História Nascida para a morte - Vol. 1 - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Harry Potter, Magia, Mistério, Os Intrumentos Mortais
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Palavras 5.639
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capitulo dois - Caçada


Fanfic / Fanfiction Nascida para a morte - Vol. 1 - Capítulo 3 - Capitulo dois - Caçada

~01 de Março de 2016~

- Eu estou numa floresta, está de noite e estou correndo... Não, eu estou parada, mas ao mesmo tempo me vejo correndo... Hmm... É como se eu fosse uma atriz que assiste a si próprio num filme, sou um telespectador. Estou usando um vestido longo, algo que me lembra dos séculos passados, é como os de princesas, ele é preto, como as penas de um corvo, e em minha cabeça carrego uma coroa... A única vez que sonhei que era princesa foi quando tinha oito anos, não era nada assim, mas é estranho voltar a sonhar com isso, já cresci tanto... Hmm... Eu me escondo nas sombras das arvores, mas não sei do que me escondo. Eu sinto medo e adrenalina, aparentemente estou fugindo de algo que me apavora, e isso e deixa animada, é como se eu estivesse numa partida de xadrez jogando contra a própria morte encapuzada. Olho para cima e busco algo, procuro a lua e quando a encontro, estou parada em um de seus raios... Eu sei que a lua não emite raios, mas é isso, é como um raio de luz que só nasce entre as arvores quando está sol, mas nesse momento, a lua esta tão brilhosa e radiante quanto o sol. Eu me agacho no chão, no centro da luminosidade da lua e entoo palavras, eu não as reconheço, mas no sonho eu as sei de cor. Ao meu redor, fogo nasce da terra e cria um pentagrama, minhas mãos são levantadas ao céu e as palavras saem mais fortes e agora eu não sinto nada além do poder. Eu encaro a lua e a sinto emergindo em minhas veias, estamos sendo transformadas em uma só, ela esta me invocando e eu a estou possuindo, sinto a transformação, e também sinto que tudo é apenas o começo de algo grande, eu estou me transformando para algo maior, mais poderoso e nunca visto. Mas em seguida sinto tudo evacuar do meu corpo, e o meu eu telespectador vê a minha alma saindo de si próprio, como num desenho, onde o cartoon morre e vira um fantasma. Eu não sinto dor, e não vejo o tempo passar, por algum motivo eu não acredito nele, posso estar ali há horas ou há segundos, em meu sonho o tempo não existe e eu acredito nessa ideia. Abro os olhos como um ultimo ato de sobrevivência, para tentar sugar alguma força da lua, que em algum momento estava tão próxima de mim que a conseguia sentir como a minha própria alma, mas aquilo não existe mais e a lamina fria de uma adaga é cravada em meu coração, o golpe é duro e rápido. Agora sinto dor, ela machuca, mas isso não importa, porque eu perdi a partida de xadrez e a morte ganhou minha vida. Eu morri, eu fui traída, não tenho vida nem alma, tudo foi embora e o único que resta é a escuridão.

Cassandra abriu os olhos e encarou seu psicólogo. Ia fazer alguns meses desde que o visitava uma vez por semana sempre às 8 horas da manha. Desde que alegou ver uma mulher se transformando num lobo, seus pais acharam que a historia era algum tipo de tentativa de chamar a atenção, e o psicólogo dissera que era por conta de ter sido abandonada por seus pais verdadeiros - algo que Cassandra achava ridiculamente estupido, ela não se sentia mal pelo abandono, ela se esquecia disso na maior parte do tempo. "Não tem por que mexer no passado se já tenho um belo presente." Cassandra dizia isso para acalmar seus pais, ela era feliz com eles e não ia ficar pensando no que lhe aconteceu.

- Foi à primeira vez a ter esse sonho? – Dr. Louise perguntou, ele era careca e esboçava óculos enormes e redondos, ele ficava feio, mas engraçado, Cassandra tinha certeza de que ele não tinha uma namorada, e também que tinha pelo menos três gatos.

Cassandra balançou a cabeça em "sim" como resposta, e em seguida revirou os olhos, Enquanto Dr. Louise anotava aquilo em sua caderneta. Ele era entediante, falava o mínimo possível e não dava respostas para suas perguntas, ele era quase inútil, tudo o que Cassandra fazia com ele poderia fazer com uma amiga.

Ou com um cachorro.

- Então... – Cassandra suspirou. – Qual será a citação de hoje? – Em todas as consultas, antes de acabar, Dr. Louise recita algo que um homem velho e morto já falou.

Sorrindo levemente ele tirou os óculos e demorou alguns segundos para falar algo, talvez estivesse pensando ou se lembrando, mas por primeira vez, depois de tantas consultas, a citação escolhida fez sentido.

- Neil Gaiman era adorado pelas bruxas por que elas eram as únicas que o entendiam, então boa sorte.

"As pessoas pensam que sonhos não são reais apenas porque não são feitos de matéria, de partículas. Sonhos são reais. Mas eles são feitos de pontos de vista, de imagens, de memórias e trocadilhos, e de esperanças perdidas."

 

 

- Eu a estive vigiando por todos esses anos. – Mary disse enquanto descia as escadas da Mansão dos refugiados, Dallas estava ao seu lado e ouvia cada palavra com atenção. – Ela é linda, assim como todos acreditávamos que seria, os olhos âmbar do pai são enormes e curiosos, os cabelos negros da rainha caem em cachos pelos ombros da garota. – Mary adorava falar sobre Lua, e ficava muito animada, amava a garota mesmo sem ter falado com ela, talvez seja o sangue de Bruxa ou sua personalidade, mas era quase impossível não se apaixonar pela princesa.

- Ela é tão destemida, porém é desobediente irá irrita-lo, disso eu tenho certeza, mas mesmo assim você vera a paixão da vida nos olhos dela. – Mary disse sorrindo e parou de andar quando Rufus e Maximus se aproximaram deles do outro lado da escada.

- Vejo que esta animada, Senhorita Ferrais. – Maximus sorriu.

Não era preciso passar muito tempo com os irmãos para notar que Maximus era o gentil.

- Estou ansiosa, iremos resgatar Cassandra e leva-la de volta para seu verdadeiro mundo, vamos resgatar o nosso mundo, como não se animar? – Ela riu.

- Cassandra? Quem é Cassandra? – Rufus perguntou, virando-se para Mary.

- A princesa foi adotada, e sua família a nomeou de Cassandra Bones.

Um riso cortou o hall de entrada e Melinda apareceu por entre as sombras.

- Bones? Acho que já sabemos o que esperar desses mortais.*.

- O que ela quer dizer? – Mary perguntou encarando-a com pouca paciência, Mary era gentil com todos, mas Melinda não estava merecendo seu afeto.

- Melinda é uma fada. – Rufus respondeu cruzando os braços. – Sabe como são, adoram se divertir por cima de outras pessoas.

- Uma fada? – Mary ficou surpresa, tinha certeza que ela era uma guerreira da guarda negra.

E como se pudessem ler os pensamentos de Mary, Melinda respondeu num tom duro e rude.

- Sou uma mestiça. Nasci de fadas, porém com o sangue de um guerreiro negro.

- Mas diferente de Mel. – Maximus passou a afrente. – Seu irmão Adam, é só uma fada.

- E vocês, o que são?

- Somos... – Maximus olhou para Rufus que em seguida sorriu e balançou a cabeça, dando permissão para que o irmão prosseguisse. – Somos Incubus.

Mary deu um passo para trás por reflexo. Incubus são demônios em formas masculinas que se encontram com mulheres pela noite a fim de ter relações sexuais com elas para drenar sua energia e se alimentar, na maioria das vezes deixa-a viva, mas em condições muito frágeis, Max não parecia perigoso, mas Rufus a encarava como se estivesse com fome.

- Acho que não vamos poder nos aproximar da princesinha, não é mesmo? – Rufus riu.

Mary o encarou com severidade. Nem em um milhão de anos ela adivinharia que Maximus era um Incubus, Rufus sim, Max não. Ela sabia que não era uma opção, quem nascia Incubus ou Succubus (feminino da espécie) tinha que se alimentar da energia das do sexo oposto para sobreviver. Mary olhou para as roupas que os irmãos trajavam agora, Maximus não estava mais todo vestido de branco, somente sua camiseta, mas Rufus continuava do mesmo jeito, tirando a camisa preta. Comparar os trajes fez Mary penar quais seriam as atividades deles ontem, Maximus talvez estivesse estudando, ou se encontrando com alguém importante, e Rufus talvez estivesse caçando uma vitima, ou lutando com lobisomens adolescentes por diversão.

- Vamos? – Dallas saltou da escadaria e abriu a porta.

Daniel Bones era um artista famoso e estava abrindo uma galeria de arte em sua cidade, e para a inauguração, sua filha Cassandra lhe deu a ideia de fazer um baile como os de antigamente, já que suas obras eram renascentistas e românticas. Ao chegar do seu encontro semanal com o psicólogo, Cassie se deparou com o enorme fluxo de pessoas entrando e saindo de sua casa, alguns carregavam enormes vasos, e outros carregavam algumas obras de seu pai e outros apenas seguiam sua mãe que gritava ordem para todos enquanto falava em se celular.

- Cassie querida! – Vanessa sorriu e abraçou a filha. – Como foi à sessão?

- Ótima, ele me ajuda bastante, sabe. – Ela sorriu. – Conversamos sobre varias coisas, ele é um cara muito carismático e engraçado, acho que estou me apaixonando por aquele baixinho careca.

- Contanto que não largue os estudos pode se apaixonar por qualquer um. – Vanessa pegou da mão de um dos empregados um tecido branco. – Não arraste no chão! Isso é seda. – A mulher puxou o empregado junto a ela e foram ao jardim, parada na porta de vidro ela virou-se para a filha. – Seu vestido esta na sua cama. – E desapareceu.

Cassandra subiu as escadas com ansiedade, queria ver seu vestido, ela esperava que sua mãe tivesse se lembrado do fato delas terem gostos divergentes e não tivesse escolhido nada claro, ou amarelo. Abriu a porta do quarto com cuidado e olhou para cima da sua cama, a enorme capa preta estava ali, tropeçando até encontra-lo Cassandra abriu o zíper um pouco dramática, o tecido preto e brilhoso fez o coração da menina parar, sua garganta estava fechada e ela sentia vontade de vomitar.

- Isso é algum tipo de brincadeira?

O vestido era preto com perolas branco na horizontal do corpete que começavam na saia, no lado esquerdo e terminava na parte de cima do vestido ao lado direito, as mangas eram transparentes e brilhosas, a saia bufante á dava calafrios, ao toca-lo ela sentiu uma sensação ruim, uma energia pesada atravessando-lhe o corpo e logo sentiu vontade de joga-lo janela abaixo. Era o mesmo vestido do sonho.

 

 

Rufus dirigia o carro que agora levava todos até a casa de Cassandra. Mary estava ao lado do rapaz, guiando-o e apesar de ele entender, o olhar que ela o dava era desconfortável, a mulher o encarava com desconfiança e cautela, Rufus sabia o motivo, não eram muitos que gostavam da presença de um demônio, principalmente uma mulher.

A casa da herdeira resultava em uma corrida de 40 minutos desde a mansão, isso sem contar o transito que havia nas ruas mais agitadas.

- Por que vocês escolheram uma mini van como carro? É uma escolha peculiar. – Mary perguntou tentando não fazer com que a sua voz mostrasse o desconforto de estar ao lado de Rufus.

- Tivemos que salvar muitas pessoas que ultrapassarão o portal dos mundos. – Melinda respondeu sem expressão. – Acha que seria possível resgatar uma família inteira com um carro esporte?

Quando a noticia de que existia um portal para o mundo humano se espalhou pelas terras deprimentes de Fairvale, foi só questão de tempo até que metade da população viajasse a fronteira das três cidades e buscasse a tal salvação. Em meio à transição, foi difícil encontrar a todos os fugitivos, muitos caíram em lugares distantes da mansão, então por um tempo a única tarefa de todos lá era localizar todos os que conseguiram escapar, foram necessários mais de três bruxas e feiticeiros para localizar, pessoas a quilômetros de distancia era fácil de encontrar, mas seres que caíram em outro país levavam semanas para se souber o paradeiro. Os fugitivos só eram descobertos por conta de colegas e familiares já resgatados que avisavam o desaparecimento, por conta da falta de informação, muitos viajantes solitários se encontram perdidos até hoje.

Fairvale era - num mapa mundano - um país, dividido em cidades e algumas aldeias, porém três cidades se destacavam por beleza, tamanho e importância, a mais importante cidade era a Mormant, era aonde se encontrava o castelo real, era o lugar mais bonito do país, é uma terra gelada e escura. Mormant nunca deu medo apesar de sua aparência sombria e poderosa por conta da bondade da família real, os O’Brien eram gentis e justos, passavam segurança e felicidade ao país, o reinado deles era prospero. Bon Brás de Lov era a cidade das fadas, o regente de lá era Kirlon Golden, pai de Melinda, Bon Brás era brilhante, suas florestas pareciam estar cobertas por purpura e o vento era perfumado, Mormant era a cidade importante, mas Brás era a bela, aldeões diziam que a cidade das fadas era bela para esconder a feiura do interior de seus moradores, os ventos eram cheirosos para ocultar o odor da morte, os boatos seguiram rumo até as outras cidades após Kirlon expulsar sua filha e herdeira do trono da cidade por que se descobriu que o cancelamento do casamento de Melinda com um rico fada foi dado ao fato dela gostar de garotas, Melinda não havia ficado surpresa, já sabia do seu destino assim que soube o que significava ter sangue de guerreiro negro, a descoberta do gosto peculiar de Melinda foi apenas um pretexto para o inevitável. Âmbar é a maior cidade de Fairvale e também a mais perigosa, sua população é regida por vampiros, em nenhuma cidade é restrita a entrada de espécies, porém, quem iria conseguir viver com sangues sugas que matam por diversão? Nenhuma família, pelo menos. Em Mormant há tanto bruxos quanto sereias, assim como nas cidades menores a população é divida, enquanto em Bon Brás de Lov nenhuma outra espécie deseje morar por conta de Kirlon, em Âmbar, é por conta do perigo, ela é coordenado por, hoje o famoso Gordon, o braço esquerdo de Lorde Sanson. Gordon é sanguinário e a matança lá é permitida, em Âmbar nasceu o mercado negro que é protegido por Gordon, lá só sobrevive o mais forte... Ou o mais mentiroso.

- O que aconteceu com o portal? Havia boatos de que fora fechado, algo que seria improvável, a magica usada para cria-lo é muito forte, não teria como acabar assim.

- Exato. – Dallas levantou o dedo ao falar. – O portal dos mundos é indestrutível, mas não é protegido, qualquer ser com magica ou com um bom bruxo ao lado conseguiria esconde-lo. – Ele olhou para fora, sua expressão era distante e inexpressiva.  – Sanson tinha em mente a dominação do mundo místico há muito tempo, ele pensou em todo, escondeu o portal para que ninguém fugisse e que ninguém entrasse para destruir seu reinado.

- Mas Cassie o destruirá e exibirá sua cabeça arrancada como troféu. - Mary falou com otimismo.

- Para uma mulher de sua idade você deveria ser menos ingênua. – Melinda rosnou e todos a encararam.

- Cala a boca, Mel. – Maximus a encarou com a mandíbula tensa, desde que havia saído Rufus havia notado o quão duro estava seu irmão. Talvez só não tivesse se alimentado, mas encarando-o pelo espelho da frente Rufus sentiu que era mais que isso.

- Vocês poderiam parar de fingirem tanto otimismo? Essa garota viveu como mortal toda a vida, o que vocês acham que a fariam acreditar em cinco pessoas que ela nuca viu?

- Você não a conhece. Cassandra vai acreditar em nós. - Aquelas foram as ultimas palavras dedas por qualquer um no carro até chegarem ao destino.

Ao estacionarem o carro na calçada da frente da casa de Cassandra eles esperaram, encarando com ansiedade para todos que entravam e saiam da casa, Dallas já impaciente gritava quando garotas saiam da casa, perguntando se Cassandra era alguma delas.

Rufus já deixara de encarar as pessoas em voltada da casa, agora já havia desistido de esperar, estavam ali há quanto tempo? 20 minutos?

O grito de alegria de Mary o fez encarar a casa, igual a todos. Uma garota descia as escadas da porta principal ao gramado, ela passava por todos com agilidade, parecia que dançava por entre as pessoas e não pode deixar de imagina-la fazendo um ritual de bruxas, ela certamente se moveria com aquela agilidade e suavidade quando estivesse fazendo um. Rufus não tinham parentes mágicos, mas já havia presenciados alguns rituais. A menina usava um vestido preto e um casaco, sobretudo da mesma cor, os grandes colares de pedras e a gargantilha com um crucifixo como pingente se destacava junto com os dedos cheios de anéis e um livro de capa preta. Rufus encarou o irmão e viu os olhos dele brilhando, a animação que Maximus não tivera durante a viagem estava de volta e logo se voltou para encarar Melinda.

– Veja para onde ela vai.

A garota encarou a princesa por alguns segundos e fechou os olhos buscando ouvir algo em sua mente, Melinda assim como qualquer guerreiro tinha o poder se ouvir os pensamentos de qualquer outro ser, era um poder necessário para situações de evitar tortura de mal feitores, Malia havia criado esse poder, o batizado de um guerreiro negro era delicado, para que um nascido guerreiro adquirisse seus poderes ele teria que ser abençoado pelo herdeiro do poder de Hecate, e a rainha Malia que com sua extrema bondade não aguentava ouvir os gritos de desespero de prisioneiros torturados, decidiu acrescentar aos novos guerreiros o poder de leitura da mente, assim saberiam a verdade sem machucar.

Mas o único que conseguiu ouvir foi um riso que vinha de fora de sua cabeça, da boca de Mary.

- Nenhum guerreiro consegue ler os pensamentos de uma bruxa lumina com a linhagem pura como Cassandra.

- Então o que sugere loba. – Melinda encarou-a furiosa.

- Ah três dias, Cassandra foi à biblioteca e pegou esse livro. - Ela apontou para o livro de capa preta. - Ela deve estar indo devolvê-lo.

- Ligue o carro, não temos tempo a perder. – Dallas falou sentando-se novamente no banco.

 

Cassandra havia decidido deixar o carro em casa e ir a pé até a biblioteca, o tempo frio que Seattle se encontrava lhe dava prazer em longas caminhadas – mesmo que a distancia de sua casa a biblioteca seja a apenas alguns quarteirões - o livro que carregava era decorado para se parecer com um antigo diário, ou grimório já que falava sobre á historia de Salem e a caça as bruxas, Cassie sempre gostou do sobrenatural e da tragédia, aquele livro era perfeito para ela, que o devorou em dois dias.

Ela abriu a porta da biblioteca e um sino tocou fazendo com que as poucas pessoas ali – talvez cinco ou 6 – olhassem para ela e logo voltassem à hipnose dos computadores.

- Cassandra! – A menina foi surpreendida por uma mulher de cabelo castanho e curto, o rosto era fino assim como seu corpo que era esguio e alto, estava vestindo algo de couro preto, uma calça e uma camiseta de golas altas. – É ótimo vê-la.

Cassandra a encarou com desconfiança.

- Como você sabe meu nome?

A mulher deu um pequeno sorriso.

- Sou Mary Ferrais, sou a substituta da bibliotecária Sra. Elizabeth, ela me falou muito de você Cassandra.

- E como você sabe que eu sou eu? Digo, como sabe que eu sou a pessoa da qual Liz falava?

A Mary sorriu outra vez nervosa e desejou não ter transparecido, ela apontou para as mãos de Cassandra.

- Você é a única que esta com um livro na mão, assim como "Liz" disse que teria. - Tudo o que queria era puxar a menina para fora, mas teve que se controlar, por que assim, não haveria maneira alguma de Cassandra ir com eles até a mansão.

- E por que ela não está aqui? - Ela olhou em volta buscando a senhora doce que trabalhava ali.

- Oh, porque ela está amarrada num quarto. – Mary riu da expressão de susto que a menina deu. – E um forma de disser pequenina, ela esta ocupada com alguns documentos.

 

 

Melinda encarou o espaço escuro, ela conseguia sentir a presença de Rufus ao seu lado, da velha bibliotecária amarrada ao seu lado, Max em sua frente e Dallas ao lado dele. Mel imediatamente sentiu vontade de gritar, ela era uma guerreira, não devia ficar sentada numa sala escura vigiando uma mulher da terceira idade que estava amarrada e amordaçada.

- Não aguento mais. – Rufus se levantou e abriu a porta da sala onde estavam. – Eu vou ver o que está acontecendo.

- Rufus! – Dallas segurou-lhe o braço e o garoto saltou para trás, apesar de não ter visto nada, Melinda sabia que Dallas havia dado um choque no amigo. Dallas era como Melinda gostava de chamar "um fio ambulante de eletricidade." – Não faça nenhuma besteira, volte e vamos esperar.

- Esperar o que? Uma mortal aceitar que existem coisas maiores que sua existência? Isso vai levar mais do que alguns minutos Dallas.

Dallas era sábio e um líder nato, mas não se podia negar que agora ele parecia um tolo num quarto escuro ao lado de uma mundana velha e três crianças. Mas ele estava impotente, era certa que para fazer Cassandra cooperar seria necessário paciência para lhe explicar tudo, mas também era certo que havia enormes probabilidades dela não acreditar em nenhuma palavra.

- Então o que sugere. – Max se levantou. – Puxar a menina para a mansão e obriga-la a se invocar?

Rufus deu de ombros e se virou, saindo da sala. – Sim.

- Rufus, volte! – Maximus correu para fora da sala.

Dallas encarou a garota e a senhora e depois a porta.

- Não, Dallas, você não pode me deixar sozinha aqui para cuidar da vovó. – Ele se levantou e o encarou com raiva e suplica.

- Melinda, não seja petulante. – Ele correu atrás dos meninos que discutiam alto no corredor.

- Isso é tão injusto. – Melinda cruzou os braços e olhou para a senhora.

 

Mary pego o livro que Cassandra a devolvera e há olhou um pouco perdida, ela não fazia ideia de qual seria o próximo passo de uma bibliotecária. Cassandra encarava as prateleiras de livros com um pouco de ansiedade, sem dar atenção para a mulher ao seu lado, mas ela sabia que Mary a encarava.

- Cassandra? – A garota não piscou. – Cassandra, querida. – Ela estralou os dedos e a menina voltou a orbita. – Tudo bem? Você parece um pouco nervosa, precisa de algo?

- Não! – A menina falou alto e rápido, e encarou o chão. – Sim, eu preciso. – Ela encarou Mary suplicante, os olhos eram hipnotizantes e exalavam preocupação. – Não sou supersticiosa, na verdade eu me rotulo realista, mas essa coincidência me assustou. – Cassandra voltou à atenção aos livros.

- Vamos pequena, conte-me. – Mary pediu. – Talvez possa te ajudar.

- O que eu preciso é que me ajude a descobrir o que significa isso. – Cassandra puxou do bolço um papel dobrado. – Eu o desenhei agora pouco, antes de sair de casa, foi uma lembrança de um sonho, não sei o que é nem o que significa minha mente só me mandou fazer isso.

Desenhado no papel estava um pentagrama e em cima algumas palavras reluziam:            

Ipsum invocat

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Mary a encarou e não conseguiu conter o sorriso e puxou a menina para dentro das estantes

Mary a encarou e não conseguiu conter o sorriso e puxou a menina para dentro das estantes. Mary sabia aonde ia, ela não era bruxa, mas tinha que saber tudo sobre bruxaria para quando o dia da invocação chegasse, para auxiliar Cassandra.

Puxando um dos livros da prateleira ela abriu numa pagina especifica e entregou para a garota, enquanto buscava outro. Os livros eram de capa duras e marrons, identificação, mas pela pelas escritas nas paginas, Cassandra sabia que se tratava de um livro de bruxarias.

- É permitido ter livros assim aqui?

- Acho que não, mas não importam, eles nos servirão.

Mary agarrou o livro da mão da menina e colocou-o sobre o segundo livro que ela tinha em mãos, mostrando somente uma parte do que cada um deles dizia.

- Ninguém sabe ao certo o que realmente é bruxaria e o mundo sobrenatural, só sabem fragmentos, mas como num quebra-cabeça você tem que montar. – Ela sorriu e mostrou para a menina o livro. – Esse é um ritual de Invocação.

Cassandra arregalou os olhos e a encarou assustada.

- Não era isso que esta em mente, não quero invocar um domínio ou algo assim.

- Em seu papel, está desenhado um pentagrama, um símbolo de invocações e rituais, e em latim esta escrito: Invoque a si mesma.

- Tudo bem. – Ela falou meio assustada. – Acho que você esta mais louca que eu. – Mary se surpreendeu com as palavras. – Não vou invocar nada, pode esquecer. – Cassandra virou-se e seguiu para fora.

- E você? – Mary falou, fazendo Cassandra parar. – Poderá esquecer?

 

 

Rufus desceu as escadas do segundo andar da biblioteca e virou o rosto em busca do irmão, Dallas havia puxado Max para longe dele quando desistiram de tentar impedi-lo, já que todos sabiam que por mais que Maximus ou qualquer pedisse mil razões para não fazer algo, ele faria.

O impacto surgiu antes da consciência de que havia colidido com alguém. Rufus encarou os cabelos pretos e desceu para os olhos, âmbares brilhantes e hipnotizantes, até que atrás da menina viu Mary correndo e gritando o nome dela.

A menina encarou o rapaz por alguns minutos até tentar passar a frente, mas foi impedida por uma mão forte que puxa seu pulso.

- Cassandra Bones! – Ele exclamou com excitação. – Você não é o que eu esperava. – Ele a olhou de cima a baixo. – Achei que fosse mais alta.

Cassie abriu a boca para responder, mas foi impedida por Mary.

- Solte-a Rufus. – Foi o único que a mulher precisou falar para ele fazer, algo que a surpreendeu.

- Ah. - Ela suspirou. - É claro que vocês se conhecem. – Cassandra resmunou. – O que vocês malucos querem? O que são? Adoradores do diabo?

- Não, claro que não. – Mary exclamou.

- Bem, eu sou um demônio.

Cassandra encarou-os por alguns instantes e abriu a boca como se fosse falar, mas então se virou e correu. Rufus a seguiu estava quase a alcançando quando viu na parte de cima da biblioteca, ande estava há alguns minutos uma figura pálida o rosto simétrico e belo, uma garota de cabelos dourados e dentes afiados. Rufus pulou numa das mesas redondas de madeira, o som alto fez Cassandra parar e os zumbis de computadores encararem o moreno. A vampira encarou Rufus e sorriu algo malicioso e frio.

Mary deu um grito e Rufus virou sua atenção para onde a mulher olhava horrorizada, os adolescentes que há segundos estava encarando as telas do computador agora estava estirados sobre eles, os olhos sem vida e o corpo sem sangue.

 

 

- Talvez você devesse ir atrás da princesa. - Melinda havia tirado a mordaça da senhora e depois de alguns minutos, essa fora a única frase que a mulher falara.

- Como... – Melinda estava espantada.

- "Como..." – A senhora imitou a voz dela como se fosse uma criança de cinco anos. – Eu sei sobre vocês, menina.

Não era comum mundanos saberem sobre o mundo sobrenatural, só havia poucos meios disso acontecer, um mundano poderia nascer como um obstinado, significando assim ser como a "ponte" entre os mundos Mortal / sobrenatural. Ou você poderia ser um guardião, vivendo uma vida dedicada a causa, se casando e tendo filhos já sabendo do destino deles, um poder hereditário que só pode acabar com a morte sem o nascimento, uma família deixa de ser enfeitiçada quando o atual guardião não deixar um herdeiro para ocupar seu posto. E encarando a velha senhora agora, Melinda sabia quem ela era.

- Você é a guardiã, é o elo entre o mundo sobrenatural e o mundo humano. – Melinda deixou escapar um sorriso.

- Sua raça Fada devia te dar vantagem como guerreira, mas você não gosta de sua origem, não é mesmo? – Elizabeth a encarou. – Você finge não ter sentimentos e não se importar com os outros, mas sente um enorme vazio, sua raça te abandonou quando viram seu sangue da guarda negra. Você é filha do rei da hierarquia fada. - A mulher era rígida, falava com dureza, seu objetivo era ferir. - Que desonra deve ser ter uma filha impura, nascida fada, porém obrigada a dar à vida a família real do mundo sobrenatural. – A mulher riu. – Fadas são orgulhosas e odeiam o resto do mundo magico, por isso tem seu próprio governo. Mas, também tem outra coisa que fez com que fosse odiada por sua espécie, é seu gosto para relacionamentos, acertei? – Liz parecia estar se divertido com a situação.

Melinda estava com o rosto sem expressão, como se tivessem enfiado uma adaga em seu coração, mas o que a mulher fez foi pior, esfregou em seu rosto os seus medos, fraquezas e segredos.

- Fale alguma coisa a mais e eu juro que corto sua garganta. – Melinda rosnou com uma adaga apertada na garganta da mulher.

- Como eu disse... – Liz começou e Mel afundou a lamina fazendo um corte superficial na pele da senhora – Acho melhor você ir atrás da princesa, se você se concentrar irá notar o cheiro de vampiros pelo prédio. – Melinda encarou a mulher e calculou os atos, prestando atenção nela e no cheiro. Infelizmente ela estava certa. – Melhor correr!

 

 

Como num filme de terror, inúmeras pessoas passaram a entrar na biblioteca, Rufus lutava com dois vampiros na parte superior enquanto Mary – que agora estava no primeiro estagio da transformação em lobo – lutava com mais dois, ao seu lado estavam mais dois homens, um aparentava a idade de Rufus e o outro era mais velho. Cassandra se escondeu entre as prateleiras, Rufus havia mandado ela se esconder após salva-la das mãos geladas de um morto vivo, ela obedeceu à ordem por alguns minutos, ela estava escondida até ver o quão em desvantagem eles estavam Rufus era forte e um bom lutador, ninguém nunca o acertava, mas mesmo sendo muito bons, os números o venceriam, e Mary que mordia e quase chorava, ela aparentemente não gostava de matar. A menina não aguentava ficar escondida enquanto via os dois num eminente suicídio então se levantou com uma súbita carga de coragem e buscou algo para se defender, mas o único que havia ali eram livros, e nenhum era pesado o bastante para nocautear um. Cassie puxou uma cadeira de madeira e a jogou contra a parede com força, o barulho alto fez com que a encarassem e ela xingou por isso. Dois homens correram em sua direção, o primeiro a puxou pela mão e a empurrou na parede, ela viu as presas e se assustou.

- Vampiro. – sussurrou com um pouco de raiva e empurrou o pedaço afiada da cadeira de madeira na barriga dele.

Não satisfeita com a expressão de dor dele, Cassandra retirou o pedaço de madeira da barriga do vampiro e o apunhalou novamente no coração, dessa vez forçando a madeira para que quebrasse dentro da pele dele.

O segundo vampiro puxou o resto do pedaço de madeira que ela segurava e jogou no chão, pegando os braços da princesa e a prendendo enquanto um terceiro se aproximava.  Tudo passou rápido, os vampiros encurralaram todos que ali poderiam ajuda-la, até mesmo o homem de meia idade que havia se juntado ao grupo encarava-a com desespero enquanto de suas mãos raios saiam e vampiros caiam carbonizados. Uma silhueta magra e vestida de couro preto pulou em cima do terceiro vampiro e afundou uma adaga no coração dele, que caiu no chão ao lado do vampiro que Cassandra havia matado, do seu ferimento saia fumaça, como se estivesse queimando a carne dele. A garota de cabelos brancos encarou o segundo vampiro que puxou Cassandra para si, e exibiu o pescoço da menina já se preparando para mordê-la, como reflexo Cassandra jogou a cabeça para trás com força colidindo contra a do vampiro, que cambaleou. Jogando-se para frente ela virou-se e deu um chute nas costelas dele, jogando-o para a garota ao seu lado que o esperava com a adaga em punho que atravessou seu peito rápido, o segundo vampiro também caiu e Cassandra encarou o cinto do macacão de couro cheio de armas, ela puxou a adaga da mão da pálida garota e se jogou para dentro da multidão de vampiros. Melinda estava de guarda, prestando atenção em si e na princesa que apesar de notavelmente assustada ainda lutava ferozmente, olhando de perto dava para notar que os olhos da princesa estavam marejados, talvez tivesse se machucado, talvez estivesse com muito mais medo do que Mel achava ou talvez fosse horror de estar com as mãos sujas.

 

Todos estavam juntos encarando os vampiros ao seu redor, havia pelo menos quinze em pés e sete no chão. Dallas estava machucado, sangre escorria de sua cabeça.

- Meninos. – Ele chamou. – Vamos para a mansão!

Ao terminar o comando, os vampiros avançaram e os seis foram levados por uma sombra negra, a sensação do tele transporte era horrível, a pressão fazia com que a cabeça de todos – menos dos Incubus – explodisse.

Cassandra abriu os olhos enjoados e encarou um enorme salão antigo, como os salões de baile que aconteciam em séculos passados, ele estava vazio e com a aparência triste, e mesmo com muita vontade de vomitar o lugar ainda era poético.

 



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