História Não teve graça - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Batman, Christian Bale, Heath Ledger, Liga da Justiça
Personagens Bruce Wayne (Batman), Comissário James "Jim" Gordon, Coringa (Jack Napier), Personagens Originais
Tags Batman, Bob, Brian Kerr, Bruce Wayne, Christian Bale, Coringa, Dc Comics, Heath Ledger, Helena Napier, Jim Gordon, Joseph Kerr, Não Teve Graça, O Cavaleiro Das Trevas, Origem Coringa, Tdk, The Dark Knight, Thomas Wayne
Exibições 18
Palavras 5.408
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi amigons.
Leiam as notas finais.

Capítulo 5 - A última peça


Alguns meses se passaram desde que Joseph nasceu. Helena se encontrava na sua cadeira costumeira de frente à janela, seu filho estava em seus braços mamando de seu leite. O vento fresco batia tranquilo no rosto de Helena. A mulher estava aos poucos retornando ao seu tamanho normal, desinchando a pele e murchando suas espinhas. Seu cabelo solto e curto estava até mesmo crescendo um pouco, já que a dona dos fios loiros estava voltando a comer como gente normal.

- Onde estão meus sapatos, mulher? – Brian saiu do quarto apressado.

- .... Estão ali, debaixo da mesa. – Helena apontou os calçados depois de os encontrar com os olhos.

- Ah tá, achei. – Brian se abaixou pegando seus pertences e se sentou no sofá, calçando-os. – O preço do berço abaixou, se continuar caindo o custo, acho que poderei comprar um. – Brian amarrava os cadarços com força.

- Não acho um berço a coisa mais adequada Brian, Joe está crescendo rápido, não seria mais fácil ir juntando o dinheiro para comprar mais tarde uma cama para ele? – Helena dizia retirando o peito da boca do bebê adormecido.

- Uma cama é cara, sem contar que não vem com o colchão junto. – Brian se levantou do sofá caminhando até dentro do banheiro.

- Mas se você não gastar o dinheiro que tem agora, não demorará para alcançar a quantia que precisa. – Helena coçou a cabeça ao pensar nos valores dos móveis desejados e que estavam faltando para aquela moradia sem mobília decente.

- Está bem, está bem, quem sabe eu não consiga comprar uma cama para ele, daqui até o próximo século. – Brian sorriu, enquanto penteava o cabelo no espelho do banheiro.

- Temos tempo, eu gosto de dormir na cama com ele. Sem contar que com berço ou não, passarei um bom tempo acordando de madrugada para pegá-lo toda vez que ele chorar, de qualquer maneira. – Helena agora olhava o pequenino dormindo.

- Mas, eu não quero ele dormindo na cama conosco. Quando teremos um momento a sós? – Brian saiu do banheiro e agora encarava a esposa, sorrindo sapeca. Helena desviou os olhos dos dentes amarelos. Era só o que faltava tocar nesse tipo de assunto...

- Já está na hora de você ir, ou vai se atrasar. – Helena lançou seu olhar sobre a janela a sua frente.

- Ah. – Brian suspirou. – Está certa, está certa, está certa. – Brian cantarolou revirando os olhos. – Até de noite então, pudim de leite. – Brian acenava com a mão, dando tchau e dançava como um robô indo até a porta.

Helena simplesmente olhava para o marido, quando ele deu as costas e fechou a porta. Olhando para o rosto de seu filho, tinha a pequena esperança de ele ter uma vida normal.... Faziam algumas semanas que Brian estava firme no serviço do restaurante que ficava algumas ruas detrás da casa, ele era garçom. Não que Helena tenha esquecido tudo o que passou, mas essa última promessa que Brian fez, ele não vem deixando de cumprir: desde que a tomou de volta no hospital, não fez nada de maligno. Ao contrário, estava se comportando bem até, comparado com o homem que era tempos atrás. Não trancava mais Helena em casa, e levava Joe no hospital sempre que necessário. E agora, estava juntando dinheiro para comprar seu berço. E nenhuma vez fez mal a Helena, não tocou mais nela sem sua permissão, claro que, continuava com suas piadinhas sem graça, mas nada agressivo. Porém, as feridas de Helena falavam mais alto, ela tinha medo de tentar confiar que o marido estava querendo mudar, afinal de contas, um único simples pedido dela ele sempre negava: deixar Helena encontrar seus avós. Ora, se ele estava tão cavalheiro quanto demonstrava, qual era o perigo de deixar Joe conhecer seus bisavôs? Isso só impedia da confiança de Helena se firmar em sua cabeça.

Helena levantou-se da cadeira e levou Joe ao quarto, o deitando com muito cuidado no colchão que havia no chão. Caminhou para a cozinha, que agora por incrível que pareça, tinha alimentos. Pegou um iogurte que estava na geladeira e comia, permanecendo de pé, encostada na pia. Como sempre seu cérebro estava a mil, Helena não conseguia parar de pensar na mudança de Brian, mas ao mesmo tempo não queria consumir seus pensamentos, esgotando sua mente com a imagem repetida do marido. Olhando agora para as paredes daquela casa, caminhou lentamente até a sala.... Por mais que tentasse esquecer, aquele ambiente sempre remetia à sua opressão, os momentos terríveis que passou ali... estava na hora de modificar aquela estrutura, mudar a ambientação da casa... e era o que faria.

[...]

Helena estava sentada no sofá cantando para Joe, enquanto o balançava no colo, quando Brian entrou em casa animado. Helena continuou a cantar para o bebê, quando Brian começou a cantar junto com ela, ele dava pulos alegres no meio da sala. A mulher foi parando de cantar, quando o marido tomou a frente, cantando alto e exageradamente, parecia realmente estar feliz.

- Está feliz assim porque amanhã é sábado e não tem que ir trabalhar? – Helena ergueu as sobrancelhas, olhando para o homem contente que pulava como um sapo.

- Também minha querida, também! – Brian abriu um sorriso enorme. – Mas, na verdade é por outro motivo. Sabe adivinhar qual é? – Brian se aproximou do rosto de Joe, que olhava para o pai fixamente. – Adivinhe Joseph! – Brian brincou com o menino, aguardando respostas. Mas, tudo o que o pequenino fazia era olhar para o pai. – Errou! Hahahahahaha. – Brian gargalhou. – Estou feliz porque hoje ganhei uma bela gorjeta! Sabe-se lá porque caralhos um cara rico estava naquela porcaria de restaurante, mas estava lá e isso que importa Hahahaha. E como o cara só tinha cédulas altas, deixou o troco para mim. – Brian animado retirou as notas do casaco. – Olha só quanto dinheirinho. – Brian exibia os papéis valorosos para o bebê, que pela primeira vez abriu um pequeno sorriso. – Ah, você gostou deles? Eles são muito legais, com eles você pode comprar tudo o que quiser. – Brian se referia ao dinheiro com carinho, e Helena sorriu ao ver o filho babar perto do dinheiro.

- Tira de perto Brian, dinheiro tem bactérias. – Helena sorriu afastando o filho.

- Ah, eu amo essas bactérias! – Brian sorriu girando em círculos, animado por ter dinheiro verdinho em suas mãos.

- Aproveitando que está tão afoito, eu gostaria de me utilizar do seu bom humor com um pedido. – Helena olhou para o marido que parou de girar feito pateta.

- Meu amor, eu estou sempre de bom humor! – Brian dizia movimentando as sobrancelhas, brincando com elas.

- Espero que esteja assim amanhã. Eu quero comprar uns tecidos. – Helena observou o sorriso do marido sumir devagar. – Por favor, não será nada caro ou extravagante, eu só queria costurar umas coisas. – Helena abaixou as vistas, já aguardando um “não”.

- Está bem. – Brian sorriu, e surpreendeu Helena por dar uma resposta positiva. – Eu acho que posso fazer isso. – Brian lhe estendeu o dinheiro e no momento que Helena iria pegar, ele voltou o braço para trás. – Mas... em troca quero que me faça uma massagem, estou com os ombros doloridos. – Helena pensou bem, de certa maneira tinha nojo ao pensar em tocar na pele de Brian, e isso acarretaria numa aproximação que ela não almejada. Porém, era por uma causa nobre...

- Certo, eu faço. – Helena pegou o dinheiro e Brian sorriu para Joseph.

- E você... – Brian tocou no nariz do pequenino. – Pare de ficar me acordando de madrugada com seus chorumelos. – Brian sorriu se afastando.

Helena se pegou olhando para Brian, gostava desses pequenos momentos que tinha ele e o filho... de certa forma, era uma garantia que Brian se apegaria ao menino, e mesmo que um dia tivesse raiva de Helena, não faria mal ao pequeno. O jeito desastrado de Brian na cozinha chamou a atenção da esposa, ele sempre deixava seu garfo cair no chão, e depois voltava ao prato sem o lavar. Eca! Helena pensou sorrindo. Ao olhar nos olhos de seu filho “acordou” do seu transe, e voltou a olhar para a janela com vista para a rua. Que coisa, já era a segunda vez que ficou parada observando Brian fazer alguma coisa. Acho que já estava mais que na hora de parar. Helena passou a observar as pessoas caminhando na rua, a noite tranquila, e a lua marcando sua presença no alto céu... O barulho das garfadas de Brian insistiam em chamar sua atenção, mas não era de sua vontade olhar novamente para o homem que na cozinha estava.

[...]

A noite havia caído por completo, o céu estava totalmente preto, a rua em tranquilidade, tendo apenas um som de música dançante vindo do bar, onde pessoas se reuniam em cadeiras na calçada. Helena fechou a janela do quarto, buscando maior silencio para Joseph não acordar. Lentamente ela se sentou na cama e cobriu melhor o corpo do filho, quando Brian adentrou o quarto se atirando na cama.

- Brian! Vai acordar ele! – Helena deu a bronca em sussurros.

- Estou cansado. – Dizia o pateta espatifado na cama.

- Se deite direito, já está na hora de dormir, temos que acordar cedo amanhã. – Helena dizia deitando as costas no colchão, fechando os olhos.

- Ei! Ainda está me devendo a massagem hein. – Brian olhou para a mulher que se virara para o outro lado.

- Deixa isso para amanhã Brian... – Ela tentava se esquivar daquele contato indesejável.

- Certo, eu não iria te dar dinheiro nenhum mesmo. – Brian deu de ombros, Helena se sentou na cama de supetão.

- Vai me dar sim! Para Brian. – Helena disse desgostosa.

- Então cumpra sua parte. – Brian abriu um sorriso amarelo. – Helena eu sei qual a sua, você como sempre, só age sobre pressão...

- ...

Helena nada respondeu, Brian entendeu que ela só precisava de um empurrãozinho, e logo tirou a camisa. Helena revirou os olhos, respirando fundo ao perceber o homem pronto para receber seus serviços.

- Está bem, mas será rápido! – Helena coçou os olhos.

- Meus ombros estão esperando. – Brian brincou.

Helena se aproximou das costas do homem que estava sentado em sua frente, e pôs as mãos em seus ombros, iniciando a massagem. Brian respirou fundo enquanto se sentia relaxado.

- Mais para cima. – Brian ordenou.

Helena sem muita paciência foi massageando sua pele. Droga, estava desconfortável, não se sentia bem tocando no seu marido... uma coisa que deveria ser tão natural, era um tipo de tortura para Helena. Revirava os olhos, agonizando ao ter que escutar aos gemidos de alivio que Brian soltava. Realmente seus ombros eram duas rochas, estava tenso demais, vai ver por isso tinha sempre a cara azeda...

- Agora aqui Helena. – Brian tocou na mão da esposa, colocando em outra parte das suas costas. Helena logo soltou sua mão, ao sentir o toque da mão de Brian sobre a sua.

- Está bom, chega de massagem por hoje. – Helena se afastou.

- Mas já??? – Brian fez careta. – Não deu para relaxar nem o meu dedo mindinho com essa sessão curta.

- Eu sei que o dinheiro também será curto amanhã, agora vê se dorme! – Helena deitou as costas, depois de dar a bronca.

- Não seja má assim, pudim. – Brian dizia se deitando também.

- Pare de me chamar assim, detesto esse tipo de apelido e pode ir afastando-se mais para lá. – Helena o enxotava com as mãos.

- Que coisa é essa? Vou ser expulso do meu próprio quarto? – Brian riu indignado.

- Só não fique perto demais, você se mexe muito durante a noite, e assim corre do risco de subir por cima de Joe! – Helena trouxe o corpo do filho mais para perto de si.

- Tudo é o Joe agora: quem come primeiro é o Joe, quem toma o banho mais demorado é o Joe, quem tem as roupas mais bem lavadas é o Joe, quem não precisa trabalhar é o Joe, quem fica o dia inteiro comendo e dormindo é o Joe, e agora quem dorme na maior parte da cama é o Joe também? Que garoto folgado! – Brian retrucava como um velho gaga.

- Silencio, se não ele vai acordar e quero ver você aguentar o choro dele a noite toda! – Helena colocou o filho do outro lado da cama, o retirando do meio, para não correr o risco de Brian subir em cima de seu corpo frágil.

Brian resmungou algo inaudível e se aquietou na cama. Helena não conseguia fechar os olhos.... Pensava o tempo todo como ele estava realmente ficando outra pessoa, em outros tempos ele jamais aguentaria todos esses sermões como se fosse uma criança.... Tinha medo de pensar se Brian estaria fingindo, mudando realmente ou terminando de ficar louco com a idade...

[...]

No dia seguinte, com muita dificuldade Helena conseguiu retirar o dorminhoco Brian da cama, o homem dormia um sono tão profundo, que parecia um urso hibernando.... Após tomarem o café da manhã, saíram juntos para o centro da cidade. Brian ainda utilizava o carro do ex-parceiro que havia matado, e com ele não demorou muito para chegaram as ruas populares, onde pessoas mais simples faziam compras em lojas de promoção e camelôs. Helena gostava de caminhar por aquelas ruas movimentadas, gostava de estar no meio das pessoas, de ver o rosto de gente comum, ao contrário de Brian que mais parecia um sociopata, reclamando o caminho inteiro, se já estava perto de irem embora.

- Brian, pare de reclamar, não podemos gastar muito, e por isso temos que procurar em todas as lojas buscando o preço mais barato. – Helena dizia olhando as vitrines.

- É duro ser pobre... – Brian estava derretendo como uma lesma no sol forte que fazia naquela manhã.

- Pare de encher o saco! Quem está andando com menino pequeno nos braços nesse calor imenso sou eu ou você? – Helena disse ríspida.

- Abusadinha hein pudinzinho. – Brian sabia que ela não gostava de assim ser denominada e por isso a chamava dessa maneira, para a irritar de vez.

Helena respirou fundo até encontrar a loja que procurava. Adentrou o comércio e passou a olhar tecidos baratos, porém bonitos.

- Para que é isso mesmo??? – Brian dizia limpando o suor da testa.

- Surpresa. – Helena olhava os tecidos diversos.

- Hum. – Brian revirou os olhos.

- Gosta desse? – Helena mostrava um determinado tecido.

- Gosto da loja que pelo menos tem ar condicionado. – Brian dizia emburrado.

- Ignorância é complicado. – Helena resmungou para si mesma.

- Que foi que disse? – Brian perguntou.

- Nada, para de me atrapalhar, me deixe escolher. – Helena olhava as mercadorias.

- Que saco.... Essa loja não tem nenhuma cadeira, onde já se viu??? – Brian retrucava como um velho de 99 anos.

Um atendente se aproximou e agilizou nas escolhas de Helena, que ficou maravilhada com as opções que tinha no estoque da loja.

- Agora pronto! Com um atendente no pé para sugar o meu dinheiro, você só vai querer sair daqui ano que vem. – Brian cruzou os braços, analisando a loja, procurando algum lugar para sentar.

- Brian, está mesmo com pressa? – Helena ergueu as sobrancelhas.

- Não, imagina, adoro perder meu final de semana numa loja de tecidos. – Brian sorriu irônico.

- Vai ajudar mais se eu estiver com as mãos livres. Tome, segure-o.

- O que? – Brian se espantou ao ver a esposa lhe entregar seu filho.

- Brian, deixa de ser mole, segurar seu filho não dói não! – Helena depositou Joseph nos braços do pai. – Agora segura direito, que eu volto já!

- Espere, não me deixe aqui sozinho! Droga... – Brian se desesperou ao ver Helena praticamente sumir na loja ao lado do atendente, o deixando com um garoto pequeno nos braços. – Está vendo aí, o que eu tenho que passar? Que vida injusta meu Deus. – Brian dizia reclamando enquanto seu filho olhava para ele. – Que foi? Que cara é essa? – Brian examinava o rosto do bebê, que estava aéreo. – Eu espero que quando crescer não invente de ter filhos jovem demais, eu que não vou perder a minha velhice cuidando de neto, eu não sou nem escravo para isso...

Helena do outro lado da loja olhava escondido o maluco Brian conversando com Joseph, que nem sequer parecia prestar atenção.... Ficou feliz ao ver o que seus olhos contemplavam.... Como era difícil e raro ver Brian num momento fraterno, inocente.... Estava até engraçado como as pessoas passaram o encarando tagarelar para um menino de colo. Helena fez questão de demorar nas compras, para admirar por mais tempo aquele instante inédito...

[...]

Ao chegar em casa, Brian nem sequer conseguiu aguardar Helena fazer o almoço e capotou na cama, passando a roncar a tarde inteira. Helena sentou-se na cadeira e deu o peito a Joseph, e logo em seguida o pôs para dormir no sofá. Se Brian estava cansado do “passeio”, imagine o pequenino... Helena pegou sua agulha e fita métrica, e passou a medir o tamanho dos móveis. Anotava tudo no braço, e pegando os tecidos que comprou, passou a trabalhar. Mesmo cansada de caminhar o dia inteiro, se sentiu bem costurando e bordando, o trabalho é uma terapia essencial para os loucos...

[...]

Alguns dias depois, Brian chegou do trabalho à noite, como de costume e encontrou Helena terminando de costurar.

- Rapaz, você está fazendo isso a dias, está costurando um vestido para um gigante? Hahaha. – Brian cruzou os braços ao reparar Helena sentada trabalhando manualmente.

- Engraçadinho, estou quase terminando. – Helena dizia sem olhá-lo.

- Eu tenho uma boa notícia. – Brian dizia retirando seus sapatos e os jogando de qualquer jeito pela sala.

- O que é? – Helena perguntou revirando os olhos, ao reparar nos sapatos do imbecil, literalmente “voando” pela sala.

- A esposa do meu chefe costura redes.... Ela me dá desconto se eu comprar uma... – Helena parou o que estava fazendo para olhar para ele.

- Acho que pode ser... Na idade do Joe é bom dormir em rede...

- Foi o que ela me disse, e enquanto isso eu vou juntando para construir uma parede ali, para separar nosso quarto, do quarto de Joseph. – Brian apontava para o lado maior e inutilizado do quarto do casal.

- Eu gosto de dormir com Joe, não precisa construir um quarto para ele agora... – Helena desviou os olhos, gostava da ideia de Joe dormir com eles, assim Brian nunca tentava algo a mais com ela...

- Mas não será agora, vai demorar, é enquanto ele for crescendo. Esse tipo de coisa leva tempo e dinheiro. – Brian coçou os olhos. – Ah, estou cansado.

- Eu também, minhas costas estão doendo um pouco. Mas, terminei... – Helena abriu todo o tecido que estava em suas mãos, eram vários.

- Hum. Para que isso? – Brian não entendia o porquê daquele sacrifício todo.

- Não podemos ter móveis novos, e por isso costurei essa capa para o sofá, e esse novo estofado para colocar na cadeira, e essas capas para os travesseiros. – Helena sorriu orgulhosa do seu trabalho.

- ... – Brian continuava a olhar sério. – Todo esse trabalho, só para isso??? Que bosta... – Brian revirou os olhos.

- Isso faz muita diferença nessa sala horrível e sem cor. – Helena respondeu. – Quero mudar também a posição dos móveis, por mim eu mudava essa casa por inteiro...

- Engraçado você falando como se aqui tivessem móveis. – Brian revirou os olhos, debochando.

- Pare de colocar defeito em tudo e me ajude a colocar a capa no sofá. – Helena se levantou da cadeira.

Brian pegou a longa capa e a envolveu no móvel, no momento em que se abaixou deixou cair algumas notas e moedas. Rapidamente pegou-as de volta. Helena olhava satisfeita o sofá com cara de novo.

- Tome, compre alguma coisa para você depois. – Brian lhe deu o dinheiro.

- Brian... De onde está tirando tanto dinheiro? Não está matando ninguém, está? – Helena se espantou ao receber as notas.

- Claro que sim, eu recebo por cada assassinato que faço. – Brian respondeu sério, e Helena o olhou firme. – Hahahahahaahahahaha, claro que não né Helena, eu sempre estou no restaurante, e pode se acostumando com o dinheiro em nossas mãos, vou começar a fazer hora extra, adoro ter uns verdinhos na minha carteira. – Brian sorriu entusiasmado.

Helena apenas o ficava olhando, como eram distintas aquelas palavras... Brian estava gostando de trabalhar, parecia até piada.

- Olha aí, o menino acordou. – Brian levantou o dedo ao ouvir o choro de Joseph.

- Pegue ele para mim, só um minuto. – Helena pediu querendo saber qual seria sua resposta.

- Está bem, detesto ouvir choro... – Brian entrou para o quarto e o pegou nos braços. O ninando, não demorou muito para o choro cessar.

Helena estava sem palavras como ele estava a impressionando durante aquele tempo.... Deu um pequeno suspiro e caminhou até a cozinha, fazendo o prato de Brian.... Um ato tão simples e carinhoso que há anos não fazia.... Será que Brian percebia que Helena estava notando sua mudança? Ou ele não se dava conta que deixou de ser tão monstruoso como de costume?

- Aqui Brian... – Helena entrou no quarto com seu prato e Brian abriu um sorrisão abobalhado.

- Ebaaa, comida! – Brian trocou o filho nos braços pelo prato, e caminhou até a sala, se sentando no ‘novo sofá’, enquanto comia.

- Amanhã.... Quer ir no parque? É bom para Joseph passear, ele fica muito tempo preso nessa casa... – Helena se aproximou do sofá, com o menino no colo.

- Eu te dou dinheiro e você vai com ele, amanhã vou estar de hora extra. – Brian respondeu comendo como um leão.

Helena não precisou ouvir mais nada, aquelas palavras bastaram: Brian tinha a confiança em deixar Helena sair sozinha... “Quem diria, ele mudou mesmo...”. Helena pegou Joe e o levou para o quarto, dando-o o peito. Helena sentia uma inquietude dentro de seus pensamentos, não estava a fim de sentir nada por Brian, não se sentia confiante com relação a sua mudança, mas era impossível não ver como as coisas estavam melhorando... Mesmo sem sentir amor pelo marido, ao menos teriam um casamento saudável perante o crescimento do filho. Ao menos trabalhando ele foi ficando mais humano.... Passou a tomar banho todos os dias, não usava mais aquela barba nojenta de tempos atrás. Não era nenhum Thomas Wayne e estava longe de ser um homem bonito, mas era melhor que nada. E por incrível que pareça não estava bebendo mais em casa. Claro que, Helena sabia que ele deveria beber no restaurante, mas antes fora do que dentro de casa.... Se ele tinha armas dentro de casa estariam num lugar ultrassecreto, pois Helena nunca mais encontrou aquele monte de facas que o maníaco costumava ter. As facas que havia naquela casa eram apenas de cozinha agora. O trabalho dignifica a pessoa, e quem sabe agora que Brian estava empregado ele não passou a ter outra visão das coisas...

[...]

No dia seguinte Helena estava no parque com Joe, comprou uma bexiga para ele brincar, embora seus dedos amolecidos não conseguiam segurar nada direito. O parque estava agradável, a grama verde brilhava com a luz do sol, era harmonioso ver aquele monte de crianças correndo e pulando como pipocas. Helena olhava para seu filho e ficou pensando que logo ele estaria daquele tamanho.... Essa fase de ser bebê no colo passa muito rápido. O sol foi ficando mais forte, e a tarde surgindo. Após caminhar repetidas vezes pelo parque, Helena decidiu ir para casa. Chegando lá, estava tudo escuro: Brian realmente foi trabalhar no seu dia de folga, como era esquisito se acostumar com isso. Bom, melhor homem trabalhando do que ficar só sentado no sofá em casa.

[...]

A noite foi caindo e Helena estava limpando a casa, Joseph estava dormindo no quarto quando acordou chorando. Helena largou a vassoura e foi pegar o filho. O colocou no ombro, isso sempre funcionava para ele deixar de chorar, mas dessa vez não bastou. Tentou dar o peito, mas Joseph não pegava, e aos poucos foi ficando vermelho de tanto chorar. Helena não entendia qual era o motivo dele estar daquele jeito. Será que estava doente ou com dor de cabeça? Talvez não tenha sido uma boa ideia ter ficado com ele a tarde toda debaixo do sol. Sem saber o que fazer, Helena o vestiu e o tomou nos braços. Procuraria Brian para o levar ao hospital.

[...]

O caminho até o restaurante era razoavelmente curto, senão fosse o fato de Joseph estar chorando escandalosamente, estaria tudo certo. Helena entrou no restaurante e chamou um dos garçons perguntando por Brian, até o homem responder que ele não foi trabalhar hoje, era seu dia de folga. Ótimo as mentiras estavam começando a surgir novamente.... Estava bom demais para ser verdade: Brian trabalhar de domingo a domingo, nem por um milagre! Agora o dilema era encontrar o infeliz.... Que asneira, acreditar que Brian estava sendo honesto e digno...

Helena saiu do restaurante e passou a caminhar pelas ruas, a procura do marido. Essa é a pior parte de ser dependente demais: se soubesse dirigir simplesmente pegaria o carro e levaria Joseph, que estava tão exausto de chorar, que acabou parando por conta própria... Helena passou pelas ruas que conhecia e nada de encontrar o homem mentiroso. “Deixa para lá, é melhor voltar para casa, Joseph já dormiu mesmo”... Helena pegou o caminho de volta por outra rua, e coincidência ou não, encontrou o “trabalhador de plantão”. A mulher se aproximou de uma árvore e passou a vislumbrar a cara de pau de Brian, que como sempre mentia: estava numa mesa de bar bebendo com seu colega ruivo, e com uma moça magra e pouco vestida em seu colo! Quem mandou ser tonta Helena, acreditar que Brian mudou era tanta maluquice como tentar ensinar um cachorro a falar.... Respirou fundo, tentando manter a calma e não sair batendo na cara daquele miserável, e com o tempo que ficou ali, pode ouvir a conversa deles.

- As coisas melhoraram, não foi? Está com uma cara alegre, descansado. – O ruivo magricelo bebia sua cerveja.

- Está sim, eu sou um gênio. Sempre fui. – Brian dizia encostando a boca no ombro da moça que estava em seu colo.

- A paz sempre esteve na sua casa, você só precisava encontra-la, não é mesmo? – O colega enchia seu copo.

- Exato, depois que o garoto nasceu eu previ que suas vidas não iriam durar muito, as nossas brigas só iriam aumentar e eu acabaria por matar os dois. – Brian levava o copo de vidro a boca e tomava mais um gole. – Porém, tudo se tornou mais fácil quando passei a agradar Helena, tudo ficou às mil maravilhas: ela acredita em mim, saí quando quer e nunca foi até a delegacia pelo fato de não achar que precisa mais. Passa as minhas roupas, está cozinhando melhor com o passar dos dias, não fica mais gritando como uma doente e até o menino está parando mais de chorar a noite. Perfeito, fiz tudo isso sem ter que ir para a cadeia. – Brian abriu um sorriso.

- Você hein, qualquer dia eu te dou um óscar. – O ruivo balançou a cabeça.

- É fácil rapaz, as pessoas quando amam ficam burras, se esquecem rápido, amansam com o tempo.... Eu só tive que parar de beber em casa e trabalhar no meio da semana. Pegue alguma coisa que você ama, e deixe aquilo ir te matando, te lesando, acontece com as pessoas de mente fraca. – Brian alisava a coxa da moça que bebia no mesmo copo que ele.

- Ela não desconfia de nada mesmo? – O ruivo assistia Brian falar como se fosse algum ator profissional.

- Não, e nem tem porque, eu me comporto bem lá no trampo. – Brian brincava com a tampa da garrafa.

- Mas, não quero que volte a sentir amor de verdade por aquela mulher. – A moça em seu colo fez beicinho, se mostrando enciumada.

- Qué isso boneca, jamais. Helena é feia e está ficando velha. Sem contar que não precisa se preocupar com esse tipo de coisa, eu não toco nela e nem ela parece sentir falta. Eu só tenho olhos para você. – Brian abriu um sorriso enorme para a mulher.

- Espero que sim. – Ela desviava o rosto dos beijos que Brian tentava dar.

- Ah, qual é, não vai se fazer de difícil agora. – Ele dizia em meio a sorrisos, enquanto não conseguia alcançar a boca da mulher.

- Agora já chega! – Helena saiu detrás da arvore, com os olhos marejados de lagrimas e de raiva.

- Pudim? – Brian arregalou os olhos. – O que está fazendo aqui? ...

- Parece que alguém deixou a máscara cair. – Helena o olhava com desprezo.

- Quem é essa velha? – A moça perguntou a olhando de cima a baixo.

- A esposa desse cão mentiroso! – Helena apontou para Brian.

- Basta! – Brian bateu a mão na mesa. – Quem você pensa que é, para vir até aqui e armar esse espetáculo todo? Não quero escândalos aqui. – Brian estava ficando com o rosto avermelhando de raiva.

- Eu fazendo espetáculo? Mas não era você o artista ilusionista? – Helena perguntou indignada. – Hora extra... Rãaah, eu deveria ir naquele restaurante contar para o seu patrão que anda mentindo em nome do serviço!

- Não vai a lugar nenhum. – Brian se levantou, retirando a moça de seu colo. – Ou melhor vai voltar para casa!

- Acho que já se divertiu o bastante as minhas custas Brian! – Helena gritou.

- Que droga! – Brian avançou em Helena retirando Joseph do seu colo e o entregando nas mãos da outra senhorita. – Segure-o!

- Me devolva Joe! – Helena esticou os braços para pegar seu filho de volta, quando Brian a puxou pelos cabelos com estupidez. – Me solte! – Helena gritava sentindo seus fios serem desprendidos do couro cabeludo.

- Estava demorando você começar a gritar hein Helena, devo lhe ensinar boas maneiras! – Brian arrastava a esposa até em casa, a expondo ao ridículo a todos que passavam pela rua e assistiam ao espetáculo bizarro. – Me destratando dessa maneira na frente dos meus amigos, você só pode ter perdido o juízo! – Brian bradava zangado enquanto Helena se debatia, caminhando contra sua vontade.

 - Vai deixar meu filho com a sua amante? Mas nem por cima do meu cadáver! – Helena tentava se desfazer dos braços de Brian sobre sua cabeça. Brian deu um chute forte sobre a porta, arrombando a velha caixilharia e atirando Helena no chão da sala.

- Cadáver é o que se tornará se continuar a me irritar dessa maneira! – Brian gritou, e Helena rapidamente se levantou.

- Me devolva Joe, traga ele para cá, ele estava passando mal! – Ela tentou passar, mas Brian a empurrou para longe da porta, a impedindo de tentar sair de casa.

- Fique aí e cale a boca Helena! – Brian gritava, mas Helena insistia em tentar passar. Brian a segurou firme pelos braços e apertou-os com força.

- Estava demorando muito para mostrar quem você realmente é! – Helena tentava se desprender dos braços de Brian, enquanto o olhava com ódio.

- É você quem estava se comportando bem até demais, por um segundo pensei que você poderia ser uma mulher normal, mas você é doida Helena, você gosta de um marido que te trata mal, você não me suporta bonzinho, você gosta quando eu te tranco aqui!

- Você não estava sendo bom, estava fingindo. Você não é homem de verdade, é homem de mentiras! – Helena cuspiu as palavras, mas Brian não aguentou a ofensa e deu um tapa no rosto da mulher, a fazendo se desiquilibrar e cair no chão, chorando com a mão no rosto.

- Vai ficar trancada em casa, do jeito que você gosta pudim de leite. – Brian a apontou o dedo em sinal de ordem e saiu, batendo a porta.

Helena permaneceu no chão se consumindo em xingamentos por pensar que Brian poderia ter mudado. Se levantou e se sentou no sofá, passando a mão no rosto... Sofá que tentou modificar achando que ele combinaria com a vida nova que pensou que levaria daqui para frente. Agora pode enxergar as marcas avermelhadas dos dedos de Brian em seu braço, além de ter quebrado vários fios de cabelo com todos aqueles puxões, mas sua maior raiva era pensar que deixou Joseph no colo de outra mulher. Céus, o pesadelo retornava. Ou melhor, ele nunca tinha ido embora, só ficou escondido por um tempo...

[...]


Notas Finais


Bom pessoal, espero que tenham gostado do capítulo, esse foi o último a exibir os momentos de Brian e Helena, próximo capítulo Joseph "aparecerá" formalmente, afinal agora que contei toda a história dos pais dele, vocês compreenderão o restante da fanfic. E também porque o Palhaço é o personagem principal e já está mais que na hora dele entrar em cena kk. Desculpem a demora ai.

Beijos da Jade e até a próxima s2


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