História Namorado de aluguel - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Sou Luna
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Palavras 1.509
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


B
O
A
L
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I
T
U
R
A

Capítulo 29 - 29


Matteo seguiu até o carro, e eu fui atrás dele.

— Está bem destruído. Eu teria muito trabalho para restaurar.Uma janela estava aberta, e o interior do Camaro estava cheio de folhas secas, com os bancos rasgados e as molas enferrujadas visíveis. Mesmo assim, Matteo pôs as mãos no teto do carro e se apoiou nele para entrar pela janela. Colocou um pulso sobre o volante e fez cara de modelo: olhar oblíquo, lábios entreabertos.

— O que acha?

Eu ri.

— Combina com você.

— Concordo. Não quer entrar?

O banco do passageiro parecia ainda mais sujo que o do motorista. Ele deve ter percebido minha hesitação, porque pôs o braço para fora e me agarrou. Pulei para trás com um grito. Ele abaixou a mão e bateu na porta pelo lado de fora, como se acariciasse um animal de estimação. Eu me surpreendi chegando perto do carro e entrando pela janela, primeiro a cabeça, desabando em cima dele. Matteo riu e me ajudou a entrar. Sobrava pouco espaço com ele ali sentado, e meu quadril roçou no seu peito e no volante. Minha calça enroscou em alguma coisa e eu parei, as mãos no banco do passageiro, os pés ainda do lado de fora.

— Fiquei presa — anunciei.

— É, ficou. — A voz dele sugeria um sorriso.

— Me ajuda.

Ele riu.

— Mas eu estou gostando.

— Se eu não estivesse com as mãos ocupadas, você já estaria apanhando. — Tentei puxar a perna de novo e ouvi o barulho de tecido rasgando. Matteo riu, mas segurou meu tornozelo, onde parecia estar o problema.

— Ficou preso no pino da trava. Vou tentar soltar.Meus braços começavam a tremer com o esforço de sustentar meu peso.

— Consegui — disse Matteo, e soltou minha perna. O impulso me jogou de cara no banco.

— Ai.

— Ah, não. Desculpa.

Minhas pernas estavam em cima dele; meus braços, presos embaixo do corpo. A alavanca do câmbio havia deixado um hematoma em algum lugar, com certeza. Com cuidado, rolei para a direita, em direção ao banco, e ele me ajudou a sentar.

— Tudo bem? — Matteo olhava para mim.

— Tudo bem. — Passei as mãos no rosto, certa de que estava coberto de sujeira. Ele tirou uma folha do meu cabelo. — Estou bem — garanti, com um sorriso envergonhado.

— Foi um movimento muito elegante.Bati em seu braço, e ele fingiu que doeu.

— Bom, espero que tenha valido a pena — Matteo concluiu, sorrindo. Olhei em volta, e o interior sujo parecia ainda pior de perto.

— É, não muito — respondi, com uma careta.Ele se recostou no banco e segurou minha mão. Tudo bem. Talvez tenha valido a pena.

— Como foi hoje no colégio? A cena de Um estranho casal?

— Foi muito bom. Obrigado por ter me ajudado ontem.

— Você não precisava de ajuda.

— Eu preciso da sua ajuda. — O tom de voz sugeria que não estávamos mais falando sobre as falas de uma peça.Talvez ele não estivesse.

— Que demônios estava expulsando hoje? — Inclinei a cabeça em direção ao carro que havíamos acabado de atacar.

— Alguns que já deviam ter sido postos para fora — ele respondeu vagamente.Eu queria saber se ele se referia a Fernada, mas não ia tocar no nome dela.Não quando ele segurava minha mão sem ter que fingir nada para ninguém.

— Você nunca se pergunta se quem escolhe para ser seu amigo diz alguma coisa sobre quem você é? Não era Fernanda, então. Era Pablo, com quem ela o havia traído. Ou ele se referia ao fato de estar sozinho em seu grupo, ser um excluído. Pensei um pouco na pergunta, em minhas amigas e no que isso podia revelar sobre mim. Pensei até no fato de a amiga de Nina ter me acusado de ser cruel por causa de um comentário de Âmbar.

— Está falando do Pablo?

— De várias coisas, mas, sim, ele era meu amigo.

— A escolha foi dele. Você não pode controlar o que os outros fazem. A escolha dele não diz nada sobre você.

— Não mesmo? Ele escolheu dar as costas para uma amizade muito antiga por causa de uma garota. Eu não devia ter previsto isso?

— Você não podia ter previsto. E não significa que você faria a mesma coisa só porque o escolheu para ser seu amigo.

— Eu sei. Mas acho que já devia ter superado.Afaguei a mão dele.

— Ele te magoou. Não é uma coisa fácil de superar.Matteo suspirou.

— O que a Nina falou sobre você ser diferente dos seus amigos...

— Eu não sou solitário — ele declarou, depressa demais.

— Mas não se identifica realmente com eles como gostaria, não é?

— Eu gosto de esportes, e às vezes eles assistem às peças. Funciona.

— Mas você se sente excluído?Esperei que ele dissesse que Nina estava enganada, mas, em vez disso,Matteo falou: — E aí, a experiência com as bolas de beisebol ajudou? Como se sente?

— Foi divertido, e, considerando tudo que aconteceu nos últimos dias, acho que isso é bom. Obrigada por me fazer dar risada. Ele estudou meu rosto, e eu sorri para confirmar minha declaração.

— Não quero que me agradeça por isso. Você não parece ter dificuldade para rir. É ótima nisso. O que me intriga é o que existe atrás desse sorriso. Você não precisa ser perfeita o tempo todo...Revirei os olhos.

— Não sou, pode acreditar.

Ele limpou alguma coisa do meu rosto, provavelmente terra do banco.

— Eu gosto quando você não é perfeita.

Senti o rosto esquentar novamente, e dessa vez não consegui esconder.

— E você, Luna? Nunca se sente sozinha no seu grupo de amigas?

Senti o impulso de responder automaticamente, dizer não. Mas ele estava certo. Eu sempre exibia uma aparência feliz. O dia de hoje devia ser de superação. Extravasar meus sentimentos. Não era algo fácil para mim, mas Matteo me fazia querer tentar.

— Antes eu não me sentia. Nunca.

— E agora?

— Não sei. Amo minhas amigas, mas, sim, estou descobrindo que elas não me conhecem muito bem. Não é culpa delas. Eu nunca me mostrei. Nunca me conheci de verdade.

— Isso não faz parte da adolescência? Descobrir quem somos? Quem queremos ser?

— Espero que sim. Caso contrário, estou bem atrasada.

— Acho que você se conhece melhor do que pensa. Do outro lado do terreno, Nina gritou: — Onde vocês estão? Matteo recuou, e eu percebi quanto havíamos nos aproximado.

— Hora de ir embora.

Tive que respirar fundo várias vezes para voltar ao normal. Matteo saiu pela janela e ficou esperando para me ajudar.

— Não posso usar a porta? — perguntei, me aproximando da janela aberta.

— Está emperrada. Muita ferrugem. — Ele estendeu as mãos. — Não vou te deixar cair dessa vez. Prometo. — Seus olhos brilharam como se ele lembrasse minha entrada nada graciosa.

Eu me ajoelhei no banco tentando evitar as molas expostas, e passei a cabeça e os ombros pela janela. Usei a moldura para dar impulso e girei o corpo, sentando na janela de frente para o interior do carro, com as pernas ainda lá dentro. Foi quando Matteo me pegou, um braço embaixo dos meus joelhos, o outro nas minhas costas, e me tirou do carro. Gritei assustada e passei os braços em torno do pescoço dele para não cair. Mesmo depois de me tirar do carro, ele ficou me segurando por alguns instantes.

Finalmente, levantei a cabeça para olhar para ele, estranhando que ainda não tivesse me posto no chão. Ele olhou nos meus olhos.

— Também me diverti hoje.

— Legal — respondi, mais ofegante do que pretendia.

Nina apareceu atrás dele.

— Usou o truque do “pula comigo dentro do carro”? Hoje você está se superando.

Meu coração, até então disparado, recuperou o ritmo normal, e Matteo me pôs no chão como se quisesse enfatizar minha decepção.

— Não foi um truque, Nina — ele disse, me amparando enquanto eu dava alguns passos inseguros.

Ela deu de ombros.

— Então você não vai precisar de nenhum truque para convidá-la para ir ver a peça na sexta? Matteo a encarou com os olhos apertados. Nina sorriu, inocente.

— Vou pegar as bolas. Encontro vocês no carro. Ficamos sozinhos de novo. Ele passou a mão no cabelo.

— Ela é bem sutil, não acha?

— Você não é obrigado — falei. E ele disse ao mesmo tempo: — Quer ir?

— É claro — falei. E ele disse ao mesmo tempo: — Eu sei.

Nós dois rimos.

— Tudo bem. Vamos tentar falar um de cada vez — Matteo sugeriu. — Você primeiro.

— Eu disse que você não tem que se sentir obrigado a me convidar só porque a sua irmã forçou a barra.

— Não me sinto. Na verdade, eu ia mesmo falar que você tem que ir, porque eu não posso ser amigo de alguém que nunca viu uma peça de teatro.

— Bom, nesse caso...

Ele olhou para Nina, que jogava as bolas no balde.

— Não sei como se aproximou dela, mas conseguiu.

— Dez minutos gritando nossos problemas. Acho que foi isso.

Ele sorriu.

— Ela não teria deixado você entrar no quarto se não gostasse de você.

— Acho que não fiz nada para merecer. — Nina realmente gostava de mim ou eu era só o menor dos males? — Mas eu gosto dela.

— E aí? Sexta-feira às seis?

— Combinado.





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