História My Soundtrack - 2 Temporada - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Chace Crawford
Personagens Chace Crawford
Tags Criminal Romance
Visualizações 60
Palavras 3.714
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Cheguei tarde, mas cheguei...
Capítulo está enormeeee e ficou mesmo, mas eu cortei pela metade SIM. Taí o capítulo do dia 12...
Dia da nossa senhora aparecida e dia das crianças... que dia hein haha
Perfect do Simple Plan, uma música antiguinha, mas bem significativa nessa nova fase... um pouco triste, mas necessário.

Boa leitura <3

Capítulo 12 - Perfeito


Fanfic / Fanfiction My Soundtrack - 2 Temporada - Capítulo 12 - Perfeito

- Pai! - me jogo em seus braços imediatamente. É indescritível a minha emoção nesse momento. Deixo as lagrimas cair levando embora todas minhas preocupações e me trazendo esse gostinho de paz, e esse abraço apertado do meu pai que eu tanto senti falta. Isso era o que eu mais desejava, e agora, eu estou aqui.  

- Filha... - escuto a voz da minha mãe. Solto-me do meu pai, e encontro minha mãe logo ao meu lado.  

Ela está diferente. Seus cabelos estão bem cuidados, como sempre. Mas sua pele e postura claramente é de alguém mais velha, porém feliz. Pela sua expressão, é de alguém completa. Nunca pensei que a veria assim. Por isso, corro para lhe dar um abraço e lhe confortar de que está tudo bem. Agora está tudo bem! 

Sinto o seu cheiro familiar e acolhedor. Por mais que ela seja uma mãe exigente e bastante dura ás vezes, a Dona Beatriz era uma mulher forte e que sempre fazia de tudo pelos seus filhos. Me trazia uma felicidade imensa tê-la comigo. Tudo o que a Tris disse naquela festa semanas atrás veio a minha cabeça e eu só consegui imaginar que a minha mãe sentia algo, e agora, tudo isso chegou ao fim.  

Me desgrudo dela eu olho para eles. Os dois emocionados, me olhando abraçados...  

- Eu amo muito vocês - digo sorrindo para meus pais 

- Não consigo acreditar que você está aqui, filha... - diz papai, me trazendo para mais um abraço. Dando-me um beijo no alto da cabeça 

- Você está linda, chique... E essas roupas. Bom... Isso explica meses incessáveis de trabalho árduo e cursos. - Mamãe diz limpando o rosto.  

- Trabalho árduo, pois é. 

- Vem, você deve estar com fome – ela me arrasta para a cozinha. Enquanto papai insiste em levar minhas coisas para o quarto. Não protesto, deixo. Ele é bem forte e pelo o que parece, não anda só correndo, mas malhando. 

Reparo no apartamento e vejo muita coisa diferente. A começar, pelos moveis. Estão bem mais chiques, o sofá eles trocaram, há quadros novos e pelo visto andaram trocando as fotos do porta-retratos. Pessoas diferentes que estavam felizes, sorrindo e abraçados aos meus pais. Fotos da família... e nenhuma minha.  

- Quem é essa garota? - pergunto apontando para uma mulher agarrada ao Alberto na foto.  

Mamãe sorria para mim, trazendo um prato cheio petiscos malucos.  

- É a namorada do Alberto. Simone o nome dela. Um amor. - diz se sentando ao meu lado no sofá.  

- Bonita, parece simpática e uma boa pessoa – digo colocando o porta-retratos no lugar 

- Ela é! Tem uma boa família também. - Pelo sorriso da minha mãe eu já entendi tudo. Por isso, mudo de assunto. 

- E como estão as coisas? Vocês parecem bem. As coisas estão diferentes por aqui. - Pergunto curiosa para saber como anda a vida dos meus pais. 

- Está tudo bem, filha. - Papai aparece na sala, se sentando ao me lado – Os meninos estão bem. Marcelo está construindo a vidinha dele, Alberto está para se mudar, e eu e sua mãe estamos pensando em sair... 

- Sair? - pergunto sem entender. 

- O apartamento vai ficar grande demais apenas para nós dois, por isso estamos pensando em comprar um menor.  

- Quem sabe no Leblon, tem apartamentos ótimos. - diz mamãe empolgada. 

Noto as quão felizes eles estão. Muita coisa aconteceu desde que eu fui para Los Angeles, a vida deles não pararam por mim, e eu não esperava menos. Nem eu parei por eles. Minha vida continuou, bom... girando em torno deles. Já que passei boa parte do tempo vivendo e lutando pelas suas seguranças. Mas pelo o que parece, isso foi o menor a se preocupar. Eles estão bem! Meus irmãos estão felizes e realizados em suas vidas, construindo-as e meus pais reconstruindo as suas, sem os filhos.  

Escutar os planos deles para o futuro não muito distante me atingiu um pouco, já que o que eu queria, era vê-los sentir minha falta, precisar de mim, mas isso é o que eles menos fizeram. Não tem espaço para mim agora? 

Antes mesmo de fazer novas perguntas para saber mais sobre as atualizações da família Vegas, vejo a porta se abrir. Alberto entrar por ela de mãos dadas com uma ruiva. A da foto. Assim que me vê, para imediatamente no lugar, fazendo a ruiva, que pelo que me lembro se chama Simone, reclamar e o empurra de leve.  

- Kimberly? - pergunta ainda surpreso 

- Oi, maninho – me levanto para o abraçar 

Ele está mais alto e mais bonito. Pelo jeito o Alberto encapetado se foi, e um novo o substituiu, o que traz um alivio para os meus pais e um orgulho para mim. Nem parece o garoto idiota que roubava minhas bonecas para as transformar em 'vítimas' de seus carinhos e bonecos do mal. O garoto mal-educado que dizia o que vinha a telha, o birrento e rebelde impulsivo Alberto.  

- Caralho, você está uma gata – opa, parece que o linguajar continua o mesmo  

- E você está diferente, tomou jeito – digo bagunçando o cabelo dele, que pela textura está hidratado. Oi?  

Uma tossi 'discreta' nos interrompe chamando a atenção de nós dois. Olho para a ruiva e noto o desconforto dela.  

- Oi, prazer. Kimberly 

- Ah, a irmã sumida do Alberto – ela diz rindo. Me deixando sem graça - Simone, namorada dele. 

- Chegou agora? - perguntou Alberto.  

- Sim. - Digo observando eles dois. Ele carregava uma pizza e ela uma sacola. Noto a forma que ela entra na cozinha e abre a geladeira. Está claro a intimidade na casa. E isso me deixa enciumada. Novas pessoas surgiram na vida da minha família e por algum motivo, me sinto excluído, posta de lado. 

- E o Marcelo? Nunca mais falei com ele. 

- Ah, ele está bem. Está morando em Niterói. Vanessa está fazendo faculdade lá, e ele quer ficar perto dela – diz mamãe.  

- Quer pizza, Kim? - Alberto me oferece, e claro, não recuso. Estou faminta. Dormi a maior parte do voo, e na outra fiquei me torturando em pensamentos.  

Sirvo-me dois pedaços de pizza, quando abro a gaveta de talheres encontro pano de prato. 

- É aqui, querida – Simone me mostra aonde fica a gaveta de talheres. E isso me deixa irritada. A casa é minha, não preciso que ninguém me mostre nada... mesmo quando eu não sei.  

- Não vai comer pizza? - pergunto para ela, notando que ela não pegou nada. 

- Não... É muito calórico. Prefiro algo mais saldável - ela pega um sushi no palitinho e come, parecendo se deliciar com a comida chinesa  

- Que pena – digo mordendo minha pizza e saindo de perto dela. Agora entendo o motivo de todo a aqueles sorrisos da minha mãe. Além de ter uma 'boa' família, ainda é uma metida desagradável. 

Os deixo ali e vou até meu antigo quarto, ou atual, não sei. No meio corredor eu reparo um estilo bastante diferente, eles realmente mudaram tudo. Ao ver a porta do meu quarto, eu me sinto num Deja vu, como tivesse sonhado com aquilo e isso me faz rir. Sonhei mesmo, todos os dias da minha estadia lá. Abro a porta do quarto e encontro tudo completamente igual a um ano atrás. Tinha uma ou duas coisas diferentes, mas estava ali. Conservado e organizado do jeitinho que eu havia deixado.  

Abro a guarda-roupa e encontro minhas antigas roupas. Aposto que nem cabe mais em mim, e isso e faz gargalhar. É... Eu engordei bastante. As fotos das meninas, e de alguns colegas de turma e até mesmo da minha família estão nos porta-retratos, me lembrando o quão eles são especiais para mim. Sento-me na cama e observo o quarto que me traz uma enorme nostalgia, lembranças, bagunças, castigos, meu refúgio. Quantas lembranças boas.  

E foi pensando nisso, que eu me deitei para descansar os olhos rapidinho, só por cinco minutinhos. Depois eu acordo para tomar banho e desfazer as malas. Até cair em um sono profundo. 

 

[...] 

 

Acordo com bastante falatório e murmurinho. Quando constato que estou no meu quarto, um alivio passa por mim. Percebo que está bem claro, pois não fechei as cortinas do quarto. Me levanto a procura do meu celular e o encontro desligada. Havia esquecido de colocar para carregar na noite anterior. E pelo jeito, havia caído no sono sem tomar banha e desfazer as malas. Por isso, levantei e fui tomar um banho descente. Coloquei uma roupa confortável e fui para sala ver o que os fizeram acordar tão animados. Normalmente isso não acontecia. 

Assim que chego na sala, vejo uma cena um tanto divertida. Alberto e Simone juntos no sofá, enquanto Marcelo está ao lado de uma morena no tapete da sala, ela joga GTA e todos estão tentando orienta-la enquanto ela fica desesperada para não morrer no jogo. E ao que parece, ela é a Vanessa. Nunca conheci a Vanessa pessoalmente, mas no tempinho que estivesse Em Los Angeles, á conheci por webcam e ela pareceu uma pessoa maravilhosa. E foi pensando sobre isso e admirando a casa cheia, com meus irmãos e suas parceiras, que eu não prestei atenção no meu pai me chamando. 

- Kimberly! - chamou-me meu pai. Levei um susto, me virando e o encontrando logo atrás. 

- Não vai tomar café da manhã? - perguntou.  

- Ah, não. Não estou com fome. Eu posso esperar o almoço - ele assente e volta para a cozinha. Vou atrás dele 

-  Cadê a mamãe? - pergunto não á vendo ali.  

- Foi para o yoga – diz limpando a bancada. 

- Yoga? - pergunto sem entender – Mamãe fazendo yoga? Nossa... Muita coisa mudou mesmo. 

Olho para a sala e ao redor e vejo tanta mudança, e nenhuma delas se adapta a mim. É como se eu não pertencesse mais a esse lugar. Como se ele estivesse longe dos meus devaneios.  

- Filha, muita coisa mudou desde que você foi embora. A sua ida mexeu muito comigo e com a sua mãe, e aprendemos com ela. As coisas não são mais como antes, nem você é. percebo que você mudou. Antes era mais carinhosa e afetiva, agora está mais observadora e determinada. Seu olhar sobre as coisas e sua postura muram. Você foi como a minha filhinha, e voltou como uma mulher, uma mulher forte que não precisa mais dos pais.  

Ele me olha analisando minhas expressões. E a vontade que eu tenho é de contar tudo, de dizer tudo o que aconteceu e porque eu voltei. Dizer que sinto sua falta, que o que eu mais queria era ter nossa família de voltar e ser excluída em seus planos, porque agora eu não sei quais são os meus sem eles. Só que olhando para ele e concordando que nada realmente é a mesma coisa, eu concluo que o melhor para mim é não dizer nada.  

- Kimberly?! - me viro imediatamente encontrando Marcelo ali. Tão diferente.... meu irmão mais velho. Corro para lhe abraçar e ele me segura me rodando pela cozinha toda, me fazendo rir sem parar.  

- Meu Deus, você está muito diferente. Que barba é essa? - pergunto tocando na minha barba, o fazendo rir.  

- Vanessa gosta da minha barba, então deixei crescer. Estou mais bonito, pode falar vai – diz me cutucando. Ri com ele 

- Que metido você virou – digo lhe empurrando fazendo graça. 

- Ei, não foi eu que fui para Los Angeles, namorei muitos caras, trabalhei e agencias famosas e esqueci da família, ok? - ele diz brincando, mas isso acaba me atingindo. 

Afinal, não foi isso que aconteceu. Antes fosse! Não passei minha estádia lá me divertido, trabalhando, dedicando a carreira e relacionamentos. Mas eles não sabem disso, porque estão seguros demais e não perceberam ou ao menos notaram que havia algo errado. E isso de alguma forma me magoa, porque não foi eles a notar, ou a sentir minha falta. Pelo o que parece não sentiram. Seguiram suas vidas e deixaram a Kimberly no mundo maravilhoso dela e não deram bola para saber se estava tudo bem, quando na verdade, eu estava tentando pedir socorro em meio ao pesadelo que vivi. E é claro que eu não disse isso ao Marcelo. 

- Nem tudo é maravilhas, Marcelo. E muito menos o que aparenta ser. - digo. Percebo ele me olhar diferente, como se estivesse me analisando, para ver se era brincadeira ou não. Antes mesmo dele responder ou falar alguma coisa, escuto a voz da Vanessa atrás dele. 

- Amor, consegui matar aquele bonequinho, eu... - ela me viu. - Ai meu Deus, Kimberly. Finalmente nos conhecemos.  

Ela me abraça forte e eu percebo sua animação ao me conhecer pessoalmente. Ela sempre me mostrou ser uma garota de confiança e digna para o meu irmão, uma boa mulher. Lembro-me que ela trabalhava como modelo ou algo assim. E não é para tanto, ela realmente é linda. Uma beleza invejável. Tão legal quanto uma pessoa não é bonita por fora, mas por dentro também. 

- Olha só para você, está tão diferente! - diz sorrindo – Los Angeles faz isso, costuma ser mais que um sonho 

Ri com seu comentário e notei o Marcelo ao nosso lado, olhando todo bobo apaixonado para ela.  

- Agora que você está aqui, eu quero te contar tudo e te conhecer de verdade, né - disse Vanessa 

- Claro, vou adorar conhecer você - digo feliz pela simpatia dela comigo. 

- Isso, vão conversar, mas longe da minha cozinha. Ela já é pequena e não precisa de mais gente aqui, ainda mais para me atrapalhar – disse meu pai com seu tom durão, nos expulsando da cozinha.  

- O Senhor agora é o cozinheiro da família? - Pergunto surpresa. Nunca iria imaginar que um dia meu pai seria o cozinheiro da casa, ele não sabia nem fritar um ovo se quer. 

- Cozinho! Por enquanto estou só no básico. Hoje estou preparando um fricassé de frango. Para comemorar sua volta – ele abre um sorriso. Pelo seu tom de voz era notável o orgulho que ele sentia de si mesmo. E não é para tanto. Em um ano aprendeu tudo isso e toda essa devoção pela cozinha.  

Noto o jeito que ele trabalha na cozinha. Muito profissional a forma que ele lida tão delicadamente com a comida e a forma que desfia o frango. Parece que mamãe foi substituída.  

- É Kim... Você está de frente com o próximo Master Chefe Brasil – brinca Marcelo, fazendo todos rimos.  

Quantas mudanças. Se for para comparar um antes e depois dessa família veríamos muita mudança, e não é para tempo. É para isso que vivemos, para evoluirmos como pessoa, para crescermos cada vez mais. As coisas se transformam, se renovam e nós também somos assim. Há observar as coisas, e eles juntos, em uma domingo de manhã brigalhão e preguiçosos posso imaginar que talvez, deixá-los e seguir meu caminho não seja tão ruim. Eles estão bem. Muito bem! 

Eu e Vanessa colocamos a uma linda mesa.  Não sabia a quanto tempo não jantava na mesa, principalmente com os meus pais. Noto que isso é algo que eles sempre veem fazendo, Simone aonde estava as coisas – mais uma vez o ciúme bateu. Alberto se mostrou maduro para levantar e ajudar a gente, por mais que tenha sido pelas insistências da namorada. Marcelo, como um bom filho, ajudou papai na cozinha. E minha mãe chegou em casa cantarolando... Algo nunca visto por mim. Até parei para admira-la, um tanto surpresa por não a reconhecer. Logo que ela tomou um banho e o assado ficou pronto, almoçamos.  

Conversamos como uma família perfeita, eles sempre dizendo do evento importante que teriam amanhã. Mamãe disse que ia conversar com seu colega e pedir para me incluírem no convite. Neguei, claro. Não queria atrapalha-los. Que cara de pau, chegar e já tomar o convite que alguém, que pelo o que a Simone disse, seria meio inconveniente eu aparecer já que a festa tem um limite de convidados. Achei aquilo meu rude de falar, e meu subiu uma certa raiva, mas logo me acalmei por que querendo ou não, era verdade.  

Alberto puxou assunto sobre a minha estádia em Los Angeles, resumi e omiti umas certas coisas. Papai tentou puxar assunto, mas eu logo o cortei. Não queria falar sobre a estádia em Los Angeles, quero deixar tudo para trás. Acabou. Logo serei outra pessoa, não há para quê falar sobre isso. Mas meu pai insistiu, e eu lhe contei que foi bom e eu aprendi muitas coisas. Então, mamãe tocou em um assunto delicado: 

- E aquele garoto? Justin, né? - quase me engasguei ao ouvir o nome dele.  

- Ah... nós terminamos, mãe. Mas ele está, é tudo o que eu sei – digo, já cortando o assunto e torcendo para o tagarela do Alberto diga qualquer coisa para que eu fuja desse assunto com a minha família 

- Então por que está vermelha? - diz Alberto, abrindo um sorrisinho. Ele sempre gostou de me provocar, por que eu acreditei que isso poderia mudar? Droga! 

- Toma conta da sua vida, garoto! - digo olhe lançando um olhar matador. 

- Pensei que estivesse com outra pessoa... Matheus o nome daquele rapaz – papai citou Matt e isso me deixou ainda mais tensa. O que aconteceu com essa família? 

- Matt – o corrigi - Nós não estamos bem. Brigamos e ... bom, há... não deu certo. - Sinto minha pele queimar de nervoso – Me passa o sal, Vanessa.  

- Mas está tudo bem? - papai dessa vez pergunta olhando para mim. E eu me sinto preste a explodir... nunca soube mentir muito bem, principalmente cara a cara. Por isso, apenas lhe dou uma sorrisinho e aceno a cabeça em confirmação. 

- Vai ficar bem, se o Senhor me dizer que tem sorvete – digo mudando de assunto e tentando o tranquiliza-lo – Qual foi, esse calor está de matar qualquer um.  

Todo mundo concorda comigo, e eu Vanessa sugere irmos depois do almoço tomar um sorvete em uma doceria em frente à praia e todos nós concordamos. Todos se juntam para tirar a mesa e organizar a casa, guarda e lavar as louças. E isso me tranquiliza, pelo jeito... Eu posso tentar fugir do passado, mas ele nunca vai fugir de mim.  

 

[...] 

 

Depois do almoço, todos nós nos arrumamos e fomos para garagem para irmos até a doceira, aonde a Vanessa jurava que tinha os melhores doces, sorvetes e tudo que tem direito. Percebi que Alberto estava meio emburrado desde que descemos, e pude perceber o porquê. Simone não queria ir para doceria nenhuma pois não queria ficar uma 'orca' como pude ouvir e estava querendo o conversar a não ir também.  

Papai e mamãe estavam animados. Pude perceber que eles estavam mais unidos, notei que assim que chegaram em frente ao carro, papai abriu a porta para minha mãe entrar, provocando em mim uma certa emoção. Amo de mais a forma que meu pai ama minha mãe.  

Fomos em carros separados, preferi ir com o Marcelo e Vanessa. Ela me contou que está fazendo faculdade de Cinema em Niterói e que tem uma gatinha, e a apelidou de Big, ironizando seu tamanho e que ela é a filha deles dois. Observei os quão felizes eles estão, e fiquei feliz pelo meu irmão, ele sempre batalhou por tudo. Diferente de mim, que fiz péssimas escolhas. 

A doceria que a Vanessa nos levou era bem fofa e moderna. Tinha diversos tipos de sorvetes, e eu pude me esbaldar ali. O que foi bastante refrescante, estava muito quente. Depois de pagarmos os sorvetes, fomos até a praia que era logo duas ruas atrás. Nos sentamos em frente ao mar, o dia estava calma, era fim de tarde.  

Decidi me afastar um pouco deles e apreciar aquela beleza sozinha, da qual eu tanto sentir falta. Matar a saudade. Estava andando pela praia e pensando em tudo que me trouxe aqui. Como pode ser louca a vida né. Olhava tudo com tanta emoção, até ouvir meu pai logo ao meu lado. 

- Matando a saudade da cidade maravilhosa? - perguntou ele, me abraçando de lado. 

- Pois é... senti falta – digo observando as ondas se quebrar, provocando um som bonito e tranquilizante.  

- Quando um passei um tempo lá fora também voltei assim, morrendo de saudade, admirando tudo como se nunca tivesse visto, uma nostalgia tomando conta de tudo, e claro... diferente.  

- Foi uma boa experiência quando você foi? - Perguntei curiosa. Papai sempre falava do tempo que estudou direito em Nova York, mas eu nunca parei para prestar atenção, até agora. 

- Foi. Conheci muita gente bacana. Meu amigo, Jorge, aquele que te ajudou. Foram quase 6 anos lá... Foi uma experiência incrível, foi essencial para mim – diz me abraçando um sorriso amigável. 

- É... É essencial – olho para o mar e me encontro distante. Será que foi? Por que eu não consigo sentir que foi? 

- O que foi filha? Desde que te vi notei algo diferente, o que aconteceu?  

- Muita coisa! - sinto uma coisa muita forte atingir meu coração, uma sensação indescritível. 

Era como ele estivesse apertado e eu entendia o porquê. Era a culpa. Culpa por tudo isso, por esconder isso dele. Eu não vou conseguir seguir em frente, ir para Sydney e levar esse segredo junto comigo. Eles vão sofrer muito sabendo que eu sumi, eu posso não sumir assim. Não posso deixá-los preocupados. Eles estão tão felizes. Não podem viver sabendo que a filha deles o abandonou, mais uma vez. Que sumiu sem dizer nada. Eu lhes amo muito e não posso ser egoísta a ponto de colocar as minhas escolhas e consequências a frente deles. Por isso, quando olho para meu pai, decido fazer a coisa dolorosa de todas e a mais sensata, uma escolha sabia que vai doer e partir nossos corações, mas essencial para seguir em frente.  

- Preciso te contar tudo o que aconteceu – olho para ele e respiro fundo. Não posso apagar meu passado, mas posso impedir que ele estrague meu futuro. Sendo honesta com quem quer meu bem. Encarar, ser honesta comigo mesmo, enfrentar as consequências e seguir em frente.  


Notas Finais


Ai ai ai... As verdades são essenciais para crescermos e seguirmos em frente. Nada melhor do que a honestidade, ainda mais com os nossos pais.

Até dia 14... xoxo

👇🏾👇🏾👇🏾 Links da música 👇🏾👇🏾👇🏾

* Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=-rJ8JLweZVQ
* Spotify: https://open.spotify.com/track/2TeiKDPE3RdamZG0pp5okI


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