História Nascida para a morte - Vol. 1 - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Harry Potter, Magia, Mistério, Os Intrumentos Mortais
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Palavras 3.613
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capitulo quatro - Deixe para trás


Fanfic / Fanfiction Nascida para a morte - Vol. 1 - Capítulo 5 - Capitulo quatro - Deixe para trás

~ 04 de março de 2016 ~

Já fazia três dias desde a invocação de Cassandra, e desde então ela não emitira nenhum som, ela estava deitada em uma cama num dos quartos no subsolo da mansão dos refugiados, a herdeira teve que ser mandada para um lugar escondido para que ninguém descobrisse qual era o verdadeiro estado da situação, os únicos que sabiam o que acontecia era Dallas o diretor da mansão, Mary a loba que havia resgatado a princesa anos atrás e claro, os três jovens que presenciaram todos os eventos da invocação. O que deixava todos preocupados é que se a princesa não morrer por causa da invocação, morrerá por desidratação.

Rufus, Max e Melinda tiveram que voltar a suas obrigações diárias, agindo como se tudo estivesse normal e se perguntassem sobre o que aconteceu com a herdeira teriam que mentir, dizer que foram afastados do caso.

Ao revelarem a Dallas o que havia acontecido na noite do dia primeiro, o homem sentiu um aperto no peito, Cassandra era mais poderosa do que creia e agora estava na ponta de um precipício, brincando com a morte. Mas também havia uma coisa que ele sabia e os outros não, um segredo que ele guarda mesmo antes dela nascer. Dallas sabe que Cassandra sempre esteve na ponta do precipício, ela é a noiva da morte, nasceu presa á um contrato mortal, um sacrifício que ela não teve como recusar, sua morte precoce é inevitável.

Cassandra nasceu para a morte.

No mundo mortal, os últimos quatro dias foram intensos, muita noticia para repórteres, muitos casos para policiais e muito sofrimento para os familiares.

O massacre da biblioteca havia resultado em seis mortes inexplicáveis e em uma senhora desnorteada. - Melinda havia pedido permissão de Dallas para falar com a Bibliotecária Liz, que se revelou a guardiã dos mundos e encobriu todo e qualquer rastro dos garotos na biblioteca -.

O desaparecimento de Daniel Bones e Cassandra Bones.

Os peritos não puderam dizer a causa da morte dos adolescentes na biblioteca, mas as buscas ainda não terminaram, o massacre se tornou viral, todo o país está olhando para Seattle agora, e isso dificulta qualquer ação sobrenatural que normalmente passaria despercebida. O desaparecimento dos Bones foi inesperado, aparentemente eles eram uma família bondosa e não tinham inimigos, Vanessa Bones havia contratado os melhores detetives particulares para encontrar o marido e a filha, então Rufus, Max e Melinda tiveram que passar a maior parte dos seus últimos três dias destruindo qualquer tipo de prova que levassem os dois até eles.

Melinda encarava com raiva o corpo imóvel de Cassandra, seus dedos nervosos se agitavam no braço da cadeira. Mel descia até o quarto da princesa todos os dias e a vigiava, checava a respiração e o coração da menina, tudo era igual, todos os dias a mesma posição, a mesma velocidade de batimentos cardíacos e a respiração fraca, isso irritava Melinda mais do que irritaria se ela descobrisse que alguém internou uma de duas laminas.

- Você precisa acordar.

Melinda estava de pé.

- Me escutou? Hein? - Ela falou mais alto e perto. - Deixe de ser uma mundana fraca e ACORDE. - Ela gritou. - Você é fraca, e eu não aguento olhar para pessoas fracas.

Mel se inclinou e se sentou na cama.

- Era para você estar acordada, guiando-nos para o fim da escuridão, era para você ser a luz no fim do túnel. Muitas pessoas dependem de você, eu dependo de você. Você precisa me salvar, tem o dever da fazer isso já que você me tirou tudo, por sua culpa eu fui expulsa de casa, se eu não tivesse nascido para te proteger eu estaria em casa, vivendo com a minha família, mas eu estou aqui, tendo que vive no inferno para proteger uma pessoa que já esta morta. VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO, NÃO SEJA TÃO CRUEL!

- Melinda. - Rufus apareceu na porta do quarto e deu um pequeno sorriso. - Acho que é melhor você ir atrás da bibliotecária, deixe-me com a princesa.

A menina olhou uma ultima vez para Cassandra e limpou as poucas lagrimas que haviam escorrido de seus olhos, e com um aceno saiu da sala.

Rufus ficou sozinho com a herdeira por cinco minutos até Max chegar.

- Alguma coisa? – Maximus estava parado na porta do quarto, assim como o irmão ele carregava uma expressão cansada, porém a dele era suave, como tudo nele.

- Nada. – Rufus respondeu num suspiro cansando.

- Tudo bem, eu tenho que ir, Dallas me mandou acompanhar Melinda até a biblioteca, vim aqui somente para ver como ela estava. - Max falou se despedindo e dando a volta para a porta.

- Ou será que veio para terminar o trabalho?

Isso fez Max parar.

- Não acho que estamos seguindo o mesmo pensamento.

- Eu acho que sim. - Rufus falou com a voz clara e baixa. - Acha que sou estupido? Vi como ficou nervoso ao irmos busca-la, decidindo se ia fazer ou não, depois na biblioteca você simplesmente desapareceu e logo depois os vampiros entraram...

- Você está sugerindo que eu tentei matar a herdeira?

Rufus confirmou com a cabeça.

- Sabe que se alguém ouvir isso eu serei interrogado e se acharem minhas atitudes eu serei morto, como traidor...

- Eu sei as consequências Maximus e não ache que não me doí pensar nessa sua completa insanidade em tentar mata-la, você viu do que ela é capaz, estou te dando uma chance, se redima e eu não falarei nada.

O olhar de Max era sanguinário e fez com Rufus se lembrasse da única coisa que ele queria esquecer sobre o irmão.

Max havia sido transformado num vampiro.

Havia acontecido na noite em que os dois fugiram para o mundo mortal, houve uma emboscada, o portal estava cercado pelos soldados de Sanson, os pais de Max e Rufus foram assassinados, morrem para dar a chance aos filhos de sobreviver, mas Max não conseguiu sair ileso e vive desde os 12 anos de idade com o segredo. Rufus faz de tudo para esconder isso de todos, captura animais e trena seu sangue para colocar numa garrafa e entregar ao irmão, assim ninguém suspeitaria, sempre tenta ser o pior para que Max pareça bom, para que se um dia chegarem a descobrir a verdade, não desconfiem da lealdade dele.

Mas tudo havia mudado Max não era leal, um espião de Sanson, um morto-vivo treinado.

- Eu prometi guardar seu segredo, mas se cumprir essa promessa significa matar a única esperança que tenho então eu não terei alternativa a não ser contar a Dallas.

- Você não faria isso. – Max falou com segurança enquanto jogava as fotos aos pés de Cassandra. – Eu sei quem você é e não faria isso.

- Eu também achei que sabia quem você era nunca pensei que agiria como um estupido, mas todos nos erramos algum dia.

- Rufus, se você quer falar com Dallas vá, eu não vou mudar...

- Você já mudou. Um pouco de veneno de vampiro no sangue e já esquece o que é?

- Eu era um demônio. – Max alterou a voz, elevando-a como se para convencer a si mesmo.

- E está mais demoníaco agora do que antes.

- Faça o que quiser irmão, mas aceite. Eu sou um vampiro agora, e seguirei o que é certo para meu povo.

- Seu povo? - Rufus riu. - Eles mataram sua família, não tiveram pena quando abriram a garganta de nossos pais e nem quando fincaram as presas em Adelaide. - Os olhos de Rufus agora marejavam. - Se lembra dela? Da sua pequena irmãzinha? Um bebe, teria a idade da princesa agora, se não estivesse morta.

- Todo mundo comete erros. – Max se virou, mas antes de sair encarou Cassandra que seguia imóvel. – E te digo com o Maximus de humanidade que tenho princesa, é melhor não acordar, porque seu tio não será rápido com sua morte. - E saiu pela porta.

Rufus se virou para a parede e a socou. Uma vez. Duas vezes. Três vezes, até a parede se deformar e as juntas sangrarem, ele não se preocupou com o barulho nem com o estrago, o único que pensava era que teria que delatar o irmão, e isso significaria traição, Max fugiria, mas seria capturado quando o plano de dominação ao castelo fosse executado, e assim ele seria morto.

- Achei que vocês tinham uma sala de treinamento. – Cassandra se inclinou tentando sair da cama, mas caiu e desistiu. – Sabe, aquelas salas com estepes azuis no chão para amortecer a queda e grandes caras carrancudos lutando e jogando facas.

Rufus não conseguiu esconder o alivio que sentiu ao ouvir a voz da garota. Ela ainda vestia a roupa da festa, Melinda havia soltado um pouco o corpete então ele estava solto na parte de cima, o cabelo da garota estava oleoso e bagunçado, a pele estava pálida por falta do sol e a boca seca pela sede, ela estava horrível - era o mínimo depois de passar três dias como um vegetal - porem estava viva.

- Eu prefiro o arco e flecha. – Disse ele por fim e se voltou para a garota, segurando sua cabeça com uma das mãos enquanto ela forçava o corpo para se levantar. – Como esta se sentindo?

- Dolorida, fraca, confusa e com fome.

Rufus olhou para o relógio ao lado da cama. 20h30min.

- Se você se apresar ainda conseguira alguma coisa no refeitório. – Ele a puxou para cima com os braços, erguendo-a pelas axilas.

Rufus guiou Cassandra para fora do subsolo, foram dez minutos de caminhada lenta, o rapaz sabia que a princesa estava fraca, mas a lentidão o irritava mesmo assim.

- Você irá receber uma lista com os horários, café da manhã as 07h00min, almoço as 12h00min e jantar as 21h00min.

- E o resto do dia?

- Depende de você, temos muitas atividades aqui, não importa seu gênero ou sexo, se quiser treinar você ira treinar, se quiser plantar flores medicinais ira fazer isso também.

Cassandra rolou os olhos para um relógio na parede, apontando 20h35.

- Se o jantar começa as nove, por que vamos para o refeitório essa hora?

- Por que antes de subir até o refeitório, você ira tomar um banho. – Rufus parou na frente de uma porta de madeira e a abriu. – Dormiu por três dias, está fedida.

O banheiro que se estendia era simples, um chuveiro, uma pia e um vaso.

- Por que não me levou ao banheiro do quarto onde eu estava.

- Porque o hóspede antes de você era um tritão, ele criou algumas coisas e colocou lá, sereias e tritões são engenhosas e suas criações não letais para qualquer ser. - Ele falou sem paciência. – Você não ia querer usar os produtos das sereias se soubesse qual é a reação na pele de outro ser. Este é um banheiro humano, ninguém coloca nada dentro dele, assim não afeta ninguém que necessitar usa-lo, aqui dentro tem toalhas, quando acabar estarei aqui com as roupas que você vai usar.

Rufus encarou o relógio, marcava 20h40min.

- Você tem dez minutos. - Ele estreitou os olhos. - Uma princesa é pontual.

- Uma princesa faz o que quer.

- Uma princesa não cheira mal.

Cassandra fechou a porta do banheiro com um estrondo, revirando os olhos Rufus deu meia volta indo direto ao quarto de Melinda e pegando lá algumas vestes.

Que consistiam em: Uma saia longa preta.

Top cinza.

Casaco fino preto.

Botas pretas de couro.

No caminho do enorme sótão - era grande e feito de pedras parecia um calabouço - até o refeitório, Rufus e Cassie passaram por algumas enormes escadarias que subiam e viravam em esquinas que davam em corredores cheios de portas, Rufus lhe dissera que ali era a mansão dos refugiados, Cassandra retrucou dizendo que deviam mudar o nome para "Palácio dos refugiados" por conta do enorme tamanho do lugar, o garoto serio respondeu que só lugares com residentes reais deviam ser chamados de palácio. Os dois pararam em frente a duas enormes e aparentemente pesadas portas de madeira rustica, ela tinha trancas enormes, sua maçaneta era maior que a mão de Cassandra. De fora, ela conseguiu ouvir o barulho alto de vozes e sapatos pisando no piso mármore, o refeitório aparentemente estava cheio. Ela sentiu um medo moderado.

Todo o barulho que a sala emitia e ecoava, parou assim que Rufus abriu porta e todos lá dentro puderam ver a única sobrevivente da família real, a garota que iria salva-los, a esperança deles era uma energia pesada que atravessou o corpo de Cassandra dando-lhe frio e dor, sua barriga doía, mas não era de fome. As pessoas a encaravam espantadas, alguns sorriam e outros apenas a olhavam decepcionados. Rufus foi primeiro a entrar, a postura rígida e controlada, a cabeça erguida como se não se importasse com os olhares - mas Cassandra suspeitou que ele não gostasse muito de ser o centro das atenções - no rosto ele carregava a sua típica aparência arrogante e desafiadora, só um tolo para tentar fazer algo contra ele nesse momento, sua aparência era inatingível. Sombria.

Cassie se perguntou se ele se sentia assim por dentro, talvez sim.

Mas não importava, não importa se você é forte ou fraco por dentro, no jogo de comandar, você precisa fingir não ser.

Cassandra havia lido para a aula de sociologia na escola o livro de Nicolau Maquiavel "O príncipe", ela sabia bem como devia agir. Maquiavel também dizia que era melhor ser temido do que amado.

Cassandra poderia governar um reino através de temor? Não.

Mas mesmo com essa certeza, ela arquivou o pensamento.

"De crudelitate et pietate; et an sit melius amari quam timeri, vel e contra. "

(Da crueldade e da piedade, se é melhor ser amado que temido, ou antes, temido que amado.).

Rufus a fez sentar em uma das mesas cheias, o lugar continuava quieto, porém o silencio fora substituído por sussurros. Enquanto esperava Rufus, Cassandra era encarada e encarava de volta, alguns dos comentários reprimidos eram bons e outros não.

"Ela é jovem de mais" Uma senhora que aparentava estar em seus 60 anos e com o rosto marcado por algumas cicatrizes sussurrava para sua colega.

"Ela causará a nossa destruição, nunca seria nossa salvação." A outra sussurrava de volta.

"O que uma mundana poderia saber sobre nosso mundo, isso tudo não passa de uma farsa." Pelo tom que a velha usou ao falar "mundana" Cassandra imaginou-a mais jovem, como uma ativista anti mundanos, com os cabelos longos preso em um rabo de cavalo com traça, uma espada na mão e palavras sujas contra o mundo humano. Essa imagem poderia até explicar as cicatrizes e o corpo apesar de velho ainda com músculos, ela com certeza é uma guerreira, ou ao menos era.

"Estamos ferrados."

Cassandra estava pronta para se levantar e responder a mulher, mas Rufus chegou ao seu lado com uma bandeja com uma tigela de caldo laranja amarronzado e pequenas toradas caseiras.

- É abobora. - Rufus avisou ainda em pé.

- Não vai se sentar?

- Não como no refeitório.

- Por quê?

- Porque eu não gosto dos olhares curiosos, e comer perto de você seria como ser o principal numero de um espetáculo de show de horrores. - Ele olhou em volta e depois a encarou, dizendo com os olhos que todos ali só prestariam atenção nela.

- Eu sou a mulher barbada e você apenas a pessoa que escova minha enorme madeixa, ninguém liga para você, sou eu quem tenho barba. - Ela disse rápida e ele a encarou falsamente ferido.

Acho melhor você não falar para mais ninguém sobre sua barba, é uma informação que outros não deveriam saber. - Ele saiu e Cassandra achou que ele fosse de volta para a porta, porém ele apenas pegou uma tigela e passou na frente de um garoto pequeno que ia em direção ao final da fila dos caldeirões.

O menino o encarou com raiva, ele tinha olhos azuis, sua pele era morena e brilhante, ele se virou e Cassandra pode ver perto do colarinho algumas cicatrizes, quatro, para ser exata, elas sobressaiam na pele e estavam nos dois lados do pescoço dele. Cassandra encarou aquilo confusa, o que diabos ele era...

- Um tritão. - Respondeu uma garota de cabelos castanhos e de pele morena igual ao do garoto. - Ele é um tritão, as cicatrizes no pescoço são guelras. - Ela sorriu e Cassandra se perguntou se a menina lia mentes, então fez um pergunta mental.

"Por que ele não tem calda?". Ela não respondeu dessa vez, mas Cassandra não descartou a ideia dela ler mentes.

- Somos irmãos. - Ela disparou e Cassandra notou as semelhanças, além da pele chocolate, os cabelos dos dois eram grandes e cacheados, ela também tinha as cicatrizes. Guelras. Ela não aparentava ter menos de 15 anos, e o irmão era menor, tinha no mínimo 13. - Sou uma sereia.

Cassandra não pode deixar de evitar lembrar o que havia lido no diário de sua mãe. Sereias eram traiçoeiras, gostavam de brincar com humanos, petrifica-los no fundo do mar. Ela havia ficado surpresa com as palavras da menina, como disse de que espécie ela era com tanto orgulho, como se enganar mundanos fosse algo de prestigio.

Ali, talvez fosse.

Cassandra imaginou-se no refeitório de sua escola, sentando-se A e na mesa de uma desconhecida e alegando ser uma sereia, ela com certeza ganharia uma passagem só de ida para a ilha dos esquisitos.

Mas não estou em casa. Ela pensou.

A menina deve ter interpretado o silencio de Cassandra como um ato de intolerância, já que ficou vermelha e abaixou a cabeça numa tentativa de reverencia.

- Desculpe majestade. - Ela inclinou a cabeça. - Não devia tê-la abordado assim, foi falta de respeito...

- Não se desculpe. - Cassandra segurou o rosto da garotinha. - Sou eu quem tem falta de respeito, deveria tê-la respondido. Desculpe-me, acabei perdida em pensamentos.

A menina sorriu fraco.

- Como é que estão fora da água? Por que não tem calda?

- Meus pais eram amigos de um feiticeiro, papai o havia salvado depois de seu barco afundar em Mormant, onde ficava seu palácio. - Ela olhou cautelosa para a princesa, achava que a menção do antigo castelo iria lhe causar algum tipo de emoção. Estava errada. - Nossa espécie tem fama de serem tão cruéis e traiçoeiras quanto às fadas, mas nem todos são regidas no lema da desonestidade, mas de qualquer forma... O feiticeiro visitava minha família com frequência, ela se enfeitiçava e nadada com meus pais até o mundo do mar, mas um dia ele nos pediu para subir, queria que nos conhecemos seu mundo, mas por conta das barbatanas e a falta de água, não sobreviveríamos para o tour, então ele se empenhou em criar uma poção de transformação temporária, quando fugimos, ele nos deu um estoque grande, acho que sobreviveremos por mais 7 anos aqui.

Cassandra sorriu com sinceridade, era uma historia bonito, a historia de uma amizade. Cassandra imaginou como era a vida da menina em baixo das águas, ela devia ter colecionado. Quis chama-la pelo nome, para pedir mais historias, porém não sabia.

- Diga-me, qual é o seu nome?

- Áurea Freud.

- E qual é a sua historia Áurea Freud? - A menina a encarou, os olhos vazios e paralisados, ela estava perdida em lembranças. Cassandra quis dar um tapa em si, todos ali haviam fugido, deixado casas e familiares, historias trágicas escreviam as vidas de cada um lá, e ela não deveria andar perguntando.

- Eu nasci quadro anos depois do assassinato da família real, meu irmão, Elias nasceu em cinco. Meus pais pensavam que por serem do mar, a guerra não os atingiria. - Ela olhou para a tigela e balançou a colher. - Mas estavam errados, Lorde Sanson enviou um chamado ao fundo do mar, mandando todos de lá para fora, mas quando ninguém obedeceu, ele jogou veneno na água, muitos morreram, e meus pais.... - Ela engasgou com as palavras. Uma lagrima caiu dentro da tigela e ela limpou o rosto, não precisava dizer, Cassandra sabia que seus pais haviam morrido.

Seu coração doeu ao lembrar-se de seu pai, em parte pela perda e em parte em culpa, como poderia ter se esquecido dele? Ele morrera por sua culpa e ela simplesmente se esquecera de como ele estava, sem sangue e mutilado.

Morto.

Cassandra fechou os olhos e sentiu falta de ar, em sua mente flutuavam as lembranças de seu pai, como ele a encarou dentro do saco, os olhos abertos e vazios, ela sentiu a morte que emergia dele naquele momento, e a dor tomou conta de seu corpo, ela sentia que ia vomitar o pouco que havia comido. Ela encarava o nada, mas sabia que Áurea a olhava preocupada, assim como todos, mas naquele momento não havia espaço nem tempo, somente dor, profunda e gélida. Ela sentia o corpo frio, sua alma havia esfriado com a perda, e ao sentir mãos fortes e calejadas tocando-a ela se aqueceu, seu toque era como um cobertor no reino gélido que seu interior era naquele momento. Cassandra virou o rosto e encarou olhos negros e profundos ao seu lado, tão quentes quanto suas mãos, e tão frios quanto sua aparência.

Rufus.

- Princesa? - Sua voz era calorosa. - O que houve?

Ele sustentava o olhar da garota, incapaz de quebrar a hipnose em que estava.

- Meu pai.

Foi o único que ela conseguiu falar antes de cair.



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