História My Truth - Capítulo 50


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Cana Alberona, Flare Corona, Gray Fullbuster, Happy, Igneel, Jude Heartfilia, Juvia Lockser, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Mavis Vermilion, Natsu Dragneel, Personagens Originais, Ur, Virgo, Zeref
Tags Calu, Colegial, Ecchi, Esporte, Fairy Tail, Família, Gruvia, Laços, Lali-chuawn, Lucy Heartfilia, Magia, Nalu, Natsu Dragneel, Romance, Tempo Espaço, Zervis
Exibições 288
Palavras 6.312
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Sabe aquela semana em que sua vida vira de ponta cabeça? Sim, é o que tá pegando. TvT Uma prova minha foi antecipada e não vou poder atualizar segunda, eu vim agora pois conseguir terminar de organizar minhas coisas para amanha e tô morrendo de sono kkkk mas espera, deixa eu dizer que tem uns avisos importantes.

Não se esqueçam que a Fanfic se baseia em dimensões, a terra e o mundo “celestial” de Spetto, como preferirem dizer.
MAIS importante, não se esqueçam que a “terra” possui outras alternativas em universos semelhantes, lembra daquele Natsu sentado frente a lapide da Lucy no final da 1 temporada? Aquele Natsu não é o mesmo que este protagonista u.u eles tem caminhos muitos parecidos, mas não quer dizer que é obrigatório ser igual. Só lembrando :v

*--* 24 comentários no ultimo, eu fui pegue desprevenida, e nossa, fiquei tão feliz XD vocês me deram uns tiros hein :v agora vou retribuir. <3

:3 Obrigada pelos mais de 550 favoritos, muito obrigada mesmo *3* e é o capitulo 50? Finalmente :O nossa, o tempo corre hein.

Até as notas finais e boa leitura :3

Capítulo 50 - Rotas de colisão - Parte final


Fanfic / Fanfiction My Truth - Capítulo 50 - Rotas de colisão - Parte final

Domingo, 14 de junho de 2015 — CC

 

Aqueles dias foram cansativos demais para ela, tirando outros exames adicionais, precisou ir ao dentista fazer vistoria de sua arcada dentária, pois, segundo as explicações de Zeref, a quimioterapia iria fragilizar seu corpo e se houvesse alguma cárie, seu dente poderia ser bastante danificado.

A consulta na nutricionista veio logo em seguida, estava pouco abaixo do peso e precisava se alimentar de acordo com sua nova condição. Neste lado, Lucy passou a se interessar mais, existia um guia alimentar que facilitava na hora de escolher sua refeição, alimentos que lhe dariam mais força imunológica, combateria anemia, sangramentos, enjoos, até mesmo caso sofresse com falta de apetite. Claro, não era a cura para tais sintomas, porém, ajudaria bastante.

Depois de uma semana internada, finalmente pôde receber visita de Cana, fato que lhe animou um pouco e deu uma pausa para Virgo ir a Hargeon terminar de concluir seus planos rápidos antes de cuidar de Lucy. A loirinha não se atreveu a contar sobre a visita inusitada de Lisanna uma vez que a mesma achou melhor manter segredo, mas o dia com sua amiga foi tranquilizador, embora minimamente. Ela deu espaço para desabafar um pouco de suas frustrações e parecia tirar vários sacos de areias em suas costas.

[...]

 

— Então, Flare vai mesmo voltar... — Lucy abaixou o olhar, podia ser muita pretensão de sua parte, mas não conseguia deixar de sentir-se culpada. A Corona voltaria do seu intercâmbio somente por saber de seu estado.

— Desculpa. — Cana enrolou algumas mexas no dedo indicador. — Eu não consegui esconder dela... Você sabe. — Fez bico com os lábios. — Ela me lê completamente. — Lucy sorriu de um jeito bobo e presunçoso, entretanto, a morena não pôde ver, estava evitando fita-la.

— Por que você está evitando me olhar? — Pressionou os olhos.

— Não estou. — Cana piscou algumas vezes enquanto seus olhos caiam em Lucy e voltavam a outro lugar próximo.

— Está sim! O que aconteceu? — Franziu o cenho, cética.

— O que você quer que eu faça? — Cana ergueu uma sobrancelha, buscando disfarçar o que realmente pensava. — Foi uma semana inteira sem te ver e, olha a sua cara! Essas olheiras estão me matando. Você está parecendo a loira do banheiro. — Lucy foi abrindo a boca na medida em que as frases da amiga eram ouvidos.

— Isso foi muito rude! — Curvou o corpo mais próximo dela e começaram a discutir por trivialidades.

Enquanto isso, no corredor que dava acesso ao quarto de Lucy, estava uma garotinha de cabelos pretos, usando chinelos simples, calça moletom e uma blusa branca com um panda estampado no meio.

— Algum problema Kawo? — O enfermeiro responsável por ela perguntou, retorcendo a boca entrando em estado de alerta pela forma fixa que a travessa fitava um ponto na parede. — Não está aprontando nada dessa vez, não é? — Deu seu melhor sorriso, temendo cair em qualquer pegadinha da menina.

— “Lucy Heartfilia” — Ela pesou, tocando a plaquinha presa na porta do quarto. Brevemente pôde ouvir duas vozes no cômodo e algumas coisas a fizeram sorrir de forma mínima, porém, logo voltou a ficar séria. — Heartfilia... — Alisou o nome com delicadeza. — “Seria muita sorte a minha...”.

— Kawo? — O outro tocou seu ombro, querendo saber se ela estava bem.

— Essa pessoa não deveria está aqui... — Murmurou dando passos atrás, deixando-se levar pelo enfermeiro. — “Ela devia estar conosco” — E se foi, imaginando quando teria uma melhor oportunidade de falar com ela.

[...]

 

Neste momento dentro do quarto, Cana estava sentada na beira da cama prendendo a respiração de Lucy por puxar seu nariz, movimentando a face da loirinha em círculos e sorrindo pelos gemidos de reclamação.

— P-Pare. — Lucy empurrou a mão dela e fez uma careta cobrindo o local dolorido.

— Eu ainda não havia perguntando, mas... — Colocou a mão no queixo. — O que foi isso no seu rosto. — Sentiu a aura de Lucy congelar e quebrar em cacos.

— Isso é uma coisa engraçada. — Começou a rir de nervosa. — Tinha uma muriçoca sabe? Ela era desse tamanho. — Fazia mímica. — Estava voando perto do meu ouvido, com aquele zumbido chato e eu me virei ao lado oposto. — Imitou, conduzindo a muriçoca imaginária com a mão direita e pousando-a em sua bochecha marcada. — Então eu apenas acabei com ela!

— Como consegue ser tão desajeitada? — Cana riu, e seu tom natural fez Lucy se acalmar.

— Sobre Flare vir, para ser sincera... — Lucy quebrou o clima, olhando seus joelhos. — Eu vou gostar de tê-las por perto... — Murmurou retraída. — Estou tentando ser forte, mas... — Fugou, mas sem choro. — Eu me sinto tão estranha. Tão... Sensível. — Encostou a testa nos joelhos dobrados. — Até o pôr do sol me deixa melancólica... O meu tempo corre desenfreado como um carro de corrida e continuo aqui, nesta cama, sozinha.

— Você não- — Foi interrompida.

— Sei que tenho vocês, só que é mais forte do que eu... O vazio se instala aqui. — Lucy pôs suas costas na cama reclinável e tocou seu peito, de olhos fechados. — É como se estivesse submersa em um mar escuro.

Cana apertou a barra de sua blusa, tentando não sucumbir ao sentimento de dor pelo abatimento de Lucy. A ouviu fungar novamente, talvez tentando reprimir seu choro e apenas deixou seu coração falar mais alto. Avançou sobre a cama, sentindo-se aceita quando a loirinha foi mais para o lado dando-lhe espaço.

Ela abraçou Lucy que não perdeu tempo e se acomodou em seu peito, recebendo carícias nos cabelos loiros. Cana deu um beijo em sua testa e fechou os olhos com força, tentando colocar o que lhe assombrava nos últimos dias longe de si no momento.

— Cana... — Lucy agarrou sua blusa sem usar força, apenas queria chamar atenção. — Pode ficar aqui até que eu consiga dormir? Não aguento mais esses pesadelos...

— Claro que sim. — Sorriu achando-a boba. — Não vou sair do seu lado até ter certeza de que dormiu. É minha promessa.

— Obrigada... — E se mantiveram unidas por um longo tempo...

Sexta-feira, 19 de junho de 2015.  7h: 09min, no Colégio das fadas.

 

— Wendy, veja. — Chelia tocou o ombro direito da melhor amiga e fez gestos sutis para que olhasse em certa direção. — É ele, não é?

Ambas estavam sentadas em um dos bancos no pátio externo, esperavam por Charles para seguirem juntas até a sala de aulas, foi certa surpresa a Marvell ver o rosado passando tão cedo nas dependências da escola, havia percebido que ele sempre chegava ao último minuto.

— Eu gostaria de falar com ele. — A azulada desviou o olhar. — Tem algo que o pai dele me pediu para contar.

— Então vamos lá, estarei ao seu lado. — Chelia tocou na mão da amiga, sabia que estava sendo difícil. O peso era grande, afinal, aquele homem deu a vida por ela e deixou sua família.

— Não posso. — Wendy negou. — Minha mãe disse para ficar longe dele até segunda ordem.

— Por quê? — Franziu o cenho. — Ele tem direito de saber, o tal Igneel pediu a você.

— Mas minha mãe disse de um jeito... — Se entreolharam. — Sinto que não devo desobedecer por enquanto. — Viu a outra passar os olhos pelo rosado mais uma vez, e continuaram ali por um tempo.

[...]

 

Natsu caminhava pelos corredores a passadas rítmicas, mastigava um chiclete de menta com força e em certos momentos fazia uma bola até que ouvisse seu estouro. Ele mantinha as mãos dentro dos bolsos dianteiros, sua mochila presa de qualquer jeito no ombro e ignorava qualquer rastro de presença humana ao redor. Estava estressado e o culpado era Zeref.

Tudo bem, as provas anteriormente aplicadas possuíam grande parcela de culpa, o fato era não poder fugir daquilo tudo, só agradecia por este ser o último dia antes das possíveis férias. Agora se tratando do irmão mais velho, como ele ousava fingir que nada aconteceu?

O homem de cabelos negros, quase idêntico a Igneel obviamente era o pai biológico, estava em Magnolia à procura de Zeref para sabe-se lá o quê. Natsu sabia que Mavis contou ao noivo, ele tinha certeza absoluta que o moreno soube, mas o irmão não lhe dizia nada.

Cobrava-lhe tudo como antes, estudar, tirar notas boas, comer direito, entretanto, não teve coragem de sentar-se a mesa para uma conversa onde iria expor os segredos, o objetivo daquele sujeito mal encarado na cidade, na verdade, a cada dia Zeref era menos presente em casa.

— Tsc! — Bateu a porta de correr com força ao abri-la e sentiu um tanto de alívio por ninguém além dele estar no cômodo. — Ótimo. — Fechou os olhos, lembrando-se do enxame que foi com sua volta, todos estavam “preocupados”, queriam notícias, diziam sentir lastimas pelo ocorrido, contudo, o rosado apenas revirava os orbes, irônico, sendo claro ao dizer que não queria papo.

Ele colocou a mochila sobre sua mesa e fez mais uma bola de chiclete antes de puxar a cadeira, teria sentado e permanecido quieto, se não fosse tão minimamente ressentido por suas ações com certa pessoa e deixasse seus olhos correrem até o lugar dela, este, vazio durante aqueles dias.

Sabendo que talvez, ainda fosse demorar em alguém aparecer, ele caminhou sem pressa e postou-se ao lado do lugar, tocando a mesa dela com as pontas dos dedos. Os colegas foram severos em atender seu pedido, não ouviu nenhum boato específico sobre o paradeiro de Lucy, Cana fingia que não o via e até mesmo Lisanna fazia voto de silêncio.

Entretanto o rosado sabia muito bem como obter respostas, bastava perguntar, ligar seu aparelho celular e conferir as mensagens que provavelmente a loira lhe mandou, só que ele não executava aquelas simples tarefas.

— Eu não sei... — Murmurou voltando com as mãos para dentro dos bolsos. — “Juro que não entendo o que há comigo” — Lamentou-se, temendo os dias seguintes.

08h: 00min. Hospital universitário — CC

 

Zeref olhava disfarçadamente Lucy ali do lado, sendo levada por Virgo que segurou sua mão desde o momento que saiu do quarto, ele sabia que o pior possivelmente aconteceria. Preocupou-se com a recusa de sua paciente a receber acompanhamento psicológico, todos os dias foi um voto de silêncio da parte dela e Zeref preocupava-se mais do que demonstrava.

— Esta é a segunda central de quimioterapia do CC. — Ele disse assim que adentraram na recepção, que pelo horário, estava quase vazio. — É aqui onde todo processo de manipulação e aplicação do medicamento ao paciente é realizado. Nós temos um consultório médico acompanhado do atendimento de enfermeiros e aqui, como podem ver, é o local de espera.

O local que estavam plantados no momento tinham mais ou menos vinte metros de diâmetro com diversas fileiras de cadeiras para possíveis acompanhantes ou os próprios pacientes aguardarem sua vez. Todas estas cadeiras eram voltadas para uma televisão e o balcão da recepcionista. Zeref prosseguiu.

— Esta é Briar, nessa ala, ela é a recepcionista e... — Parou um momento ao notar que Lucy nem prestava atenção, somente observava um ponto no chão. Já Virgo parecia impressionada com o lugar bem estruturado. — Hoje não possuímos muitas sessões marcadas neste horário, por isso decidi trazer Lucy. — Passaram por um pequeno corredor até adentrarem por outro acesso.

— Possui bastante espaço. — Foi à única coisa que a rosada conseguiu dizer.

— Sim, tudo é bem amplo, acima do que se é obrigatório por lei. — A viu assentir. — Aqui é a sala para administração da droga. — Ele acenou para uma paciente que já estava recebendo a quimioterapia e prosseguiu logo depois. — Só lembrando o que já tinha dito, o tratamento é basicamente um soro administrado por via intravenosa, maioria dos casos é assim, embora existam alguns por via oral. Todos os pacientes ficam sob supervisão de um oncologista, farmacêutico, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e até mesmo psicólogo. — Antes de prosseguir, ele apontou para determinado local. — Ali temos a emergência, tudo bem equipado caso algo, que desejamos não ocorrer, aconteça.

— Quanto tempo vai levar cada sessão? — Virgo perguntou e Zeref iniciou sua explicação, mas a loira não ouvia eles.

Lucy via o chão de porcelana tão limpo que refletia bem a luz, quando subiu mais seu olhar, admirou a parede que possuía uma linda tela paisagista, com árvores e contornos desenhados de forma bela, trazendo a sensação de estar no meio de uma floresta.

Mas sua admiração acabou quando se deparou com as cadeiras acolchoadas de tom branco, cada uma era separada por cortinas, isto mantinha a individualidade para os pacientes em tratamento e ela correu seus olhos em cada, sentindo seu coração sair mais do ritmo e as mãos gelarem principalmente quando algo lhe chamou atenção.

A mulher de talvez, trinta e poucos anos, usava touca de cor clara e uma roupa escura, estava bem sentada em uma das poltronas e podia perceber sua aura derrotada. Tinha olheiras, pele cálida, e ver aquela cena revirou as entranhas de Lucy. O braço direito dela possuía uma mancha de sangue horrível, como se tivesse torturado o local constantemente.

Os orbes castanhos foram pressionados pelas pálpebras quando minutos depois o homem vestido com a farda do CC voltou com uma bandeja pequena que continha o material para a continuidade.

E a Heartfilia já entrava em pânico. Respirando com pesar, tentando se esquivar do toque de Virgo para sair dali.

— Lucy?! — Virgo a chamou baixinho, percebendo como a menina começava a demonstrar angústia e foi nesse instante que o moreno pediu calma a rosada, ambos deveriam observar como ela ia lidar com aquilo.

O auxiliar de enfermagem fez toda a assepsia do dorso na mão esquerda da mulher, logo em seguida passou a liga entre o braço para a pressão dos vasos sanguíneos. Depois de demonstrar tocar as veias sobressaltadas com atenção, ele pegou o cateter¹ e nesse instante Lucy reagiu junto a paciente. Ambas fizeram caretas de repúdio e dor com a agulha perfurando o local.

Ela estava prestes a passar por tudo aquilo, horas e horas sentada recebendo uma substância líquida que lhe ajudaria a regredir com a doença, mas em compensação acabaria com boa parte da integridade de seu corpo. E naquele momento Lucy não soube dizer o que era pior, ter seu sangue virando “água” ou fragilizado pelo tratamento.

Todos os riscos que Zeref lhe explicou existir correu por sua mente, eram tantos que nem lembrava a metade dos nomes. Tinha medo, era essa a verdade. As coisas seguiam num ritmo rápido, não acompanhava mais. Só queria marcar uma biópsia, entretanto se viu obrigada a internação, dias e dias naquele quarto, passando por coisas que não imaginava lidar no momento.

— E-Eu não posso... — Choramingou, abraçando seu próprio corpo como se um frio intenso o invadisse.

— É para o seu bem. — Virgo buscou lhe lembrar. — Estou com você.

— Não! — Tremia. — Eu quero ir pra casa. Não aguento mais ficar aqui. — Pediam muito dela, coisas que Lucy não havia se preparado para passar. Aguentou o máximo possível e boa parte daquilo era devido ao Happy, seu amigo secreto que lhe confortava, mas nem ele estava ali no momento, sumiu de novo.

— Então você não vai fazer isso hoje! — Zeref disse limpo o suficiente para ela entender, queria acalmá-la. — Vamos voltar? — Poucos segundos depois e a loirinha passou por ambos, caminhando pelos corredores enquanto fazia questão de ir à frente deles.

— Mas isso não vai ser um risco? — Virgo apertou a manga do jaleco do Dragneel. — Lucy piora a cada dia não é? — Estava aflita.

— O tempo não é exatamente o primeiro fator a se preocupar, digamos que um indivíduo pode ficar um ano desenvolvendo seu câncer e vir a descobrir só depois disso, ainda assim tem uma chance maior de cura do que alguém que descobriu antes. — Tocou o ombro de Virgo com gentileza. — Tenho o prognóstico dela e a contagem de células imaturas ainda está pouco abaixo do anormal, lembra-se? Digamos que o câncer dela cresce seis por cento a cada mês, isto sem qualquer tratamento, daqui trinta dias Lucy estaria pouco acima do anormal, mas não em nível crítico.

— Você está se acomodando? — O parou no meio do corredor, indignada.

— Não! Mas o que você esperava? — Ergueu uma sobrancelha. — Vai dizer que o certo é amarrá-la e empurrar a força?

— Isso não... — Murmurou, abaixando o rosto. — Mas... E se ela não quiser tentar?!

— Está com muito medo, Virgo. — Se entreolharam. — Precisa se manter mais lúcida, calma, confiar em mim e na equipe. Confie em Deus também. — Suspirou. — É apenas o começo de uma longa, e exaustiva caminhada.

— Vou ao banheiro lavar meu rosto.

— Tudo bem, eu vou falar com ela. — Foi até o quarto dela.

[...]

 

Quando Zeref entrou no quarto da Heartfilia, flagrou a mesma coberta pelos lençóis toda encolhida de costas para a porta. Ele rodeou a cama e agachou-se para ficar cara a cara. Naquele momento Lucy lhe pareceu um filhote de gato, abandonado na rua tremendo por estar molhado e com pavor do desconhecido.

— Não estou pronta... — A confissão dela o surpreendeu.

— Tudo bem, ter medo é normal. Todo mundo tem medo, até eu tenho medo. — Retirou algumas mechas dos olhos castanhos. — Mas vamos nos unir, você não está lutando sozinha.

— Então... — Lacrimejou. — Por que me sinto sozinha agora?! — Ao ouvi-la, Zeref uniu mãos palmas e colocou frente da boca, lembrando-se que Natsu lhe disse algo parecido.

— Talvez... Se sente assim por ter sido colocada em uma situação estranha e ninguém que você confie profundamente está ao seu lado. — Ele sorriu triste. — Alguém que você ama, talvez, esteja se sentindo assim... — Lucy demonstrou certa surpresa, mas relaxou o rosto em seguida.

— Quero ir pra casa.

— Você vai, vou assinar sua alta assim que resolver algo hoje. Eu libero você a meia noite, se quiser.

— E meu tratamento?

— Tudo bem, vamos manter o que estava só para aliviar, mas não pense que pode fugir da quimioterapia para sempre. — Ele recebeu uma mensagem no celular. — Só um momento. — Leu o que lhe enviaram e seus olhos ganharam mais força. — Agora tente não pensar nisso. Foque em ir para casa, ver Natsu e seus amigos.

Pouco depois a rosada voltou, trocou de lugar com ele, e Zeref fez um gesto singelo para virgo antes de sair. A partir do momento em que fechou a porta do quarto de Lucy, retirou seu jaleco e deu o primeiro passo em diante, soube que não era mais um médico, ele tornou-se somente um homem que defenderia seu lar e colocaria um fim em toda aquela teia com Tetsuya.

Enquanto dirigia-se a seu carro, lembrou-se do dia em que foi tranquilizado por Grandeeney.

~~*~~

 

— Isso muda tudo... — Retirou o paletó, abriu dois botões de sua blusa branca e sentou-se na cadeira confortável. — Ele não é só um golpista chantagista... — Olhou para o teto, seus olhos transmitindo sua dor. — Igneel... Você... Sabia de tudo o que ele faz e ainda assim... Por nós... — Mordeu os lábios com força e pouco depois seu celular tocou.

Se fosse qualquer outro número, até mesmo Mavis, ele não atenderia no estado atual, mas era o nome da parceira de seu pai ali, Grandeeney. Sua mão trêmula guiou-se até o aparelho e atendeu eufórico.

— Ele está aqui, acabei de vê-lo, falar com ele. Tetsuya sabe de tudo, sobre Mavis, sua gravidez. — Passou as mãos nos cabelos. — Por Deus Grandeeney, eu soube ontem.

— Acalme-se, me escute. — Pediu do outro lado da linha.

— C-Como vou fazer isso? Você sabe o que ele faz para viver? Ele me contou todos os podres! — Pressionou os olhos cheios de água. — Não posso contra ele, eu vou dar tudo o que ele quer.

— Eu gostaria de estar ao seu lado agora, poderia dar uma tapa na sua cara. — Disse rígida. — Me escute, como você acha que Tetsuya tem conhecimento de tudo? Não seja idiota Zeref, você é mais inteligente do que isto! — Ela riu de um jeito confiante que deixou o moreno perplexo.

— O que quer dizer?

— Seu verdadeiro e falecido pai armou tudo. — Houve um momento de silêncio antes dela prosseguir. — Acha que Igneel não estava preparado caso algo assim ocorresse? Na verdade ele passou os últimos sete anos colocando seu plano em ação. Por que acha que Tetsuya está tão desesperado ao ponto de contar seus podres de cara?

— Não sei, eu não sei.

— Seu pai contratou um laranja, meu caro. Graças a este, podemos manipular os negócios de Tetsuya e agora ele está desesperado por dinheiro, pois acha que deve muito ao suposto parceiro de negócios sujos. — Ela riu sem humor. — Esse laranja conseguiu todas as provas necessárias e estamos apenas concluindo os passos finais para entrega-lo a polícia. Sabe o dia de abrir o testamento? Eu aposto que ele citou isto, não é?

— Sim, disse que sabia.

— Não é o verdadeiro dia, mas sim o palco para aquele maldito imundo pagar pelo que fez. — Ela estalou a língua. — Aquele Igneel, tão pateta e ao mesmo tempo, diabólico.

— Esse laranja é confiável? — Perguntou o moreno. — Mesmo assim, eu não posso arriscar, é minha família.

— Sei disso! — Brigou com ele. — Por isso siga minhas instruções. Não contate mais Tetsuya, ele sabe que você estará dia dezenove na empresa para a leitura do presente que Igneel deixou. Siga sua vida normalmente, faça aquilo que você nasceu para fazer e não se preocupe, ele não fará nada com quem você ama.

— Posso confiar?

— Deve. — Fez uma pausa. — Agora me escute, quando chegar o dia, tem algo que você precisa fazer.

~~*~~

 

— Chegou a Hora, finalmente. — Continuou seu trajeto, já havia demorado muito para ir se encontrar com a velha companheira de Igneel e precisava contar com a sorte, não podia topar com Tetsuya antes da leitura falsa, aquele detalhe era crucial.

Zeref foi ao estacionamento, caminhando a passos rápidos, entretanto não pode destravar seu carro e sair. Deparou-se com três aparentes policiais, fardados com trajes que nunca vira antes indo de encontro a si para aquela proximidade chegar antes do seu ritmo, não soube o que se passava no momento, mas aquilo estava longe de ser como Grandeeney lhe dissera.

10h: 46min. Colégio das fadas.

 

Natsu andava pelas dependências da escola, já havia recebido o resultado de suas provas e levou duas bombas logo de cara, conclusão: Teria até o final do mês para recuperar a nota caso não quisesse passar as férias de julho tendo aulas de matemática e química.

Mas ele parecia eufórico? Preocupado? Nem um pouco. A matéria não entrou em sua mente antes de Igneel falecer, agora sem o melhor professor que tinha, tudo iria por água abaixo. Enquanto passava pelas outras salas ignorando os alunos ao redor, chamou atenção de um velho conhecido que não suportou mais vê-lo desleixado.

Sting foi contido por seu irmão e Yukino, mas no fim acabou argumentando e soltando-se deles na primeira oportunidade. Pisou duro em direção do rosado e com a distância quebrada, no meio do corredor, tocou o ombro esquerdo de Natsu e o fez se virar. Eles se entreolharam de imediato e nada de bom parecia sair dali.

— Que porra você acha que está fazendo? — O loiro perguntou.

— Hãm? — Ergueu uma sobrancelha.

— Já faz mais de um mês que você não aparece nos treinos! Sabe que as competições estão chegando e este é nosso melhor ano para ir à vitória. Você é um dos titulares do time e está agindo como se nem se lembrasse dele! — Sting trincou os dentes quando notou o outro rindo em deboche. — Natsu- — Foi interrompido.

— Acha mesmo que estou ligando para time de rúgbi? Se a minha atual falta de interesse não foi suficiente, então lá vai. — Deu de ombro. —Tô fora! Não vou mais perder meu tempo com essa bosta!

— Como você pode ser tão egoísta? Sabe que precisamos de você!

— Sting, enfia esse drama no cu e vê se para de encher meu saco. — Natsu teria se virado, mas a mão do Eucliff parou em seu cachecol, de forma bruta e forte, sendo capaz de puxá-lo até se encararem novamente.

O Dragneel arregalou os olhos estupefato pela ousadia do conhecido, ele amassava aquele tecido de uma maneira que fez algumas veias da testa de Natsu pulsarem. Os orbes verdes escuros faiscavam em fúria e não pôde explicar como evitou seu impulso de socar o loiro no meio da cara.

— Sting! — Disse frio. — Tira a sua mão do meu cachecol.

— Olha, eu entendo que seu pai morreu. — O loiro tentava ser mais racional, mas não atendeu ao pedido. — Mas para de ser retardado, jogar pode ajudar.

— Solta. O meu. Cachecol. — Mantiveram o contato visual como se desafiasse um ao outro e Natsu a cada segundo tinha certeza que descontaria todo o estresse acumulado no loiro, entretanto os pedidos de Yukino fizeram Sting largar o tecido. — Encoste um dedo no meu cachecol de novo e amasso a sua cara. — Ele se virou arrumando a peça envolta do pescoço.

— Você é patético Natsu. — Cuspiu com repúdio. — Sinceramente, não sei como Lisanna e Lucy gostam de ti. Você só mostra não valer o esforço. — Deu de ombros. — Quer saber, já vai tarde.

— Tanto faz. — Falou baixinho e voltou à caminha pelo corredor.

[...]

 

Enquanto isso frente ao painel dos cinquenta destaques nas provas referentes aos alunos do segundo ano, uma multidão se formava para conhecer os mais pontuados, porém, o verdadeiro motivo de tanto enxame era algo quase impossível para os demais. Cana Alberona tinha seu nome lindo e bem estampado no primeiro lugar, com nota máxima.

— Isso não é real! — Gajeel gritou apontando para a lista presa na parede e fitando Cana com raiva.

— Quem diria, Cana. — Erza deu uma batidinha de leve no ombro da morena que apenas manteve sua postura de tédio e logo depois fitou Jellal que empalideceu. — Parece que o rei foi destronado. — Riu.

— C-Como pode estar tão normal com isso? — O azulado murmurou. — A Cana, Erza. Superou a nós dois em provas escritas.

— Se fosse tudo de marcar eu até acreditaria no poder da sorte. — Jet disse e obteve concordância de Droy. — Aquele lápis já me tirou de uma furada. — Se lembrava.

— Olha só! — Ela quase berrou chamando atenção dos amigos. — Acreditem que se eu pudesse voltar atrás, erraria tudo de propósito apenas para meu velho não encher o saco falando o quanto sua filha é demais. — Deu de ombros. — Bem, eu sou demais, entretanto prefiro não me destacar na escola. — Fez uma careta.

— P-Pensei que colasse da Lucy. — Levy não sabia onde pôr a cara, aquele resultado foi surpreendente.

— Na verdade eu sempre fico no pé dela para constrange-la e saber se está fazendo as coisas certas. — Colocou a mão na cintura e todos sentiram a boca cair. — Mas como Lucy não está aqui... — Seu olhar se perdeu por um momento antes de continuar. — Acabei resolvendo passar o tempo levando os exames a sério.

— Imagine como Gildarts vai ficar ao saber. — Erza segurava o riso e a morena revirou os olhos enjoada.

— Quem você acha que fez essa lista exagerada com meu nome maior que meu tamanho?! — Todos começaram a rir.

— Deve ser difícil Cana.

— Filhinha do papai.

— É, vão tirando sarro. — A morena sorriu brava, imaginando mil formas de acabar com cada engraçadinho, mas antes uma voz familiar ecoou, causando um silêncio constrangedor.

— Idiotice... — Natsu murmurou, quando percebeu todos pararem para lhe encarar, soltou o ar dos pulmões e recomeçou a andar.

— Esse tipo de atitude é o que chamo de inveja, recalque. — Cana o olhou por cima do ombro com seu melhor sorriso malévolo.

— Tsc. — O rosado retorceu a boca e fitou a morena nos olhos. — Tá se achando só por causa disso? — Sorriu sem humor. — Ah, entendi. Deve ser mesmo uma conquista inovadora, a mulher macaca aprendeu a escrever.

— A-ham. — Colocou algumas mechas onduladas atrás da orelha esquerda. — Falou o broto de cereja que ficou de recuperação. — Todos riram e Natsu conseguiu corar, mesmo que minimamente. — Quando te conheci, até cheguei a pensar que seria um bom rival, mas na verdade não me sinto ameaçada. — Fez gestos de deboche, não entendendo de forma concreta seus motivos de basicamente expor seu sentimental. — Meu maior erro foi ter deixado Lucy se jogar em seus braços, porém, acredito que até nisso serei vitoriosa. — Sabia que estava passando dos limites, só que não iria parar agora.

— Aê?! — Franziu o cenho.

— É, eu vou tomar o coração dela de você! — Apontou na direção dele. — Lucy merece alguém que ao menos visualize suas mensagens! Sendo franca, um beijo por mês? Tempo? A Lucy não tem tempo para seu drama!

— O problema é dela se gasta tempo comigo! — Urrou fora de si. — Eu não pedi para namorar! — Disse esbofeteando o ar. — Eu não sinto falta de beijá-la! Eu não sinto falta de nada! — Não queria dizer aquilo. Não queria! Mas estavam saindo sem o consentimento. — E quer saber?! Se te incomoda tanto, fique com ela! Lucy não é mais minha namo- — Foi interrompido.

Antes de Cana perceber sua atitude, a mão estendeu-se para pousar na cara de Natsu, mas algo dentro de si disse que ele merecia mais e seu punho fechou-se enquanto o braço esquerdo se movia em direção ao rosto do rosado, ela lhe deu um soco entre as mandíbulas que causou certo desequilíbrio no Dragneel.

— Você é apenas um maldito mentiroso! — Cana teria avançado novamente, mas alguém os interrompeu de imediato.

— Não acham que estão sendo rudes? — A palavra rude paralisou os dois, entretanto não foi a voz da loirinha, Lisanna apareceu detrás de Natsu com seus braços cruzados e expressão séria. — Você não pode falar assim da Lucy, Natsu! — Fez uma pequena pausa. — Cana, Lucy não aguentaria ver essa cena!

— Não se meta nisso Lisanna! — A morena precisou ser contida por Gajeel e Erza.

— Se acalme Mulher. — Pediu a Scarlet, mas foi ignorada pela Alberona que jogou toda sua indignação no rosado.

— Por que você afasta a pessoa que mais se importa com você? Como consegue? — Mordeu os lábios. — Ela chega a ter pesadelos com você sofrendo! Ela passou os últimos dias sem dormir pensando em ti e tudo que ganhou foi você a distanciando!

— Eu não ligo! — Ele apertou seu cachecol. — Não é problema meu! Não pedi pra Lucy me amar! — Gritou com os lábios trêmulos.

— É mentira! — Cana quase se soltou. — Está sozinho, pois quer esconder seus sentimentos! — Naquele instante a facada acertou o rosado. — Quer agir como se não fosse nada, mas a verdade é que sua alma agoniza pela perda de quem tanto ama!

Natsu deu um passo atrás, não sentiu Lisanna tocando seu ombro. Ele não se importou com tantos olhares, apenas o de Cana lhe confrontava. A morena parecia crescer diante de si enquanto o colocava contra a parede. Ele negou fechando os olhos com força, virou-se e correu como nunca antes havia feito. Fugindo da realidade.

[...]

 

Ele nem sequer deu-se o trabalho de pegar um ônibus, Natsu percorreu certo atalho, indo pelo parque e passando pelas terras da residência de Spetto, local este possuindo uma entrada secreta ao condomínio.

O torpor quase nem lhe deixava mover as pálpebras e as palavras de Cana não saiam da sua mente. Tinha medo, mal entendia a questão daquela angústia fora do comum, mas cada célula do corpo necessitava se proteger de novas decepções. Lutava com forças que nem sabia existir para conseguir se manter firme, e a raiva ajudava naquele momento.

Natsu usava o fato de Zeref estar mentindo para desviar a dor em seu coração. Distanciava Lucy, pois não queria lhe mostrar aquela versão tão deprimente e sabia que ela o faria desmontar com qualquer investida. Se não fosse isso, o rosado temia suas atitudes repulsivas, falava o que não queria e simplesmente era fora de controle. O quarto escuro parecia segui-lo por onde quer que fosse.

“Por que você afasta a pessoa que mais se importa com você? Como consegue?”

— N-Não sei. — Respondeu a voz de Cana em sua mente. — Não consigo. Não s-sou eu. — Fez maneios negativos com rapidez. — Ela não está aqui, não sei...

“Ela passou os últimos dias sem dormir pensando em ti e tudo que ganhou foi você a distanciando”

Ele fitou o céu com seu coração acelerado e os olhos vidrados, suando frio, como se a qualquer momento o chão fosse abrir debaixo dos pés e levá-lo ao vácuo. Sua mão desceu vagarosa até o bolso da calça e Natsu retirou seu celular, vinha mantendo-o ali, carregado e desligado, alisando-o sempre que ponha a mão no esconderijo. Era uma louca briga interna.

Quando o ligou, depois de alguns minutos, pôde senti-lo vibrar enquanto as mensagens chegavam. Sua mão tremia ao destravar a tela, engoliu em seco ao começar a ler tudo o que perdeu desde a visita de sua mãe biológica e a cada mensagem seu peito ardeu como se lhe marcassem com ferro quente.

 

04 DE JUNHO ÀS 17:31

Sabe Natsu, nós nunca fomos de comemorar aniversário, mas hoje creio que sou grata ao menos pelo significado. As pessoas passam a existir neste dia, elas comemoram mais um ano vivas e tem a expectativa de um próximo aniversário para ter mais tempo. Eu queria ter mais disso com você.

05 DE JUNHO ÀS 02:53

Natsu, você está bem? Não me sinto confortável, tenho pressentimentos estranhos e acordo no meio de um pesadelo com você.

Está off-line desde aquele momento. Por favor, quando voltar me diz só um oi. Ao menos visualiza. Só me dá um sinal.

05 DE JUNHO ÀS 09:15

Hei, você sabe que vamos ter provas? Vai voltar a tempo?

05 DE JUNHO ÀS 17:45

Eu acabei cochilando na mesa da biblioteca, mas isso não importa. No momento tem algo que preciso falar com você, quando voltar.

05 DE JUNHO ÀS 19:50

Vou passar o final de semana na pensão, então se você chegar e for lá em casa, provavelmente não estarei. Me avisa.

06 DE JUNHO ÀS 00:18

Não consigo dormir, nem parar de pensar em você ou me controlar para não enviar essas mensagens. Estou preocupada, mais aflita, pois, tem algo muito importante que preciso te falar e não tenho muito tempo.

Não quero que saiba por outra pessoa, não quero. Por favor, Natsu, me responde.

08 DE JUNHO ÀS 17:00

Como foi a prova? Ah, sim, sei que voltou. Deve ter percebido que não fui para a aula e nem irei nos próximos dias, gostaria de ter avisado antes, só que aconteceu tudo tão rápido e não vou explicar por aqui.

Sinto sua falta, muita, entretanto espero que faça seu melhor. Vou tentar o meu também e estou esperando você, sempre.

12 DE JUNHO ÀS 05:11

Não aguento esses pesadelos. Ao menos sei que está bem.

14 DE JUNHO ÀS 23:18

Natsu... Nós somos tão novos e ainda assim já passamos por tantas coisas ao longo de nossas vidas que imagino qual seria nossa verdadeira idade mental. Sabe, até o momento eu imaginei que soubesse bastante sobre o significado de amar verdadeiramente alguém, eu pensei que o amor trouxesse uma cura para a alma e acreditei que a proximidade física era a melhor maneira de senti-lo, mas... Vejo agora que o verdadeiro amor vem em sinônimo de perda... Quando você é capaz de abrir mão do que ama somente por saber que será melhor e o trará a felicidade... Amar é abrir mão do que você tem por quem você ama... Então eu acho que não te amo de verdade...

 

Ele moveu seu polegar e digitou três letras inocentemente, enviou a ela e quando deu por si, aquela atitude pareceu a mais ridícula demonstração de fraqueza. Por mais que quisesse acreditar, pareciam palavras jogadas ao vento. Natsu deixou seu braço cair sem forças e o celular foi ao chão de imediato. O rosado voltou a caminhar deixando tudo para trás, sem mais coragem de demonstrar o quão precisava de ajuda.

Em outra dimensão.

 

A tela transmitia a possível previsão com Natsu sentado frente a lapide de Lucy, conversando com ela antes de entregar Happy:

Naquele dia, Lucy, eu consegui chegar ao meu limite. Parte de mim gritava, implorava, suplicava por socorro, mas acha que acreditei? Não acreditei. Tudo só piorou quando cheguei em casa e me deparei com aquele maldito saindo pela porta arrombada.

Ele me provocou de uma forma insana, me disse coisas que eu jamais cogitaria em minha vida, brigamos de socos e ele cometeu a pior atrocidade contra mim. Acho que teria atirado em seguida, mas Lisanna meteu-se na frente e o maldito pai biológico, foi embora.

Só que eu estava dilacerado! Teve um momento em que não pensava, não agia. Totalmente chocado. Você não apareceu por mim, já havia sumido há dias e eu nem sonhava o motivo. Espero que me perdoe pelo que vou dizer, mas, em algum momento depois da briga, Lisanna e eu transamos... Estava tão estressado que quando acordei horas depois nem sequer lembrava, só me vi nu com ela na cama.

Eu vesti algumas roupas e peguei a chave da minha moto, queria correr, deixar tudo para trás e colocar a cabeça no lugar, mas antes de notar, os freios não funcionavam. Sim, a moto não tinha a droga dos freios, eu fiz o melhor que pude, só que sofri o acidente e nem lembro direito sobre quanto tempo levei internado, mas tem algo que sonhei...

Por acaso você me visitou? Tive a sensação da sua presença, me pareceu um sonho. Você se confessou para mim, a primeira e única vez, dizia que gostaria de ter outras vidas, pois assim conseguiria me encontrar de novo, se apaixonar de novo... Quer saber? Agora vendo que nós dois estamos separados aqui, também quero pedir o mesmo.

Quero te encontrar novamente em outra reencarnação.

[...]

 

— O circo está armado, Spetto. Seus queridinhos vão sofrer exatamente a mesma coisa pelos caminhos diferentes. — O velho barbudo de anos atrás ainda queria provar a todo custo que o destino era imutável.

— Essa Lisanna não vai se aproveitar de Natsu, muito menos ignorar os sentimentos de Lucy. Ela os entende agora, Lucy também cresceu. As coisas mudaram muito. O Natsu, não vai sofrer esse acidente! — Ela o encarou com severidade e logo depois voltou a ver o rosado que perdeu sua amada pela tela. — A minha Lucy não vai acabar como aquela, não vai.

 

Continua em “Colisão”


Notas Finais


Cateter¹: Na medicina, o cateter é um tubo que pode ser inserido em um vaso sanguíneo, possibilitando a drenagem ou injeção de fluidos ou o acesso a instrumentos cirúrgicos.
~~*~~

Close certo no momento CaLu <3 *3* Meninas do meu coração.

Eu não sei exatamente como vocês estão depois de ver o Natsu nesse estado, mas eu to aqui sorrindo de forma diabólica >;3 kkkkk

Natsu vs Cana a revanche auhauh ainda bem que não teve mais briga, pq a Lucy não ficaria nenhum pouco bem em saber disso ‘-‘ Notaram ela mais calada e.e pq será?! Tem coisa ai, olha, vou ser boazinha e dizer que reparem na data em que a Cana visitou a Lucy e a data da última mensagem que a Lucy mandou pro Natsu :v

Agora, SPETTOOOO \TvT/ Que saudade de você, foi tão curtinho, mas tão importante. Ela estava assistindo o possível último momento semelhante para nosso Nalu protagonista de novo. Vocês perceberam as diferenças? A Lucy do outro universo se declarou na visita que fez ao Natsu enquanto ele estava internado, depois disso ela se escondeu e ele só soube da doença quando ela já estava morrendo, “nas últimas”.

Obs: Aquele outro Natsu que perdeu a Lucy, no começo da Fanfic ele diz que está correndo, ele está indo até o hospital para vê-la, mas quando ele chega lá, Lucy já tem morrido. Ele se depara com seu corpo no leito de um jeito que nem parecia como lembrava, afinal a doença acaba com a pessoa. Ele se despede dela ali e passa anos sem visita-la, SÓ FOI UMA ÚNICA VEZ < e isso tem uma explicação ^^ que não vou dizer agora rsrs essa única vez foi para enfim, entregar o Happy a Lucy, nisso ele conversa muito com ela e Spetto viu isso.

O que quero dizer, é que, a Lucy que morreu, em outro universo, entrou pro clube do jornal com Levy, pediu diretamente a Erza que passasse sua Fanfic para o inglês e pediu que Gray desenhasse seus personagens, por isso, teve uma grande proximidade e eles descobriram a doença dela antes do Natsu. Essa Lucy, nunca tentou falar com Lisanna, ela não foi a viagem escolar e no fim, ela partiu se despedindo de Natsu durante a internação dele nesse acidente.

Agora vem a pergunta: Será que a nossa Lucy lutou bem até aqui? :v Será que o Natsu vai transar com a nossa Lisanna? Será que ele vai sofrer esse acidente?

Vejam nos próximos capítulos, que eu não sei quando vou postar, vou ter prova até dia 7, talvez assim que sair dela eu venho postar :3 vai ser o jeito, eu vou fazer nove provas kkkkk me fudi e é só a primeira rodada TvT desculpa ser tão doida, eu nem sempre fui assim < mentira eu só estou piorando...

Algumas ones que fiz se quiserem ler.

Headcanon de My Truth: https://spiritfanfics.com/historia/covalente-7077799

Headcanon de Troublemaker: https://spiritfanfics.com/historia/i-want-to-feel-7107704

Obrigad apor lerem TvT/


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