História Não conte a ninguém [JIKOOK] - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Blackpink, Bts, Exo, Got7, Jennie, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Lalisa, Lisa, Siwon
Visualizações 90
Palavras 1.969
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa é uma das adaptações que eu estou empenhada em fazer. Estou fazendo no wattpad e passando para cá agora, espero que gostem.
(Se quiser ver no wattpad, procure por meu nick: whatfxk)

Capítulo 1 - 01


Parecia um sussuro sombrio ao vento. Ou talvez um frio na espinha. Alguma coisa. Uma canção etérea que apenas Jimin e eu podíamos ouvir. Uma tensão no ar. Alguma premonição. Existem desgraças que quase esperamos na vida – o que aconteceu com meus pais, por exemplo – e existem momentos sombrios, momentos de súbita violência, que mudam tudo. Havia a minha vida antes da tragédia. Existe a minha vida agora. As duas têm dolorosamente pouco em comum. 

 Jimin mantinha-se calado durante o passeio ao local de nosso primeiro beijo, mas aquilo não era incomum. Mesmo quando menino, ele possuía esse traço de melancolia. Ficava quieto emergulhava em uma contemplação ou em um medo profundo, eu nunca sabia qual dos dois. Talvez fosse parte do mistério, acredito, mas pela primeira vez pude sentir o abismo entre nós. Nosso relacionamento havia resistido a muitas barreiras. Eu me perguntava se ele conseguiria sobreviver à verdade. Ou melhor, às mentiras não contadas. 

 O ar-condicionado do carro zunia. O dia estava quente e úmido. Um clima típico de agosto. Cruzamos a Ponte Milford, na altura do Parque Delaware Water Gap, e fomos recepcionados por um amistoso cobrador de pedágio. Dezesseis quilômetros adiante, vi numa pedra um aviso que dizia: LAGO CHARMAINE – PROPRIEDADE PARTICULAR. Entrei na estrada de terra.

 Os pneus quicavam no chão, levantando poeira como um estouro de cavalos árabes. Jimin desligou o rádio. Pelo canto do olho, percebi que estava examinando meu perfil. Dois cervos mordiscavam algumas folhas à nossa direita. Eles pararam, olharam para nós, viram que éramos inofensivos e voltaram a comer. Continuei dirigindo até que o lago surgiu à nossa frente. O sol despedia-se de nós, tingindo o céu de púrpura e laranja. As copas das árvores pareciam estar pegando fogo.

 – Não acredito que vamos continuar fazendo isso – falei.

 – Foi você quem começou

– Sim, quando tinha 12 anos.

 Jimin deu um sorriso. Não costumava sorrir, mas, quando o fazia, nossa!, atingia em cheio meu coração.

 – É romântico – insistiu ele.

 – É brega. 

 – Adoro romantismo.

 – Você adora uma breguice.

 – E você só pensa em sexo. 

 – Que nada! No fundo, sou um romântico – brinquei. Ele riu e segurou minha mão. 

 – Vamos, seu romântico, está ficando tarde. 

Lago Charmaine. Meu avô havia inventado esse nome, o que aborrecera minha avó. Ela queria que o lago tivesse o nome dela. Seu nome era Bertha. Lago Bertha. Vovô nem ligava. Ponto para ele.

 Há uns 50 anos, o lago Charmaine tinha sido uma colônia de férias para meninos ricos. Oproprietário falira, de modo que vovô comprou barato o lago e todo o terreno em volta. Ele recuperou a casa do diretor da colônia de férias, mas demoliu quase todas as construções em frente ao lago. Dentro da mata, onde ninguém mais ia, deixou as cabanas dos meninos caírem aos pedaços. Minha irmã Lalisa e eu costumávamos explorá-las, em busca de velhos tesouros escondidos em suas ruínas, brincando de esconde-esconde e fugindo do bicho-papão que, com certeza, estava nos espreitando. Jimin raramente se juntava a nós. Ele gostava de saber onde tudo estava. Brincar de esconder o assustava.

 Quando saltamos do carro, ouvi os fantasmas. Um monte deles, rodopiando e brigando pela minha atenção. O de meu pai venceu. O silêncio era total, mas eu jurava que conseguia ouvir os gritos de alegria de papai ao mergulhar do píer, os joelhos comprimidos contra o tórax, o riso quase de um louco, a pancada na água – quase um maremoto aos olhos de seu único filho homem. Papai gostava de mergulhar perto da balsa onde mamãe tomava banho de sol. Ela reclamava, mas mal conseguia disfarçar o sorriso. 

 Pisquei, e as imagens sumiram. Mas me lembrei de como o riso, o grito e a pancada na água vibravam e ecoavam na quietude de nosso lago e me perguntei se reverberações e ecos como aqueles chegam a morrer totalmente, se em algum ponto da mata os gritos alegres de meu pai ainda ricocheteavam tranquilamente nas árvores. Pensamento idiota, mas fazer o quê? 

 Lembranças machucam. As boas, mais ainda.

 – Está tudo bem, Jungkook? – perguntou Jimin. Virei-me para ele:

 – Vamos dar umazinha, né?

 – Pervertido. 

 Ele começou  a percorrer a trilha, a cabeça erguida, as costas eretas. Observei-o por um segundo, lembrando-me da primeira vez que vira aquele andar. Eu tinha 7 anos e descia a rua em minha bicicleta – aquela com o selim alongado e o decalque do Homem de Ferro. A estrada era íngreme e ampla, perfeita para um piloto de carro de corrida. Eu descia a ladeira sem segurar o guidão, com toda a segurança e coragem de que uma criança de 7 anos é capaz. O vento jogava meu cabelo para trás e fazia meus olhos se encherem de lágrimas. Vi o caminhão de mudança diante da velha casa dos Ruskins, virei e, pela primeira vez, vi meu Jimin, andando com a coluna perfeitamente ereta, já aos 7 anos com uma elegância incomum. 

 Encontramo-nos duas semanas depois na turma de segunda série da professora Sobel e, daquele momento em diante – por favor, não riam –, nos tornamos almas gêmeas. Os adultos achavam nosso relacionamento ao mesmo tempo bonitinho e prejudicial – nossa cumplicidade se transformando em afeição adolescente e depois, no ensino médio, num namoro não tão inocente assim. Todos, principalmente Jimin, achavam que nos separaríamos quando amadurecêssemos. Nós também. Ambos éramos jovens brilhantes, ótimos alunos, mantendo a razão mesmo diante de um amor irracional. Sabíamos quais eram nossas chances.

 Mas eis que agora, aos 25 anos de idade, com sete meses de casamento, estávamos de volta ao local onde, aos 12 anos, compartilhamos nosso primeiro beijo. 

 Uma breguice, eu sei. 

 Abrimos caminho por entre os galhos e através da espessa umidade. O cheiro de pinho impregnava o ar. Transpusemos o capim alto. Mosquitos e outros insetos zuniam à nossa volta. Árvores projetavam longas sombras que poderiam ser interpretadas como bem se entendesse, assim como o formato das nuvens ou um teste de Rorschach. 

 Saímos da trilha e abrimos caminho pelo mato mais denso. Jimin foi na frente. Segui dois passos atrás, o que, pensando bem, era um gesto quase simbólico. Sempre acreditei que nada poderia nos separar – afinal, nossa história não tinha provado isso? –, mas agora eu conseguia sentir como nunca que a culpa a impelia para longe. 

 Minha culpa.

 Mais adiante, Jimin dobrou à direita, na altura da grande rocha semifálica, e ali, do lado direito, erguia-se nossa árvore. Nossas iniciais estavam gravadas no tronco:

 P. J. J. J. 

 Um coração as envolvia. Abaixo dele, 12 barras, cada uma marcando um aniversário daquele primeiro beijo. Eu estava prestes a soltar uma piadinha sobre como éramos bregas quando olhei para o rosto de Jimin – a inclinação do queixo, o longo e gracioso pescoço, os olhos castanhos e fixos, o cabelo escuro como céu noturno –, e algo me impediu. 

 – Eu te amo – eu disse. 

 – Você já vai conseguir o que queria. 

 – Que bom! 

 – Eu também te amo.

 – Tudo bem – respondi, fingindo estar aborrecido. – Você também vai conseguir o que queria. 

 Ele sorriu, mas tive a impressão de que hesitava. Abracei-o. Quando estávamos com 12 anos e finalmente tivemos coragem de declarar nosso amor, ele cheirava maravilhosamente a cabelo lavado e pirulito de morango. Eu estava radiante com a novidade de tudo aquilo, é claro, a emoção, a exploração. Agora ele cheirava a lilás e canela. O beijo brotou como uma luz quente do centro do meu coração. Quando nossas línguas se tocaram, senti meu corpo estremecer. Jimin se afastou ofegante. 

 – Você quer ter a honra? – perguntou ele. 

 Ele me entregou a faca e eu entalhei a 13ª. barra na árvore. Treze. Em retrospecto, talvez aquilo tivesse sido um presságio. 

 ○○○

 Estava escuro quando voltamos ao lago. A lua pálida rompia a escuridão como um farol solitário. Não se ouvia som algum naquela noite, nem mesmo o canto dos grilos. Jimin e eu nos despimos rapidamente. Olhei seu corpo ao luar e senti um nó na garganta. Ele mergulhou primeiro, quase sem provocar ondulações na superfície. Eu o segui desajeitado. Surpreendentemente, o lago estava morno. Jimin nadou com braçadas harmoniosas e regulares, como se a água estivesse abrindo caminho para ele. Eu o segui. Ele veio ao encontro de meus braços. Sua pele estava morna e molhada. Eu adorava a pele dele. Abraçamo-nos com força. Eu conseguia sentir seu coração e ouvir sua respiração. Sons de vida. Beijamo-nos. Minha mão desceu pela curva deliciosa de suas costas.

 Quando terminamos – quando tudo parecia perfeito novamente –, agarrei uma balsa e subi. Eu ofegava, as pernas esticadas, os pés pendendo sobre a água. Jimin fechou a cara:

 – Isso são horas de dormir? 

 – Só um cochilo. 

 – Você não é fácil. 

 Pus as mãos atrás da cabeça e me deitei. Uma nuvem passou diante da lua, transformando a noite azulada em algo pálido e cinzento. O ar estava parado. Eu conseguia ouvir Jimin saindo da água e pisando no píer. Meus olhos tentaram se adaptar à escuridão. Eu mal podia ver sua silhueta nua. Ele era simplesmente de tirar o fôlego. Observei-o curvar-se para a frente e sacudir a água dos cabelos. Depois ele arqueou a coluna e jogou a cabeça para trás.

 Minha balsa afastou-se ainda mais da margem. Tentei analisar o que acontecera comigo, mas eu mesmo não conseguia entender. A balsa continuou se movendo. Comecei a perder Jimin de vista. Quando ele desapareceu na escuridão, tomei uma decisão: eu contaria para ele. Eu contaria tudo.

 Fiz que sim com a cabeça e fechei os olhos. Senti o peito leve. Fiquei ouvindo a água bater suavemente na balsa.

 Foi então que ouvi uma porta de carro se abrindo. Sentei-me. 

 – Jimin Hyung? 

 O silêncio era total, exceto por minha própria respiração. 

 Procurei sua silhueta novamente. Estava difícil distinguir, mas por um momento consegui vê-lo. Ou pensei tê-lo visto. Já não sei mais ao certo, nem sei se isso importa. De qualquer maneira, Jimin estava totalmente quieto, e talvez estivesse olhando para mim. 

 Pode ser que eu tenha piscado – não tenho certeza –, mas, quando olhei de novo, Jimin desaparecera. 

 Meu coração disparou:

 – Jimin Hyung! 

 Nenhuma resposta. O pânico aflorou. Pulei da balsa e nadei em direção ao píer. Mas minhas braçadas faziam um barulho terrível em meus ouvidos. Eu não conseguia ouvir o que estava acontecendo – se é que algo estava acontecendo. Parei.

 – Jimin Hyung! 

 Por um longo momento, não ouvi nenhum som. A nuvem continuava tapando a lua. Talvez ele tivesse entrado na cabana. Talvez tivesse ido pegar algo no carro. Abri a boca para chamá-lo de novo.

 Então ouvi seu grito. 

 Abaixei a cabeça e nadei freneticamente, dando braçadas vigorosas na água e batendo as pernas como um louco. Mas eu continuava distante do píer. Tentei olhar enquanto nadava, mas estava escuro demais, e a lua oferecia apenas filetes de luz que não iluminavam nada. 

 Ouvi o ruído de algo sendo arrastado.

 Mais à frente, eu conseguia distinguir o píer. Devia estar a menos de seis metros. Nadei com mais vigor. Meus pulmões ardiam. Engoli água, os braços esticados, as mãos tateando cegamente no escuro. Até que encontrei a escada. Segurei-a com força, ergui-me e saí da água. Jimin molhara todo o píer. Olhei em direção à cabana. Escuro demais. Não dava para ver nada. 

 – Jimin Hyung! 

 Algo que parecia ser um taco de beisebol atingiu-me bem no peito. Meus olhos se arregalaram. Me curvei, sufocando. Sem ar. Outro golpe. Desta vez no alto do crânio. Senti um estalo na cabeça, como se tivessem enfiado um prego em minha têmpora. Minhas pernas fraquejaram e caí de joelhos no chão. Totalmente desorientado, coloquei as mãos sobre as laterais da cabeça, tentando protegê-la. O golpe seguinte – o último – atingiu-me bem no rosto.

 Tombei para trás e caí de volta no lago. Meus olhos se fecharam. Ouvi Jimin gritar novamente – dessa vez ele gritou meu nome –, mas o som, todos os sons desapareceram  



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