História Naughty Girl - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 295
Palavras 3.772
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Essa é uma das situações de abordagens furtivas. Essa história minha, é algo que fora descartado há tempos, e por estes tempos, cedi a oportunidade de algumas pessoas lerem o que antes era descartado, isso por a ter achado ocasionalmente. E as opiniões foram tão positivas e insistentes que eu, como relutante que sou, cedi a oportunidade de dar essa oportunidade à Naughty Girl.
Vou começar ela antes de terminar Ascéncion pelo simples fato de que ao termina-la virá outra fic inédita, chamada Pieces. Essa história aqui é mais para ceder à quem leu o descarte, a oportunidade de ver o que eu tinha em mente. Espero que gostem. Bem-vindos à Houston, Texas.
Já sabem que o melhor acontece no Texas, não é?

Capítulo 1 - Best Way


Music on* Crazy in love (Versão Original Live on I Am…World Tour)  – Beyoncé

Os estéreos explodiam com a voz agradável e as explosões de batida a todos os ouvidos, a plateia uivava animada erguendo os braços quando as primeiras frases da música foram proferidas com uma afinação sem igual.

Mrs. Carter seguiu com seu batalhão sincronizado de dançarinas, desfilavam sobre os saltos, os cabelos em ondulações, as mãos soltas batendo neles os jogando sobre os ombros. A voz de Jay Z explodiu levando todos na plateia a loucura pelo encontro do casal mais poderoso na indústria musical, era um dos momentos épicos da turnê.

As dançarinas de pernas expostas em suas meias calças finas brilhantes, os bodys negros apertados dando ênfase as suas curvas. Uma destas, era latina, estava à direita de Beyoncé, a líder de coreografias, a mulher de confiança. Quando as interações da líder eram com o marido, a latina se posicionava no meio de todos os dançarinos à frente da linha de dança. As unhas vermelhas impecáveis, as coxas torneadas brilhavam para o público abaixo, o sorriso de que sabia que estava fazendo bem no rosto.

O ritmo de seu tronco era alucinante, o deslocava com facilitava. A batida street a fez se aproximar da linha de dançarinas, apoiando a mão no ombro da dançarina de cabelos ruivos a sua frente, o ritmo era sincronizado, rebolavam em fileira no mesmo momento.

Beyoncé ergueu a mão apontando para o marido mandando um beijo no ar, voltando para a formação. O barulho dos trompetes aumentando o ritmo em que desfilavam exibindo as belas pernas enquanto os cabelos se moviam com os ventiladores ligados ao máximo.

O suor estava camuflado debaixo das vestes, os cabelos estavam impecáveis, as unhas vermelhas ocasionalmente se aranhavam nas coxas sobre a meia calça, era objetivo da dança, impecável, a música pausou em um acordo final altíssimo, fazendo todas as mulheres pararam levando as mãos à cintura elevando o queixo e focando a frente.

O silêncio no palco foi geral. As dançarinas se apressaram em caminhar entre o escuro sinalizado para o fundo dos palcos. A agilidade foi total em retirar os saltos e entrarem nas botas vermelhas que iam até acima do joelho.

As batidas já voltaram com força total. A latina pisou com atitude no degrau da caixa de madeira pressionando a bunda contra a parede e fechando a expressão no repleto escuro.

Era a mesma música, em versão diferente.

Respirou fundo ouvindo o tilintar provocante de piano na música.

Um...

Dois...

As batidas começaram e ela se inclinou a frente, espalmando as mãos na parede empinando a bunda e entreabrindo a boca. As costas na parede, e as oscilações quando a sombra que tanto perseguia cada compartimento da caixa ia e voltava. Abaixou, se inclinou e ergueu o olhar, enxergando a cantora subindo pelo elevador automático, a voz começando a soar provocante. Havia recomeçado.

A mão espalmada deslizou pela coxa empurrando a pele em brasas, a respiração oscilando com o modo furtivo que se movia, costas contra a parede, mãos empurrando, o corpo girando para exibir as curvas.

O que mexia com o psicológico do público eram os movimentos furtivos, alucinantes e sedutores das dançarinas. Era a marca registrada de Beyoncé.

A latina deslizou a mãos acariciando a parede de madeira, era uma sincronia perfeita com todas as parceiras ao seu lado, e sequer olhavam de uma a outra, era tudo feito com a maior minúcia possível, palma contra parede, pernas esticadas, caricias em seus próprios corpos exaltando o prazer que só uma mulher podia se dar.

Beyoncé era aquilo, e todos amavam.

E em seu ápice, os movimentos se cessaram, como se deixasse sempre um gosto de que queria mais.

Era o modo de viver da diva pop, que era refletido na latina de olhos castanhos de queixo erguido e expressão fechada.

Sempre gostava do gostinho à mais que deixava no ar. Mesmo sabendo que o paladar não era sua especialidade.

E diferente dela...

Lauren Jauregui tinha uma especialidade singular com paladares.

-

Lauren POV

Houston, Texas – 12:09Pm

O Estado da estrela solitária. Texas.

Satisfação.

É isso que sinto ao entrar pelas portas principais do meu restaurante e o ver repleto de gente, sentadas à mesa, falando animadas ou conversando com polidez umas com as outras, os barulhos de talheres batendo nos pratos, o mover e o cheirinho típico dos pratos. A sensação morna da comida sendo feita e passando de um lado ao outro.

- Olá. – Falei sorrindo e acenando com a mão aberta, à distância, Lindsey, a garota do caixa, sorriu e retribuiu meu aceno enquanto eu caminhei para dentro da cozinha do restaurante, avistando os olhares de todos os meus funcionários caírem em mim.

- Lauren, te ligaram mais cedo, era homem, não deixou nome, apenas falou que precisavam conversar com você para um trabalho particular. Deve ser algum grã-fino importante. – Allyson Brooke, ou Ally, estatura mediana, me olhava com atenção, as mãos pousando com firmeza na faca e o foco no tomate em que picava. Trabalhava comigo, era a gerente do meu restaurante.

- Sério? Disse se ligaria de novo? – Perguntei pegando meu avental. Ally voltou a picar os tomates com precisão.

- Falou. Tente não sair e esperar, parecia rígido e apressado. – Ela adicionou aquele detalhe me fazendo dar de ombros intrigada. Eu sou bem conhecida em Houston pelos os meus pratos, e além disso, sou especialista em culinária mexicana, culinária essa que é muito predominante no Estado, pela influência do México que Texas teve antigamente, o Estado foi uma província do México no passado, coisa política. Eu cresci aqui, minha família é de descendência mexicana, acho que muito fora passado por sequência hereditária para mim. Tanto o amor pelo Estado, quanto o amor por cozinha.

Já cozinhei para algumas personalidades famosas que visitavam ou vinham a região. A família Bush mesmo, já ouviu falar? Família de políticos em sequência? George Bush? Ex presidente dos Estados Unidos? Antes de Obama? Sim. Eles mesmos. Apesar de ideologia política bem diferenciada, foi um prazer quando percebi que gostaram dos meus pratos e da maneira pela qual me portava na cozinha. Quando se faz as coisas com amor, e recebe tantos elogios em troca o prazer parece se tornar multiplicado. É o que sempre acontece comigo.

- 5 pedidos do seu Chili com Carne Especial. – Ela falou apontando a faca casualmente para mim, me tirando de devaneios. Sorri, satisfeita.

- Já vou fazer, no ponto. – Respondi ajeitando a toca nos cabelos e me curvando sobre a pia, higienizando minhas mãos. Cozinhar é a minha maior paixão, eu sempre fui destas de ficar até de madrugada na cozinha testando receitas novas ou inventando algumas, e todas as reuniões familiares eu era a anfitriã responsável por alimentar todas as bocas. Fazia com prazer e olhava todos saírem satisfeitos.

- Viu que a Hamilton pegou licença, não é? Estamos com um desfalque. – Ally mencionou quando eu me aproximei dela no balcão, iria moer carne perto dela. Eu suspirei, preocupada com a alta demanda. Andrea Hamilton era a mulher mais experiente no quesito idade, no restaurante, assistente de cozinha, muito prática e atenciosa, rígida com higiene, do jeito que gostava. Pediu licença por uma suspeita de artrite no ombro. Era uma pena.

- Ela me citou que havia pedido para a sobrinha vir no lugar, a jovem anda precisando de dinheiro, ao menos ela me disse que a menina era como ela, e havia aprendido tudo o que sabia de cozinha, com a mesma. Mas não me apresentou, sequer a vi. Acha que ela vem hoje? – Perguntei focada em retirar as bordas de gordura na carne para moer. Ally terminava seus tomates. Seu olhar pousou em mim.

- O horário da Hamilton é daqui 30 minutos, vamos descobrir na hora. – Falou dando uma piscadela e se afastando para o fogão industrial às minhas costas. O resto da equipe estava focada em cozinhar. Tudo, incluindo Andrea e eu, era composto por 8 pessoas. Mas agora, pelo período, só havia 5, no total, na cozinha. Andrea ou sua substitua não entrou ainda, Judy e Marc também não. Apenas Meghan, Buddy e Erica.

- Erica, tem como preparar o milho para mim? – Perguntei terminando de preencher a tigela de carne. Ela olhou e negou sorrindo.

- Claro, Lauren. – Falou educada, abrindo a grande geladeira e puxando com cuidado a quantidade padrão de milho que eu sempre utilizava no Chili. Nosso time era repleto de respeito e responsabilidades. E ele se mantém assim há 3 anos, o mesmo, intacto, cordial, não me lembro de ter problemas depois de o estabilizar, até que antes disso eu tive, com uma garota eloquente e irresponsável que entrou aqui por indicação familiar, amigo de família, nunca dava certo.

A jovem havia colocado o terror na minha cozinha, fiquei de cabelos em pé. Hoje em dia isso não mais acontecia. Para meu alivio, claro.

Bom, vamos ao Chili.

Como tudo que eu fazia em meu restaurante, eu sempre fui muito exigente com aproximações de sabores, e isso se intensifica quando falamos de comida Mexicana. Como a maioria das pessoas sabem, meu restaurante não é especializado só em comida típica mexicana, podia encontrar tacos para um lado, mas com facilidade pode virar seu rosto dentre uma das mesas e encontrar uma gorda e rica porção de hambúrguer recheada de bastante batata frita. Tem de tudo um pouco aqui. Mas eu sempre o fiz com muito carinho e dedicação.

Para pratos mexicanos sempre utilizei de iguarias importadas, tudo vem direto da Ciudad del México. Os condimentos sempre chegavam as sextas em grandes quantidades, isso devido a demanda e movimento que o restaurante diariamente enfrentava. Não reclamo, apenas vivo agradecendo.

Abri o frasco de tampa negra e olhei o pó avermelhado. Esse é o sabor diferencial. Pimenta em pó, direto do México. Dá calor, sabor e intensidade ao prato, isso bem aliado com outras pimentas mais fracas que eu usava na receita apenas para dar um tom perfeito ao prato.

Não era me gabando, mas meu Chili, com uma boa cerveja era o que havia de melhor.

Curvei capturando o pequeno saquinho bem embalado sobre o balcão, Pimenta Poblano. É menos encorpada, mais adocicada, apenas complementava tudo.

- Aqui. – Erica, falou, aproximando a tigela repleta de milho picado. Eu assenti agradecida e me movi rápida pela cozinha, focada em cozinhar. Atenção, amor dedicação. Não tinha como dar errado.

- Telefone, Jauregui! – Lindsey entrou na cozinha e gritou. Eu bufei olhando para Ally.

- Eu falei! Ele estava louco atrás de você, deve ser de novo! – Ela apontou dando uma piscadela. Limpei as mãos na pia e sequei no pano de prato saindo da cozinha e contornando atrás do caixa me aproximando do telefone perto do caixa onde Lindsey ficava. O peguei e levei ao ouvido, intrigada sobre o que tanto queriam comigo.

- Lauren, quem gostaria? – Saudei mecânica.

- Olá, boa tarde, Lauren. Eu tenho uma cliente que queria conhecer sua culinária, poderia vir ao hotel Four Seasons, não irá cozinhar agora nem nada parecido, ela apenas quer lhe conhecer pessoalmente, é muito exigente sobre pratos e sobre pessoas. – A fala masculina me fez mover intrigada, colocando o cotovelo contra o balcão de madeira. Ele sequer me falou quem era, como iria acreditar?

- Eu estou um pouco ocupada no restaurante, não poderia me dizer quem é a cliente? Para me antecipar e avaliar se compensa para mim tal movimento arriscado? – Perguntei tentando lhe extrair a resposta.

- É a Senhorita Kwnoles Carter, veio a cidade natal e ouviu muito falar de você, queria experimentar seu prato sem que tivesse algum incomodo, como mulher de Houston, adora comidas típicas, mas prefere ser casual e agir por anonimato. – Ao falar aquilo eu suspirei. Ele estava mesmo falando da Beyoncé?

- Oh... – Foi a única coisa que respondi de imediato. Seria uma real honra cozinhar para ela. Uma conterrânea tão apreciada! Não importava, eu iria onde for.

- Poderia vir? Eu estou procurando a Senhorita faz um breve tempo já. – Ele falou. Eu fiz uma careta. Um precisava designar ordens ou a cozinha iria ficar muito desfalcada.

- Claro, como vão saber que sou eu? – Perguntei já me erguendo.

- Estarei esperando você na recepção. Hoje a equipe toda dela está aqui, vai ser fácil se não me encontrar de cara. – Falou rápido. Eu assentia imperceptivelmente.

- Devo estar em 40 minutos. – Avisei. Ele pareceu satisfeito e eu coloquei o telefone em seu lugar, recebendo o olhar curioso de Lindsey.

- Algo importante? – Perguntou curiosa. Eu sorri ainda um pouco admirada e animada.

- Nem tem noção. – Respondi me afastando já desenlaçando meu avental ao entrar na cozinha. Todos me olharam curiosos.

- E aí? – Essa foi Ally. Eu me escorei no balcão, cruzando os braços.

- Beyoncé! – Falei. Ela arregalou os olhos e me olhou se aproximando, o sorriso enorme na boca.

- Caramba! Que moral, Lauren! – Ela exclamou negando com o rosto. Perdendo em pensamentos. Era o que acontecia comigo, da mesma maneira. Quando vinham essas oportunidades e esse reconhecimento eu ficava um pouco letárgica.

- Ela quer me conhecer, deve ser dessas todas burocráticas que pedem sigilo de tudo, então eu vou precisar sair agora. Já temperei a carne do Chili, por favor, me deem essa mão. – Pedi olhando para os quatro. Pareciam todos dispostos a ajudar, o que aliviava ao extremo. Retirei a touca a colocando em seu lugar.

- Tudo bem, vai lá, nos conte tudo depois. – Ally falou já se movendo apressada. Eu peguei as chaves do carro no bolso e encarei Buddy.

- Ligue para Marc, peça para vir antes, por favor, não quero vocês todos se enrolando. – Pedi. Buddy assentiu saindo da cozinha apressado, iria ficar uma loucura.

- Ally acerte quando ele chegar, e adicione o horário como extra, por favor. – Pedi. Ela assentiu acenando para eu ir logo.

- Hey, Lauren. – Chamou. Eu a olhei.

- Boa sorte. – Saudou deixando um sorriso adorável. Erica deu um tchauzinho com a mão e eu sorri de volta, grata pelo apoio.

- Obrigada, meninas. – Falei empurrando a porta e saindo para fora. Alguns clientes me saudaram educados ao me reconhecer e eu sorri de volta empurrando a porta do restaurante e saindo apressada para encarar meu Audi Q7. Desativei o alarme e entrei me olhando no retrovisor, ajeitando os cabelos. Eu vou conhecer uma mulher importante no cenário popular, eu preciso estar decente.

Foquei no GPS do carro, ficando bons 10 minutos procurando o hotel que ele havia me indicado. Conhecia apenas por ouvir, nunca havia visto ou até mesmo me hospedado no mesmo. Quando me dei por satisfeita eu segui a rota com calma.

Tudo bem que eu por vezes já havia me reunido com personalidades, sejam famosas, ou políticas, mas era sempre novo para mim quando me procuravam para cozinhar para eles, significava muito, saber que as pessoas de Houston iam em meu restaurante e gostavam daquilo e depois saiam distribuindo indicações, até chegar aos ouvidos de gente tão importante.

O que eu já ouvi de elogios que me agradavam, não é pouco. Teve gente que saiu de Dallas para vir a Houston comer em meu restaurante, e isso até me levou a pensar em abrir alguma filial em outros lugares, mas sempre mantive o foco total aqui, no entanto, era algo a se pensar.

Já dava para perceber a movimentação diferente perto das ruas que ligavam ao Hotel, vans paradas em lados opostos, pessoas saindo animadas, e quando digo pessoas, falo de gente com estilo street diferenciado, bonés, bermudas curtas e rasgadas, gorros com siglas de marcas famosas. Eu estacionei perto da entrada no Hotel e sai do carro, me sentindo um pouco careta e velha demais envolta por tanta gente descolada e que sorria e distribuía sorrisos para todo canto. Um baixo barulho abafado de música eletrônica e logo R&B me chamou a atenção à medida que me aproximava da entrada do Hotel e avistava um homem de terno alinhado. Ele me olhou simpático e curioso.

- É você? Lauren Jauregui? – Perguntou se aproximando. A movimentação de gente indo e saindo ainda me afetava.

- Sim, e você o homem do telefone? – Perguntei. Ele sorriu se aproximando e abraçando casual.

- Sou sim, mas me chame de Leroy, eu trabalho para ela, você parece bem mais jovem do que eu pensava. – Elogiou. Eu sorri agradecida pelo seu entusiasmo.

- Obrigada. – Respondi focando pelo saguão.

- Vem comigo, ela deve enrolar um pouco por estar preparando Blue, mas logo podemos nos reunir para conversar. – Chamou, já se virando. Contrariando o que eu pensava ele seguiu pelo corredor lateral ao elevador do Hotel de luxo, e o barulho abafado só aumentava mais à medida que íamos caminhando. Alguns jovens, em sua maioria negros passaram por nós, sorridentes e fazendo piadas bem altos.

- O que é isso, uma festa? – Perguntei curiosa. Leroy riu me olhando de canto de olho, empurrou a porta com o braço e deu espaço para uma sala livre, com piso amadeirado e espelho para todo lado.

- Isso são os dançarinos dela treinando. – Falou perto. Eu engoli em seco olhando para dentro, a música alta mudou e todos, em sua maioria mulheres, vibraram com gracejos altos, alheias que tinham espectadores.

Music on* Shaggy - I Need Your Love

Assobios, palmas e elas abriram uma roda quando a voz masculina e o estilo bandoleiro latino explodiu nas caixas.

- Eles brincam de vez em quando, mas são bons. – Leroy elogiou. Eu senti meus olhos percorrem todas as mulheres, pareciam ter feito uma pequena competição pessoal entre si. Primeiro uma ruiva, branquela foi para o centro e jogava o corpo para toda direção, era engraçado ver. Pareciam muito bons.

Não sendo suficiente, um jovem negro, se aproximou dela e envolveu pela cintura rebolando tão facilmente que eu duvidava ser possível um homem fazer aquilo. Sorriam com tanta harmonia, parecia uma festa que você desejaria a alma poder participar, era estimulante. Se afastaram provocando com sorrisos, até começarem a gritar.

- Latina! Latina! Latina! – Os gritos e vibrações aumentaram fortemente até uma morena, de pele bronzeada naturalmente caminhar para o meio. Eu tive que me encostar no batente para olhar melhor. Ela usava tênis baixo, completamente negro e camuflado, calça legging apertada e uma regata com desenhos que eu não podia identificar, mas parecia um croppet, que deixava sua barriga definida amostra, finalizava com uma blusa xadrez vermelha em volta da cintura. O refrão explodiu no mesmo momento em que ela brincou com os cabelos e rebolou se inclinando até o chão. Suava e tinha um corpo que você mata e morre para ter igual.

Aquele ato fez todos uivarem com verdadeira comoção, ela parecia mexer com todo mundo, dava gosto ver dançar.

Os cabelos bagunçados caindo em frente ao rosto e sorria totalmente alheia, os olhos fechados, era um tipo de sorriso lindo e estimulante. Parecia querida por todos, pois tirou a blusa xadrez da cintura e a girou no ar, rebolando com o aglomerado de pessoas que se aproximaram dela indo no mesmo movimento, eram profissionais impecáveis, com uma química fora do normal.

As mãos passearam pelo corpo enquanto rebolava e mexia com a cintura de uma maneira que eu podia achar muito difícil ser possível. O jeito que a cintura era solta, e o traseiro se mexia exatamente como a música tocava me fez cerrar os olhos. Era sensual sem sentido para seduzir, parecia natural da dança dela, era bonita da cabeça aos pés, tinha aquela áurea de menina mulher que quebrava e voltava com o mover de seus quadris.

Sensacional.

- Vem dançar bonitinha! – Um grito me fez mover o rosto alheia. Uma das meninas gritou, tinha cabelos vermelhos, faixa no pescoço, estilosa. Eu sorri sem graça.

- Não é bem a praia dela, Lohanne! – Leroy respondeu em meu lugar, me olhando de canto de olho. Eu sorri envergonhada e agradecida. A menina deu de ombros e voltou a focar na roda de dançarinos que pulavam e faziam o melhor que podiam em seu estilo livre e libertador. A morena saiu do centro e caminhou para perto do som, parecia não conseguir parar, mas sequer olhava em nossa direção, as pernas moviam animadas, tocou no dock de música e parou tudo. Todos protestaram.

- Vamos voltar a treinar Beyoncé, queridos. Trabalho demais tem que ser feito. – Ela falou aumentando a voz que ressonou pelo o ambiente. Alguns fizeram muxoxo, mas logo se alinharam.

- Vamos de Formation primeiro! – Uma das meninas pediu alto, batendo com a mão no próprio traseiro e inclinou provocativa. Suas brincadeiras uns com os outros era algo a se pensar. A até então a morena, que era denominada Latina levantou o polegar e a batida alucinante começou, era mais cadenciada.

Jogou a blusa de lado e se inclinou pousando as mãos sobre os joelhos, o olhar provocador indo no grupo de pessoas a sua frente. Caminhou com firmeza para as pessoas com os braços soltos e sorriu ao se virar de costas, mergulhando com a cabeça e voltando para trás, todo seguiram impecáveis em seu ritmo, era muito impressionante o quão cadenciados foram. O pisar no chão com o mesmo pé, o ritmo das cinturas, as cabeças, os cabelos, as mãos no ar.

Não tinha costume de ouvir Beyoncé, mas sabia identificar sua voz nos estéreos e em como a letra era provocativa.

- Eles vivem treinando, noite e dia, para que tudo saia perfeito com ela nos palcos. Beyoncé é uma mulher extremamente organizada e exigente, quer a conhecer? – Leroy falou. Eu apenas assenti impressionada desviando, com pesar, meu olhar da Latina que os lideravam com tamanha perícia.

Impressionante o que faziam aqui.

Ele fechou a porta logo em seguida e me guiou pelo corredor. A primeira coisa que vi ao entrar naquele quarto de hotel foram os fios dourados presos em um rabo de cavalo, e logo ela focou em mim e olhou para ele.

- Essa é a Lauren Jauregui. – Ele me apresentou e eu pisquei me aproximando com relutância para não invadir seu espaço. Ela estendeu a mão para mim, as unhas enormes e bem-feitas pintadas em durado. Estava envolta em um roupão branco felpudo.

- É um prazer. – Falou baixo, parecia tão simples e educada. Eu só suspirei a olhando soltar minha mão e pedir que eu me sentasse a sua frente em uma das poltronas.

- Fiquei sabendo que é muito boa no que faz Lauren, e eu preciso provar disso. – Sua fala me fez prender a respiração e a olhar sem reação por um longo tempo.

Provar o que eu faço.

Lá vamos nós.


Notas Finais


É um universo completamente diferente, mas é algo que quero muito jogar ao vento, sempre quis pronunciar essa personalidade dançante em Camila, e quero ela bem solta aqui, espero que gostem da novidade.

Twitter: @kcestrabao


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