chance. Eu teria que parar com toda essa paranoia e fazer o que precisava ser feito.
Eu tinha de lhe contar a verdade.
Só Marceline poderia dizer até onde ela iria por nós. Estava em suas mãos e se ela preferisse acabar com aquilo... Que seja. Eu entenderia considerando tudo, mas não me lamentaria mais por algo que está só na minha cabeça. Eu precisava ficar sozinho com Marcy. Tinha que despistar o anjo. De alguma forma eu o faria. Deus sabia...
Eu ia lutar.
- Nada. – respondi a Shoko e me levantei decidido.

Capítulo 37 - Verdades (Segredos de Família - Parte4)


Fanfic / Fanfiction My new life - Capítulo 37 - Verdades (Segredos de Família - Parte4)

Autora...

Estava chovendo muito do lado de fora. O ruivo de orbes verdes olhou pela janela, gostava de observar a chuva, como cada gota batia com diferentes superfícies formando caminhos sinuosos e pequenos buracos formavam lagos. A calma que mesmo aquela tempestade lhe trazia... Ouviu um barulho forte de um corpo se chocando contra o chão e voltou-se ao centro da sala onde dois de seus filhos brincavam de luta.

- Parem com isso! – Gritou sua mulher da cozinha.

Ah, sua mulher... Poderia ele amar alguém mais do que a ela?

- Ouviram sua mãe. Parem com isso. – mandou encarando as crianças travessas.

Os dois resmungaram, porém sem obedecer. O homem não se importou tanto, já estava acostumado com aqueles dois. Olhou mais uma vez pela janela e quando um raio iluminou a noite pode jurar ter visto uma sombra.

Se levantou sobressaltado.

- Crianças... – chamou cauteloso e a ação repentina do pai fez os dois lutadores e o pequeno espectador ficarem atentos.

- Já pro quarto, tranquem a porta e não saiam de lá independente do que possam ouvir...

- Pai... – sussurrou o do meio assustado.

- Jermaine cuide dos seus irmãos e saiam daqui! Já!

- Vamos! – Disse o mais velho pegando na mão dos seus irmãos e os puxando a força para o quarto. Ele os jogou lá e trancou a porta ao passar, enfiou a chave no bolso e enfiou todos dentro de um armário.

Assim que os filhos saíram Joshua puxou a cruz de seu pescoço e correu até a lareira, tirou uma espingarda de lá e fechou-a em seguida para que ninguém usasse como entrada.

- Assim na terra como no céu. – Murmurou e todos os quadros da casa se iluminaram. A proteção na residência se fortaleceu na mesma hora e o homem pode sentir parte de suas energias se esvaindo para tal.

A frase também serviu de aviso a mulher na cozinha. Margaret correu para a caixa de força e ativou as trancas de segurança, todas as portas e janelas fecharam automaticamente e trancaram. Ela voltou à cozinha e pegou uma faca no fundo do armário, a lâmina feita de ferro e ouro.

A loira começou a andar cautelosa em direção a sala enquanto o marido fazia o mesmo rumando para a cozinha, se encontraram no corredor no exato momento em que a campainha tocou.

Ambos se encaram e esperaram. Novamente a campainha tocou. Permaneceram em silêncio. Joshua pegou na mão da mulher e depois se separaram, ela seguiu até o quarto do casal e ele até a caixa de força verificar as câmeras.

Todas estavam falhando.

Margaret retornou em alguns segundos com uma bíblia, a faca em sua bainha e uma pistola de ouro e bronze na mão.

- Vamos...

Antes que pudesse terminar ouviram mais um som, mas dessa vez mais preocupante. Era uma batida na porta. Seja lá quem estivesse tocando a campainha agora tinha simplesmente pulado o portão (ou o muro) e estava bem em sua porta.

Os dois se entreolharam e apontaram suas armas para a porta, Margaret sem tirar os olhos do alvo esticou a mão livre para a caixa de força e destrancou apenas aquela entrada. Nada aconteceu, ela correu e se virou de costas para o marido, cobrindo sua retaguarda. Após alguns segundos eles ouviram um choro.

Um choro de bebe.

Ficaram cinco minutos ouvindo sem fazer nada, a chuva lá fora fez a porta se escancarar e quando perceberam não havia ninguém, apenas uma cesta nas escadas com um bebe gordinho totalmente descoberto e nu chorando desesperado.

Margaret apertou o ombro do marido e foi até lá, ele a seguia ainda empunhando sua espingarda. A pistola dela também continuava pronta para ser usada. Quando chegaram a porta deram uma olhada em volta e nada, a mulher então se agachou no chão e pegou o bebe.

Ele era pálido, mas de um jeito bem cuidado, não totalmente branco, já seus cabelos eram tão loiros que pareciam ouro e em boa quantidade. Estava sem roupa e provavelmente com frio, mas estava quente quando ela lhe enrolou nos braços. Em sua mão havia um pequeno pingente ao qual ele não soltava de maneira alguma, só horas mais a frente, quando finalmente o liberasse, descobririam que era um urso polar de plástico.

- Melhor entrar.

Margaret apenas pegou a cesta e com o bebe seguro em seus braços correu para a sala de estar e acendeu a lareira, se sentando bem na frente com o garoto. Joshua foi até eles alguns minutos depois de verificar toda a aera.

- Tem um folha aqui. – A mulher disse apontando para onde o bebe antes repousava enquanto tentava niná-lo. Estava difícil, ele parecia desesperado.

Joshua puxou o pedaço enrolado de papel e se surpreendeu de ele não estar molhado. Só então percebeu que assim como a carta o bebe também estava seco, enquanto a cesta pingava a água da tempestade.

O ruivo desenrolou o papel e leu o pouco que estava escrito, seus olhos se arregalaram e ele encarou o bebe.

- O que foi? – perguntou Margaret e o marido apenas lhe deu a carta, ou melhor, bilhete.

Após ler a loira voltou-se para a criança e tocou-lhe calmamente seu rosto angelical, o garotinho abriu os olhos e eles se depararam com as íris do azul mais límpido e brilhante que já tinham visto.

Margaret sentiu a mão de Joshua em seu ombro.

- O que faremos?

Ela demorou a responder, mas ele já imaginava o que diria, ainda mais quando o garotinho parou de chorar e começou a brincar com a cruz que pendia do colar da mulher, presenteando-os com o mais sincero e belo dos sorrisos, digno de fazer qualquer um que o visse sentir um calor acolhedor.

- O que for necessário... – Murmurou a loira.

-x-

Joshua e Margaret. Dois dos assassinos prediletos do Vaticano. Os melhores exorcistas e mais qualificados caçadores. Tiveram um filho adotivo.

Que foi criado por eles principalmente com o objetivo de protegê-lo e ensiná-lo o caminho certo. Ele era um filho bastardo de uma relação decididamente proibida.

O pai não podia criá-lo, não era forte para protegê-lo daquilo que certamente o ameaçaria um dia.

Ele não era o bastante.

Isso e a perda da mulher que mais amava o fez louco. O mudou. Com o tempo se tornou um ser desprezível e ganancioso.

Ou talvez...

Ele mesmo tenha achado aquilo melhor. Se tornar alguém por quem ninguém se apaixonaria. Muito menos um anjo. Assim... talvez não suspeitassem de seu filho. Que anjo se arriscaria por ele? Ser alguém que não era e do qual não se orgulhava. Um pequeno sacrifício para garantir o bem da única e mais perfeita prova de amor entre ele e sua mulher proibida.

A mulher propriamente dita teria que se forçar bem mais...

Jamais poderia sequer olhar para seu filho, qualquer aproximação seria suspeita e ele poderia até mesmo ser morto. Era fruto de um pecado. Cometido por um anjo. Jamais pode saber como ele seria, deu-o ao marido e fugiu no dia do seu nascimento, o importante era apenas que vivesse, e com ele guardasse todas as lembranças dos pais.

Que jamais poderiam guardá-las novamente. Jamais poderiam pensar um no outro, em seus rostos ou seus momentos. Não poderiam se apegar aquele pequeno pedaço de luz, ou tudo estaria perdido.

“Anjos não são tão piedosos como a bíblia diz”.

A única coisa que os fazia forte e garantia que conseguissem seguir em frente é que aquele amor continuaria vivo enquanto o bebe estivesse.

Finn.

Ela sequer descobriu seu nome.

Martin deixou o garoto na porta de duas pessoas que ele sabia que poderiam ajudá-lo. Acreditou que poderiam ensiná-lo, para que quando crescesse e tivesse de assumir seu verdadeiro, um meio anjo e com isso um dos responsáveis por ajudar a humanidade contra os demônios, fosse capaz de tal.

Depois foi embora sem olhar para trás.

Quando o garoto cresceu e o achou garantiu que não quisesse permanecer perto dele. O garoto era parecido demais com a mãe... o rosto dela lhe via a mente toda vez que estavam juntos e só aquilo poderia colocar tudo a perder.

Mas todo o esforço foi em vão. Tudo que todos fizeram para mante-lo longe não adiantou e ele se aproximou do “lado proibido” mais até do que poder-se-ia imaginar.

E ele fez aquilo que sempre foi, e eternamente será, a maior perdição para um anjo: se apaixonou...

Antes por uma humana, como sua mãe...

Se viu amando a princesa shiki. A herdeira do trono que seus pais adotivos tentaram destruir.

Quando toda essa verdade recaiu sobre o garoto... Ele não soube o que fazer...

O que poderia afinal?

-x-

Finn...

Me livrar de Shoko se mostrou uma tarefa impossível.

Ela simplesmente ia comigo em todo lugar! Exceto nos banheiros públicos, mas acho que mandar uma mensagem para Marceline de lá de dentro, pedir para que entrasse escondida e depois contar toda aquela verdade num lugar assim não seria uma boa idéia. Outra que o anjo com certeza desconfiaria da demora e quanto mais tarde ela descobrisse meu plano, melhor.

Mais tarde porque sei que uma hora ou outra ela o faria.

De toda forma meu problema era o agora e eu já estava ficando sem opções.

Fomos andando pelos pontos turísticos da cidade e entramos em quatro templos ao todo, no segundo e terceiro rezei pedindo para Deus chamar Shoko, que me oferecesse ao menos uma chance. No quarto, porem, desisti da idéia. Rezei-lhe dizendo que se não me ajudasse também não importaria, porque eu arranjaria um jeito.

Para Shoko e para nós (Eu e Marceline).

Também fomos em alguns cafés interessantes e em um aglomerado de lojas onde compramos várias coisas.

Jermaine me deu dinheiro para gastar nessa viajem, disse algo sobre me ajudar a me divertir e relaxar, assim minha cabeça podia assimilar tudo mais calmamente e depois retomaríamos nossa conversa sobre meu futuro.... O futuro é meu. Já decidi que eu serei o único a interferir nele de agora em diante. Não temos o que conversar. Mas eu aceitei o dinheiro.

No geral foi um típico e tradicional passeio turístico com amigos por cidade histórica, bem aquele cliché de animes, mas que é divertido por isso funciona. No final (para completar ainda mais o clichê) fomos todos para as banheiras de águas termais do hotel.

Fui o primeiro do grupo a descer e já com o corpo na água quente e relaxante fui imergindo, sentindo grande parte da tensão em mim sumir milagrosamente.

Cabeça totalmente afundada fechei os olhos, tentando por aquele curto período de tempo esquecer de tudo.

Me senti bem como a muito não acontecia.

Parte disso poderia também ser atribuída a falta de Shoko aqui dentro.

Após alguns segundos vi a água próxima de mim se mexer e emergir para ver quem estava de aproximando, era Flame.

-Flame: Oi Finn, gostoso aqui não? – Perguntou se apoiando na borda da banheira ao meu lado.

-Finn: Muito.

Flame fechou os olhos e inspirou fundo, quando expirou chamas saíram de suas narinas, aquilo me assustou e na mesma hora corri os olhos por todo o lugar com medo de que alguém tivesse visto. A “banheira” era imensa e haviam alguns outros homens, mas estavam do outro lado e uma rocha ao meio os impedia de ver o ruivo.

-Finn: Devia tomar cuidado. – Murmurei aliviado assim que garanti que estava tudo bem.

-Flame: Se alguém tivesse visto arranjaria uma explicação lógica na sua cabeça. – Ele mergulhou, bolhas começaram a estourar a sua volta e a água começou a aquecer cada vez mais, chegando ao ponto de me machucar. Ele ouviu meu grunhido de reclamação e levantou. – Desculpe! É uma água termal, mas ainda é água, meu corpo superaquece por defesa.

-Finn: Entendi, vou me manter afastado.

-Marsh: Ajuda se você não enfiar essa cabeça quente pra baixo! Mantenha ela em cima e respirando que não teremos problemas. – Disse firme se sentando na borda do meu outro lado.

-Finn: Você pode entrar aqui?

-Marsh: Fiz algo errado? Nunca fui em uma água termal antes.

-Finn: Não é isso, é que você e Marceline... Sabe... Não é perigoso?

-Marsh: Se o esquentadinho ali não fizer nenhuma brincadeira, não muito. O sangue do pai dela e o da minha mãe nos dá certa resistência. De qualquer forma é só água quente. Só temos que ficar pouco tempo. Agora mais importante: eu tenho que ficar com ou sem a toalha?

-Flame gargalhou: Tanto faz cara, mas se for tirar deixe por perto para quando for sair.

-Marsh: Certo.

Ele também entrou e nós três começamos a conversar, fiquei meio nervoso achando que talvez Marshall fosse me tratar diferente (mais agressivo), mas ele agiu como se aquela conversa no banheiro sequer tivesse acontecido, mas eu sabia que ele ainda pensava naquilo, quando ele me olhava era possível perceber em seus olhos, ele queria uma conclusão para toda aquela história.

E eu também. Mas dessa vez estava realmente tentando chegar a algum lugar.

-x-

-Shoko: Vai demorar aí? – Ouvi a voz do anjo e abri os olhos. Ela estava quase para cair na água e com os olhos fechados, um pouco longe de mim, mas pude ouvi-la com clareza.

-Finn: Sim.

-Shoko: Estou esperando do lado de fora.

-Finn: Por quê?

Ela não se deu ao trabalho de responder, virou-se de costas e saiu.

Bufei e mergulhei novamente. Marshall teve que sair já a um tempo e Flame ficou com fome. Como eu estava aproveitando meu momento de paz sem meu anjo da guarda não quis sair, mas tudo que é bom dura pouco. Levantei e saí do lugar, coloquei um roupão e quando saí para os corredores a primeira pessoa que vi foi Bonni. Ela me encarou da porta da área feminina e veio até mim.

-Bonni: Pode começar a falar.

-Finn: Problemas com Jermaine. – Disse apenas e me encostei na parede.

-Bonni: Detalhe.

-Finn: É complicado... Descobri uma coisa sobre ele... e ele também não estava muito disposto a nos contar tão cedo...

-Bonni: Marcy me disse que te encontrou a algumas semanas atrás no parque e você estava extremamente estranho. Aparentemente você e seu irmão tiveram algum problema, não sei, mas ela disse que não parecia coisa boa. Tem a ver?

-Finn: Sim.

-Bonni demorou um pouco mais com a próxima frase: Ela está preocupada com você. – A encarei surpreso com a mudança de assunto repentina, a rosada suspirou e se apoiou também à parede. – Finn... Como amiga da Marceline, não sei se posso dizer isso... Mas vou dizer porque é o certo. Como você se sente em relação a ela é uma incógnita. Achei que sabia, mas você me confunde. Porém ela não. Ela... te adora Finn. E está muito preocupada com você, parece tão estranho de uns tempos para cá e seja lá o que aconteceu entre você e seu irmão só quero que saiba que todos nós somos seus amigos, e vamos te ajudar sempre que precisar, só precisa confiar na gente. O problema é que... como amigos não podemos aceitar que continue assim. Por favor, ou se abra e deixe que te ajudamos ou resolva.

Shoko estava nos encarando, para Bonni ela não direcionava repulsa, mas parecia ter algo a mais no seu olhar.

-Finn: Eu vou resolver.

Bonni me encarou por mais um tempo, eu encarava o anjo.

-Bonni suspirou: Qualquer coisa... – Ela se virou para ir embora.

Chamei-a e quando a mesma se virou a abracei.

-Finn: Vigiado. – Sussurrei bem em seu ouvido para que a morena logo ao lado não ouvisse, cobrindo minha boca com meu braço.

-Bonni: O que? – Como o esperado o tom de voz dela não mudou muito ao perguntar, assim poderia se passar apenas por alguém que não ouvira direito, como eu precisava.

-Finn: Obrigado. – Disse mais alto, tentando parecer que foi aquilo que eu disse inicialmente e me separei. – Por me ajudar sempre. – Acrescentei movendo os olhos para o lado rapidamente e depois sorrindo tentando parecer natural. – Agora tenho que ir. Tchau Bonni. – Me despedi e antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa segui pelo corredor.

No meu quarto após me trocar Shoko não disse nada e nem agiu diferente, oo que indicava algo bom: não notou minha tentativa de avisar Bonni. Era até de se esperar, sua guarda não devia estar alta naquela hora, afinal não era a rosada sua preocupação. Foi por isso que a oportunidade pareceu perfeita. Se Bonni tiver ouvido vai suspeitar, de alguma forma ela poderia ajudar, acabara de dizer que estava disposta a isso, além de que ela é inteligente o bastante para ser realmente útil.

Me joguei na cama pensando em qual seria o próximo passo.

-x-

-Flame: Caramba que jantar!

-Marsh: Caramba que barriga! – Disse com um ar incrédulo provavelmente lembrando a quantidade de pratos que o garoto de fogo havia consumido na última hora.

Eu e as meninas rimos.

-Flame: Nem foi tanto.

-Finn: Nem foi tanto?! Se você não estivesse pagando teria dado um baita de um prejuízo para os outros aqui!

-Flame gargalhou: Ok, ok, talvez eu tenha exagerado um pouco.

-Fionna: Tira o “um pouco” da frase que podemos conversar.

Mais risadas.

-Flame: Querem fazer mais o que hoje?

-Fionna: Não somos criaturas noturnas como vocês Flame.

-Flame: Mas uma saída em um dia como esse não vai afetar tanto. Vamos!

-Chama: Onde afinal?

-Flame: Boa pergunta...

-Marcy: Podemos levá-los ao Wolf.

-Bonni: Lobo?

-Marsh: O bar do pai do Cara.

-Chama: Vocês não disseram que era o tio dele que tinha um bar?

-Marcy: O pai também tem. Mas esse é diferente.

-Fionna: Que tipo de diferente?

-Marsh: só abre para Shikis.

Shoko se levantou na mesma hora do canto em que estava e furiosa me encarou.

- Não ouse. – disse sombria.

Queria contrariá-la. Eu ia. Talvez ela sequer pudesse entrar num lugar cheio de “monstros”, algum deles poderia vê-la, quem sabe? Ou talvez fosse até proibido se aproximar de tantos assim. Haviam várias possibilidades, mas a única que passava por minha cabeça é que lá, com sorte, seriam só meus amigos e eu.

Poderia finalmente falar com Marcy.

Mas as coisas não eram tão simples.

-Chama se encolheu: Será que é uma boa ideia? Quer dizer... somos humanos e tudo mais...

-Marsh: Relaxe estarão conosco. E é um lugar relativamente calmo.

-Flame: Perfeito, vamos então! – Ele se levantou e Marshall o acompanhou, eu em seguida. – Alguém contra.

- Finn você não pode! É muito perigoso!

Ninguém disse nada.

-Chama: Eu... ainda não tenho certeza... – Se pronunciou quando nós três garotos já estávamos saindo para nosso quarto nos arrumar.

-Fionna: Vamos lá! Vai ser divertido! Eu já fui em um lugar de shikis uma vez e adorei!

-Bonni: Sério?

-Fi: Sim. Vamos Chama, não precisa ter medo.

-Chama hesitou por mais um tempo e olhou para Bonni: O que acha?

-Bonni deu de ombros graciosamente: Novas experiências.

-Chama suspirou: Tudo bem.

-Flame: Então vamos.

Dito isso nós três fomos nos arrumar e enquanto eu procurava uma blusa na mala Shoko veio até mim.

- Finn me escute! – A ignorei. – É perigoso demais, você não pode ir! – Tirei minha corrente com a cruz e coloquei escondida no fundo da mala e troquei de blusa. – Por Deus eu só estou tentar te ajudar! – Ela parecia cada hora mais desesperada, continuei me trocando sem lhe dar atenção, pela primeira vez ela não fechou os olhos e isso me chamou atenção. – Finn alguns podem senti-lo! – Gritou e dessa vez finalmente a encarei. – Se tiver ao menos um demônio lá este saberá na hora quem você é! Vão matá-lo assim que descobrirem!

Olhei para Flame e Marshall, eles me ouviriam com certeza.

-Finn: Esqueci meu colar no banheiro lá em baixo, vou pegar.

-Flame: Ok, nos encontre na recepção se não estivermos mais aqui.

Concordei e saí, fui até os fundos do hotel e quando tive certeza que estava sozinho olhei para Shoko. Ela abriu a boca para falar mas a interrompi, coloquei a mão no bolso, peguei meu celular e coloquei na orelha.

-Finn: Caso alguém apareça. – Expliquei mesmo que não fosse necessário. – Agora explique.

-Shoko: Demônios podem sentir os anjos, como quando você se aproxima de uma coisa quente, eles vão senti-lo e... qualquer coisa pode acontecer.

-Finn: O pai de Marceline não “me sentiu”.

-Shoko: Isso porque nas vezes em que vocês estiveram perto você ainda não...

-Finn: Ainda não?

-Shoko: Como acha que os anjos te encontraram?

-Finn: Jermaine.

-Shoko: Porque ele te denunciaria se seus pais tentaram por tanto tempo te esconder?

-Finn: Eu...

-Shoko: Finn... Anjos como você, que nascem sem permissão... São executados.

-Arregalei os olhos: Como?

-Shoko: Aqueles como eu, que nascem de acordo com o pedido do conselho de arcanjos, são feitos e criados especialmente como manda a igreja. Somos uma vantagem para Cristo na luta contra os demônios. Mas aqueles como vocês, que nasceram de anjos pecadores desobedientes das leis, que deixaram o desejo carnal falar mais alto, são um problema. A maioria... É executada. A única forma de um proibido viver, é se ele conseguir se esconder até uma certa idade em que a Igreja possa avaliá-lo e dizer se vale a pena mante-lo. Do contrário...

-Finn: Mas isso é loucura! Como a igreja pode ter coragem de matar filhos de anjos?!

-Shoko: A questão é o pecado a qual foi cometido para que nasçam! Vocês são imprevisíveis e quanto mais velhos, mais tempo de criação fora do que a igreja exige! Finn seu pescoço já esta na corda, só falta abrirem o chão e te enforcarem! Mas você faz questão de ajudá-los a fazer o nó! Eu não posso permitir que faça isso!

-Finn: Se a igreja que me matar então o que você está fazendo aqui?

-Shoko: A igreja quer te matar, mas alguns anjos não concordam com isso. Você não teve escolha de como nasceu, não podem condená-lo por isso... – Ela usou a mesma frase que eu. Aquilo me deixou mais atento e também criou a dúvida: será que ela tinha me ouvido dês de o início? – Seus pais adotivos queriam que você permanecesse na moita até os 18, quando te contariam a verdade sobre tudo e te apresentariam para a Igreja, pedindo sua redenção. Se você se mostrasse digno seria perdoado e faria parte do Vaticano, como eu. Ao morrerem o dever de te contar ficou para seu irmão mais velho. Mas você arranja muitos problemas... Eles tinham feito um lacre em você, que impediria que seus poderes começassem a se manifestar...

-Finn: Poderes?

-Shoko: Você é um anjo, esperava o que? De toda forma o lacre seria quebrado quando você descobrisse a verdade. Pena que isso aconteceu antes do esperado. Seu irmão tentou te acalmar e te contar isso, queria te levar a Igreja antes que descobrissem sozinhos e considerassem sua criação naquela casa como traição. Mas você não nos ouve! Agora você pode ser sentido como um anjo, antes não! E está em perigo andando com Shikis, porque mesmo que Marceline não te mate, outros o farão, você é um perigo para eles!

-Finn: Eu...

-Shoko: Seus poderes são umas das poucas coisas capazes de realmente afetar aquele reino de monstros. Por isso o conselho manda uma anjo a cada vinte anos à Terra para criar um filho, nós somos armas! E os Shikis sabem disso! Mas não sabem que você é um proibido. Eles o atacaram sem fazer perguntas por que na teoria você foi feito apenas para matá-los! – Fiquei em silêncio, tudo aquilo martelando em minha cabeça. A Igreja queria me matar e os Shikis também. Era meio irônico não? – Você não pode ir...

“Hunson” me lembrei. Se qualquer demônio poderia me sentir então porque quando fomos buscar Marcy e Marshall nem ele nem Hanna disseram nada ou agiram diferente? E então percebi que Shoko poderia estar mentindo.

Talvez ela realmente não pudesse entrar num lugar como aquele e com isso eu ficaria sozinho, para fazer o que quisesse e cercado por shikis.

-Finn: Eu vou. – Disse devolvendo o celular no bolso e voltando para o interior do hotel.

-Shoko: Você tem o que na cabeça?! – Perguntou praticamente histérica. Voltei a tradição de não responde-la e segui meu caminho. – Você vai mesmo continuar com isso? – Nada, continuei andando. – Então que seja. – Sua voz repentinamente se tornou fria e sem nenhum aviso senti minha consciência se esvaindo.

-x-

Acordei totalmente atordoado e com a maior das dores de cabeça no quarto do hotel. Estava numa cadeira e parecia ter simplesmente sido deixado ali, fui tentar me levantar e então ouvi uma voz atrás de mim.

- Sabe por que os anjos criam mestiços para lutar contra os demônios?

Ela devia estar sentada junto das minhas costas, não conseguia vê-la, nem me mexer, apenas sentia uma dor por todo o corpo.

-Shoko: Como se sente?

Quis gritar com ela, mas nem minha boca respondia. Repentinamente imagens passaram na minha cabeça e me deixaram confuso, agora nem a visão funcionava direito.

-Shoko: Seus filhos tem algumas vantagens que apenas o sangue humano oferece, esse é o porquê. Como poder tomar suas próprias escolhas. Anjos não podem ou se tornam caídos. Devem seguir as palavras de Deus cegamente e este... – Ela suspirou e foi até o meu lado. – Sempre tão benevolente, impediu os anjos de matarem demônios. Mesmo sendo criaturas tão desprezíveis, ainda possuem consciência e para nosso senhor isso basta. Um anjo matar um demônio é proibido. Sujaria suas mãos divinas. Claro que sabemos que isso apenas faz parte de sua fraqueza tão louvável e gentil de perdoar. Mas os mestiços... Eles tem o livre arbítrio, podem escolher pelo fim dos demônios. Só que diferente dos humanos normais temos o poder necessário para fazer isso de forma mais eficaz.

-Finn: Eu nunca serei um assassino. – Consegui murmurar.

-Shoko gargalhou alto: Diz aquele que gama uma.

-Finn: É diferente.

-Shoko segurou meu rosto e o levantou, me sentia muito mal e tonto: Não se engane Finn. “Eles matam para comer, humanos também fazem com outros animais”. Esse discurso é tão fraco que duvido que realmente acredite nele. Mas não importa. A questão não é você, mas todos que se sacrificaram por você. Só quero que pense em tudo que fizeram para te salvar, o amor de seus pais que você vai jogar fora se continuar tentando se matar. Pode fazer isso aqui enquanto seus amigos se divertem.

De repente meu corpo foi levantado no ar e arremessado à cama. Doeu um pouco, mas o pior foi o susto, definitivamente meu corpo não obedecia mais as minhas ordens, Shoko veio até a beirada da cama e me encarou bem nos olhos.

- Você disse a seus amigos que estava passando mal, vomitou na recepção, eles estavam pensando em desistir de sair, mas você insistiu que o deixasse e fossem, não queria atrapalhar. Te acompanharam até o quarto, lhe deram remédios e depois de mais um pouco de hesitação você os convenceu de ir.

As imagens na minha cabeça voltaram a correr e eu me lembrei de ter feito tudo aquilo que a morena disse, mas era estranho, não parecia ser eu agindo nas memórias.

-Shoko: Nós mestiços temos os poderes ao menos na metade do nível de um anjo, se treinados é claro. Anjos têm sempre de respeitar o livre arbítrio dos seres. – Ela sorriu. – Mestiços não.

Então era isso. A pessoa nas memórias realmente não era eu. Shoko estava me movendo como uma marionete! Senti o sangue subir à cabeça de raiva.

- Mas eu serei legal com você. Não vou ter forçar a muita coisa. Só preciso que você veja tudo que vai estragar se continuar assim e quem irá afetar. Te darei a chance de perceber seus erros e se conseguir poderá se redimir com a igreja. Durma e em seus sonhos veja as conseqüências de suas ações. – Meus olhos fecharam e minha cabeça novamente começou a perder a consciência. – E um último aviso: Anjos não são tão piedosos como a bíblia diz Finn. Só estou tentando te ajudar. Durma bem.

“É uma ordem”. Foi a última coisa que ouvi antes de apagar novamente.

-x-

 Olhei para o lado e vi um relógio marcando uma e meia. Eu estava desacordado a quase cinco horas! Só que...

Me sentei no colchão e minha cabeça girou. Olhei para os lados e nada do anjo.

De alguma forma eu havia acordado.

Eu sei que não era para eu estar consciente, estava no meio de um sonho quando despertei e aquela garota queria que eu “visse o que minhas atitudes causariam” e ela não estava ali, só pude imaginar que o motivo seria por que eu deveria estar dormindo agora, na teoria ela não precisava estar aqui “ela ordenou”, acabou com meu livre arbítrio e forçou meu corpo a descansar e ver aquilo que ela queria. Mas cá estava eu.

Minha única chance sem ela por perto e eu tinha medo de que a qualquer momento ela pudesse aparecer. O resto do quarto vazio mostrava que os outros ainda não tinham chegado, peguei meu celular e quando fui mandar uma mensagem para Marceline ouvi uma batida na porta.

Zonzo fui atender e quando abri a porta lá estava a vampira.

-Finn: Marcy...

-Marcy: Posso entrar?

A puxei para dentro do quarto e fechei a porta, olhando para todas as direções procurando por algum sinal dELA.

-Marcy: Vigiado? – Me virei para ela. – Você disse isso a Bonni, ela me pediu para vir...

-Finn: Marceline eu vou te falar tudo que está acontecendo e porque eu estou agindo tão estranho ultimamente, cada detalhe, só preciso que me prometa uma coisa.

-Marcy franziu o cenho: O que?

-Finn: que vai ouvir até o final. Não importa o quão ruim se tornar você precisa saber de tudo.

Marceline me analisou por alguns segundo e então se sentou no chão.

-Marcy: Então me diga toda a verdade.

-x-

“Ele é um proibido. Nasceu de amor, não de pecado. Salvem-no, por favor.”

Continua...


Notas Finais


Espero que tenham gostado, tentarei postar o próximo semana que vem no máximo então até lá!


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