História Não conte a ninguém que dormi com os céus - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias NCT 127, NCT U
Personagens Hansol, Jaehyun, Johnny, Mark, Personagens Originais, Taeyong, Ten, Yuta
Tags Aposta, Taeten, Yusol
Exibições 97
Palavras 2.072
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Slash, Suspense
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Vocês já pararam para pensar o que é realmente ser livre? Atualmente, creio que esta palavra existe na teoria, mas na prática ela está longe de ser conquistada. Talvez esta pergunta tenha desencadeado a vontade de escrever a fic, não sei ao certo. Tenho muitas dúvidas e ainda estou aprendendo muito sobre o que é ter liberdade. Enfim, ando pensando tanto nesta questão que espero um dia encontrar uma resposta que me agrade, ou quem sabe, mais questionamentos que possam gerar maiores perguntas.

Sobre ter escolhido o Hansol como enfermeiro, eu apenas olhei para o rosto dele e senti que ele passava uma calma, ou melhor, um aviso de que "tudo ficará bem". É muito complicado explicar, mas vocês já tiveram a sensação de que se tiver tal pessoa em seu lado, você tem certeza de que pode confiar sua vida à ela? Foi isto que senti, Hansol me passa a mensagem de que cuida dos outros. Eu posso estar muito errada, mas também posso estar certa. Um dia descobriremos.

Boa leitura

Capítulo 5 - Flor Artificial


"Você faz muitas perguntas, mas em minha mente elas se multiplicam. Responderei todas, só que pessoalmente. Tentarei convencer Hansol e irei esperá-lo no porão de casa, é um lugar seguro caso meus pais apareçam do nada e confortável de ficar. Deste modo, você conhecerá cada parte de mim. - T"

Escrevi e lacrei o papel para Hansol não ler meu plano e mandei ele entregar o pequeno envelope, mas sabia que meu enfermeiro passaria o papel por baixo da porta para que Taeyong pegasse. Precaução era tudo naquela casa.

Assim que entreguei a folha, segui para a cozinha em busca de um café da manhã reforçado. Percebi que meus pais não haviam acordado e decidi fazer uma surpresa para as pessoas que me trouxeram ao mundo. Alguma vezes, para passar o tempo, eu gosto de surpreendê-los e como estava animado com os últimos acontecimentos, fiz o máximo de comida para mimá-los.

Com uma mesa portátil em mãos, levei tudo o que tinha cozinhado para o quarto deles, mas assim que abri a porta, encontrei a cama completamente arrumada e frustração foi a primeira sensação que tive já que não era a primeira vez que aquilo acontecia, voltei para a cozinha e gritei por Hansol.

— Antigamente eles avisavam, agora somem do nada. -reclamei.

— Pensei que isto acontecia com frequência, aliás, eles são médicos. - ele cometou sentando na bancada da cozinha americana.

— Tenho certeza que eles não estão de plantão. - disse irritado.

Eles teriam coragem de quebrar a promessa de passarem as férias ao meu lado? 

— Só descobriremos quando eles voltarem. - meu amigo comentou.

— Você não acha estranho as atitudes deles?

— Do que você está desconfiado? - Hasol perguntou de modo objetivo enquanto eu lembrava do bloco que escondi.

Era verdade, ele não sabia daquilo. Eu tinha um segredo apenas meu e não compartilharia com ninguém tão cedo.

— Eles estão agressivos até com Taeyong. - troquei a frase que diria. Ou melhor, o alvo.

— Eles só estão preocupados de você sair machucado de alguma forma.

— Mas se machucar na vida não é um modo de aprendizagem algumas vezes? - retruquei deixando meu enfermeiro em pleno silêncio enquanto terminava de comer.

---

"Eu estou aqui, escondido de você. Quanto mais tento florescer, mais minhas pétalas caem. Sou uma flor artificial que morrerá a qualquer momento, mas não sou uma flor falsa. Mesmo sendo artificial, ainda sou algo. No chão, as pétalas caídas tentam se reunir em busca do que eu era antes, mas agora, sou renovado todo segundo porque você chegou. Uma flor é uma vida pura, não importa de onde ela surgiu ou o modo como foi criada. Caso alguém queira cuidar de mim, simplesmente tentarei meu melhor e florescerei ainda mais até todas as pétalas se contentarem de que sou uma vida única"

Fechei o diário assim que escutei um barulho contínuo vindo da janela. Abri as cortinas e gritei ao ver uma pedra sendo atirada em minha direção, sorte que o vidro era resistente. Olhei para a rua em busca da fonte que atirava as pedras e ri ao avistar Taeyong. Só poderia ser ele mesmo, com o quadro da irmã e uma caneta em mãos, voltou a escrever quando conseguiu minha atenção.

"Quando irei vê-lo?"  li quando Tae virou o quadro.

Fiz uma mímica dizendo para ele esperar e gritei por Hansol, mas gritei de uma forma como se tivesse morrendo para ele vir correndo mais rápido. Eu sei que isto é cruel, mas aquela era minha cota de travessura do dia. Meu enfermeiro chegou desesperado e ofegando em meu quarto e ao me ver gargalhando, praguejou algo que não escutei, sendo assim, empurrei com toda a minha força o grandão para a janela.

— Nem em seus sonhos. - ele me respondeu quando leu o quadro do vizinho.

— Não acontecerá nada, pode ter certeza. - tentei convencê-lo.

— Acontecerá sim, eu serei demitido e você ficará com sequelas graves. De modo algum.

— Hansol...

— Não tente seus joguinhos comigo. Você viu o que seus pais fizeram com o enfermeiro antigo?

— Eu terei que me machucar um dia, não acha? Não lembra da nossa conversa mais cedo? - retruquei.

Ele apenas se afastou da janela e desceu as escadas me ignorando completamente antes que eu tentasse algo. Voltei para a janela e meu vizinho entendeu que não tinha dado certo, mas voltou a escrever no quadro.

"Não desista!" Foi a última frase que li antes de fechar a cortina.

Impaciente, passei um cadeado no diário que estava escrevendo e fui tomar um banho.

---

Hansol fez o nosso almoço mesmo não sendo obrigado, ele me perguntou como eu nunca ficava no tédio dentro de casa e apenas fiquei quieto tentando encontrar uma resposta para aquilo.

— A única certeza que tenho é que um dia irei explodir. - comentei para morrer o assunto.

— Yuta é muito caseiro também, se eu não existisse, ele viveria dentro de casa igual você.

— O cara do celular. - presumi.

— Ele mesmo, os pais vivem viajando para o Japão e ele fica cuidando da casa.

— Como vocês se conheceram?

— Colegas de quarto na faculdade.

— Dias intensos, imagino.

— Ele ficava muito no dormitório, quase não abria a boca pra falar comigo. Um dia, eu cheguei no quarto e ele estava com uma blusa minha na mão. - Hansol disse rindo.

— O que isso significa? Ele era um maníaco? Um invejoso?

— Não, ele só estava separando as roupas que colocamos pra lavar e a minha acabou caindo no cesto dele, mas depois desse dia, viramos amigos para tudo.

— Amigos? Eu pensava que vocês tinham um relacionamento mais avançado. - resminguei desacreditado lembrando do telefone quebrado.

—Nós tentamos ficar juntos três vezes, mas nunca dá certo. Pelo menos, ele ainda me oferece carona até sua casa.

— Traz Yuta um dia aqui? - tentei convencê-lo mais uma vez naquele dia.

— Não!

— Por qual motivo você gosta de responder não?

— Sem Taeyong e sem Yuta. - concluiu tentando terminar aquele assunto.

— Vamos fazer uma aposta então. - sugeri.

— Aposta?

— Se você ganhar, eu te obedeço e nunca mais tocamos neste assunto. Caso você perca, quero os dois em minha casa.
De certo modo, eu queria me envolver com o mundo e se eu não poderia conhecer o exterior, então traria tudo para dentro de casa.

— Isso não vai prestar...

— Nossa, Hansol. Que frase de perdedor, eu esperava mais de você. - debochei.

— OK, apenas diga o que farei. Parece que tenho que aceitar essa aposta logo antes que você me atormente pelo resto da semana.

— Vamos montar uma casa com cartas.

— Perde quem deixar cair primeiro? 

— Exatamente!

— Tudo bem. Acho que devemos terminar com toda esta situação logo. - ele concluiu enquanto eu ia no porão pegar o baralho.

Começamos a montar assim que trouxe. Hansol era bom, mas não sabia colocar as cartas em posições certas. Só que  eu também não era um expert e em nossa primeira tentativa, as casas que montamos caíram juntas. Vi meu enfermeiro soltando tanto palavrão que pensei que ele faria um discurso com todas aquelas palavras.

Já na segunda vez, ficamos soprando a casa alheia para ver qual era a mais fraca e a minha caiu, mas Hansol viu que naquela rodada estávamos roubando e assim decidimos montar pela última vez para ter um resuldado definitivo. Desta vez, minhas mãos estavam suando, era a chance que eu tinha para trazer Taeyong para me conhecer pessoalmente e eu tinha certeza de que se perdesse a oportunidade, meu vizinho demoraria para pisar em minha casa.

Limpei o suor das mãos na calça e comecei a montar. Hansol estava tremendo e soltei algumas piadinhas para distraí-lo e acho que funcionou. Eu não vi exatamente o que ocorreu, mas foi provável que ele bateu o dedo sem querer em algum andar da casa e tudo foi pra baixo. O resultado daquilo foi eu jogando todo o baralho na cara dele e pulando pela casa com a certeza de que eu era o vencedor naquele dia.

— Não acredito que vou arriscar meu emprego. - comentou desolado.

— Pode deixar que se acontecer algo, eu me responsabilizo.

— Parece que não tenho escolha. Escreva outra carta para eu convidá-lo amanhã.

— Farei isto imediatamente e você entregará quando for embora.

— Tudo bem. - ele concordou, mas eu já estava subindo as escadas antes de ele adicionar alguma restrição.

"Finalmente consegui convencer meu enfermeiro de que você poderá vir me visitar amanhã! Eu estou muito animado para o nosso encontro e não vejo a hora de conversarmos sobre diversos assuntos. Meu medo é de ficar com o branco na mente quando você surgir e isto me assusta um pouco já que  não tenho vergonha das coisas, mas você é como um organismo novo entrando em minha vida e não sei quais reações eu terei. Por favor, tenha paciência caso eu surte ou algo do tipo. Então, perdoe-me antecipadamente. -T"

---

— Ten? - uma voz feminina surgiu ao meu lado no fim da tarde.

— Oi, mãe.

— Hansol já foi pra casa tão cedo?

— Dispensei ele. - respondi.

Mas na verdade, expulsei meu amigo o mais rápido possível para ver a reação do vizinho recebendo o meu convite. Taeyong, como se soubesse que eu bisbilhotava pela janela, olhou em minha direção e deu um sorriso sincero, muito diferente do dia no qual eu acordei de madrugada.

— Você endoidou? - minha mãe reclamou me puxando dos devaneios.

— Só quarenta minutos a menos, qual o problema?

— Quarenta minutos é muito tempo, imagine se você come algo e sua garganta fecha? Nunca mais faça isso! - respondeu furiosa, mas veio em minha direção e encheu minha bochecha de beijos.

— A recíproca é verdadeira. Vocês me abandonaram mais uma vez.

— Perdão, filho. Um paciente recusou ser atendido por outros médicos que não fossem eu e seu pai e ele estava se recusando a comer até nós voltamor para tratá-lo.

— Essas pessoas... - resmunguei.

— Não as culpe, você as entende muito bem.

— Acho que sim... - respondi confuso.

— O problema é que sua mãe tem um coração mole e não conseguiu dormir direito depois que soube da notícia. - meu pai disse entrando na sala.

— Está tudo bem. Irei perdoar tudo que ocorreu, mas avisem da próxima vez. É muito chato ficar sem atividades aqui dentro de casa já que vocês avisaram para os professores do curso online de que entrariam de férias então é muito chato ficar sem fazer nada aqui dentro e eles consequentemente me botaram de férias também.

— Espero que isto não aconteça novamente foi só um imprevisto, mas logo o paciente irá melhorar sua condição e assim poderemos entrar de férias todos juntos. Quem sabe no Natal? Já está chegando, não é mesmo?

— Estou esperando o videogame até hoje só para lembrar. -  concluir saindo da sala um pouco irritado com a situação.

Naquele momento, eles não me seguiriam já que eu estava de cabeça quente, mas sabiam que no dia seguinte estariam perdoados. Era assim todo mês: uma briga, um pedido de desculpas e um perdão. Mas as brigas estão se tornando frequentes.

"A única certeza que tenho é que um dia irei explodir" Lembrei do que tinha dito para Hansol antes de fechar a porta do quarto com força.

----

Escutei batidas na janela assim que coloquei o pijama, meus pais resolviam documentações no escritório naquele horário e fiquei com receio. Tranquei a porta do quarto já sabendo que era Taeyong a fonte do barulho e abri as cortinas.

Foi quando caí (literalmente) para trás de susto.

Taeyong estava ali, sorrindo e com uma mão na janela. Era quase surreal vê-lo tão de perto, eu nem ao menos lembrava da pequena varanda que tínhamos no segundo andar na frente das janelas e minha pele começou a queimar de animação, mas não estava me importando com a reação alérgica.

Caminhei novamente em sua direção e encostei minha mão na janela onde estava a dele na tentativa de tocar, mas ainda era muito utópico. Tae soprou o vidro para embaçar. Pude perceber seus lábios, secos por conta do frio noturno e se eu fosse uma pessoa normal, ele estaria em meu quarto tomando um chocolate quente.

"Amanhã" escreveu no vidro embaçado.

Olhei em seus olhos e sorri com o sentimento mais verdadeiro do mundo.

"Obrigado" escrevi fazendo o mesmo que ele.

No início, ele ficou confuso com o que quis passar, mas estava ciente de que um dia descobriria.

E este dia estava mais perto do que imaginávamos.
 


Notas Finais


Queria dizer que os dias exatos de postar os capítulos ficarão alterados já que as avaliações da faculdade estão chegando e eu ando muito nervosa, espero ter a compreensão e o apoio de vocês. Até mais!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...