História Nascidos na Máfia - Capítulo 12


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Gaston, Luna Valente, Matteo, Nico, Nina, Personagens Originais, Simón, Tino
Tags Gastina, Lutteo, Máfia, Simbar, Sou Luna
Visualizações 159
Palavras 2.632
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - E sobre o que Ámbar quer?


Na tarde antes do dia do casamento minha família saiu do Mandarin Oriental e se dirigiu para a mansão Vitiello nos Hamptons. Era um enorme casarão inspirado nos palácios italianos cercados por quase três hectares de mata. O caminho era longo e tortuoso, e nos levou até duas casas de hóspedes com quatro garagens até terminar em frente da mansão com sua fachada branca e telhado de telhas vermelhas. Estátuas de mármore branco estavam na base da escadaria dupla que leva até a porta da frente.

No interior o teto era trabalhado, tinha colunas brancas e piso de mármore e uma vista para a baía e pra piscina através das janelas panorâmicas de tirar o fôlego. O pai e a madrasta de Simón nos levaram para o segundo andar da ala esquerda, onde os nossos quartos estavam situados.

 Luna e eu insistíamos em dividir o quarto. Eu não me importava de parecer imatura. Eu precisava dela ao meu lado. Da janela, podíamos ver os trabalhadores começando a montar o enorme pavilhão que serviria como igreja amanhã. Além dali, o mar agitado. Simón não chegaria até o dia seguinte, assim não podíamos nos cruzar por acidente antes do casamento, o que significaria má sorte. Honestamente não sabia como eu poderia ter mais azar do que eu já tinha.

***

— Hoje é o dia! — mamãe disse com falsa alegria.

Eu me arrastei para fora da cama. Luna puxou as cobertas sobre a cabeça, resmungando algo sobre ser muito cedo.

Minha mãe suspirou. — Eu não posso acreditar que vocês compartilharam um quarto como crianças de cinco anos.

— Alguém tinha que ter certeza que Simón não ia dar uma escapada e entrar aqui, — disse Luna de debaixo do cobertor.

— Tino patrulhava o corredor.

— Como se ele fosse proteger Ámbar de Simón, — Lua murmurou, finalmente sentando-se. Seu cabelo castanho estava uma bagunça.

Mamãe franziu os lábios. — Sua irmã não precisa ser protegida de seu marido.

Luna bufou, mas mamãe a ignorou e me levou para o banheiro. — Temos de prepará- la. A esteticista estará aqui a qualquer segundo. Tome um banho rápido.

À medida que a água quente caía sobre mim, a ficha caiu. Esse era o dia que eu estava temendo por tanto tempo. Hoje à noite eu seria Ámbar Vitiello, esposa do futuro Capo dei Capi, e ex-virgem. Me encostei no box do banheiro. Eu desejei ser como as outras noivas. Eu gostaria de poder desfrutar deste dia. Eu gostaria de não ter que olhar pra minha noite de núpcias com medo, mas aprendi há muito tempo atrás que desejar não muda nada.

Quando saí do banho, eu senti frio. Até o meu roupão macio não conseguia parar a tremedeira. Alguém bateu na porta e Luna entrou com um copo e uma taça na mão. — Café e salada de frutas. Aparentemente você não tem permissão pra comer panquecas, pois poderia causar inchaço. Que besteira.

Tomei o café, mas balancei a cabeça para a comida. — Eu não estou com fome.

— Você não pode ficar todo o dia sem comer ou vai desmaiar enquanto caminha até o altar. — Ela fez uma pausa. — Ainda que, pensando bem, eu adoraria ver o rosto de Simón se isso acontecesse.

Tomei um gole no café e depois peguei a taça de Luna e comi alguns pedaços de banana. Eu realmente não queria desmaiar. Papai ficaria furioso, e Simón provavelmente não ficaria muito feliz com isso também.

— A esteticista chegou com sua comitiva. Você poderia pensar que eles vieram para embelezar um exército de sereias.

Eu sorri fracamente. — Não vamos fazê-las esperar.

O olhar preocupado de Luna me seguiu enquanto eu caminhava para o quarto, onde Nina e minha mãe já estavam esperando com três esteticistas. Elas começaram o trabalho de uma só vez, depilando nossas pernas e axilas. Quando eu pensei que a tortura tinha acabado, a esteticista perguntou. — E a zona do biquíni? Você sabe o que seu marido prefere?

Minhas bochechas explodiram com o calor. Mamãe, na verdade, me olhou por uma resposta. Como se eu soubesse sobre as preferências de Simón, especialmente sobre pelos do corpo.

— Talvez pudéssemos chamar uma de suas prostitutas, — Luna sugeriu.

Mamãe engasgou. — Luna!

Nina parecia alheia a toda a situação. Ela podia ser a rainha da paquera, mas isso era tudo.

— Eu vou tirar tudo, mas vou deixar um pequeno triângulo, está bem? — Disse a esteticista com uma voz suave e eu balancei a cabeça, dando-lhe um sorriso agradecido. Demorou horas para nos preparar. Quando nossa maquiagem estava pronta e meu cabelo estava preso em um coque elaborado que mais tarde iria segurar o véu e a tiara de diamantes, minhas tias Livia e Ornatella entraram carregando meu vestido de noiva, assim como os vestidos de dama de honra para Nina e Luna. Tínhamos apenas uma hora até a cerimônia de casamento.

                                                                          ***

Olhei para o meu reflexo. O vestido era lindo; a cauda esvoaçante atrás de mim, o bordado de platina reluzia onde a luz solar batia nele, e a cintura império foi acentuada por uma fita de cetim branco.

— Eu amo o decote. Ele lhe dá uma aparência de tirar o fôlego, — tia Livia disse. Ela era a mãe de Yam.

— Simón certamente irá apreciá-lo, — disse a tia Ornatella.

Algo no meu rosto deve ter feito a minha mãe perceber que eu estava perto de ter um colapso nervoso, então ela mandou minhas tias para fora. — Vamos deixar as três meninas sozinhas um momento.

Luna parou ao meu lado. Seu cabelo castanho avermelhado contrastava perfeitamente com o vestido verde menta. Ela abriu a caixa com o colar. Diamantes e pérolas cercadas por fios de ouro branco intrincado. — Simón não poupou qualquer custo, não é? Esse colar e sua tiara provavelmente custam mais do que a maioria das pessoas paga por sua casa.

A conversa e os risos dos convidados reunidos nos jardins entravam pela janela aberta da sala. De vez em quando um barulho estranho podia ser ouvido.

— Que barulho é esse? — Eu perguntei, tentando me distrair.

Luna foi até a janela e olhou para fora. — Os homens estão tirando suas armas e colocando em caixas de plástico.

— Quantas?

Luna levantou uma sobrancelha.

— Quantas armas cada homem está carregando?

— Uma. — Ela franziu a testa e depois entendeu, e eu assenti tristemente. — Só um tolo sai de casa com menos de duas armas de fogo.

— Então por que o show?

— É simbólico, — eu disse. Como este casamento horrível.

— Mas se tudo o que eles querem é paz, por que não comparecer desarmados? É um casamento, afinal de contas.

— Houve casamentos sangrentos antes. Eu vi as imagens de um casamento onde você não poderia dizer a cor do vestido da noiva mais. Ele estava encharcado de sangue.

Nina estremeceu. — Isso não vai acontecer hoje, certo?

Tudo era possível. — Não, as famílias de Chicago e Nova York precisam muito uma da outra. Elas não podem arriscar derramamento de sangue entre si, porque a Bratva e os taiwaneses representam uma ameaça.

Luna bufou. — Ah, ótimo, isso é reconfortante.

— É, — eu disse com firmeza. — Pelo menos sabemos que ninguém vai vir nos machucar hoje. — Meu estômago se contorceu em um nó. Exceto por mim, talvez. Provavelmente.

Luna colocou os braços em volta de mim por trás e encostou o queixo no meu ombro nu. — Nós ainda poderíamos fugir. Poderíamos tirar você desse vestido e fugir. Eles estão todos ocupados. Ninguém notaria.

Nina assentiu com a cabeça vigorosamente e se levantou de onde ela tinha pousado em cima da cama.

Simon notaria. Forcei um sorriso corajoso. — Não. É tarde demais.

— Não é, — Luna assobiou. — Não desista.

— Não, haveria sangue em minhas mãos se eu quebrasse o acordo. Eles iriam matar uns aos outros em retaliação.

— Todos eles têm sangue em suas mãos. Porra, cada uma das pessoas no jardim têm sangue nas mãos.

 — Não, porra.

— Sério? A senhora não amaldiçoe, — Luna imitou a voz de nosso pai. — Onde você conseguiu chegar sendo uma perfeita dama obediente?

Eu desviei o olhar. Ela estava certa. Isso me levou direto para os braços de um dos homens mais mortais do país.

— Eu sinto muito, — Luna sussurrou. — Eu não quis dizer isso.

Liguei nossos dedos. — Eu sei. E você está certa. A maioria das pessoas no jardim tem sangue em suas mãos e merecem morrer, mas eles são a nossa família, a única que temos. E há inocentes, como Nico.

— Nico vai ter sangue em suas mãos em breve, — disse Luna amargamente. — Ele vai se tornar um assassino.

Eu não neguei. Nico iria começar seu processo de iniciação aos doze anos. Se o que Tino havia dito era verdade, Simón havia matado seu primeiro homem aos onze. — Mas ele é inocente agora, e há outras crianças lá fora que também são, e mulheres.

Luna me encarou com um olhar duro no espelho. — Você realmente acredita que alguém aqui é inocente?

Ter nascido em nosso mundo significava ter nascido com sangue em suas mãos. A cada respiração que dávamos, o pecado era gravado mais profundo em nossa pele. Nascido em sangue. Juramentado em sangue, como o lema da Cosa Nostra de Nova York. — Não.

Luna sorriu sombriamente. Nina foi até a cama e pegou meu véu junto com a tiara. Eu dobrei meus joelhos para que ela pudesse colocá-los na minha cabeça. Ela gentilmente alisou o véu.

— Eu queria que você estivesse casando por amor. Eu gostaria que pudéssemos rir sobre a sua noite de núpcias. Eu queria que você não se parecesse tão fodidamente triste, — disse Luna ferozmente.

 O silêncio entre nós se estendeu. Nina finalmente acenou em direção à cama. — É aqui que você vai dormir esta noite?

Minha garganta se apertou. — Não, Simón e eu vamos passar a noite no quarto principal. — Eu não achava que ia conseguir dormir.

Uma batida soou na porta e eu endireitei meus ombros, colocando minha máscara no rosto. Bibiana e Yam entraram, seguidas por mamãe. — Uau, Ámbar, você está linda. Seu cabelo parece com fios de ouro, — disse Yam. Ela já estava usando seu vestido de dama de honra verde menta, que ficou lindo com seu cabelo loiro. Tecnicamente, só as mulheres solteiras eram autorizadas a serem damas de honra, mas meu tio tinha insistido que fizéssemos uma exceção para Yam. Ele tinha muita vontade de encontrar um novo marido para ela. Bibiana usava um vestido marrom longo com mangas compridas, apesar do calor do verão. Provavelmente era para esconder o quão magra ela estava.

 Forcei um sorriso. Mamãe pegou o braço de Nina. — Vamos, Nina, suas primas precisam falar com sua irmã. — Ela levou Nina para fora da sala e depois olhou para Luna, que estava sentada de pernas cruzadas no sofá. — Luna?

 Luna ignorou. — Eu vou ficar. Eu não vou deixar Ámbar sozinha.

Minha mãe sabia melhor do que ninguém que discutir com a minha irmã quando ela estava nervosa não era nada bom, e por isso ela fechou a porta.

— Sobre o que vocês devem falar comigo?

— Sua noite de núpcias, — disse Yam com um sorriso. Bibiana fez uma cara que me fez lembrar o quanto ela era jovem. Apenas vinte e dois anos. Ela estava realmente magra. Eu não podia acreditar que tinham escolhido as duas para conversar comigo sobre a minha noite de núpcias. O rosto de Bibiana demonstrava sua infelicidade. Desde seu casamento com um homem quase 30 anos mais velho que ela, ela estava praticamente desaparecendo. Isso era para acalmar meus medos? E Yamila havia perdido o marido há seis meses em uma briga com os russos. Como poderiam esperar que elas fossem as pessoas certas para falar sobre felicidade conjugal?

Eu alisei meu vestido nervosamente.

Luna balançou a cabeça. — Quem mandou vocês, afinal? Simón?

— Sua mãe, — disse Bibiana. — Ela quer ter certeza que você saiba o que é esperado de você.

— Esperado dela? — Luna assobiou. — E sobre o que Ámbar quer?

— É assim que é, — disse Bibiana amargamente. — Hoje à noite Simón vai esperar poder reivindicar os seus direitos. Pelo menos ele é bonito e jovem.

A piedade por ela acendeu em mim, mas ao mesmo tempo a minha própria ansiedade deixou difícil consolá-la. Ela estava certa. Simón era muito bonito. Eu não podia negar, mas isso não mudava o fato de que eu tinha pavor de ter intimidade com ele. Ele não me parecia um homem gentil na cama. Meu estômago revirou novamente.

Yam limpou a garganta. — Simón vai saber o que fazer.

— Só se deite de costas e dê a ele o que ele quer, — acrescentou Bibiana. — Não tente lutar contra ele; isso só vai piorar a situação.

Todos nós olhamos para ela, que desviou o olhar. Yam tocou meu ombro.

— Nós não estamos fazendo um bom trabalho consolando você. Desculpe. Tenho certeza de que vai ficar tudo bem.

Luna bufou. — Talvez mamãe devesse ter convidado uma das mulheres de Simón para o casamento. Elas poderiam ter-lhe dito o que esperar.

— Daniela está aqui, — disse Bibiana, então ela ficou vermelha, e gaguejou. — Quero dizer, isso é apenas um boato. Eu... — ela olhou para Yam esperando por ajuda.

— Uma das antigas namoradas de Simón está aqui? — eu sussurrei.

Bibiana se encolheu. — Eu pensei que você soubesse. E ela não era realmente sua namorada, era mais como um brinquedo. Simón teve muitas mulheres. — Ela fechou a boca. Eu estava tentando me controlar. Eu não podia deixar que as pessoas vissem o quão fraca eu era. Por que eu ainda me importava se a prostituta de Simón estava no casamento?

— Tudo bem, — disse Luna se levantando. — Quem diabos é Daniela e por que ela foi convidada para o casamento?

— Daniela Parker. Ela é a filha de um senador de Nova York que está na folha de pagamento da Máfia, — explicou Yam. — Eles tiveram de convidar sua família.

Lágrimas turvaram minha visão e Luna correu em minha direção. — Oh, não chore, Ámbar. Não vale a pena. Simón é um idiota. Você sabia disso. Você não pode deixar que essas merdas lhe atinjam.

Yamila me entregou um lenço de papel. — Você vai arruinar a sua maquiagem.

Pisquei algumas vezes até que tivesse controle sobre as minhas emoções. — Sinto muito. Eu só estou um pouco emotiva.

— Eu acho que é melhor vocês saírem agora, — disse Luna bruscamente, sem sequer olhar para Bibiana e Yam. Elas sussurraram e em seguida a porta se abriu e fechou. Luna colocou os braços em volta de mim. — Se ele te machucar, eu vou matá-lo. Eu juro. Vou pegar uma daquelas malditas armas e colocar um buraco em sua cabeça.

 Encostei-me a ela. — Ele sobreviveu à Bratva e à Triad, e ele é o lutador mais temido da Família de Nova York, Luna. Ele mataria você primeiro.

 Luna deu de ombros. — Eu faria isso por você.

 Eu me afastei. — Você ainda é minha irmãzinha. Eu deveria protegê-la.

— Vamos proteger uma a outra, — ela sussurrou. — Nossa ligação é mais forte do que os seus juramentos estúpidos, e a Omerta (código de honra da máfia) e seus votos de sangue.

— Eu não quero deixá-la. Eu odeio ter que mudar para Nova York.

Luna disse. — Vou visitá-la muitas vezes. O pai vai ficar feliz em se livrar de mim.

Houve uma batida e a mãe entrou. — Está na hora. — Ela esquadrinhou os nossos rostos, mas não fez nenhum comentário. Luna deu um passo para trás, com os olhos ardendo em mim. Depois virou-se e saiu. Os olhos de mamãe foram para a liga de renda branca. — Você precisa de ajuda para colocá-la?

Eu balancei a cabeça e deslizei a liga até que ela veio descansar na minha coxa. Mais tarde esta noite Simón iria removê-la com a boca e jogá-lo no grupo de solteiros reunidos. Eu alisei meu vestido de noiva.

— Venha, — disse minha mãe. — Todo mundo está esperando. — Ela me entregou o buquê de flores, um belo arranjo de rosas brancas, pérolas rosadas, e ranúnculas pink.


Notas Finais


Mais um, desculpem a demora, ontem foi um dia corrido e eu não consegui postar. Espero que tenham gostado! Beijoos


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