História Não Está Tudo Bem — Livro II (Romance Gay) - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ficção Adolescente, Gay, Lgbt, Romance Gay
Exibições 51
Palavras 4.782
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá!!!!!! Tudo bom? Quanto tempo, né? Sei que sentiram minha falta (Sentiram, né?)

Capitulo novíssimo saindo da chapa (mais conhecida como word)

Boa leitura!

Capítulo 3 - 2. Mensagens


Nate não conseguia parar de encarar o papel em suas mãos, e também não conseguia se mexer. O máximo de movimento que conseguia fazer era o subir e descer de seu peito, por respirar.

Ele está morto. Nate disse a si mesmo. Isso não é real.

— Está tudo bem? — Alguém perguntou, fazendo Nate finalmente conseguir se mexer, jogando o papel com o nome de Trevo dentro de sua mochila.

— Sim, está — Nate disse enquanto olhava para a dona da voz, vendo os longos cabelos loiros, pele branca e olhos ambares. — Beatrice — Disse em um tom surpreso. — Faz tempo que não a vejo.

Beatrice sorriu.

— É, fiquei um tempo sumida — Ela disse, continuando com o leve sorriso por de baixo do batom vermelho que usava. — Quis esfriar a cabeça.

Nate assentiu.

— Entendo — Disse. — É ótimo esfriar a cabeça — Lembrou-se de suas férias.

— Sim — Beatrice concordou enquanto trocava a bolsa que carregava na mão direita para a esquerda. — Mas você está bem? — Ela perguntou novamente. — Parecia preocupado...

Nate olhou para a mochila e em seguida para a carta de Mike em sua mão esquerda, também a guardando na mochila enquanto respondia:

— Sim, está tudo bem — Respondeu, pois com certeza a carta com o nome de Trevo era alguma brincadeira de mal gosto, então não tinha porque preocupar a amiga. — Apenas tive a impressão de ter esquecido algum livro, mas me enganei.

— Ok — Ela disse, voltando a sorrir. — Como estão os outros? — Perguntou referindo-se aos amigos.

— Estão bem — Nate respondeu enquanto sorria. — Todos unidos — Brincou.

— Que bom — Beatrice disse, pegando seu celular de dentro da bolsa. — Hum... Estou atrasada para a minha aula de biologia — Ela disse enquanto guardava o celular na bolsa, novamente. — Nos vemos outra hora, ainda tenho que encontrar minha nova sala, pois trocaram as turmas.

Nate pareceu surpreso.

— Droga — Ele disse. — Espero que eu ainda esteja na mesma turma que Cassie.

Beatrice sorriu e em seguida se despediu de Nate, andando pelo corredor em meio a outros adolescentes.

Olhou para seu armário e suspirou, fechando-o logo em seguida e o trancando. Pegou seu celular e viu que havia uma mensagem de Cassie:

 

Venha para biblioteca, pois só teremos aula do quarto horário.

 

Nate guardou o celular no bolso e pôs a mochila nas costas, em seguida começou a andar pelo corredor enquanto desabotoava a flanela xadrez que usava. Chegou na porta que dava acesso ao campus e saiu. Haviam alguns alunos por lá, fazendo Nate se questionar se também estavam sem aula.

Nate percebeu que alguns adolescentes tentavam olhar disfarçadamente para ele, e o mesmo odiava isso. Por mais que se passara seis meses com o “Ocorrido Trevo”, Nate ainda era vítima dos comentários e olhares idiotas dos outros.

Suspirou e ignorou-os, passado a andar pela calçada do campus que dava acesso a biblioteca, que ficava um pouco afastada da escola. Assim que chegou na porta, Nate entrou e observou cada canto da enorme sala a procura de Cassie, mas não a viu, então resolveu mandar uma mensagem:

 

Onde você está?

 

Cassie demorou apenas dois minutos para responder:

 

Aqui em cima. Sessão de mitologias.

 

Nate olhou para o andar de cima e viu a amiga sentada no chão entre duas estantes de livros. Sorriu e em seguida andou em direção as escadas, recebendo alguns olhares de quem estava por lá.

— Por que só temos aula a partir do quarto horário? — Perguntou após se aproximar da amiga.

Cassie, que estava sentada lendo um livro mitológico, levantou sua cabeça e olhou nos olhos de Nate, respondendo:

— Srta. Morel faltou.

Nate sorriu, em seguida tirou sua mochila das costas e sentou-se no chão ao lado de Cassie, dizendo:

— Ótimo, odeio física.

Cassie sorriu e em seguida devolveu o livro que estava lendo para a estante ao lado.

— Como pode odiar algo que se dar tão bem? — Ela perguntou, fazendo Nate rir baixo.

— Não sei, apenas odeio — Disse enquanto abria um dos bolsos da mochila, procurando o conto de Mike. — Ficou sabendo que mudaram as turmas? — Perguntou, fazendo Cassie assentir.

— Por sorte ainda estamos juntos — Ela disse, fazendo Nate ficar um pouco aliviado. — Mas! — Nate temeu esse “mas”, e sabia que estava preste a ouvir o que não queria. — Rebecca também está conosco.

— Ah... — Disse em um tom sem humor. — Perfeito.

Cassie e riu, abraçando de lado o amigo logo em seguida, dizendo:

— Você sobrevive até o fim do ano.

Nate negou com a cabeça enquanto sorria.

— Me mantenha longe de objetos letais — Ele disse enquanto pegava o conto, fazendo Cassie perguntar:

— O que é isso?

Nate sorriu, e respondeu:

— É um conto que Mike escreveu baseado no dia que nos conhecemos.

— Ai, que fofo — Cassie disse, e seus olhos castanhos claros pareciam brilhar. — Você já leu? — Perguntou.

Nate negou.

— Mike me disse parar ler quando ele estivesse longe — Nate disse, rindo da atitude do namorado. —

— Qual o nome do conto? — Cassie perguntou em um tom curioso.

“06/03/2016. Olhos Azuis, Azuis Topázio” ­— Nate respondeu, fazendo Cassie olhar nos olhos do amigo.

— Ah... Então esse é o tom — Ela disse, fazendo Nate rir e em seguida olhar novamente para o papel, lendo um trecho para si mesmo:

 

“Olhos azuis, azuis topázios, eram o tom dos olhos do belo garoto que estava naquele posto de abastecimento no dia 06/03/2016, o dia em que me apaixonei perdidamente pelo mesmo. Quando o vi de longe, céus! Eu queria ir até ele e dizer algo, mas o que eu diria? Fácil! Bastava perguntar as horas”.

 

Nate riu.

— Isso é tão... — Se calou quando percebeu que Cassie não estava prestando atenção, pois estava mexendo em seu celular. Deu uma olhadela para a tela do aparelho e viu que ela trocava mensagens com Jonathan.

Negou com a cabeça e voltou a ler:

 

“Então eu comecei a andar em direção à ele, e me lembro perfeitamente bem de como ele estava vestido; Camisa flanela xadrez de cor verde, uma outra camisa de cor branca por baixo e calça jeans azul-escuro. E a cada passo que eu dava, era um novo sentimento, que começou com nervosismo, que virou ansiedade e por fim, PAIXÃO”.

 

Nate notou que havia um desenho ao lado do último parágrafo lido, era de um garoto segurando um coração nas mãos. Sorriu e voltou a ler:

 

“Quando eu vi de perto aqueles olhos azuis, eu quis que aquela paisagem nunca mais saísse do meu campo de visão, e se fosse para nunca mais vê-los, preferiria ficar cego. Mas graças a Deus eu não segui com o desejo de furar meus olhos após ir em bora, pois eu me arrependeria bastante no dia seguinte”.

“Aquele belo garoto, com aquela bela pele branca, com aqueles belos cabelos negros que brilhavam na noite e refletiam como espelho durante o dia, e... E aqueles olhos, oh sim, aqueles lindos olhos azuis, azuis topázios”.

 

— Como eu amo esse garoto — Disse Nate, ainda encarando o papel com um certo brilho nos olhos. — Como ele não me deixou ler isso antes? — Perguntou enquanto olhava para Cassie, que fez um mesmo em um gesto distraído.

— Falou comigo? — Ela perguntou, fazendo Nate revirar os olhos e tomar o celular da mão da mesma. — Hey! — Protestou. — Amigos não fazem esse tipo de coisa.

Nate sorriu.

— Eu faço — Disse enquanto guardava o celular da amiga dentro de sua mochila, e ao retirar a mão de dentro da mesma, a carta com o nome de Trevo caiu no chão.

— Outra carta? — Cassie perguntou enquanto pegava e dava uma espiada, fazendo Nate tentar pegar de volta, mas Cassie já havia lido. — Quem fez isso? — Ela perguntou, virando a carta de frente para Nate, que leu mais uma vez o nome de Trevo.

Nate suspirou e pegou de volta o papel, olhando no mesmo enquanto respondia:

— Eu não sei. Alguém abriu meu armário e colocou na porta — Amaçou o papel. — Com certeza foi algum idiota tentando me assustar.

Cassie bufou, irritada.

— Não acredito que fizeram isso — Ela disse, ajeitando-se no chão. — Porque esses babacas fizeram isso? Não sabem que não tem a menor garça — Nate entendia os motivos para Cassie estar com raiva, pois não era a primeira vez que isso acontecia.

— Apenas vamos esquecer isso — Nate disse em um tom neutro. — Não passei um mês longe daqui para voltar a lembrar de Trevo.

Cassie assentiu e em seguida levantou-se, recolhendo sua bolsa do chão e estendendo a mão direita a Nate, dizendo:

— Vamos.

— Para onde? — Nate perguntou enquanto jogava a bola de papel dentro de sua mochila.

— Ora — Começou Cassie, aproximando a mão à Nate. — Vamos trocar a senha do seu armário. Antes que roubem algo seu.

Nate riu e em seguida agarrou a mão de Cassie, que o levantou, e em seguida pôs sua mochila nas costas, começando a andar em direção as escadas, onde deram de frente com Rebecca.

— Ok... — Disse Cassie, observando os olhares sérios que Rebecca e Nate trocavam. — Isso está ficando estranhos, e vocês dois precisam parar com isso.

Rebecca olhou para Cassie, e disse:

— Não se meta...

— Olha aqui — Nate a interrompeu, usando um tom impaciente. — Não fale assim com ela, a menos que queira ter problemas com seu irmão — Rebecca ficou sem fala. — Não pense que eu esqueci daquilo.

E Nate passou ao lado dela, descendo as escadas e em seguida sendo seguido por Cassie, que disse:

— Uau! Quem é você e o que fez com meu amigo Nate?

Nate suspirou, parecendo aliviado.

— E o que quis dizer com “Não pense que esqueci daquilo”?

— Não é nada — Nate respondeu, abrindo a porta da biblioteca e saindo logo em seguida. — Vamos mudar a senha do meu armário.

Cassie deu de ombros e assentiu, dando a Nate o entendimento que mais tarde ela voltaria perguntar.

— Pode pelo menos devolver meu celular? — Ela perguntou, recebendo um silencioso “não” de Nate, que a fez revirar os olhos e suspirar.

 

○○○

 

Elizabeth estava sentada no sofá da sala-de-estar, com o seu notebook em cima de uma almofada que estava em cima de suas coxas. Estava escrevendo seu mais novo livro, e estava bastante feliz por estar conseguindo desenvolver o mesmo após semanas com o famoso “bloqueio de escritor”.

Alternava em escrever e dar um gole na limonada que preparara alguns minutos atrás para relaxar. Estava se sentindo um pouco solitária, pois havia se acostumado com a casa sempre cheia, e com o fim das férias, aquele vazio que sentira todas as manhãs nos meses passados estava voltando.

E tais pensamentos a fazia querer voltar a ter um escritório próprio e trabalhar como psicóloga novamente. E isso fez com que Elizabeth abrisse o bloco de notas nomeado “Coisas para fazer quando o bebe nascer” e anotar o pensamento.

A campainha tocou no mesmo momento em que Elizabeth deu um gole em sua limonada, fazendo-a pôr o notebook em cima da mesinha a sua frente e se levantar delicadamente com as mãos na barriga. Em seguida andou em direção a porta da frente, abrindo-a logo em seguida, dando a seus olhos a visão da vizinhança a sua frente, e só.

— Isso é sacanagem — Ela disse em um tom sério. — crianças ainda brincam de apertar a campainha e sair correndo? — Perguntou a si mesma enquanto fechava a porta novamente, mas antes, viu um papel grudado na porta. — Hum... — Disse enquanto pegava o papel, e em seguido leu o que havia no mesmo:

 

O que tem daqui a sete dias?

 

— Seis dias antes — Murmurou enquanto virava o papel de costas, lendo o nome Trevo no mesmo, a fazendo olhar de um lado para o outro do lado de fora de sua casa. — Isso não tem graça... — Disse, e em seguida o telefone fixo tocou, fazendo-a andar em direção a cozinha e pegar o mesmo de cima do balcão. — Olá? — Disse ao atender.

— Olá amor, sou eu — Elizabeth sorriu ao ouvir a voz de Stive. — Liguei para saber como você e o nosso filhou, ou filha, está.

Elizabeth levou sua mão direta até a barriga e esfregou, respondendo em meio a um sorriso:

— Estamos ótimos — Um pequeno riso ecoou no ouvido de Elizabeth. — Sabe — Prosseguiu em um tom mais sério. — Eu já ia te ligar.

Hum... — Disse Stive. — Aconteceu alguma coisa?

— Recebi uma carta — Respondeu ela, fazendo Stive pedir para que prosseguisse. — E nela dizia: “O que tem daqui a sete dias?” e atrás estava escrito Trevo...

Um curto silêncio se formou, e em seguida Stive disse:

Isso é patético. Quem é o idiota que consegue brincar com isso?

Elizabeth suspirou.

— Eu não sei... — Ela disse. — Mas estou preocupada com Nate, estou com um mal pressentimento...

Liz, Não se preocupe — Stive disse em um tom suave, tranquilizando Elizabeth. — Foi apenas uma brincadeira de mal gosto. Se quiser, eu posso sair mais cedo do hospital e ficar com você.

— Não, não precisa — Elizabeth voltou a acariciar sua barriga. — Eu vou ficar bem, não se preocupe.

Ok... Te vejo no almoço?

Elizabeth sorriu, e respondeu:

— Nos vemos.

Beijos.

Beijos — Disse, e em seguida encerrou a chamada. — Sete dias... — Sussurrou, vindo em sua cabeça que em sete dias era o dia dos pais, junto com o aniversário de Nate. — Isso é estranho...

 

○○○

 

— Quanto tempo ainda falta? — Juan Miguel sussurrou no ouvido de Tyler, que fazia de tudo para conseguir se manter acordado até o fim da palestra, sobre a importância de dizer não as drogas, um novo projeto da universidade. — Isso é tortura psicológica...

Tyler suspirou, levando os dedos direito até os olhos e coçando o mesmo, dizendo:

— Por que não sairmos logo daqui? — Olhou nos olhos azuis de Miguel, que pareceu gostar da ideia. — Nós não iremos parar de beber mesmo.

Miguel riu e em seguida se levantou, levando Tyler a fazer o mesmo. Tiveram sorte por terem escolhidos um dos últimos acentos do auditório, pois assim podiam sair sem serem notados.

— Cara, porque somos obrigados a assistir essas coisas? — Tyler perguntou enquanto andava em direção ao campus da universidade.

— Para evitar que isso aconteça — Miguel respondeu enquanto apontava para um garoto loiro de olhos azuis-esverdeados que estava fumando um cigarro. — Recomendo à você assistir a palestra que está tendo no auditório. — Disse ao garoto, fazendo Tyler perguntar enquanto observava o mesmo jogar o cigarro fora:

— Conhece?

— Esto es Thales — Miguel respondeu. — Ele é novo aqui.

Thales sorriu e em seguida se aproximou de Tyler, estendendo a mão esquerda em um cumprimento.

— Você deve ser Tyler — Ele disse, fazendo o mesmo sorrir e também o cumprimentar.

— Pelo visto, já falaram de mim — Tyler disse enquanto olhava de canto para Miguel, que sorria. — Seja bem-vindo — Falou à Thales.

— Obrigado — Thales disse, e em seguida olhou para o cigarro que jogara no chão. — Sabe, sobre o cigarro...

— Não se preocupe — Começou Tyler, usando um tom sarcástico. — Nós vimos que o cigarro não estava em sua boca.

Thales riu.

— Na verdade — Ele começou. — Eu ia dizer que estou triste por terem feito eu jogar meu cigarro fora.

Os três riram.

— Deveria agradecer — Disse Juan Miguel —, pois acabamos de lhe dar mais alguns segundos de vida futura.

— Obrigado — Disse Thales, curvando-se em um agradecimento. — Salvaram a minha vida.

Tyler riu e em seguida fez um sinal com a cabeça para que os outros dois o seguissem.

— Então... — Começou Miguel, olhando para Tyler. — Já descobriu o que vai dar de presente para Nate?

Tyler encostou-se de costas em uma das arvores que haviam no campus, respondendo enquanto encarava os próprios pés:

— Eu ainda não sei... Mas acho que não vou estar no aniversário dele...

Thales se aproximou da arvore em que Tyler estava encostado e prestou mais atenção na conversa.

— Como assim não vai? — Miguel perguntou, olhando surpreso nos olhos de Tyler. — ¿Estás loco? — Perguntou. — Você me disse que Nate nunca comemora o aniversário, e agora que finalmente vocês o convenceu, você não vai?

Tyler suspirou.

— Isso tem a ver com o fato de estar o evitando? — Miguel perguntou. — Pois saiba que assim que Nate começar a desconfiar do porquê do meio irmão estar o evitando, ele vai querer saber o motivo.

Tyler não tinha o que dizer.

— Ok... — Thales falou. — Eu não quero me intrometer, mas... Quem é Nate?

— Meu irmão — Tyler respondeu.

— Também conhecido como “o garoto que estou apaixonado” — Miguel acrescentou, fazendo Tyler revirar os olhos.

— Não pode sair contando isso para todo mundo — Ele disse, e em seguida olhou para Thales. — Não que eu ache que você não seja confiável.

Thales sorriu, dizendo:

— Sem problemas — E em seguida perguntou: — Mas... Está mesmo apaixonado pelo próprio irmão?

Tyler sorriu sem jeito e disse enquanto negava:

— Na verdade, nós não somos irmãos de sangue — Thales abriu mais os olhos em sinal de entendimento. — Mas do mesmo jeito eu... Meio que... gosto dele.

— E ficar o evitando não vai fazer isso parar — Miguel disse em um tom sério. — A distância, de um jeito ou de outro, aproxima.

Tyler refletiria sobre a frase de Miguel mais tarde, pois à achou interessante.

— Posso te dar um conselho? — Thales perguntou, fazendo Tyler assentir. — Se gosta mesmo dele, deveria conversar com ele a respeito, só assim resolverá isso.

— Nate tem namorado — Miguel disse em um tom baixo próximo ao ouvido de Thales, que arqueou as sobrancelhas, pensando em algo.

— Assim como ele tem namorado — Começou Tyler em um tom neutro. — Eu também estou em duvidas com a minha...

— Ex-namorada — Miguel completou para o amigo. — A garota que você disse “precisamos dar um tempo” ao invés de falar a verdade.

Tyler olhou sério para o amigo.

— Uau... isso é bem enrolado — Disse Thales, cruzando os braços, de forma que seus músculos contraíram-se. — Você também gosta dela?

— Gosto... Muito — Tyler respondeu. — Mas não quero ficar com alguém enquanto também gosto de outro... Me sinto como se eu estivesse a enganando o tempo todo...

— É por isso que você precisa conversar com Nate — Miguel disse em meio a um leve sorriso confortante para amigo. — É a única saída, caro amigo — Tyler assentiu. — E você vai sim naquele aniversario — Disse, fazendo Tyler e Thales rir do tom do mesmo.

 

○○○

 

Mike estava encarando o campus através de uma da janela ao lado de sua carteira onde estava sentado, estava pensado nas palavras que Nate dissera no carro, no modo que o mesmo parecia preocupado com tal fato. Sentia-se mal por ainda não ter conversado a respeito com o mesmo, e sabia que devia contar o mais depressa possível, para que não corresse o risco de que Nate soubesse por outros.

Sabia que deveria ter contado tudo no dia que conversou com Nate — Quando saiu do hospital —, mas achara que no momento não deveria encher a cabeça do garoto, o que resultou em sempre deixar para depois.

E pensando em Nate, acabou por ver o mesmo andando ao lado de Cassie pelo campus. O sorriso que Nate exibia fazia Mike querer abraça-lo, ter por perto. E isso já iria se realizar, pois faltavam apenas cinco minutos para o início do intervalo.

— Hey, Mike — Ouviu Jonathan o chamar em voz baixa, e em seguida olhou por cima do ombro direito. — Você está babando.

Mike rapidamente levou sua mão esquerda em direção ao cano da boca e enxugou a baba, fazendo Jonathan rir.

— Eu odeio Matemática — Jonathan manteve o tom baixo enquanto deitava a cabeça em cima de sua mesa. — É inútil.

— Em partes, nem tanto — Mike retrucou, fazendo Jonathan revirar os olhos para o mesmo. — Se anima — Disse enquanto acariciava os cabelos ruivos do amigo —, faltam apenas... — olhou no seu relógio que estava no pulso direito — três minutos.

Jonathan sorriu, dizendo:

— Ainda não acredito que mudaram todos nós de turma...

Mike concordou.

— Pelo menos ainda estamos juntos — Ele disse, fazendo Jonathan sorrir e concordar.

— Já sabe o que vai dar de presente para Nate? — Jonathan perguntou, fazendo Mike negar.

— Eu não sei o que dar de presente para Nate — Ele disse. — Não quero dar algo que ele não goste... Quero dar algo que o faça ficar feliz, mas não sei o que...

O sinal tocou, fazendo os dois levantarem-se e pegarem ambas as mochilas, pondo-as nas costas logo em seguida.

— Mike — Começou Jonathan, andando ao lado do amigo em direção a porta da sala. — Você não precisa comprar nada para deixar Nate feliz — Mike o olhou nos olhos. — Quantas vezes você precisou comprar algo para fazer Nate sorrir? — Perguntou, sorrindo para o amigo.

— Poucas vezes — Mike respondeu, sentindo-se sem jeito.

— E quantas vezes Nate sorriu por algo que você fez sem nenhum gasto?

Mike sorriu.

— Muitas vezes — Ele disse.

Jonathan abriu os braços e olhou sério para o amigo.

— Então por que está preocupado com o que vai comprar? — Ele perguntou, fazendo Mike parar para pensar. — Você só precisa fazer algo que venha de seu coração, Nate vai amar algo assim.

Mike sorriu e deu um abraço apertado no amigo, dizendo:

— Você é um gênio! — Jonathan retribuiu o abraço enquanto ria — Já até sei o que fazer.

— O que? — Jonathan perguntou, entretido, enquanto desciam as escadas para o primeiro andar.

— É surpresa — Mike respondeu, fazendo Jonathan lançar um olhar frustrado ao mesmo. — Vai ter que esperar até domingo para saber.

— Ah, qual é Mike — Começou Jonathan, usando um tom de protesto. — Eu te ajudei, me diga.

— Surpresa — Mike cantarolou, dobrando a direita no fim do corredor, onde deu de frente com Beatrice, que sorriu ao vê-lo.

— Olá — Ela disse, esboçando um sorriso. — Quanto tempo.

Os dois sorriram.

— É mesmo — Jonathan disse. — Por onde esteve? — Perguntou, começando a andar, fazendo Mike e Beatrice fazer o mesmo.

— Estive em paris — Ela respondeu. — Mamãe quis que eu a acompanhasse... — Seu tom foi preguiçoso.

— Vocês se entenderam? — Mike perguntou, recebendo um não de cabeça de Beatrice.

— Ela nem tocou no assunto — Ela disse, enrolando em um dos dedos da mão direita em uma mecha de seu cabelo loiro. — Mas isso é bom, não quero falar com ela sobre isso. É melhor não mexer na ferida.

Mike concordou.

— Vou procurar Nate — Ele disse, já se afastando dos dois, que concordaram e continuaram a andar pelos corredores.

Mike andou até o campus, e ao chegar, seu celular vibrou em seu bolso, fazendo-o pegar o mesmo e ler a mensagem de um desconhecido:

 

O que vai dar de presente de aniversário para Nate?

 

Mike estranhou, e em seguida perguntou enquanto andava pelo campus:

 

Quem é?

 

O desconhecido respondeu de imediato:

 

Um amigo distante... Do além.

 

Mike não respondeu, pois imaginou ser um trote, então continuou a andar pelo campus à procura de Nate. Mas o desconhecido parecia convencido de irritar Mike, pois o mesmo tornou a mandar mensagem, que dizia:

 

Sério? Não sabem que eu sou?
Bem... Uma dica: Ano passado, drogas, morto.

 

Mike sentiu seu sangue gelar ao terminar de ler a mensagem, e só conseguiu se mexer, por causa de Nate, que o abraçou pelas costas, perguntando:

— Me procurando?

Mike, disfarçadamente, guardou o celular no bolso direito da calça e em seguida se virou e sorriu para Nate, que também o fazia, mas de uma forma que Mike sempre achará o mais bonito.

— Por que está sorrindo desse jeito? — Mike perguntou, olhando nos olhos do namorado.

— Li seu conto — Nate respondeu, deixando Mike um pouco tímido e fazendo o mesmo desviar o olhar. — Eu amei — Mike voltou a olhar nos olhos de Nate. — Eu nem sei como dizer o tanto que amei o conto, por isso, a única coisa que consigo pensar em fazer é isso — Nate o beijou.

Mike sentiu uma sensação de que estava nas nuvens, aquele beijo parecia tão diferente dos outros que dera no menor, esse beijo parecia ser mais saboroso, e, também, mais apaixonante, de forma que Mike encostou Nate de costas à uma parede ao lado, aprofundando mais o beijo.

— Por que não vamos para um lugar mais apropriado? — Nate perguntou, fazendo Mike sorrir e concordar.

— Sala do treinador? — Mike sugeriu, e Nate assentiu em meio a um sorriso.

E demorou bem pouco para chegarem até a sala do treinador, que ficava no segundo andar. — E assim que entraram — Disfarçadamente, é claro —, Mike trancou a porta e se aproximou de Nate, que tirou a jaqueta do maior e jogou em cima da mesa de trabalho do treinador.

Em seguida, Mike começou a beijar Nate de formar acelerada e carinhosa enquanto retirava a camisa xadrez do mesmo, o que levou Nate a levantar a camisa de Mike até que a mesma não estivesse mais no corpo do mesmo. E agora, com Mike exibindo aquele belo corpo, Nate não hesitou em passar a mão por lá enquanto o beijava.

E Mike, sentidos os toques de Nate em seu peito e abdômen, pôs uma de suas mãos na cintura do mesmo e a outra nas costas — Também do mesmo — e sentou na mesa do zelador.

E Nate, sentindo os toques, agora quente, de Mike, levou suas mãos até a borda de sua camisa e a retirou de seu corpo, jogando-a para qualquer lado da sala.

Mike observou aquele belo corpo de Nate e em seguida avançou no pescoço do mesmo, distribuindo beijos e mordidas leves para não deixar marcas, e, vez ou outra, chupões — Também leves para não deixar marcas —, que faziam Nate emitir baixos gemidos prazerosos próximo aos ouvidos de Mike.

Nate também quis dar um pouco de prazer a Mike, então levou sua mão direita em direção a nuca do mesmo e aproximou o pescoço dele até que seus lábios pudessem beijar e morder o mesmo, que não pode segurar alguns gemidos baixos e rouco próximo aos ouvidos de Nate.

E por fim, Nate voltou a beijar Mike por um último momento, agora, mais suave. Pôs sua mão esquerda em cima do braço esquerdo de Mike e foi abaixando até que a mão estive em cima da tatuagem do mesmo.

— Sé essa for a sua forma de agradecimento por todos os meus contos inspirados em você— Disse Mike, olhando nos olhos de Nate enquanto sorria —, eu vou te mostrar todos.

Nate riu, e em seguida abraçou o namorado, sentindo o corpo quente do mesmo contra o seu. Sentiu as mãos de Mike descerem de seu ombro até as cicatrizes de cada braço, fazendo Nate gostar do toque. Não era mais como antes, quando alguém tocava em suas cicatrizes e tinha uma reação assustada, afastando-se.

— Essa foi melhor que nas últimas vezes — Nate disse, acariciando as costas do namorado.

— Com certeza, foi — Mike disse, alisando as costas marcadas, de quando fora arrastado por Mason, de Nate.

— Que horas são? — Nate perguntou, fazendo Mike pegar seu celular do bolso e ver a hora, mas o mesmo só não contava que a tela do aparelho estava ligada, aberta na última mensagem enviada do desconhecido. — O que é isso? — Nate perguntou após ler a mensagem, fazendo Mike ficar sem reação.


Notas Finais


Comentem o que acharam e até a próxima

PS: Não amasse a carta que o Crush mandou do além, é feio.

PSS: Nate e Rebecca vai terminar em morte (quero mais tretas)

PSSS: Mike e seus contos, aposto que tem um pornográfico... Adourom

PSSSS: Elizabeth, A Praça é Nossa...

PSSSSS: Nate e Mike incendiaram a sala do treinador.

PSSSSSS: Sempre bloqueie a tela do celular para que seu namorado não veja as mensagens do amante falecido... Pois vai dar merda.
Agora é só esperar aparecer nos noticiários quantas facadas Mike levou.

XOXO'


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...