História Na estação do acaso, eu encontrei o meu bem. - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Lesbicas, Orange, Yuri
Visualizações 69
Palavras 3.502
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


OLÁR

Não vim ontem, mas estou aqui hoje.
Espero que gostem, até lá embaixo :)

Capítulo 13 - Nua de alma.


Lara POV.

Batucava os meus dedos na mesa tentando emitir algo parecido com o ritmo da música que eu ouvia em meus fones. Quando faço isso, estou nervosa, pode anotar que é sinal de nervosismo. Ou ansiedade. É, ansiedade. Estou muito ansiosa agora. Estou sentada em minha cadeira de sempre, encarando a porta, esperando que ela chegue. Luíza ainda não chegou, vê se pode? Eu quase não dormi durante a noite pensando nela, querendo vê-la novamente e ela não aparece. Isso me frustra tanto.

No meus fones estava a tocar Pumped Up Kicks do Foster the people. E talvez eu estivesse com vontade de fazer o que era dito na música, talvez eu estive afim de matar todos ali naquela classe.

Só para matar a minha ansiedade.

- Eu estou, oficialmente, ficando com medo da Lara. - Kevin disse, se aproximando e sentando à minha frente.

Se ele tem medo sem eu falar nada, imagine se ele pudesse ler meus pensamentos de momentos atrás.

- Por que está com essa cara? Isso tudo é ansiedade pra ver a branquela? - Heloisa perguntou, sentando ao meu lado. - Ela já vem, credo.

- Parem de encher o meu saco, porra. - Revirei os olhos e me ajeitei na cadeira, meu olhar não saia da porta.

- Bora beber água, Kevin, deixa a maluca aí. - Heloisa falou e se retirou, rebolativa, junto do Kevin.

Agora eu estava sozinha e morrendo de ansiedade/saudade/vontade de ver Luíza. Eu não sei da onde surgiu tamanha dependência, tamanha necessidade. Apenas surgiu.

E ao vê-la adentrar a sala, meu corpo todo entrou em combustão, eu só queria pular nela e encher aquela cara pálida de beijos. Mas me contive, ela olhou para mim e sorriu, aquele sorriso lindo. Meu sorriso.

- Pensei que não viria. - Falei, me aproximando dela que sentava em sua cadeira de sempre. - Demorou bastante.

- É… Eu meio que acordei atrasada. - Ela riu. - Estava a me esperar?

- Quê? - Quase engasguei. - Claro que não, eu hein.

- Aham, sei. - Ela continuou sorrindo. - Pois então.. Bom dia. - Me saudou docemente.

Eu só posso estar louca, é isso. Eu acho lindo o jeito que se forma o vinco em sua testa, acho lindo a voz branda que enche os meus ouvidos em uma melodia doce, o seu jeito desajeitado e suas sardinhas nas bochechas pálidas. Loucura ou… Oh, eu estou gostando dela.

- Bom dia. - Sentei ao seu lado. - Por que acordou atrasa?

- Na verdade, eu acordei bem cedo. - Ela se contradisse e eu franzi o cenho, sem entender. - Oh, veja bem, meu pai voltou ao emprego hoje. Eu fui levá-lo ao aeroporto com a minha mãe, acabei chegando tarde pois tive de me despedir.

- Ah, entendi… - Falei, ao entender a conexão das palavras. - Mas ele não ia voltar apenas na quarta? Você estava toda anima e etc.

- É, ele ia. Mas não aconteceu, parece que a empresa precisa dele e ele teve de ir. - Suspirou, parecia chateada. - Mas fazer o quê, é o emprego dele né.. Ele vive e morre por aquela empresa.

- Você deve sentir bastante falta dele, digo, ele parece um pouco ausente, não?

- Ele vem sendo um pouco ausente sim, mas estou me acostumando. Está sendo assim desde que nos mudamos aqui pra Bahia, hei de acostumar-me.

Ela parecia abatida com tudo aquilo, mas também parecia em uma luta interna para se conformar com a nova vida agora um pouco afastada de seu pai. Pelo visto, ela nutre um carinho grande ao seus pais, o que é bonito de se ver e ao mesmo tempo, doloroso. Doloroso porque ele está ausente, e isso mexe com ela.

- Entendo… - Falei, dando de ombros em seguida. - Pelo menos você fica sozinha em casa o dia todo, eu poderia te fazer uma visita, huh? O que me diz? - Sorri maliciosa.

- Lara, Lara… - Ela suspirou. - Fazer o quê lá em casa?

- Ora, dar-lhe todos os beijos que deixei de dar durante a semana.

- É incrível como você fala essas coisas, eu não consigo, fico toda corada.

- Eu levo isso como um dom. - Sorri convencida.

- Na verdade, isso não é um dom, se chama: cara de pau!

- Ah, é? - Dei risada, encarando a gaúcha a minha frente que estava levemente corada pelas gargalhadas curtas. Tão linda que chega dói.

- Tudo bem, morena. Vamos lá para casa após a aula então. - Ela deu uma piscadela e mordeu o lábio inferior, toda indecente. Eu nem preciso dizer que me arrepiei toda, não é?

- Certo, gaúcha. - Pisquei para ela também, voltando ao meu lugar próximo ao Kevin e à Heloisa. Ambos já tinham voltado.

As três primeiras aulas eu prestei a devida atenção, até porque, dentre elas, tinha geografia e eu precisava me concentrar ao máximo naquela matéria. O assunto de geografia era globalização, envolvia história, capitalismo, eu sabia por cima. Melhor, pelo menos na primeira prova não vou tirar nota baixa logo de cara.

No intervalo eu optei por ficar na sala mesmo, não sentia fome e nem nada para ir à cantina. Preferi ficar e fazer as atividades que foram mandadas para casa, assim eu teria mais tempo pela tarde junto da Luíza. As outras duas aulas passaram dolorosamente devagar, eu já estava a ponto de surtar. Luíza estava sentada do outro lado da sala, toda concentrada, enquanto eu me mordia querendo beijar aquela boca rosinha que eu tanto sentia falta.

Toque do sinal.

Tamanha foi a minha felicidade ao ouvir aquele toque, o toque que eu tanto ansiava. Meu olhar foi de encontro com o de Luíza, que sorria para mim e tinha um brilho cúmplice nos olhos. Tão linda essa gaúcha.

- E aí, vai continuar babando na branquela ou vamos embora? - Kevin me perguntou, empurrando-me os ombros levemente.

- Eu… huh, vá, podem ir. Eu vou, huh, acompanhar a Luíza até a casa dela. - Falei, gaguejando infantilmente, olhando para o moreno ao meu lado.

- Ué, por quê? - Ele arqueou uma das sobrancelhas, sem entender o motivo de eu ir junto da Luíza.

Realmente, era curioso o fato de eu dispensar a carona do Kevin até em casa, eu nunca dispensava. Mas eu tinha outros planos hoje que, em minha concepção, eram bem mais apetitosos.

- É… a gente vai fazer algumas coisas, sabe? - Perguntei inocentemente e ele me olhou malicioso. - Não, shhh, não fala nada. Xô, vai embora, você e a helô. Mais tarde falo com vocês.

- Eu hein, tá certo. Até mais! Juízo, Larinha, não faça nada que eu não faria.

- Aí é que está o problema, não há nada que você não faria. - Falei e sorri de canto, ele me lançou uma piscadela e saiu junto de Heloisa, que parecia sonolenta.

Dirigi meu olhar para a gaúcha no canto da sala, Luíza terminava de arrumar seus pertences na mochila, me aproximei dela e me segurei para não beijar-lhe ali mesmo, já que ainda havia alguns alunos na classe.

- Então, vamos? - Perguntei.

- Sim, sim, claro! Vamos. - Ela sorriu para mim. Ah, aquele sorriso.

Seguimos para fora da escola, caminhando e envolvidas em um papo sobre a escola, as aulas, as provas que já se aproximavam. Eu já falei que eu amo conversar com a Luíza? Pois é, eu amo. Eu amo o jeito que ela fala, ela fala emboladinho; seu sotaque gaúcho carregado. Suas palavras complicadas, vocabulário rico de palavras, sorriso em meio as suas sentenças faladas, suspiros aqui e ali. Tudo isso me encanta, tudinho, me vejo presa nela. E estar presa nunca foi tão bom.

- Voilá! Mi casa es tu casa! - Disse, girando a chave na porta.

- Lisonjeada estou. - Sorri, ela me sorriu de volta. - Casa vazia, como sempre. - Notei.

- É, apenas nós duas aqui dentro. Vamos lá pro quarto.

Aquilo era, com certeza, inegável. Assenti prontamente e subimos as escadas, em direção ao quarto de Luíza, que estava impecavelmente organizado, até invejei. Meu quarto é uma bagunça constante, o termo “organização” passa longe.

- Coloca a mochila ali. - Luíza falou, apontando para a cadeira perto do seu computador. Pus a minha mochila acima da cadeira e me virei para ela, que me olhava, parecia ansiosa com algo.

- Eu senti saudade. - Falei baixinho, com um bico manhoso em minha boca, me aproximando dela.

- Eu também… Vem cá. - Ela me puxou cautelosamente pela cintura, seus olhos cintilantes sobre os meus.

- É quase uma tortura te ver a manhã inteira e não poder beijar sua boca. - Suspirei derrotada, estava quase desfalecendo nos braços de Luíza. - É doloroso.

- Eu sei, é horrível para mim também. Mas agora você está aqui… - Me deu um selinho. - Comigo… - Deu outro. - Hora de aproveitar, huh? - Selou nossos lábios novamente.

- Com certeza. - Sorri e puxei a gola de sua camisa, trazendo seus lábios contra os meus.

Beijei calmamente seus lábios, em um roçar delicioso, sem língua, por enquanto. Beijei e mordisquei, sentindo as lufadas de ar contra a minha boca, ela suspirava bastante e firmava mais o aperto em minha cintura. Mordeu forte o meu lábio inferior.

- Ei! Machucou. - Fiz voz dengosa.

- Eu quero um beijo de verdade. - Falou umedecendo os lábios, sem tirar o olhar da minha boca. É, ela parecia querer bastante um beijo de verdade.

- Apressadinha, hein? - Dei risada e ela me puxou a cintura, fazendo nossos corpos se chocarem em um baque gostoso.

Oh…

- Você que me deixa assim, morena! - Rosnou o novo apelido, não preciso nem dizer que me arrepiei todinha com aquela voz raivosa me chamando daquele jeito, não é?

Ela sugou os meus lábios em um beijo urgente e eu me deixei levar, com ela no controle, tomando minha boca na sua, serpenteando sua língua na minha. Me tirando o ar, quem precisa de ar? Chupei a sua língua, tomando-a totalmente para mim, pude ouvir um pequeno gemido vindo de Luíza, aquilo estava me levando à insanidade.

Ela deixou de beijar a minha boca e traçou uma linha de beijos por meu maxilar, descendo até o meu pescoço, depositando selinhos e beijos molhados. Pendi o meu pescoço para o lado contrário, dando-lhe bastante espaço para que beijasse e desse atenção àquele pedaço de pele.

- Eu quero tanto marcá-la… - Ela rosnou novamente, dessa vez contra o meu pescoço. - Vossa pele é tão… apetitosa.

- Marcar-me? - Provoquei.

- Sim… assim! - Exclamou e chupou o meu pescoço, me arrancando um gemido, provavelmente ficou a marca.

- Luíza… - Suspirei e ela ergueu o rosto, olhando-me à minha altura. Eu a encarei. Tão linda com aquelas estrelinhas em seu rosto, a boca levemente vermelha por conta dos beijos. - Você é linda.

- Você que é linda, morena. - Ela parecia em transe também, assim como eu.

Luíza foi nos guiando até sua cama, onde me deitou levemente e ficou por cima de mim, sem apoiar todo o seu peso em mim, pois estava com uma das mãos na cama, onde se apoiava. A outra mão livre ficava em minha cintura, em um aperto gostoso que provocava-me combustão, eu me via acesa em todos os sentidos.

Um de seus joelhos estava entre as minhas pernas, pressionando contra o meu ventre, local que me incomodava por estar total e vergonhosamente úmido. Levei as minhas mãos à sua nuca, onde finquei com força, arranhei mesmo, maltratando-lhe ali.

- Lara… - Ela gemeu, me encarando.

- Hum? - Perguntei, perdida em beijar-lhe a boca.

- Eu estou me segurando muito aqui. - Ela falou e eu franzi o cenho, sem entender.

Oh…

Ela queria dizer que estava se segurando para não me ter de outra forma? Quero dizer, não sei se ela sabe que sou virgem. Talvez ela não seja. Droga, me vejo num impasse aqui.

- Eu quero te ter como minha, te fazer minha. - Ela falava.

- Luíza, eu… - Suspirei. - Eu sou virgem.

- Eu… você, huh, eu não… não sabia. - Ela parecia confusa, seu rosto tinha a cor rosada, mostrando a vergonha que ela sentia. - Eu, huh, me perdoe.

Ela fez menção de sair de cima de mim e eu puxei seu rosto, segurando-lhe pela nuca, a fazendo me encarar. Os olhinhos claros pareciam estar arrependidos, receosos.

- Está tudo bem, Luíza. - Lhe sorri o meu melhor sorriso. - Só… vamos com calma, okay? Não estou pronta ainda. Você me espera?

- Sim, sim, sim! Claro que lhe espero, morena. Estou aqui por ti, eu não quis forçar nada, certo? Eu, eu… - Ela abaixou o olhar, enterrando o rosto em meu pescoço. - Eu gosto tanto de você. - Falou baixinho.

- Eu também gosto muito de ti. Estamos nessa juntas, tá bom? Espere por mim.

- Eu esperarei, morena. Esteja pronta para mim. - Sorriu.

Continuamos nos beijando por alguns minutos, minha boca já estava quase dormente. Até que ela deitou ao meu lado e eu me permiti focar no teto, o teto dela era todo colorido, era uma pintura do Van Gogh, céu estrelado, se não me engano.

- Van Gogh, hein? - Perguntei, referindo-me à pintura em seu teto.

- Sim. Meu pintor favorito. - Ela sorriu. - Eu que pintei, bem, com a ajuda do meu pai.

- Uau! Está lindo, parabéns.

- Eu gosto muito de pintar, aliás, faz um tempo que eu não pinto. Realmente sinto falta.

- Você é bem distinta de mim, sabia? - Perguntei, olhando para o seu rosto. Ela também virou-se para mim.

- Como assim? - Franziu o cenho.

- Eu sou as poesias brasileiras, você as poesias francesas. Eu escrevo, você pinta/desenha. Eu sou literatura e você é arte. Eu não sei explicar bem mas é que você é tão diferente de mim e eu, ah, eu sou diferente de ti também. Mas, na mesma medida, a gente meio que se… huh, a gente se completa. - Durante a minha fala, senti o meu rosto queimar de vergonha.

Eu não estava errada, ora. É notório que nós, mesmo que desajeitadamente, nos completamos. Ela costuma passar o dia pintando, eu costumo passar o dia pintando. São duas formas diferentes de auto expressão, mas são formas de expressão. A arte literária completa a arte pintada, dizia o meu pai.

- Você tem razão. - Ela me sorriu, ainda olhando para mim. - Eu me dou melhor com os quadros, é um fato.

- E eu me dou melhor com um caderno e um lápis, é um fato, também.

- É, creio que sim.

- Pode me mostrar algum quadro que tenha pintado? - Perguntei e ela pareceu relutante, como se tivesse vergonha de amostrar seus quadros. - Vai, Luíza, por favor, umzinho só. Me amostra, vai.

- Morena… - Ela parecia em uma briga interna.

Talvez pensasse: Devo guardar os meus quadros para mim como sempre fiz ou ceder a essa voz dengosa pedindo-me para que lhe mostre os meus quadros? Era, de fato, um impasse curioso.

- Por favor, Luíza. - Pedi novamente, com um biquinho em meus lábios.

- Certo, vou amostrar alguns a ti. - Ela cedeu e eu emiti um contido gritinho de felicidade. Luíza revirou os olhos e eu não tirava o sorriso dos meus lábios. - Acompanhe-me.

Ela levantou e eu a segui, caminhando pelos corredores desconhecidos por mim, já que eu ainda não havia desvendado toda a sua casa. Ela nos guiou para o fim do extenso corredor, onde havia duas portas. Uma preta e a outra colorida, como se fosse um quadro, mas na porta. E era, outra representação do quadro “céu estrelado” do Van Gogh. Ela, realmente, parece amar esta obra.

- Van Gogh novamente? Por que não estou surpresa? - Ri, olhando para a gaúcha que analisava a porta.

- É… esse quadro tem bastante poder sobre mim. Ele mudou a minha vida, ajudou-me em uma época não muito boa, nem gosto tanto de lembrar. Um dia eu lhe conto. - Ela sorriu. - Venha.

Abriu a porta e entramos em seu universo particular, cheio de quadros pendurados pelas paredes. O compartimento local não era muito grande, um pouco menor que o seu quarto. O teto era colorido também, mas não era como um quadro e sim como um arco-íris. Parecia uma bandeira LGBT enorme no teto. Sorri para mim mesma.

No canto do quarto, havia um cavalete quebrado. Franzi o cenho para aquilo, deveria ser o porquê de ela não estar mais pintado. Voltei o meu olhar para os quadros e me surpreendi. Ela, realmente, tinha dom para essa coisa toda de pintar.

O quê? Não sou amante de arte pintada. Como já dito antes, prefiro me perder em livros de pseudos depressivos escritores. Um quadro, em particular, me chamou mais a atenção. Vou tentar descrevê-lo da melhor maneira: Há grama, verde, clara. E uma menina sentada, segurando um livro. Após a grama, há um lago de águas correntes e, do outro lado, há a metrópole. Vários edifícios, como na grande Nova York. Porém, não é apenas a metrópole, há muita fumaça acima da cidade, amostrando que há poluição naquele lugar. Mas, ali no lado em que a menina lê o seu livro perdidamente, só há ar puro.

- Apaixonante, eu diria. - Luíza se pronunciou, tirando-me a atenção do quadro. Olhei para ela com uma ruga confusa em minha testa. - Você, analisando um quadro. É apaixonante. Parecia bastante concentrada. - Ela sorriu, eu sorri também. - O que chamou tanto a sua preciosa atenção neste quadro?

- Eu me sinto exatamente assim, igual a menina na grama com o livro. - Suspirei, voltando a analisar o quadro. - O mundo do outro lado é tóxico e enquanto eu leio, sinto-me zen, respirando ar puro. - Dei de ombros.

- Não dê de ombros para isso, morena. É algo bonito de se ver. - Franzi o cenho. - Você se identificou com uma arte pintada, quebrando todo aquele lance “blá blá blá literatura apenas”.

- Você é ótima nisso tudo, Luíza. Tens um dom. - Apontei para todos os quadros ali presentes.

Eram diferentes quadros, diferentes visões – peculiares, eu diria – do mundo. Diferentes colorações, expressões, formas geométricas. Mas, de qualquer forma, todos eles eram lindos com suas peculiaridades. Me sentia imensamente lisonjeada por ela estar me expondo tudo aquilo, me fazia sentir bem.

- Obrigada. - Ela corou com o meu elogio.

- Não, obrigada digo eu. Obrigada por me apresentar ao seu mundo, por mostrar-me quem você é por detrás de todos aqueles livros chatos franceses e todas as melodias melancólicas francesas, também. - Ela fingiu ofensa e eu sorri, ganhando um sorriso dela de volta. - Obrigada por me mostrar suas visões particulares sobre o mundo, por me mostrar o jeito que você se expressa.

Ela não respondeu, parecia inerte em minhas palavras. Continuei.

- Parece que você está se despindo para mim, não é um despir físico e sim espiritual. Sinto como você estivesse despindo vossa alma, você de verdade e esse despir é mais prazeroso que qualquer outro. Obrigada, Luíza. Você é linda, por dentro e por fora.

- Oh, meu Deus, Lara. Você que é linda, és maravilhosa. - Ela sorriu, os olhos levemente marejados. Veio até mim e me abraçou, repousando sua cabeça em meu ombro, enlaçando os braços em minha cintura, puxando-me para si.

Senti seu respirar ameno em meu pescoço e alisei suas costas, não quero apartar aquele abraço que, ao meu ver, estava tão aconchegante. Todas as minhas palavras foram verdadeiras, eu me sentia bem com o fato de ver esse outro lado de Luíza, esse lado bonito e expressivo. O resto da nossa tarde foi resumida em arte e refrigerante, ela pegou duas garrafinhas de guaraná e nós ficamos analisando os quadros da mesma. Ela estava toda animada, toda tagarela, falava dos seus quadros com paixão, atraindo ainda mais a minha atenção. O amor dela pela arte exalava por entre suas explicações dos quadros.

Na hora de ir embora, ela se despediu de mim com um daqueles beijos fervorosos, me fazendo arrepiar da cabeça aos pés. E eu, confesso, quase desfaleci nos braços daquela gaúcha que me tirava a sanidade. Peguei um uber e rapidamente estava em casa, cheirando a Luíza, exalando felicidade.

- Boa noite, família. - Disse sentando no sofá, ao lado de Leonardo. No outro sofá estavam meus pais.

- Eita, chegou animada. - Leonardo observou.

- É, o que houve, filha? - Minha mãe perguntou e eu não pude deixar de sorrir.

Luíza…

- Só me sinto bem, mãe, só isso. - Sorri abobalhadamente, lembrando dos momentos da minha tarde com Luíza. Me via tão boba por ela e, confesso, estar boba nunca foi tão bom. 


Notas Finais


Então, está aí.
Até o próximo. :)


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