História Não Me Machuque - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias 30 Seconds to Mars, Jared Leto
Personagens Jared Leto, Personagens Originais, Shannon Leto
Tags Bdsm, Jared Leto, Romance, Universidade
Exibições 55
Palavras 4.026
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Festa, Hentai, Josei, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoas!
Estou aqui de novo com mais um capítulo e estou dando pulos de alegria com os comentários do capítulo passado e retrasado. Vocês são, sem sombra de dúvidas, o meu maior estímulo para continuar, porque eu estava realmente incerta sobre escrever algo como isto.

Bom, mas eu não vou tomar o tempo de vocês, então espero que gostem ;)

Capítulo 3 - O Súbito é Assustador


Fanfic / Fanfiction Não Me Machuque - Capítulo 3 - O Súbito é Assustador

Helena não sabia exatamente o que estava fazendo ali. Tinha passado o resto da semana se perguntando o que teria que fazer, talvez arrumar as peças anatômicas, talvez observar até que alguém tivesse dúvida, talvez apenas certificar que ninguém estragaria ou brincaria com nenhum dos cadáveres. Mas assim que chegou encontrou apenas o técnico do laboratório terminando de ajeitar uma bancada de metal com escoador, nela havia quatro fígados, todas as vísceras com alterações, algumas poderiam passar despercebido aos olhos de leigos.

A ruiva se aproximou passando por entre as peças cadavéricas até o único homem presente, viu que no crachá de funcionário estava escrito Jonathan Smith, ele tinha a pele morena, os olhos castanhos claros e cabelos grisalhos igual a barba que desenhava o rosto que um dia foi de um jovem muito atraente.

 

— Ei! - o moreno sorriu simpático para ela assim que percebeu sua presença. — Você deve ser a Helena certo? Monitora?

— Sou, prazer. - ofereceu a mão direita para cumprimentar o mais velho.

— Jonathan. - segurou a mão da jovem e apontou para o crachá em seu peito enquanto dizia seu nome. — É bom ver um rosto mais, hum… amigável, por aqui. - apesar do comentário bem humorado o homem olhou ao redor para ter certeza de que não havia ninguém o ouvindo dizer tais palavras. — O professor Leto disse que você viria. Graças a Deus chegou com antecedência!

— Por que? - o professor não tinha lhe dito nada sobre chegar mais cedo, no e-mail que recebeu relatava apenas o número do laboratório.

— Ele não deixa alunos atrasados entrar, acho que nem monitores. - Jonathan respondeu cauteloso se encaminhando para uma estante de metal e portas de vidro, de dentro dela tirou um par de luvas pequenas e entregou para a ruiva. — Trouxe jaleco?

— Sim, antes de colocar, onde eu posso deixar minha mochila? - a pergunta tímida teve como resposta um sorriso tranquilo direcionado a si.

— Pode colocar na minha sala. - apontou para uma porta ao lado de onde as peças ficavam guardadas. — Não sei se você consegue, mas sinta-se em casa. - riu de forma contida para deixar a jovem mais confortável.

 

A ruivinha acenou, em seguida andou até a sala do Sr. Smith. Não era grande coisa, bem simples na verdade, o esperado de uma sala de tecnico. Não existia um tapete persa, ou prateleiras de livros, tinha uma sim, com livros gastos de anatomia fisiológica e patológica, também havia uma escrivaninha com um computador e para qualquer lugar que se olhasse se via apenas branco ou o metal prateado da mobília.

Helena colocou sua mochila em uma prateleira solitária na parede, tirou o jaleco de dentro dela e o vestiu, quando terminou de abotoar prendeu os fios avermelhados no topo da cabeça em um coque frouxo.

 

O barulho no laboratório foi audível de onde estava, pode distinguir as conversas animadas entre os alunos do semestre anterior ao seu, mas o que fez seu coração falhar foi a voz suave chamando a atenção dos alunos sobre não ficar de brincadeira com as peças.

E mesmo que Helena tivesse se preparado psicologicamente para aquele dia, sua confiança tinha se quebrado apenas em ouvir aquela voz.

 

Por favor deuses da patologia, me ajudem a ser uma boa monitora, eu preciso passar nessa matéria. Pediu se dirigindo ao laboratório propriamente dito.


 

Por um instante o professor acreditou na hipótese de que a aluna teria desistido, não se surpreenderia caso ela o fizesse, já a achava fraca desde que colocou seus olhos nela, mas então a porta da sala técnica foi aberta e ele quis se bater por ter ouvido Shannon.

Ninguém deveria ser tão adorável vestindo um jaleco branco sem graça, ainda mais usando tênis. E o coque mal feito deixando o pescoço frágil exposto... não era apenas adorável, ela era um conjunto de pureza e sensualidade, tal como uma Lolita de Vladmir Nabokov, com a diferença de que Jared se recusava a assumir ser um pervertido.

E por um momento - de muitos que tivera desde o fatídico dia em que entregara a maldita prova - imaginou no lugar dos tênis incríveis Louboutins pretos de solado vermelho e ao invés da calça jeans, um vestido escarlate com um decote discreto e comprimento aceitável para uma dama.

Estou ficando louco. Isso é um delírio.

 

Retomando sua compostura o professor notou os olhares curiosos de seus alunos pousando sobre a ruiva e como o esperado ela corou, mas controlou-se para não se encolher. Ela parecia extremamente tímida, no entanto, determinada a ir bem na monitoria.

 

— Bom… - o olhares voltaram-se para ele. — Helena é aluna do sexto período e se dispôs a ser monitora da matéria, então caso tenham alguma dúvida podem vir a mim ou a ela. - falou sério fitando a jovem, se demorando um pouco no pescoço alvo antes de mandar os alunos começarem sua jornada e sentar atrás de sua mesa com um livro.

 

Poderia ser estranho para qualquer um, ver um professor deixar os alunos ao relento, mas assim são as aulas práticos e apesar de sentir saudades Jared tinha que deixá-los aprender sozinhos estando ali apenas para sanar qualquer dúvida.

E agora ele queria muito observar como a menina amedrontada lidaria com aquilo, seria um entretenimento interessante vê-la sofrer um pouco nas mãos dos alunos.

De onde estava o professor a via perdida, com uma expressão carregada de hesitação com medo de fazer algo errado e deixá-lo zangado, Jared quis rir do quão patético se sentia por não conseguir se concentrar no livro que trouxera consigo, e tudo porque era muito mais interessante olhar a face rubra e as mechas que pendiam do coque tocando o pescoço que ele tanto desejava dedilhar.

Entretanto sua admiração foi interrompida quando um grupo de garotas se aproximaram para tirar alguma dúvida.

 

Enquanto o professor fazia seu papel de docente, Helena remexia uma das caixinhas contendo lâminas de microscopia, esperando que alguém a chamasse. Ao mesmo tempo em que contava mantinha sua atenção ao redor, até parar no seu torturador, seus olhos captaram o momento em que ele sorriu ao dizer alguma coisa sobre tumefação hidrópica para uma garota, ele sorriu de um jeito tão bonito que Helena esqueceu-se por um segundo do medo que sentia quando eles estavam no mesmo ambiente, mesmo que não fosse um sorriso que chegasse aos olhos azuis, era um sorriso de alguém que fazia o que amava.

A garota ainda o viu se virar para a lousa com um canetão azul e escrever uma espécie de esquema para explicar melhor o que dizia. Helena corou quando se pegou pensando em como a silhueta do seu professor era perfeitamente desenhada, suas costas e braços ficavam escondidos sob o pulôver azul marinho, mas era notável que a peça não ficava tão larga como deveria ser e a calça social preta delineava bem a cintura e todo o resto. No que estou pensando? Se questionou confusa arrependendo-se por se sentir quente com a visão que tinha vislumbrado.

 

— Ah… - ouviu uma voz masculina atrás de si e se virou para olhar dois rapazes, ambos tinham o cabelo castanho, mas o mais alto possuía alguns reflexos. — Helena…?

— Oi? - piscou as pálpebras de cílios longos e lhes sorriu de forma doce.

— Meu nome é Seth. É que a gente tem uma dúvida, será que você…?

— Claro. - repentinamente a animação lhe golpeou e Helena seguiu acompanhando os garotos até a bancada que continha corações e algumas artérias aorta soltas.

— A gente não consegue encontrar a placa de ateroma. - um outro rapaz, que já estava por ali, disse segurando um coração.

— É porque vocês não estão olhando os vasos. - comentou com convicção e pediu licença para pegar o órgão com as mãos enluvadas. — Aqui. Estão vendo essa parte escura? - apontou com uma pinça para o ventrículo esquerdo e os garotos em volta acenaram positivamente. — Isso é a necrose, pra encontrar a placa vocês têm que seguir o ramo da coronária. - tocou devagar o comprimento do pequeno vaso grudado ao coração. — Bem aqui. Sente. - entregou para Seth e este copiou seu gesto alargando um sorriso quando encontrou o que queria.

— Legal! - o rapaz menor que tinha ido chamá-la com Seth exclamou surpreso em sua vez de sentir.

— E como faz pra saber o tipo de calcificação? - alguém perguntou.

 

No final, Helena se viu totalmente à vontade entre os alunos, explicava com calma e sempre respondia às perguntas quando lhe interrompiam. Ela estava fazendo sucesso por ali, havia uma pequena roda ao redor da monitora carismática e Jared notou que a maior parte daqueles que a cercavam eram garotos, eles olhavam para ela como se fosse uma deusa enquanto discursava sobre o que viam no órgão em questão.

O professor nunca a viu tão falante e alegre.

 

— Obrigado, Helena. Espero te ver por aqui de novo. - o professor ouviu Seth dizer antes de sair do laboratório com os amigos, comentando sobre a ruiva.

 

Seu olhar seguiu da porta até onde a figura feminina havia estacado, Helena parecia um tanto alegre, o pequeno sorriso nos lábios rosados dizia o quanto ela tinha aproveitado o dia, o quanto estava feliz por terem gostado dela. A gentileza te faz desabrochar, não é mesmo?

Jared permitiu-se sorrir minimamente com a constatação.

 

Quando o último aluno se foi Helena tirou as luvas e as jogou no lixo para materiais infectantes. Ela conseguia sentir um olhar fixo queimar suas costas, por consequência começava a se sentir nervosa, não queria ser hostilizada outra vez, principalmente depois de ter gravado em sua mente o sorriso tão bonito que o professor Leto tinha. Ela quase conseguia entender Brittany.

Então com receio ela caminhou até a mesa do mais velho, antes porém, parou perto da caixa de lâminas na qual tinha fuçado mais cedo e a pegou com cuidado voltando a caminhar até onde ele estava. Notou na face dele a confusão por sua ação e sentiu-se tremer outra vez, aqueles olhos azuis tão profundos faziam suas pernas vacilarem.

 

— Professor Leto.

 

Merda! A forma educada e o tom suave na voz da garota era melodia para seus ouvidos. Jared moveu a perna direita a fim de acomodar o corpo em uma posição que não denunciasse a visão espetacular em sua calça. As ninfas da mitologia grega teriam inveja se soubessem o poder que Helena possuía sobre os homens, e o fato de ela não perceber só a tornava ainda mais encantadora.

 

— Diga Srta. Moore. - falou seco desejando distância. — Vamos eu não tenho o dia todo.

 

Ele a viu murchar e as pequenas mãos apertarem o objeto com força.

 

— Desculpe. Hum… não, não é nada. - a menor virou-se para guardar a caixinha, mas foi interrompida pela voz do professor chamando-a.

— Não vire as costas para mim! - ela apenas acenou em resposta. — Agora venha aqui. - Helena obedeceu voltando para onde estava. — O que iria falar?

 

Agora não queria mais dizer, ela nem havia aberto a boca e ele já parecia repreendê-la apenas com a postura imponente. Helena levantou a cabeça para tomar coragem e se arrependeu imediatamente ao ter a atenção roubada por belíssimos olhos azuis. No que estava pensando? Ele era seu professor e a odiava, ela não poderia achar aquele homem bonito, mesmo que fosse inegável.

Para piorar o Sr. Leto não tinha apenas beleza, também detinha charme e intelecto. E uma personalidade horrível. Realmente, o professor não estava no seu rank dos bonzinhos. Seria perfeito se ele fosse como Shannon, esbanjando aquele sorriso aquecedor.

 

— Eu… - sem perceber Helena prendeu o lábio inferior entre os dentes. — Estava olhando essas lâminas e o Sr. falou no outro dia sobre nós não sabermos identificar os tipos de granuloma, e aqui tem um lâminas boas e eu pensei que talvez o Sr. pudesse nos mostrar. - estava tão nervosa que se embolou nas próprias palavras.

— Quer me ensinar como devo dar minha aula Srta. Moore? - ela o tinha irritado. Também pudera, como uma mera aluna da graduação poderia querer dar palpites sobre a aula de um acadêmico de renome? Deveria ser louca.

— Não, não. Eu só… desculpe. - ela abaixou a cabeça para fugir do olhar inquisitório.

— Está dizendo que não sei dar aula?

— Eu nunca disse isso! - a forma repentina com a qual falou, levantando a cabeça novamente o pegou de surpresa. — Me desculpe se o ofendi, não foi minha intenção. - suas palavras tinham um “quê” de irritação.

 

Helena segurou sua vontade de se virar e sair andando ao ser tratada com tanta grosseria.

 

— Vou guardar. - disse se referindo as lâminas.

 

Infelizmente o lugar onde deveria colocar a caixa era alto demais para seus meros um e sessenta que mal deixavam com que alcançasse as panelas da cozinha do alojamento. A ruiva ficou nas pontas dos pés e esticou os braços.

Jared pressentia a merda que aquilo iria dar e quando viu a caixa escorregar por entre os dedos da menor e se abrir derrubando as trinta lâminas de vidro sentiu algo em si apertar-se com a possibilidade da pequena menina se ferir.

Os estilhaços de vidro rodearam uma Helena surpresa. O professor observou intrigado a menor se abaixar e começar a recolher o material com as mãos nuas. O que essa idiota está fazendo? Isso está contaminado.

 

E ela não parava de se desculpar, isso o irritava tanto.

 

— Helena pare. - nem percebeu chamá-la pelo primeiro nome. — Deixe isso aí.

— Eu não queria derrubar. - ela sussurrava desesperada por ter quebrado as preciosas lâminas do professor. Se ele a odiava antes, agora então ela com certeza tinha conquistado seu rancor.

— Esqueça isso, deixe aí. - falou se aproximando da aluna, mas ela parecia não o escutar. Um gemido agudo, porém baixo, saltou da pequena boca. — Por Deus, garota! Deixa esses cacos onde estão! - o tom alto a assustou. Helena o obedeceu largando o vidro no chão e ao virar a palma da mão onde depositou os pedaços viu algumas gotas de sangue brotar.

— Desculpe. - Jared já estava cansado de ver a ruiva abaixando a cabeça.

— Pare de se desculpar. Já foi. - por mais que quisesse soar brando não conseguia. — Venha, vou cuidar disso para você.

 

O professor tocou o pulso da menor a fim de ajudá-la a levantar, na mesma hora os olhos se encontraram; ele se perguntou se Helena sentia aquela eletricidade que percorria seu corpo e teve sua resposta quando a viu corar mordendo o lábio inferior em seguida como sempre fazia quando estava nervosa.

Mas não era o momento certo para este tipo de coisa e nunca seria, Helena era uma aluna, Jared era um professor e ele duvidava muito que ela pudesse suportar metade das coisas que ele gostaria de fazer com ela caso tivesse a oportunidade.

 

Esquecendo seus pensamentos impróprios o professor Leto desviou dos olhos verdes de Helena e a guiou até sua mesa, fez com que sentasse na cadeira giratória e então saiu para voltar com um kit de primeiros socorros.

 

— Assim que sair daqui você vai fazer um exame de sangue e vai me trazer. - ordenou enquanto tinha sua atenção na mão da garota, retirando os pequenos cacos com uma pinça. — O que você tem na cabeça? Essas amostras são de pessoas doentes.

 

Ao se ver sem resposta Jared levantou a cabeça para encarar a menor, estava abaixado a sua frente e surpreendeu-se em vê-la numa tentativa falha de segurar as lágrimas. Helena fungou piscando os olhos entristecidos.

Ela não conseguia fazer nada direito? Estava decepcionada consigo mesma e agora levaria mais uma bronca do professor.

 

— Nunca mais faça aquilo. - falou retirando um último caco, então molhou um chumaço de algodão com anti séptico e passou com delicadeza na palma ferida incomodando-se com a careta de dor de Helena. — Nunca se ajoelhe daquela forma por um motivo tão banal.

— Mas…

— Estou falando sério. - e quando não estava? — Não quero vê-la se ajoelhar mais.

 

Como alguém poderia ser tão mandão? O pensamento de que o professor Leto era um maníaco por controle logo lhe ocorreu, mas ela fez questão de ignorar, ainda estava preocupada com as lâminas perdidas.

 

— Eu juro que não queria quebrá-las. - fungou angustiada. — Deveria ter pedido ajuda.

— Deveria. - pela primeira vez ele não falava algo em tom de repreensão. — Lembre-se disso na próxima vez.

— Próxima? Então o Sr. não vai me tirar da monitoria?

— Você gostou, não é? - involuntariamente Jared ergueu a mão para secar uma lágrima que escapou dos orbes verdes deixando Helena ainda mais envergonhada. No entanto recolheu a mão depressa se repreendendo por tal ato.

— Sim…

— Então não vejo motivos para tirá-la da monitoria. Acidentes acontecem... Srta. Moore. - Leto sentia que precisava recuperar seu profissionalismo. Por isso se levantou com o objetivo de manter distância e evitar um estrago. — E meus alunos parecem apreciar sua presença.

 

Helena observou Jared se afastar para guardar os utensílios que usou. Ainda estava um pouco aturdida com o comportamento estranho do homem que lhe causava sensações estranhas, mesmo assim se levantou e fui buscar sua mochila.

O professor por sua vez não conseguiu disfarçar o desagrado que sentia toda vez que via aquela maldita mochila. Ele sabia o que ficaria bonito nas mãos da garota, uma bolsa Prada, um Michael Kors ou seu próprio…

Chega dessa merda!

 

— Tenho que ir.

 

Foi tudo o que disse assumindo a postura distante antes de sair apressado pela porta dupla do laboratório com passos pesados ao mesmo tempo em que apertava as mãos em punho até os nós dos dedos tornarem-se brancos.


 

~*~


 

A ruiva terminou de vestir a legging preta que combinava com o sweeter rosa confortável, calçou as meias brancas e saiu para a pequena sala do alojamento deparando com Katlyn e Scott abraçados no sofá, parece que a coisa estava ficando séria entre eles, já estavam saindo há uma semana e isso sem dúvida era algo extraordinário se tratando da morena. Helena até mesmo simpatizava com o rapaz de origem hispânica.

A ruivinha pegou a cerveja que Kat estendeu para si e largou seu corpo no sofá de dois lugares já que o outro estava ocupado pelo casal.

 

— Disserte sobre o seu dia, pequeno gafanhoto. - a morena brincou com um sorriso divertido.

— Foi legal e também foi uma droga. - suspirou. — E agora eu tenho que entregar aquele exame de sangue para o professor Leto porque quebrei a coleção de doenças dele.

— Relaxa, Helena, a faculdade tem centenas de caixas de lâminas. Ele ficou puto? - foi Scott quem perguntou.

— Não… bem, eu acho que não. Na verdade, eu não sei. - tomou um gole da cerveja gelada.

— Boa resposta. - Kat disse irônica.

— Mas é. Eu não sei, parece que tudo o que eu faço o irrita. É tão cansativo, passar uma hora e meia com ele é como andar de montanha russa, você nunca sabe quando o carrinho vai fazer uma curva brusca e subir para um loop.

— Não deixe o azar te desanimar, eu ainda quero me consultar com você um dia.

— Animador, Katlyn. - a futura médica rolou os olhos se afundando no sofá enquanto tomava outro gole da bebida.

 

Minutos depois Scott foi embora dizendo algo sobre um prova de pteridófitas e briófitas e coisas que nenhuma das duas tinha o mínimo interesse em saber. Mas Helena notou o incômodo da outra garota quando, depois de fechar a porta, voltou para o sofá de antes com o celular em mãos.

 

— Então… como é mesmo o nome do seu professor chato? - perguntou como quem não quer nada.

— Jared. Jared Joseph Leto. - respondeu desconfiada observando a outra mexer no celular extremamente concentrada. — Por que?

— Por que? - encarou a ruiva em um estado de estarrecimento cômico aos olhos de qualquer um. — Por que? - repetiu a pergunta virando a tela do celular com uma foto do professor de patologia. — Está quente aqui, você ligou o aquecedor? - brincou.

— Kat…

— Helena. Isso não é um professor, isso é um modelo da Hugo Boss. - estava totalmente animada. — Meu Deus! Olha esses olhos, ele tem mesmo esses olhos azuis?

— Tem. - respondeu constrangida por achá-lo mais bonito do que realmente deveria.

— E esse cabelo cuidadosamente desarrumado? Parece que ele acabou de sair de um sexo quente para ir a uma reunião de negócios. Acho que até sinto o cheiro amadeirado.

— Colônia Aramis. - arregalou os olhos verdes, surpresa por corrigir a amiga.

— Sua safada! - Kat caiu na risada. — Eu não te julgo, ele é um gato.

— Não tem pelo o que me julgar, eu não disse nada. - desviou os olhos da amiga que via mais fotos. Helena sentia um misto de incômodo e constrangimento.

— E nem precisa. Se esse homem fosse meu professor eu iria pra aula sem calcinha.

— Pelo amor de Deus, Katlyn! - Helena se levantou irritada. — Ele é meu professor, não diga essas coisas, eu me recuso a ver ele com outros olhos. E mesmo que o Sr. Leto tenha toda a beleza do mundo, ele tem uma personalidade terrível e mesmo que seus olhos azuis sejam encantadores, eles te olham como se você fosse uma sujeira perto da sua magnífica presença.

— Nossa… calma. - só quando Kat a olhou confusa Helena percebeu que praticamente gritava.

— Desculpa. - envergonhada por seu comportamento a ruiva largou a cerveja da mesinha e se encaminhou para seu quarto. — Tenho que estudar agora.

 

Mas Helena não estudou. Ao invés de se entregar a mais um dos livros emprestados da biblioteca a ruiva trocou a legging por uma calça jeans, calçou um par de tênis e pegou seu celular conectado com os fones de ouvido. Após prender o cabelo em um rabo de cavalo frouxo a jovem apoiou seu corpo no beiral da janela e impulsionou- se para frente dando de cara com a escada de emergência por onde desceu para chegar a rua.

Para onde iria? Não sabia, no momento ela só queria colocar seus fones em uma música alta e andar para algum lugar que a fizesse pensar com clareza.

Deixou sua playlist em modo aleatório e começou a correr na direção da faculdade, um dos poucos lugares que conhecia e que sabia que poderia encontrar os bares ainda abertos, fato que lhe dava certa segurança.


 

Sempre tinha se considerado uma garota centrada, não foi o tipo de criança pestinha e nem ao menos teve alguma paixonite por um professor na adolescência. A única pessoa que tinha amado de forma romântica tinha deixado seu coração em pedaços e riu dela por isso, se antes ela já cuidava de seus sentimentos com zelo, após ele sua vigília redobrou ainda mais. Então por que seus pensamentos pareciam ser empurrados na única direção a qual deveriam desviar?

 

Ele nem fazia o tipo dela, não que seguisse o modelo de amor cortês, mas gostava das pessoas por elas a tratarem bem, com carinho, com cuidado e mesmo que naquele dia ele tenha sido extremamente atencioso quando Helena cometeu o erro de deixar a caixa cair, Jared ainda era o homem que olhava para ela desaprovando qualquer ação que tomasse e falava com ela como se fosse uma criança burra.

De príncipe o professor só tinha a cara. Ele escondia sua verdadeira face em um mar de boas maneiras e roupas caras, qualquer pessoa poderia enxergar se não estivesse tão encantada por ele. Helena enxergava!

 

Enxergava e mesmo assim não conseguia deixar de pensar nele, no belo sorriso e sentir uma coisa quente tomar conta do seu corpo sem sua permissão, sua mente soar avisos confusos e o coração disparar apenas em ter os olhos azuis tão gelados pousados sobre si. A ruiva não conseguia esquecer o que tinha acontecido mais cedo quando ele tocou seu pulso, a eletricidade que percorreu seu corpo obviamente havia transpassado pelo dele, porque ela o flagrou encarando-a com um brilho diferente, algo quase selvagem.

 

A jovem estava tão absorta em seus pensamentos confusos e nas sensações inovadoras, que enquanto corria com os fones no último volume não ouviu um carro buzinar atrás de si e acabou por notar a claridade dos faróis apenas quando seu corpo já estava no chão.

 


Notas Finais


Beijos gente, até logo!!


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