História Nascidos na Máfia - Capítulo 8


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Gaston, Luna Valente, Matteo, Nico, Nina, Personagens Originais, Simón, Tino
Tags Gastina, Lutteo, Máfia, Simbar, Sou Luna
Visualizações 225
Palavras 2.336
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Eu não sou um monstro.


Minha respiração formava uma fumaça cada vez que saía dos meus lábios. Até o meu casaco grosso não poderia me proteger do inverno de Chicago. A neve rangia sob minhas botas enquanto eu seguia minha mãe ao longo da calçada em direção ao prédio de tijolos, que abrigava a loja do casamento mais luxuosa do Centro-Oeste. Tino seguia de perto logo atrás, era a minha sombra constante. Outro dos soldados do meu pai fazia a escolta, atrás de minhas irmãs.

 As portas giratórias nos levaram ao interior iluminado da loja, e a proprietária e seus dois assistentes imediatamente nos cumprimentaram. — Feliz aniversário, Srta. Scuderi, — disse ela em sua voz melodiosa.

 Forcei um sorriso. O meu aniversário de dezoito anos era para ser um dia de comemoração. Em vez disso, só queria dizer que eu estava mais um passo mais perto de me casar com Simon. Eu não o tinha visto desde aquela noite em que ele cortou o dedo de Sebastian. Ele me enviou joias caras nos meus aniversários, natais, dia dos namorados e nos aniversários do nosso noivado; esse foi o máximo de contato que tivemos nos últimos 30 meses. Eu tinha visto fotos dele com outras mulheres na internet, mas, a partir de hoje, quando o nosso noivado seria vazado para a imprensa, pelo menos em público ele não iria exibir mais suas prostitutas.

 Eu não me iludia pensando que ele não iria mais dormir com elas. E eu não me importava. Já que ele outras mulheres para se aliviar, eu esperava que não pensasse em mim dessa forma.

— Apenas seis meses até o seu casamento, se eu estou bem informada? — a dona da loja perguntou. Ela era a única pessoa que parecia animado. Nenhuma surpresa, afinal ela iria fazer um monte de dinheiro hoje. O casamento que marcaria a união final da máfia de Chicago e de Nova York deveria ser um momento esplêndido. O dinheiro era irrelevante.

Inclinei a cabeça. 166 dias até que eu tivesse que trocar uma gaiola dourada por outra. Luna me deu um olhar que deixou claro o que ela pensava sobre o assunto, mas manteve a boca fechada. Aos dezesseis anos e meio, Luna tinha finalmente aprendido a controlar suas explosões, quase sempre.

A dona da loja nos levou para o provador. Tino e o outro homem ficaram do lado de fora das cortinas fechadas. Nina e Luna se sentaram no caro sofá branco enquanto mamãe começou a olhar os vestidos de noiva em exposição. Eu estava no meio da sala. A visão de todos os tules brancos, sedas, brocados e o que eles representavam fez um nó na minha garganta. Eu seria uma mulher casada em breve. Citações sobre o amor decoravam as paredes da sala; parecia uma provocação, considerando a dura realidade que era a minha vida. O que era o amor, só um sonho bobo?

Eu podia sentir os olhos da proprietária da loja e seus assistentes em mim, e endireitei os ombros antes de me juntar a minha mãe. Ninguém poderia saber que eu não era uma noiva feliz, mas um peão em um jogo de poder. Finalmente a dona da loja se aproximou de nós e nos mostrou seus vestidos mais caros.

— Que tipo de traje o seu futuro marido prefere? — Ela perguntou agradavelmente.

— O tipo nu — disse Luna, e minha mãe lançou um olhar. Corei, mas o dono da loja riu como se fosse tudo muito divertido.

— Há tempo para isso na noite de núpcias, você não acha? — ela piscou.

Estendi a mão para o vestido mais caro da coleção, um sonho de brocado; o top foi bordado com pérolas e fios prateados que formavam um padrão de flores delicadas. — Esses são fios de platina, — disse a proprietária da loja. Isso explicava o preço. — Acho que o seu noivo vai ficar satisfeito com sua escolha.

Provavelmente ela o conhecia melhor do que eu. Simon era tão estranho para mim hoje como tinha sido há quase três anos.

.

.

O casamento seria realizado nos vastos jardins da mansão Vitiello nos Hamptons . Todo mundo já estava em polvorosa com os preparativos. Eu não tinha posto os pés dentro da casa ou até mesmo nas suas instalações ainda, mas minha mãe me mantinha atualizada – não que eu tivesse pedido a ela.

No momento em que minha família chegou a Nova York, há algumas horas, minhas irmãs e eu nos amontoamos em nossa suíte no Mandarin Oriental Hotel em Manhattan. Salvatore Vitiello havia sugerido que ficássemos em um dos muitos quartos na mansão até o casamento em cinco dias, mas meu pai recusou. Três anos de cooperação provisória e eles ainda não confiam um no outro. Eu estava feliz. Não queria pisar na mansão até que fosse obrigada a fazer isso.

Meu pai concordou em me deixar compartilhar uma suíte com Nina e Luna, para que ele e mamãe tivessem uma suíte própria. Naturalmente, um guarda-costas estava estacionado na frente de cada uma das três portas da nossa suíte.

— Será que temos realmente que ir ao chá de panela amanhã? — perguntou Nina, suas pernas nuas sobre o encosto do sofá. Minha mãe sempre disse que Nabokov deve ter tido Nina em mente quando escreveu Lolita. Enquanto Luna provocava com as suas palavras, Nina usava seu corpo para isso. Ela fez catorze anos em abril, uma criança que tentava usar suas curvas para conseguir o que queria. Ela parecia a modelo adolescente Carolina Kopelioff.

Isso me preocupava. Eu sabia que era a sua maneira de se rebelar contra a gaiola dourada que era a nossa vida, mas, enquanto os soldados do pai consideravam seu flerte uma diversão, havia outras pessoas lá fora que poderiam interpretar isso mal.

— Claro, temos sim, — Luna murmurou. — Ámbar é a noiva feliz, lembra?

Nina bufou. — Claro. — Ela sentou-se abruptamente. — Estou entediada. Vamos às compras.

Tino não estava entusiasmado com a sugestão, mesmo com outro dos guarda-costas do meu pai ao seu lado ele alegou que era quase impossível nos manter sob controle. Finalmente ele acabou cedendo, como sempre fazia.

                                                                        ***

Estávamos fazendo compras em uma loja que vendia roupas do estilo rock chic que Nina queria desesperadamente conhecer quando recebi uma mensagem de Simon. Foi a primeira vez que ele entrou em contato comigo diretamente e em muito tempo. Eu só fiquei olhando para a tela. Luna olhou por cima do meu ombro no provador. — 'Me encontre no seu hotel às seis. Simon’. — Legal da parte dele perguntar.

— O que ele quer? — eu sussurrei. Esperava não ter que vê-lo até 10 de agosto, o dia do nosso casamento.

— Só há uma maneira de descobrir, — disse Luna, se olhando no espelho.

                                                                      ***

Eu estava nervosa. Não via Simon há muito tempo. Alisei meu cabelo para baixo, então endireitei minha camisa. Luna tinha me convencido a usar os jeans skinny pretos apertados que eu tinha comprado hoje. Agora eu me perguntava se algo que chamasse menos atenção para o corpo não teria sido uma escolha melhor. Eu ainda tinha quinze minutos antes de Simon me encontrar. Eu nem sequer sei onde, ainda. Pensei que ele ia me ligar quando chegasse, e me pediria para descer para o saguão.

— Pare de se mexer, — disse Luna do seu lugar no sofá, lendo uma revista.

— Eu realmente não acho que esta roupa é uma boa ideia.

— É. É fácil de manipular os homens. Nina tem catorze anos e já percebeu isso. O pai sempre diz que somos o sexo frágil, porque não temos armas. Nós temos nossas próprias armas, Ámbar, e você vai ter que começar a usá-las. Se você quiser sobreviver a um casamento com aquele homem, você terá que usar o seu corpo para manipulá-lo. Os homens, mesmo os bastardos de coração frio como ele, têm uma fraqueza, e ela está entre as pernas.

 Eu não acho que Simon poderia ser manipulado facilmente. Ele não parecia ser alguém que já perdeu o controle, a menos que ele quisesse, e eu realmente não tinha certeza se queria que ele notasse meu corpo assim.

 Uma batida me fez pular e meus olhos voaram para o relógio. Ainda era muito cedo para Simon e ele realmente não iria vir até nossa suíte, iria?

 Nina saiu correndo de seu quarto antes que Luna ou eu pudéssemos nos mover. Ela estava vestindo sua nova roupa rock chic, calças de couro justas e uma camiseta preta apertada. Ela achou que parecia adulta assim. Luna e eu achamos que ela parecia uma garota de quatorze anos de idade tentando parecer adulta.

Ela abriu a porta, projetando seu quadril para fora, tentando parecer sexy. Luna gemeu, mas eu não estava prestando atenção nela.

— Oi Simon, — Nina disse. Eu me aproximei para que pudesse ver Simon. Ele estava olhando para Nina, obviamente tentando descobrir quem ela era. Matteo, Gaston e Cesare estavam atrás dele. Wowww, ele trouxe sua comitiva. Onde estava Tino?

— Você é Nina, a irmã mais nova, — disse Simon, ignorando a expressão sedutora de Nina.

Nina franziu a testa. — Eu não sou tão nova.

— Sim, você é, — eu disse com firmeza, caminhando até ela e colocando minhas mãos em seus ombros. Ela era apenas alguns centímetros menor do que eu. — Vá com Luna.

Nina me deu um olhar incrédulo, mas depois se moveu furtivamente para longe.

Meu pulso estava a mil quando me virei para Simon. Seu olhar permanecia em minhas pernas, e depois se moveu lentamente até chegar ao meu rosto. Não era esse o olhar que ele tinha nos olhos a última vez que o vi. E eu notei que esse era um começo que eu queria. — Eu não sabia que nos encontraríamos na minha suíte, — eu disse, então percebi que deveria tê-lo recebido, ou pelo menos tentar parecer menos rude.

— Você vai me deixar entrar?

Eu hesitei, então recuei e deixei que os homens passassem por mim. Apenas Cesare ficou de fora. Ele fechou a porta, embora eu tivesse preferido mantê-la aberta.

 Matteo andou até Luna, que rapidamente sentou-se e deu-lhe o mais sórdido olhar. Nina, é claro, sorriu para ele. — Posso ver sua arma?

Matteo sorriu para ela, mas antes que ele pudesse responder, eu disse. — Não, não pode.

Eu podia sentir os olhos de Simon em mim, demorando-se nas minhas pernas e bumbum novamente. Luna me deu um olhar “o que eu falei sobre suas roupas?”. Ele queria usar o meu corpo; o problema era que eu preferia Simon ignorando o meu corpo, porque tudo nele me aterrorizava.

— Você não deveria estar aqui sozinho com a gente, — Luna murmurou. — Não é apropriado. — Eu quase bufei. Como se Luna desse a mínima pra essas coisas.

Simon estreitou os olhos. — Onde está Tino? Ele não deveria estar guardando a porta?

— Ele provavelmente está no banheiro ou fazendo uma pausa para fumar, — eu disse, encolhendo os ombros.

— Ele te deixa sem proteção com muita frequência?

— Ah, o tempo todo, — disse Luna ironicamente. — Você vê, Nina, Ámbar e eu saimos todo fim de semana, porque temos uma aposta sobre quem pode pegar mais caras. — Nina deu uma risada irônica.

— Eu quero ter uma conversa com você, Ámbar, — disse Simon, fixando seu olhar frio em mim. Luna se levantou do sofá e veio em nossa direção.

— Eu estava brincando, pelo amor de Deus! — Ela disse, tentando passar entre Simon e eu, mas Matteo agarrou seu pulso e puxou-a para trás. Nina observava tudo com os olhos arregalados e Gaston ficou contra a porta, fingindo que isso não lhe dizia respeito.

— Solte-me, ou eu vou quebrar seus dedos, — Luna rosnou. Matteo levantou as mãos com um sorriso largo.

— Vamos lá, — disse Simon, sua mão tocando a minha parte inferior das costas. Engoli um suspiro. Se ele percebeu, não fez nenhum comentário. — Onde é o seu quarto? Meu batimento cardíaco tropeçou quando acenei em direção à porta da esquerda. Simon me levou nessa direção, ignorando os protestos de Luna.

— Vou ligar para o nosso pai! Você não pode fazer isso.

Nós entramos no meu quarto e Simon fechou a porta. Eu não poderia deixar de ter medo. Luna não deveria ter dito essas coisas. No momento que Simon me encarou, eu disse, — Luna estava brincando. Eu nem sequer já beijei alguém, eu juro. — O calor penetrou em meu rosto à admissão, mas eu não queria que Simon ficasse com raiva por algo que eu não tinha feito.

Os olhos cinzentos de Simon me seguraram com sua intensidade. — Eu sei.

Meus lábios se separaram. — Ah. Então por que você está irritado?

— Eu pareço irritado para você?

Eu decidi não responder.

Ele sorriu. — Você não me conhece muito bem.

 — Isso não é culpa minha, — eu murmurei.

Ele tocou meu queixo e eu me transformei em uma estátua. — Você é como uma gazela arisca nas garras de um lobo. — Ele não sabia o quão perto disso eram meus pensamentos sobre ele. — Eu não vou bater em você.

 Devo ter parecido em dúvida, porque ele soltou uma pequena risada, baixando a cabeça para o minha.

— O que você está fazendo? — Eu sussurrei, nervosa.

— Eu não vou forçá-la, se é com isso que você está preocupada. Eu posso esperar mais alguns dias. Já esperei três anos, afinal.

Eu não podia acreditar que ele tinha dito isso. É claro, eu sabia o que era esperado em uma noite de núpcias, mas eu quase me convenci de que Simon não estava interessado em mim dessa forma. — Você me chamou de criança da última vez.

— Mas você não é mais uma criança, — disse Simon com um sorriso predatório. Seus lábios estavam a menos de um centímetro dos meus. — Você está tornando isso muito difícil. Eu não posso te beijar, se você me olhar desse jeito.

— Então talvez eu devesse te dar esse olhar em nossa noite de núpcias, — eu o desafiei.

— Então, talvez, eu te pegue por trás, então não vou ter que olhar para você. Meu rosto caiu e eu tropecei para longe, e minhas costas colidiram com a parede.

Simon balançou a cabeça. — Relaxe. Eu estava brincando, — disse ele em voz baixa. — Eu não sou um monstro.



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