História Não Entre - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Luta, Mafias, Naruto, Policial, Sasusaku
Visualizações 276
Palavras 5.025
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Hentai, Luta, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hei leitores do meu coração, capítulo novo saindo, espero que gostem da pegada kkkkk
Comecei um projeto novo, então para quem tiver interesse vou deixar o link nas notas finais.
Boa leitura :*

Capítulo 14 - I Capítulo Treze.


Fanfic / Fanfiction Não Entre - Capítulo 14 - I Capítulo Treze.

 

Capítulo 13

 

- Nós precisamos encontrar a Sakura. – Naruto levantou. – Antes que seja tarde demais.

- Como? – Sasuke levantou também. Estava nervoso. – Olha o tempo que vocês vêm trabalhando nisso e não chegaram nem perto de descobrir.

- Precisamos pensar, Sakura já fez o mais difícil. – Shikamaru conjecturou.

- Ninguém nunca conseguiu os pegar. Como vão saber onde ela está? Como vão salvá-la? – O Uchiha mais novo continuava com suas indagações. Não sabia se estava mais nervoso pela situação ou por medo de perder Sakura. A última vez que conversaram, bom, não foi bem uma conversa. Ele tinha a julgado. E julgado mal. Talvez a culpa já estivesse o consumindo se o pior acontecesse.

- Nós, não. – Kakashi tentou levantar o ombro imobilizado. – Por mais que eu quisesse, só atrapalharia. Como Shikamaru.

- Quis dizer a polícia. – O moreno respondeu.

- É perigoso demais. – Itachi se pronunciou. – Se ainda há alguma chance dela estar viva, não podemos correr o risco, precisamos ser discretos. Se ele souber que o departamento inteiro procura por ela, seria seu fim.

- Isso não ajuda muito, Itachi. – Kakashi o repreendeu.

- O que dois homens armados vão fazer contra uma máfia? – Sasuke sorriu de nervoso. Caminhava de um lado a outro.

- Sasuke, você precisa entender que ele não hesitaria um minuto em meter uma bala no meio da testa dela. – O mais velho começava perder a paciência.

- Bom, Sasuke. – Naruto bateu as mãos. – Você sabe usar uma arma. – O Uchiha mais novo parou imediatamente onde estava para encarar o loiro.

- Você está brincando não é?

- Na verdade, não. – O loiro deu de ombros.

- Naruto, isso é insano. – Sasuke rebateu. – Saber usar uma arma é bem diferente do que sair matando pessoas por aí, eu não sou um policial, muito menos um agente secreto.

- Qual é, você está exagerando. – Itachi recriminou o irmão.

- Exagerando? – Oscilou. – Desculpe se não estou familiarizado com tiroteios como você e qualquer outro nessa sala. – Ergueu os braços e rodeou sobre o próprio eixo do corpo. -  Deve ser por isso que eu sou um engenheiro e deixo a porcaria da minha bunda sentada atrás da porra de uma mesa e não outra coisa.

- Sasuke. – Naruto o chamou na intenção de o acalmar. – Enquanto estamos aqui discutindo, Sakura corre perigo.

- Ela corre perigo desde o momento em que pisou nessa cidade. – Cuspiu as palavras ao amigo.

- Ela precisa da gente. – O loiro continuou. – Ela precisa de você. – Sasuke encarou os olhos azuis do amigo. Suspirou.

- Eu vou me arrepender disso. – Disse por fim convencido. – Ah! Se vou. – Massageou a têmporas.

- Use o meu distintivo. – Shikamaru tirou o pedaço de metal do bolso e o alcançou a Sasuke. – Não vai ter problemas se matar alguém. – O moreno gargalhou.

– O que me adianta ter isto se não sabemos onde ela está?

- Um minuto. – O tenente tirou o celular do bolso. – Acho que consegui pensar em algo. - Discou um número. Colocou no viva-voz. – Tenten?

- Sim, chefe! – Ela nunca perderia o costume de chamá-lo assim. Até mesmo fora do departamento.

- Está sozinha?

- Só um pouquinho. – Puderam ouvir alguns ruídos. Alguns pedidos de licença. – Pronto, pode falar.

- Lembra que você estava trabalhado com amostras de solo que a Sakura coletou?

- Sim, o que tem?

- Você já tem alguma coisa?

- Como sexta-feira você disse que aquilo podia esperar, eu ia te entregar hoje, mas devido a situação.

- Não estou te cobrando. Bom, na verdade estou, mas não nesse sentido. – Suspirou. – O que você achou, Tenten?

- Resumindo, encontrei resíduos de uma substância utilizada em fábricas de tinta e pólen de uma flor cultivada em Chinatown.

- Perfeito! Obrigada, Tenten.

- Chefe?

- Sim?

- Cuidado!

- Tenten, não conte para ninguém e mantenha a discrição, por favor. Logo estaremos de volta.

- Sim, senhor!

- Tente manter todos aí até voltarmos.

- Tarefa difícil, chefe. Hinata já percebeu que algo não está certo.

- Deixe-os no escuro o quanto puder, para que ninguém faça nenhuma besteira, quando não conseguir mais, conte a verdade.

- Que é?

- Levaram a Sakura, estamos indo resgatá-la.

- JESUS CRISTO! – Ela não conseguiu conter a surpresa.

- Tenten! – A censurou.

- Desculpe, chefe!

- Faça o que eu falei e, por favor, se contenha.

- Sim, senhor!

- Quando eu tiver mais informações eu ligo.

- Sim, senhor!

- Cuidado!

- Sim, chefe. Até!

- Cadê o computador da Sakura? – Ao desligar o telefone, Shikamaru passou a procurar pelo que pediu.

- Aqui! – Naruto vinha do quarto com o notebook em mãos. Depositou-o em cima da bancada da cozinha.

- Vamos ver! – Kakashi tomou as rédeas da situação. Abriu o aparelho e quando este ligou começou a digitar. – Temos uma correspondência. – Ele disse ao mostrar o mapa na tela.

- Como vai ser? – Itachi aproximou-se.

 

 

Sua lucidez surgia. Seus olhos pesavam. Não conseguia abri-los. Seu corpo pesava. Não consegui mexe-lo. Os ruídos a sua volta eram apenas isso, ruídos. Incompreensíveis. Normal para alguém que tivesse batido com a cabeça. Ou talvez, tivesse sido drogada. Não sabia dizer. Seu corpo trepidava no contato com a superfície gelada sob seu corpo, como se estivesse em movimento. Sua lucidez, então, desaparecia. Escuridão outra vez.

 Ela sonhou que estava desaparecida. Que estava tão assustada. Mas ninguém a escutava, pois ninguém mais se importava. Então sua consciência se fez luz novamente. Ainda não conseguia abrir os olhos. Pode sentir seu corpo ser arrastado pelo chão. Primeiro, terra. O gosto do pó invadiu sua boca. Depois, pedras. As pontas irregulares arranharam sua pele, a esfolando como se não fosse nada. Sentiu medo pela primeira vez. Será que ela era mesmo um nada? Acreditava que sim. Então, o piso gelado se fez presente novamente. Estava úmido ali. Vozes puderam ser ouvidas outra vez. Uma língua que ela não entendia. Russo, alemão, italiano? Quem sabe? O que ela deixaria enquanto que sua vida acabava ali? Mais uma vez foi vencida por sua própria mente que virou uma penumbra.

Sonhou outra vez. Estava em Tijuana. Na casa velha e de madeira que haviam se refugiado quando o comboio foi atacado. Sentiu o cheiro de ovos vindos da cozinha. Caminhou. Itachi estava lá. Ele cozinhava. Quando ele virou para encará-la tinha um sorriso nos lábios. Podia até dizer que eles quase encontravam as orelhas.

- Quando minha hora chegar, esqueça os erros que cometi. Ajude-me a deixar pra trás algumas razões que deixam saudades. Não fique ressentida comigo. Quando se sentir vazia, mantenha-me em sua memória e deixe de fora todo o resto. Deixe de fora todo o resto. Não tenha medo. Mesmo se levar uma surra. Não compartilhei o que conseguiu. Eu sei que você é forte. Mesmo que seja apenas na superfície. Vá até o fim. Eu nunca fui perfeito. Você também não precisa ser. Mas eu sei que será. Essa é você. Esqueça toda dor interior que aprendeu a esconder tão bem. Não finja que outra pessoa pode chegar e te salvar de mim. Eu não posso estar em seu lugar. Seja forte!

A imagem a sua frente e a voz em sua mente desintegraram-se quando a água fria tocou seu corpo. Finalmente conseguiu abrir seus olhos. Respirou fundo enquanto algumas gotas desciam por seu cabelo e tocavam-lhe o rosto. A imagem ainda era turva, mas constatou que haviam três pessoas na sua frente. Seus pulsos estavam amarrados no alto de sua cabeça por correntes que a deixavam pendurada. Seus pés descalços mal tocavam o chão, agora escorregadio. A sala não era muito grande, mas percebeu que o lugar estava abandonado a muito. As paredes por pintar, o reboco desagregando, o mofo e o bolor tomando conta de tudo. Ao estabilizar a visão reconheceu os três pares de olhos que a encaravam de volta. Orochimaru, Tayuya e o cara do estacionamento.

- Bem-vinda, Sakura. – Orochimaru tinha um sorriso sínico nos lábios que a fizeram tentar libertar-se, inutilmente, para lhe partir a cara. – Creio que já conheça Tayuya.

- Aproveitou os fogos, querida? – Provocou.

- Este é Sasori, lembra-se dele de hoje de manhã, creio eu.

- O que você quer? – Sakura rosnou.

- Pobre garota. – Bateu palmas e começou a andar pelo recinto. – Sozinha, abandonada por todos. Culpada pela morte do garoto. Sem amigos. Sem ninguém.

- Como você sabe disso?

- Eu sei de muitas coisas, garota. – A rodeava como se fosse um urubu sobrevoando a carniça em busca de alimento. – O que você sabe sobre mim, garota? Nada? Tudo? Não sei, mas deixe-me informá-la sobe algumas coisas. – Continuava movendo-se. – Eu estudei Medicina por um ano antes de sair para ser um boxeador profissional. Eu sou muito bom nisso, sabe? – Tirou o paletó e o entregou a ruiva. – Mas eu me lembro de tudo o que me ensinaram. – Arregaçava as mangas. – Por exemplo. – Ele parou em frente a rosada. A olhava de baixo. - Eu sei quanta dor uma pessoa consegue aguentar sem desmaiar. – Sakura sentia o hálito quente tocar seu rosto. Cheirava a vodca. – Eu sei quanto tempo leva para se recuperar. – Remexia os anéis nos dedos. – Eu sei como manter uma pessoa viva mesmo quando deixá-la morrer seria o mais humano a fazer. – Deu um paço para trás. – Mas eu não sou humano, sou? – Desdenhava. Sakura tinha o olhar firme. – Quando tudo isso acabar, você vai implorar para eu matá-la. A menos que me diga o que eu quero saber.

- O melhor homem que eu já conheci era mais malicioso do que insatisfeito. – Sakura falava manso. - Sim, ele me ensinou a segurar minha língua, sabe? Você diz o que você diz, para que eu diga o que você quer saber. Mas adivinhe? Eu não vou me render e no final você vai deslizar para longe como a cobra que você é. – Cuspiu na cara dele.

- Bom, você fez a sua escolha. – E ao terminar de falar ele levantou as suas mãos como se estive em um ringue. E ele estava. O último round. Socou Sakura como se golpeasse um saco de areia. Por mais que não quisesse, e se recusava a gritar, alguns gemidos escapavam por entre seus dentes trincados. – O que você sabe? – Ela não respondia. – O que você descobriu? – Ele a questionava entre as pancadas. – Quem mais sabe? – Ele ofegava. – Sua vadia, filha da puta. Eu vou te fazer falar. – E ele fez jus ao que falou sobre conhecer o corpo humano. Assim que parou de golpeá-la tudo enevoou. De novo.

Parece que seus devaneios entre o perder a consciência e recuperá-la, levar uma surra antes de apagar novamente durariam até ela não poder mais suportar. Até realmente ela implorar para morrer. Acordou em sua casa. Estava em sua cama. O chuveiro fazia barulho. A fumaça da água quente saia pela porta aberta do banheiro. Podia escutar alguém cantando. Ela conhecia aquela voz. Andou devagar até vislumbrar Sasuke, pelo box, enxaguando seu cabelo. O cheiro bom que vinha dele a fez recordar de uma campina. O cheiro de narcisos envolvendo suas narinas. A espuma branca deslizava por suas costas máscula e definida. Ao se virar e encontrar os olhos verdes, sorriu. Como Itachi. Como se sua alegria não coubesse em si.

- Você é um pouco de solidão, assim como eu. Um pouco de negligência. Uma plenitude sem reclamações e ressentimentos. Mas eu não posso evitar o fato de que todos podem ver suas cicatrizes. Eu posso ser o que você quiser. Eu só quero que você sinta. Outra vez. Mas é como se não importasse o que eu faço. Eu nunca vou conseguir te convencer. E simplesmente te fazer acreditar que isso é real. Então eu deixo acontecer. Te observando. Dando as costas como você sempre faz. Abaixando o rosto e fingindo que eu não estou. Mas saiba, eu estarei lá. Eu sempre estarei lá por você. Porque você é tudo que eu tenho. Eu não posso sentir da mesma maneira de antes. Então por favor, não vire as costas para mim. Eu não quero ser ignorado. O tempo não vai curar esse dano. Nunca mais. Então deixe-me ajudá-la. Você é um pouco insegura, assim como eu. Um pouco desconfiada. Mas simplesmente porque você não entende. Eu faço o que posso. Mas às vezes eu não faço sentido. Então por favor. Não desista!

A água fria o levou assim como todo resto, quando o gelado entrou em contado com sua pele outra vez a fazendo despertar. Sentiu o gosto de sangue mais uma vez. A respiração estava pesada. Achou que ele tivesse conseguido quebrar-lhe uma ou duas costelas. Quando seus pulmões enxiam era difícil seu lado esquerdo não latejar. Quando tempo ficou desacordada? Não tinha mais noção.

- Então? – Desta vez Orochimaru só trazia a companhia da mulher. – Mudou de ideia?

- Isso era o que você esperava? – Tentou sorrir, mas a dor a impediu. - Era tudo isso ou muito menos que ansiava de mim? Achou que ia ser fácil? Seu merda! Mesmo que eu morra, eles vão chegar até você. De um jeito ou de outro.

- O que eles sabem? – Parecia irritado. Talvez aquilo estivesse levando mais tempo do que ele planejara. Ela realmente não sabia ou estava tentando ganhar tempo? Não compreendia. – Para quem mais você contou? O que você contou?

- Vá em frente, eu aguento mais algumas pancadas seu filho da puta. – E ao terminar de falar seu pedido foi atendido. Mais rápido do que imaginava. Desta vez não conseguiu se controlar e urrou de dor. Mas era tudo o que ele teria. Nada mais. Suas mãos apertavam-se contra as correntes. A cada nova estocada, toda a dor que sentia canalizava para o metal que já não era mais frígido. Ele só pararia quando ela desmaiasse. Então ela não prolongou aquilo. Relaxou e deixou-se levar. Quem sabe se quanto menos resistisse mais fácil aquilo aconteceria. E não tardou para o breu chegar mais uma vez.

Desta vez sua mente a deixou em seu trabalho. Sentada em sua mesa. Naruto digitava algo em seu computador. A xícara de café a sua frente parecia fumegante, mas delicioso. Os grãos tinham recém sidos moídos. E como se o dia se fizesse presente para ele, naquele exato momento, sorriu também ao enxergá-la.

- Tempo é uma coisa valiosa. Você o vê passar enquanto o pêndulo balança. Você o vê contar até o fim do dia. O relógio marca o tempo da vida. É tão irreal. Não olhe para trás. Não deixe o tempo passar pela janela tentando esperar por algo que não virá. Não desperdice tudo. Para que esperar tanto? Apenas para ver todos irem? Não guarde tudo dentro de você. Embora você tenha tentado, tudo desmoronou. O que isso significou para você será eventualmente uma lembrança de um tempo de como você pode chegar tão longe. Mas no fim, isso não importará. Você não precisa cair e perder tudo. Não cometa este erro. Aguente firme!

O loiro derreteu sobre seus olhos ao ser encharcada mais uma vez pelo líquido gélido. Suspirou. Por quanto tempo mais suportaria aquilo? Sua própria mente a estava matando por dentro. Pensando se haveria alguém naquele exato momento procurando por ela. Ou ninguém se importou, realmente? Ficaria feliz se ao menos um, dos que pensava serem seus amigos, teria dado sua falta. Isso não aconteceria.

- Você vai falar agora? – As roupas do homem, assim como seus cabelos compridos, estavam molhadas de suor. Sakura apenas sorriu. O mais diabólico que ela conseguira.

- Eu aguento isso o dia todo.

- Sua desgraçada. – Voltou a socá-la. – Se você não falar eu vou te matar, sua filha da puta.

- Vá em frente seu bosta, porque se eu sair daqui viva quem vai morre é você. Seu pugilista de merda.

- Você vai se arrepender de ter nascido sua puta. Devia ter me divertido um pouco antes de estragar esse seu corpinho bonito.

- Vai pro inferno! – O nojo lhe preencheu. E aquela vez a fúria do homem a sua frente foi tremenda. A força com que a espancava aumentara. Talvez se ele tivesse lhe arrancado alguns dentes ou quebrado alguns de seus dedos trouxesse mais resultado. Alguns choques com certeza a fariam gritar. Até mesmo chorar. Coisa que não havia feito até agora. Mas no fim, na verdade, ela não sabia de nada. Tudo o que descobriu não pode contar para ninguém. Deveria ter mandado pelo menos uma mensagem de texto com o nome do maldito. Agora ninguém além dela sabia a identidade daquele monstro. Amaldiçoou-se por isso. Nunca a encontrariam com vida. Seu corpo seria achado mutilado e jogado em algum beco da cidade. Como todos os outros. Adormeceu novamente.

Dessa vez seu subconsciente a levou para uma imensidão branca. Tão clara que seus olhos doíam. Não havia nada ali além dela e ela mesma.

- Quem é você?

- Eu sou você.

- O que você quer?

- Conversar.

- Diga-me o que tenho que fazer.

- Não tem como te fazer entender. As luzes estão acesas, mas não há ninguém em casa.

- Você diz que eu não consigo entender, mas você não está me dando uma chance.

- Quando você me deixar, para onde você vai? Todos os muros que você continua construindo. Todo esse tempo que passei te perseguindo. Todos os jeitos que eu continuo perdendo você. A verdade é que você se transformou em outra pessoa. Você continua correndo como se o céu estivesse caindo. Posso sussurrar, posso gritar, mas eu sei, sim eu sei, eu só estou falando sozinha.

- Admito que cometi erros, mas eu não sei o que fazer.

- Os seus erros podem lhe custar tudo. Você não me ouve te chamando de volta para casa?

- Havia sinais? Eu ignorei?

- Posso ajudá-la a não mais se machucar? Eu vi o brilho, quando o mundo estava adormecido.

- Há coisas que podemos ter, mas não podemos manter. Quem se importa se mais uma luz se apagar? Num céu de um milhão de estrelas. Quem se importa quando o tempo de alguém acaba? Se um momento é tudo o que somos. Quem se importa se mais uma luz se apagar?

- Bem, eu me importo. Os lembretes, puxe o chão de seus pés. Na cozinha, no banheiro, no trabalho, há mais uma cadeira que você precisa. E você está com raiva, e você deveria estar, não é justo. Só porque você não pode vê-lo, não significa, que não está lá. Perdoe-os. Perdoe-se. Viva!

 

 

Enquanto decidiam como eles procederiam, rumaram ao departamento para conseguir mais armas e munição. Estavam indo para a guerra. Ao mesmo tempo que Shikamaru tentava conseguir um mandado os três bravos mosqueteiros partiram para o provável endereço em que Sakura encontrava-se. Estavam todos com comunicadores. Se algo desse errado saberiam na mesma hora e então Kakashi entraria em ação chamando reforços. Era isso.

Na frente do prédio abandonado já haviam alguns capangas fazendo a guarda. Estes foram eliminados de forma silenciosa. Mas sabiam que ao entrarem pela porta tudo seria diferente. E foi exatamente o que aconteceu. Posicionaram-se. Sasuke chutou a porta de costas e os outros entraram. O que se seguiu foram apenas tiros, gritos e corpos caiando no chão.

Itachi fez sinal para Naruto continuar pela direita, Sasuke subir e ele desceria. A missão era encontrar Sakura o mais rápido possível, antes que a executassem, e a tirar dali. Ao subir as escadas o Uchiha mais novo não encontrou muitos guardas se comparados com os gatilhos que ouvia dos amigos. Disparou algumas vezes. Acertou todos os seus alvos. Não morreria ali e muito menos daquele jeito. Precisava chegar ao fim do corredor. Não estava sendo fácil. Haviam apenas duas possibilidades. Quem estava na última sala ou era sua missão ou o chefão da máfia que tanto procuravam. Amaldiçoou até a terceira geração de Naruto e dos outros.

Com as suas costas seguras adentrou a sala. Ainda com a arma em posição visualizou o homem, que estava em sua casa na sexta-feira, atrás de uma mesa.

- Onde ela está? – Perguntou.

- Ela quem? – Orochimaru levantou.

- Sakura! – Tinha a mão firme.

- Não sei do que está falando. - Movia-se em direção a ele.

- Fique onde está.

- Você sabe o que está fazendo, Sasuke?

- Cala boca e me diz onde ela está.

- Sinto muito pelos seus pais.

- CALA A PORCARIA DA BOCA.

- Eles eram bons pais, pena que seu velho se meteu onde não devia. – Ele estava mais próximo.

- Falei para não se mover.

- Você não vai atirar, não tem coragem.

- ONDE ELA ESTÁ? – Gritou. Orochimaru o pegou de surpresa, lhe tomando a arma e desferindo alguns socos, fazendo com que o caçula caísse no chão. O puxou pela gola da camisa, deixando seu corpo atrás do sofá que dava de frente para sua mesa. A cobra escorou-se na mesma.

- Agora nós esperamos seu bostinha. – Tinha a mira em Sasuke. – Matei seus pais, vou matar você e aquele maldito do seu irmão enxerido.

- É o que vamos ver. – Sorriu ao limpar o sangue que escorria da boca. Recostou a cabeça no estofado e fechou os olhos. Agora em vez de um resgate, seriam dois.

 

 

 

O Uchiha mais velho seguiu escada abaixo deixando uma trilha de mortos para trás. Não poupava ninguém. Seu treinamento e tantos anos na CIA estava vindo a calhar mais uma vez. Já havia passado por situação piores. As causas não eram nobres como aquela. Mas não falharia. Como não falhou em nenhuma outra.

Entrou por um corredor escuro e apenas uma das portas tinha luz. Era lá. Só poderia ser. Não havia nenhum inimigo ali. Esperava que lá dentro também. Cuidadosamente seguiu. Ao adentrar o recinto a bílis lhe subiu. Aquela visão o atormentaria pelo resto da vida. Se sobrevivesse. Sakura estava pendurada, molhada e coberta de sangue. Hematomas por todos os lados. Guardou o revólver no coldre e correu até ela. Checou o pulso. Estava viva. Tentava, o mais ligeiro que conseguia, desamarrá-la.

- Eu a encontrei. – Falou no rádio. – Está viva.

- Estou voltando. – Naruto respondeu.

- Sasuke? – Itachi pediu. – Sasuke? – Não houve resposta. – Aconteceu alguma coisa, Naruto.

- Olá crianças. – Uma voz desconhecida surgiu na linha.

- Se você encostar nele eu te mato. – Itachi falou entre os dentes.

- Não se preocupe, venha até mim e ele ficará bem.

- Kakashi. – Naruto o solicitou. E sem precisar dizer mais nada Kakashi cortou a comunicação com Sasuke.

- A linha está segura novamente. – O capitão informou.

- Sakura acorda. – Ainda tentava a descer. – Vamos mulher, preciso da sua ajuda agora. Vamos, aguente firme. – Com um dos braços a segurava firme pela cintura e com o outro a soltava das amarras. A rosada aos poucos abriu os olhos. – Sakura, fique comigo, vamos sair dessa.

- Ita...chi. – Seu corpo relaxou nos braços dele.

- Consegue ficar de pé? – Ela firmou-se e assentiu com a cabeça.

- Ora, ora, ora! – Tayuta entrava na sala. Itachi virou deixando Sakura em suas costas a protegendo com o próprio corpo. – Se o príncipe não veio salvar a donzela. – Tinha uma arma nas mãos. – Hãhã! – Advertiu Itachi que tentou pegar a sua no coldre. Porém o agente secreto não obedeceu e o que se passou foi rápido demais. Tayuya atirou. Sakura, mesmo debilitada, segurou o corpo do moreno, que caiu sobre si, ao mesmo tempo que ela apanhava a Glock da cintura dele e atirava de volta. Assim como Itachi caiu em seus braços a ruiva caiu para trás sem vida.

- Itachi! – Ela largou a arma no chão e com cuidado deitou o Uchiha no chão. – Não, não, não. Porra, você não pode morrer. Qual é? – Ela rasgava uma das mangas da própria blusa. – Aguente firme! – Tirava forças da onde não tinha.

- Sas...uke! – Falou devagar.

- O que tem ele? – Sakura pressionava o ferimento.

- Orochi...maru está...com...ele.

- Maldito!

- Vá...eu vou fica bem. – Pegou as mãos da rosada. – Kakashi...já chamou... reforços. Naruto está a caminho.

- Vai ficar tudo bem! – Ela beijou-lhe a testa demoradamente. Respirou fundo. – Aguente firme! – Pegou a arma de seus pés e levantou-se. Mataria aquele desgraçado. Rumou para fora. Tudo o que encontrava pelo caminho era morte. O cheiro do sangue já estava lhe dando ânsias. Subiu as escadas até o térreo.

- Sakura! – Uma voz conhecida a chamou.

- Itachi está lá em baixo ferido.

- Você está bem? – O loiro estava assustado com o estado da parceira.

- Vá, ele precisa de você. – Posicionou-se no pé da escada para subir. – Eu vou matar aquela cobra e mandá-lo direto para o inferno. – Naruto sem demora correu escada abaixo a procura do Uchiha mais velho. Sakura seguiu seu caminho em busca de vingança.

Quando deu-se conta, ela estava lá, em pé, escorada atrás da porta do escritório, no meio da destruição e morte que havia nos corredores e escadas deixados para trás. Esperando na beira do desconhecido. Todo o seu corpo doía. Não sabia o que encontraria ao abrir aquela porta. Podia ver pela fresta o seu alvo. Ouvia duas vozes conhecidas. Sua cabeça latejava. Uma delas gritava em sua cabeça "Salve-me agora". A culpa era dela. A cabeça pesou para trás encontrando a parede. Ele não devia estar ali. Se não fosse por sua insistência, sua incessante insistência, em desvendar os mistérios que pairavam sobre a cidade de Los Angeles, desde sua chegada, nada daquilo teria acontecido. Ele provavelmente estaria em casa agora, sozinho ou em alguma companhia, uma boa companhia. Não a companhia dela. Mesmo que isso a desagradasse um pouco. Ela precisava o salvar. Falar pra ele sobre seu irmão. Ah, o seu irmão! As lágrimas insistiam em cair depois de tanto tempo escondidas. Como ela pode? Como deixou tudo isso acontecer? Ele não merecia. Ela não merecia o que ele tinha feito. A lembrança fresca de poucos minutos atrás persistia em sua mente. Precisava deixa-la ir.

 A outra, voz, era puro divertimento perante toda a situação. Era algo demoníaco e assustador. Arrepiava a alma. Enchia-a de fúria. Ela precisava dar um fim nisso. Ele mandou seus parceiros ao hospital. Deixou sua amiga desesperada. Quebrou com sua vida e seu coração. Despedaçou pessoas e famílias. Literalmente. Seu desejo de poder o levou a uma crueldade sem precedentes. Estava certo do nocaute. Estava certo do triunfo. Ela precisava dar um fim ao que começou. Precisava trazer alguma paz para si e para os outros. Nem que fosse passageira. Esse era o último round e o sucesso era o que importava. Ela estava lá sozinha. Se sentindo fria e perdida em desespero. Ela construiu a esperança, mas o fracasso era tudo que conhecia naquele momento. Lembrava-se de toda a tristeza e frustração. Precisava deixa-la ir.

Em uma explosão de coragem cegou todos os medos. Balançou a cabeça. Como se o céu estivesse explodido em estrelas. Respirou fundo. Contou até três. Ela sentiu a gravidade sobre seus pés. Soltou a respiração. Virou-se com cuidado. Respirou fundo outra vez. Chutou a porta e sem pensar muito mirou seu alvo a frente da mesa. Deu dois passos apressados em sua direção. Parou e posicionou-se. Disparou uma. Duas. Três. Quatro vezes com a Glock G27 .40 que apanhou de Itachi. Pode ver a graça suave daquele corpo nojento caindo em um espaço vazio em frente à mesa que jazia. Ninguém estava lá para pegá-lo em seus braços. Ninguém estava lá para protege-lo. Só então percebeu que soltava a respiração agora. A lufada de ar novo que invadia seus pulmões tinha cheiro de sangue. Estremeceu. O sangue fresco que escorria do peito daquele que acabara de matar.  Relaxou e endireitou-se. A adrenalina ainda corria em seu corpo. A sensação de vitória não era tão reconfortante quanto pensara.

Sentia a frieza em cada pedaço de seu corpo. No meio da sala, ela pendeu a cabeça de lado e só então viu ele em pé atrás do encosto do sofá que havia no recinto. Seus olhos estavam arregalados tentando digerir a cena que acabou de ocorrer diante de si. Ela deixou a arma cair em seus pés. Barulho que o tirou de seu transe. Um breve momento e seus olhos se encontraram. O desespero a golpeou. Não só a ela. A ambos. Ela sentia-se fracassada mais uma vez. Desviou o olhar. Baixou a cabeça. As lágrimas voltaram. Ajoelhou-se e elevou as mãos ao rosto. Ele sentia um enjoo subir por sua garganta. As pernas fraquejaram. Segurou-se no sofá. Fechou os olhos para conter a ânsia. O que aconteceu? Respirou fundo. O cheiro que a sala emanava o deixava nauseado. Mais um momento para se recompor.

O pranto incontrolável vindo dela o comoveu. Ele percebeu a devastação que brotava daqueles olhos. Firmou as pernas. Tomou coragem. Um passo de cada vez.  Um passo de cada vez. Parou em sua frente. Ela ergueu a cabeça. O encarou. Não conseguiu o ver direito. Sua visão estava turva. Ele a pegou em seus braços, a pôs de pé, a abraçou e o mundo desabou. Ela desabou. Ele desabou. Ela sentiu-se tão frágil como em nenhum outro momento. Aceitou a proteção daqueles braços e o consolo da mão que afagava seus cabelos. Ele aceitou o desvelo em seu pescoço. Ele estava confuso, mas diante de tudo sabia apenas de uma coisa. Ela precisava dele e ele precisava dela.

As sirenes soaram longe e nem isso foi suficiente para tira-los da dor que compartilhavam. Em poucos segundos aquele som irritante ecoava em suas cabeças, mas era como se não estivessem escutando. As luzes dos giroflex piscavam em seu azul e vermelho pela janela. Ouvia-se a tropa arrebentar a porta e o som do seu trote pelas escadas. Acima e abaixo. Gritos de pedidos de médicos e macas com urgência eram constantes. Bramidos de “Limpo” e “Liberado” informavam que o local estava seguro. Chegaram ao escritório. Encontraram os dois ali. Abraçados. Vivos. Alguém a segurou nos braços por trás. Ela se negava a solta-lo. Mais um para tentar segurá-la. Ela não queria deixá-lo. Ele via e sentia seu desespero, mas não podia fazer nada. A soltou. Alguém ao seu lado o amparou. Tudo escureceu. Precisava deixa-la ir.

 


Notas Finais


Então, espero que tenham gostado do capítulo. Fase final da estória. Pelo menos dessa parte kkkkk
Me pediram uma segunda temporada, estou pensando seriamente nisso, então se alguns fatos não se resolverem, ou ficarem pontas soltas já sabem kkkkkk
Obrigada a todos os leitores de coração pelos comentários e favoritos, não tenho outra palavra para expressar a minha gratidão para com vocês <3
Para quem quiser conferir meu novo projeto, A Ordem da Rosacruz, baseada nos Templários, Cruzadas, Santo Graal e afins. Link aqui > https://spiritfanfics.com/historia/a-ordem-da-rosacruz-9942354
Beijinhos e até o próximo :*


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