História My, Your, Our Story - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai
Tags Baeksuk, Chanbaek, Chanyeol 32 X Baekhyun 20, Crianças, Drama, Kaisoo, Romance, Teamchanyeol, Teamjongsuk
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Palavras 8.665
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, bebês.
Parece que eu não aprendo não é mesmo?
Mais uma vez não respondi os comentários, mas eu responderei. Eu prometo.
Eu amo muito vocês. Muito mesmo.
Ah, terá um link do jornal nas notas vinais. Ele é importante.
Boa leitura, amores

Capítulo 17 - Give Me a Reason


Por muitos anos meus dias foram pintados com sua presença.

Eu apenas não aprendi a lidar com sua ausência.

Mas espere, é apenas questão de tempo.

Uma hora o coração cansa de apanhar e o meu já cansou.

Só estou esperando ele cansar de te amar.

— Eu.

 

A campainha tocou alta, tirando minha atenção da conversa com as crianças.

— Terminem de comer, crianças, que eu vou levar vocês para a escola. — mandei antes de me levantar.

— Agora que o pai de vocês tem uma carteira de motorista, ele quer dirigir para todos os lugares! — Chanyeol comentou e eu ouvi as crianças rirem conforme eu me afastava .

Abri a porta da casa e logo senti alguém me abraçando.

Demorei alguns segundos para conseguir assimilar o que realmente estava acontecendo. Aos poucos, os soluços de Yoora invadiram minha audição e eu identifiquei que era minha amiga que estava me abraçando.

— Yoo? O que aconteceu? — ela negou com a cabeça e me abraçou com força.

Eu a havia visto no dia anterior, ela estava feliz. Reluzente, na verdade. Toda animada com a casa nova, me mostrando as fotos e as coisas que havia comprado na lua de mel. Eu realmente não conseguia entender.

— Yoo… Fala comigo. — pedi.

— Tia Yoora? — eu ouvi a voz suave de Minhyuk. — O que aconteceu?

— Não foi nada, filho. Vá se arrumar, por favor. Leve a sua irmã com você, sim? — eu ditei e só ouvi meu filho concordar.

— Baek, eu quero ir embora. Eu quero… — ela fungou.

Ir embora?

Mas ela tinha acabado de voltar.

O que ela realmente queria dizer com “ir embora”?

— O Yoongi fez alguma coisa, Yoo?

Yoora finalmente se afastou e olhou nos meus olhos.

Ela estava com o rosto vermelho, mas não era por conta do choro. Sinceramente, aquilo parecia um tapa.

— Yoora… — eu sussurrei e toquei sua face. — O que foi que aconteceu?

— Ele me bateu, Baekhyun… O meu pai me bateu…

Eu arregalei meus olhos e senti minhas pernas tremerem. Eu sabia que o Sr. Park era capaz de coisas horrendas, mas bater na própria filha nunca passou pela minha cabeça. Eu já havia presenciado muitas brigas entre eles, mas ele nunca ousou levantar a mão para ela.

— Yoora. — ouvimos a voz de Chanyeol e logo ele entrou na sala. Os olhos de Chanyeol pousaram sobre Yoora e quando eu me virei, vi seu olhar abismado. — O que foi que aconteceu?

— Chanyeol… — ela choramingou o nome do irmão antes de correr para os braços do irmão.

Yoora parecia uma criança. Eu nunca a tinha visto daquela forma.

Tão frágil.

Yoora sempre me pareceu uma mulher bem decidida, que enfrentava qualquer coisa sem se abalar. Mas lá estava ela, correndo para os braços do irmão como uma criança corre para os braços da mãe depois de ter se machucado.

Eu não sabia o que tinha acontecido, mas podia garantir que acabara com as estruturas da Yoora.

[...]

— Papai, o que aconteceu com a tia Yoora? — Yerin perguntou.

— Não foi nada, bebê. — falei e forcei um sorriso. — A titia só não estava se sentindo muito bem. O papai Chan está cuidando dela agora.

Eu deixei meus filhos na porta da escola e dei um beijo na cabeça de cada um. Não me importei com os olhares que recebíamos, muito menos eles. Observei enquanto eles entravam na escola e depois voltei para o carro.

Eu não trabalhava mais no escritório dos Parks. Eu e Chanyeol entramos em um consenso que seria melhor se eu me dedicasse a faculdade e cuidasse das crianças, principalmente, seria bom se eu ficasse o mais longe possível do Sr. Park.

Chanyeol disse que iria arrumar outro emprego, para ficar longe do pai, mas eu não queria que ele fizesse isso. Aquele escritório era uma das coisas que Chanyeol mais adorava, ele se dedicava e dava o sangue por ele. Não queria que ele saísse de lá, mesmo se fosse para trabalhar em outro, eu sabia que não seria a mesma coisa.

Então, comigo afastado, as coisas até que se acalmaram por lá.

Pelo menos, era o que ele me dizia.

Chanyeol voltava todas as noites para o jantar e para colocar as crianças para dormir, ele passava o final de semana conosco, muito embora fugisse trinta ou uma hora para resolver algumas coisas do trabalho. Nada de muito sério, ou que incomodasse a mim e as crianças. Chanyeol estava dando o máximo, se esforçando para que aquilo realmente desse certo. Para que a nossa família desse certo.

[...]

Eu abri a porta de casa e a primeira coisa que eu vi foi Chanyeol sentado no sofá, de frente para a saída.

Ele tinha os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos juntas em frente a boca. Seu olhar estava pensativo e distante. Eu conseguia ouvir a respiração ofegante dele e, por alguns breves momentos, seu olhar de agonia e desespero.

— Amor? — chamei ao me aproximar. Ele olhou para mim e deu um sorriso triste. — Onde está a Yoora?

— O Yoongi acabou de sair daqui com ela. — ele falou baixo. — A Yoora falou que vai se mudar para China.

Parei quando faltavam apenas alguns passos para alcançá-lo.

— China?

— É… Ela está assustada. Disse que não quer criar a filha perto do nosso… — Chanyeol parou e fechou os olhos. — Ela não quer que ele a machuque.

— O Sr. Park realmente bateu na Yoora? — eu me sentei ao seu lado e coloquei a mão nas suas costas curvadas.

Ele concordou.

— O pior é que eu não duvido. Eu tenho conhecido muitas faces do meu pai recentemente… E eu não gosto de nenhuma delas. — Chanyeol olhou para mim. — Eu estou com medo, Baekhyun… Eu estou com muito medo…

Eu neguei com a cabeça, sentindo o meu coração bater forte contra o peito e a angústia pouco a pouco me invadir. Virei-me para ele e o abracei.

— Não precisa ter medo, Chanyeol. Eu estarei sempre com você…

— Meu medo é que em algum dia você não esteja…

Na minha cabeça, Chanyeol não estava falando coisa com coisa.

Acho que já tinha fixado a ideia de que ficaríamos juntos para sempre e que nada conseguiria nos separar. Qualquer hipótese parecia absurda na minha cabeça.

Eu e Chanyeol?

Não conseguia mais imaginar um futuro sem ele.

Ficar longe de Chanyeol não era uma opção para mim, e eu pensei que para ele também não.

— Chanyeol, eu vou estar sempre com você. Sempre. Eu vou te amar para sempre.

— Me perdoa, Baekhyun… — ele começou a chorar e me abraçou com força.

Jesus.

Eu preferia sofrer a pior das dores a ver Chanyeol chorar.

— Está tudo bem, Chanyeol. Está tudo bem. Eu te amo, vai ficar tudo bem.

Eu não entendia como havíamos chegado àquela situação. Mas as coisas faziam cada vez menos sentido para mim.

Chanyeol estava me escondendo alguma coisa. Uma coisa grave.

[...]

Um mês depois

 

— Baekhyun? — Jongsuk atendeu a ligação.

— Oi. Onde você está? Eu estou te esperando a quase vinte minutos. — falei e olhei para o relógio.

Não sei dizer ao certo quando Jongsuk se tornou um amigo próximo meu, mas costumávamos nos encontrar algumas vezes por mês, apenas para conversar. Ele perguntava muito das crianças. Costumávamos falar sobre tudo, exceto o Chanyeol.

Eu entendia que era um assunto delicado para ele, então estava sempre evitando tocar no nome do meu marido.

— Como assim? Você está me esperando?

— Estou. — franzi o cenho. — Você falou “no lugar de sempre”. Eu estou aqui.

— Eu falei?

— Na mensagem. — lembrei-o.

— Eu não mandei mensagem, Baekhyun. Eu estou indo para uma reunião agora mesmo.

— Como assim? Eu…

— Baek, eu realmente não posso falar agora. Te ligo depois da reunião, okay?

— Tá bom, né. Boa reunião. — eu desliguei o meu telefone e guardei no bolso.

Será que eu estava enlouquecendo?

Realmente não fazia sentido na minha cabeça. Eu tinha certeza que tinha recebido a mensagem dele essa manhã.

Paguei o meu café e saí do estabelecimento, distraído demais para notar uma certa comoção a minha volta. A minha cabeça ainda estava presa no acontecimento de minutos atrás.

Se Jongsuk não havia me enviado a mensagem, quem havia?

Saí de meus pensamentos quando alguém esbarrou em mim. A pessoa corria desesperada, em poucos segundos, ela já estava longe.

— Mas o quê…? — nem mesmo consegui terminar o meu raciocínio.

Apenas senti algo perfurar o meu ombro e eu caí de joelhos com o impacto.

Minha resistência a dor é zero, mas naquele caso em específico, estava doendo tanto que eu nem mesmo conseguia gritar.

Algumas pessoas formaram uma roda ao meu redor e eu vi uma delas ligando para a ambulância.

Eu havia sido baleado.

Por quem?

Não faço a menor ideia.

Minha mente nem mesmo conseguia ordenar os acontecimentos. Para mim, aquela bala tinha brotado do inferno e me atingido.

[...]

Eu estava bem.

Bem melhor do que eu esperava, na verdade.

A ambulância não demorou para chegar e logo os paramédicos cuidaram de mim.

A bala havia pegado de raspão no meu ombro, o que foi muita sorte, já que eu estava no meio de um suposto tiroteio.

Ninguém que estava na rua conseguiu dizer ao certo o que havia acontecido. Na verdade, eles sabiam tanto quanto eu. De repente, uma pessoa correndo, sendo perseguida por outra, e depois o tiro.

Eu apenas estava no lugar errado, na hora errada.

Eu estava esperando Chanyeol chegar no hospital para me levar para casa.

Realmente lamentava ter que tirá-lo do trabalho, mas os médicos diziam que eu não podia dirigir, e eu não discordava. Ainda estava um pouco chocado com os últimos acontecimentos.

Chanyeol apareceu na minha frente, ofegante e todo desarrumado. Assim que ele me viu, seus olhos se acalmaram e ele correu ao meu encontro, me abraçando.

— Baekhyun! Meu Deus… Baekhyun, você está bem? — ele se afastou e segurou meu rosto entre as mãos.

— Eu estou. Foi apenas um incidente.

— Você poderia ter morrido! — ele falou desesperado. — Meu Deus, Baekhyun… Eu jamais me perdoarei se algo acontecer a você. — falou desesperado e com angústia na voz.

Franzi o cenho.

— Mas você não tem culpa, Chanyeol. Foi apenas um incidente. Eu só estava no lugar errado, na hora errada.

Ele não parecia seguro disso. Chanyeol estava muito tenso e sua expressão facial estava quase desesperada.

Ele não estava agindo normal nos últimos tempos, mas sempre que eu tocava no assunto, tudo parecia piorar. Eu odiava a ideia de ele estar escondendo algo de mim, mas odiava ainda mais a ideia de estar invadindo a vida dele. Éramos casados, mas isso não me dava o direito de invadir a privacidade dele. Chanyeol me contaria quando se sentisse confortável.

Provavelmente, era apenas algo do trabalho. Chanyeol ficava muito tenso com certos casos e alguns ele evitava comentar, Chanyeol prometia sigilo para muito de seus clientes, assim eles não precisariam se preocupar de ter nenhuma de suas informações vazadas, a menos que fosse para benefício do caso.

— Pegaram quem fez isso? — neguei com a cabeça.

— Os policiais estão vendo as câmeras de segurança, mas não houve nenhuma identificação até agora.

Chanyeol soltou um suspiro.

— Como você está, amor?

— Estou bem. Pegou de raspão.

— Você tem certeza? Não está doendo?

— Doendo está, muito até. Mas eu vou sobreviver.

— Quer que eu compre algum remédio?

— Apenas alguns remédios para dor. Podemos comprar no caminho de volta para casa.

— Claro. — Chanyeol segurou a minha mão e me ajudou a caminhar. Mesmo que o meu problema não fosse nas pernas, foi bom. Eu ainda estava tremendo um pouco por causa do susto, muito embora não quisesse demonstrar.

Eu estava muito assustado.

[...]

Chanyeol abraçou meu corpo e depositou um beijo na parte de trás da minha cabeça.

— Baekhyun, eu sou uma pessoa egoísta? — ele rompeu o silêncio do quarto.

— Como assim, Chan? — eu me virei devagar, por causa do ombro machucado.

Os olhos de Chanyeol andavam tão preocupados e tristes nos últimos meses. Aquilo me deixava muito inquieto, muito mesmo. Principalmente por não saber o que o afligia.

— O que você tem, Chan?

— Eu estou com medo de te perder, Baek… Muito medo mesmo. Não sei viver sem você. — ele juntou nossas testas.

— Eu sei que o acontecimento de hoje foi bem tenso, mas você não precisa se preocupar. A menos que você me largue, eu jamais sairei do seu lado.

— Eu não quero te deixar, Baekhyun. Você é a pessoa que eu mais amo nessa vida. Você é a minha vida.

Eu beijei Chanyeol, tentando tranquilizá-lo.

— Eu estou aqui, Chan. — falei depois do beijo, ainda com os lábios próximos dos seus. — Eu estou com você…

— Baekhyun, eu te amo. Eu te amo demais!

— Eu também te amo, Chan. — abracei-o e fechei meus olhos. Chanyeol ficou fazendo carinho nas minhas costas e o silêncio voltou a reinar no quarto, até que a voz de Chanyeol voltou a soar.

— Feliz aniversário, Baek.

Mas não era o meu aniversário… Ou era?

Na verdade, era sim.

Estávamos no dia cinco de maio. Para Chanyeol estar me parabenizando, já deveríamos ter passado da meia noite, o que significa que sim, era o meu aniversário.

Já era o meu aniversário e eu nem havia me dado conta.

— Obri- Espera… Como você sabe? — eu não havia contado para ninguém sobre o meu aniversário. Nem mesmo a Yoora sabia a data.

Eu ouvi a risada de Chanyeol e ele me abraçou com força.

— Eu olhei na sua identidade…

— Chanyeol!

— Você nunca iria me contar. Eu acho justo eu saber. Você sabe o meu!

Eu não costumava gostar dos aniversário, por nenhuma razão em especial. Só não gostava de comemorar que estava ficando mais e mais velho.

— Eu não gosto de comemorar meu aniversário, então…

— Eu sei. Não se preocupe, meu amor. Eu não vou fazer festa. Mas tudo bem se jantarmos com as crianças? Elas fizeram um presentinho pra você.

— Você contou para as crianças?

— Quem você acha que pegou a sua carteira?

— Chanyeol, você está ensinando coisas ruins para os nossos filhos. — recriminei.

— Estou não. A Yerin quem deu a ideia!

— E você não incentivou nem um pouco.

— Claro que não. — ele riu.

— Você não presta.

— E você me ama assim mesmo. — ele beijou a minha cabeça. — Boa noite, Baek.

— Boa noite, Chan.

Falei tranquilo, sentindo a segurança que Chanyeol sempre me transmitia.

[...]

Presente, 2017

 

Observo enquanto Yoongi entra com as caixas e coloca em um canto.

— Baek, você tem uma ideia de onde podemos colocar, para não ficar desarrumado. Não sabemos quanto tempo pode levar.

— Pode colocar aí. Eu não costumo ficar muito em casa. Não vou notar. — falo e me sento no sofá.

Logo depois, Chanyeol entra com uma caixa grande e coloca no chão perto de mim. Seus olhos encontram os meus e ele para.

Sei que ele quer me falar algo, mas ele não consegue, e eu, sinceramente, tenho medo do que posso ouvir.

O que estou fazendo da minha vida?

Chanyeol voltou há alguns dias e… E nada. Nada.

Não conversamos, nem mesmo conseguimos ter um diálogo sem que eu ou ele comecemos a chorar. E o pior é que a cada dia que se passa, eu deito e penso nas milhões de coisas que quero dizer, mas não consigo.

— Ah, vocês querem ficar sozinhos? Eu posso dar uma volta. — Yoongi propõem.

— Por favor, Yoongi. Eu quero conversar sozinho com o Baek. — Chanyeol fala. A sua voz saiu baixa e sem convicção, mas, mesmo assim, se ele está disposto a falar, eu enfrentarei meus medos e receios e estarei disposto a ouvir.

— Qualquer coisa me liga… — Yoongi nos encara e saí da casa, fechando a porta atrás de si.

Eu me levanto e olho para Chanyeol, tentando manter minha respiração constante.

— O que você vai me contar, Chanyeol? — pergunto sentindo minha voz sair trêmula.

— Eu vou te contar por que eu fui embora…

Nesse exato momento, meu mundo para.

Parece que eu vivi meus últimos anos para ouvir essa explicação, minha pergunta é, o que eu faço depois de tê-la?

Por muitas vezes, pensei que, se for muito boa, eu imagino que deve ser — tem que ser —, eu pensava que poderia perdoá-lo, beija-lo e abraçá-lo com força. Eu queria esquecer os últimos anos e continuar de onde paramos. Continuar nossas vidas.

Era isso que eu esperava.

Mas essa não é a minha realidade.

Chanyeol está casado e, mesmo que suas explicações sejam boas, eu não posso abraçá-lo, não posso beijá-lo. Muito menos, podemos voltar de onde paramos.

Planos que eu fiz, sonhos que eu tive, todos cairam por terra.

Não sei nem como tenho vivido os últimos dias.

Não sei como recomeçar a minha vida, se nem mesmo sei porque ela acabou.

Eu não entendo como a minha vida está seguindo, nem como ela seguirá daqui para frente.

Chanyeol voltou e isso não simplificou em nada.

Eu não entendo porque ele foi embora, nem porque ele casou…  Nem porque não me ligou.

Eu não entendo nada. E isso me mata, me consome por dentro, me faz sentir um inválido, incapaz de tomar as decisões que afetam a minha vida!

— Você vai?

— Eu vou, mas antes… Lembra do tiro que você levou? — concordo.

Difícil esquecer. Ainda tenho a cicatriz no meu ombro para me lembrar todos os dias daquela experiência terrível que não recomendo para ninguém.

— Não foi um acidente, Baekhyun. E a culpa é minha.

[...]

Três anos e sete meses atrás.

 

— Parabéns pra você! Nesta data querida! — eu ouvi as vozes dos meus filhos cantando a música e não consegui evitar o sorriso. Antes de abrir meus olhos, senti um deles se sentando em cima de mim e depois a risada de Chanyeol ao meu lado.

Eu abri meus olhos e vi Minhyuk sentado em cima de mim, batendo palmas com um cartão nas mãos.

Yerin estava no colo do pai, que apenas observava e ria.

Ah… Minha família.

Acho que é do que mais vou sentir falta.

Sei que jamais poderei acordar com Chanyeol ao meu lado e ter certeza de que nosso dia seria exatamente como deveria ser, com os nossos filhos nos alegrando enquanto vivemos nossas vidas felizes e que, no final, ele voltaria a se deitar ao meu lado e sussurraria o quanto me amava.

Minha vida com Chanyeol não era perfeita.

Mas faz o mais perto que eu já cheguei de alcançar a plenitude da felicidade.

Hoje, tenho plena certeza de que isso jamais irá acontecer novamente.

Talvez com Chanyeol, mas não serei eu a pessoa a deitar ao seu lado.

Depois que a música acabou, Minhyuk me entregou o cartão que tinha escrito, em letras grandes e coloridas:

“Para o melhor papai do mundo! Obrigado por nos fazer felizes!!! Dos seus filhos.”

— Obrigado, bebês. Vocês são os melhores filhos que eu poderia ter nessa vida. — falei ao me sentar na cama de forma desajeitada e abraçar Minhyunk.

— Eu também quero abraço! — Yerin comentou com ciúmes e me fez largar o irmão para que pudesse abraçá-la também.

Dei um beijo na cabeça de cada um.

— Eu também quero beijo e abraço! Por que eu tô de fora? — Chanyeol comentou de forma infantil. — Só por que meu nome não está no cartão?

Eu ri do meu marido e lhe dei um beijo na bochecha.

— Meu Deus! Estou sendo muito disputado hoje! Vou acabar por me acostumar.

Chanyeol abraçou minha cintura e sorriu.

— Deveria. Crianças, deveríamos paparicar bem muito o pai de vocês, o que acham?

— Eu não quero fazer o café da manhã todos os dias… — Minhyuk falou com um bico.

Todos rimos da cara que ele fez e eu neguei com a cabeça.

— Não se preocupe com isso, Min. — falei com um sorriso. — Pode deixar que o seu pai vai continuar fazendo todos os dias. Não é mesmo, Chanyeol?

— É, né. Fazer o quê? Ninguém mais nessa casa sabe cozinhar. — eu sabia que ele falava aquilo só para me provocar.

Mas fazer o quê. Eu já havia tentado várias vezes… Mas nunca dava muito certo. Eu só sabia cozinhar o básico, Chanyeol que sabia fazer as comidas que as crianças mais gostavam, principalmente as panquecas americanas de toda santa manhã. Então, ele era o responsável pelo café da manhã e pelos almoços e jantares especiais.

— E o senhor quer comer arroz de manhã? Não quer, então trate de cozinhar.

— Hoje não. Hoje as crianças fizeram uma surpresa para você.

Eu congelei.

Temi que aquela surpresa me fizesse ir parar no hospital por problemas intestinais.

Eu realmente achei o ato das crianças lindo. Mas elas não eram boas na cozinha. Nem mesmo um pouquinho.

— Sim! Vem, Min. Vamos buscar o café do papai! — Yerin puxou o irmão para fora do quarto.

— Toma. — Chanyeol me entregou uma cartela de remédios para o estômago.

— O que eu não faço por essas crianças? — perguntei e ele riu, beijando o meu ombro. Eu tomei um comprimido, sabendo que só poderia tomar o segundo depois da refeição.

— Eu comprei uns remédios extras, estão na farmácia do banheiro, caso você passe mal.

— Você poderia ter evitado isso insistindo em cozinhar.

— Eu não podia negar isso aos nossos filhos. — ele comentou.

Meus filhos voltaram com uma bandeja enorme, cujo a coisa mais bonita ali era o suco de laranja, que eu sabia que era de caixa, porque eu não havia comprado laranjas no começo da semana.

Fora isso, tinha uma torrada queimada e… Eu simplesmente não consegui identificar as outras comidas.

Apenas continuei comendo e fingindo estar gostando.

Ainda dizem que ser pai é fácil.

Mas eu era grato pelos meus bebês. Sabia que eles tinham dado o melhor que conseguiram e isso já transformava aquela refeição na melhor refeição do mundo. Sem falar que estávamos todos juntos.

Como uma família.

[...]

Eu corria atrás da minha filha, agarrando-a pela cintura e sentando no sofá com ela no colo.

A risada gostosa que Yerin solta, desperta uma risada em mim.

— Me solta, papai! Eu juro que vou fazer! — ela falou entre risos e eu a abracei com mais força.

— Você disse isso da última vez. — falei e comecei a fazer cosquinha nela.

A minha filha se contorceu a se contorcer nos meus braços e a gritar por ajuda, não demorou muito e a cavalaria chegou. Minhyuk veio correndo ao socorro da irmã, com um travesseiro quase maior que ele nos braços. Ele começou a me bater com o travesseiro, mandando-me soltar a irmã.

Soltei-a entre risos, apenas para agarrar Minhyuk.

— Não, papai! — eu o segurei de ponta cabeça e o balancei.

— Vocês vão fazer o que eu mandei? — ele concorda com a cabeça e eu o deito no sofá. — Yerin?

— Eu vou, papai. Eu juro.

— Acho bom. Eu quero a tarefa pronta em uma hora. O pai de vocês não vai demorar a chegar e ele é todo agoniado para sair.

Yerin e Minhyuk saíram correndo enquanto eu voltava para os meus afazeres na casa antes de começar a estudar.

Eu precisava llevar a faculdade a sério.Já havia trocado de turno muitas vezes, e isso atrapalhou no meu rendimento. Não poderia arriscar ficar para trás.

[...]

— Chanyeol, você está bem? — perguntei ao tocar no seu ombro.

Meu marido estava com uma postura tensa. Por muitas vezes eu havia feito essa mesma pergunta em situações semelhantes, mas Chanyeol sempre dizia que estava bem e que era o trabalho. Dizia que não queria me aborrecer.

Mas daquela vez, naquela noite, depois que voltamos do meu jantar de aniversário e quando as crianças já estavam dormindo, meu marido me abraçou com força e começou a chorar no meu ombro.

Odiava ver Chanyeol daquele jeito.

— Chan, lembra do que prometemos? Vamos compartilhar os fardos. Me diga o que lhe incomoda. Talvez eu possa te ajudar.

— Baekhyun, eu estou com medo.

Chanyeol já havia repetido isso muitas vezes, mas nunca dizia exatamente o que lhe afligia.

— Me diga, Chan… Você estava melhor esses dias. Me diga o que aconteceu. Tem algo a ver com a ligação da Yoora? — ele concorda.

— Ele foi atrás dela, Baekhyun… O meu pai foi atrás da Yoora na China… E se ele vier atrás da gente? E se ele vier atrás de você?

Ah, eu não tirava o mérito de Chanyeol por estar com medo.

Eu também estava.

O Sr. Park havia se demonstrado o pior dos homens. Capaz de perseguir a própria filha. Cada vez mais eu entendia porque ele e o Sr. Do eram amigos tão próximos. Eles se mereciam.

Eram idênticos.

— Ah, Chanyeol. Por que não me falou antes? — perguntei ao abraçá-lo com mais força. — O seu pai…

Eu não sabia o que dizer. Não sabia como confortá-lo. Embora o foco dele fosse a Yoora, um poderia ser nós, e isso me assustava. Porque eu não sabia, nem queria saber, até onde o Sr. Park era capaz de ir para conseguir algo que queria.

— O seu pai não vai conseguir nos afetar se estivermos juntos…

Chanyeol se afasta e me olha nos olhos.

— Você me abandonaria se você representasse algum perigo para mim?

— Como assim, Chanyeol? Eu não...

— Baekhyun, se você tivesse que escolher entre ficar comigo e me fazer mal, ou ir embora e garantir a minha segurança. Qual você escolheria?

Na minha cabeça, aquilo não fazia nenhum sentido. Tinha?

Chanyeol não me representava nenhum perigo. Na verdade, ele representava tudo que tinha de bom na minha vida.

— Me responde, Baekhyun… Você me deixaria morrer?

Não! A resposta era não! Mas a ideia de abandonar Chanyeol era insuportável!

— Não, Chanyeol. Eu jamais te deixaria morrer. Embora eu morresse ao te deixar, eu jamais permitiria que você se machucasse por uma escolha minha.

Chanyeol arregalou os olhos e me abraçou com força… Mas não foi um simples abraço.

Existem vários tipos de abraços e sentimentos que você pode transmitir com eles.

Chanyeol jamais havia me dado um abraço como aquele.

Foi um abraço protetor. Uma de suas mãos segurava meu ombro com força enquanto a outra estava na base da minha coluna, mantendo-me próximo a ele.

Aquele foi um ato de posse, de proteção.

Chanyeol chorou muito na curva do meu pescoço, enquanto eu apenas me mantinha paralisado. Tentando entender tudo que Chanyeol estava me transmitindo com um único abraço.

Chanyeol nunca havia me abraçado com tanto medo.

[...]

— Oi, Baek. — Jongsuk me cumprimentou, dando um sorriso.

— Achei que ia me deixar na mão de novo. — falei enquanto ele se sentava a minha frente.

— Eu realmente não sei como aquilo aconteceu. Não marquei nada…

— Tudo bem, Suk. — eu neguei com a cabeça. — Já passou. Você vai querer beber alguma coisa?

— Agora não. Quanto tempo temos?

— A minha primeira aula foi cancelada, então eu acho que uma hora. — ele concordou com a cabeça.

— Você parece bem acabado, desculpa a expressão.

— A noite passada não foi boa. — comentei ao soltar um suspiro.

— Alguma coisa com as crianças?

— Não. Elas estão bem. O problema é o Chanyeol. Ele… — eu parei de falar e me ajeitei na cadeira. — Desculpa.

— Não, tudo bem, pode falar.

— Não, Suk. Você não gosta.

— Ele é o seu marido, não é como se pudéssemos evitar esse fato para sempre. O que foi que aconteceu?

Eu soltei um suspiro aliviado e relaxei a minha postura.

Eu queria muito conversar sobre aquilo com alguém. Só não sabia com quem. Melhor, eu não tinha com quem. Yoora estava muito ocupada com os próprios problemas para eu atordoá-la com os meus.

— Eu adoraria saber ao certo. Ele chegou com uma história estranha ontem. Na verdade, ele anda muito estranho nesses últimos meses. Sei lá. Ele parece estar com medo de algo… Eu acho que ele está com medo de que o pai faça algo contra a Yoora. Sinceramente, eu também estou.

— O Sr. Park é uma cobra venenosa. Odeio aquele homem.

— Tirou as palavras da minha boca. Ele me assusta muito.

— Você tem toda razão de estar com medo. Ele não tem caráter, nem escrúpulos. Baekhyun, você precisa estar ao lado do Chanyeol. Eu já convivi com eles por um tempo e eu sei que, uma forma de acabar com o Chanyeol, é afetando a Yoora. E eu digo a mesma coisa sobre a Yoora. Se o Sr. Park quer afetar a Yoo, eu não me surpreenderia se ele usasse o próprio filho para isso.

O tom de Jongsuk estava tão sério que chega me deu um arrepio.

— Suk, como vou ajudá-lo se eu mesmo estou com medo?

— Baekhyun, isso e estar casado. Você precisa dar força para o Chanyeol, mesmo que você esteja com medo.

Eu sabia que Jongsuk tinha razão.

Eu sempre soube que estar ao lado de Chanyeol não significava apenas coisas boas. Estava na hora de enfrentar as coisas ruins junto com ele.

[...]

Chanyeol chegou cedo naquela noite.

Eu mal o deixei entrar em casa, corri ao seu encontro e o abracei.

Chanyeol envolveu minha cintura com seus braços.

— Meu Deus! Você vai me receber assim todos os dias? Eu gostei! — ele comenta sorrindo. Eu sorriu e o abraço com mais força.

— Eu estou sempre com você, Chanyeol. Para tudo

Ele ficou um tempo em silêncio e eu senti a postura de Chanyeol relaxar no meu abraço.

— Obrigado, meu amor. — falou por fim.

Incrível como algumas poucas palavras e um ato de carinho, significaram tantas coisas.

Depois daquilo, eu senti que Chanyeol estava muito mais tranquilo. Bem mais leve e feliz. Eu achei que estávamos bem… Pelo menos, eu achei.

[...]

Dois meses depois.

 

— Baekhyun! Pega as tuas coisas e as dos meninos! — Chanyeol gritou assim que entrou em casa.

— Boa tarde também, Chanyeol. O que foi que aconteceu? — perguntei ao deixar uns papéis da faculdade de lado e me levantar do sofá.

—  A Yoora entrou em trabalho de parto! Nós estamos indo pra China!

A Yoora havia entrado em trabalho de parto?

Mas ela só estava com sete meses!

— Como assim, Chanyeol?

— Eu não sei, O Yoongi me ligou desesperado! Nós precisamos ir. Eu já mandei comprarem as nossas passagens.

Chanyeol correu para o quarto das crianças, que estavam brincando pelo chão do quarto e começou a jogar um monte de coisas em uma mochila.

— Crianças, arrumem as suas coisas. Nós vamos visitar a tia Yoora. — falei nervoso e ainda desnorteado.

Chanyeol me entregou a mochila dos meninos e foi para o nosso quarto.

Ele estava tremendo, seu olhar era de puro desespero.

— O que a tia tem? — Yerin pergunta ao se levantar.

— Ela vai ter bebê. Vamos conhecer a priminha de vocês, tá bom? — eu pego Minhyuk no braço.

— Por que o papai está tão desesperado?

Ah… A ligação do Chanyeol com a Yoora era muito mais forte do que eu conseguia entender, quanto mais explicar para as crianças

— Ele só está preocupado. O papai vai ser titio agora! — forcei um sorriso.

— Eu estou com saudades da tia Yoora. Quanto tempo vamos ficar? — Yerin perguntou com algumas roupas na mão.

— Eu não sei, bebê. Leve o quanto quiser. — falei antes de colocar Minhyuk em cima da cama e começar a catar os brinquedos do chão.

— Chanyeol apareceu na porta com uma bolsa grande e lotada nas mãos.

— Pronto? — ele perguntou, nervoso.

— A Yerin está terminando de pegar as coisas.

— Esquece. O que não tiver a gente compra lá. — ele pega as mochila e fecha. — Vamos perder o voo.

E então ele sai do quarto puxando Yerin pela mãos.

[...]

— Calma, Chanyeol. Vai ficar tudo bem. — falei ao segurar sua mão.

Tínhamos acabado de entrar no avião. O nervosismo de Chanyeol estava tão grande que estava deixando eu e as crianças nervosos.

— Isso não está certo, Baekhyun… Ela não podia ter agora.

— Eu sei. Mas a Yoo vai ficar bem. Ela e o bebê vão. — ele me encara e eu aperto sua mão com força. Chanyeol relaxou um pouco e soltou um suspiro. — Você vai ver, meu amor.

— Obrigado, Baek. Obrigado… — Chanyeol deu um beijo na minha testa.

Eu sabia que ele ainda estava muito nervoso. Chanyeol só se acalmaria depois de ver a irmã e a sobrinha, ambas bem.

[...]

— Onde ela está? — Chanyeol pergunta assim que encontramos Yoongi. Ainda estamos com as malas, Chanyeol quis passar em um hotel ou algo assim. Fomos do aeroporto direto para o hospital.

Yoongi nos encara com os olhos vermelhos, mas ele parece bem mais calmo do que Chanyeol.

— Ela acabou de sair da sala de cirurgia. Tanto ela quanto a bebê estão bem. - ele conta com um sorriso.

Eu vejo, mesmo de trás, a postura de Chanyeol relaxar ele corre para abraçar Yoongi.

Ali estavam os dois homens que mais amam Yoora nessa vida, compartilhando a mesma dor, agonia… E agora, o mesmo alivio e alegria.

[...]

Nós só conseguimos ver Yoora depois de meia hora. A bebê ainda estava passando pelos exames, e talvez tivesse que ficar uns dias no hospital. Yoongi estava uma pilha por não consegui ver a filha, por não saber se ela estava realmente bem.

Chanyeol não ficava muito atrás.

Eu deixei que os dois entrassem no quarto para ver Yoora, e fiquei com as crianças. Depois eu veria a minha amiga. Depois que os dois se acalmassem.

Se bem que, eu tinha plena certeza que, tanto Chanyeol quanto Yoongi, só ficariam tranquilos depois que Yoora e a bebê voltassem para casa.

Os dois saíram do quarto depois de quase vinte minutos. Eu não apressei, deixei que eles conversassem o quanto eles queriam. Deixei babarem bem muito a Yoora, eu sabia que ela deveria estar adorando.

— Ela quer te ver. — Chanyeol falou e me deu um beijo na testa.

— A gente não pode ver a tia Yoora? — Minhyuk perguntou.

— Depois do papai Baek. Por enquanto, vamos ficar aqui com o Tio Yoongi. — Chanyeol falou e pegou Minhyuk no braço.

— Estou indo. Qualquer coisa chama. — ele concordou e eu entrei no quarto.

Yoora estava sentada na cama, seu rosto se iluminou ao me ver e eu não fiquei para trás. Apenas de ver a minha amiga, sorri largo e senti uma vontade imensa de correr para abraçá-la, mas me contive.

— Oi, Baek. — ela sorriu. — Como você está?

— Como eu estou? Como você está?! — eu me aproximei dela.

Ela estava com uma aparência abatida, bem pálida, mas tinha um sorriso feliz nos lábios.

— Eu estou bem. Mas preocupada. Eles não me deixam ver a Yoona.

— Ela está passando por uns exames, mas eu acho que você vai vê-la logo.

— Eu quero ver a minha filha, Baek… — ela falou agoniada.

O olhar de Yoora percorreu o quarto e então parou em mim.

— Ah, Baekhyun… Eu queria te fazer um pedido. Eu estava falando com o Chanyeol agora e… Sabe…

— O que é?

— O Chanyeol está querendo se mudar pra cá…

— Ele está? — ela concordou. — O Chanyeol não falou nada disso comigo.

— Ele ainda está cogitando…

— Deveríamos cogitar isso juntos. — falei. — Ele nem mesmo deu a entender que quer se mudar. Acabamos de arrumar nossa casa. Isso não faz sentido pra mim, Yoo.

— O Chanyeol pediu para eu conversar com você sobre isso.

— Eu mesmo vou falar com ele mais tarde… Mas… Por que pra cá? Por que tão longe? — eu busquei em minha mente algo que explicasse aquele desejo repentino. — Yoora, tem algo a ver com o seu pai?

Ela trava. Minha amiga arregalou os olhos e se ajeitou na cama.

— O que você sabe sobre ele?

— Que ele está fazendo da sua vida um inferno…

— Não… Isso já é rotineiro, não sei porque achei que conseguiria me livrar dele. Eu me mudei, fui para um país diferente, mas ele não me larga. Acho que, no final, não tem como fugir do Sr. Park.  

Não tem como fugir do Sr. Park…

Aquela frase me fez pensar que, sim, não importa o quanto meu relacionamento com Chanyeol estivesse estabelecido, o Sr. Park sempre seria um empecilho para a nossa felicidade, assim como era na da Yoora.

[...]

— Chanyeol, você tem algo para me falar? — perguntei quando voltei para o quarto onde estávamos hospedados.

Chanyeol se virou para mim e encarou-me.

— Você falou com a Yoora?

— Falei. E ela me falou que você quer se mudar para cá.

— Na verdade, a China é apenas uma opção, estava pensando na Austrália… Ou Finlândia. Lugares longe. Bem longe.

— Eu estou vendo que você está escolhendo lugares longe. Mas posso saber, por quê?

Ele parou.

— Você parece estar fugindo de algo.

— Não estou. — ele afirma.

— Você está. O que é, Chanyeol? O que está te deixando amedrontado? É o seu pai?

Chanyeol para. Ele não me respondeu a pergunta.

— Eu só quero ser feliz com você.

— E não estamos sendo? Você não está feliz, Chanyeol?

— Estou… Eu estou…

— Então, o que está faltando para você?

— Não está faltando nada, Baekhyun…. Eu só…

Eu me aproximei dele e toquei seu rosto.

— Chanyeol, acabamos de nos organizar. Você está trabalhando, está indo muito bem, temos a nossa casa, as crianças estão bem… Estamos felizes. — eu lhe dei um beijo rapido e o encarei. — Existe algo que faça você querer fugir?

Ele nega.

— Então você pode parar de agir como se tivesse. A sua irmã, a bebê, o Yoongi, eu, você e as crianças, vamos ficar bem. Você verá.

Doce ilusão.

[...]

Um mês depois.

— Chanyeol, não se preocupe. Eu vou buscar as crianças. — falei ao entrar no estacionamento da faculdade.

— Desculpa, Baek. Mas eu realmente não posso ir. A reunião é importante.

— Tudo bem, amor. Não me custa nada. As aulas já acabaram mesmo.

— Certo. Você quer que eu compre algo antes de voltar pra casa? — eu fiz silêncio, pensando no que pediria.

— Eu quero que você volte logo. Eu estou com saudades.

— Hoje eu vou voltar cedo. Eu prometo.

Ele também havia prometido as outras vezes, mas nunca conseguia.

Chanyeol estava com um caso bem importante, e isso estava o prendendo demais. Eu tentei ser compreensivo. Sabia que ele já estava se cobrando demais.

Porque eu conhecia Chanyeol.

Por muitas vezes, consegui entender o que se passava na sua mente. Mas acho que deixei algo de importante passar, muito importante mesmo.

[...]

Eu realmente não sei como aquilo aconteceu.

Eu estava indo buscar as crianças… Me lembro de ter visto o sinal ficar verde e então… O impacto.

Foi tão grande que o meu carro deslizou pela pista escorregadia e bateu nos carros que estavam próximos.

No final, nos tornamos um monte de carros, um chocado contra o outro.

Eu não sei exatamente o que aconteceu naquele dia, mas eu me lembro de muito barulho e do meu corpo sendo arremessado para o outro lado do carro. Depois disso, não passam de vultos que foram aos poucos sendo consumidos pela escuridão.

Não sei quantas pessoas morreram naquela tragédia, mas eu quase fui uma delas.

Engraçado, a última coisa que eu vi, antes de ceder a dor e ao cansaço que me dominava, foram os rostos das crianças e de Chanyeol. Todos sorrindo.

Eu senti que tudo bem morrer ali, desde que aquela fosse minha última visão.

Eu vi toda a minha vida e percebi que havia sido muito feliz, eu queria ter morrido naquele momento.

Naquele exato momento.

Eu teria sido feliz.

[...]

Os meus olhos se abriram lentamente.

O quarto estava escuro, mas eu conseguia ver os feixes de luz entrando pela brecha cortina fechada.

A minha cabeça doía, na verdade todo o meu corpo doía.

— Chanyeol… — chamei o primeiro nome que veio a minha mente. Eu não sabia onde estava, nem como havia ido parar ali. A última coisa que eu conseguia me lembrar era de entrar no carro para buscar as crianças.

— Ele não está aqui… — aquela voz.

É um sonho! Tem que ser um sonho! Não… Isso é um pesadelo. Um pesadelo horrendo! — pensei ao ver a figura do Sr. Park se aproximar.

— Eu avisei a ele. — ele falou. Eu não conseguia ver sua face com clareza, mas já havia ouvido aquele tom de voz muitas vezes antes. Eu sabia que ele estava sorrindo. — Eu avisei que ele só te faria mal. Mas ele foi egoísta e continuou com você.

Eu não conseguia falar nada, nao conseguia me mexer. Eu apenas observava a figura daquele homem horrendo perto de mim. Sabia que estava com uma expressão desesperada, e eu conseguia muito bem ver seus olhos brilhando de diversão por conta disso.

Eu estava com medo. Com medo de que ele fizesse algo comigo…

— Tudo isso é culpa dele. É culpa do Chanyeol… — a risada dele fez todo o meu corpo estremecer.

Eu acho que o medo foi tanto, que eu fechei meus olhos e apaguei.

[...]

Eu acordei e o quarto estava completamente claro.

Olhei para o lado e vi Chanyeol deitado na poltrona que havia ao lado da cama.

Fora apenas um sonho…

Apenas um sonho…

— Chan… — ele abriu os olhos assustado e olhou para mim.

— Baekhyun! — a medida que ele pronunciava meu nome, ele começou a chorar. — Meu Deus, Baekhyun! Meu amor…

Ele se levantou apressado e se sentou na cama ao meu lado. Chanyeol me puxou para um abraço apertado.

Eu senti muita dor, muita dor mesmo. Tanta que eu comecei a chorar silenciosamente, mas não tive coragem de pedir para que ele soltasse.

— Baekhyun… Eu não sei o que fazer… Eu realmente não sei o que devo fazer… Eu tive tanto que você morresse… É tudo minha culpa.

— Chan… O que…

Ele se afastou e me encarou.

— Você sofreu um acidente…

Acidente…

Aos poucos, as imagens do carro colidindo contra o meu e o meu corpo sendo lançado para o outro lado voltou a minha mente.

— Você está internado a quase duas semanas… Você passou por algumas cirurgias e eles ficavam… — Chanyeol parou e me encarou. — Eles disseram que você podia não voltar para mim… Baekhyun… Eu prefiro morrer a viver em um mundo onde você não exista.

Chanyeol se curvou e começou a chorar no meu colo.

— É tudo minha culpa…

Tudo isso é culpa dele. É culpa do Chanyeol…

A voz do Sr. Park soou na minha cabeça e eu toquei a cabeça do Chanyeol.

— Está tudo bem, amor…

— Não… Não está… Baekhyun, eu não posso te deixar morrer… Eu não posso…

E você repetiu aquilo por minutos seguintes. Se recusando a me ouvir. A única coisa que você dizia além disso era “Baekhyun, eu vou te amar para sempre.”

Na época eu não duvidei, mas agora, sinceramente… Eu duvido da veracidade de suas palavras.

Se você realmente me ama… Que tipo de amor é esse, Chanyeol?

Que tipo de amor é esse que machuca e destrói?

[...]

— Sr. Byun? — a enfermeira beteu na porta. — Essa flores chegaram para você.

Eu estava no hospital por quase um mês. Eu já estava muito bem, porém, eles se recusaram a me dar alta. Diziam que eu ainda tinha que ficar em observação.

Chanyeol ainda não havia ido me visitar naquele dia, e eu ainda não entendia o porquê. Na noite anterior, ele chorara muito antes de ir embora, ele até mesmo havia levado as crianças para me visitar.

Mas o que mais me deixava inquieto era a frase que ele havia dito antes de ir.

“Amor, eu sempre voltarei para você.”

Ele já havia me dito isso muitas vezes. Mas daquela vez… Soara como uma despedida.

A enfermeira me entregou as flores e sorriu.

— Perdoe ele… Ele parece bem mal. — ela comentou.

— Perdoar quem?

— O seu marido. Ele saiu daqui chorando e dizendo algo como “diga a ele que eu sinto muito”.

— O Chanyeol? — eu peguei o buquê de flores e olhei o cartão.

“Eu te amarei para sempre”

Não…

O sorriso nos meus lábios morreu e eu comecei a sentir falta de ar. Todo o mundo parou de girar e eu quase caí no chão.

— Ele…

— Tudo bem com você?

— Eu preciso ir pra casa… — falei ao começar a andar.

Graças ao acidente, eu havia adquirido um problema na coluna, mas, embora doesse, eu precisava correr mais rápido para alcançar Chanyeol. Eu precisava correr para chegar em casa e encontrá-lo com as crianças…

Ele… Ele não estava me deixando… Ele não ousaria me deixar daquela forma.

Não o meu Chanyeol…

A enfermeira gritava o meu nome e tentava me alcançar, mas eu consegui chegar até o elevador. Quando a porta se abriu, Jongsuk arregalou os olhos em me ver.

Ele saiu, mas eu o empurrei para dentro do elevador novamente e apertei o botão da garagem.

— Baekhyun, o que está acontecendo?

— Eu preciso ir para casa, Suk. Eu preciso ver o Chanyeol.

— O quê? Por quê? Ele vem te ver mais tarde.

Eu neguei com a cabeça, já começando a chorar.

— Eu acho que ele está me deixando...

[...]

Eu abri a porta do meu apartamento.

— Chanyeol! Yerin! Minhyuk! — eu gritei seus nomes, mas não houve resposta.

Primeiro eu fui para o quart das crianças, abri o guarda roupa e encontrei o vazio…

Vazio…

Corri para o meu quarto com Chanyeol e abri a sua parte… Vazia.

Eu comecei a puxar o ar pela boca rapidamente, tentando recuperar a respiração. Eu gemido de dor escapou de mim e eu fiz um careta.

Não era um dor física… Era uma dor na alma.

Eu senti como se ela estivesse sendo rasgada e arrancada de mim…

Coloquei a mão no meu peito enquanto soltava um grito de agonia e desespero.

— Ah!

— Baekhyun!

— Jongsuk… As coisas deles… — eu engoli a saliva na minha boca.

— Baekhyun, respira…

— Vamos para o aeroporto… Eu não… Eu não posso deixar ele ir embora…

Eu me agarrei em Jongsuk e o fiz me levar até o seu carro novamente.

[...]

Eu não sabia mais o que estava fazendo. Durante todo o caminho eu tentei ligar para Chanyeol, mas ele não atendia nenhuma das minhas ligações.

Ele podia não estar indo para o aeroporto, mas eu precisava tentar… Eu não podia sentar enquanto ele, provavelmente, estava me deixando. Eu não o deixaria ir sem saber, no mínimo o porquê.

Eu tinha que entender…

Por que ele estava me deixando?

[...]

Eu cheguei no aeroporto, atordoado. Olhando para todos os lados, correndo igual um louco enquanto chorava de desespero e de dor. Minha coluna queimando, minhas pernas doíam tanto que eu achei que elas quebrariam.

— Chanyeol… — falei baixinho. Eu corri até os portões de embarque, gritando seu nome e os das crianças.

Eu atraia muita atenção, mas eu não julgava nenhum deles.

Eu estava chorando compulsivamente, usando roupa de hospital e todo desarrumado.

Entretanto, eles eram com quem eu menos me importava.

Eu queria a atenção de Chanyeol.

— Chanyeol! — gritei seu nome, em sinal de puro desespero.

Houve uma chamada para o portão 7 e eu vi um homem alto com duas crianças se levantarem.

— Chanyeol… — eu falei em um sussurro e com meus olhos arregalados.

Corri em sua direção, gritando seu nome.

Percebo que ele para de andar e o meu coração se acalma, eu até mesmo me permito sorri.

— Chan…

A Yerin se vira para mim, chorando muito.

— Papai Baek… — ela grita o meu nome. Minhyuk, que está segurando a outra mão do pai, começou a se contorcer e a gritar meu nome.

Eu estava quase lá. Estava quase alcançando meus filhos…

Mas então eu tropeço e caiu no chão.

Não chão caí, no chão fiquei, sem qualquer força para me levantar.

Olho para frente, com meus olhos desesperados, procurando pelos três. A única coisa que vejo, é Chanyeol me olhando rapidamente antes de puxar as crianças e ir embora.

Ele estava chorando… Mas mesmo assim foi embora.

— Chanyeol! Meus filhos, Chanyeol! — eu passei meus dedos pelos fios na minha cabeça e os puxei com força enquanto gritava com todas as minhas forças. — CHANYEOL! VOLTA PRA MIM! OS MEUS FILHOS!

Sinto alguém segurar os meus braços e me puxar para trás.

— Baekhyun… — era Jongsuk.

Eu olho para o meu amigo desesperado.

— Os meus filhos, Suk… O meu Chanyeol… — os soluços me impediam de falar algo a mais.

Eu só queria entender o porquê.

Por quê, Chanyeol?

[...]

Presente, 2017

 

— Baekhyun, eu preciso que você saiba que não foi uma decisão fácil, Baekhyun. Não foi. Desde que nos mudamos para a nossa casa, a minha vida virou um verdadeiro inferno. — ele negou com a cabeça e olhou para o chão.

— Inferno? O melhor ano da minha vida foi um inferno pra você? — pergunto sentindo uma raiva me consumir. Eu quero gritar. Como ele ousa chamar nosso melhor ano de inferno? Eu nunca fui tão feliz quanto nesse ano!

— Não é assim, Baekhyun… — ele ergue a cabeça e me encara com os olhos marejados. — Eu fui o homem mais feliz do mundo ao seu lado. Você é a única pessoa que detém minha felicidade nas mãos. Foi assim no passado, e ainda é assim hoje. Eu nunca serei feliz como fui ao seu lado. – sua voz começa a sair tremula e eu contraio os músculos do meu corpo. Já sentindo o desejo de ceder a suas palavras desesperadas que, por mais que eu queria negar, parecem carregar veracidade. — Esse é o meu castigo. Esse é o meu castigo por ter ido embora. Mas eu juro, Baekhyun, por tudo que é mais sagrado. Eu juro pela vida dos nossos filhos, você é a única pessoa que me faz acordar todos os dias.

— Então por que você me deixou, Chanyeol? — pergunto.

O meu coração está tão acelerado. As minhas feridas estão sendo abertas, rasgadas e escancaradas nesse exato momento.

Feridas que eu me esforcei tanto para cicatrizarem, que eu me esforcei tanto para esconder do mundo, estão sendo expostas.

Chanyeol se aproxima de mim e passa o dedo pela minha bochecha, enxugando a lágrima que escorreu.

— Meu pequeno… — sussurra de forma carinhosa. — Se você soubesse como me doeu ir embora.

— Você podia ter ficado comigo…

— Eu tive medo, Baekhyun. Eu escolhi te deixar a viver em um mundo onde você não existisse.

— Você me matou, Chanyeol.

— Não diga isso, Baekhyun… Você… Você não entende…

— Eu não entendo porque ninguém me explica! — a minha frase saí um pouco alta, mas eu realmente não me importo. Quero que ele me ouça. Quero que ele ouça a minha dor! — Vocês ficam fazendo segredo entre vocês e me deixam de fora, como se suas decisões não me afetassem também! Você foi embora, Chanyeol!

Eu posso sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas eu estou com raiva… Meu peito dói. Eu só quero morrer… Eu quero que tudo isso acabe de uma vez!

Não quero explicações, não quero saber do Chanyeol… Eu só quero fechar os olhos sem ter que me preocupar com a realidade ao meu redor. Eu quero dormir para nunca mais acordar.

— Também doeu em mim, Baekhyun! Te deixar foi a coisa mais difícil que eu fiz na minha vida! Eu só queria voltar e te abraçar… Eu só queria te proteger!

— Então por que não fez? Eu te esperei… Eu fiquei naquele aeroporto por catorze horas… — soluço. — Eu te esperei! Mas você não voltou… Chanyeol, por que você nunca vai voltar pra mim?

— Eu voltei, meu amor… Eu estou aqui com você…

— Não, não está. Você está casado. Você nunca será meu novamente…

— Baekhyun, existem coisas que eu não vou pedir pra você entender, porque eu sei que é demais. Mas eu tive que tomar decisões, e nem todas elas foram boas, mas foram as melhores que eu podia no momento. Te deixar foi uma delas…

— Como matar o meu amor e a nossa família foi a melhor decisão?!

— Você não entende!

— Então me dê uma razão, Chanyoel! Me dê a porra de uma razão! — gritei

— Eu preferi isso a te deixar morrer, Baekhyun! — ele grita com os olhos arregalados. Eu prendo a minha respiração e dou dois passos para trás. — Por favor, Baekhyun… — ele volta a implorar e cai de joelhos. — E-eu não podia te deixar morrer…

 

Você foi

A mentira sincera

Brincadeira mais séria que me aconteceu

Você foi

O caso mais antigo

O amor mais amigo que me apareceu

Das lembranças que eu trago na vida

Você é a saudade que eu gosto de ter

Só assim sinto você bem perto de mim

Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer

Resolvi te querer por querer

Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade

Sem nada perder

— Outra vez, Roberto Carlos


Notas Finais


O link do jornal: https://spiritfanfics.com/jornais/mais-uma-vez-myos-10620692

Eu não sei nem o que dizer. Quero ver vocês. Porque o que vocês tem a dizer é muito mais importante!

Obrigada por tudo
EXO EXO


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