História Mysterious Eyes - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Rafael "CellBit" Lange
Tags Cellbit, Romance
Exibições 17
Palavras 3.787
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oioi!

Primeira vez postando aquie!! :3
Espero do fundo do meu kokoro que vocês gostem dessa one-shot!

Bjux!

Capítulo 1 - Capítulo Único


 -Opa ! - (?) exclamou. 

Não dei muita atenção pois estava tentando recompor o meu equilibro por conta da nossa "batida" apoiada em uma vitrine. Por sorte consegui pegar meu celular que há meio segundo estava no ar. Caralho, se não fosse meu incrível reflexo (obrigada!) teria que comprar outro. 

 -Me desculpa moço, eu não tava prestando aten...- olhei para o sujeito e perdi as palavras.

 -I-Isa?! - ele falou surpreso. Droga! O que ele tá fazendo aqui? Desde quando está em São Paulo?

 -Oi Rafa... - sorri em choque.

 Todas as lembranças de "nós" voltaram na minha cabeça. Tentei afasta-las antes que me consumissem, mesmo sabendo que isso era impossível. 

*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
 Estávamos presos no silêncio. Não constrangedor, mas de um certo modo até agradável. Um analisando o outro, vendo fisicamente o que o tempo mudou. Ele cresceu, ficou mais bonito, mais forte. Mas uma coisa não mudou e nunca vai mudar, seus olhos. Era a minha parte favorita nele. Não por causa da sua cor, não sou tão superficial assim... Mas sim por conta do que eles representavam. 

 Digamos que se você olhar bem neles, consegue ver o que se passa na cabeça do dono. Era engraçado como ele se surpreendia por eu conseguir "lê-lo". Adivinhava quando ele se metia em encrenca e quando me escondia algo. "Seus olhos te entregam" eu dizia. Ele falava que eu tinha um dom, mas eu nunca acreditei nisso. Afinal, ele era é a única pessoa que eu desvendava. Talvez fosse por causa da antiga convivência, o conhecia como eu mesma me conheço. Todos os seus segredos, as suas história, os seus problemas, tudo. Eu era a pessoa que ele confiava, sua única amiga, sua melhor amiga. 

 Por um tempo era apenas isso, mas nós crescemos e nos apaixonamos. Nossa história era um grande clichê, ainda mais quando tive que ir embora, viajar pra um lugar totalmente diferente, nova escola, novos amigos, novas pessoas na vida. Tentamos um relacionamento à distância mas não deu certo. Mal tínhamos tempo de nos falar pelo Skype, e o amor foi se apagando, até nos "esquecermos" um do outro.

E depois de todo esse tempo estamos aqui, cara a cara, nesse grande e silencioso dilema de quem vai falar primeiro. Vê-lo me fez sentir acessa de novo, mais do que antes. E o pior disso tudo é que eu sei que ele não é o mesmo, pois não reconheço mais os seus incríveis olhos azuis.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

 - Então... Há quanto tempo, né ? - ele falou meio sem graça, me tirando dos pensamentos.

 - Sim, 5 anos? - desviei o olhar dele. Percebi que estava o encarando esse tempo todo. Dava pra sentir que ambos estavam desconfortáveis. 

 - 5 anos. - afirmou

 - Você tá diferente... 

 - Como assim diferente? - franziu o cenho 

 - Sei lá. Não parece o mesmo que antigamente. - "urr durr" 

 - Sério?! Hoje eu me olhei no espelho e me achei com cara de 5 anos atrás. Você não ? - ele falou irônico. É, esse é o Rafael que eu conheço 

 - Retiro o que disse, você não mudou nada! - Nós dois rimos.

 - Você mudou. Ficou mais bonita. - senti meu rosto esquentar. Há tempos não tenho essa sensação. 
 - Obrigada. - falei olhando pra baixo - Érr... Você tá morando aqui ? 

 - Tô sim. Me mudei há pouco tempo. 

 - Ah. Legal. - silêncio de novo. Nos encaramos. Me veio uma vontade de ir até ele é abraçá-lo. Porém, não saberia a sua reação. Fiquei tão ocupada discutindo com a minha consciência que nem percebi ele se aproximando. 

 - Eu... tava com saudade - se aproximou mais, ficando poucos centímetros de mim.

 - Também. - olhei pra baixo e mordi meus lábios. A falta de espaço me deixava nervosa. Ele tocou no meu rosto e com o choque o olhei. 

 - Rafa ... - botei a minha mão em cima da sua
 
 - Só me deixa - ele fechou seus olhos - sentir. - e eu fechei os meus.

Nossas testas se tocaram. Meu corpo todo gelou, nem se eu quisesse sairia de onde estava. Esperei alguma reação dele, mas nada. Fiquei com medo de acontecer algo. Imagina?! Não, não. Isso não pode acontecer.

 Abri meus olhos e percebi a situação que estávamos. Impulsionei meu corpo pra trás e ele se assustou com o meu movimento brusco. 

 - Eu preciso ir - falei rápido, virando pra começar a correr/fugir dali.

  - Espera! - segurou a minha mão - Não quero te perder de novo. - A expressão dele mudou. Provavelmente ouviu o que falou. - Q-Quer dizer... O seu contato! Não quero perder o seu contato de novo. - passou a mão por trás da nuca. Ele fazia isso quando ficava nervoso. 

  - Hm, tudo bem. - peguei minha agenda dentro da bolsa e anotei meu número. - Toma. - Dei pra ele e sai. Ainda pude ouvir ele me chamar, mas não consegui olhar para trás. 

Porra, o que foi aquilo? Eu realmente achei que ele ia me beijar. E se ele me beijasse? Eu certamente não saberia o que fazer. Fiquei pensando nisso por um bom tempo. Tanto tempo que nem percebi que tinha chegado em casa.

*No dia seguinte...

  A claridade invadiu a janela do meu quarto. Abri meus olhos, procurando meu celular. Sete horas da manhã de um sábado radiante.

  Ah, que maravilha. Um ótimo dia pra sair com os amigos, pegar umas ondas na praia ou até mesmo ir ao clube aproveita o dia com a família. Pena que eu não tenho possibilidade de fazer isso, até porque hoje é dia de trabalho e se eu me atrasar estou ferrada. Preciso me arrumar agora! 

  E foi o que fiz. Tomei um banho rápido e escovei meus dentes vestindo o uniforme da lojinha de decoração que trabalhava. Eu sei que não é um grande emprego, mas é o que me sustenta. Tomei um café e fui andando até o ponto de ônibus que me levava até o meu trabalho. Estava exausta. Ser aluna bolsista de medicina não é fácil! Passar as noites em claro, estudando para tirar uma nota boa é bem cansativo. Porém, acredito que isso tudo irá compensar um dia.
 
No caminho me lembrei da noite anterior. Rafael foi uma parte bem importante da minha vida mas, como pode chegar assim, do nada, e abalar com todos os meus sentimentos? Apenas desejo que aquele maldito papel com o meu número tenha caído em qualquer lugar ou evaporado, assim eu ficaria menos ansiosa esperando o toque do meu celular. 

  Depois de um tempo, cheguei na loja e encontrei minhas colegas abrindo a mesma. 

 - Hey, Isa! - Lívia acenou. Ela é  super animada e sem noção, vive me chamando pra sair, mesmo eu nunca aceitando. Às vezes me lembra até aquelas líderes de torcida...

 - Ontem abriu um novo bar na esquina da minha rua! - ela falou animada. Como essa criatura consegue ficar assim às 8:00 da manhã? 

 - Lívia, você sabe que a Isa não vai. - Manuela falou revirando os olhos, provavelmente cansada de ouvir os meus "nãos" constantes. 

Manu é umas das pessoas mais legais que conheço. Tem uma personalidade bem forte, levando a diversas brigas com Lívia por assuntos bestas. Apesar disso, ela é bem responsável. 

 - Ah, Isa! Por favor! Eu já te pedi milhões de vezes pra ir comigo, mas você só quer ficar presa no seu quarto. - Lívia falou fazendo bico 

 - Vocês sabem que eu não gosto de sair. Além disso, eu nem bebo. O que eu vou fazer num bar? - falei indo pra trás do balcão acompanhada delas. 

As duas olharam pra mim com uma cara de que aquela fosse a pergunta mais óbvia do mundo.

 - Conhecer pessoas! - elas falaram ao mesmo tempo. Pera aí, isso foi combinado? 

 - Cá entre nós, os únicos amigos que você tem são os professores e livros, né? - Lívia falou, mas logo recebeu um tapa de Manu - Ai! Eu tava brincando!- ela alisou o braço marcado com as mãos da mais alta. Abaixei minha cabeça, envergonhada.

 Eu não me orgulhava de ter poucos amigos, mas sempre fui meio antissocial, isso me limitava por completo. Sendo que apenas tive um melhor amigo em toda minha vida, chamado Rafael. Argh! Tira esse menino da cabeça, Isa! 

  - Ela tem a gente, Lívia. - olhou feio pra garota - E vamos ajudá-la a se socializar, só basta ela querer! - foi a minha vez de receber um olhar feio. 

Merda, ela tem razão. Já tenho 19 anos, preciso mudar minha vida, preciso conhecer novas caras, preciso de novos relacionamentos! 

 - Tá bom. - suspirei. Não acredito que tô fazendo isso...

 - O quê?! - Lív arregalou os olhos - Eu to tentando te convencer há 1 ano, e essa vaca fala por 30 segundos e você aceita?! - rimos da sua indignação
 
 - Vocês tem razão, meninas. Preciso fazer novas amizades e... eu não sei muito bem como fazer isso. Então, o bar ainda tá de pé?

Assim que acabou o expediente, ás 19:00 horas, fomos para nossas respectivas casas. Confesso que fiquei o dia todo olhando o celular, esperando a ligação de certas pessoas. Fazer o quê se sou trouxa...?  Combinamos de nos encontrar no bar ás 21:00 horas. Ótimo, tenho duas horas pra me arrumar e chegar no local. Mas tem um problema: Eu não tenho roupa pra sair. Revirei meu guarda roupa de ponta cabeça procurando algo decente e nada. Estava quase chegando em Nárnia, até que... Bingo! Achei um conjunto que nunca tinha visto na vida. Bom, agora não adianta perguntar como diabos isso veio parar aqui.

 Tomei um banho e me arrumei. Não sei se o visual estava bom, por não ter costume de sair, mas passei uma maquiagem leve e deixe meus cabelos soltos. Vesti o conjunto recém-comprado e minha velha all-star. Como nós vamos para um barzinho, não precisaria me produzir tanto, certo? 

 
 Erradíssimo! Assim que cheguei no local fechado estranhei estar tão movimentado. Aquilo não era um bar, era uma balada! Avistei Lív sentada em uma das mesas, ocupada de mais para me notar, olhando pro celular. 

 - Isa! Você está tão bonita. - Falou, assim que percebeu minha aproximação. Vi que já estava com o copo em mãos. É a primeira vez que saio com ela, mas já prevejo o que acontecerá. 

Abracei a garota e sentei em umas das cadeiras. Olhei para os lados e vi muita gente dançando, bebendo e conversando. Dava até para ver uns casais "escondidos" quase se comendo. Arregalei  meus olhos, preciso me acostumar com isso logo.

 Assim que olhei pro lado, vi uma Manuela confusa se aproximando.
 
 - Isso tá muito agitado pra um bar, não é?! - Manu falou olhando pra Liv, que se encolheu

 - Desculpa, tinha certeza que era um bar... - falou manhosa, bebericando a sua... róska? 

 - Aí, Lív! É a quarta vez que você faz isso! - falou brava, mas logo nos abraçou e começou a conversar, esquecendo-se de sua chateação.  

Conversa vai, conversa vem... Ficamos um bom tempo fazendo apenas isso. Compartilhamos histórias das nossas vidas que eram... um tanto quanto reveladoras. Pude sentir que elas se aproximavam mais ao processo que eu me abria. E eu tinha certeza absoluta que quando acabasse a noite, sairia de lá com duas melhores amigas. Falamos da nossa infância, adolescência, relação com os pais... Tudo! Até chegar em "relacionamentos".

 - Eu nunca namorei. - Lívia falou indiferente. Já havia bebido o 5º copo de roska, sem contar as outras bebidas - Só fiquei com uns caras. Nada de mais... Já até tentei mas, não é pra mim. Prefiro ser livre! - gargalhou 

 - Eu já me casei. - Olhei pra ela surpresa. Casar? Mas, ela só tem 23! - Foi há muito tempo e eu já me separei. - explicou rindo da minha reação - Nós éramos muito jovens e nossos pais não apoiavam a relação. Aí nós fugimos e casamos. Mas foram só 6 meses... e além disso, fizemos isso por pura rebeldia. - ela falou nostálgica e sorrindo no final. Parece que não se arrependeu. 

 - E você, Isa? Já se casou com alguém? - Lívia falou se encostando em Manu, completamente bêbada.

 - Não, mas já namorei. - elas fizeram gestos pra eu continuar - Bom, não tem muito o que falar. Eu namorei com ele mas tive que me mudar pra cá. 

 - Vocês tentaram relacionamento à distância? - Manu perguntou interessada

 - Sim, mas... Não deu muito certo. - falei sem graça. Essa história ainda mexia muito comigo. Ele ainda mexe comigo. Parece que elas perceberam, ou pelo menos Manu, já que a outra estava quase dormindo na cadeira. 
 
 - Um brinde aos nossos não- relacionamentos! - todas levantamos nossos copos e brindamos rindo da frase da mais velha. 

 - O que você está bebendo? - Liv falou, pegando o meu copo. - Isso é água?! 

 - É... Eu não bebo.

 - Ah, mas hoje você vai beber! -  falou me dando o seu copo. Olhei pra ela confusa. - Vai logo, Isa! 

Olhei pro copo e para a dona do mesmo. Parecia estar impaciente então não enrolei muito. Dei um grande gole e senti minha garganta queimar. Argh! Que coisa horrível. Nem deu pra sentir o gosto do morango que essa roska tem. Olhei para as meninas que estavam rindo da minha reação e falei que ia no banheiro. Preciso lavar minha boca! 

Chegando lá me encarei no espelho. Eu estava com uma "energia" diferente. Não sei explicar, mas tinha um sorriso idiota no meu rosto que não queria sair. Ignorando meus pensamentos, bochechei com água e cuspi na pia. Não adiantou muita coisa, mas é o que temos pra hoje. Ao sair me bati com uma menina ruiva com mechas rosas, um pouco mais baixa que eu. Parecia estar chorando, seus olhos estavam vermelhos e inchados. Pedi desculpa pra ela e sai o mais rápido possível do banheiro. Pensei em voltar e perguntar se ela estava bem, mas fiquei com vergonha. Às vezes me odeio por causa disso.

 Andando em direção à mesa, me lembrei que ainda estava com o gosto da roska na minha boca. Então ao invés disso, fui em direção ao bar.

 - Uma Coca, por favor. - falei pro barman, que foi buscar meu pedido. Estava tão distraída, vendo a quantidade de bebidas que tinha nas prateleiras, que nem percebi que o refrigerante tinha chegado. Paguei pra o rapaz, que sorriu maroto e piscou. Confusa, andei até a mesa. Ele tinha acabado de dar em cima de mim? Ok, eu definitivamente preciso me acostumar com isso.

Como hoje estava uma noite tão agradável e feliz, algo dia que acontecer, correto? Sim, claro. E como eu tenho um azar tremendo, aconteceu da pior maneira possível. Eu estava contente e saltitante voltando para minha mesa com a minha latinha de Coca-Cola, até que a jumenta aqui, não tinha reparado no aviso de molhado em uma placa, e deu uma bela deslizada para frente. Procurando algo para se apoiar, ela se segurou em braços. ISSO, BRAÇOS. E poderia ser uma pessoa aleatória? Claro que poderia! Poderia ser o dj, poderia ser o meu vizinho, poderia ser até o barman gatão. Mas não, não! Por que existe uma coisa chamada carma, que infelizmente me ama. Então, eu, em um momento de desespero me agarrei aos braços de pessoa tão conhecida por mim, que estava exatamente ali, pra me segurar, enquanto poderia estar em MILHARES de lugares diferentes. E pra piorar a situação, minha latinha de Coca-Cola caiu no chão. 
 
 - Opa! Te peguei. - Rafael falou enquanto eu estava literalmente jogada nos braços dele. - Ultimamente você anda meio distraída, não? - falou rindo 

Assim que ouvi sua voz me afastei. Olhei para ele surpresa, sem saber o que falar. Puta merda! Por que isso tá acontecendo? Eu não estava preparada pra vê-lo mais uma vez. Senti minha barriga embrulhar.

 - "Obrigada, Rafa! Você salvou a minha vida" - ele falou imitando... a minha voz?

 - Obrigada. - falei olhando o chão. Isa, você tem que se controlar! 

 - Tudo bem. - pausa constrangedora - Parece que seu refrigerante caiu. - vi a latinha aberta, vazando todo o seu conteúdo de dentro.

 - É, parece que sim. - não conseguia olhar pros olhos dele, ainda mais sentido ele fitar intensamente os meus.

 - Posso... - hesitou - comprar outro pra você? - finalmente pude olhá-lo. Seus olhos me encaravam com um misto de curiosidade e insegurança. Sorri percebendo que pude finalmente desvenda-lo. Senti toda a confiança chegando ao meu corpo. Finalmente pude reconhecer o garoto que estava na minha frente.
 
 - Pode - falei depois de um tempo. Ele foi na minha frente. Vi seus punhos se fechando. 

 - E-Eu pensei em te ligar - falou coçando a nuca e virando pra mim - M-mas é que... eu...

 - Sem problemas. - interrompi e continuamos andando até chegar ao bar. Estava tentando o máximo me controlar com ele ao meu lado. 

Sentei em um dos bancos do bar e observei ele fazendo o pedido. Um sorriso bobo apareceu no meu rosto. Vê-lo, com toda certeza, me fez acessa de novo. Só tenho medo da altura dessas chamas. Vai que eu me queimo...

Ele veio em minha direção e parou, em pé, em frente à mim. Estendeu a Coca e peguei, encostando meus dedos nos dele. Aquele famoso choque percorreu todo meu corpo. Mas eu não recuei. Estava sendo forte, fingindo que não me importava com isso. Depois de um tempo encarando, com os dedos ainda encostados, ele se afastou, sorri vitoriosa bebendo meu refrigerante. 

 -Obrigada - falei quebrando o silêncio. O clima ficou estranho de uma hora pra outra.

 - Pelo que? - falou confuso. Balancei a latinha na sua frente - Ah! Sim! Claro... -coçou a nuca de novo. - Você tá sozinha aqui? 

 - Não. 'To com umas amigas. - falei encarando ele. Percebi ele corando com meu olhar. - Acho melhor eu ir, elas estão me esperando... - ia me levantar, mas ele me interrompeu 

 - Espera! - ele falou se aproximando. Encostando por completo sua pernas em meus joelhos. Tive que me encostar no balcão por conta da proximidade. - Eu sei que a gente tá evitando, mas eu passei o dia todo pensando em nós. - estremeci com a última palavra. - Precisamos falar sobre isso, sinto que não foi resolvido direito.

 - T-tudo bem. - Fiquei nervosa muito rápido- Quer conversar isso aqui? 

 -Não. - ele pegou em minha mão e me guiou até fora da balada. Estava bem tarde, então as ruas estavam desertas. Fomos pra uma praça em frente, e sentamos em um dos bancos.

 - Eu... - ele começou a falar - Depois que você foi, eu me senti um merda - ele riu sem graça - Tinha perdido tudo que importava pra mim. - falava isso olhando pra frente 

 - Rafa...

 - Espera, deixa eu falar - suspirou - Por muito tempo eu achei que não ia conseguir ficar sem você do meu lado. - olhou pra mim - Então eu fiz diversas coisas pra tentar te esquecer. E uma delas deu muito certo. Meu canal. - olhei confusa pra ele - Eu me empenhei totalmente nele. Perdi noites jogando jogos retardados e gritando que nem um louco- ele sorriu pra mim - para ocupar a minha mente. E eu percebi que estava dando certo, as pessoas gostavam do que eu fazia. Então eu comecei a ganhar algum dinheiro com isso, e desisti de fazer uma faculdade pra viver apenas de fazer vídeos pro YouTube. Eu até consegui alguns amigos, quer dizer, bastantes amigos. Mas, - ele olhou para baixo - eu sentia de novo que meu coração estava vazio, e precisava de algo para ocupa-lo, só que fazer vídeos não me distraia mais. Então eu conheci uma menina em um evento de jogos. Ela também gravava vídeo, então nós nos aproximamos e começamos a ter um relacionamento. - olhei para baixo - Eu... eu gostava muito dela! Mas, eu não sentia o mesmo com o que eu sentia por você. - olhei pra ele assustada. Onde ele quer chegar com isso tudo? - Nós passamos momentos bons juntos, quero dizer, eu e ela. Mas assim que te vi ontem, - ele pegou na minha mão e olhou nos meus olhos - eu não podia te perder de novo. 

Minha cabeça não conseguia processar direito. Merda, Rafael! O que você tá fazendo comigo?

 - Então... - ele suspirou e se levantou - Eu terminei com ela. - ele estava de costas pra mim, olhando pra rua. Certamente não pode ver a minha cara de " Oh, shit! " - Não fiz isso esperando ficar com você, é que ... - falava ainda de costas - eu sabia que se continuasse com ela e com você na minha cabeça, não seria verdadeiro. Eu poderia até fazer coisas das quais não me orgulharia depois. - virou pra mim e mordeu os lábios. - Então... o que acha disso?

Puta que pariu! Era a minha vez de falar agora? Levantei me aproximando dele.

 - Eu... - ri nervosa, a tensão estava entre nós - Rafa, isso é tão complicado... 

 - Você ainda me ama? - ele perguntou me interrompendo.

 Mas é claro que sim. Droga, não dá mais pra segurar... Parece que as chamas me cobriram por completo.
 
 - Rafael, por todos esses 5 anos que passei aqui, - cheguei mais perto dele, encostando minha mão na sua - não teve um dia que eu pensei em largar tudo e voltar - minha mão subiu por toda extensão do seu braço, passando pelo seus ombros e pescoço, chegando finalmente no seu rosto. Ele estremeceu - pra ficar com você. - fiquei na ponta dos pés e encostei meus lábios no seus. No mesmo segundo ele envolveu seus braços na minha cintura e aprofundou o beijo. 
 
 Eu falei mesmo que não ia me envolver? Ops!

Ficamos um bom tempo assim. Até o ar não colaborar e resolver ir embora. Não nos afastamos um centímetro se quer.

 - Você ainda me ama? - repetiu a pergunta 

 -  Nunca deixe de te amar. - ele selou seus lábios com o meus mais uma vez. 

 E ficamos assim o resto da noite. Matando a saudade de muito tempo. Poder sentir ele mais uma vez foi uma sensação incrível. E tudo isso só me faz pensar que esse tempo longe dele foram os piores da minha vida! Espero que isso nunca mais se repita. Bom, se depender de mim... nunca vai.

 

 

  

 
 
 

 


Notas Finais


E aí? Foi muito ruim? :x

huehue, obrigada por lerem <3

Até mais! Bjux


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