História Não vele, revele - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Personagens Originais
Tags Baekyeol, Chanbaek
Exibições 749
Palavras 3.773
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, como prometido, estou aqui com a atualização de ‘NVR’.
Gostaria de agradecer aos favoritos, e aos comentários.
Muito obrigada, de verdade pessoal.

Boa leitura e até as notas finais, queridos cottonzinhos


Capítulo 2 - Há palavras que eu não consigo explicar...


Fanfic / Fanfiction Não vele, revele - Capítulo 2 - Há palavras que eu não consigo explicar...

 

Não vá, eu quero segurar você aqui...


 

Capítulo Dois

 

Como fazia todos os dias, Chan Yeol adentrou a escola e acompanhou as crianças até suas respectivas salas. As deixou com um beijo terno na testa, e a promessa de que logo voltaria — visto que ali era seu local de trabalho, e nas sextas ele apenas precisava chegar no horário da tarde.

 

Acenou para as meninas e seguiu pelo corredor, este que lhe era muito familiar. Cumprimentou alguns alunos, assim como pais e professores, pelo caminho. Estava justamente prestes a adentrar a sala dos professores quando sentiu alguém desferir um tapa em sua bunda, o assustando completamente.

 

Ma o alívio logo se fez presente quando viu quem era a responsável pela brincadeira.

 

    — Não faça isso, In Ha. As pessoas podem comentar.

 

Suspirou ao repreender sua cunhada, que apenas sorria de forma arteira ao adentrar a sala. Chan Yeol fez o mesmo caminho, fechando a porta atrás de si antes de seguir para a mesa redonda que monopolizava o centro da sala.

    — Você sai da Coreia, mas a paranoia de estar sendo observado e julgado não sai de você. Tsc! — In Ha desdenhou.

 

    De fato era difícil se livrar de certo costumes quando se formou em um país de costumes tão rígidos. Por isso as vezes acabava por esquecer que estava em Brighton, lar das pessoas que amavam cuidar da sua própria vida. Ao contrário da maior parte do mundo afora.

 

— O que ainda está fazendo aqui? — Baek In Ha indagou um tanto inconformada.

 

Pois se fosse ela que tivesse a manhã inteira de descanso, estaria em casa sem dúvidas.

 

— Matando o tempo...O Baek Hyun ainda não foi trabalhar, então...

 

Encolheu os ombros, sentindo o peso do olhar triste dela sobre si.

 

— Vocês não podem ficar fugindo um do outro para sempre.

 

— Eu sei. — concordou frustrado.

 

— Você está acabado! É impressão minha, ou a cada vez que vejo vocês dois, parecem estar mais velhos?

Ela disse após dispor uma xícara com café na mesa para o cunhado.

 

— Nem chegamos aos quarenta ainda. — de fato não, mas estavam na casa dos trinta e oito.

 

— Pois parece que já passaram disso.

 

Ela fez uma careta para implicar e Chan Yeol retribuiu igualmente, porque quando estava com In Ha sua escala de maturidade caia drasticamente.  

 

— Experimenta passar dois anos apenas brigando com seu marido. Não tem tratamento estético que ajude.

 

Disse e tomou um gole do café quentinho.

 

— Por falar nisso. O que você faz para não brigar tanto com o Yoo Jung?

 

Afinal, Baek In Ha era extremamente parecida com Baek Hyun, tanto na aparência como na personalidade. Ambos eram controladores, e tinham a mania de sempre querer alcançar a perfeição em tudo o que faziam.

 

— Eu não acumulo nada, não guardo nenhum descontentamento, entende? Sempre que algo me incomoda, eu vou e converso com ele. Não fico guardando, deixando para depois ou empurrando com a barriga. E ele aprendeu a ser do mesmo jeito. Quando faço algo que deixa ele magoado ou irritado, ele vem e me fala tudo.

 

Ela falava de forma tão simplista, que fazia tudo parecer até ser fácil.

 

— E isso funciona?

 

— Se estamos juntos até hoje, acredito que sim. Porque convenhamos, eu sou muito chata! Eu sei disso, e eu te entendo com o Bae, ele só não ganha de mim no quesito insuportável porque não pode ficar de tpm.

 

Chan Yeol riu e concordou, In Ha e o irmão tinham um gênio difícil de lidar, só amando muito para aturar, e ainda encontrar beleza em tudo.

 

— Mas ele não fala nada comigo, guarda tudo e quer que eu adivinhe as coisas. — confessou frustrado.

 

— Você fala tudo o que te incomoda para ele? — Chan Yeol balançou a cabeça ao negar — Exatamente! Então ele nunca que vai tomar a iniciativa e te contar. Eu só passei a ser sincera quando Yoo Jung tomou a iniciativa.

 

Chan Yeol bufou, passando a mão pelo cabelo. Como se prender seus fios escuros entre os dedos com certa força fosse lhe aliviar em algo.

 

— Ele adora ficar no controle das coisas, porque não pode fazer isso?!

 

— Expor sentimentos não é tão fácil...porque dependendo da situação, isso pode tanto aproximar, quanto afastar o parceiro.

 

— Ele já está me afastando, de qualquer forma…

 

Se assustou com o tapa que sua cunhada cedeu na mesa, a olhando confuso. Ela parecia querer jogar o café em sua cara. O que era bem assustador, visto que ela era capaz de o fazer.

 

— Então, o quê? Vai simplesmente deixar ele ir? Não acha que está na hora de você tomar a iniciativa?

 

— Eu já fiz! Assinei a droga dos papéis.

 

In Ha riu soprado e cruzou as pernas, erguendo seu queixo com ares de profunda sabedoria.  

 

— Você está pulando do barco, Chan Yeol. E isso é algo que eu e o Bae jamais estaremos dispostos a fazer...preferimos afundar, na tentativa de salvar o barco e quem estiver nele, do que pular e torcer para não se afogar.

 

Chan Yeol sabia muito bem daquilo, e foi nessa tal certeza que apostou tudo ao tomar umas das decisões mais arriscadas e estúpidas: o pedido de divórcio. A essa altura, pode parecer confuso e contraditório tal fato, mas ele contava com a maior força de seu marido: a tal da persistência.  

 

— Não sei como nos tirar dessa situação. Eu já pensei em chegar para ele e dizer: “Certo, essa é a parte em que nos olhamos e dizemos um ao outro que isso é apenas uma fase que todos os casais passam, e que vamos tentar de novo?”, ou um simples “Isso é ridículo. Nós nos amamos”. Mas, não! Nós nos olhamos por um segundo e toda a raiva vem à tona. Eu acho que estou perdido, pois agora eu olho para meu marido e não sinto mais vontade de beijá-lo. Isso é o cúmulo da infelicidade! Eu amava beijar aquele homem, mas hoje em dia não dá mais.

 

Confessou exaltado, passando a mão pelo cabelo novamente. Estava ensandecido demais.

 

Quanto mais pensava sobre aquilo mais insano parecia.

 

— Nós dois costumávamos dar tanto valor ao beijo. Porque sempre foi algo mais íntimo, mais carinhoso. Era um lembrete especial do quanto nos gostávamos. Mas...agora, eu nem consigo lembrar quando foi a última vez que nos beijamos.

 

Sua voz foi sumindo perante a tristeza sufocante. Ele olhava fixamente para a mesa a sua frente, sua mente buscava se confortar nas lembranças de dias bons como um mecanismo de defesa.  

 

— Eu acho que você deveria ir para casa, e contar tudo isso para ele. Eu sei que sou uma ótima ouvinte, que contar seus problemas para outra pessoa é mais fácil, mas meu querido, eu não posso fazer nada por vocês.

 

— Eu sei, eu sei.

 

— O que mais você tem a perder ao tentar ser sincero?

 

— Meus um por cento restante de orgulho próprio?

 

— Isso não existe depois do casamento, meu amor. — caçoou, levando os dois a rir — Mas é sério, Chan Yeol. Não é o orgulho que irá te esquentar a noite, que irá rir de suas piadas antigas, e que envelhecerá junto com você cheio de boas lembranças. Para fazer algo dar certo, você tem que driblar o orgulho.

 

Chan Yeol deixou que os conselhos de sua cunhada o trouxesse de volta a razão. Ele queria driblar as dificuldades. Queria que seu marido também o fizesse. Sentiu as mãos de In Ha sobre as suas, num aperto quente e confiante. Ela o olhava com esperança, com encorajamento.

 

— Ainda acho que há uma chance. — ela disse, esperançosa.

 

Chan Yeol sorriu de forma triste e cansada. Ele precisava de encorajamento. Algo que não encontrava em seu próprio lar, em seu parceiro.

 

Talvez houvesse de fato uma chance. Mas então você se recorda das mágoas e bem...há certas mágoas que nunca superamos completamente. E você pensa que o tempo diminuirá sua presença, e até certo ponto diminui, mas...continua a doer porquê...bem..a mágoa dói. E diante disso, as chances parecem se tornar pequenas.

 

Ele tentou unir a pouca coragem que tinha, e após um breve café e alguns conselhos, tomou o rumo da saída, iria para a sua própria casa.

 

Chan Yeol estava no carro, prestes a dar a partida, quando viu ao longe algo que a muito tempo não sentia: Beijos de amor e saudades antes de partir. Mais a frente, um casal jovem trocavam beijos e se olhavam com os costumeiros sorrisos bobos nos lábios. Que coisa! Ele e Baek Hyun também já foram assim. Se perguntava onde fora parar todo aquele amor que parecia transcendental entre eles.

 

Onde foi que nos perdemos? Em que ponto passamos a divergir tanto?

 

Descansou a cabeça no volante do carro. O que estava fazendo da sua vida? Onde ele iria chegar sem Baek Hyun ao seu lado? As palavras da discussão da noite anterior não paravam de rondar sua mente. O olhar dolente de seu marido o assombrava.

 

“Tudo o que eu quero é que se coloque no meu lugar por um momento. Mas ao invés disso você me vem com um pedido de divórcio.”

 

Chan Yeol se lembrava do sentimento desesperador que o afligiu, e que foi o responsável por lhe impulsionar a recorrer ao divórcio. Foi quando, pela primeira vez, sentiu que não conseguia expressar seus sentimentos ao marido sem o tremendo medo de ser incompreendido. Aquilo foi pavoroso, pois antes de tudo começar a desmoronar, eles sempre foram sinceros e transparentes um com o outro.

 

Então Chan Yeol parou de se expressar, pois a cada vez que o fazia, as brigas pareciam piorar.

 

Ele também queria que Baek Hyun se colocasse em seu lugar. Se antes de pedir o divórcio seu marido apenas tivesse chegado em si...apenas mais uma vez, e lhe dissesse: “Desculpe estar tão nervoso ultimamente. Sei que não tenho estado no meu melhor. E você foi muito paciente comigo. Eu quero que saiba que  reconheço isso.” Ele teria suportado mais.

 

Deu a partida e seguiu devagar, queria refletir mais um pouco sobre seu casamento. Queria encontrar o ponto onde tudo começou a desmoronar. Durante muito tempo, nunca pensou no seu casamento como sendo mau. Ele acreditava que durante o tempo que teriam juntos, o amor seria algo que poderia sentir, ou não. Sabe, ter altos e baixos. Ele sabia que iriam brigar e se irritar. Nem sempre se olhariam e iriam encontrar aquele amor, mas não achou que chegaria a sentir um suposto “ódio” pairar entre eles.

 

Mas após algum tempo, os altos ficaram cada vez mais baixos e raros.

 

Então, um dia, se pegou pensando: “É isso que realmente sou? Alguém que se tornou apático ao seu casamento. Ou eu sou assim por estar com essa pessoa?” E depois pensou: “Talvez haja outra versão da minha vida, de mim, que seja mais feliz.” E então ele concluiu que o divórcio fosse ajudar os dois a não se destruírem mais.

 

Ele tentou superar o medo.

 

Pois foi o que sentiu após se ver longe de tudo o que construiu. E dando razão a reflexão: Tudo gira em torno do medo. Duas pessoas permanecem juntas por causa do medo. Medo da solidão, medo de ficar só, medo do desconhecido. Isto, justamente com a culpa, são as duas emoções que movem a sociedade. Que sustenta uma relação desgastada.

 

Chan Yeol não queria ser prisioneiro de uma relação desgastada. Ele queria que ambos pudessem encontrar algo melhor.

 

Assim que desligou o carro, abriu a porta e a fechou após sair. Afastou-se da garagem, indo a passos contados até a porta da entrada, e após destrancá-la a abriu, escutando a voz do marido antes mesmo de fechá-la. Curioso, se escorou na parede que separava a entrada da cozinha, e pela forma que seu marido conversava, já podia saber muito bem com quem era.

 

Passou alguns minutos o ouvindo falar de coisas aleatórias. Se surpreendeu ao escutá-lo rir. A quanto tempo ele não ria daquela forma para si? Saiu dos devaneios quando seu nome fora citado. Logo depois abordou desde o dia em que lhe entregou os papéis até aquela manhã, onde mais uma vez brigaram. Doeu escutar aquelas verdade as escondidas, sem poder dar sua opinião ou uma explicação sequer. Era para Baek Hyun estar dizer aquilo para Chan Yeol, cara a cara, e não para outros.

 

Ele esperou até Baek Hyun encerrar a ligação, e quando este passou pelo batente da cozinha, pôs a mão sobre o peito ao se assustar com a presença até então escondida de Chan Yeol.

 

— Droga! — xingou ao fechar os olhos com força — Você me assustou!

 

Chan Yeol riu de forma seca, vendo o marido se afastar para colocar o telefone no criado mudo da sala, ao lado do sofá.

 

— Então...é mais fácil conversar sobre nossos problemas com outra pessoa, do que com seu marido?

 

— É fácil falar para o problema que ele é o seu problema?

 

Baek Hyun retrucou ao sentar-se no sofá, puxando as pernas contra o peito e as abraçando. Embora desejasse que seus braços se agarrassem ao corpo quente de Chan Yeol, ao invés de suas próprias pernas frias.

 

Chan Yeol se aproximou e sentou no sofá, mantendo uma curta distância de seu marido. E aquilo era ridículo, deveria estar se jogando em cima de Byun e o enchendo a paciência como um moleque, o fazendo sorrir como nos velhos tempos. E ao olhar para ele encolhido no sofá, fez aquele desejo parecer apenas um sonho distante.

 

— Mas é fácil falar para a Amélia? — indagou calmo.

 

Baek Hyun lhe retribuiu o olhar, só que o seu carregava surpresa, e o de Chan Yeol transbordava decepção.

 

— Como eu sei? — inquiriu retoricamente — Semana passada, quando chegou a conta do telefone...nunca tinha visto um certo número antes, mas tinha muitas ligações dele. Além de que você nunca foi de falar demais ao telefone também, já que tem seu inseparável celular. Por curiosidade, liguei para o número e uma mulher atendeu, chamando por seu nome e...ela parecia bem entusiasmada — desdenhou — Quando eu perguntei quem era, ela respondeu e ainda me perguntou se eu era o Chan Yeol.

 

— Não posso ter amigas que conheçam o meu marido?

 

— Nenhuma delas se chama Amélia, e tem uma voz depravada de atendente de Disksex.

 

Um sorriso sutil pintou os lábios de Baek Hyun. Chan Yeol tem a mania de usar palavras depreciativas quando está com ciúmes. Embora fosse errado, ficou minimamente satisfeito com aquela demonstração distorcida de afeto.

 

— É uma nova amiga.

 

— Tem certeza? Porque pelo número de ligações, e pela forma espontânea e despreocupada que falava com ela há pouco...achei que tinham algo a mais.

 

Embora o ciúme tivesse sua parcela encantadora, Baek Hyun não gostava do que vinha com tal sentimento: Suposições!

 

— Somos apenas amigos, — salientou aborrecido — que escutam um ao outro, sem fazer uma tempestade por causa de um mínimo detalhe.

 

— Claro… — riu de forma seca — mas...se não tinha nada a esconder, porque não me falou sobre ela?

 

— Porque eu sabia que iria reagir assim. Não iria entender que eu precisava de alguém para conversar...alguém que não me gritasse e me tratasse como um idiota por qualquer mínima coisa.

 

— Muito nobre o seu motivo, — ironizou, da forma que o marido esperava, e mais odiava — agora me diga...Conversar com ela está resolvendo os problemas entre nós?

 

...Ou está nos distanciando ainda mais? Porque eu sinto que quanto mais você é consolado por outras pessoas, eu sou esquecido por você. Eu não quero que me esqueça Baek Hyun. Não quero que a cada pessoa diferente que passe por seu caminho, você as compare a mim, e encontre nelas todas as qualidades que eu pareço não ter mais aos seus olhos. Era isso que Chan Yeol gostaria de exteriorizar.

 

— Então o que sugere que façamos? Não conseguimos conversar mais, Chan Yeol! — falou exaltado — Apenas vamos continuar piorando as coisas discutindo por cada coisinha o resto da vida? Ou vamos sentar e tentar entender de verdade um ao outro?

 

— Você fala como se eu nunca tentasse te entender. — disse cansado e Baek Hyun suspirou frustrado pelo marido estar desviando do objetivo que propôs — Eu também tenho necessidades, mas nem por isso fico falando com estranhos.

 

Baek Hyun abriu a boca para falar, mas voltou a fechá-la. Então o momento de silêncio se seguiu. Chan Yeol nunca conseguiria entender como aqueles olhinhos poderiam lhe dizer tanto. E a dor refletida neles era pior do que qualquer palavra proferida.

 

— Nós já nos tornamos estranhos um para o outro, Chan Yeol.

 

Baek Hyun sussurrou fraco a resposta. Admitir aquilo em voz alta para o seu marido era imensuravelmente doloroso.  

 

— Então apenas assine a droga dos papéis. — revidou, estarrecido pela verdade que não queria aceitar, e se levantou do sofá para logo após subir as escadas — Assim você pode falar com outros estranhos sem me ter ao seu lado para perturbar.

 

Chan Yeol não queria ter dito aquilo. Não queria seu marido com outra pessoa. Não o queria com estranhos. Ele não queria aceitar que era um estranho para Baek Hyun. Aquilo não fazia sentido. Como duas pessoas que se amaram, simplesmente fingiam apagar o passado e se colocavam em um posto ao qual jamais poderia retornar?

 

Eles poderiam ser muitas coisas: Idiotas, orgulhosos, infantis, ignorantes...mas nunca mais estranhos. Aquilo não era compatível. Chan Yeol não aceitava.

 

Porque Baek Hyun ainda não entendeu seu sinal de desespero?

 

O pedido do divórcio não era para ser de fato efetuado, mas quando disse isso pela primeira vez escutou a bela de uma motivação em forma de: Foda-se! Vá em frente.

 

E ele foi.

 

Pois estava cansado demais para ficar, embora inconformado demais para partir.

 

Então olhou ao seu redor. Para as quatro paredes de seu quarto. Para a cama que dividira com Baek Hyun. Aquele lugar era repleto de lembranças. Uma com sorrisos, abraços, beijos, amor e sexo. Quando que o desejo foi emergindo sob os problemas?

 

Chan Yeol sentou na beira de sua cama, olhou para a palma de suas mãos. Nelas não continha nenhuma resposta, mas ainda podia sentir todos os toques que dedicou a Baek Hyun arderem ali. Como se tivesse acabado de acariciá-lo, de tê-lo ali como costumava ser antes de tudo começar a ruir...



 

As mãos de Chan Yeol passeavam pela tez da coxa quente, e levemente suada, do marido, escutando seu ofegar a cada vez que movia seu corpo febril sobre o dele.

 

Era temporada de inverno, o frio tomava conta das ruas, embora abaixo daquele lençol tudo fosse tomado pelo calor.

 

Baek Hyun apertava a cintura do marido, descendo a mão por sua bunda, a pressionando ao lhe pedir mais intensidade nos movimentos. A cabeça de Chan Yeol foi de encontro ao ombro de Baek Hyun, que possuía um cheiro tão bom, tão convidativo. Assim como o interior apertado dele, que envolvia seu membro a cada nova estocada.

 

Sua mente nublava com tudo o que apenas aquele homem lhe proporcionava. E iria proporcionar mais, caso o telefone não tivesse começado a tocar.

 

— Amor, eu preciso atender. — Baek Hyun ofegou, mas não foi ouvido, visto que o marido passou a investir de forma mais rápida contra si, propositalmente  — É sério...Chan...

 

— Isto, — murmurou com o maxilar trincado, ao apertar a coxa do marido e se forçar mais contra ele, o ouvindo gemer — é mais importante que qualquer ligação.

 

— Pode ser do trabalho. — insistiu, tentando trazer alguma razão ao corpo que pedia por mais prazer, desgovernado.

 

— Foda-se, você vê isso depois. — disse bruto, tentando prender o corpo menor que o seu, mas foi empurrado para o lado, caindo com as costas no colchão e xingando alto por ter seu quase orgasmo interrompido.

 

— Que droga, Chan Yeol! — murmurou ao vestir uma calça e sair do quarto de forma afobada — Não é você que vai ser demitido.

 

Aquilo já vinha acontecendo com certa frequência: O momento especial entre eles, que deveria ser primordial, se tornando segundo ou até mesmo terceiro plano. Tornando Chan Yeol ainda mais impaciente e deixando Baek Hyun mais irritado.

 

Como teve que terminar tudo sozinho, no famigerado ‘cinco contra um’, fora até o banheiro se limpar, retornando a tempo de ver o marido adentrar o quarto com um suspiro cansado e uma leve ereção entre as pernas.

 

Quando voltaram para a cama, Chan Yeol ainda tentou lhe fazer um agrado, mas foi negado com ignorância.

 

— Desculpe, eu só estou exausto. — Baek Hyun falou ao apertar a cintura do marido, que estava visivelmente descontente, em um abraço apertado.

 

— Okay, tudo bem. — aquiesceu, passando a mão pelo braço que lhe adornava a cintura. Sempre amou a pela macia de Baek Hyun, tocá-la era simplesmente viciante. Apenas com aquele ato se sentiu abrandar e sorriu para o marido, que lhe encarava há um tempo já. Ele sempre teve essa mania de lhe dedicar longos olhares — Talvez devêssemos tirar umas férias, recarregar.

 

— Claro, — aquiesceu e fez uma expressão de pura impaciência — e quem vai pagar?

 

Chan Yeol respirou fundo e tentou controlar a língua. Ele realmente se aborrecia quando Baek Hyun agia assim. Desmancha prazeres. Contudo, procurou se afastar.

 

— Não, não. — Baek Hyun segurou em suas mãos, impedindo o marido de lhe dar as costas — Desculpe. Mas...olha, eu...sinto que estou levando toda a carga aqui. — confessou frustrado.

 

— Porque é assim que você gosta. — disse, ainda magoado — Assim você tem o controle.

 

— Do que você está falando?

 

— Nada, Baek… — suspirou cansado — Vamos apenas dormir.

 

— Não, não! — disse de forma grosseira — Não fuja da questão, Chan Yeol! Me diga...É isso que acha que eu faço? É assim que me vê?

 

— Amor…

 

— Eu trabalho o dia inteiro, para poder nos dar uma vida melhor. Sou pai de duas lindas crianças, o que não é nada fácil e a única pessoa que preciso para me dar forças está simplesmente aumentando meu fardo. Sinceramente, Chan Yeol, eu ainda tive esperanças de que você seria mais responsável. O que aconteceu com você? — indagou frustrado — Você costumava ser tão dedicado.

 

— Onde é que eu não estou me esforçando o suficiente? Em tudo? Não parou pra pensar que sua mania de controle me frustra? É ridículo isso...como acha que fiquei assim, se a cada mínima coisa que eu faço você encontra defeito?

 

— A culpa é minha por você ser relapso? Ótimo. — bateu palmas, esbanjando sarcasmo — O que mais é culpa minha?

 

Desde então as palavras foram ficando escassas. Afinal, do que adiantava começar a conversar e tudo virar um jogo onde eles disputavam de quem era a culpa, para que cada pequena coisa em suas vidas estivessem dando errado. Eles simplesmente cansaram de ter que explicar tudo o que faziam, ou tentavam fazer, em uma frase e ainda ter que defender-se. Era exaustivo demais.

 

Então sem a clareza das palavras bem expressadas, de antes, eles se perderam na escuridão do desconhecido.

 


Notas Finais


Agora sim posso flodar vocês haha

Olha, sei que alguns de vocês gostariam que a história andasse logo, mas esse começo é necessário para relatar com um pouco mais de profundidade a relação desgastada do casal. Só quero que entendam mais um pouco a situação atual. E claro, um pouco sobre essa decisão do Chan Yeol em relação ao divórcio, aiai, será que ele foi muito idiota, ou você faria a mesma coisa? E como o Baek fica nisso tudo? Podem me contar sobre o que acharam, caso queiram é claro ♡

No próximo capítulo teremos mais ação, viu?

Gosto de avisar que assim como escritora, sou leitora, então somos todos da mesma família aqui, na humildade, então os erros que passarem despercebidos, podem chegar junto e avisar que corrijo na hora, viu? Pois todo mundo erra e é isso aí ♡

Quero logo deixar um aviso, a próxima atualização também será numa quinta, pois não poderei postar na sexta. Então melhor chegar cedo do que atrasada haha

Novamente, obrigada pela receptividade de vocês pessoal. Espero que tenham uma boa semana ♡♡♡

~exbur


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