História Mystifh - Capítulo 6


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Exibições 4
Palavras 2.008
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Magia, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Nada a declarar, apenas que a vida é legal...

Capítulo 6 - Seis: Na água


Fanfic / Fanfiction Mystifh - Capítulo 6 - Seis: Na água

No sábado bem cedo ele passou em casa, iriamos as compras, embora eu, sinceramente, estivesse meio contrariada quanto a isso, detesto comprar roupas desde que era pequena, talvez porque nunca tive uma mãe para me levar naquelas lojas gigantes e ficar experimentando roupas o dia todo.

-E o que me diz de pegarmos o carro? – falo balançando as chaves – não quero que ele fique aqui abandonado e outra demoraríamos um pouco para ir a todos os lugares de bicicleta.

-Tem certeza? – ele me olha estranho – dizem que sou meio barbeiro.

Dou de ombros.

-Estava procurando emoção e acho que achei.

Ele sorri e pega as chaves da minha mão. Meu carro era uma Ferrari conversível e quando chegamos à garagem onde ele estava estacionado Josh ficou um tempão tentando recuperar o ar que havia perdido.

-Vamos logo mocinha – falo rindo – ou vai continuar com essa cara de assombrado?

-Eu vou dirigir uma Ferrari? – ele da um grito feliz – nossa como a vida é bela.

Ele beija as chaves, beija a frente do carro, beija os bancos, o volante, só faltou beijar o motor.

-Mystifh eu te daria um beijo se...

Olho para baixo meio sem graça, não era minha intensão, mas foi automático. O sorriso logo desapareceu do seu rosto e uma expressão de culpa tomou conta dele. O clima ficou pesado. Ainda não tínhamos aprendido a lidar com esse assunto, era muito peso para nós dois carregar. Eu sabia que ele queria me beijar, eu também queria beijar ele, mas não podíamos, estávamos presos em uma maldição.

-Desculpe Mystifh – ele quebra o silencio – eu não quis...

-Tudo bem Josh – falo parando ele antes de me abraçar – vamos logo ou não teremos tempo para comprar nada.

Ele não responde só faz que sim com a cabeça, eu entro no carro e ele também. Olhamos um para o outro, eu sou a primeira a desviar e olhar para o outro lado. Ele liga o carro e sai da garagem.

Josh não estava brincando quando disse que era meio barbeiro, na verdade estava sendo humilde porque ele é barbeiro e muito. Logo aquele clima ficou para trás porque era impossível não rir com os cabelos ao vento do jeito que estavam. Chegamos na loja tão rápido que eu até cheguei a me perguntar se a loja não tinha mudado de lugar.

-E então o que achou? – ele pergunta sorrindo depois de desligar o carro.

-Você foi bem modesto quando disse que era meio barbeiro – sorrio.

-Talvez um pouco – ele da de ombros – agora vamos às compras.

E é nessa hora que se minha vida fosse um filme, tocaria uma bela musica enquanto ele e eu andávamos pela loja pegando roupas, brincando entre as araras e rindo como duas crianças e se fosse para escolher uma musica, acho que Old Shool do Abraham Mateo seria perfeita, e gosto do ritmo dela. Sim, Josh era o cavalheiro perfeito e eu não iria conseguir vê-lo sofrer.

Acho que nunca vi tanta roupa na minha vida, era uma mais linda que a outra, eu experimentei: vestido, shorts, blusa, saia curta, longa, calça, colete, blusa de frio, casaco... Tudo o que deu para ver, não sei como Josh não enjoou de me ver entrando e saindo do vestiário. Comprei muitas roupas, a maioria ele aprovou, mas algumas eu comprei mesmo sem a aprovação dele.

Comprei sapatos também, só tive uma pequena dificuldade em fugir dos saltos com Josh perto, ele é pior que mulher para salto, não podia ver um que queria que eu experimentasse. Sinceramente fiquei um tanto tentada a perguntar se ele não queria experimentar também.

Depois de pagar a continha com o cartão sem limites do meu pai, fomos para um restaurante, deixei Josh escolher, afinal acho que ele e a Janete saberiam escolher melhor que eu. O restaurante onde ele me levou era bonito, um ambiente legal e musica animada.

-Gostei daqui – falo me sentando-me à mesa perto da janela.

-A Janete também gosta bastante daqui – ele ri – eles têm a melhor lasanha do mundo.

Fiquei pensando um tempo em quem, em plena consciência, montaria um restaurante com lasanhas. Ai me lembrei que eu era antissocial o suficiente para fazer mais de doze anos que eu não comia fora de casa.

-Garçom! – Josh dá um berro e um homem velho parece com uma prancheta de pedidos.

-O que querem? – o garçom era fanho e vi Josh segundando à risada ao falar com ele, isso me fez ter vontade de rir também, mas não seria educado.

-Dois pratos de lasanha – ele fala – e dois copos de suco.

-Qual suco senhor? – nessa hora vi Josh se concentrar pra não rir, mais do que se estivesse segurando para ir ao banheiro.

-Laranja – falo na frente e o garçom sai.

É questão de segundo até Josh começar a rir desenfreadamente. Dou um tapa na mão dele para fazê-lo parar, mas não funciona, ele não para. Cutuco ele com o pé por baixo da mesa, ele continua rindo. E assim perco minha postura e começo a rir também apesar de achar isso uma injustiça com o garçom, mas realmente havia sido engraçado.

**

Depois do almoço pegamos a estrada para o lago onde as pessoas desciam de tirolesa, o caminho em circunstancias normais era mais ou menos à uma hora e meia do restaurante onde tínhamos almoçado, Josh fez esse caminho em menos de quarenta minutos. Era um recorde.

-Acho que eu deveria ganhar uma medalha – ele fala convencido entregando as chaves para o guarda estacionar o carro.

-Não, acho que você deveria ganhar uma multa – falo meio assustada pela velocidade – quase me matou.

-Mas não matei – ele coloca o braço por cima dos meus ombros – tem certeza de que quer fazer isso? Sabe como é né, altura e tudo mais...

-Você não vai amarelar agora não é? – olho torto para ele – quase morri com você dirigindo e agora você me fala que não quer ir? Poupe-me de suas desculpas esfarrapadas meu caro, você vai ir sim e quer saber mais? Aposto que vai adorar.

-Não vou amarelar coisa nenhuma Mystifh, sou duro na queda – ele fala fazendo pose de macho – não vai ser uma coisinha dessas que vai me derrubar.

-Estou acreditando...

Depois de colocar o equipamento e subir até a tirolesa que passava pelas arvores estávamos prontos para ir, Josh ia primeiro, mas sua cara estava quase da dor das folhas, verde. Comecei a querer rir, mas me segurei enquanto o instrutor dava as dicas de segurança.

-Tem certeza de que eu tenho que ir primeiro? – ele choraminga.

-Você quer que eu empurre? – digo me divertindo.

-Nem pense nisso – ele faz uma pausa olhando para baixo – quantas vezes você fez isso?

-Nenhuma – respondo rindo da cara que ele faz – e nem é por isso que estou tão assustada.

-Nenhuma? E então você pegou o primeiro trouxa que apareceu para fazer essa loucura com você?

-Ande logo moça, estou esperando – vejo ele olhando para baixo de novo – a única coisa que você precisa fazer é pular.

-Não é tão fácil assim – ele retruca.

-Eu faço ficar fácil.

Aproveito um momento de distração dele e o empurro, depois disso a única coisa que eu escuto são os gritos.

-Mystifh! – seguido de um longo ‘a’ que parecia mais uma menina com medo de barata.

Depois de dar o tempo necessário dou alguns passos para trás e saio correndo, quando me dou conta já não existe mais chão embaixo de meus pés, parece que estou voando. Solto um grito de alegria, nunca me senti tão eufórica, com tanta adrenalina correndo dentro de mim. O caminho que por sinal é um pouco grande termina antes mesmo que eu perceba, e quando vejo já estou na outra plataforma com Josh me encarando feio.

-Eu disse pra você não me empurrar – ele faz cara de bravo.

-Você fica fofo quando faz essa cara – falo.

-Mas devo admitir que foi maravilhoso – ele sorri e me abraça – precisamos ir de novo.

-Então vamos para a próxima que é a do lago – falo com um frio no estomago.

-Agora você vai primeiro – ele fala deixando que eu passe meu cabo na frente do dele – assim não tem perigo de você me empurrar.

-Tudo bem madame, você que manda.

Chego bem na pontinha da plataforma e não penso duas vezes antes de pular, mas quando não andei nem dois metros do trecho a mulher da boneca aparece, Josh também deve tê-la visto porque gritou meu nome na hora. Meu cabo se soltou. Fui parar no fundo das aguas com um grito estridente em meus ouvidos.

Dentro da agua eu tive uma visão da mulher, seus cabelos ainda estavam voando, a boneca em suas mãos, seu rosto mais cansado do que antes. Ela deu um grito que me ensurdeceu, alguma coisa prendia meus braços e eu não conseguia nadar. O oxigênio foi acabando eu comecei a engolir agua e perdi os sentidos.

Tive um sonho, Josh estava nele, envolto por seu brilho de sempre e eu pelas sombras. Eu estava dentro de um quadrado gigante de vidro cheio de agua e ele do lado de fora tentando me salvar, ele gritava desesperado até que a mulher apareceu e o tirou de lá, comecei a bater no vidro, mas meu ar acabou e eu comecei a entrar em pânico. Eu não conseguia respirar, mas eu não morria, nem desmaiava. Até que um outro rapaz apareceu, não consegui ver o rosto dele, ele quebrou o vidro e me salvou e eu acordei.

Tossi agua e meu nariz ardia. Alguém me ajudou a sentar, mas não era Josh, era, era um menino diferente, talvez da mesma idade de Josh, mas tinha cabelos loiros e olhos azuis como os meus. Será o menino do sonho?

-Você está bem? – ele me pergunta.

Faço que sim com a cabeça e continuo tossindo. Vejo Josh do meu lado com uma cara meio estranha, mas por quê? Ele não diz nada, apenas coloca uma toalha sobre meus ombros.

-Tem certeza que está bem? – o menino insiste.

-Sim – tusso mais um pouco de agua e tento me levantar.

-Deixa que eu te ajudo – ele me pega pela cintura e me ergue depois me ajuda a sentar em um banco de madeira – precisa de alguma coisa?

-Não – respondo olhando para Josh.

-Qualquer coisa estarei por ai – ele fala sorrindo – sou o Danilo.

-Mystifh – respondo automaticamente.

Ele afaga meu ombro e sai deixando eu e Josh a sós.

-Aconteceu alguma coisa? – pergunto para Josh.

-Você quase morreu afogada, foi isso que aconteceu – ele fala colocando as mãos na cabeça – você quase morreu afogada e eu não pude te salvar.

-Por quê? – pergunto confusa.

-O Danilo – ele olha para os lados e faz aquela cara de novo – o Danilo teve que fazer... Teve que fazer respiração boca a boca com você.

Não digo nada, eu entendi o que tinha acontecido, ele estava se sentindo culpado por não poder me salvar, já que se ele fizesse isso provavelmente eu morreria de vez.

-Não precisa ficar assim – tento acalma-lo.

-Desculpe Mystifh, mas preciso – ele diz desapontado – sinceramente eu fingi até agora não em importar não poder te beijar, mas está difícil de segurar. Em um momento de pressão pode ser que eu não me controle e acabe te beijando sem pensar.

-Eu não me importaria – falo com sinceridade – e não é fácil para mim também, saber que você está ao meu alcance e não poder alcança-lo.

Fizemos um instante de silencio. Nunca tínhamos dito algo assim um para o outro e precisávamos processar as coisas com calma. Eu precisava processar com calma, mas não deu tempo nem de começar.

-Quer ir embora? – ele pergunta me olhando triste.

Não respondo, só faço que sim com a cabeça. Pegamos o carro e ele me levou em casa, guardou o carro na garagem, pegou sua bicicleta e voltou para sua casa.

Eu ainda estava molhada, tirei as compras do carro e fui direito para o chuveiro. Independente do banho quente e do sol estar alto no céu, acho que eu pegaria um resfriado.


Notas Finais


Fuuui...
Aguardem contato...


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