História Naive - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Chandler Riggs, The Walking Dead
Personagens Abraham Ford, Carl Grimes, Daryl Dixon, Enid, Glenn Rhee, Michonne, Rick Grimes
Tags Chandler Riggs, The Walking Dead, Twd
Visualizações 76
Palavras 1.949
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


não estranhem que tá indo muito rápido, tem muuuuuuuuita coisa pra acontecer.
boa leitura

Capítulo 3 - As blue as the ocean


Emma Knight's POV
22/04/2013

Não sei porque fiz isso.

Eu não estou procurando ninguém da minha família, na verdade, acho meio impossível achar algum deles, mas eu fiquei com medo de ficar com alguém, lembrei daquelas pessoas que mataram Hailey, lembrei de como o ser humano pode ser péssimo. Aquele garoto não parecia ser mal, pelo contrário, ele parecia legal, mas eu fiquei com tanto medo de ele não ser quem eu pensava que ele fosse que preferi ficar sozinha.

Se eu me arrependi? É claro que sim.

Me arrependi no momento que saí por aquela porta, mas eu sou orgulhosa demais pra voltar atrás, orgulhosa demais até mesmo pra olhar pra trás.

Nem percebi o quanto ter alguém pra conversar me fez bem, me fez feliz, mesmo que por pouco tempo. Só percebi quando aquela mesma vontade de desistir e morrer voltou.

Burra, burra, burra, burra, burra! Não era pra você ter ido embora, sua idiota!

Sentei no tronco de uma árvore caída e chorei.

Chorei porque não aguentava mais estar sozinha, chorei porque sentia falta da minha família, chorei porque sentia falta da minha vida de antes, chorei porque estava com raiva de mim mesma por não ter ficado naquela casa com aquele garoto.

Eu vou voltar, ele deve estar lá ainda. Meu orgulho que se exploda.

Enxuguei meus olhos e levantei, peguei minha mochila e comecei a voltar para a cidade. Não posso ficar só, não quero ficar só e não vou ficar só.

Depois de andar um pouco, vejo um relevo nas folhas, fecho um pouco os meus olhos para tentar ver melhor, e eu vejo um chapéu.

Um chapéu.

Corro, mas o meu orgulho me faz parar, não quero parecer desesperada. Quando paro ao seu lado, percebo que ele ainda não me notou.

- Procurando alguém, Carlos?- chamo sua atenção.

Ele rapidamente tira o chapéu da cabeça e me encara sorrindo. 

Acho que eu não tinha percebido como ele é bonito, seus olhos azuis são tão azuis quanto o oceano, os olhos mais bonitos que eu já vi.

- O que você tá fazendo aqui?- pergunto.

- Queria te fazer uma pergunta.- ele diz e eu assinto para ele continuar.- Posso ir com você?

- Pra onde?- eu franzo o cenho.

- Sei lá, podemos procurar nossas famílias juntos. Eu só queria ter uma companhia, sabe? Não dá mais pra ficar sozinho, é ruim demais.

- Eu sei. Tava voltando pra lá agora, me arrependi de ter ido embora.- confesso.

- Mas então, tá anoitecendo, quer voltar pra lá?- ele pergunta e eu assinto.

Andamos até lá em silêncio, mas eu estava muito feliz, só em saber que a partir de agora vai ter alguém pra me acalmar depois de um pesadelo ou rir de uma piada. Não consigo evitar um pequeno sorriso.

Entramos na casa e eu deixo minhas coisas no sofá.

- Você gosta de HQ's?- ele pergunta.

- Que aleatório.- eu rio.

- Não, é porque tem um monte aqui, queria saber se você queria ler comigo.- ele explica.

- Claro que sim, eu nunca li muitas HQ's, mas com certeza é melhor do que ficar sem fazer nada. Qual é o seu herói preferido, Carlos?- eu sei que o nome dele é Carl, mas Carlos é bem mais legal.

- Acho que o Homem-Aranha, e você?

- Também, quer dizer, ele é muito legal, mas a Mary Jane é um saco, toda melosa e fresca. Não gosto dela.- faço uma careta.

- Tenho um apelido pra você agora.- ele sorri.

- Qual?- ergo uma sobrancelha.

- Mary Jane.- ele diz com um sorrisinho.

- Nem vem, xerifinho. Eu não sou melosa nem fresca.- digo indignada.

- Ah não, imagina.- ele ri.

- Não sou mesmo. Você que é, Carla.- falo e ele faz uma careta.

- Vamos dormir? Amanhã a gente lê umas HQ's.- ele diz e boceja.

- Tá, boa noite, Carl.- me despeço, me levantando e indo para um dos quartos.

- Eu pensei que você não soubesse meu nome, Mary Jane.- ouço sua risada através da porta.

- Ah, para de ser chato.- resmungo e me jogo na cama.

Agora vem o meu momento de reflexão.

Eu sempre penso em tudo que aconteceu no dia antes de dormir, mas faz tempo que eu não faço isso, porque faz tempo que eu não durmo.

Penso no que teria sido de mim se Carl não aparecesse e salvasse a minha vida, penso na sorte que tive em encontrá-lo e penso que ele é ( aparentemente ) a melhor pessoa que eu encontrei no apocalipse. 

Como todos os dias, penso em Hailey e em Peter, no quanto eu sinto falta deles é no quanto eu os amo. Por mais que Peter tenha me abandonado.

Penso na minha mãe e em seu rosto angelical, me dizendo que tudo daria certo e que eu ainda ganharia minha máquina de sorvete no meu aniversário, tentando me acalmar quando eu via algum dos errantes ou pensava no papai. 

Vai ser bom ter uma companhia, mesmo que só por um tempo, já que ele pode encontrar a família dele.

Acho que ninguém nasceu pra ficar sozinho.

=====|=====
27/04/2013

Acordo com Carl batendo em mim com uma almofada, como ele sempre faz.

- O que está fazendo?- eu pergunto confusa e com sono.

- Te acordando né, dã.- ele revira os olhos.

- Não, não. Me deixe dormir.- eu volto a fechar os olhos.

- Não, temos que ler mais HQ's!- ele grita.

- O que? Vá você ler as malditas revistas, eu quero dormir!- sou um pouco rude, mas quem manda ir atrapalhar o sono dos outros.

- Depois eu que sou o chato.- ele se retira do quarto.

Eu volto a dormir.

- Emma, você precisa ver uma coisa.- ele volta.

- Eu já disse que quero dormir.- resmungo.

- Você já dormiu uma hora e meia depois que eu te chamei.- ele se irrita.

- Sério? Parece que foram minutos.- eu levanto.

- Vem.- ele pega na minha mão, mas eu me solto em um impulso.

Ele me leva até o fim da rua em que estamos, onde tem uns rabiscos pichados em um outdoor. Logo percebo que não são rabiscos, mas sim uma frase.

" Glenn, vá para Terminus "

- Glenn era do meu grupo.- ele abaixa o olhar.

- Sério?- pergunto surpresa.

- Sim, não vejo ele desde o dia em que a prisão foi atacada.- ele diz.

- Carl, precisamos ir pra lá.- eu digo firme.

- Mas e você? Digo, não vai mais procurar sua família?- ele pergunta confuso.

- Eu nunca procurei minha família, cowboy. Era só uma desculpa pra fugir de você, eu estava com medo. Não vejo a minha família há quase um ano, é meio impossível achar eles agora. Não vou abandonar você, não quero ficar só de novo, vamos achar sua família.- eu digo.

- Temos que arrumar nossas coisas então.- ele diz, sorrindo.

E então voltamos pra casa, eu me acostumei com esse lugar, sei que ficamos apenas cinco dias aqui, mas foi o suficiente para eu me apegar ao lugar, e a Carl.

Peguei as HQ's, enlatados, garrafas d'água, escova de dente, pasta de dente, uma gilete e um sabonete e coloquei tudo na minha mochila. Carl fez o mesmo.

- Vou sentir falta daqui.- penso alto.

- Eu também, é bom ter um lugar fixo.- ele suspira e encara cada canto da sala.

- Vamos?- Carl pergunta, se levantando do sofá.

- Vamos!- eu o sigo.

Adeus, casa, foi bom morar em você, mesmo que só por cinco dias.

=====|=====

- Onde fica esse tal Terminus?- eu pergunto com raiva, já faz horas que andamos e nada.

- Não sei, calma.- ele fala.

- Tem que ser um lugar fácil de achar. Se quem escreveu isso só disse " vá pra lá", então não pode ser difícil de achar.- digo.

- Eu sei, vamos procurar mais placas.- Carl diz e nós continuamos andando.

Depois de uma hora caminhando e sem nenhuma pista, paramos para descansar.

- Eu tô morta.- me deito no chão e sinto os raios de sol na minha cara.

- Vai ficar mais morta ainda então. Porque não vamos desistir.- ele diz.

- Eu sei, cowboy, é só que andar é ruim demais. Bem que poderíamos ter um bisão voador como em Avatar.- digo, enquanto me abano com uma folha.

- Infelizmente não vivemos no mesmo mundo que o Avatar, então não existem bisões voadores por aqui. A única solução é continuar andando, já que nenhum de nós dois sabe dirigir.- Carl se levanta.

- Queria muito ser uns seis anos mais velha agora, ajudaria em muita coisa.- reviro os olhos e suspiro.

- É uma merda ser uma criança no fim do mundo.- ele chuta uma pedra, e eu sigo o caminho dela com os olhos até um trilho.

Espera, um trilho?

- Carl!- grito e vou até lá, ele me segue.

- Só pode ser isso, é só seguir os trilhos.- eu sorrio.

- Vamos andar por aqui e ver se tem alguma placa.- ele sobe no trilho e fica tentando se equilibrar.

- Vamos ver quem aguenta mais tempo sem cair do trilho.- sorrio.- Valendo aquele Kit Kat que você encontrou no mercado.

- Hum, fechado.- ele faz uma careta.

Infelizmente, ele ganhou, mas como Carl é um menino muito bom - só que não - ele me deu um pedaço - tá mais pra migalha - do chocolate.

Às vezes eu acho que tenho muita intimidade com ele, não que isso seja ruim, é que eu passei a confiar nele muito rápido, o que não acontece com muita frequência. Talvez seja porque temos a mesma idade e estamos praticamente na mesma situação. Embora eu ainda não saiba muita coisa sobre ele. Foram só cinco dias e eu já falo com ele como se fossemos melhores amigos.

- Merda.- ouço Carl balbuciar decepcionado.

- O que foi?- me viro e vejo a placa.

Está escrito "Terminus, santuário para todos", mas alguém modificou para "Terminus, NÃO é um santuário para todos". Ao ler isso, sinto uma pena imediata de Carl.

- Sinto muito, Carl.- digo, mas ele continua em silêncio.

- Não tem como eu encontrá-los agora, acabou.- ele fala friamente.

- Não acabou, faz quanto tempo que você está sozinho?- pergunto.

- Quatro semanas.- ele diz.

- Não é muito tempo, eles não podem estar longe.- tento dar força, mas ele não liga.

- Pare com isso, você sabe que não é verdade.- ele diz, irritado.

Também não precisa descontar em mim né.

- Só se acalma Carl, vai dar tudo certo. Eu passei meses sozinha antes de te encontrar.- me sento nos trilhos, ao lado dele.

- Eu só queria ter tratado melhor o meu pai e ficado mais tempo com a minha irmã.- ele fala baixo.

- Eu sei, sempre temos arrependimentos, mas não se culpe.- falo, me levantando.

Sou surpreendida por um ato inesperado, Carl se levanta também e fica na minha frente, me encara por alguns segundos e depois me abraça.

Isso mesmo, me abraça. Acho estranho, afinal eu o conheço a pouco tempo e nunca abracei muitos garotos.

Eu sinto um nervosismo e um pouco de medo, por causa das pessoas que conheci no passado, mas mentalizo que Carl é diferente deles, isso me faz o abraçar de volta.

Ficamos alguns minutos daquele jeito, a cabeça dele encostada no meu ombro, a minha cabeça encostada no ombro dele. Me fez esquecer dos errantes e das mortes, me fez lembrar dos amigos na escola e dos primos que vinham me visitar no fim do ano. Me fez lembrar da felicidade.

 


Notas Finais


esse cap ficou grande e meio chato de ler
ainda vai demorar muito pra eles acharem o tio Rick e o resto da cambada, então esperem muitas tretas entre os dois.
ainda tô decidindo um nome pro ship, mas enquanto isso vai ser só Carl e Emma


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