História Nascida para a morte - Vol. 1 - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Harry Potter, Magia, Mistério, Os Intrumentos Mortais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capitulo três - Invocação


Fanfic / Fanfiction Nascida para a morte - Vol. 1 - Capítulo 4 - Capitulo três - Invocação

~01 de Março de 2016~

Cassandra encarou os livros da sala de reunião, ela estava sentada na mesa-redonda enquanto Dallas e Rufus conversavam sobre o fato de como os vampiros descobriram o paradeiro da menina. Maximus mexia em saquinhos de chá, Melinda e Mary estavam no andar de baixo, tentando acalmar os moradores da mansão que gritavam sobre querer ver a princesa, que Cassie presumiu estarem se referindo a ela.

- Ei! – Ela chamou Dallas e Rufus, nenhum dos dois a deu atenção.

- Nem gaste a voz. – Max apareceu ao lado dela com uma xícara. – Tome, vai fazer você se acalmar. – Ele a ofereceu a xícara.

- Não tomo chá. – A menina se levantou e os dois se viraram.

- Eu aceito Max. – Dallas pegou a xícara e levou-a a boca, Cassie o olhou e apesar de ser um adulto de meia idade, ele era charmoso como os atores de filmes antigos, como se tivesse nascido para ser regente ou algo do tipo.

Melinda abriu a porta da sala e deu um pequeno sorriso para Cassandra, algo sem maldade nem sarcasmo, foi simpático e verdadeiro e logo se sentou à mesa, Mary que vinha atrás carregava alguns aranhões nos braços.

- O que aconteceu? – Cassandra falou um pouco alto.

Os machucados não eram da luta com os vampiros por que aqueles já haviam se curado, todos ali já estavam sem sangue ou cicatriz, isso assustou um pouco Cassandra, mas não a surpreendeu.

- Alguns lobos são muito incompreensíveis. – Ela disse e se aproximou de Dallas, falando algo em seu ouvido.

Rufus se aproximou em silencio enquanto todos prestavam atenção no que Dallas dizia, sobre agora sermos mais do que nunca cuidadosos, e a entregou-a um copo meio cheio de um liquido transparente.

- O que é isso? – Ela sussurrou. – Sangue de demônio?

- Não. – Rufus falou serio. – É Uísque. Para te ajudar na hora em que lhe contarem tudo.

Cassandra pegou o copo com rapidez e antes de coloca-lo na boca ele foi tirado dela, Mary encarava Rufus com reprovação e batia o pé impaciente.

- Nada disso. – Ela o entregou o copo. – Chá quente para a menina, agora.

Rufus bebeu o liquido numa colada e foi até a mesa onde tinha a bandeja de bebidas e colocou o copo ao lado da xícara de chá limpa, os cabelos negros e grandes caiam para frente e ele os tirava do rosto com certa vontade, como se soubesse que ficava muito sexy ao fazê-lo e como se soubesse que Cassandra o olhava ao fazer isso, ela sorriu ao ver que ao invés de colocar água quente na xícara ele colocara Uísque novamente, enquanto encarava Mary se assegurando de que ela não veria o que estava fazendo.

-... Você ficará aqui até segunda ordem. – A ultima frase de Dallas fez Cassandra voltar para a terra.

- Não. – Ela balançou a cabeça e todos a encaravam. – Não conheço vocês, não sei o que querem ou que lugar seja esse e o porquê daquelas coisas estarem me seguindo. – Ela respirou fundo. – O único que sei é que tudo isso só aconteceu por causa de vocês. – Rufus entregou a ela a xícara com chá de mentira. – Se eu não tivesse me encontrado com a senhora "invoque a si mesma"- Ela imitou a voz de Mary. - Nada disso teria acontecido. – Ela suspirou e bebeu tudo da xícara rapidamente.

Melinda se aproximou de Rufus, prestando atenção enquanto Dallas e Mary tentavam explicar o mínimo possível da situação.

- Colocar bebida numa xícara e entregar para uma princesa? Você esta piorando a cada ano.

- Ciúmes? – Ele piscou e voltou sua atenção a conversa.

- Meninos. – Dallas se virou para os três. – Deixe-nos a sós.

Como pedido, os garotos saíram da sala e Mary pegou alguns livros de couro preto da estante e entregou-os para Cassandra, ao abri-los ela viu anotações à mão e datas, como se fosse um diário.

- Esse é o diário da sua mãe. – Mary apontou para o nome escrito na parte de cima da pagina de rosto. – Rainha Malia O'Brien.

- Não. – Cassandra a encarou. – Minha mãe é Vanessa Bones, acho que estão me confundindo com outra pessoa.

- Malia O'Brien é sua mãe biológica.

Cassandra riu e jogou os diários na mesa.

- Vocês são loucos. – Ela falou com certeza. - Ou pegaram a pessoa errada.

- Pense bem Cassandra, você nunca se sentiu atraída pela magia? Nunca sentiu como se não se pertencesse a esse mundo? – Mary disse se aproximando, em seu olhar ela exalava esperança.

- Não. – Cassandra se levantou, mas antes de puxar a maçaneta da porta, Dallas a parou e puxou-lhe o braço.

- Ao menos leve o livro de sua mãe. – Pediu.

Sem encara-los, ela puxou o livro da mão de Dallas e saiu pela porta, passando rápido por Max, Rufus e Melinda.

No corredor não havia ninguém, se não fosse o barulho de crianças brincando na parte de trás da mansão. Antes de sair, Cassandra a olhou com atenção, mansão era um apelido, o lugar parecia um enorme castelo onde moravam centenas de pessoas, uma escadaria gigante de dividia em duas, Max as identificava como ala leste e oeste, igual aos filmes – Max que já havia assistido milhares, adorava e sabia muito sobre o mundo mundano, Rufus e Melinda por outro lado sabiam somente o que era um carro – nas alas se estendiam corredores e escadas, portas e mais portas, no primeiro andar ficava o refeitório, o hall de entrada, salão principal e entre outros lugares que Dallas não lhe apresentou. Ao sair pela porta principal, Cassandra olhou para o movimento da cidade, era como se nada tivesse ali, nenhum castelo cinza com um jardim enorme com algumas estatuas criadas por artistas que moravam ali dentro, segundo Mary, fadas eram as melhores artistas, menos Melinda, por que Melinda não é uma fada normal, ela é uma guerreira, Cassandra não entendeu direito a diferença, mas ela poderia entender se ficasse.

Faltavam duas horas para as 21h00min, ou seja, faltavam duas horas para o baile começar e Cassandra ainda estava deitada em sua cama, lendo o diário de sua suposta mãe. Ela se pegara rindo de algumas cenas e se apaixonando pelo jeito dela, e não conseguia parar de comparar suas ações as dela. Como por exemplo, o primeiro encontro dela com Rob - seu pai, o rei - Malia havia escapado do castelo, alegava não aguentar mais as aulas de criaturas magicas então deu um intervalo, se esgueirando por uma das passagens secretas de seu quarto e seguindo rumo até os estábulos onde pegou um cavalo e desceu para a cidade, Mormant era sombria e bela, uma ótima atmosfera para qualquer tipo de espécie que deseje morar lá, até mesmo sereias que nadavam alegremente nos rios, Malia se encontrou com Rob quando estava conversando com uma das sereias de cabelo claro e pele rosa, a princesa sabia quão traiçoeiras elas eram, mais ainda que as fadas e se não fosse por esse bruxo que espantou a escamosa, Malia hoje estaria no fundo do oceano, sendo obrigada a viver petrificada em baixo das águas.

- Nunca, nunca aceite uma alga de uma sereia. - Ele falara com preocupação. - Elas servem para muitas coisas, como por exemplo, petrifica-la.

- Mas... - Malia ainda se encontrava em hipnose da voz da sereia, ela não havia cantado, mas somente com a fala já era nítido seu poder de manipulação. - Ela ia me fazer respirar em baixo da água.

- Quando se está petrificada em baixo da água, você consegue respirar, nunca acredite numa sereia, elas irão mentir e enganar para leva-la para o fundo com elas.

Depois disso, Rob a levou de volta para as redondezas do castelo, onde ela ficaria segura e antes de ir embora, Malia pediu para que seu salvador ficasse e foi por conta da imensa proteção que ele tinha sobre ela que a fez se apaixonar.

Rob era um bruxo, não tinha linhagem lumina como a de sua mãe, mas Malia havia usado um antigo e extinto encantamento para mudar o sangue do marido. Malia era a filha dos reis, nascia pura, mas seu irmão não, Sanson foi fruto de uma traição, mas mesmo que nascesse de outro ser era para seu sangue ser puro se seu pai, um vampiro de uma aldeia mais canibal que Âmbar. Sanson era um hibrido meio bruxo, meio vampiro, mas se usasse qualquer tipo de magia sua imortalidade acabaria gradativamente junto ao uso dos poderes.

""... Quando peguei aquele pequeno corpo em meus braços, senti como se fogos de artifícios estivessem sendo jogados para fora do meu corpo, tocar em minha filha era a sensação mais bela que já senti, o sorriso que ela deu foi encantador, ele iluminou seu pequeno rosto, e o meu também, Rob me encarava com orgulho e atrás dele Dallas chorava, talvez de alegria ou talvez de tristeza, não sei ao certo, mas o que sei é que ele não é o único que queria que ela fosse nossa filha. Naquele momento, pensar em ter uma filha com Dallas machucou, eu amo Rob e sempre o vou amar, mas depois de tudo pelo o que passamos, não consigo mais olhar para Rob da mesma maneira, talvez eu me tivesse apaixonado por Dallas, ou talvez só estivesse transferindo meu afeto para a única pessoa que não me fazia querer vomitar ao olhar. Mas hoje não é dia de pensar nisso, hoje é o dia de comemorar e lamentar o nascimento da herdeira, Lua O'Brien, a mais bela das belas, talvez eu te escreva uma historia para lhe contar todas as noites, posso começar a escrever sua historia, mas você terá que termina-la, e escreva com cuidado minha querida, sua vida não será uma das mais belas, mas eu estarei ao seu lado, sempre minha princesinha. Nos contos, quando o começo é péssimo, o final é feliz. Espero que seja assim.

"Era uma vez uma princesa linda com uma maldição horrenda, ela morreria para salvar um mundo do qual não poderia desfruta-lo, ela morreria pelos os que a amavam, mas não poderia ama-los, ela morreria...".

Cassandra fechou o livro meio atordoada, e olhou para o relógio, uma hora havia se passado.

- Cassandra, você está pronta querida? – Sua mãe estava chamando-a.

- Sim, mãe. – Ela desceu da cama. – Já estou descendo.

- Tudo bem querida. – Vanessa deu alguns passos, mas voltou para a porta e bateu novamente. – Filha, você sabe onde está o seu pai? Já liguei para ele várias vezes, o celular está desligado.

- Talvez esteja pintando, sabe como ele fica quando esta ansioso. - Daniel pintava sempre que suas emoções transbordavam de si, era uma válvula de escape, Cassandra lia, Vanessa gastava e Daniel pintava.

- Vá se arrumar querida, vou procura-lo.

A menina tomou um banho demorado, e quando saiu do banheiro se deparou com três mulheres em seu quarto - Amanda, Rachel e Melissa - elas exibiam belos sorrisos ao se apresentarem e falarem quais seriam suas tarefas - maquiagem, penteado e roupa -

- Não preciso de ajuda com a roupa, sei me vestir sozinha, obrigada. - Cassandra não quis que seu tom fosse rude, mas não teve sucesso.

- Você certamente nunca usou um vestido de baile, não? - Melissa sorriu. - Terá sorte se eu não precisar da ajuda delas duas enquanto estiver apertando o seu corpete. - E sem aviso, as três começaram a trabalhar.

Amanda puxou Cassandra para uma cadeira e começou a cuidar da pele da menina, colocando base e pó, enquanto isso Rachel penteava os cabelos pretos da garota e Melissa abria o corpete e a colocava a armação de ferro do vestido ao lado da cama.

Agora só lhe restavam trinta minutos e o único que faltava era colocar o vestido. A maquiagem escura destacava seus olhos, e o cabelo preto estava preso em cachos dramáticos. Cassandra passou os dedos pelo tecido fino e sedoso, ela precisava colocá-lo, mesmo que cada vez que o olhava se lembrava da própria morte.

- Pronta? - Melissa a esperava.

Cassandra desceu as escadas da casa com certa relutância e desanimo, seu vestido estava mais do que super apertado, Amanda e Rachel necessitaram ajudar Melissa com o nó no corpete, mas isso fazia Cassie pensar em outra coisa, não na imagem dela própria morta.

"oh, eu estou com uma adaga no... Respire, respire Cassandra, não pare de respirar. Olá senhorita... É ótimo vê-la."

Se ela falasse e pensasse a mesma coisa a noite inteira, Cassandra talvez pudesse passar por tudo aquilo sem sentir que a cabeça fosse explodi.

Todo seu plano foi de água a baixo quando se deparou com a multidão de gente no salão. As luzes piscavam em tons brancos e amarelados, com se nossa casa fosse iluminada por velas e não por lâmpadas, havia alguns castiçais acessos, mas talvez se estivéssemos mesmo nem energia, eles não iluminariam nada. Alguns adultos dançavam desengonçados no centro e outros bebiam vinhos e conversavam enquanto adolescentes que certamente prefeririam que das caixas de som estivessem saindo Lady Gaga tiravam fotos e vídeos os casais dançavam lentamente enquanto eram filmados por amigos. No canto do salão havia um pequeno palco onde a orquestra tocava um estilo de musica medieval e alegre com violinos, flautas, teclado e outros instrumentos, á musica era agradável e simples.

Ao chegar ao piso, à primeira coisa e única coisa que notou foi o enorme cabelo branco natural se movendo junto a um belo vestido longo e dourado, a visão era sedutora e perigosa, a mulher andava rápido e sem olhar para nenhum lado a não ao seu destino, a enorme porta de vidro que dava no jardim, Cassandra notou que mesmo sem olhar para trás, a garota sabia que ela a seguia, e como não seguiria? Ali, aparentemente, ela era a única que via a bela jovem de cabelos brancos e vestido dourado colado.

O jardim era coberto por esculturas criadas pelo pai de Cassandra e arbustos moldados, Daniel era filho único e após a morte dos pais há alguns anos, ele havia herdado a herança da família. Como um artista iniciante, ele não havia ganhado muito dinheiro, mas seu nome e herança o davam poder e mais dinheiro, então não era de se surpreender que a casa deles fosse caber tantas pessoas e obras.

A garota parou e Cassandra também, não era necessárias palavras para saber de quem se tratava.

- Melinda, o que faz aqui?

A garota se virou e sorriu. Mel usava um longo vestido de seda dourado com cinza e brilhos, o cabelo estava solto e vivo, que apesar de ser uma cor que diriam ser pintado ou de velhice, o dela era forte, brilhante e aparentemente macio, descendo os olhos Cassandra riu, a menina ainda usava suas botas de couro preto.

Sem a resposta, Cassie voltou a perguntar.

- O que faz aqui?

- Vim aqui para não deixar que cometa o pior erro da sua vida.

- Viemos... – Max falou em correção.

Ele e Rufus apareceram por entre as sombras, os dois de ternos pretos, em Max a cor não lhe caia muito bem, mas Rufus parecia como ele mesmo, uma grande sombra negra, a escuridão não combinava com Max, mas Rufus sim, Por que além de tudo, ele era a escuridão.

- Só estou aqui por que talvez seja necessária a força bruta para carrega-la aos berros até a mansão – Rufus sorriu aquilo certamente era uma brincadeira, mas Cassandra fez uma nota mental de nunca confiar nas brincadeiras dele. – Vamos princesa, você viu os vampiros hoje, até matou alguns... E falando naquilo, como conseguiu? Não tinha treino algum.

- Uma predadora sempre sabe quando e como agir. – Max disse num tom caloroso. – Esta no seu sangue Cassandra, talvez não tenha terminado o diário, mas vou resumir a historia, seu tio, Lorde Sanson sempre desejou o trono então criou um plano para conquistar o castelo e matar a família real, minutos antes de ele encontrar a Rainha Malia, sua mãe, ela deu a princesa para uma servente adolescente, que trouxe a bebe para o mundo humano, 17 anos se passaram e todos descobriam a verdade, a princesa vivia como humana enquanto seu reino viviam no mais horrível pesadelo.

- Você é a esperança de todo um reino, de todo um mundo. – Melinda se aproximou e Cassandra deu um passo para trás.

Rufus estreitou os olhos para a garota.

- Por que esta sendo boa com ela?

Melinda o encarou severa e voltou-se para a morena e antes de começar a falar foi interrompida novamente.

– Quando Mary chegou à Mansão você foi a primeira a dizer que o plano de resgatar a princesa era estupido, lembra-se? Mortal chata...

Quase ninguém sabia sobre os gostos de Melinda, Rufus descobriu por acaso. Quando chegou a mansão, Rufus tinha 14 anos - e já era um garoto arrogante e orgulhoso - Melinda 13, ele se aproximara da menina com segundas intenções, mas fora rejeitado instantaneamente. Não foi o "não" de Melinda que o fez descobrir sobre sua sexualidade, foi os olhares que a menina dava para sua colega, ela estava apaixonada e não conseguia esconder. Depois de confronta-la, Rufus prometeu guardar segredo, e desde então os dois se tornaram confidentes. O olhar que Melinda lançava para a princesa agora era o mesmo que ele havia visto anos atrás, ela tinha um brilho nos olhos, como se chamas estivessem dentro deles, e a persistência dela em implorar para Dallas deixa-la vir buscar a princesa era suspeita e agora, o único que Rufus temia era que estivesse certo, Cassandra era uma princesa e Melinda teria que dar a vida por ela, não o coração.

Melinda suspirou.

- Eu sei o que disse, mas tudo mudou no momento em que você pegou a adaga da minha mão, qualquer mortal teria fugido, mas você pulou para dentro da multidão de vampiros e ajudou as pessoas que você há segundos havia julgado loucos...

- Fiz o que achei que era certo o que meu coração mandava, não ia deixa-los.

- Você agiu como uma líder liderou mesmo sem saber empunhar uma adaga, mas não importava por que você esta seguindo o seu coração, seu instinto. Foi nesse momento em que mudei de ideia... Eu nasci para proteger o sangue real. - A garganta de Melinda estava seca, ela nunca havia falado tanto sobre como se sentia sobre algo. - Já participei de varias lutas e pequenas batalhas, coisas banais e vazias, guerreiros negros precisam se sentir vivos quando lutam e eu nunca senti, até você aparecer. - Melinda parou por alguns instantes. - Você fez o meu sangue ativar, eu sou completa quando esta perto, eu sou uma guerreira da guarda negra, meu único sentido na vida é protegê-la e se não faço eu morro, meu sangue range em minhas veias. Você princesa, me trouxe de volta a vida e sei que fará isso com milhares outros. Eu confio em você, eu tenho esperanças.

Ninguém falou nada por alguns minutos, não sabiam ao certo o que falar porque a única que devia era Cassandra, ela devia dizer sim, dizer que iria com eles, iria tomar o posto de herdeira, iria salvar seu mundo, mas o único que faz foi ficar olhando para eles.

- E se eu disser sim, o que acontece? Deixo minha família e o mundo que conheço?

- Sim e não. – Max disse com um pouco de esperança na voz. – Você deixa sua família, e fica na mansão dos refugiados, protegida. Até que tenha conhecimento o suficiente sobre seu mundo para governa-lo.

- Então, vocês estão me pedindo para abandonar tudo o que eu tenho aqui para ir morar com completos desconhecidos que em menos de uma hora juntos quase foram à causa da minha morte?

- Sim. – Os três falaram juntos.

Cassandra suspirou e ao fazê-lo sentiu um cheio horrível entrar em seus pulmões, era podre como se algo estivesse mofado, porém, era mais forte, o cheiro machucava seu nariz, apareceu tão de repente que dava a impressão de que alguém havia jogado animais mortos perto dali. Ela não foi a única a sentir já que todos se viraram em busca de aonde vinha o odor.

Escondido no chão atrás da fonte de água do jardim havia um saco grande e preto, todos ficaram se aproximaram, mas tinham certo receio de abrir, mas o cheio de podridão aflorava cada vez que se chegava perto. Foi Maximus quem abriu o saco e desejou não tê-lo feito, Cassandra se inclinou para frente e logo sentiu as lagrima escorrerem por seus olhos, seu coração martelava tanto em seu peito que doía, Rufus a segurou para que não caísse enquanto encarava o saco boquiaberto.

Dentro do saco havia um corpo.

Ele estava mutilado, o tronco fora a primeira coisa que colocaram depois as pernas e os braços, e por ultimo a cabeça, para que ela encarasse quem a abrisse. O corpo pálido e sem sangue, mas ainda sim era fácil de ser reconhecido. O corpo mutilado dentro do saco era de Daniel Bones.

Seu pai.

Na frente deles, dois vampiros voaram de encontro ao chão, caindo do céu como gatos, os dois de preto, os dois pálidos e com sorrisos maliciosos.

Em sua mente o único que se passava eram as imagens de seu pai chegando a casa com caixas cheias de pinceis e tintas, telas de pintar e argila, ele exibia um enorme sorriso ao dizer que ensinaria a filha a pintar. Sua família ainda não tinham muito dinheiro e papai estava desempregado, por isso a pequena Cassandra se surpreendeu com o fato dele estar tão alegre, normalmente seus dias eram de cara fechada, como se a vida fosse da cor cinza. Eles viviam numa pequena casa rustica, e seu pai ainda era um artista amador que adorava passar as tardes pintando com a filha. Isso causava brigas entre ele e mamãe, já que ele devia estar procurando um emprego, não brincando com a filha, mas Daniel o fazia por que isso deixava Cassandra feliz. Nesse dia, papai decidiu que misturariam pintura com poesia, ela não entendeu direito e então ele parou e pensou em um poema e começou a cita-lo enquanto desenhava na tela.

- "Um guerreiro sabe que um anjo e um demônio disputam a mão que segura à espada... - Em instantes um anjo apareceu na tela, sua aparência era bela e segura, com asas brancas, no outro lado da tela um demônio preto e curvado encarava o vazio que logo fora preenchido por um humano. -" Diz o demônio: "Você vai fraquejar". Você não vai saber o momento exato. Você está com medo... - Ele continuou.

Nesse momento, Cassie soube que o poema devia representar algo que estava passando.

"-" O guerreiro fica surpreso. Ambos disseram a mesma coisa. Então o demônio continua: "Deixa que eu te ajudo". E diz o anjo: "Eu te ajudo". Nesta hora, o guerreiro percebe a diferença.

E seu pai estava preso entre o céu e o inferno.

- As palavras são as mesmas, mas os aliados são diferentes. - Daniel puxou o pincel e traçou linhas que juntas formavam o braço do humano, ele estava em direção ao demônio, Cassandra achou que o guerreiro iria escolher o inferno, mas em seguida uma espada nasce na mão do personagem e ela é desenhada afundando no demônio, ficando de acordo com a sua curvatura, mostrando a sua dor.

E Cassie sem precisar escutar as palavras do pai sabia como o poema terminava.

"Então ele escolhe a mão de seu anjo."

- "Manual do Guerreiro da Luz" - Seu pai disse ao depositar o pincel no pote de água. - Paulo Coelho, já lhe dei um exemplar desse livro? - Ele se virou para ela e com a cabeça a menininha negou seu pai já havia lhe dado milhares de livros, ela tinha apenas 11 anos e já havia lido mais de 70 livros. - Me lembre de te dar um dia, é um ótimo livro. - Os dois examinavam a pintura de Daniel, Cassandra sorria orgulhosamente do pai.

Agora, olhando para os dois vampiros, Cassandra sentiu vontade de arrancar as presas que eles exibiam com um alicate e teve que usar toda a sua força de vontade para não avançar em cima deles.

Melinda e Max puxaram laminas que estavam escondidas em seus trajes e as empunharam, Rufus apertou Cassandra nos braços, pronto para transfigura-la para outro lugar quando a sentiu fugir de seus braços.

A garota em pé exibia ódio nos olhos, Rufus sentia o calor que irradiava de seu corpo, ela quase havia começado a brilhar, ela explodia em fogos de artifícios de raiva e vontade de matar. Cassandra virou-se para os vampiros que a encaravam mais pálidos que antes, assim como Max e Melinda, os dois pareciam assustados.

A voz de Melinda saiu abafada nos ouvidos de Cassandra, mas ainda estava audível.

- Isso não está certo, ela não devia estar assim, os poderes dela ainda não foram invocados.

- Ela esta invocando a si mesma. - Rufus tentou toca-la, mas sua pele estava tão quente quanto o fogo.

Cassandra sentiu a chama crescendo dentro de si.

- Antes de encontrarem o fim eminente. - ela falou com os olhos em cor de fogo, sua aparência era sombria, os olhos vermelhos e a pele cintilante. - Diga-me qual era a mensagem que veio junto ao corpo.

Os dois se olharam, e o da esquerda engoliu em seco.

- Lorde Sanson mandou dizer... Ou a princesa vai para Fairvale ou matamos qualquer um que seja importante para você, seu pai é a prova. - Seus olhos mortos exibiam algo que talvez nunca tivessem sentido.

Medo.

Cassandra levantou as mãos, e junto a elas os dois se suspenderam no ar.

- E o meu recado para Lorde Sanson é. - Os dois engasgaram em sangue enquanto a bruxa falava. - Eu sou o demônio, e vim leva-lo para o inferno. - O sangue escorria de suas bocas e caiam no chão, não como gotas, mas como cascata.

Talvez Cassandra os matasse engasgados no próprio sangue.

Talvez.

Os dois caíram no chão novamente e gritaram, contorcendo-se como se suas peles pegassem fogo e numa tentativa de tentar amenizar o calor que emergia deles, os vampiros arrancaram as camisetas, rasgando-as com ferocidade. . Max olhou para trás, ninguém na festa se movia, Cassandra havia congelado todos, petrificados com suas aparências belas e arrumadas, pareciam estuas de cera, igual as que Daniel fazia.

Com os peitos expostos, todos ali podiam ver o que realmente acontecia com a pele dos vampiros, o que Cassandra estava fazendo com eles. Como se uma espada estivesse cortando-os, palavras começaram a se formar.

EU SOU O DEMÔNIO. Estava escrito em um deles.

E VIM LEVA-LO PARA O INFERNO. Estava no outro.

Os vampiros ainda gritavam com dor quando desapareceram.

- O que aconteceu? Onde eles estão. - Melinda encarava o chão assustada, nunca havia visto magia desse modo, apenas alguns poucos truques feito por anciãos na mansão, somente bruxas negras faziam bruxaria como aquela, e eram proibidas, bruxas brancas eram moderadas, usavam magia para ajudar os outros, e as mais rebeldes usavam para ganhar dinheiro, mas sempre avaliavam o grau de gravidade da magia pedida por seus clientes.

Cassandra era uma bruxa branca com poderes de uma bruxa negra, nascida com esses tipos de magia, ela não teve que vender a alma ao demônio para consegui-la, então ela não tinha divida a pagar nem limitações, isso a deixava invencível.

- Ela os enviou para o Lorde Sanson. - Max a encarava horrorizado. - Como você poderia? Não tem como fazer isso sem um port...

Max foi interrompido pelo grito de dor de Cassandra que caiu bruscamente no chão, ela se deitou na grama e gemeu, sua voz era baixa e inaudível, os garotos a olharam e se afastaram, estar perto dela era como sentir uma descarga elétrica, mais ou menos como as que Dallas dava.

- O que está acontecendo? – Melinda estava preocupada.

- A invocação está começando. – Max disse com leveza.

- Isso pode mata-la?

- Não! Como Cassandra disse antes, ela age por instinto, segue seu coração, e ele está dizendo que já é hora dela aceitar seu verdadeiro ser.

- O que temos que fazer? – Rufus perguntou.

- Tira-la daqui, ela terá que invocar a lua.

- Como? Ela está irradiando eletricidade...

Antes que Melinda terminasse a frase, Cassandra já estava nos braços de Rufus, a dor que sentia estava evidente em seu rosto, sua pele sangra e se tornou carne viva. Max puxou o saco por trás dos ombros e transfigurou-o e Melinda enquanto Rufus se ocupava de Cassandra.

Eles agora estavam perto da mansão dos refugiados, num pequeno bosque que levava para uma floresta protegida por grades elétricas e uma placa enorme dizia: área de preservação ambiental. Rufus ainda carregava Cassandra, seus músculos tremiam e lagrimas de dor escorria, Max olhou para a lua e depois para o irmão, os gritos de Cassandra se tornavam cada vez mais agoniantes.

- Irmão! Corra, leve-a para mais longe, nos te alcançamos.

Rufus assentiu e se preparou para correr, mas a herdeira se jogou para fora de seus braços e olhou para cima, ela parecia um lobo prestes a ser invocado pela lua cheia. Os braços abertos, seus olhos cintilavam, eles não estavam mais âmbar nem vermelhos, agora eram dourados. Cassandra correu a frente, as árvores menores caiam após a sua aproximação, a eletricidade havia crescido. Era como um flashback do seu sonho, mas agora ela sentia tudo que não sentiu nele. Agora ela sabe o que temia em seu sonho, era a morte que sua eletricidade poderia causar, e não aguentando a agitação que seu corpo emergia, a menina começou a correr, sentia que se não fosse o mais rápido que pudesse ia virar carne viva e osso, e depois pó.

Cassandra parou bruscamente quando se viu em baixo do raio da lua, em sua mente consciente ela viu a cena se repetindo, seus movimentos eram involuntários, suas ações foram dominadas por seus extintos, ela se sentia poderosa, sentia o que nunca sentiu na vida.

Certeza.

Ela tinha certeza de uma somente coisa. De que era uma bruxa.

A herdeira encarou a lua novamente e ergueu os braços recitando palavras ao vento. Aos seus pés se via. O pentagrama estava formado.

- Eu me invoco, Deusa. Sua presença pode ser sentida em tudo, escuto o vento e ele diz: Liberte-se! Pois sem Você nada pode prosseguir, e com Você tudo é possível. Retornei á casa, voltei ao meu intimo, eu ouço a musica do mundo, ele chama! A deusa sussurra meu nome para a minha liberdade eminente. Liberte-se! Ela diz. Venha Grande-Mãe, adentre nesse Círculo e me abençoe, pois sou sua criança e retorno a ti no amor. Eu faço parte do seu corpo agora, somos uma só. Como bruxa eu me invoco. Como bruxa eu renasço. E como bruxa eu morro. Tome-me em suas poderosas mãos, liberte-me e eu os libertarei. Vejam poderosos Deuses, espíritos e demônios, por esta lua, por esta terra e por meu espírito, entrego-me a bruxaria!

Cassandra caiu no chão, sua energia estava sumindo, mas de sua boca continuava a sair o sussurro da libertação.

- Está é a época da lua cheia, um momento de grande poder positivo, um momento de felicidade e conquista. Sou eu, sua filha, que em amor e adoração, estou diante de ti e como sua filha ti peço que esteja comigo agora e sempre, me permita sentir sua presença, nesta noite de magia e poder, me invadindo e preenchendo. Poderes do ar auxiliem-me a sentir a força da senhora dentro da minha mente. Poderes do fogo deixe-me sentir a força da senhora dentro de meu espirito infinito. Poderes da água deixe-me sentir a força da senhora dentro de meus sentimentos, de minhas emoções, de minhas razões. Poderes da terra deixe-me sentir a força da senhora em meu corpo. Por favor, Deusa. SALVE-ME.

No chão, Cassandra estava prestes a fechar os olhos, deixar a dor consumi-la e ser levada pela escuridão, mas ainda não estava na hora, ainda faltava uma coisa. A adaga veio segundos depois do pensamento, ela brilhava na luz da lua, a bruxa sentiu o frio percorrendo sua alma e se entregou a morte. Ela esperou o golpe, mas ele não chegou. Ao abrir os olhos novamente ela viu Rufus e Melinda ofegantes, devem ter corrido para encontra-la. 



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