História My Porcelain - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bottom!jimin, Jikook, Jimin!bottom, Jungkook!top, Kookmin, Oneshot, Passivamin, Top!jungkook, Ysskookie
Visualizações 1.298
Palavras 18.244
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Lemon, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OIE, MEUS ANJOS ❤
Hoje eu tô bem atrapalhada, ENTÃO ME DESCULPEM DESDE JÁ POR QUALQUER ERRO ;-; 💔
QUERIA AGRADECER IMENSAMENTE PELA SRA_JIMIN2 POR TER FEITO A CAPA E O BANNER Y.Y OBRIGADAA BAE ❤ FICARAM LINDAS NE GENTE? *-* ❤
Primeira oneshot que eu faço na vida e que saiu ENORME jsjsjsjs percebe-se de longe que eu não consigo escrever pouco :") Primeira vez em meses também que eu estou postando por um not, ai que saudades T.T
Essa one é um pequeno presentinho, espero que gostem ❤
Me perdoem desde já se ficou horrível (o que eu acho que ficou ;-;) e pelo tamanho também :")
Boa leitura ❤

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction My Porcelain - Capítulo 1 - Capítulo Único

Jeon Jeongguk odiava o primeiro dia de aula, desde o primeiro ano do ensino médio.

Era sempre uma bagunça sem fim: novatos sendo zombados, trolados e até pichados em pleno corredor da maldita escola. Professores lamuriando amargurados que já queriam férias dos alunos e um diretor levando para a detenção um aluno qualquer – sempre o engraçadinho piadista – para a detenção. Primeiros dias estavam fadados ao fracasso, e Jeongguk já perdera a muito a fé para com eles. Faziam benditos três anos que estava naquela rotina e já deveria estar acostumado, mas quanto mais esta passava, mais Jeongguk a repudiava. Mesmo que soubesse que, por ser neto do diretor, não poderia faltar aula, muito menos o primeiro dia. Poxa, Jeongguk era o rei daquele colégio, como algo do tipo poderia acontecer?

Não, não, ele não se considerava rei de nada, muito menos daquela escola, mas boatos se espalhavam rápido e quando estes se associavam a Jeongguk, ah, corriam na velocidade da luz. Era um adolescente com seus dezessete anos de pura beldade nas costas e sorte também. Mesmo que sempre indagasse seu claro – e daí? – para qualquer afirmação exagerada para consigo – como quando Kim Taeyeon afirmou que ele era um egoísta sem fim sem sequer conhecê-lo ou como quando Kim Yerin alegara que ele era bom de cama sem sequer ter dormido consigo, apenas por boatos alheios –, nunca, em hipótese alguma, havia deixado de ser a atração do que alguns chamavam de lar e ele chamava de inferno: o colégio. Jamais. Chegava a ser irônico. Quais atributos ele possuía para ser tão admirado por eles?

Capitão do time de basquete, inteligente, bonito, personalidade conservadora, herdeiro de um dos impérios mais ricos do país, filho de pais famosos, ex-namorado de uma das modelos mais famosas de Seul, sorriso charmoso, simplesmente Jeon Jeongguk. Simples.

Sinceramente, dizer que um dia ele não fora verdadeiramente um necessitado de atenção seria mentira. Já quisera muito toda aquela atenção que ele hoje possuía, mas quanto mais crescia, mais entendia que na realidade a única coisa que ele necessitava era de amigos. Pessoas as quais verdadeiramente ele poderia confiar, mas, quanto mais se passavam os anos, mais atrativo ele parecia ficar, e foi inevitável: agora, no último ano da escola, Jeongguk era – claro que para os alunos – tão mais importante que o diretor, avô deste.

Ridículo, muito ridículo. Mas o que ele poderia fazer? Era somente um simples adolescente. Os ridículos eram eles.

— Vocês viram o novo aluno?!

Jeongguk levantou a cabeça, tirando a atenção de seu celular em mãos para se focar em um Kim Taehyung de sorriso quadrado e olhos brilhantes em uma animação desconhecida, as mãos espalmadas e corpo inclinado na mesa que se encontravam no pátio. Yoongi fez careta para o outro, empurrando-o para ficar longe de si, já que o Kim parecia quase cair em cima do mais baixo pela clara animação.

— Taehyung, olhe ao redor e nos diga: quantos novatos você vê por aqui? — Hoseok indagou, risonho, arrancando um olhar seco do mais alto. — Você realmente não perguntou isso!

— Eu tô falando do novato da nossa sala, hyung. Não dos primeiros anos.

— Não, não vimos, mas o que isso importa? — O baixinho do grupo resmungou, carrancudo. Irritar Yoongi era clamar por uma morte. — Você quase me esmagou, seu idiota.

— O que importa é que ele é absurdamente adorável! — E o sorriso do outro se fez presente mais uma vez. Jeongguk poderia jurar que já estava perto de ficar cego, de tanto brilho que os dentes alheios esbanjavam. — Vocês vão amá-lo! Ele veio de Busan, não conhece nada daqui e nós nos tombamos no corredor, aliás, eu quase quebrei o óculos dele, meu Deus...

— Oh, mesmo? — Seokjin indagou, olhando para Jeongguk com um sorriso. — Ele veio de Busan, Kookie. Pode ser que vocês já se conheçam.

— Eu vim de Busan com três anos, hyung. É bem óbvio que eu não o conheço. — O mais velho fez bico, fazendo seu namorado, Kim Namjoon, rir baixinho com os olhos ainda vidrados no celular que possuía em mãos.

— Sim! Ele veio de Busan, mas parece ser muito tímido. — Jeongguk deu de ombros, afundando-se na cadeira dura e desconfortável como quem não quer nada. — Eu posso ficar com ele, não é?

Todos bruscamente fitaram o outro, assustados demais para pensar no sentido Taehyung da frase que sempre era dita quando o próprio queria adotar e proteger um ser adorável aleatoriamente na rua ou quando achavam um amigo fofo o suficiente para conquistá-lo e derretê-lo em segundos. Taehyung era um bebezão, literalmente falando, considerando que de pequeno o Kim não possuía nada.

— Claro, claro. — Jeongguk assentiu, dando de ombros levemente quando o outro sorriu animado. — Pode sim. Certifique-se de mostrá-lo a escola inteira depois, pode também ir ensinando-o as regras daqui, considerando que já é um novato do terceiro. Jieun terá de lidar com o primeiro ano sozinha esse ano. Não vou ajudá-la como ano passado. — Falou, fazendo careta com somente a menção. Jieun era uma líder de torcida bastante famosa pela sua beleza angelical, e Jeongguk admitira já ter ficado algumas vezes com esta, mas nada muito sério. Ambos eram amigos demais para pensar em se pegarem loucamente no quartinho do zelador.

— Pode deixar comigo, capitão. — Assentiu, sorridente. Jeongguk fez careta e Hoseok riu alto. — Posso trazê-lo para conhecê-los depois?

— Nós estávamos pensando em começar a tratar dos dias para os testes. — Taehyung entristeceu-se levemente. Jeongguk suspirou. — Okay, deixamos para amanhã. Mas quero que aconteça daqui a alguns dias, nós temos que nos preparar e muito para os jogos.

— Claro, claro. Mas agora eu vou falar com o baixinho, até depois. — E despediu-se, ainda sorridente, correndo animado para longe dos olhos afiados de Jeongguk quando o mesmo negou levemente com a cabeça e riu soprado.

Yoongi resmungou, e Namjoon começou com uma conversa aleatória de como suas férias haviam sido entediantes sem Seokjin, pois o mais velho havia viajado com os pais uma última vez antes de se formar, como que uma despedida para a adolescência. Hoseok também começou a falar de como havia sido chato seus dias sem eles para distraí-lo, sem os beijos babados de Taehyung ou os murros de Yoongi, sem as risadas de Namjoon, as repreensões de Seokjin e os resmungos de Jeongguk. Sem, basicamente, aquele grupo de amigos a quais ele já era tão acostumado, e que traria muitas saudades pela frente, quando ambos deixassem aquela escola e fossem seguir a vida adulta. Todos costumavam adiar aqueles pensamentos, de como seria um futuro, mas, particularmente, Jeongguk não possuía medo algum dele. Adorava a liberdade. Queria viver independente como sempre sonhou, sua própria vida e seus próprios sonhos, conhecer novas pessoas e viver novas experiências. Jeongguk queria ir além do esperado e do normal. Então por que temer um futuro que já era tão almejado por si?

Jeon Jeongguk era basicamente um perdido, perdido nas profundezas da vida e nas incertezas desta. Perdido em um mundo que era tão diferente de si.

 

 

 

O primeiro dia de aula sempre foi o pior.

Jimin sabia daquilo. Sabia que, por ser tímido e recatado e absurdamente feinho – como seus antigos colegas de turma insistiam em chamá-lo –, atraía olhares mal encarados. Era consideravelmente normal para si ser excluído, mas Jimin nunca gostou de sentir o sentimento de solidão, era sempre tão frio. Porque sinceramente... ele nunca entendeu. Nunca entendeu porque era defeituoso, se sua omma sempre frisou para ele que ele não possuía defeitos.

Tudo bem que ele era um pouquinho mais cheinho que os outros adolescentes, um pouco mais tímido, um pouco mais apagado, um pouco mais descuidado. Tudo bem que ele não gostava de vestir roupas que ficassem apertadas em seu corpo e preferisse seus adoráveis moletons. Tudo bem que ele nunca trocasse seus óculos por lentes. Tudo bem que ele não tivesse luxo suficiente para estar na escala de adolescentes tão ricos... Tudo bem. Jimin sempre gostou da simplicidade e sempre fora humilde. Mas por que ele tinha de ser tão errado por não possuir nada daquilo?

Era asqueroso por simplesmente ser ele. Em sua cabeça, o erro sempre fora consigo. Ninguém nunca parou para falar consigo com a educação que todos deveriam ter aprendido, ninguém nunca perguntou se ele precisava de ajuda após ser derrubado no meio do corredor da escola e ninguém nunca lhe estendeu uma mão amiga. Se o mundo era contra si, o errado era ele. Jimin se sentiu tão mal, tanto... O que ele havia feito? Durante algum momento de sua vida havia agido mal, indo contra tudo que sua omma havia lhe ensinado? A pequena mulher, então, assistia aflita o filho perder cada vez mais o brilho; cada vez mais a alegria. MinJi não poderia deixar seu pequeno garotinho puro perder aquele tão maravilhoso sorriso, então, como um modo de protegê-lo, mudou-se para Seul. Jimin foi aceito em uma das melhores escolas, com seu histórico impecável de notas altas, sem faltas ou qualquer reclamação. Aquilo, para si, foi a esperança de que ele finalmente poderia começar uma nova vida.

E, agora, se encontrava parcialmente encolhido em seu assento, a cabeça baixa e os olhos assustados, sentindo-se deslocado pelo ar estranho que o rondava. Jimin não sentia-se cem por cento confortável, não por não ter amigos – pois isso já era algo bem aceito por si há muito tempo – e sim por algo que lhe desconhecia. Observar aquele amontoado de alunos bem vestidos, todos bonitos e pomposos lhe dava um aperto no peito... Mas ele não tinha nada mais o que fazer. De qualquer modo, mesmo que não quisesse se olhar no espelho, saberia sempre que seria feio. O aquelas bochechas enormes lhe diziam? Aquelas mãos pateticamente pequenas e gordinhas, aquela porcaria de peso... Jimin odiava se olhar em um espelho, mas não fazia por mal. Aprendera que olhar seu reflexo fazia mal a si próprio.

— Olá, Chiminnie. — Uma voz rouca lhe tirou de seu torpor, e o coração de Jimin parou de bater por alguns segundos com aquilo. Ele realmente voltara para vê-lo? Quando esbarrara com Kim Taehyung no corredor jamais pensou que ele realmente iria querer conversar consigo outra vez. — Tudo bem eu sentar aqui com você?

Os olhos do pequeno Park se mantinham esbugalhados atrás das lentes dos óculos, e suas bochechas coraram afoitamente quando o mais alto sorriu levemente, simpático, como se quisesse vê-lo confortável em sua presença. Admitia sim que se mantinha tenso. Mas era somente sua parte sensata querendo protegê-lo de mais dores futuras. Jimin sabia como as palavras machucavam, mais que ninguém.

— C-Claro, T-Taehyung-ssi. — Sussurrou, envergonhado.

— Não precisa de tanta formalidade, Chim. — O garoto fez bico quando sentou-se a seu lado, exibindo um sorriso tão bonito e estranhamente quadrado que lhe deixou menos tenso e encolhido. — Nós temos a mesma idade. Não precisa ser formal comigo, claro que não. Mas me diga, bebê, já fez amigos?

O silêncio e claro embaraço do outro lhe deu uma resposta. Jimin comprimiu os lábios, olhando o outro de maneira envergonhada quando Taehyung fitou-o diretamente, esperando uma resposta mais clara. O apelido lhe deixou corado fortemente, céus, como alguém poderia chamá-lo de bebê? Sequer conheciam-se e decerto ele não tinha nada de bebê, aish, que vergonha.

— P-Perdão, c-como?

— Já fez amigos, pequeno? Se não, pode me dizer, eu faço eles lamberem aquele chão porque quem negar uma amizade com você já pode ser considerado um idiota. Você é adorável, ChimChim. — O suspiro pesado do outro lhe deixou atônito. Taehyung parecia uma pessoa que acabara de conhecer o ser mais fofo do mundo, e céus, Jimin não era fofo! Ele era estranho. Ele não conseguia ver através daquele amontoado de roupas que lhe protegiam?

— E-Eu? T-Taehyung-ssi, eu não s-sou f-fofo... Eu sou gordo. E feio. Por favor, não precisa ter pena, não se obrigue a ficar perto de mim simplesmente porque eu estou aqui sozinho. Eu passei dezessete anos da minha vida sozinho, na escola ou em qualquer lugar, já estou mais que acostumado, mas não precisa fingir ser meu amigo, você com certeza deve ter uma imagem a manter e um nome a zelar e eu nunca iria querer destruir isso... Você pertence ao time de basquete. — E fitou seu casaco, aquele a qual ele, dois anos atrás, vestira tão orgulhosamente... E que agora parecia simplesmente mais um casaco seu sem importância. — Você é popular, eu vi a maneira que te chamavam nos corredores quando nos conhecemos. Eu ficarei bem. — E sorriu, as bochechas salientes se tornando tão fofinhas que a vontade de apertá-las lhe deixou de peito doído. Céus, a doçura de Jimin era incrível, sempre lhe sussurrando aquelas palavras docemente e carinhosamente, certificando-se de sempre ser educado. Mas que lhe diziam palavras dolorosas. Céus, como assim gordo? Taehyung via somente naquele pequeno menino a beleza de um anjo inocente. E aqueles olhos, tão pequeninos e agora transformados em dois risquinhos, sempre fitando-lhe com carinho... Ah, Taehyung estava abobado. Pelas palavras horríveis e por Park Jimin.

— Eu jamais iria querer ser seu amigo por pena, Jimin. — Fitou o mais alto, olhando fundo em seus olhos e observando naquele castanho infinito que Taehyung falava a verdade. Sua face estava séria, e impassível, e ele era tão bonito e semelhante a um Deus grego que Jimin sentiu-se um patinho feio perto de si. Como não? Ele era tão diferente de si que, quando se conheceram, temeu que Taehyung fosse seu novo inferno particular, mas não: ele queria ser seu amigo. — Feio? Gordo? Jimin, olhe para si próprio de verdade: você vê realmente isso?

O pequeno Park, entretanto, somente assentiu, encolhido. Taehyung estudou-o por longos segundos antes de sorrir amavelmente e acariciar-lhe os cabelos negros com a palma da mão grande. Jimin sentiu seu coração se derreter com aquela carícia... Quando alguém, além de sua mãe, o tratara daquela maneira? Ele não conhecia Taehyung, mas, de verdade, sentia como se o conhecesse a longos e longos anos.

— Você é lindo, pequeno. — O corpinho do outro se derreteu com o carinho desferido, ainda, em seus fios sedosos. Jimin corou quando o mais alto sorriu, aquele sorriso quadrado e desprovido de más intenções; um sorriso amigo. Um sorriso de uma pessoa que ele já sabia que poderia confiar plenamente. — Tão lindo que me arrisco em dizer que seu sorriso é o mais bonito que eu já tive o prazer de ver. Tão fofinho...

E, sorrindo bobamente, Jimin viu quando Taehyung negou todas as ofertas de saída para passar as horas consigo, sempre lhe sorrindo atencioso e fazendo o necessário para ele sentir-se confortável consigo, sempre relaxado o suficiente para manter uma conversa saudável e sensata, legal.

E, no outro dia, ele lhe esperava na entrada do colégio: como bons e leais amigos.

 

 

 

Jeongguk fugia de um trilhão de meninas quando ouviu, banalmente, um grupo de garotas comentar sobre o tal aluno novo que agora era considerado amigo de Taehyung. Jeongguk não se importava muito em conhecer os amigos de seus amigos, de verdade, sempre foi um tanto antissocial e fechado, mas desde o dia anterior se mantinha um tanto curioso sobre a chegada daquele menino. Segundo Taehyung, ele era fofinho; segundo aquelas meninas, ele era gordinho. Sua curiosidade triplicou com os lábios franzidos das meninas quando todas se fitaram a procura de uma resposta para aquilo: por que um dos meninos mais populares da escola iria ser amigo daquele novato esquisito?

— Cadê o Taehyung? — Namjoon indagou, no segundo dia de aula, quando todos se puseram sentados na típica mesa dos “populares do time de basquete”, tal que até as líderes de torcida se mantinham sentadas. Jeongguk deu de ombros, ao que Kim Yugyeom bagunçou-lhe os cabelos quando sentou-se a seu lado. — Oh, eu não o vejo desde ontem. O que será que aconteceu?

— Ele estava com o novato. Park Jimin, se eu me lembro bem, não é? Era só o que se comentava aqui ontem. — Seokjin respondeu, pensativo. Yoongi franziu o cenho.

— Eu ainda não o conheci. Bonito?

— Também não o vi. Mas as meninas disseram que não, acredita?

Jeongguk tossiu brevemente com o comentário. Não, não, sem conversinhas afiadas. Ele odiava tais coisas, principalmente daquelas meninas que carregavam mais quilos de maquiagem no rosto que dignidade na alma.

— E desde quando vocês acreditam no que as meninas dizem? — Ele se referia propositalmente ao amontoado de meninas que se preocupavam somente em se manter bonitas o suficiente para os meninos mais cobiçados. Jeongguk se orgulhava e muito em dizer que descartou aquelas meninas tão banalmente para fazê-las enxergar a verdade, mas se frustrava ao perceber que músculos e status eram as únicas coisas que elas enxergavam além de beleza e dinheiro. — Esqueceram que elas inventaram aquela mentira, daquela vez, onde disseram que o Namjoon havia dormido com a Jihyo?

O citado, então, fez uma careta horrível ao lembrar do ocorrido. Ainda lembrava de como batalhara para ter a confiança de seu namorado, quando este descobrira que ele se embebedara tanto que quase beijara a menina de lindos olhos grandes. Seokjin, então, bufou e assentiu.

— Conheçam-no primeiro para depois falarem algo. É feio dizer mentiras. — Jeongguk sorriu torto quando todos assentiram de leve. Logo, a atenção de todos foi roubada por dois jovens garotos que entraram no local, risonhos e alheios.

Taehyung apareceu na vista de todos carregando nos braços um monte de livros pesados e de aparência um tanto velha, mas rindo e aparentemente conversando com um pequeno ser de estatura baixa e que agora se mantinha de cabeça abaixada; logo, o refeitório inteiro se tornou silencioso com a chegada de ambos.

Jeongguk prendeu seus olhos no garotinho e, somente pelo andar gracioso e o modo como ele prendia dois livros firmemente ao peito coberto, como se este lhe fosse precioso, lhe chamou a atenção. Taehyung não parecia nenhum pouco incomodado em carregar pelo menos cinco livros em seus braços, e julgar pelo seu sorriso gentil, Jeongguk constatou que aquele garoto se tornara muito importante para ele em menos de vinte e quatro horas. Somente seu olhar carinhoso para o pequeno ser de fios negros e aparentemente macios – já de longe brilhosos e bonitos –, já lhe dizia tudo. Ah, aquele seria Park Jimin?

— Olá, hyungs, noonas!

Todos responderam prontamente, e quando o Kim sentou-se a mesa – ao lado de Yoongi –, fitou o outro e sorriu-lhe amável quando Jimin sentou-se a seu lado, encolhido e terrivelmente corado. Todos os olhares se mantinham presos no pequeno menino e, por causa de tamanha pressão em cima de si, o mesmo começou a ofegar, nervoso e envergonhado. Não era acostumado com atenção; Jimin era sempre um inútil no meio das outras pessoas. Desde quando ele passara a ser tão importante ao ponto de atrair tantos olhares e o pior, de pessoas populares? Seu destino se baseava somente em ser um saco de pancadas. Ele não era nada mais que isso, mesmo que soubesse que valia muito mais do que as pessoas lhe diziam; sua mãe o garantia que sim. E ele sempre confiaria em sua omma de olhinhos fechados.

— Oh, Taehyunggie, seu amiguinho novo? — Seokjin indagou, amavelmente. Jimin encolheu-se em seu lugar, desconfortável e tímido. Taehyung prontamente passou seus braços ao redor dos ombros pequenos. — Apresente-se, pequeno. Nós não vamos te morder.

O garoto ergueu o rosto, as bochechas fartas coradas e os olhos castanhos e tímidos afoitos. Ele claramente queria se esconder em suas próprias roupas, largas demais para seu corpo pequeno. Seus lábios carnudos até tremiam de leve, e aquilo era tão absurdamente adorável para Jieun que a mesma prontamente sentou-se a seu lado para fitá-lo de olhos arregalados e bochechas infladas. Jimin se encolheu e fitou-a de maneira hesitante, ao que Taehyung fitou a amiga de olhos brilhantes.

Aigoo, você é tão fofinho!

Não foi sequer dois segundos; logo, todos acercavam o pequeno Park para apertar-lhe as bochechas ou choramingar em como o menino era fofo e pequenino; delicado. Jeongguk viu por detrás daqueles óculos horríveis que escondiam aqueles olhos doces – ele sabia que eram doces, sim, Jimin parecia ser absurdamente dócil –, claro amedrontamento para com seus amigos, mas não era para menos. Hoseok agora agarrava o pobre menino a ponto de quase sufocá-lo!

— Vocês querem matá-lo? — Yoongi resmungou, fitando Hoseok de maneira fuziladora quando o Jung sorriu-lhe amarelo e pediu desculpas silenciosamente pelos olhos pidões. — Soltem-no. Deixem-no respirar, bando de desmiolados.

Taehyung fez bico, carrancudo.

— Eu não sou desmiolado, hyung, eles são! Estão agarrando meu ChimChim como se ele fosse algum tipo de carne, e eles são os leões!

— Deixa de ser dramático e deixa ele respirar. Vamos, menino, pode respirar a vontade. Jieun, solta ele. — E fitou a líder de torcida de olhos tediosos. Seokjin puxou a menina que com custo se soltou do pequeno ser encolhido e assustado, de óculos tortos e cabelos bagunçados. — Pronto, finalmente livre. Qualquer dia vocês matam uma pessoa, credo.

— Park Jimin, certo? — Os olhos afiados de Jeongguk nunca deixaram Jimin, em nenhum momento. O próprio até se sentia nu diante do olhar do capitão do time de basquete, sempre focado em si e somente em si. A voz rouca do outro lhe deixou deslocado. — Você está bem?

Jimin soltou um arfar pesado, assentindo lentamente quando fitou profundamente fundo nos olhos de Jeongguk e corou de leve. Eles eram negros e avaliadores, e lhe deixaram estranhamente pequeno diante deles. Taehyung sorriu bobamente e espremeu as bochechas fartas por entre os dedos longos.

— S-Sim.

— Você veio de Busan, certo?! — Jung EunBi, uma das bonequinhas do colégio, sentou-se ao lado do menino e sorriu-lhe largamente. Jimin se assustou levemente pela aproximação e assentiu rapidamente. — Você é adorável, Park Jimin. Não entendo porque essas imbecis disseram que não. — E, dizer que eles não estavam sendo a atração do refeitório seria a pior mentira do século. Praticamente todo mundo os fitava, mas, de qualquer forma, Jeongguk não sentia-se nenhum pouco afetado por aqueles olhares.

— Aigo... — O garoto sussurrou, envergonhado, ajeitando os óculos mais adequadamente com seus dedinhos miúdos. — E-Eu n-não sou fofi—

— Você é lindo, isso sim. — Jieun sentou-se a seu lado, sorrindo largamente. Seus belos olhos negros presos no Park corado, que tornou-se ainda mais nervoso com a aproximação de uma menina tão bela perto de si. — Suas bochechas são fofinhas. — E riu, graciosamente.

Hoseok choramingou e sentou-se ao lado de Taehyung, inclinando-se na mesa para se aproximar mais do garoto.

— Está gostando da escola, Jimin-ssi?

— O-Oh, e-ela é maravilhosa, s-sim. — Respondeu, em um fio de voz. Jeongguk apreciou aquela bela voz doce, e mesmo assim rouca, como um tipo de som bastante agradável aos seus ouvidos. Jimin sorriu levemente, tímido. — Be-Bem diferente da m-minha antiga.

— Oh, era muito ruim? — A imensa curiosidade de Namjoon foi impossível de ser controlada. Jimin riu levemente e negou.

— Não, somente os alunos de lá. Eles... Não gostavam muito de mim. — E lembrar de longos e terríveis doze anos sendo menosprezado por aquelas pessoas já lhe deixava de aparência abatida. Mas era passado. Jimin tinha de erguer a cabeça e deixar tudo para trás, mesmo que soubesse que uma hora ou outra a verdade bateria em sua porta: ele teria de deixar de menosprezar a si mesmo para seguir em frente.

Todos tornaram-se genuinamente confusos.

— Ora, por que? Você não falava muito com eles? — Hoseok indagou, verdadeiramente curioso. Jimin sentiu-se envergonhado por falar algo tão intimo para pessoas que ele conhecia a menos de dez minutos.

— E-Eu... Sou fora dos padrões. — Sussurrou, sorrindo amarelo. Jeongguk observou todos bufarem respectivamente. — D-Digo... E-Eu não tenho boa aparência, é-é.

— Eu não sabia que em Busan as pessoas eram cegas.

— Ah, meu caro, eu também não sabia, mas é bom entender que aqui em Seul as coisas são... um pouquinho diferentes. — E Seokjin dirigiu seu melhor olhar de sarcasmo para o grupinho de “menininhas da maquiagem alheia”, como eles próprios apelidaram. As meninas murmuraram irritadas. — Vai ter sempre em qualquer lugar uma pessoa que te julgue. Mas nós vamos te proteger. — E sorriu, um sorriso tão bonito e amável que Jimin perguntou-se pela milésima vez em um dia como pessoas poderiam ser tão bonitas. Céus, pra que tanta beleza? Jimin sentia-se intimidado somente com a pele perfeita daquelas pessoas, eles pareciam de porcelana... Jimin queria ser igual a eles. Mas era somente um bebezão choroso e ingênuo, nem beleza ele possuía, quem dirá popularidade por ser consideravelmente sociável em uma sociedade. Ele nunca seria nem remotamente uma pessoa “normal”, céus, quem dirá ser igual a eles?

Soltou um muxoxo, mas sorriu amplamente feliz ao final da frase do outro. Taehyung lhe apertou por entre os braços quando Jimin corou e abaixou a cabeça para sorrir com mais vontade, mostrando seus dentinhos tortos e – como sempre, ao seu ver – feios e desconfortáveis. Jeongguk, entretanto, somente continuou a observá-lo por imensos minutos, não deixando de perceber que Jimin, particularmente, fugia de seu olhar mais do que qualquer outra pessoa. Podia até mesmo perceber a forma como o mesmo suspirava, sempre estremecendo lentamente por algum motivo, mesmo que soubesse perfeitamente que seus olhos queimavam na pele branquinha do outro: sempre observando-o, como um caçador observando sua mais bela e fresca presa, e o melhor de tudo era não sentir-se arrependido por isso. Jimin era belo, de uma forma diferente. Jeongguk gastava seu precioso tempo contemplando o que seria, ao seu ver, quase que uma obra de arte limitada.

Ele era bonito, sim. Seja dentro ou fora dos padrões alheios e coreanos.

~

Faziam duas benditas semanas que eles estavam atrás de um novo armador para o time, e durante aquele meio tempo – a qual eles não estavam progredindo –, Jeongguk sentia-se irritado e frustrado. Estavam em seu último ano da escola, e saber que deixaria aquele esporte tão amado por si para trás para seguir os estudos que seus pais tanto queriam – a maravilhosa medicina –, lhe deixava tenso. Jeongguk não seria capitão do time de basquete se não tivesse ralhado duro por aquilo. Para seus pais, ele deveria ter sido o presidente do grêmio estudantil, mas isso nem de longe se comparava ao amor que ele possuía pelo esporte: seu avô lhe apoiara na decisão. E, de qualquer forma, seus progenitores passavam mais tempo viajando pelo mundo que contemplando o crescimento do único filho e herdeiro. Eles não se importavam, de qualquer modo. Contanto que Jeongguk sempre lhes trouxesse positividade nas coisas que eles mais almejavam, tudo estava bem.

Tudo estava bem. Quando uma frase nunca lhe pareceu tão errada quanto aquela?

— Aish, eu odeio quando isso acontece. — Im Jaebum resmungou, jogando a bola para Hoseok com desinteresse. — Quando alguém vai aprender a jogar de verdade?

Você, — Jeongguk apontou para um dos meninos que viera para os testes, pomposo e convencido, chamado Jackson Wang. As meninas cochichavam na arquibancada, e Jeongguk não duvidava nada de que ele estava ali, daquele modo, por causa delas e não pelo time e pela vaga. — Mano a mano comigo. — E jogou a bola sem aviso algum no estômago do loiro, que soltou o ar com força e se dobrou em dois, gemendo dolorido e de olhos arregalados. Jeongguk passou a mão pelo próprio rosto e suspirou, cansado. — Isso vai ser complicado...

— Ah, você acha? — Yoongi resmungou, entediado. — Nós vamos sair daqui somente de noite, adeus, cochilo sagrado das três da tarde. Nós vamos nos ferrar nesses jogos, com certeza.

E, não querendo se manter negativo, Jeongguk somente suspirou e esperou o outro se posicionar devidamente para começar os verdadeiros testes, se arrependendo amargamente logo em seguida quando tudo tornou-se tão horrível que até se embaralhando nas próprias pernas o menino estava: Jeongguk detonou o garoto em menos de dois minutos. Fora impressionante.

— Isso realmente vai ser complicado. — Hoseok murmurou, assobiando levemente quando Wang atravessou a quadra, praticamente correndo em direção a saída e atraindo risadas das meninas na arquibancada. O Jeon fez careta, sentando-se ao lado dos amigos.

— Muito complicado. — Suspirou, tossindo brevemente antes de continuar: — Próximo.

[...]

Jimin se encontrava pela milésima vez encantado com muitos livros em tão pouco tempo. A biblioteca da escola era enorme, e céus, para um amante da literatura, ele definitivamente estava no céu! Seus dedos se encontravam até tremidos da vontade incontrolável que ele possuía de pegar cada um de seus interesses, mas se continha para não deixar transparecer tanta euforia, afinal, ele não queria envergonhar a imagem do time com que estava andando. Surpreendera a muitas pessoas. Ele sequer fazia parte do time, se sentia imensamente agradecido com tanto acolhimento que estava recendo nos últimos dias. Jimin se sentia tão bem... Pela primeira vez em anos não estava sendo humilhado em qualquer canto de uma escola injustamente.

Bom... Pelo menos até agora.

— Ora, ora, olhe quem temos aqui... — Jimin se encolheu instintivamente com a voz feminina e desagradável de Kim Yerim, acompanhada de suas amigas irrelevantes e realmente fúteis. Os olhos da menina pegavam fogo. — O gordo. Ora, acha que somente por que anda com o time vai mudar a sua forma? Você é um porco, garoto, como é que o Tae pôde querer ser seu amigo?

Jimin se negou a levantar a cabeça. Sabia que, se o fizesse, seus olhos lacrimejantes seriam vistos por elas e Yerim saberia que aquilo o afetara, de uma forma que nem em mil anos ele poderia expor em palavras. Ele realmente tentara emagrecer, fizera mil e uma dietas para não ser aquele maldito garoto baixinho e obeso, mas suas dietas mirabolantes e perigosas lhe fizeram parar uma vez no hospital por desmaios constantes causados pela sua fraqueza iminente. Sua omma nunca lhe deixou fazê-la novamente, mas Jimin as vezes tentava. Mas nunca era o suficiente.

— Olhe para mim quando eu estiver falando com você! — A voz arrogante da menina lhe fez tremer o queixo. Fraquejou, quando uma mão delicada e feminina lhe levantou o queixo trêmulo para fitá-la nos olhos. O sorriso satisfeito nos lábios vermelhos foi o suficiente para sentir-se triste por aquela situação. — Ownt, meninas, ele está chorando. Coisinha ridícula, deveria aprender que seu lugar não é aqui e nunca vai ser, por que não volta pra sua casinha de baixo nível lá em Busan e nos deixa livre dessa sua cara? Além de porco, é pobre, poupe-me de tanta inferioridade, sim?

Jimin sentiu-se um lixo.

Por que tão cruel? Por que ele sempre, em algum momento de sua vida, tinha de passar por algo semelhante e mesmo assim sempre sentir-se afetado? Por que era sempre alvo de pessoas iguais Yerim, iguais aquelas meninas? Por que uma pessoa carregava tanto ódio no coração? Jimin não sabia, mas quando visualizou novamente o momento, percebeu que o aperto em seu queixo havia sumido, que seu medo também e que uma presença imponente a seu lado lhe fez desacreditado e incrédulo: Jeon Jeongguk, agora, fitando de olhos sombrios e cheios de fogo raivoso a menina pequenina. Jimin encolheu seu corpo institivamente pelo fato de que, secretamente, o capitão do time lhe fazia indefeso e frágil em sua presença sem sequer fazer conta, e naquele momento em especifico, praticamente lhe protegendo de mais humilhações e abusos, defendendo-o de fato. Céus, como assim?

— O que você estava fazendo com ele? — Jeongguk não era realmente alguém próximo de Jimin, na verdade, ambos pareciam fugir um do outro desde que se conheceram, então agir de maneira intima com o Park estava fora de questão. Yerim sabia que ambos nem próximos eram, Jimin era alguém tímido e recatado demais e Jeongguk era extremamente fechado para com o outro. Então, o ato de defesa lhe deixou perplexa e temerosa: Jeongguk não era de defender ninguém, principalmente pessoas que nem amigas suas eram. — Kim Yerim — Falou, pausadamente —, eu te fiz uma pergunta, e é bom que me responda a verdade. O que você estava fazendo com ele?

Joohyun engoliu em seco, de repente. Sooyoung tocou o pulso fino da menina e puxou-a levemente, os olhos banhando-se em medo. O que se esperar de Jeon Jeongguk inquisidor? O menino tacava terror quando queria. E definitivamente elas não queriam ver Jeon Jeongguk irritado.

— N-Nada. — E sorriu, nervosa. Jimin preferiu manter-se calado, encolhido, tremendo levemente ainda pela ação anterior da menina, agarrado firmemente ao livro que ele mais almejava naquela biblioteca com a felicidade de que finalmente o levaria para casa; Jeongguk, secreta e silenciosamente, achou adorável o modo com os dedos miúdos ficavam brancos pela força desferida no ato de agarrar um bem precioso. Sentia-se surpreso pelo fato de que ele nunca respondia a ninguém que lhe xingasse, somente tremia e tremia pelo puro terror, mas mesmo assim nunca defendia-se de um jeito correto. Tão frágil e inocente... Jeongguk, de repente, sentiu uma onda de proteção passando por seu corpo, Jimin necessitava de proteção. E carinho. E amor. Mas tais últimos ele não podia o dar, então contentou-se em pensar que proteção era a única coisa que ele poderia dar a Jimin em momentos como aquele. — N-Nós s-só e-estavamos c-conversando, J-Jeon-ssi.

O mais alto, então, sorriu torto e fitou-a de modo assustadoramente frio e sério: Jeongguk era um poço de indiferença, as vezes. O garoto possuía a áurea completamente diferente dos demais, era as vezes um rapaz misterioso, sedutor, conservador, sorridente ou falante. Ele era, simplificando, um poço de bipolaridade.

— Não foi isso que eu vi. — O tom firme e rouco fez os poucos pelinhos da pele de Jimin se arrepiarem completamente. E, novamente, aqueles olhos que pareciam ler sua alma se focaram em si novamente, e Jimin quis choramingar. Sentia-se tão deslocado perto de Jeon Jeongguk que parecia inumano, mas era a verdade. — Jimin-ssi? O que houve? Tudo bem com você?

O corar do mais baixo fez Yerim franzir os lábios de maneira irritadiça. Jeongguk fitou-a com descaso.

— S-Sim, Jeongguk-ssi. E-Está t-tudo bem. — E sorriu amavelmente, ajeitando os óculos mais firmemente, trêmulo, o ato não passando despercebido pelo outro. O coitadinho tremia e arfava pesadamente. Jimin possuía asma? — O-Obrigado p-por se pr-preocupar. — E ele não estava mentindo. Jeongguk sorriu levemente quando Jimin finalmente fitou seu rosto e sorriu corado, daquele jeitinho adorável e bonitinho que era tão raro de se ver. Yerim rosnou irritada pelos olhares de ambos e Jeongguk fitou-a de soslaio, percebendo de longe a vontade que a menina possuía de pular no pescoço do moreninho. — N-Não a nada de errado.

— Então vamos, Taehyung estava te procurando a horas. — Jimin suspirou em profundo alivio e assentiu freneticamente, observando Jeongguk dirigir um último olhar frio ao trio de garotas antes de virar-se para fitá-lo com mais precisão. — Quer pegar algum livro a mais?

O pequeno menino tornou-se tímido de repente e fitou-o, envergonhado.

— S-Sim, m-mas e-eu não al-alcanço. — Sussurrou, fugindo de seu olhar. Jeongguk riu soprado e levantou o olhar, procurando o livro que ele tanto queria. Jimin apontou e Jeongguk simplesmente levantou a mão para enfim pegá-lo, acarretando em um sorriso tímido do mais baixo para si. As bochechas fartas estavam em uma incrível tonalidade rosa, e tal cor era linda em contraste com Jimin. — O-Obrigado.

— Vamos. — Yerim fitou de maneira perplexa o capitão se afastar, com uma coisinha minúscula o seguindo fielmente, encolhidinho. Jimin não quis fitar a menina novamente, seu coração ainda palpitava pelas palavras cruéis e isso lhe deixava dolorido por dentro, emocionalmente. — Não adianta mentir para mim, Jimin, você sabe que eu sei.

O pequeno Park fitou o outro, assustado. Já haviam se distanciado daquela parte da biblioteca o suficiente para ninguém ousar ouvir a conversa de ambos.

— E-Eh?

— Eu sei que ela te agrediu verbalmente. E você ainda disse que não tinha nada de errado. — O tom da voz do Jeon era duro. Jimin suspirou, abaixando a cabeça. — Não abaixe a cabeça para ninguém. Você não é um cachorrinho, um fantoche ou muito menos um brinquedo. Você tem uma boca, sentimentos e opiniões. Defenda-os com unhas e dentes.

O coração do outro palpitou. Ele sabia daquilo, mas Jimin vivera a vida inteira somente ouvindo resmungos e vozes exaltadas dirigidas a si, sempre lhe falando asneiras e ele nunca pôde revidar; era somente um bolsista no meio de alunos ricos e de influencia tremenda, um mísero “a” e ele estaria sem a escola que lhe garantiria um futuro melhor. Um futuro promissor onde ele daria uma vida confortável a sua mãe, e não sofreria horrores por um pouco de comida todo mês.

E, de qualquer modo, Jimin era daquele jeito mesmo. Incapaz de fazer mal a uma mísera mosca, sempre protegendo aqueles que lhe faziam mal de qualquer maneira que pudesse. Poderia ser considerado idiota, bobão e ingênuo, mas Jimin era daquela maneira: puro. Inocente. Bondoso. Ele tinha sim sentimentos e se feria muito com aquelas palavras, mas aprendera a conviver com elas desde cedo. Ele possuía opinião, também: ninguém deveria ser julgado pela beleza, sempre andando a base de padrões. Mas quem ligaria?

E, julgando pelo silêncio do outro, Jeongguk soube que Jimin era incapaz daquilo. De se auto defender.

— Enquanto você andar com nós e principalmente comigo — frisou, deixando claro que sabia que todos o temiam ali. Pelo menos uma vantagem, pensou o Jeon, com um tanto de escárnio —, estará protegido aqui dentro. Só me ouça, Jimin: você tem que aprender a superar seus medos. Você não é um lixo para somente ficar parado esperando a rejeição. Você é um ser humano, que merece respeito. — O outro assentiu, fraquinho. Sentia-se inútil por nem saber defender-se devidamente. Jeongguk sentiu-se mexido com a cena. — Não deixe alguém te fazer achar que você é menos por causa da sua beleza. Elas são ocas por dentro, por isso disseram aquilo. Você não é um porco e não é vergonhoso ser humilde, na realidade, é um orgulho. Você é muito mais que milhares por aqui e deve saber disso com perfeição.

As palavras lhe acalmaram o coração; logo, um sorriso lindo adornava os lábios carnudos e vermelhinhos. Jeongguk descobriu-se preso naquele eye smile lindo, de olhinhos comprimidos e sorriso gigantesco e de dentinhos levemente tortos. Céus, Jimin era belo. Jimin era fodida e perfeitamente belo. Parecia um perfeito bonequinho de porcelana. Então como puderam colocar em sua cabeça que ele era o contrário?

— Obrigado, Jeonggukkie-ah. — A vozinha doce lhe agradeceu, carinhosa. Jeongguk não evitou perceber o apelido dócil e sorriu de leve, recebendo em troca um corar leve do outro. — D-Desculpa, e-eu...

— Tudo bem. É fofo. Eu gostei. — Jimin sorriu bobo, assentindo de leve. Jeongguk olhou para as próprias mãos e visualizou o livro que pegara para o outro, erguendo-o e entregando ao mais baixo, que suspirou bobo e sorriu. — Só precisa ir ao balcão falar com a bibliotecária. Eu já vou indo, Taehyung disse que te encontra no segundo andar daqui meia hora.

— Certo. — Jeongguk curvou-se levemente antes de virar-se para ir embora, tendo o olhar de Jimin preso em si quando o fez. — Obrigado novamente.

Jeongguk assentiu uma última vez antes de finalmente seguir seu caminho. E Jimin, pela milésima vez naqueles poucos minutos, pegou-se corando fortemente para o nada.

É, agora ele fazia parte do grupo dos populares. E era, aparentemente, o protegido de Jeon Jeongguk.

 

 

 

Aquela semana foi taxada como “a semana da festa de Byun Baekhyun”, o adorador de festas do terceiro ano – que, inclusive, havia reprovado, mas fora somente para esperar o namorado chegar ao terceiro para ficar junto de si –, sempre com as melhores festas, melhores bebidas e melhores orgias. Jeongguk já ficara muito chapado nas festas que Baekhyun costumava dar, mas desde a última vez que quase parara na delegacia, aquietara-se um pouco quanto as rebeldias de adolescentes. Mas isso não dizia que as festas ficaram entediantes, não, muito pelo contrário: agora, no último ano do ensino médio, parecia mais saboroso o sabor do perigo. Tudo parecia mais afrontoso.

E, como sempre, o time da escola já se preparava para comparecer. Jimin, entretanto, se mantinha quietinho em seu canto.

— Você vai, né, Minnie?! — Taehyung abraçou o pescoço do moreno, certificando-se de não estar machucando-o com o ato. Jimin possuía a pele branquinha e delicada e todos temiam machucá-lo desde os apertões que Youngjae havia dado nas bochechas fartas do menino e os vermelhos prevaleceram por dois dias seguidos. Jimin corou. — Você tem que ir!

— Eu não sei se posso... — Jimin nunca havia saído para uma festa. Seja de escola, com colegas, nada: o máximo que ele o fizera fora sair com sua mãe em datas comemorativas. Sua omma poderia não deixá-lo ir, mesmo que já tivesse seus orgulhosos dezessete anos nas costas. — D-Digo, eu t-tenho que pedir a minha mãe.

— Oh, tudo bem, se precisar eu peço com você! — Jieun sorriu docemente para o adolescente que sorriu largo e assentiu, alegre. Jeongguk riu por dentro pelo ato sorridente. — Mas me diga, ChimChim, você já foi a uma festa tão boa quanto as do Baekhyun? — Indagou, com um tanto de euforia. Namjoon riu.

— N-Não. N-Na verdade, eu nunca fui a uma festa. — Admitiu baixinho, envergonhado. Todos da mesa fitaram-no de modo perplexo.

— Como não, Chiminnie?! Em que mundo você vive?! — A voz incrédula de Hoseok saiu esganiçada.

— Aish, cala a boca, Hoseok. — Yoongi resmungou, carrancudo. — Mas é sério, Jimin? Digo, já era um tanto esperado, considerando os problemas que você disse possuir na sua antiga escola. Mas olhe, aqui é diferente. — E Jeongguk não podia discordar. Tirando as poucas pessoas que ainda olhavam torto para o menino fofinho – ainda mais nas aulas de educação física, quando este usava o short padrão, revelando um pouco da sua bela comissão traseira que arrancava muitos suspiros do professor tarado –, Jimin se tornara com certeza uma pessoa mais respeitada desde que começara a andar com eles, mesmo que jamais tivesse mudado seu modo de agir ou de se vestir. Ainda era aquele menino comum e apagado aos olhos alheios, mas todos sabiam que não deveriam tocar naquele garoto de tênis desgastado, moletom velho e jeans folgado. — Já ouvi boatos de que Kang Seulgi está de olho no ChimChim. — E, arrancando assobios, o Park arregalou os olhos por detrás dos óculos tortos e corou fortemente.

Jeongguk, novamente, não pôde discordar da fala. Já ouvira e muito que Seulgi – uma moça do segundo ano, famosa por ser representante do clube de gastronomia –, percebera Jimin entre os demais e agora o fitava com outros olhos. A menina era bonita, Jeongguk admitia, mas Jimin não era para ela. Ele acreditava que não. Parecia... errado. Seulgi era delicada e frágil, mas para ele, ela parecia mais decidida e forte que Jimin. Para si, Jimin era uma criança indefesa que necessitava de cuidado e atenção e Seulgi lhe parecia errada, considerando que em um relacionamento, ele, normalmente, teria que protegê-la. Mas Jimin precisava ser protegido. Kang Seulgi não era para Park Jimin, com toda certeza.

— C-Como a-assim, Y-Yoongi-hyung?

— ChimChim, você é virgem? — A pergunta de Jieun lhe pegou desprevenido. O silêncio, então, reinou no ambiente até Taehyung rir baixinho da face incrédula do tal indagado.

Jeongguk fitou um Jimin encolhido e corado, e julgar pela forma que o mesmo abaixou a cabeça e começou a brincar com a manga de seu moletom, a indagação estava correta. Jimin era puro, sim, e estranhou o fato de ter adorado saber daquilo.

Taehyung soltou um som risonho por entre os lábios e espremeu Jimin entre os braços, como se este fosse um ursinho. As meninas suspiraram bobas e o próprio Park quis se enfiar no solo e nunca mais sair. Aish, que vergonha...!

— Deus, tão fofo... — Sojung sussurrou, rindo de leve quando todos os meninos resmungaram que Jimin estava sendo o centro das atenções desde que chegou para com as meninas, e aquilo não era mentira. O pequeno Park parecia ser filho daquelas leoas. — Calados. Aceitem que dói menos. Jimin, meu amor, quer me acompanhar até a biblioteca para entregar um livro que eu já terminei?

Os olhos menino brilharam e Jeongguk relembrou o episódio na biblioteca alguns dias atrás, inevitavelmente.

— De!

Tão fofo!

É, ele nunca deixaria de ser fofo aos olhos daquelas pessoas. E isso não era necessariamente ruim, não.

~

Jimin chegou exausto em casa, mas já estava acostumado com aquilo. Sua mãe sempre chegava algumas horas depois, mas naquele dia, em especifico, MinJi chegou bastante adiantada do trabalho, e encontrou Jimin parcialmente deitado sobre seus livros e cadernos escolares na mesa de jantar quando entrou na cozinha. Seu filhote estava terrivelmente ocupado desde que entrara no colégio, e ela não poderia estar mais feliz em saber que este fizera amizades. Jimin merecia. Seu pequeno tesouro merecia felicidade, e ela sabia daquilo mais que ninguém.

— Meu amor? — Sussurrou, acariciando os fios negros e curtos. Jimin acordou sobressaltado e focou os olhos castanhos na progenitora, sorrindo bobamente com os olhos ainda inchados pelo sono e miúdos enquanto procurava seu óculos pela mesa. — Guarde seus materiais. Vá tomar banho enquanto eu faço o jantar.

— Eu já fiz, omma, e também já tomei banho. Só precisa esquentar. — MinJi sorriu agradecida e Jimin bocejou, guardando com um cuidado imenso os livros que quase custaram sua casa e seus rins. — Eh... E-Eu queria falar com a senhora.

Os olhos pequeninos e divertidos da mulher se focaram na face tensa do filho. Jimin nunca fora de gaguejar consigo, nem nas raras vezes que mentira, então ficou plenamente curiosa.

— Pode falar.

— Omma... Eu posso ir a uma festa?

O tom baixinho e receoso – bastante semelhante ao seu, na adolescência –, denunciou sua vergonha e hesitação. MinJi sorriu largamente pela indagação, seu filho indo a alguma festa? Seria algum tipo de alucinação, Deus?

— Com os seus amigos? — Jimin assentiu. — Na casa de algum coleguinha? — Era até engraçado a pergunta. Mães. — Tipo... festas de adolescentes?

— Sim, omma. E-Eu... Posso? Se quiser eu posso ficar em casa, vai ser na sexta e eu sei que a senhora trabalha na sexta então eu posso ficar cuidando da casa se quiser.

— Que nada, meu filho! Você pode ir! — Era palpável a alegria da mais velha. Jimin sorriu largamente e agradeceu baixinho. — Ah, eu ainda quero conhecer os seus amigos! Eles devem ser encantadores!

— Sim, omma, eles são. — Jimin riu de leve quando imaginou uma cena onde sua mãe conheceria Taehyung, céus, seria hilário. — Mas agora eu irei dormir. Estou exausto.

— Sim, meu bebê, vá. — A pequenina mulher beijou as bochechas fartas amorosamente quando o pequeno rapaz virou-se para voltar a seu quarto. Era uma casa simples e humilde de apenas dois quartos, então Jimin com certeza não se perderia em um monte de corredores como com certeza seria se estivesse em uma das mansões de seus amigos. Eles eram milionários. Jimin pegou-se pensando milhares de vezes como pessoas poderiam ser tão ricas com tão pouca idade, mas era como sempre dizia, era a sorte.

Ele era azarado, de qualquer maneira. A única sorte de Jimin foi ter a mãe que tinha, sua pequena e preciosa mãe. Mas aquilo bastava, para ele. Ele não precisava ter milhões e mais milhões em sua conta bancária e ser um mimado arrogante, ele agradecia muito por ter sua pequena casa, comida todo dia e sua mãe ao seu lado, dando-lhe amor e carinho sempre que necessário.

Ele não precisava de dinheiro se possuía amor. O mais puro e sincero de todos: o de sua omma.

 

 

 

Os boatos quanto a festa da semana se espalharam rápido, e com elas vieram mais indagações sobre a provável “pureza” de Jimin: absolutamente todo o time ficou incrédulo ao saber que sequer beijar o menino havia beijado, e que a face de menino inocente não estava ali por acaso. Ele realmente era inocente. A timidez em excesso não era por acaso, ele jamais havia visto outro ser nu sem ser ele mesmo! Surpreendente era pouco, todos ficaram absolutamente chocados.

E, foi a base daquele empecilho para com as meninas – Jimin era terrivelmente vergonhoso, mas com as meninas ele ficava mil vezes mais – que Jieun garantiu que na festa de Baekhyun ele perderia sua tão preciosa virgindade. Precisava nem citar que o Park parara na enfermaria, certo? O menino até mesmo parara de respirar com a afirmação, que viera em uma hora imprópria, na hora da refeição, o pior horário para se dizer a um menino virgem, tímido e nervoso que ele perderia a virgindade dele em sua primeira festa oficial:

— Na sexta você perderá a sua virgindade, ChimChim, e vai ser com a Seulgi!

Ele agradecia aos céus e todos os deuses existentes que o refeitório inteiro não ouviu, mas o pobre Park pagara caro por aquela ideia ridícula, primeiramente. Quem agendava o horário de perda de virgindade? Pelo amor de Deus, né?

Jeongguk revirou os olhos pela centésima vez em um só segundo quando Jimin, a seu lado, encolheu-se ligeiramente quando um adolescente bêbado esbarrou-se em si, seguindo uma garota de saia curta demais para olhos inocentes. O garoto estava com o rostinho em um puro vermelho vivo, e Jeongguk evitava rir para não assustá-lo mais ainda. Céus, onde diabos haviam se metido seus amigos?

Baekhyun sequer estivera presente para recepcioná-los, na realidade, Sehun – “o inexpressível” – dissera que o mesmo agarrara Chanyeol – o dumbinho bobinho – quando a festa recém-começara, então provavelmente ambos estavam se agarrando por algum lugar da enorme casa, e o pior era saber que teria de ser babá de Jimin por motivos óbvios: ele teria de tomar conta do Park por aquela ser sua primeira festa. Ele somente não queria presenciar a hora que Jieun colocaria em prática aquela maldita ideia de tirar a virgindade do moreninho com aquela ridícula plastificada da Kang Seulgi.

Céus, o que diabos dera nele?

— K-Kookie? — O sussurro do outro sequer fora ouvido por si, e Jeongguk suspirou em profundo alivio quando vira de longe Taehyung puxando um Yoongi que puxava um Hoseok que puxava Seokjin que puxava Namjoon e assim adiante, Deus, pra que tanta pessoa? — K-Kookie?

— Hum?

Jeongguk fitou os olhos bonitos do mais baixo – sempre com aqueles óculos, mas na realidade, Jeongguk se acostumara em vê-lo com eles, mesmo que sempre afirmasse que Jimin ficava melhor sem –, repletos de carinho quando ele o fitou. Jeongguk viu um pequeno sorriso aparecer nos lábios carnudos e vermelhinhos.

— Você pode ir se divertir. — Falou, mas seu corpo meio tenso lhe garantira que ele não estava nenhum pouco a vontade ali. Jimin quisera se manter mais “arrumado” para a festa aquela noite, mudara um pouco de seus confortáveis moletons para uma camiseta larga e preta, que cobria parcialmente até as coxas – perdidamente roliças do outro, julgando pela calça apertada que ele usava –, os cabelos negros e perfeitamente cortados repartidos ao meio e seus fieis tênis surrados. Ele estava lindo, e não precisara de mil horas dentro de um banheiro para estar assim. — E-Eu fico com o Taehyung.

— De verdade? Vai ficar bem? — Jeongguk não confiava muito em Taehyung numa festa; a última vez que deixara sua carteira nas mãos de Kim Taehyung bêbado, ele perdera todos seus documentos de uma só vez. — Se quiser eu posso ficar com você e...

— Não, tudo bem, vai se divertir. Você merece. — Jimin se referia aos acontecimentos dos últimos dias que haviam dado muita dor de cabeça ao capitão. O novo jogador do time, não tão bom quanto deveria ser, mas o suficiente por hora até treinar o bastante para cobrir as necessidades do time. Jeongguk já tivera muita dor de cabeça com o insolente do Kim Taemin. — E-Eu vou tentar me divertir também. — E sorriu, sem estar realmente muito seguro. Jeongguk assentiu de leve quando inclinou-se para beijar a testa do outro, em um carinho singelo, a qual estava se tornando rotineiro quando ambos estavam sozinhos. Jimin acalmou seu corpo e corou de leve quando Jeongguk se afastou.

— Tudo bem. Até. — E Taehyung acenou para o Jeon quando o mesmo se afastou, não deixando de pensar que deixá-lo sozinho, provavelmente, estava sendo algo errado, mas seguindo seu caminho mesmo assim para a cozinha atrás de bebida. Jimin suspirou frustrado, sentindo seu interior revirar-se de nervosismo pelo que provavelmente estava por vir quando Taehyung foi juntar-se a um grupo de adolescentes para dançar na pista de dança, Hoseok e Yoongi sumindo casa a dentro e Namjoon e Seokjin se pegando ao seu lado no sofá.

Oh, céus, ele estava perdido.

~

Jeongguk, parcialmente, prensava o corpo de Hwang EunBi contra uma mesa próxima a si e beijava seus lábios quando sentiu um perfume conhecido – completamente conhecido – passando por si rapidamente.

Foi inevitável, logo, seus olhos acusatórios e curiosos fitaram uma Kang Seulgi puxando a mão de um Park Jimin meio cambaleante em direção as escadas, sorrindo sacana para o garoto corado enquanto fitava-o como se fosse a presa mais deliciosa. A menina sob si lhe puxava a camisa, querendo retomar o beijo, mas as mãos inquietas de Jeongguk não eram porque queria tocar aquele corpo abaixo de si com segundas intenções, e sim porque observava Jimin subir aquelas escadas, com Seulgi. Desde quando ele realmente quisera perder a virgindade com ela?

— Jeon-ah... — EunBi murmurou, sedutora, acariciando seus braços e beijando seu peitoral por cima da camiseta, onde seu coração batia desenfreado. O sorriso sedutor não lhe deixou nada mais que agoniado. — Olha pra mim.

— Me desculpe, Hwang. — A menina soltou um muxoxo quando Jeongguk liberou-a de seu aperto estreito. — Mas eu tenho que ir.

E foi. Andou tão depressa escada acima que quase atropelou as pessoas pelo caminho, apressado, entrando no corredor dos quartos e sentindo-se para baixo quando visualizou-os todos trancados. Então ele realmente dormiria com ela? Jeongguk riu de leve, planejando voltar para baixo quando um som característico de porta se abrindo foi ouvido e um corpo se jogou em cima do seu, bruscamente.

Jimin estava bêbado. De verdade. Se sentira tão deslocado no meio daquele amontoado de alunos desconhecidos que fora atrás de bebida, não sendo nem a metade do primeiro copo e já estando cambaleante e terrivelmente tonto, lembrando-se vagamente de Seulgi lhe incitando com sussurros indevidos em seu ouvido para ele ir ao segundo andar com ela. Foi. Para somente ser jogado na cama brutalmente e ter mãos femininas lhe tocando o abdômen branquinho, tateando sua calça de maneira afoita e lhe indagando um:

— Alguém já te chupou, gatinho?

Que deixou Jimin assustado.

O Park arregalou os olhos, corado, totalmente assustado e nervoso, levantando-se de maneira abrupta e deixando para trás uma menina de joelhos, olhos arregalados e face perplexa. Jimin correu porta afora e quando percebeu, estava nos braços de Jeongguk, mas abriu a primeira porta que viu para esconder-se e consequentemente puxou o Jeon para dentro junto de si.

Jeongguk fitou um Jimin ofegante e trêmulo, de cabelos desgrenhados e olhos arregalados, parecendo terrivelmente assustado se julgar pela palidez de seu rosto. Não era incomum para si vê-lo daquela forma – Jimin sempre tinha de estar metido em alguma situação vergonhosa que lhe fizesse ficar daquele modo – mas ele estivera, a pouco mais de segundos, em um quarto com uma garota. O que havia acontecido para vê-lo daquela forma?

— O que você faz aqui? — Jeongguk estava chocado. Era realmente o que estava pensando? Ignorava, parcialmente, a pequena parte de seu ser que pulava afoitamente pela hipótese. Jimin fitou-o de olhos brilhantes, com uma fina camada de lágrimas do puro terror e vergonha, escorado na porta de modo aliviado. — Jimin, você fugiu de Kang Seulgi?

O Park corou antes de assentir.

— Fugi. — Admitiu, envergonhado. Jeongguk ergueu uma sobrancelha e fitou o mais baixo de braços cruzados, o quarto mal iluminado pelo fato de somente um abajur estar ligado no momento. Julgando pelas cores escuras do cômodo, o quarto pertencia ao irmão mais novo de Baekhyun. — Fugi. — Repetiu, como um mantra.

— Você é gay? — Indagou baixinho, curioso. Jimin fitou o Jeon de modo atrapalhado e completamente embasbacado.

— Q-Quê?

— Estou perguntando se você é gay, Jimin. — E, surpreendentemente, não havia um pingo de nojo ou preconceito em sua voz. Ao contrário, ele falava aquilo tão naturalmente que pela primeira vez na vida Jimin pensou o que realmente lhe atraía sexualmente – se, para começo de conversa, ele tivesse algo que lhe atraísse.

Ele nunca parou para pensar naquilo; nem para perceber também. Não achava nada de atrativo e diferente em meninos, mas tampouco chegou a olhar para meninas alguma vez em sua vida. Simplesmente não havia nada de interessante o suficiente em ambos para chamar a atenção de Jimin. Isso fazia dele um assexuado? O pequeno de cabelos negros fitou, então, Jeongguk, lembrando-se imediatamente que de todo um mundo, ele somente parara para reparar nele de modo admirativo. Admitia sim que algumas pessoas eram bonitas, porque ele também não era cego. Jeon era lindo, em todos os aspectos. E ele fora o único que fizera Jimin aprender a perceber todos os gestos que ele faria em qualquer situação que chegasse a acontecer; como seus olhos eram negros e inexpressíveis, como ele era impassível e silencioso, como seus dentinhos eram semelhantes aos de um coelho e como Jeongguk parecia terrivelmente perigoso com toda aquela imponência de adolescente sério que ele não deveria ter com tão pouca idade. Isso faria dele gay por pensar daquele modo com um de seus amigos?

— Eu não sei. — Admitiu, fitando-o de olhos arregalados como se suas palavras fossem surpresa para ele mesmo. Jeongguk riu de como Jimin ficava adorável estando bêbado.

— Não sabe? — A pergunta foi dita de modo divertido. Seus olhos, negrumes e intensos, não deixaram por um só segundo aquele belo olhar castanho e cheio de inocência – e agora nervosismo e curiosidade. Jeongguk aproximou-se o necessário para sentir o leve cheiro de álcool vindo do outro, e Jimin o olhou ainda mais nervoso, mordendo o lábio inferior.

Era adorável o modo como aqueles olhinhos brilhavam confusos sem conseguirem desviar-se dos seus. As bochechas gordinhas estavam coradas e seus olhos molhados fitavam-no de modo hipnotizado, enquanto os lábios de Jeongguk foram molhados pela língua sedenta quando estes ficaram ressecados simplesmente por fitá-lo. A primeira vez que o fitara, Jeongguk vira naquele menino a necessidade de proteção, de amor e cuidado, e se surpreendera muito quando encontrara dentro de si a vontade de dá-lo o que ele precisava. Não era como se ele não observasse Jimin silenciosamente, de modo discreto, para que ninguém percebesse. Mas também se admirava imensamente ao perceber que o olhar de Jimin também perdia-se nele em alguns momentos.

Jeongguk reparara e muito que quando ele sorria, daquele jeitinho perfeito, suas bochechas ficavam coradas; como formava um biquinho em seus lábios quando chamavam-no de fofo por motivos bobos; como machucava o lábio inferior entre os dentes quando nervoso e quando torcia aquele narizinho perfeito, desgostoso, quando o assunto era sobre ele. Era engraçado que ele, Jeon Jeongguk, sempre tão certo das coisas que queria, sempre certificando-se de obtê-las, percebesse, apenas agora, que queria Park Jimin. Por qual motivo, então, ele teria subido aquelas escadas atrás do pequeno garoto? Teve vontade de rir de si mesmo, mas, no lugar disso, simplesmente apoiou os cotovelos na porta e beijou o menino.

Começou somente com um encostar de lábios, mas quando Jimin encolheu-se e apoiou as mãos em seu peitoral com o intuito de empurrá-lo, começando a aprofundar o contato, Jeongguk prendeu os pulsos delicados entre os dedos rudes e prensou-os contra a porta, colando o corpo forte contra o pequeno e aprofundando o beijo lentamente. Jimin era acanhado demais para entregar-se assim, então sentiu-se imensamente satisfeito quando sentiu-o retribuir ao beijo, ainda inexperiente. A língua ávida e exigente movendo-se e entrelaçando-se a sua, deixando-o trêmulo e deslocado facilmente quando sentiu um arrepio passar por seu corpo com aqueles atos ousados. Céus, que necessidade era aquela? Jimin sentia-se tão molinho que os braços de Jeongguk precisavam sustentá-lo em pé, senão desabaria.

Jeongguk pressionou ambos os corpos mais fortemente quando lambeu os lábios doces, mordiscando-os levemente quando sorriu e afastou-se para fitá-lo. Jimin estava maravilhosamente coradinho, ofegante e de lábios inchados, e aquela visão desarmou o capitão do time com facilidade, deixando-o sem palavras por alguns segundos. Ele era lindo.

— Sabe agora? — Murmurou, rouco, olhando fundo nos olhos brilhantes. Jimin engoliu em seco, levando uma mão trêmula em direção ao próprio peito e sentindo seu coração batendo que nem louco, desenfreado e frenético. Mal conseguia abrir a boca para responder ou sequer conseguia pensar. Além de alcoolizado, ganhara um beijo cheio de voracidade e paixão da última pessoa que ele achou que iria beijá-lo pela primeira vez. E ele gostara. Céus, ele amara. Sentia-se como se recém houvesse levado um choque que eriçara todo seu corpo e desorientara-o mais que o próprio álcool. Jeongguk, entretanto, não esperou uma resposta coerente – o rosto envergonhado e a expressão culpada de quem gostara, mas não admitiria, eram respostas o suficiente – e, cheio de delicadeza e paixão, voltou a beijá-lo, agora sendo prontamente retribuído.

Jimin era delicado em seus atos, a boquinha pequena e carnuda se movendo lentamente sobre a sua, sua língua acariciando cada canto de sua boca com calma e timidez. Jeongguk, entretanto, descolou o outro da porta e trancou-a, ainda o beijando, acariciando as costas delicadas quando virou-o e empurrou-o até a cama. Jimin somente puxava Jeongguk pela nuca, sentindo o mais alto devorar seus lábios até deixá-los perdidamente sensíveis, tentando furtar-se para dentro da camiseta do moreno. E foi quando Jimin percebeu que o mesmo queria tirar sua camisa e separou-os bruscamente, consequentemente caindo na cama de maneira assustada.

Não, não. Ele não podia ver seu corpo.

— Jeongguk... — Sussurrou, nervoso, tendo seus óculos retirados delicadamente quando um corpo maior prostrou-se em cima de si. Sua respiração falha tocou no rosto do outro, que sorriu levemente e beijou a pontinha de seu nariz, começando a chupar seu pescoço de maneira delicada quando Jimin resmungou, manhoso, fora de si, se esquecendo completamente do mundo do lado de fora.

— Você quer? — Indagou, respirando pesado. Sua ereção doía perdidamente, e ver Jimin tão corado e manhoso daquele jeito lhe deixava arrepiado. O Park assentiu, inconscientemente, procurando pelos lábios do outro quando Jeongguk livrou-o rapidamente da camisa, sorrindo satisfeito quando pela primeira vez fitara aquela carne tão apetitosa da barriguinha de Jimin: ele era gostoso. Diferente dos apelidos carinhosos e dos xingamentos chulos, ele simplesmente era um puta de um gostoso. — Você é lindo demais... — Estava hipnotizado. Pelos botõezinhos rosadinhos e a barriguinha branquinha, e, não esperando sequer dois segundos, começou a beijar e chupar tudo que estava a seu alcance. A voz de Jimin era linda, rouca, fina e delicada: e ele gemia como um gatinho. Baixinho, manhoso e ofegante, daquele jeito que enlouquecia Jeongguk de uma forma absurda.

O rosto de Jimin queimou quando Jeongguk lhe livrou da calça apertada e tocou sua ereção por cima da cueca, beijando seus lábios de maneira voraz quando Jimin gemeu baixinho contra eles. Ele não sabia o que fazer com as mãos, era um maldito inexperiente que não tinha coragem de tocá-lo de volta, então se contentou em puxá-lo pela nuca e ombros, pedindo por mais toques, desejando cada vez mais daquelas mãos em seu corpo e daquela boca colada na sua.

Jeongguk parecia necessitado, e talvez por ver que Jimin era inexperiente demais para despi-lo como fizera com ele, Jeongguk separou-se do Park, livrando-se da camisa e calça ele mesmo. Jimin o observava trêmulo, seus olhos percorrendo toda a extensão do torso do acastanhado, os músculos firmes, ombros largos e braços bem delineados, parando na ereção que despontava orgulhosamente na cueca escura, ofegando de maneira assustada. Ele queria. Ele o queria. E ele precisava. Mas apesar da pressa e euforia do momento, Jeongguk não queria fazer daquela experiência um simples borrão sem sentido.

— E-Eu q-quero o s-seu p-pau, J-Jeongguk.

Mas, Deus, quando ele poderia o fazer com um Park Jimin implorando por ele, mais especificamente pelo seu pau? Aquele garoto era um pornô e ele nem mesmo fazia ideia do estrago que causava.

— Shh, bebê, vamos com calma. — A voz malditamente rouca de Jeongguk arrepiou Jimin inteiramente, que fechou os olhos e sorriu bobamente com o apelidinho bonito. Bebê. Ele gostaria de ser chamado de bebê eternamente por ele. — Você é tão delicado, Jiminnie... Tão frágil e bonito...

— S-Sou? — Os elogios o deixavam embaraçado. Mas o coraçãozinho do Park palpitava forte ao ouvi-los, principalmente porque Jeongguk acariciava e apertava suas coxas, puxando sua cueca calmamente para baixo enquanto beijava seu pescoço sensível e deixava marcas em sua pele. Jimin agora parecia um gatinho manhoso.

— Sim, é, e é a pessoa que tem o melhor cheiro daquela escola, para mim. — Jimin gemeu baixinho e sorriu, enrolando os dedos miúdos nos cabelos castanhos quando Jeongguk sorriu-lhe sapeca e beijou os lábios antes de virá-lo de bruços. As nádegas enormes eram branquinhas, macias e perfeitas, e saber que seria o único a desfrutar de tal beleza lhe deixava de coração frenético e ego a mil; Jimin jamais seria de outro como ele era dele. — Olhe pra você... É totalmente puro, meu amor. — E suspirou pesado quando acariciou as bandas macias e as afastou, mordendo o lábio inferior fortemente e sentindo-se pesado ao visualizar o buraquinho rosado e apertado que o esmagaria em breve dentro de si. Jimin corou, enterrando a cabeça nos travesseiros pela vergonha e tesão que o acometeu ao estar tão exposto daquele jeito, aberto de um jeito promiscuo e sujo – mas que ele estava adorando. — Aigo, por que tão pequeno? — A voz grave lhe fez contrair. Jimin choramingou, trêmulo demais para tentar pensar em algo com coerência.

— Porque é pra você, Jeonggukkie. — Falou, arrastado, naquele tom manhoso e fininho, rebolando de leve o quadril para fazê-lo acordar do transe e parar de olhar seu local íntimo com fome e gula. — E eu quero você. Agora.

Jeongguk riu soprado do tom mandão, que na realidade não saiu nenhum pouco amedrontador, e afastou as coxas de Jimin mais um pouco até tê-lo totalmente empinado para si, pulsante daquele jeito delicioso. Seu pau babado molhava sua barriga diante de tantos estímulos, e quando Jeongguk colou sua língua perversa na entradinha contraída e sedenta, o mundo para Park Jimin explodiu. A vontade de gritar se tornou tão animalesca que a única coisa que ele fez foi empinar-se mais, gritar a plenos pulmões e lamuriar para o mundo que Jeon Jeongguk era um Deus. Seu maravilhoso Deus grego.

— Ahn, Kookie... — Jeongguk gemeu abafado e tentou controlar-se, queria ser carinhoso. Mas Jimin não parecia compartilhar do mesmo querer que o seu, pois rebolava afoito e sedento por mais, corado, suado e de olhos lacrimejantes. As pernas falharam e seu pau pulsou, e quando Jimin percebeu, gozou tão fortemente que decerto seu grito ecoara pela casa inteira. Mas não fazia diferença, e nunca iria fazer, não quando dedos lhe rasgaram o interior apertado pela primeira vez a fim de prepará-lo para algo maior e mais grosso, olhos negros e sombrios fitando cada pedaço de pele exposta enquanto uma mão lhe apertava a pele branquinha, a fim de deixar marcas. Marcas de uma noite impulsiva e sem sentido, mas cheia de paixão e sinceridade. — JEONGGUK!

Estava sensível, sua entrada dolorida pulsava fortemente, mas queria mais – mais e mais, tanto quanto poderia ter naquele precioso momento. Jeongguk beijou suas costas quando praticamente rasgou a própria cueca, levando o membro molhado até o buraquinho alargado e acariciando o mesmo logo em seguida, sorrindo de lado quando o corpinho pequeno tremelicou inteiro, ansioso. Jimin parecia a perfeita personificação da fragilidade abaixo de si, somente esperando o momento que seria desvirginado, e percebeu naquele instante que apesar do álcool correndo louco pelas veias de ambos – coisa que fez o momento ser apressado – a realidade era que carinho e delicadeza era tudo que Jimin precisava. Jimin era delicado. Jimin era tão delicado quanto um bonequinho de porcelana.

Então ele o trataria como tal.

Minha bonequinha... — Sussurrou, carinhoso, sorrindo bobamente quando o Park fitou-o por entre os ombros com um sorriso imenso no rosto e os olhos brilhantes. Ele gostava daquilo. — Só minha, não é? — Indagou, rouco, começando a alargar a entradinha estreita e sentindo Jimin se encolher abaixo de si. Doía, doía como o inferno, mas isso nunca iria ser comparado as palavras que ele por tanto tempo necessitou ouvir – mesmo que jamais tivesse feito ideia. Minha bonequinha... Deus, desde quando duas palavras lhe faziam tão bem? Jimin sequer chorou pela dor dilacerante de estar sendo rasgado, somente ouviu os ofegos pesados de Jeongguk rente a seu ouvido quando o mesmo colou seu tórax as suas costas, beijando toda sua pele como um modo de pedir desculpas pela dor que ele provavelmente estava sentindo. Ele jamais iria querer ver Jimin machucado, mas ali, naquele momento, Jimin se sentiu completo. Não sabia se era pelo pau dentro de si – céus, pulsava, era quente e cheio de veias, e era tão delicioso sentir a cabecinha inchada cutucando sua próstata que Jimin gozaria tão rápido quanto da outra vez –, ou se pela realização de saber que havia alguém no mundo que lhe tratava como ele queria. Fazia-o sentir-se protegido de verdade, como se o mundo não fosse nada perto da proteção dele. Fazia-o sentir-se amado como ele merecia.

— S-Só sua. — Jimin mais gemeu que falou, sentindo em sua pele o sorriso maroto do outro quando lhe respondeu. Sorriu, sorriu bobo e gemeu fino e alto quando a primeira estocada lhe acertou em cheio a próstata já judiada. Jeongguk grunhiu, apertando-o entre os dedos, brincando com seus mamilos avermelhados e mordiscando sua pele afoitamente, louco para beijá-lo e sendo impossibilitado pela posição, gemendo frustrado. O interior de Jimin era absurdamente quente e acolhedor, decerto era a pessoa mais apertada que ele já tivera o prazer de estar dentro, mas queria beijá-lo. Queria beijá-lo e ver seus pequenos olhinhos cheios de lágrimas pelo prazer que Jeongguk o faria sentir, simplesmente o queria.

Jimin deixou-se deitar, vermelho e ofegante, tendo as pernas delicadamente em volta do quadril estreito do Jeon quando este se apoiou nos cotovelos ao lado de seu rosto e beijou sua boca ferozmente. Os dedos de Jimin estavam trêmulos, mas fez o possível para acariciar e arranhar a nuca do outro quando este voltou a se movimentar, duro, forte e implacável, gemidos sendo abafados pelas bocas de ambos e tendo as costas arranhadas brutalmente pelas unhas pequenas de Jimin, que no momento gemia longamente e de maneira afoita, fechando os olhos quando uma estocada vinha, particularmente deixando-o arrepiado. Céus, era divino, maravilhosamente divino, e quando chorou, simplesmente pelo puro prazer de estar sentindo aquilo com ele, Jimin veio. Gozou tão forte quanto a primeira vez, espremendo Jeongguk dentro de si e fazendo-o franzir o cenho em puro prazer, abrindo a boca em um gemido mudo quando travou o maxilar e sussurrou seu nome logo em seguida, procurando sua boca para beijar quando gozou também. Foi perfeito. E Jimin jamais acreditou estar passando aquele momento ali, em um quarto qualquer com um menino e de maneira impulsiva, mas aconteceu. E não poderia ter sido mais maravilhoso, pelo menos ele acreditava que não, até sussurrar-lhe, docemente, as palavras:

— E-Eu... G-Gosto de você, K-Kookie-ah. — Ele estava perto da inconsciência, bêbado e emotivo, mas não era surdo.

Ele não ouviu nada em resposta. E aquilo feriu.

 

 

 

Jimin estava com uma dor de cabeça infernal quando acordou, e mesmo que o quarto estivesse completamente escuro – pelo menos isso – os gritos e risadas vindas do andar de baixo lhe deixaram curioso. Mas, definitivamente, a única coisa que lhe deixou perplexo foi a dor infernal que acometeu sua bunda – Deus, que dor era aquela? Haviam destroçado sua bunda, isso sim –, e sua coluna. Mas ele tinha de se levantar, e quando sentou-se, com muito custo, viu suas roupas espalhadas pelo quarto. Foi quando lembrou-se de Jeongguk. E em como ambos haviam ido para a cama juntos, céus, o que diabos eles tinham feito?

Jimin fez sua higiene matinal com muito custo no banheiro que possuía no quarto e vestira sua roupa da noite anterior, descendo as escadas lentamente. Precisava disfarçar, mas a dor era muita. Ele estava todo assado. Fez careta, lembrando da noite passada; não parecera horrível antes. Mas com certeza era muito pior depois.

— CHIMCHIM! — A voz de Taehyung lhe tirou a atenção. O Park corou, encontrando basicamente todo o time na cozinha acabada da mansão dos Byun e fitando um Jeongguk de face impassível, fitando uma coca-cola a sua frente como se fosse a coisa mais interessante do mundo do que se atrever a fitá-lo. Parou no batente, como se tivesse levado um murro pela reação. — Descobrimos que você perdeu a virgindade, garanhão! — E riu, alto. O time inteiro possuía um sorriso enorme nos lábios, menos o capitão, que agora fitava Jimin de olhos indecifráveis. Jeongguk era assim. Ele sequer sabia o que se passava ali, e temia descobrir. Seu estômago se remexia. — Foi com a Seulgi, né?! Não seja tímido, Jimin, nós vimos vocês dois subindo. E depois daquilo não vimos Seulgi mais nenhuma vez durante a noite, e agora você acorda, com essa cara de quem teve uma noite ótima. Acho que nosso menino virou um homenzinho essa noite!

Jieun parecia a mais sorridente. Provavelmente, orgulhosa de si mesmo por menos um virgem no mundo. Jimin, entretanto, não queria dizer-lhes que a maneira que perdera a virgindade fora um tanto... diferente do esperado, para não se dizer totalmente diferente. Mas estava paralisado de nervosismo, e não saber o que Jeongguk sentia estava lhe deixando maluco.

Todos fitavam-no, esperando uma resposta. Mas Jimin só conseguia pensar se a noite passada realmente significara algo para o outro. Significara mais do que sexo? Queria indagar, queria explicações. Mas... Ele não lhe devia nada. Ele era somente o rico popular que todas as meninas cortejavam e queriam como namorado. E ele era... ele.

Sua garganta fechou, seus olhos arderam, mas ele sorriu. Sorriu porque a ilusão passara e a realidade voltara, dura e forte. Por que aquilo acontecera com ele?

— S-Sim, Tae. — Todos riram alegremente e comemoraram entre si. Jeongguk não conseguia deixar de fitá-lo, e aquilo era desconfortável demais para ele querer se manter mais um só segundo naquele cômodo. — M-Mas eu tenho q-que i-ir. M-Minha omma d-deve ter ficado preocupada, d-dormi fora e nem avisei a ela...

— Claro, bêbado do jeito que estava. — Namjoon riu alto do rosto embaraçado do Park. — Mas é verdade. Ela deve estar preocupada.

— Eu te levo. — A voz de Jeongguk reverberou pelo cômodo, rouca e grave. Jimin sentiu-se mais fraco que antes. Como ele podia fazer aquilo? E mesmo assim, sua expressão não denunciava nada, nem mesmo se estava feliz ou triste, e o coração de Jimin batia acelerado.

— N-Não precisa. E-Eu p-posso ir a pé. — Não era mentira, mas quando os olhos negros de Jeongguk lhe fitaram a face tristonha, percebeu que ele jamais aceitaria um não como resposta. A cozinha estava silenciosa. Normalmente, Jeongguk e Jimin eram próximos o suficiente para terem uma conversa normal, mas aquele dia, em especifico, parecia possuir uma tensão no ar. Mas apenas duas pessoas ali sabiam sobre o que se tratava. — E-Eu...

— Eu te levo, Jimin. Eu quero te levar em casa. — E, quando o corpo alto e de ombros largos veio em sua direção, foi instintivo; ele imediatamente quis se esconder no peitoral largo como se fosse seu lugar ideal, mas a única coisa que fez foi simplesmente disfarçar que estava mancando da cozinha até o carro ridiculamente caro do herdeiro Jeon, esperando por algo; algo que ele sequer sabia se viria.

Taehyung lhe abraçou de leve quando ele entrou no carro e, quando Jeongguk colocou-se a seu lado, seu corpo imediatamente se encolheu no assento e abaixou a cabeça. Ele esperava uma coisa, qualquer coisa, mas quando fitou Jeongguk de esguelha, este parecia silencioso. Não evitou sentir-se magoado. Ele não precisava tratá-lo com tanta indiferença, mas seu comportamento lhe comprovou que ele ouvira sua pequena declaração. Porra, como fora tão bobo?

Jimin queria falar algo – qualquer coisa – para acabar com o silencio estranho dentro do carro, mas não conseguia. Não quando Jeongguk sequer virara para olhá-lo, focado exclusivamente na estrada e suspirando vez ou outra. Apesar de que, surpreendentemente, ele quem acabara com o silêncio quando tossiu brevemente para começar a falar.

— Meus pais vem para a cidade nesse fim de semana. Vão passar a semana aqui.

Jimin virou-se para fitá-lo, encontrando-o de olhos focados na estrada. Engoliu em seco.

— N-Nunca vi seus pais, não s-sabia que eles n-não moravam aqui. — E ele nunca odiou tanto a falta de jeito na própria voz.

— Não costumo falar sobre eles. — Jeongguk sorriu levemente com amargura. — Não sei porque eles insistem em fingir que ainda moram aqui, quando na verdade passam a maior parte do tempo na França. Pouparia bastante da minha paciência se permanecessem por lá. — Finalizou, com uma careta.

— E-Eles devem s-sentir saudades.

Saudades. — Jeongguk riu de leve, perguntando-se por que falara sobre seus pais, quando nunca comentava sobre o assunto com ninguém, nem mesmo com seus amigos. — Eles não se importam. Jonghyun vem ver como estão seus negócios e Mina só sabe perguntar como foi meu dia.

— Talvez ela queira perguntar mais, mas não saiba como. — Jeongguk lançou um olhar intenso a Jimin, o que fez o moreninho suspirar. Ajeitou seus óculos, tenso. — Convenhamos, Jeongguk, você não faz o tipo receptivo que deixa as pessoas à vontade para falar e agir naturalmente ao seu lado, não em um primeiro momento. Pelo jeito que você falou, duvido que dê muitas aberturas para que seus pais se aproximem de você. Talvez eles só já não saiba mais como fazer isso.

O Jeon fitou-o de modo incrédulo pela firmeza na fala, mas logo retornou a atenção para a estrada.

— Eles nunca se importaram. — Resmungou, baixinho.

— Talvez não. Ou talvez você nunca tenha percebido as tentativas. — Sequer ele próprio sabia como estava tendo aquela conversa com ele, mas se permitiu deixar levar, pelo menos. A noite passada estava em um canto escondida em sua mente, e sua timidez também. Por hora.

— Você deve ter uma relação ótima com seus pais. — Jimin sorriu levemente, fitando a janela do carro e as imagens. Ele possuía, sim, mas somente com sua mãe.

— Com minha mãe. Meu pai nos deixou quando eu tinha cinco anos. — Jeongguk o fitou, temeroso. — Na verdade, ele quis nos matar quando eu tinha quatro anos, mas com cinco minha mãe conseguiu fugir comigo. Nos mudamos muito até nos fixarmos em Busan. Mas por alguns problemas viemos morar em Seul.

— Deus, Jimin... — A perplexidade estava clara na voz e rosto do outro. Jimin suspirou. — Eu sinto muito.

— Não sinta, nem é importante. — Mas Jeongguk não mudava de feição. — Hey, não faça essa cara, é sério. Nós estamos bem hoje.

Jeongguk assentiu, e eles ficaram em um longo silêncio por não mais que alguns segundos, antes do Jeon deixar sua curiosidade falar mais alto.

— E quais problemas te fizeram vir a Seul?

Jimin fez careta.

— Preconceito. Eu era severamente xingado pelos alunos por ser bolsista e fora dos padrões de beleza, então nos mudamos quando eu fui aceito na nossa escola. E ela é com certeza bem pior do que meu antigo colégio. — Falou, num tom cansado. — Não acredito que vou ter que chegar em casa e estudar. Acho que estou com ressaca. — Sussurrou, em tom de lamento. Jeongguk riu.

— Você não me pareceu tão bêbado na noite passada... — Murmurou, sorrindo de lado. Jimin ruborizou e se encolheu no banco ao seu lado.

— V-Você d-disse para os o-outros que e-eu passei a n-noite com a S-Seulgi. Não m-me lembro d-disso. D-Deve ser e-efeito da bebida. — Murmurou, nervoso.

Se Jeongguk tinha alguma dúvida de que Jimin não se lembrava do que acontecera, o tom contrariado do pequeno dizia-lhe que ele se lembrava muito bem.

— Eu não disse nada. Eles deduziram. — Deu de ombros. Jimin resmungou e não falou mais nada durante os últimos minutos antes que chegassem à casa do Park. Jeongguk, então, continuou a pensar nas últimas palavras de Jimin antes deste cair no sono, na noite passada.

Depois do que ouvira, seu coração disparara tão acelerado que ele levantara a cabeça para olhar para Jimin, mas este já estava adormecido. Ficara horas acordado, alternando entre olhar para os contornos do rosto rechonchudo a meia luz do garoto em seus braços e o teto do quarto, perguntando-se como diabos agiria com ele na manhã seguinte. Certamente Jimin não esperava que o pedisse em namoro ou algo do tipo por causa de uma noite de sexo, certo? Se fosse por isso, ele já teria namorado todas as garotas do colégio, e Jeongguk não se lembrava de ter ficado com uma mesma garota por mais de uma semana.

Quando parou o carro em frente a pequena casa humilde e de jardim bem cuidado – era tão a cara de Jimin –, um silencio desconfortável se instalara entre ambos quando Jimin arrumou os cabelos bagunçados e abriu a porta do carro.

— Obrigado pela carona, Kookie.

— Jimin, espera. — A voz do outro lhe pegou desprevenido. Jimin congelou, com um pé já para fora do carro. Por um momento, ele achou que Jeongguk falaria alguma coisa sobre a noite anterior – por favor, Deus, qualquer coisa. Merda, fora sua primeira vez e significara bastante.

E de fato Jeongguk falara algo sobre. Mesmo que não tivesse sido o que ele esperava – que inclusive, ele nem mesmo fazia ideia do que era.

— Não fale para ninguém sobre o que aconteceu.

Jimin sentiu como se alguém jogasse um balde de água fria sobre sua cabeça e o mandasse deixar de ser tão estupidamente romântico. Merda, ele realmente ia chorar?

— Até segunda, Jeongguk. — Falou, e saiu do carro antes que sua voz fraquejasse e Jeongguk percebesse o quanto estava chateado e magoado. Não era culpa de Jeongguk se acabara por se apaixonar por ele, não queria que o capitão se sentisse de alguma forma culpado por como se sentia agora, mas não podia impedir de doer. Nunca poderia.

Jeongguk observou o garoto de feições infantis afastar-se até a porta de sua casa, atravessando rápido o jardim de grama verde enfeitado por duas macieiras e três gnomos carrancudos. Suspirou e encostou as costas no banco, batendo a cabeça no encosto algumas vezes.

— Não foi nada de mais, Jeon. Segunda feira nem ele, nem você se lembrarão mais disso. — Tentou se convencer, antes de ligar o carro e ir também para sua casa. Realmente tentou.

~

Não foi algo tão fácil de esquecer quanto Jeongguk achou que seria. Na segunda-feira, realmente, tudo parecia ter voltado ao normal, ao menos aos olhos de um observador desatento ou sem o conhecimento do que acontecera. Ou seja, normal para todos, menos para Jeongguk.

Ele queria acreditar que era somente sua imaginação tomando conta de si, mas não era. Jimin estava o evitando. Sempre que ambos estavam perto de ficarem a sós em qualquer lugar que fosse, ele somente murmurava alguma coisa e fugia. Sempre negava suas caronas, seus toques, sua proteção. Sempre andava acompanhado de Taehyung. Sempre fugia de seu olhar. Sempre fugia de Jeongguk.

Mas, de fato, o que mais lhe incomodava era que Jimin fazia aquilo como se não fizesse diferença alguma, como se sua companhia não fizesse falta. Ele não dissera que gostava de si? Porque estava agindo daquela forma, então, como se o desprezasse, mantendo a maior distância possível? Era ele, Jeongguk, que deveria estar evitando Jimin, o qual deveria estar perseguindo-o e implorando por seu amor. Ao menos fora assim com algumas outras garotas com quem já saíra, mas aquela era a diferença: Jimin não era as outras. Jimin não era nem um por cento igual aquelas outras. Ele era ele. E ele deveria já saber que ele era único, diferente de tudo que já experimentara, e seu afastamento estava deixando Jeongguk a cada dia mais mal-humorado e aborrecido. Ele falava com todos, menos com ele. E aquilo lhe matava por dentro, pouco a pouco.

— EunBi e Jimin? De onde diabos você tirou isso, Kookie? — Jieun riu alto da expressão seca do Jeon. — Jimin virou quase que um filho pra EunBi, ela tem um enorme carinho por ele e o acha a coisa mais fofa do mundo. Tolinha ela, Jiminnie deve achar a mesma coisa dela. Quem não acha a EunBi fofa, não é mesmo?

Jeongguk sempre gostara de EunBi, mas agora tinha vontade de expulsá-la daquela mesa e nunca mais deixá-la se aproximar de Jimin. Porém, se fizesse isso, seus amigos achariam que estava ficando louco e Jimin o desprezaria ainda mais. Além disso, não queria que o pequenino pensasse que estava com ciúmes, por mais que soubesse que sim, ele estava.

Ele pegou-se pensando várias vezes com o olhar perdido em Jimin, desejando puxá-lo para algum lugar fora das vistas das outras pessoas, prensá-lo contra alguma parede e beijá-lo apenas para fazê-lo lembrar daquela noite, quando o beijara pela primeira vez. Jeongguk odiava não tê-lo. Se ao menos o moreno não houvesse feito aquela “declaração”, que ainda o atormentava todas as noites, e se ao menos não houvesse começado a agir de forma tão arisca e escorregadia quando ele estava por perto... Então tudo talvez não tivesse passado de uma noite prazerosa regada a álcool e não uma lembrança que cutucava sua mente como uma agulha pontiaguda.

Jeongguk estava frustrado, profundamente frustrado. Nunca precisou correr atrás de ninguém por nada. Então por que agora estava sendo daquela maneira?

Jeongguk chegou em sua casa, frustrado, e encontrou sua mãe na sala de estar, desenhando. Mina era uma estilista famosa, que atuava principalmente na França, mas estava de passagem por ali em Seul. A ponta fina do lápis que ela segurava deslizava pela superfície do papel, como se o novo modelo que tomava forma surgisse e se modelasse por vontade própria, e Mina apenas fizesse suas vontades. A mulher levantou os olhos quando o filho parou a porta e baixou o lápis, olhando para Jeongguk com seus olhos negros e brilhantes.

— Você pegou o jeito silencioso do seu pai, Jeongguk. Nunca ouço nenhum dos dois se aproximar. — Ela sorriu, doce. — Aconteceu alguma coisa, meu amor? Tudo bem no colégio?

Em outras ocasiões, ele simplesmente responderia algo de mal vontade e subiria para seu quarto. Mas repensou suas atitudes quando lembrou-se das palavras de Jimin, e então a fitou. Dentro dos olhos de sua mãe ele captou um misto de sentimentos que lhe deixaram surpreso: carinho, amor, preocupação e ternura. Então cruzou os braços e encostou-se no batente da porta.

— Não, eu só... Achei estranho, a senhora e o Jonghyun estando aqui por tanto tempo.

Mina sorriu quando pediu, com tapinhas, para Jeongguk sentar-se a seu lado. O filho a fitou com aqueles negrumes olhos inquisidores.

— Seu avô nos disse que você jogará daqui algumas semanas. Queremos ver você jogar esse ano. — O rosto de Jeongguk deixou transparecer toda sua surpresa. A mulher sorriu e acariciou os cabelos negros quando o filho sentou-se a seu lado. — Você logo, logo se tornará um homem. O desfile em Milão pode esperar.

— Sério?

— Ora, claro que sim. Além de que seu pai encontrou mais problemas do que esperava na empresa. Está até mesmo pensando em fechá-la e ficar apenas com a que tem na França. — Jeongguk sorriu torto.

— Claro, aí vocês não vão ter que se incomodar a virem até aqui, não é? Um problema a menos.

Mina fitou-o séria. Jeongguk retribuiu ao seu olhar.

— É claro que ainda viremos aqui, Jeongguk. Nosso filho mora aqui. Mas, suspeito eu, que você também terá que nos visitar na França. — Jeongguk ergueu uma sobrancelha, surpreso.

Mina retornou a seu desenho, colocando-se centrada para terminar o trabalho e sentindo Jeongguk inquieto a seu lado. Sorriu, risonha.

— Omma? — Fazia quanto tempo que ele não a chamava daquela forma? Mina o fitou, entre surpresa e emocionada.

— Sim, querido?

— O que a senhora acha de... sairmos um pouco? Irmos a qualquer lugar, por aí?

O sorriso de coelho de sua mãe lhe fez sorrir também. Jeongguk riu quando percebeu que sim, ele parecia com ela, e não era somente na aparência.

— Eu adorarei, meu amor. Deixe-me somente pegar minha bolsa! — E riu, eufórica, quando Jeongguk resmungou algo sobre “mulheres e suas bolsas”, quando ela saiu praticamente correndo em direção as escadas para o segundo andar, animada pela oportunidade que tinha de passar aquele momento com seu filho. Fazia tanto tempo que ambos se tornaram quase que desconhecidos um para o outro... Era lamentável, mas era a verdade.

E, pela segunda vez em poucos minutos, Jeongguk lembrou-se das palavras de Jimin. É, ele estava certo.

 

 

 

Jimin se mantinha sentadinho na arquibancada, sozinho, pois pela lógica da vida – dramático – seus únicos amigos eram do time de basquete e agora eles iriam jogar. As meninas se mantinham ocupadas demais para sentar-se a todo momento com ele, e Jimin somente sorria e acenava para elas lá no topo da arquibancada. Era baixinho. Então preferia sentar-se em um lugar confortável que lhe permitisse ver o jogo completo.

Sua mãe havia lhe liberado do castigo por algumas horas – pois desde a festa onde ele quase a matara do coração, MinJi se tornara quase que obsessiva com a proteção de Jimin – para estar ali, e mesmo assim algo lhe dizia que fizera errado. Talvez, o fato de Kim Taemin ter lhe apalpado quando ele estivera falando com Jieun – quase lhe matando do coração de nervosismo e perplexidade – deveria ter lhe dito algo. Talvez um aviso de que ele não deveria manter-se ali, mas quando Jeongguk – o cortejo das meninas – entrou na quadra, foi quase impossível controlar: suas pernas tornaram-se gelatina pelo simples fato de vê-lo, ali, centrado e carrancudo, os músculos perfeitos a mostra, atraindo vários suspiros e choramingos das meninas sentadas a seu lado. Jimin corou quando os olhos negros passaram por todas as pessoas sentadas na arquibancada para enfim pararem nele, e logo toda a tensão que possuía em seus ombros se esvaiu. Jeongguk sorriu para ele, um sorriso livre e sincero, e Jimin não pôde evitar a falta de ar que lhe acometeu. Foi quando tudo começou.

O juiz apitou e a bola começou a voar de uma mão à outra pela quadra, tão rápida que os olhos dos torcedores se agitavam de um lado para o outro sem parar, tentando acompanhar os movimentos do jogo. E, orgulhando seus pais na arquibancada – pomposos demais para um simples jogo de escola, mas presentes –, e um Jimin ansioso, nos primeiros quinze segundos, Jeongguk marcou uma cesta.

O Jeon riu debochado para o capitão do outro time, com quem não se dava nem um pouco bem. Jongin vincou a testa, não parecendo muito feliz. E pareceu menos ainda quando Jeongguk marcou a segunda cesta do jogo, depois de uma roubada de bola espetacular de Seokjin.

É, definitivamente ele deveria ter ido embora enquanto ainda era tempo.

~

O capitão driblou um dos garotos, desviou-se e foi barrado por outro, atirou a bola para Taehyung, logo abaixo da cesta e...

— Ganhamos! Ganhamos! Ganhamos!

Foi uma confusão de vozes assim que Jaebum enterrou a bola na cesta e, antes mesmo que conseguisse piscar, Jeongguk sentiu todo o time o esmagando num abraço conjunto que acabou com ele caído no chão, rindo e sem ar.

Depois de poucos minutos de comoção, a taça do campeonato foi entregue e as pessoas, depois de uma nova explosão de vivas, cheias de abraços e cumprimentos, aos poucos começaram a ir embora. Jimin deixou os gritos se acalmarem para ir em direção aos amigos, mas antes que pudesse chegar a seu destino, Kim Jongin, o capitão do time adversário, passou por si e empurrou-o pelo ombro, desequilibrando-o e fazendo-o ir de encontro ao chão, assustado. Jeongguk prontamente se colocou em alerta e foi em direção ao pequenino, fechando as mãos em punhos fortemente quando Jongin lhe sorriu com escárnio.

— Isso vai ter volta, Jeon. — Murmurou, ameaçador, mas se afastou antes que Jeongguk pudesse retrucar alguma coisa.

Jimin arrumou a roupa e Jeongguk lhe ajudou a levantar, agradecendo internamente por estar usando suas lentes aquela noite e tendo logo o time inteiro em seu encalço.

— Você está bem, Chim? Aquele garoto estúpido, mal-perdedor dos infernos, você não tem nada a ver com isso! — EunBi irritou-se.

— Não foi nada, EunBi, ele só está chateado com a derrota e acho que ele me conhece de algum lugar. — Jimin deu de ombros. Jeongguk franziu os lábios para a última frase, enciumado.

— De qualquer modo, ele é um filho da puta. Quero ver o que ele pode fazer se se acha tão fodástico assim. — Yoongi murmurou, carrancudo. Jeongguk grunhiu e assentiu. Hoseok suspirou.

— Vamos nos trocar, temos que ir comemorar ainda. — Todos imediatamente sorriram e assentiram alegremente. Jimin se encolheu. — Você vai com a gente, né, ChimChim?

Na verdade, ele ainda estava de castigo desde a última vez que quisera ir a uma festa e acabara dormindo fora e perdendo a virgindade – mas claro que sua mãe jamais saberia disso –, entretanto, vendo os olhares pidões de Hoseok, Taehyung, Jieun e EunBi, simplesmente sorriu envergonhado e assentiu levemente. Todos sorriram e começaram a seguir em direção ao vestiário.

Jimin se manteve sentado – totalmente corado e sem jeito – enquanto os meninos tomavam banho, tendo um Jeongguk carrancudo fitando-o de segundo e segundo de modo furioso. Jimin não se sentia confortável ali – céus, claro que não –, então, como se fosse divindade dos céus, o pensamento de que deixara seu celular no carro que sua mãe emprestara para si aquela noite lhe veio de modo abrupto. Suspirou, levantando-se rapidamente.

— Gente, eu vou buscar o celular que eu deixei no carro, encontro vocês na entrada do colégio. — Avisou, tendo um Hoseok cantarolante concordando entre gritos. Eles comemorariam em um tipo de barzinho a duas quadras do colégio, não valia a pena ir de carro então os deixaria no estacionamento do colégio. Jeongguk já estava parcialmente vestido quando Jimin fugiu de seu olhar ao sair, abaixando a cabeça e andando de modo tenso. Suspirou, vestindo a camiseta. Lhe doía o peito vê-lo tão distante de si, mas mudaria aquilo em breve.

A noite estava silenciosa e gelada e o estacionamento estava apenas semi-iluminado pelas luzes dos postes próximos. Jimin achou ter ouvido barulho de passos, porém quando olhou em volta não viu ninguém. Deveria ser sua imaginação. Caminhou até seu carro e quando colocou a chave na porta, sentiu um vulto atrás de si. Paralisou, de medo.

— Hey, otário! — Alguém chamou. Jimin se virou para olhar, mas antes que sequer pudesse pensar em se desviar, recebeu um soco em cheio no rosto.

Caiu no chão com um giro e se apoiou com as palmas das mãos, impedindo de cair de boca na pedra. Sentiu gosto de sangue na boca.

— Seu namoradinho me irritou hoje, garoto. Aquele jogo também. Consegue, agora, sentir o gosto da vitória, pirralho? — Perguntou o garoto, parado em pé próximo de Jimin. Havia mais dois com ele. Jimin reconheceu a voz de Jongin. — Diga-me, que gosto ela tem? — Indagou, incisivo, chutando o Park no estômago.

Jimin caiu de lado e gemeu; o ar escapando de seus pulmões.

— Eu odeio Jeon Jeongguk, e Jeon Jeongguk me odeia; mas ele gosta de você, garoto. E eu vou acabar com a sua raça medíocre por causa disso. — Sussurrou, entre dentes. Jimin ouviu risadinhas e sentiu novos chutes nas costas.

Jongin o pegou pela barra da camiseta e olhou-o com nojo; os olhos castanhos dele cintilando de ódio. Por um momento perguntou-se porquê, novamente. Por que aquilo sempre acontecia com ele, Deus?

— Oh, e além de tudo não fala! Agora sei porque ele gosta tanto de você, te olhando bem, parece uma bonequinha. Pena que é tão gordo quanto uma baleia. — E riu, maldoso e satisfeito. O lábio inferior de Jimin estava cortado e escorria sangue. — Foi bom te conhecer, Park.

E logo em seguida recebeu um soco no nariz, voltando a cair no chão, com a visão borrada pela tontura.

Outro chute nas costelas e Jimin cuspiu sangue. Mal conseguia falar, quanto menos gritar por ajuda. De qualquer forma, não achava que alguém o escutaria. Se demorasse a voltar, seus amigos achariam que a história do celular fora apenas uma desculpa para voltar para casa sem ter que dar maiores explicações. Recebeu dois novos chutes e acabou por chorar de agonia na frente daqueles desgraçados. O ar entrava com dificuldade em seus pulmões e suas costelas e costas queimavam de dor, assim como seu nariz e seu lábio inferior, que não paravam de sangrar, espalhando o gosto metálico de sangue em sua língua.

— É melhor você ficar quietinho, garoto, se não quiser ficar com o rosto deformado pelo resto da vida. — Jongin segurou Jimin pelos cabelos, puxando-os para poder olhá-lo no rosto. — Em qual olho você quer ganhar um roxo primeiro? Esquerdo ou direito?

Jimin tremeu. Sabia que era inútil tentar revidar. Somente continuou a chorar silenciosamente, lágrimas queimando em seus olhos assim como todo seu corpo. Doía. Doía tanto que ele, por um momento, quis estar morto.

— Eu gostaria de ouvir sua voz, mas já que é mudo, vai no esquerdo mesmo. — E riu, erguendo o punho. Jimin fechou os olhos com força, esperando a dor, esperando o sangue, esperando o gosto ruim em sua boca, mas o soco não veio.

Tremeu, tremeu pelo frio, pela dor e pelo desespero, mas tremeu mais pela voz que pronunciou, fria e grave, a voz de Jeongguk.

— Eu vou te matar, Kim Jongin. Eu vou te matar.

Foi tudo muito rápido; uma hora, Jimin esperava tremendo de medo um novo soco de seu agressor, mas em outra, o soco de Jeongguk desceu rápido contra o rosto de Jongin, que largou Jimin e caiu sentado, tapando o nariz com a mão.

Taehyung, Hoseok, Yoongi e Namjoon também apareceram e Taehyung agachou-se ao seu lado e o amparou. Mas Jimin estava atordoado demais e seus olhos estavam pregados em Jeongguk, que brigava com Jongin de uma forma selvagem. Irado como nunca o vira antes.

Jimin somente retornou a pensar quando fora colocado sentado no banco de passageiro de um carro. Seu corpo estava insanamente dolorido e continuava com dificuldades para respirar. E ouvia vozes. Muitas vozes. Mas dentre elas a de Jeongguk se destacava.

— Eu levo ele para o hospital. Amanhã damos queixa na polícia, agora os idiotas fugiram e Jimin está todo quebrado! — Jeongguk estava irritado, muito irritado, mas então ele entrou no carro, batendo a porta com força e o colocando em movimento. Jimin viu seu rosto. Ele estava com a expressão dura, testa vincada e olhos gélidos. E mesmo assim era lindo aos seus olhos.

Até que percebeu que ele estava consciente e grunhiu ao ver sua face.

— Oh, Deus, está acordado! Pensei que não voltaria à consciência por um bom tempo. — Jimin fechou os olhos, tentando voltar a seu estado letárgico, mas imediatamente lembrou-se do olhar enraivecido do Jeon quando este socou Jongin.

— O-Obrigado. Pensei que você acabariam achando que eu tinha ido embora...

— E eles acharam. Mas eu senti dentro de mim que você precisava de ajuda. E quando fui ao estacionamento, encontrei ele... te batendo... eu perdi o controle. Eu quis matá-lo, Jimin, porra, eu ainda vou matá-lo.

— Hey, calma. — Jimin tentou rir sem morrer de dor. — Não precisa apertar o volante com tanta força. Como suas mãos estão?

Jeongguk o fitou incrédulo.

— Você está todo quebrado e ainda consegue se preocupar com os outros. — E balançou a cabeça, estacionando na frente do hospital. — Eu estou bem, mas você é minha única preocupação agora.

Jimin sentiu o coração palpitar forte. E então, Jeongguk o pegou nos braços. Ele nunca achou que poderia existir um lugar onde ele poderia sentir-se tão quente como quanto estava nos braços de Jeongguk. E, apesar de tudo, ele também parecera sentir o mesmo. Jimin sentia que sim.

[...]

Jimin fora levado para a UTI, mas o diagnostico viera rápido: um nariz quebrado, uma costela quebrada e um pulso quebrado. Mas agora ele podia respirar tranquilamente e descansar na cama do hospital.

— Como você se sente? — A voz de Jeongguk lhe tirou de seu torpor. Ele estivera o tempo todo consigo, e Jimin não poderia estar mais agradecido por algo como naquele momento, apesar de tudo.

— Estou bem. Dolorido, e cansado, mas bem. — Jimin suspirou cansadamente. — E minha omma? Você ligou para ela?

— Você me disse que ela estaria em um encontro hoje, eu não quis atrapalhar. — Jimin riu e assentiu. Era verdade, além de que sua mãe enlouqueceria completamente quando soubesse e ele apenas queria adiar um pouquinho mais aquele encontro. — Vou ficar com você.

Todos os meninos já haviam passado por ali, mas logo haviam ido pelo cansaço repentino que chegou logo em seguida, junto da desanimação pelo que acontecera. Fora um dia exaustivo de bastante jogos e pressões, e comemorar sem dois de seus amigos era algo que o time não faria jamais.

— Não precisa, Jeongguk, eu agradeço por ter me trazido até aqui e por ter ficado comigo, sério, mas você precisa descansar, deve estar exausto. Eu ligo para a minha mãe, não quero te incomodar mais ainda. — Jimin sorriu, agradecido. O rosto de Jeongguk tornou-se uma carranca.

— Eu não tenho nada para fazer em casa, e se eu estivesse me incomodando eu não ficaria e... Porra, Jimin! Pare de ficar tentando se livrar de mim! — O Jeon exclamou, irritado. Jimin arregalou os olhos.

— Não estou tentando me livrar de você. — Sussurrou, perplexo.

— Não? Então por que vem me evitando nos últimos meses? — O olhar do capitão tornou-se gélido, e Jimin ficou sem fala. Mas não era obvio o porquê? Jimin afastara-se de Jeongguk por vários motivos, mas dois deles era para manter sua sanidade segura ficando longe dele e para não incomodá-lo com sua paixonite bobinha.

Ficara claro para ele que Jeongguk não queria nenhum compromisso e que queria que ambos esquecessem aquela noite na festa. Jimin não queria ter se declarado naquele momento, mas achou que com sua atitude estaria demonstrando que não era um garoto psicótico e grudento; que iria seguir em frente, sem incomodá-lo com seus sentimentos. Pois também sentia medo de se magoar ainda mais.

— Achei que era o que você queria. — Murmurou, desconfortável. — Você sabe como eu me sinto em relação a você, e é difícil para mim agir como se nada tivesse acontecido. Desculpe se eu não consigo agir com a mesma frieza que você e—

A risada de Jeongguk interrompeu sua fala, deixando-o abismado.

— Você ainda gosta de mim, Jimin? — Ele indagou, e Jimin não soube dizer se ele estava debochando, então fechou a cara, as maçãs de seu rosto esquentando.

Poxa, ele não precisava fazer piada daquilo.

— Eu não consegui parar de pensar em você por um só segundo durante esse tempo. — Falou, seus olhos negros cravados nos castanhos, e Jimin soube que ele estava sendo sincero. Sua voz saía de um modo quase agressivo. — Eu comecei a sentir ciúmes até mesmo de EunBi, para você ver o estado lamentável em que você me deixou.

Jimin estava de queixo caído e olhar atrapalhado, mas seus olhos se fecharam quando o acastanhado colocou uma mão em sua nuca e se inclinou, chocando seus lábios e devorando-os possessivamente, com tal urgência que fez o corte em seu lábio reabrir. Mas nenhum dos dois se importou com o gosto metálico que se misturou ao beijo.

— Desculpe. — Jeongguk murmurou, sorrindo contra seus lábios quando Jimin gemeu em dor quando puxou-o, acomodando-se para não piorar o estado de sua costela mais ainda.

— N-Não foi nada. Q-Quer dizer, o beijo foi... e-eu realmente n-não esperava por isso.

— Você estava tão ocupado mantendo-se longe de mim que não reparou nos sinais.

— Sinais?

— De que você estava me deixando louco, bonequinha.

Jimin corou abruptamente. Sua respiração falhou, e quando encontrou os olhos negros cheios de um sentimento acolhedor, sorriu de maneira boba.

— Kookie, eu...

Mas o capitão não o deixou terminar. Colou ambos os lábios novamente, entrelaçando ambas as línguas com voracidade quando Jimin soltou um som erótico no fundo de sua garganta.

— Eu gosto muito de você, Jimin, e eu quero ficar com você. O que me diz?

Se o pequeno não houvesse acabado de perder sua capacidade cognitiva, ele teria dito alguma coisa. Mas acabou por sorrir e murmurar:

— Não acredito que eu tive que apanhar e ser trazido para um hospital para ouvir isso de você, Jeongguk.

Jeongguk riu. Um de seus raros sorrisos sinceros estava estampado em seu rosto, deixando-o descontraído, mais bonito e expansivo. Era como presenciar um lado totalmente oculto dele e ser surpreendido pelo quão bem ele conseguia esconder esse lado das pessoas. Mas não mais de Jimin.

— Acho que depois dessa surra só me resta aceitar, hum. — E gemeu, manhoso pela fina dor que lhe acometeu no pulso. Jeongguk suspirou e beijou o pulso frágil, delicadamente, logo em seguida colando seus lábios novamente e os devorando como se lhe pertencessem. E realmente agora pertenciam-lhe. — Ai, minha costela. Se você continuar atentando contra meu bem estar físico dessa maneira, terei que denunciá-lo para omma.

— Espere essa costela ficar boa e vou mostrar como posso atentar contra seu bem estar físico de uma forma que você vai adorar, bonequinha. — Sussurrou, malicioso, rindo quando Jimin tornou-se um moranguinho fofo de tão vermelho que ficou, começando a gaguejar. E ali estava o serzinho frágil pela qual Jeongguk se tornou praticamente um dependente, de olhos brilhantes e lacrimejantes quando ele se inclinou para beijar seus lábios de maneira apaixonada. Jimin se derreteu. — Você é lindo, Minnie. Perfeito.

Jimin sorriu acanhado quando separou-se do outro, que no momento suspirava pesado. Entrelaçou os dedos miúdos nos longos do Jeon, sorrindo bobo quando percebeu que ambos se completavam. Era lindo, era perfeito.

— Gosto quando você me chama de bonequinha, ou bebê, é fofinho... — Sussurrou, como se fosse um segredo, coisa que fez Jeongguk sorrir levemente e assentir.

— Eu sei, bebê. Eu sei.

Era uma perspectiva completamente nova gostar de alguém a ponto de querer firmar um compromisso, mas ele não se sentia estranho, pelo contrário. Jeongguk sentia seu lado possessivo e ciumento muito de acordo com aquilo.

Tudo bem que os dois sofreriam muito no dia seguinte com as piadinhas de seus amigos e os surtos histéricos das meninas, principalmente de Jieun e EunBi, tudo bem. Nada daquilo parecia minimamente preocupante se comparado ao momento bonito onde finalmente Jimin aceitou ser seu, mesmo que também fosse uma pena tremenda ele estar com a costela quebrada. Mas recompensaria todo o tempo perdido e as chatices dos amigos tão logo o moreninho se recuperasse. Ah, se recompensaria.

— Porque você é perdidamente fofo, Jimin. E você é meu.

E o sorriso bobo que Jimin lhe deu poderia acabar com guerras... Mas ele escolheu acabar com Jeon Jeongguk, simplesmente.

— Eu sou seu, Jeongguk. — Jimin arfou, e Jeongguk se perdeu em seu cheiro e em seus olhos como ele mentalmente disse que sempre se perderia quando estivesse com ele. — Eu sou seu. Somente seu.

E aquela era a verdade, no momento, pois Jimin sabia que Jeongguk também era seu, somente pelo sorriso carinhoso e recheado de sentimentos que ele lhe deu quando se inclinou para beijá-lo outra vez, querendo que aquele momento fosse eterno; que fosse infinito. E foi.

Sempre seria, pelo menos enquanto estivesse com ele.


Notas Finais


EU JURO QUE TENTEI socorro 💔 Me perdoem se ficou horrível :( T.T
Foi um pequeno presentinho a @QueenLis que está fazendo aniversário hoje ❤ Kyaaa amor espero que tenha gostado, fiz com muito amor ❤
E a @Jeonminporn PORQUE EU TE AMO MULHER ;-; VAMOS CASAR E TER TRINTA FILHOS Y.Y ❤
Espero mesmo que tenham gostado, porque socorro 18K? MEU DEUS o.O ❤
Bjões meus anjos e até uma próxima fic (ou quem sabe um extra? >.<)
AMO VOCÊS ❤


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