História Necronomicon - Capítulo 16


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags 1939, Gotico, Inglaterra, Livro Dos Mortos, Necronomicon
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Seinen, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - O Vale da Sombra da Morte


Fanfic / Fanfiction Necronomicon - Capítulo 16 - O Vale da Sombra da Morte

Mary Jane acordou em seu quarto, suja e suada.

— Mary Jane! — disse Freud, logo ao vê-la despertando.

— O que aconteceu? — perguntou Mary Jane.

— Você desmaiou, — disse Ofélia — é normal de acontecer nesse tipo de rito devido ao choque espiritual.

— Mas funcionou?

— O efeito não é imediato, — disse Antares — mas funcionou sim.

Mary Jane se sentou na cama, sentia uma forte dor de cabeça, felizmente seus amigos lhe fizeram chá. Logo depois foram ver os veteranos, que já estavam em sua sessão da biblioteca.

— Srta. Burton, — disse Minerva, logo ao vê-la.

— E então? funcionou?

— Sua falta de fé me enoja, Srta. Burton — disse Alfred — mas sim, o Dorch já se dissipou.

Mary Jane realmente não suportava aqueles dois imbecis.

— Talvez — continuou — você sinta alguns efeitos colaterais do ritual por alguns dias, mas sua alma já se purificou.

— Sugiro que preste orações de gratidão à Nimué todas as noites de lua crescente, — disse Minerva — pois ela teve piedade de você.

O dias se passaram cada vez mais monótonos para Mary Jane, embora a guerra na Polônia seguisse pelos jornais. A cidade de Lviv se rendeu, cercada por russos e alemães, Varsóvia resistiu durante dez dias, até que canhões bombardearam alvos civis e militares durante várias horas, o que preocupava Freud ainda mais, pois as chances de seus parentes estarem mortos agora eram muito altas. Ao final do dia 28, a fortaleza de Motlin foi tomada pelos alemães, e na cidade de Brest-Litovsk, a Alemanha e a União Soviética partiram a Polônia entre si como se fosse um bolo de aniversário. E assim se encerrou o mês de setembro, veio o mês de outubro, trazendo consigo o frio e as chuvas, as notícias da guerra cessaram, por enquanto, uma quietude tomou conta, embora todos soubessem que a conquista da Polônia era apenas o primeiro passo para algo muito maior e mais catastrófico.

Após o último tempo de aula de uma sexta-feira, durante o almoço, Mary Jane fazia companhia a Freud, ambos na área externa escutando rádio. As notícias diziam que a Polônia finalmente se rendeu por completo, logo depois, foi dito Hitler falara no Reichstag, declarando um desejo para a conferência entre Reino Unido e França para restabelecer a paz. Freud desligou o rádio, indignado.

— Só pode ser piada! — disse ele — Hitler é um maníaco, ele está tramando alguma.

— Tem certeza?

— E por que eu não teria? Invadir a Polônia assim do nada sem esperar por uma declaração de guerra e depois pedir paz?

O Elsa chegou por trás.

— Meus pêsames pelos seus parentes — disse ela, zombando.

— Elsa?

— Deixe-o em paz! — disse Mary Jane, ao se levantar e encarar Elsa.

— E se eu não estiver afim? — respondeu Elsa, ameaçadora — Vai fazer o que a respeito?

— Eu disse, deixe-o em paz, chucrute! — Mary Jane a empurrou. Elsa se sentiu ofendida. Freud se levantou.

— É melhor irmos embora, Mary Jane. — disse Freud.

— É melhor escutar o seu amigo cagão. — disse Elsa.

— Não, — disse ela — não tenho medo de você, bafo de repolho!

— Insolente! Você sabe com quem falando, nariz de batata? — disse Elsa, cutucando o peito de Mary Jane.

— Com uma gorda devoradora de salsicha enlatada! — respondeu Mary Jane — E eu aposto que o meu nariz não é tão grande quanto essa sua bunda!

Elsa rangeu os dentes. Quem escutou ao redor riu dela. Elsa não podia arranjar brigas, senão seria detida, a a vontade de bater em Mary Jane era fulminante.

— Vai se arrepender por este opróbrio, inglesinha de merda... — sussurou no ouvido de Mary Jane,  depois foi embora.

— Ela não vai nos deixar em paz. — disse Freud.

— É verdade.

Eles ficaram alguns minutos em silêncio.

— Mary Jane. — disse Freud.

— Sim.

— Eu queria rezar com você hoje a noite. Pode ser?

— Por quê?

— Hoje a noite começa o Sabá, queria iniciá-lo com você, fazendo a oração do Sabá.

— O que é Sabá?

— É o sábado. Para os judeus, o sábado começa às seis da noite de sexta é termina às seis da noite do sábado gregoriano.

— Entendi.

— Então, vem rezar comigo?

— Sim, pode ser.

— No seu quarto ou no meu?

— Nenhum, tenho um lugar perfeito para isso.

Longe dali, no apartamento dos alemães, Sternfeld estava sentado em sua mesa, estudando como sempre, o gramofone tocava Piaf, Heinrich acariciava a sua irmã, aninhada em seu colo.

— Estou triste, meu irmão. — disse ela.

— Compreendo.

— Eu quero sair deste lugar.

— Todos nós queremos.

— Mas tem uma coisa que eu queria muito fazer.

— Conte para mim.

— Primeiro, fumar e beber. Segundo, afundar aquela cara feia da Mary Jane Burton! Ela me insultou!

Subitamente, o professor se manisfestou.

— Heinrich, — disse o professor — traga conhaque para mim.

— Sim, professor. — Heinrich foi servir o professor, logo depois voltou ao quarto. Assim que chegou, Elsa fez um pedido.

— Irmão, toque para mim?

— Com todo prazer. — Heirich pegou seu violino.

— O que quer que eu toque?

— Lacrimosa, de Mozart.

Heirich trocou o disco, iniciou uma base de piano, ele tocou a música sombria e melancólica com maestria. Enquanto tocava, Freud e Mary Jane saíram pelo bosque na calada da noite, burlando os monitores, Mephisto os seguia ardilosamente. Seguiram pela trilha até o antigo solar. Freud sentiu um pouco de medo. Adentraram as ruínas, no saguão, acenderam velas. Subitamente uma chuva fraca caiu e relâmpagos rasgaram o céu. Mary Jane se ajoelhou, juntou as mãos e fechou os olhos, como Emy a ensinou na época do orfanato. Freud pôs o seu próprio talit sobre a cabeça da amiga, em seguida se ajoelhou na sua frente e segurou suas mãos. E rezou:

 

Ha'Shem é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes.

— Leva-me para junto das águas de descanso;

— refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

— Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.

— Prepara uma mesa na presença dos meus inimigos, unge a minha cabeça com óleo; enche o meu cálice até transbordar.

— Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida, até que eu habite na Casa de Ha'Shem para todo o sempre. Amém.

 

Heinrich terminou de tocar.

— Magnífico! — disse Elsa. Subitamente um baque surdo, seguido de um som de vidro quebrando rompeu o silêncio.

— O que foi isso? — perguntou Elsa.

— Vá lá ver. — respondeu Heinrich. Elsa foi até a sala de estar, encontrou o professor desmaiado em seu gabinete, com um copo de vidro quebrado no chão.

— Professor?

— Eu o droguei, — disse Heinrich — misturei clorofórmio na bebida dele.

— Fez isso por mim?

— É claro, — disse ele — saia um pouco, eu vou cuidar do professor.

Danke, mein Bruder!

Heinrich pegou um cigarro na gaveta do professor, que estava no maço que ele confiscara, e o entregou, junto a um isqueiro e uma garrafa de conhaque, à irmã.

— Não volte tarde, e nem beba demais, se não o professor vai desconfiar.

Richtig!

Elsa saiu de furtivamente do quarto e foi até o jardim. Sentou-se em um banco, acendeu o cigarro e bebeu o conhaque. Passado pouco tempo escutou passos, havia duas pessoas de lanterna vindo do bosque. Elsa, instintivamente, se escondeu e observou. A dupla se aproximava seguida de um gato preto, eram Mary Jane e Freud.

— O que aquela Querfotze está fazendo​ aqui com o Beschnitten? — perguntou Elsa a si mesma. Elsa se aproximou, viu Mary Jane e Freud se abraçarem, conseguiu escutar vagamente o que eles diziam.

— Foi muito bom ter rezado com a minha amiga hoje. — disse Freud — eu até gostei daquele casarão...

“Casarão?” pensou Elsa.

— Podemos voltar lá de novo, — perguntou Freud — só que de dia?

— Mas é claro! — Mary Jane tomou Mephisto nos braços, Freud espirrou.

— Foi mal.

— Saúde! — Mary Jane riu.

“Que gatinho lindo, Querfotze!” pensou ela, maliciosamente.

— Podemos ir lá de tarde, — prosseguiu Mary Jane — ninguém incomoda por lá.

— Podemos chamar outras as meninas?

— Não, por enquanto. Será o nosso segredo.

— Tá bem.

Eles entraram. Elsa se levantou e riu.

— Agora eles vão se foder! — disse ela.


Notas Finais


Querfotze — Arrombada;
Beschnitten — Circuncidado.

ATENÇÃO, CRIANÇAS! Não chamem o seu coleguinha judeu de "beschnitten" (e se por ventura chamassem, não diga que foi o Tio Smith que ensinou).


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