História Nativos - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Anjos, Bruxas, Feiticeiros, Lobos, Romance, Vampiros
Exibições 7
Palavras 1.861
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Escolar, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Saga
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Ele é um lobo



      Assim como toda a casa, o quarto de Jasper era grande, tinha as paredes revestida à cinza com uns quadros brancos e fotografias escuras. Uma decoração sofisticada e simples.
     — Você tem um belo quarto. – elogiei, analisando a estante com livros ao fundo do quarto.
     — Yris quem decorou, é o hobbie favorito dela. – disse. — Aqui está. – entregou-me a toalha. — Vou deixar uma roupa minha em cima da cama. Quando terminar, vou estar lá em baixo com May.
     — Ok. – assenti num sussurro, sem graça.
     O toalete era no próprio quarto de Jasper. Optei por banhar-me ao chuveiro, já que, não seria adequado usar a banheira sem permissão, e mesmo que me fosse permitido, não usaria por timidez. O sabonete tinha cheiro de isenso, era bom, me lembrava Jasper.
     Tomei um banho rápido e vesti as roupas que Jasper havia me dado. Enquanto secava meu cabelo de frente para pia e o espelho, puxei a escova de um vaso de vidro, o qual saiu rolando pela pia até que se partisse em dezenas de pedaços ao chão.
     — Céus! – repreendi-me, recolhendo o vidro — Burra!
     Ouvi uma risada da porta. Paralisei, em choque.
      — Desculpa, eu fui puxar a es...
     — Não quero explicações. Eu achava esse vaso horrivel – acautelou.
     Encarei-o.
     — Era um vaso lindo, e você está falando isso pra me deixar calma. – acusei.
     — É verdade. – confessou, tirando as mãos dos bolsos e se inclinando para me ajudar. — Eu não estou bravo, e ninguém nesta casa ficará, e quando eu digo ninguém, estou incluindo você. Agora deixe isto aí e vamos comer.
    Não protestei.
    Pensei ter pisado em um caco de vidro quando levantei para jogar o vidro fora. Levantei o pé e olhei fixamente para o que estava no chão. Fiquei imóvel, tentando entender em como a gargantilha que perdi na floresta do campo foi parar alí.
     Jasper a pegou.
     — Isso faz parte do que eu tenho pra contar. – anunciou, colocando-a em minha mão. — Vamos estragar tudo mais tarde, então não ouse pensar ou falar disto agora. – não sabia se era um pedido ou uma ordem.
     — Por que iremos estragar tudo?
     — Raza. – repreendeu.
     — Jasper. – repeti o gesto, atravessando seu caminho e indo para o quarto.
     Me sentia um balãozinho nas roupas de Jasper, principalmente em sua calça moletom, a qual eu usava, contudo, me era confortável.
     Nós voltamos para a cozinha iluminada de metal. Uma mesa redonda farta por comida esperava por nós. Eu me sentei ao lado de Jasper e de frente para Maya.
     Maya soltou o celular e suspirou em desaponto.
     — Suspirar não vai fazer ele voltar para você. – mencionou, Jasper, enquanto tirava minha comida.
     — Eu já pedi desculpas. 
     — Não é suficiente, como pode ver.
     — Não vou atrás dele... – afirmou a mesma.
     Fiz cara de desentendida.
     — Mayron e Maya namoram há sei lá, 1 ano. – contou, Jass, naturalmente.
     Arregalei meus olhos, perplexa.
     Simplesmente porque nunca os vi juntos, essa possibilidade jamais passara pela minha cabeça.
     — O que vocês têm é segredo? – perguntei, animada. 
     Maya riu.
     — Mayron tem uma reputação grandiosa naquela escola, não quero estragar isto. – respondeu, com olhos baixados.
     — Já disse a ela que é uma grande merda. Mayron já tentou convencê-la de que não há nada de errado em namorá-la mas ela insiste que não é bonita o suficiente para ele. 
     Me engasguei.
     — Você é linda sem precisar de olhos claros e cabelos loiros. – admiti, sincera e indignada com tal pensamento.
     — É reconfortante, obrigada, Razz. – sorriu, satisfeita.
     — Olá, crianças! – uma voz empolgada ressurgiu na entrada da cozinha.
     Era uma mulher. Não havia dúvidas de que era os pais de Jasper e Maya. Olhos pequenos e sorriso simpático. O destaque da família Lane.
     — Olá – eu disse, talvez baixo demais, mas exibindo meu sorriso mais amigável possível.
     — Hum, está nervosa... – averiguou, pondo sacolas na bancada. — Jasper, pegue o resto das sacolas no carro. E Maya, busque o álbum de fotografias.
     — Mas a gente não tem um álbum, mãe. – replicou, May.
     — Pegue.
     Os dois se levantaram, segurando as risadas. Antes de saírem para fazer o dever, me deram socos leves nos ombros seguido por um sussurro "você é demais!", como se eu fosse passar por uma prova.
     Parei de comer na minha 6ª garfada.
     — Estou muito feliz em te conhecer, Raza. Jasper se preocupa tanto com você, e com razões! Sinto a bagunça em você. – fez uma pausa, e olhou para a mesa. — Não vou pedir para que não o machuque. Sentimentalmente falando, porque fisicamente é improvável. É algo inevitável quando se possuí o coração de alguém. Mas, quando o conhecer de verdade, aceite, ele é o que ele ama ser.
     — Tudo bem, entendo. – foi a única coisa que consegui dizer.
     — Não tem nenhuma sacola no carro, Dona Yris Lane. – protestou, Jasper.
     Sorri-lhe, como um "Ok, está tudo ok". E ele me beijou.
     — Pois é, eu menti. – fez uma falsa cara de lamento. — Linda a garota, Jasper. O que te chama mais atenção, os olhos, ou a boca? É sexy como ela abre a boca quando surpresa, não acha?
     Nos olhamos. 
     — Acho. – ele respondeu, olhando fixamente nos meus olhos, penetrante. 
     Mais nada foi mais penetrante que meus pensamentos pervertidos na hora errada. Talvez foi o primeiro pensamento erótico que eu tive com ele, não devo admitir.
     Fiquei desconfortável.
     — E então, no que seus pais trabalham? – indagou, a Sra. Lane, querendo puxar conversa.
     — Meu pai é psicólogo e minha mãe não trabalha. – respondi, casual, retornando a comer.
     — Psicólogo, hum? Interessantíssimo. É o primeiro de Helste-Lins em muito tempo. É disso que muitos por aqui precisam. – alegou — E você, o que está achando da cidade?
     — Tenho gostado até agora.
     Jasper pegou minha mão e me arrastou para o seu quarto novamente. Nós nos deitamos em sua cama e alí permanecemos, calados e pensativos até um de nós quebrasse o silêncio.
     — No que está pensando? – perguntei ao me virar de bruço e apoiar a cabeça na mão direita.
     Jasper arrumou meu cabelo e sorriu frágil, sem abrir a boca, apenas esticando os lábios.
     — Que está escurecendo.
     — Sempre fica tenso quando pensa nisto. O que há de grave no que vai me contar?
      Comentário e pergunta ignoradas. Jasper colocou o celular para tocar uma música, olhei para tela do celular e vi que o nome era Let It Go, cuja banda eu jamais ouvira falar. Com o silêncio, era quase impossível não prestar atenção na letra de duplo sentido, a menos que eu estivesse perdida em devaneios.
     — Posso pôr Taylor Swift se quiser – senti o tom de ironia em sua voz. — Você tem cara de quem ouve ela, ok? Foi só uma sugestão.
     — É um péssimo mentiroso, Jasper Lane.
     Rimos.
     Olhei para janela. O céu já estava mais escuro que alguns minutos atrás.
     — Como encontrou minha gargantilha? – sondei.
     — Eu estava no campo Ualita no dia em você foi explorar a mata.
     — E como sabia que era minha? 
     — Eu vi.
     — Por que não me devolveu antes?
     — Não sei.
     — O que estava fazendo por lá? Aiden odeia a tua presença no campo.
     Ele engoliu em seco. 
     — Soube que havia uma família nova na cidade. Sou um curioso, Maria Raza.
     — Você responde rápido. – me sentei e ri. — Isso me faz acreditar que não está mentindo.
     — E não estou. – prometeu, me dando outro beijo.
     — O professor Charles faz algum tipo de experimento com sangue que ele retira de restos de comida de lobos. – comentei.
     Jasper se sentou, apreensivo, e com a testa franzida, como se fosse um assunto estranho mas mesmo assim, de seu interesse.
     — Eu quase doei um pouco de meu sangue mas o Aiden interrompeu. 
     — Acho bom que não tenha doado nada. – sibilou.
     Rolei os olhos.
     — Uma hora eu vou acabar me cortando. O sangue que sair não fará falta, é o mesmo que doar. 
     — Doar para um experimento clandestino não é o mesmo que se machucar ou doar para um hospital. – desdenhou.
     — Não faz diferença. O efeito não é em mim e sim no sangue que ele utilizar. Por que se preocupa tanto com isso?
     — Os dentes de um lobo não comum transfere algum tipo de célula ao que mordido. Como um DNA, e assim ele pode... – pausou. — Estou indo rápido demais.
     — E deve. – concluí. — Como sabe disso tudo? E o que é Lobos não comum? 
     — Imagino que não acredita em lendas. – deduziu. 
     Soltei uma risada debochada.
     — E você acredita? 
     — Se não acreditar, é ignorar o que eu sou. 
     — E o que você é? – indaguei, quase como um desafiar. — Por favor, não faça suspense. Seja direto e sem drama.
     — Está bem. – concordou, sem hesitar. Pegou minha mão e a passos largos me guiou para a cozinha novamente.
     Comecei a ficar perturbada com o aperto de sua mão a minha, sua expressão excitado por adrenalina, e principalmente com o calor de seu corpo.
     — Aonde vão? – perguntou, a Sra. Lane, de repente.
     — Jasper vai mostrar a Raza. – respondeu, Maya.
     Não pude ouvir o que a Sra. Lane correspondeu depois, já havíamos entrado em um cômodo escuro. Descemos as escadas. Estávamos em um porão vazio e grande, extensão da casa inteira. As lâmpadas eram amareladas, era como se usássemos velas para a iluminação.
     Jasper soltou meu braço. Meu corpo estremeceu.
     — Me faça a pergunta que fez ontem à noite. – ordenou.
     Pensei um pouco para me lembrar, algo em vão, Jasper antecipou a resposta antes mesmo que eu perguntasse.
     — Imprinting. Você é um pequeno tudo da minha e da vida de Aiden.
     Encarei-o.
     — Não entendi. – eu disse, cômica.
     Eu podia pensar em vários sentidos. E pensei. Mas nenhuma conclusão sábia ou categórica.
     Depois de me perder em uma aquisição de pensamentos, dei-me de volta à realidade quando Jasper roçou meu cabelo levemente em afeto.
     — Se não tem intenção de me assustar, pare agora de dizer coisas sem sentido, Jas. – aconselhei.
     — Só preciso que confie em mim.
     Mordi meu lábio inferior. Eu confiava em Jasper, só não podia dizer que sim quando ele estava a saciar meu mau pressentimento.
     — Tenho consciência do que vou mostrar e peço que não se assuste. – pediu, retirando a camisa enquanto se afastava.
     Havia uma parte do porão, a qual não havia nenhuma iluminação, a parte mais escura, e era onde Jasper estava indo. Onde ecoou um estrondo ensurdecedor, como se ferros e madeiras tivessem caído ao chão. E por mais que eu pudesse ter visto coisas em sã consciência, eu o vi, eu o vi se transformar no animal mais lindo que meus olhos pudessem ver. Foi rápido, seu corpo não era o mesmo, seu corpo agora era como de um lobo. E eu reconhecia aqueles pelos escuros e aqueles olhos dourados. Jasper era o lobo que vi no campo Ualita.
     Pensei estar sonhando. Supliquei mentalmente para que não fosse real. Mas era. Meu coração devia ter batido pelo menos 75 vezes por minuto. 
     No primeiro movimento dado pela fera, eu fugi do porão. Atravessei a cozinha correndo, do mesmo jeito que se corre de um assassino. 
     Visto que o desastre foi pouco, quando alcancei a rua, tropecei enquanto um carro vinha em minha direção. Já não me sentia mais sóbria, o susto havia levado minhas energias e a transformado em pequenos soluços atiçados pelas lágrimas.
     O carro parou subitamente à dois passos de distância. 
     — Raza? – o motorista clamou.
     Olhei-o de baixo. Sem pensar duas vezes abracei Felipe, acudida.
 


Notas Finais


Música Let It Go - The Neighbourhood.
Eu sou de uma cidade pequena com gosto caro
Onde os carros não andam até que o motor quebre
Não foi gastando muito com coisas grandes
Mas investindo na bagunça com essa receita
Não podia ver muito bem o que o futuro reservava
E enquanto os dias passavam seria revelado por si mesmo.

(Música tema do livro aliás)


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