História Não confie em ninguém - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Caçadores, Sexo, Vingança
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Palavras 2.619
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 3


- Mary

Mary ficou pensando se até o fim do ano trabalhando naquela casa conseguiria manter sua amada característica: calma e paciência.

Havia muitas situações que fazia a filha do pastor questionar o que tinha na mente de pessoas ricas. Já trabalhara para uma família classe média, mas nunca vira seres humanos como aqueles – uma hora ficava impressionada, outrora, ficava assustada.

Por que Mary tinha que colorir a piscina de azul ou limpar o teto com desinfetante? Irracional. No entanto, ela continuava fazendo, por mais que fosse insano, era aquilo que tinha dito para ela fazer e estavam a pagando por isso.

- Cresceu alguns centímetros desde ontem, não é mesmo? – Alek Montievo a questionou, enquanto ela esfregava o teto de gesso, próximo ao lustre de vidro reluzente, ajoelhada nos degraus da escada portátil.

Ela ignorou a piada sem graça.

- Você uma vez me disse que não era paga para conversar, mas foi paga para esfregar tetos? Isso eu não compreendo.

- Desculpe-me se eu lhe ofendi, ontem – ela diz um pouco ofegante, enquanto gotas de sabão caiem em seu rosto.

Ele fez uma expressão alarmada antes de dizer algo, como se tivesse percebido alguma coisa seriamente importante.

- Mary, desça daí urgentemente – ele soara tão irritado que Mary se assustou. 

- Só vou limpar...

- Desce Mary, agora – Alek parecia nervoso o que a deixou mais ainda.

Frágil como era, ficou inquieta com o corpo tenso e trêmulo. Desceu os degraus de uma maneira nada delicada, segurando o balde de água e sabão, mal conseguindo se equilibrar e sobre seus pés uma queda assustadora lhe ameaçava. Ela parou imediatamente quando sua mão começou a suar e então a coisa mais ridícula que já fizera aconteceu como se em um piscar inocente de olhos. O balde caiu, mas não podia cair no chão? Não, o balde tinha que cair no chefe de Mary. Por quê? Por que ela nunca tinha sorte.

Mas o pior não acaba aí.

Perdida na sua própria confusão, esperançosa de conseguir pegar o balde antes de ele definir sua demissão, soltou as mãos das bordas da escada e antes de cair, conseguiu escutar:

- As mãos, Mary, as mãos.

E então sentiu a dor latente em seus músculos e uma especial, na cabeça. Sua visão ficou turva, escurecida e tudo parecia estar rodando continuamente a mais de 360 graus, da forma mais irracional que seus olhos humanos já presenciaram.

***

- Que bom que acordou – ela escutou o sotaque eslavo cantarolar em seus ouvidos como um eco longínquo.

- O que aconteceu? – Mary se questionou abrindo os olhos. – Por quanto tempo eu desmaiei?

- Um minuto. Eu já ia ligar para a ambulância. Quer dizer, não se mexa! Você pode ter machucado a cervi... – a voz dele estava inquieta, talvez até nervosa, mas fora interrompido.

Mary se levantou tentando se estabelecer e ignorar a dor pungente que agora possuía na lombar, no mesmo instante Alek aproximou-se de seu encalço e tentou ajudá-la a se reerguer, segurando firmemente em sua coluna com uma das mãos fortes.

- Eu pedi para você descer por que é muito perigoso para alguém... – ele hesitou com as palavras pairando nos lábios rosados – com a sua doença. Se você tivesse um ataque morreria na hora daquela altura. Só queria que descesse. Perdoe-me.

Seus olhos estavam tão próximos do dela que aquilo estranhamente a incomodava, só não sabia direito se era de uma forma ruim ou boa.

- Precisa de alguma coisa? Um gelo talvez? Suas costas estão bem? Eu já fui escoteiro, sabia? Sei fazer curativos.

Mary não sabia o que dizer, não queria incomodá-lo, mas não iria conseguir disfarçar. De qualquer forma, ela tentou. Levantou do chão, segurando no tapete indiano ao qual caíra e quase imediatamente sentiu sua coluna arquear e caiu de joelhos no chão.

Quase sem perceber ou sentir, Mary foi erguida pelos braços de Alek Montievo e não disse absolutamente nada, pois sabia que sua voz podia falhar como um rádio velho.

- Não precisa se fazer de forte. Eu vi a queda, Mary. Foi... Intensa.

- Eu me sinto enjoada – ela diz, enquanto observa os olhos dele de uma forma que ela apelidaria de: débil. Algo na sua barriga estava se embolando, como se pequenos fogos de artifício estivessem estourando lá como uma sensação nova e altamente desconfortável.

- Talvez seja fome ou... Gravidez – ele satiriza, mas o momento é tão sério que a expressão que se segue em seu rosto parece repreender a si mesmo.

Mary fecha os olhos e encosta a cabeça em seu ombro, enquanto ele a guia em silêncio até o que ela pensava ser a cozinha, no entanto, quando abre os olhos e sente a maciez relaxar suas costas percebe que se encontrava sobre a cama kingsize de seu chefe.

- Está se sentindo cansada? – Alek a questiona quando se senta ao seu lado, segurando uma caixa laranja grande de pronto-socorro. – Quer ir ao hospital?

- Já tive quedas piores. É só uma dorzinha, vai passar. Precisa passar aliais – percebeu ela, erguendo de leve os olhos.

- Não é assim que as coisas funcionam, Sra. Inabalável.

-Eu? Mary Graham? – ela dá uma risada que caçoa a si mesma.

- Quem mais seria? Talvez a almofada Harley...

- Sempre soube que você era do tipo que dava nome para objetos – ela o interrompe, dizendo entre risos.

- Bom, de qualquer forma, as coisas não passam tão rápido, precisamos cuidar delas – Alek diz com o olhar perceptivelmente pensativo. – Vai deixar eu ver suas costas?

O rosto de Mary se avermelha ao perceber o que precisaria fazer.

- Relaxe. Eu a entendo – Alek diz tentando aparentemente disfarçar a graça do olhar. – Fazemos assim, então... – ele segura na camiseta de Mary e a retira de dentro da saia cinzenta.

Mary sente sua pele formigar quando ele adentra a palma por baixo do pano de sua camiseta branca e fina. Em seus dedos, uma substância gelada e mentolada alcança sua pele, fazendo-a retrair-se. Ele a massageia com a leveza de um beija-flor sugando pólen da mais bela flor..

- Já percebi que você gosta de se calar para certos assuntos... - Alek confessa sua percepção.

- Eu só acho que certos comentários são altamente desnecessários – ela tentou não se perder nas palavras, enquanto os dedos dele vagavam por sua pele. – Outros podem me meter em confusão.

- Não gosta de confusão? – os dedos dele sobem pela sua coluna vertebral provocando-lhe um calafrio angustiante.

- Por que a pergunta? Você gosta? Acho que ninguém gosta.

- Ah, tem algumas que valem a pena. Quando provar de uma, estarei aqui para você dizer que eu estava certo.

“Estarei aqui” – era um comentário quase engraçado para um chefe dizer a sua empregada, mas Alek não era esnobe – não tanto – para lhe virar as costas. Na verdade, ao contrário disso, ele fora sempre muito receptível. Isso questionava a relação do rapaz com a jovem Emily, mas os opostos se atraem não é mesmo?

- Lucy

Lucy sentiu os dedos de Leo roçando no espartilho do seu vestido azul anil e por mais inusitado que fosse apreciou tal pequena aproximação. Segurou sua palma e sentiu o calor transferindo de sua pele. Ambos olharam um para o outro tentando lembrar das antigas sensações.

- Você está tão linda quanto na noite da fogueira seis anos atrás – Leo sussurrou em seu ouvido quando eles entraram no salão municipal.

O baile estava lindo. Todo o trabalho que teve para auxiliar sua mãe valera a pena – ainda conseguia sentir a ponta dos dedos perdendo a circulação ao amarrar os laços das mesas e os olhos doerem para chegar a iluminação perfeita.

O barulho da sociedade conversando era uma delicia para os ouvidos de Lucy. Seu coração se apertava com um déjà vu afetuoso. Fazia tempos que não ia para uma reunião daquelas. Com tanta gente de idade diferentes misturadas em uma porção de agrupamentos.

-Lucy – a voz de Sarah machucou seus ouvidos. Não aguentava mais escutá-la.

Assim que ela se virou para encontrá-la, as expressões de todos se alteraram.

- Linda sua amiga, Sarah – Edward diz, segurando firmemente na cintura da moça loira.

Como ela não percebeu? Inglês, bonito, nunca antes visto na cidade... Era mais claro do que a luz daquela festa. Lucy deixou-se levar por uma das coisas que mais detestava na vida: se iludir. Iludir que ele iria embora, que a deixaria em paz. Oh ilusão...

 - Sarah... – os olhos de Leo perderam o foco.

- Leonard...

- Preciso ir ao toalete – Lucy afirma, saindo do círculo, aflita.

Quando virou a primeira esquina de corredores sentiu algo puxar o seu antebraço e seu corpo estremeceu ao saber de quem se tratava.

- Lucy, pare de fugir de mim. Está com medo? – ele a questionou, apertando os olhos castanhos cor de âmbar. – Por que está fazendo isso?

- Vai aceitar o fato que eu continuarei aqui? – ela o questionou sentindo a fraqueza de seu corpo quando ele estava por perto. Eles tinham história; não eram simples desconhecidos e o fato disso se envolver na sua trágica crônica era ainda pior.

Ao encarar seus olhos, lembrou-se do dia anterior à morte prematura de Amanda Walker. Quando Edward a observava, sentado ao seu lado, no leito de sua cama, esperando Lucy sarar. Segurou em sua mão com a firmeza de um mamute e o cuidado de uma libélula.

- Eu não creio que ainda está aqui – ela diz, ainda um pouco fraca.

- Claro que você crê. Você sabe o que sinto por você. É esperta de mais para não saber.

Mas aquele eram outros dias. Hoje, Lucy estava com Leo e Edward era um passado, mas não um simples passado que se guarda e cuida e sim um que se apaga. Pelo bem de todos.

- Eu quero voltar pra Boston. Quero que enfrente isso – ele segurou na pele do queixo macio de Lucy e ela o afastou, educadamente. – Pare com isso, inferno... Por que precisamos nos afastar? – ele põe uma das mãos na parede atrás da cabeça da jovem morena, encurralando-a.

- Por que você não entende. O que eu fiz... Eu não quero você envolvido nisso, Edward.

- Mas você já sabe que eu estou envolvido – Lucy percebeu que estava começando a abusar de mais da boa vontade dele. – Aliais, quem é aquele cara que tava tocando em você?

- Isso não é da sua conta, Campbell.

Ele se afasta dela e mesmo que fosse isso o que ela queria, sentiu parte de si ir junto a ele. Precisava ser forte pelos dois.

- Ele é o meu ex-namorado. Leonard.

Edward encara os olhos dela como se ela não estivesse falando sério e se afasta abruptamente com aparente muita irritação. Seu movimento havia sido tão intenso e perturbador que ela o seguiu com rapidez e com medo de que ele pudesse fazer alguma coisa por impulsividade.

- Para onde está indo? – ela o questiona segurando na palma de sua mão. Aquele simples contato fez toda a pele do seu corpo se esquentar. Ela ainda estava apaixonada por ele e isso doía mais do que qualquer murro que Leo poderia levar.

Edward abriu a boca para responder, mas foi interrompido por um rapaz alto com cabelo raspado nas laterais que trajava uma jaqueta de couro de motoqueiro, ao seu lado estava o sargento Felix fumando um charuto gordo.

- Vocês são o rapaz detetive e a perita forense?

Ambos assentiram confusos.

- Estamos precisando de ajuda, meu nome é Luke Evans. Sou um perito de casos clandestinos. Houve mais mortes. Estão a fim de trabalhar?

Edward olhou para Lucy com receio por ela. A jovem apertou a mão do rapaz como quisesse dizer que tentaria.

- Claro – o jovem inglês afirma.

- Lena

-Alek, Lena. Lena, Alek – Calvin os apresentou.

Os olhos de Lena brilhavam como se uma grande pedra de safira tivesse presa em suas pupilas.

- É um prazer – ele diz, muito educado.

- O prazer é todo meu. Ter na festa dos fundadores o futuro maior CEO da cidade inteira – bajular sempre lhe fazia ganhar alguns pontos, pensou Lena.

Alek vestia um terno de giz azul escuro que combinava com os seus olhos, embora mais claros, límpidos e levemente esverdeados – havia algo no contraste que lhe chamara atenção. Ele era másculo do pé até o último fio loiro de cabelo.

- Então, me diga quem é o chefe daqui – Alek pediu, interessado. Seus olhos fitando os dela com a exatidão impecável de um observador nato.

- Meu pai é o pastor mais querido e influente por esse lado da cidade. No entanto, ele se encontra adoentado. Temos o xerife Bill e o Carl que é dono de quase todas as empreiteiras.

- Ah que ótimo. Você não se importaria em apresentá-los para mim, se importaria?

- Não, sem problemas – Lena estava tentando ser receptiva, mas era difícil chamar a atenção do rapaz. Ele devia ser carregado de atenções desde que saiu do útero, por que então perderia seu tempo analisando uma pobre como Lena?

Alek não era um homem para meninas desse lado da cidade, isso ficara extremamente claro para Lena conforme os segundos no relógio foram se passando e mesmo que tenha estado ao seu lado a festividade inteira, não tinha conseguido nem um olhar de segundas intenções. Aquilo era absolutamente frustrante.

Calvin parecia cada vez mais irritado, o que era proporcional ao desinteresse de Alek para algo que não fosse construção de empresas e a conquista da simpatia de todas as classes sociais de RedValley.

- Adorei o vestido – uma voz soou atrás da ruiva e ela foi obrigada a virar tomada por um susto – pelo menos está usando calcinha – era o pervertido do Luke Evans que segurava em seus dedos longos e hábeis uma taça de champanhe vazia.

- Já é pervertido, agora é um bêbado. Não estou com tempo de te dar atenção.

- Não quero sua atenção, Lena. Meu jogo é para quem aguenta. Não preciso de besteiras como “amor” na minha vida – Lena apreciava sua sinceridade. E o seus músculos e um pouco o sorriso.

Qual foi a última vez que foi para cama com alguém para satisfazer a si própria? Fora uma data tão longe a de hoje que ela mal conseguia se lembrar. A proposta, do nada, começou a ganhar certo interesse – mas ela não iria deixá-lo perceber isso.

Luke deslizou a palma da mão pela cintura de Lena e foi decaindo até a curva de sua bunda. Madalena deixou-se saciar dá sensação quente e pungente em sua carne antes de recobrar a racionalidade e presentear o rapaz com uma boa e farta cotovelada no estômago.

Porém, seu tiro saiu pela culatra e ela sentiu o seu cotovelo atingir uma carne dura que machucou a si própria. A parte sexual da sua mente floresceu de imediato, enquanto a parte racional pediu para ir com calma.

- Você acabou de molestar a filha do pastor, sabe o quão grave isso é?

- Ah, princesa. Nós dois sabemos que você deixou. Poderia ter tirado minha mão enquanto ela estava descendo para atingir um óbvio caminho final, mas não o fez. Não fez antes e não vai fazer agora – ele sussurra a última parte no instante que aperta uma das nádegas de Lena com a sutileza de um massagista, fazendo-a remoer-se com a sensação. E ele está certo, ela não se afasta.

É doloroso se afastar.

- Tchau, princesa – ele diz ao se afastar e algo dentro dela se irrita por ele parar de lhe dar atenção.

-Tchau, plebeu.

Ele sai com um sorriso de graça e arrumou o cabelo antes de desaparecer da visão de Lena.

Agora Lena precisava voltar ao trabalho...



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