História Nem por Meio Milhão de Libras! - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Inuyasha
Exibições 99
Palavras 5.919
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Hentai, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, pessoal. Mais um capítulo.

Peço desculpas por eventuais erros. Minha filha estava com virose e, logo em seguida, adoeci também. Nós duas estávamos borocoxôs, como diz a nossa Rin pernambucana.
Não estou respondendo aos comentários por falta de tempo, já que a minha miúda tem um ano e onze meses e, mesmo doente, não para de traquinar \o/

A imagem abaixo não me pertence; créditos ao fanartista.

Boa leitura...

Capítulo 19 - Sentimentos torturantes e confusos por todo lado


Fanfic / Fanfiction Nem por Meio Milhão de Libras! - Capítulo 19 - Sentimentos torturantes e confusos por todo lado

Ann Kikyou teve que admitir: Jakotsu Laurent Lefevre era uma criatura MUITO divertida.

Dentro do carro de Bankotsu, a jovem, em choque, nada dizia. Nenhuma reação teve quando o escocês lhe perguntou se ela não se importaria caso ele desse uma carona ao francês até Covent Garden.

Nada importava a ela, a não ser as malditas palavras do espanhol e a sensação horrenda de ter sido usada como um objeto. Sentando-se ao seu lado no carro, Jakotsu, já bem mais tranquilo ao saber que ela era inocente, puxou conversa, timidamente:

— Ah... Mademoiselle Wright... Eu gostaria de pedir desculpas por tudo que lhe disse.

— Tudo bem — murmurou ela de volta, triste. — Perdoe-me também pelos excessos.

Bankotsu olhou para ela pelo retrovisor e se condoeu. Kikyou estava péssima. O que será que tinha acontecido?

Seguiam em silêncio pela rodovia até que, de repente, um ruído de estômago roncando se fez ouvir. Jakotsu levou as mãos ao ventre:

— Ui! Tem um bicho aqui dentro!

Kikyou olhou para ele, surpresa.

— Isso foi o seu estômago?! — murmurou ela.

Oui, mon cher... Hoje, infelizmente, não comi, sabe? Eu queria comer, mas não tive tempo... — respondeu o francês, malicioso, piscando um olho. Bankotsu, guiando o veículo, franziu o cenho.

— Ah, sim — respondeu Kikyou, não captando a essência da mensagem. — Eu também estou com fome. Bem que eu poderia ter trazido marmita de casa... Fizemos linguiça assada com purê de mandioca hoje.

— Também gosto de mandioca... — volveu Jakotsu, segurando o riso. Bankotsu achou por bem intervir:

— Você deve ser uma ótima cozinheira, Kikyou.

— Ah... Mais ou menos. Mas confesso que hoje eu me sobressaí com a mandioca... — e ela olhou para Jakotsu, que suprimia a custo o riso. — O que foi?

— Conte-me mais sobre o que você faz com a mandioca, mon cher... Monsieur Bankotsu também gosta... Gosta muito de mandioca... Ele quer ouvi-la!

— Jakotsu... — rosnou o escocês. Kikyou, porém, não percebeu o teor dos comentários do rapaz e disse, um pouco mais descontraída:

— Eu faço bolos, purês, escondidinhos... Ah, já ia me esquecendo. Também fiz um suflê de pepino no almoço.

— Mandioca, pepino... — inferiu Jakotsu, vermelho devido ao riso contido. — Se me permite dizer isso, mademoiselle, nós temos muito em comum...

— É... Eu gosto de legumes. E adoro linguiça — afirmou a jovem, ainda confusa com as gargalhadas do francês. — O que é que você tem?

— N-nada, nada... — respondeu ele, arfante. — Oh! O Honest Burgers! — e apontou para a fachada bonita de uma lanchonete  que parecia agradável. — Monsieur Stewart, por que não paramos para lanchar aqui?

— Eu acho bom. E você, Kikyou?

— Ah... — a jovem enrubesceu. — Eu não estou com fome, obrig-

O estômago de Kikyou, contrariando-a, roncou ruidosamente. Os dois homens riram, enquanto ela levava as mãos à boca, envergonhada. O carro agora ia rumo ao estacionamento.

Mademoiselle... — afirmou Jakotsu, abrindo a porta assim que o veículo estacionou — Que coisa feia. Esqueceu do que diz o Senhor em Êxodo, no capítulo 20, versículo 16?

A moça o olhou, assustada.

— Como assim?

— Lá diz “não dirás falso testemunho contra o seu próximo”. E você ousou mentir contra sua própria barriga.

— Mas... Você conhece a Bíblia?!

— Eu sou presbiteriano, mon cher... Posso não ser o mais fiel dos cristãos, mas procuro ser — e o francês sorriu largamente, adiantando-se e envolvendo a cintura de uma impressionada Kikyou com o braço, antevendo que Bankotsu faria o mesmo. Logo os três adentravam o recinto e, sentando-se perto de uma TV, recebiam o menu.

Aquele foi um momento bom para todos, mas, em particular, para a jovem religiosa, que se flagrou várias vezes gargalhando das inúmeras besteiras que Jakotsu falava. Sendo ingênua como sempre, Kikyou não notava o olhar devotado do escocês para o outro rapaz.

Ela não entendia que estava ali como a convidada de um casal.

 

***

 

John Sesshoumaru achou por bem levar o amigo espanhol para sua casa. Naraku Octavio estava um tanto sonolento e se queixou, uma única vez, de dores na nuca. Como membro da família Ferguson, o psicanalista contava com um bom estoque de medicamentos na mansão a seu dispor, além de roupas, calçados e objetos de uso pessoal.

Na verdade, Naraku queria muito ficar sozinho, mas achou por bem não causar mais problemas e desceu do carro com Sesshoumaru e Byakuya. Ferguson Manor estava em silêncio; todos dormiam.

— Octavio, acho melhor você dormir no meu quarto, seu idiota. Você não está bem.

— Eu estou ótimo — resmungou ele, irritado. — Vou tomar o maldito Captopril e dormir. Fim de papo.

— Peça a Byakuya para trazer para você.

— P****, já disse que não precisa, John. Eu não estou morrendo!

E lá se foi o espanhol para a grande cozinha da casa. Pegava um copo do armário quando, subitamente, houve uma queda de energia, deixando a cozinha no breu. O copo imediatamente caiu de suas mãos, partindo-se com estrépito no chão, e Naraku começou a ter palpitações. Murmurava para si mesmo:

Okay, okay. Está tudo bem... Eu estou em casa. Não vai acontecer nada. Nada...

Os minutos se passaram lentamente e nada de luz no cômodo.

— Eu estou em casa... Com a minha família... Não estou mais na Espanha, o maldito Mukotsu não sabe que estou aqui. Eu... Preciso me acalmar.

Contudo, o desconforto causado pela pressão arterial alta não o ajudava a relaxar. Sua respiração ficou opressa e ele ouviu passos no corredor, que, na verdade, eram de Sesshoumaru que percebeu a falta de energia elétrica na casa e quis acudir o amigo. Naraku tentou desesperadamente se lembrar de que era alguém da sua família, mas sua mente o traiu. O homem abraçou os próprios ombros e não percebeu que estava chorando, cheio de medo.

A essas alturas, Toga e Izayoi já haviam saído de seus quartos ao ouvir Sesshoumaru chamando pelo espanhol. O dono da casa tinha consigo uma pequena lanterna.

— John, meu filho... Onde está Naraku? Estou escutando os gemidos dele... — indagou Toga.

— Na cozinha, pai. Leve-me até lá também.

— Mas o que está deixando esse menino tão nervoso dessa vez? – inquiriu Izayoi, guiando o enteado pela mão. Os soluços aumentaram. – Ele não se descontrola assim, tão depressa...

— Não sei, Iza... Deixe-me chamá-lo — e Sesshoumaru exclamou, preocupado: — Naraku? Eu estou indo te buscar. Está tudo bem. Nós estamos chegando.

Toda a bulha atraiu a atenção de Rin que, agora, se aproximava dos Ferguson, o coração aos pulos. Silenciosa e discreta, a jovem conteve a custo uma exclamação de surpresa ruim quando a lanterna de Toga, enfim, iluminou parcamente o cômodo.

Sentado no chão da cozinha, tremendo dos pés à cabeça e com olhos enormes, estava Naraku, em nada lembrando o homem irreverente e bem humorado que a brasileira conhecia. Ali estava um trapo humano que chorava em alta voz e parecia não reconhecer as pessoas diante de si.

— Naraku... – chamou o loiro, num timbre de voz estranhamente cordial. – Sou eu. Você está seguro.

— Não, não, não... – exclamou o moreno, em espanhol, histérico. – Não quero, NÃO ME DEIXEM AQUI SOZINHO!

— Ave-Maria! Por que ele está assim? Tadinho... – perguntou Rin, muito condoída. Surpreendendo a todos, foi Sesshoumaru quem a respondeu, mantendo a voz serena.

— Ele tem fobia do escuro, Rin. É uma longa história.

— Meu Deus... Eu não consigo me acostumar a vê-lo desse jeito – Izayoi começou a chorar também. — Sesshy, deixe que eu vá acudir o pobrezinho.

— Melhor não. Ele ainda não consegue ver que somos nós e pode te machucar.

— Não me importo. Só quero que ele fique bem...

— Iza... Deixe que eu vá – volveu Toga. – Eu estou acostumado com essas crises e...

— Sesshoumaru! – gritou Naraku, imerso em sua agonia. – Me tire daqui... Ele vai voltar!

— Calma, cara... Não tem nenhum “ele”... — foi a resposta branda do loiro. – Alguém me mostre exatamente onde Naraku está... Até que esse surto está menos forte que os outros, ele está chamando por mim.

Rin, de imediato, guiou Sesshoumaru até o amigo. Notando os cacos de vidro no chão, chutou-os para fora do caminho e cortou ligeiramente o pé no processo. Entretanto, a prioridade de socorro era para o seu amigo espanhol e ela ignorou a dor.

O loiro agora estava de joelhos diante de um trêmulo Naraku, segurando-o pelos ombros e conversando consigo, chamando-o de volta à razão. Felizmente a luz voltava à casa; o espanhol, com algum esforço, enfim reconhecia Sesshoumaru e o abraçava desesperado.

— Eu... Eu t-tive uma crise?

— Teve, Octavio, mas já passou. Você está seguro — sussurrou o loiro, envolvendo o amigo choroso nos braços. – Ninguém vai te machucar, entendeu? Eu não vou deixar.

— P-por que essa p**** de crise agora? – soluçou Naraku. – Já faz tempo que...

— Você já estava nervoso por algum motivo, foi isso. Mas fique tranquilo. Todos nós amamos você. Somos sua família.

— Tive t-tanto medo, John... Por um instante pensei que... Ele tinha me encontrado... – sua voz ficou mais aguda e alta. – Não deixe ele me ver aqui, por favor...

O abraço se intensificou enquanto Sesshoumaru replicava pacientemente:

— Não existe mais “ele”, Naraku. Você nunca mais irá vê-lo de novo...

— Eu... Eu me s-sinto ridículo por causa desses surtos!

— Você não é ridículo, seu viado. Você é o meu irmão.

Rin olhou para o loiro, totalmente surpresa. Não imaginava que Sesshoumaru, usualmente grosseiro, pudesse ser capaz de se compadecer de alguém daquela forma tão verdadeira e amável. De fato, Naraku era muito importante para o herdeiro Ferguson.

Nesse ínterim, os pais de Sesshoumaru auxiliavam o espanhol a se sentar em uma cadeira. A respiração dele ainda estava um pouco ofegante e ele bebia sofregamente um copo d'água que Toga lhe oferecia, junto com o comprimido que fora esquecido sobre o balcão. Naraku agora estava parcialmente recuperado do susto e se lançava a Izayoi, abraçando sua cintura, suspirando aliviado.

Ay, mama... Ainda bem que vim para cá. Se eu estivesse em minha casa sozinho, poderia ser pior...

— Graças a Deus, meu anjo. Agora, por que não vai dormir? Quer ficar no meu quarto?

— Ah, não é para tanto – a face do moreno corou. – Posso dormir sozinho. E... Onde está Rin? Eu a vi há pouco e... Que sangue é esse no chão?

— Sangue?! – perguntou Sesshoumaru.

— Eu não me cortei.

— Tem um rastro de sangue no chão — afirmou o dono da casa, intrigado. – Rin! Onde você está? Rin!

— Tô aqui! – exclamou a jovem, a voz soando distante. — Vou lá fora.

— Mas para que?

— Eu vi uma moita de alecrim em algum lugar desse quintal, vou lá buscar um molho para fazer um chá pro coitado do Naraku ficar bom logo.

A família se entreolhou, aturdida, depois daquela explicação trilíngue. Izayoi seguiu a moça, encontrando-a já destrancando a porta da sala. Seu pé sangrava um pouco mais devido ao esforço de caminhar.

— Rin, o que foi isso?

— Nada não, Iza. Vou lá pegar o alecrim...

— Não, temos que cuidar desse pé primeiro. Toga, a caixinha de primeiros socorros, por favor.

— Mas, Iza...

Toga se aproximava seguido pelos filhos. Naraku, consideravelmente mais tranquilo, resolveu intervir:

— Rin — disse ele, devagar — Não precisa se preocupar comigo, cariño. Veja só, você cortou o pé nos cacos do copo. Tem que fazer um curativo aí.

— Tenho que me preocupar contigo sim, Naraku. Tu tava torando o aço¹ ali agorinha, todo azuretado²... Já pensou se tu fica pior e morre de um infarto do coração, seu frango³?

Os quatro Ferguson se entreolharam, nitidamente sem entender nada do que Rin havia dito.

— To-ran-do o aço? Que aço? — repetiu Sesshoumaru, confuso. — A-zu-re-ta-do? O que você quis dizer?

— Ah... — Rin coçou a cabeça. — Depois eu explico, galego[4].

— Ga-le-go?

— Eita, miséria... Esqueci que não tô no Brasil. Depois eu explico isso, Sesshoumaru.

 

***

 

Nove e meia da manhã. Raymond Inuyasha, aflito, tocava o ombro de sua irmã, chamando-a insistentemente.

— Kikyou, Kikyou, acorda. Acorda! Meu Deus, o que você tem? Acorda!

— Hmmmm... — gemeu ela, num sono estranhamente pesado.

Inuyasha não sabia, mas Bankotsu dera a Ann Kikyou na noite anterior um comprimido fitoterápico para ansiedade, já que, volta e meia, ela desabava em pranto na lanchonete. Mesmo sendo um medicamento leve, a moça dormiu a sono solto. Agora, contudo, ela principiava a despertar, abrindo um olho.

— Oh... Inuyasha, o que... O que você está fazendo aqui?

— Meu Deus, Kikyou! Pensei que não iria acordar mais. Estou preocupado com você! Não te vi chegar ontem e você... Ah... — o rapaz ficou vermelho como um tomate. — Acho que você andou tendo uns pesadelos...

— Pesadelos?

Kikyou se sentou devagar na cama; estava ainda com o vestido de tule. Teve a desagradável surpresa de sentir as roupas íntimas umedecidas. Mal havia se recuperado de tal constatação quando Inuyasha indagou, piscando, nervoso:

— Mana... Posso te perguntar uma coisa?

— Pode... O que é?

— O que você andou fazendo lá com Bankotsu?

— Como é que é?!

— Desculpa, mana... É que você nunca tinha saído com ninguém e... Chegou assim... Estranha! Você não bebeu, né?

— Ficou maluco, menino?! Eu não bebo! — protestou ela, indignada. — Mr. Bankotsu me deu um... Um relaxante muscular à base de ervas. Acho que foi por isso que eu dormi demais.

Uma sobrancelha de Inuyasha se ergueu, mostrando ceticismo.

— Kikyou... Você e ele... Não fizeram nada mais além de ver a cantora, não é?

— O que está insinuando?!

— Ora... Sei lá, vocês podem ter saído de lá e ido a um cinema, ou a um parque de diversões, ou a um boliche... Ou foram transar, vai saber.

— RAYMOND! COMO SE ATREVE...?

— Ah, mana... Dá um tempo! Você estava gemendo às cinco da manhã... Gemendo MESMO! Até me acordou...

A moça ficou catatônica ao ouvir aquilo, que caiu em sua cabeça como uma verdadeira bomba. De fato, houve um sonho pecaminoso, do qual ela tinha lembranças meio vagas. Perdida em meio aos beijos e carícias indecorosas do espanhol que destruíra seu coração em poucos segundos. As mãos dela tremeram; como se não bastasse ter cedido àquela tentação diabólica, até o seu irmão mais novo sabia que ela estava a desejar um homem...!

Vendo-a pálida, Inuyasha resolveu abrandar a voz:

— Me perdoe, Ann. É que... Eu fiquei preocupado de verdade. E, quando vi que você estava demorando demais para acordar, achei até que ele tinha te dado alguma bebida para te levar para a cama.

— Você não me respeita mais? — volveu ela, irritada. — Por quem me toma, Inuyasha? O que pensa que sou?!

— Ann, pare com o drama. Não estou te desrespeitando! Eu só não consegui deduzir outra coisa!

— Eu não sou uma qualquer para você pensar isso de mim!

— Então me diga a verdade, simples assim! Seus gemidos não eram de dor.

— Já chega! Não quero falar mais sobre isso!

— Ele te machucou, Kikyou? Ele foi bruto?

— Pare! Pare, Inuyasha!

— Você descobriu que ele não te ama, não é? Aquele maldito... Eu bem que desconfiava! Ele merece uma surra...

— CALE ESSA BOCA!

O rapaz arregalou os olhos, aturdido. Sua irmã não era dada a gritos e demonstrações de agressividade. Inuyasha então se pôs de pé e saiu do quarto de Kikyou, sem olhar para trás. Logo ouviu-a gritar por ele, com a voz embargada:

— Mano! Maninho... Por favor, me perdoa!

O caçula aquiesceu e voltou ao quarto. Se condoeu ao ver aquela jovem mulher, sempre tão comedida e calma, desfeita daquele jeito, sentada na cama e chorando desconsolada. Delicadamente, Inuyasha se sentou ao seu lado e a trouxe para um abraço.

Levou tempo até que Kikyou conseguisse se recompor. Aquilo doía muito e ela se recriminava ferozmente por ter se deixado levar por aquela armadilha do psicanalista.

— Ann, por favor, me conta... Tem alguma coisa muito errada acontecendo e você não se abre comigo nem com Miroku. Pelo amor de Deus, mana.

— Não p-posso! Você é m-muito pequeno para entender certas coisas...

Pequeno? Eu sou o mais alto da casa...

— Sem piadinhas...

— Mas eu estou falando sério! Kikyou, eu tenho vinte anos! Já tenho idade o bastante para saber que uma mulher pode gostar de um homem.

Kikyou ergueu os olhos úmidos suplicantes para seu irmão, querendo desesperadamente que ele mudasse de assunto. Porém Inuyasha era insistente.

— Mana, você... Está apaixonada?

— Por favor, Inuyasha... Eu não quero falar sobre isso agora.

O rapaz suspirou pesadamente.

— Depois então você vai se abrir e desabafar comigo ou com Miroku, não vai?

-—V-vou...

Os dois irmãos se abraçaram mais uma vez. Dentro em breve, a rotina da casa voltaria a ser o que era e Ann Kikyou guardaria consigo a sete chaves as suas recentes desilusões sentimentais.

Inuyasha, contudo, prosseguia preocupado com a contínua tristeza de sua irmã.

 

***

 

Um domingo de sol brilhante prometia um clima agradável sobre a mansão de Toga Ferguson.

Rin, como era madrugadora, já estava de pé às seis da manhã. Fez suas preces matinais, realizou sua higiene cotidiana e ia descendo para o café da manhã quando estacou, ao ouvir uma tosse vindo do quarto abaixo de si. Lembrou-se então de que Naraku foi levado de “livre e espontânea pressão” para dormir no quarto com Sesshoumaru. A jovem se perguntou se deveria ir até lá quando ouviu mais uma tosse. Acabou desistindo da ideia, temendo ser impertinente ou mal educada, e foi direto para a cozinha. Ao chegar à porta, viu o espanhol se aproximar de si, com os cabelos soltos e trajando uma calça de pijama com estampa do Mickey Mouse.

Os músculos de Naraku eram mais delgados do que os de Sesshoumaru; seus ombros eram mais estreitos e o tórax não tinha pelos. Contudo, sua aparência não era a de um doente. Seu estilo de vida regado a exercícios físicos e dieta estritamente saudável contribuíram para que o psicanalista, após o transplante renal, conseguisse enfim adquirir um pouco mais de corpo e peso. Talvez ele dê um bom parceiro de capoeira, pois está acostumado a dançar e a bater no loirão, pensava Rin, demorando seus olhos sobre o corpo do espanhol que, encafifado com aquilo, troçou, em um portunhol meio confuso:

—Rin, ¿te gusta?

— Errr... O quê?

— ¿Te gusta mirar la bicha linda que soy yo?

— Ah... Eita bixiga, Naraku, me desculpe — afirmou ela, envergonhada. — Eu... Não estava te olhando assim desse jeito que tu deve tá pensando e... PARA, VIADO! — exclamou, quando Naraku a agarrou pelos ombros com seu braço e, com a mão fechada, encheu-a de pequenos e leves cascudos enquanto bagunçava seus fartos cabelos lisos. — Ai dentro, baitola!

Os dois riram da pequena brincadeira e o espanhol abriu a porta de um dos armários. Rin fez menção de ir pegar os alimentos para dispor à mesa, mas foi impedida.

No, chica. Deixe isso comigo. Já se passaram alguns meses desde que servi a mesa do desjejum nesta casa...

— Mas, Naraku...

— Olha que eu bagunço seu cabelo de diva da selva mais uma vez — ameaçou ele, zombeteiro. A jovem riu de novo.

— Abestado...

Abestada eres tú — retrucou ele, que já conhecia aquela palavra.

Mais risos. Rin então ficou surpresa ao ver a quantidade de comprimidos que Naraku tinha nas mãos e seus olhos cresceram nas órbitas ao vê-lo ingerir todos de uma só vez.

— Nossa Senhora... — murmurou ela, atônita. O espanhol, após engolir seus remédios, a olhou, entendendo o que Rin sentia, e comentou, com um sorriso:

— Manter um corpo lindo como o meu de pé dá um pouco de trabalho, cariño.

— Mas são tantos remédios!

— Se eu não tomar, o rim da minha loira favorita para de funcionar de uma vez e eu posso não sobreviver. Entende?

— Sua loira favorita?

— Sesshoumaru, querida.

— Ah... Entendi.

Os dois passaram os próximos minutos conversando trivialidades e Rin, obviamente, se recusou a ficar apenas assistindo o homem preparar o café da manhã, que continha chás, leite, café, brownies, rosquinhas, torradas, geleia de amora (exclusiva para Sesshoumaru) e frutas. Logo a mesa estava posta e eles comeram, até que a jovem brasileira perguntou:

— Naraku, você tem algo para fazer mais tarde?

Déjame pensar... No tengo nada. Hoy es domingo.

— É que eu estive procurando um vídeo de maculelê para te mostrar... Quer ver agora?

— Sim, mostre. Adoro a sua cultura.

A jovem foi apressada até seu quarto e de lá trouxe seu smartphone. Acessou a pasta de downloads e mostrou ao espanhol o vídeo em questão. Os olhos castanhos de Naraku se iluminaram.

— Arrasou! Ar-ra-sou! Eu adorei ver você dançar isso naquele dia, mas não imaginei que seria ainda mais maravilhoso em dupla! Se eu já estava interessado antes, imagine agora! Isso é um lu-xo!

— Se não for pedir muito, pode vir praticar comigo aos domingos? — perguntou ela, cheia de ansiedade. Se Naraku se interessou pelo maculelê, poderia muito bem se interessar por capoeira.

— Não garanto todos os domingos, mas...

— Ah, por favor, macho. Tu não faz nada aos domingos... Não vai a uma missa, não vai a um culto, não vai a um terreiro e também não vai a festa nenhuma móde não acordar tarde na segunda e se atrasar pra ir trabalhar.

— Como sabe tanto assim sobre mim?

— A Iza fala muito em você. Ela não se conforma por você não morar aqui mais... Diz que tu é o molequinho dela.

O espanhol sorriu, enternecido pela menção à madrasta de Sesshoumaru. Aquela mulher merecia MESMO o seu amor.

Cierto, cierto, Rin. Você me venceu.

— Então vambora?

— Não entendi...

— Vamos começar... Ou tu tem que esperar por causa dos remédios?

— Não, não... Eu posso ir desde já, só não devo me expor muito ao sol. Sou uma bicha de pele sensível, sabe? — e o espanhol se levantou da mesa com Rin. — Aguarde-me lá fora. Preciso vestir uma camisa.

— Já vou indo!

E, satisfeitíssima, a morena saiu e se dirigiu para a varanda da mansão, comentando consigo mesma:

— Eita bixiga! Hoje eu tô virada no mói de coentro[5]! Que sorte!

 

***

 

John Sesshoumaru despertou um pouco mais tarde naquela manhã. Estranhou olhar para a cama ao lado e ver um borrão branco, indicando que seu melhor amigo não estava mais ali.

— Aquele viado hispânico idiota... Será que está bem? A pressão dele estava alta ontem na hora do surto...

O loiro fazia menção em se levantar da cama quando, como um furacão, Naraku adentrava o quarto e, sem mais cerimônias, se atirava em cima dele, derrubando-o no chão.

— Acorde, ó minha nobre e amada Bela Adormecida! — gritava o espanhol, esbaforido. — Eu, Naraku, o seu príncipe encantado gostoso, cheguei para te acordar com um beijo e, se você quiser, um bola-gato inesquecível!

MARICÓN MALDITO! – urrou Sesshoumaru, furioso, já que o outro montara por cima de seu corpo. – MORRE, SEU FILHO DA P***!

— Veja lá se não vai se arrepender, hein, sir Craddock? Modéstia à parte, eu sei chupar muito bem, são anos de experiência!

— SAIA DE CIMA DE MIM ANTES QUE EU TE BATA ATÉ VOCÊ VIRAR HOMEM!

— Ahh... Que ideia, Sesshy. Eu sempre fui homem e adoro ser homem, se quer saber. Adoro minha neca rosadinha de agradáveis dezenove centímetros.

— Não fique falando desse seu bilau feio para mim, seu merda. Não me chame de Sesshy! E saia de cima de mim!

Qué chorrada... Se eu não gostar do meu nobre companheiro, quem vai gostar dele por mim? O nome disso é autoestima, milorde.

Agilmente, Naraku se levantava e se sentava na cama, risonho. Nem parecia o rapaz surtado de algumas horas atrás. Sesshoumaru se colocava de pé, irritado.

— Você me acorda, me joga no chão, se esfrega em mim e não para de falar em piroca, piroca, piroca...! EU NÃO MEREÇO UMA VIDA DESSAS!

— Sem dramalhão de novela perto de mim, Mister Magoo. Vim te chamar para sairmos. O sol está radioso e lindo lá fora, é possível ouvir o cantar dos pássaros e o choro das inimigas que não suportam saber que eu sou a diva mais linda de Paddington!

— Odeio não enxergar quase nada... — tonitruou o loiro. — Adoraria arrancar sua cabeça fora, seu chorão desgraçado!

— Qual das duas?

— CHEGA, OCTAVIO! Pare de me irritar!

— Eu paro se você sair comigo.

— Sair para onde?

— Quero levar Rin ao Chin Chin Laboratories.

A face de Sesshoumaru endureceu e corou ao mesmo tempo; Naraku sorriu maliciosamente. Aquela moreninha mexia muito com o seu amigo e ele estava a fim de rir com aquilo. Vendo que o outro ficara subitamente muito quieto, indagou:

— Ela ficou muitíssimo interessada em conhecer a famosa sorveteria que tem aparência de laboratório maluco... A propósito, te contei que ela está me ensinando a dançar um ritmo brasileiro?

— Não me interessa o que ela está te ensinando...

— É uma mescla de dança indígena com africana, que contém elementos de luta também. Coreografamos com dois bastões. Passamos quase duas horas dançando!

— F***-se.

— Ela estava de regata e bermudinha. Aqueles cabelos são lindos... Bem negros, pesadões. E ela suou bastante... E, como é um pouco distraída, não pensou que eu estivesse atento aos seus movimentos e ergueu a regata por alguns segundos. Ah, John... — sussurrou Naraku, provocante. — Que barriga deliciosa. Bronzeada, suadinha... Na hora em que vi aquilo, fiquei tão...

— Se gosta, pegue para você então, maldito! — explodiu o loiro, possesso. — Palhaço! Vocês latinos se merecem!

— Posso mesmo? Você deixa...?

— Que p**** de pergunta é essa?!

— Bem... Ela é a SUA guia. E... Pensei talvez que você fosse se importar, quem sabe? — o espanhol olhou para cima, com falsa inocência. — Com uma morena delicinha daquelas ao meu lado, muita coisa pode acontecer.

— Quer parar com esses joguinhos, seu viado com demência?

— Olhe, Sesshoumaru, não me leve a mal, mas, depois de passar essas horas dançando com uma garota tão gostosa como ela... Isso me deixou lésbica.

Sesshoumaru cerrou os punhos.

— Eu vou para você parar de encher o meu saco...

 

***

 

O Aston Martin andava sem muita pressa pelo centro de Londres. Um muito contrariado John Sesshoumaru ia no banco de trás, se comunicando com meros grunhidos quando era interpelado. Naraku e Rin, por sua vez, conversavam o tempo inteiro e, frequentemente, gargalham de assuntos pueris que faziam o loiro revirar os olhos.

Na verdade, Sesshoumaru não se importava muito com a oscilação de comportamento de seu amigo, que ia de um nível hipersexualizado até um estado de infantilidade gritante. De fato, até gostava do lado moleque de Naraku, mas, naquela tarde, ouvir Rin gargalhando, troçando e debatendo apenas com o moreno era algo que estava minando sua paciência.

— Chegamos! – anunciou o espanhol, rumando para uma vaga no estacionamento da sorveteria.

— Até que enfim – resmungou Sesshoumaru. – Não aguento mais ouvir essas merdas que você colocou para tocar no MEU carro, Naraku.

— Deixe de palhaçada, Sesshoumaru. São os hits que fizeram sucesso no Brasil no ano passado.

— Por isso que são umas merdas! Essa p**** de “Piri”... “Piro”...

Piradinha – interveio a morena. – NESSE CASO eu concordo contigo, Sesshoumaru. Essa música é uma merda mesmo.

— Ah, Rin... E eu achando que estava te conquistando pelos ouvidos – replicou Naraku, com uma expressão artificial de mágoa. – Não quero mais ser sua amiga, viu, mona ingrata?

Mais gargalhadas dos dois morenos e mais bufidos irritados de Sesshoumaru.

Os três desciam do veículo e o loiro buscou o amigo para que este o guiasse. Entretanto, Naraku demorou-se pegando as garrafas d'água de ambos e exclamou:

— John, vá andando com Rin na frente. Eu já alcanço vocês.

— P****, Octavio! O que é agora?

— Eu... Trouxe a cartela de Ciclosporina, mas não a encontro. Não fiquem aí no sol! Vão!

Sesshoumaru voltou o olhar para o padrão preto-pele-branco-estampado que era Rin e, corado, estendeu sutilmente a mão para ela que, bem constrangida, a tomou e a colocou em seu ombro.

— Vamos logo, Rin. Não sei o que deu naquele viado.

— Ah... Está bem... Mas não entendi o que ele ficou procurando.

— Um remédio para o rim. Venha.

Assim os dois, sem jeito, seguiram até a sorveteria cheia e, com algum tempo de procura, conseguiram mesa para três. Rin estava maravilhada com a aparência inusitada e divertida do estabelecimento, que parecia mesmo um laboratório científico em suas preparações de sorvete com nitrogênio líquido. Resolveu tirar umas fotografias para recordação e olhou para o grande menu exposto na parede.

— Sesshoumaru, eu não entendo os nomes dos sabores... — comentou ela.

— Eu gosto do de chocolate Valrhona [6] — respondeu ele, envergonhado. A jovem achava engraçado aquele homem tão grande ficando tímido, mas se absteve de comentários; afinal, eles nem eram amigos. Pelo menos ela já não o achava um mau caráter, devido à forma cuidadosa com que acudira Naraku durante o surto da madrugada. — Na minha opinião, é um dos melhores. Peça, acho que... Que irá gostar também.

— Então eu também quero esse. Adoro chocolate.

Os dois fizeram seus pedidos e aguardaram sentados (a produção do sorvete era instantânea, mas havia muitas pessoas na frente deles), sem saber o que conversar. Até que Sesshoumaru ouviu a risada disfarçada da bela morena e, incomodado, perguntou com certa rispidez:

— Do que está rindo, garota?

— Estou rindo daquele abestado achando que eu iria gostar da “Piradinha”...

O loiro relaxou um pouco e tentou ser mais cordial.

— Aquela música é ridícula. Se bem que eu nem posso me queixar, o pop europeu e americano também produz cada merda que dá nos nervos.

— Sério, Sesshoumaru?

— Para ser sincero... – Sesshoumaru coçou a nuca. – Eu gosto de uma música idiota. Já ouviu falar em um país chamado Noruega?

— Já. Fica perto da Rússia, não é?

— Como sabe?

— Oxe, estudando na escola. Meu professor disse que é um país classificado pela ONU como o melhor lugar do mundo para se viver.

— Ah...

Pensei que essa índia fosse burra.

— Então, Rin... Conecte o WiFi do seu aparelho e eu vou te mostrar a música... – Sesshoumaru notou uma movimentação na mesa e voltou os olhos para cima, confuso. Era uma funcionária chegando com os pedidos. – São os sorvetes?

— São. Olhe... Eu tô preocupada com Naraku, vou ver se ele já está vindo pra cá. Se importa? Eu não demoro.

— Você é uma puxa-saco daquele demente também? – replicou o loiro, incomodado.

— Ele também é meu amigo, seu egoísta. Dá licença que eu já volto com ele.

E a jovem se levantou, deixando Sesshoumaru contrariado sentado à mesa sozinho. Ele não conseguia se sentir à vontade perto de Rin, mas também não gostava de vê-la se afastar. Era uma sensação estranha de desconforto, como se o frio viesse de repente e o pegasse de supetão. Contudo, menos de cinco minutos depois ela voltava, sozinha e séria, e se sentava ao seu lado.

— Sesshoumaru, voltei.

— E Naraku?

— Ele já está vindo... Disse que estava marcando um encontro com um cara e queria privacidade, já que tu fica xingando ele de viado o tempo todo.

— Não precisa ser tão puxa-saco, menina — retrucou o loiro. — Ele estava chorando escondido e te mandou dizer isso para mim, não foi?

— Como sabe?! — volveu ela, olhos enormes. Sesshoumaru deu de ombros.

— Dezesseis anos de convivência dizem muito sobre uma pessoa. Sei praticamente tudo sobre ele.

— Por que os olhos dele são tristes?

— Você vê tristeza nos olhos dele?

— Vejo.

O loiro baixou a cabeça.

— Um dia, se ele aprender a confiar em você, pode ser que ele resolva se abrir. Eu não sei se isso vai acontecer, mas...

— Ele está vindo — sussurrou a morena. Logo Naraku se aproximava deles, zombeteiro e sorridente como sempre.

Eles não precisavam saber que ele estava doido de remorso e arrependimento por ter sido um canalha com Kikyou. O espanhol acabara explodindo em pranto minutos atrás, quando refletiu sobre como a bela presbiteriana intolerante estaria agora; possivelmente, arrasada. O olhar dela sobre ele parecia dizer tanta coisa. O beijo, tão gostoso; os gemidos, tão intensos... E ele a humilhara tanto pelo estúpido medo de se envolver e se magoar!

Ela me olhava como se me amasse, pensava ele, triste. Mas não me ama. Somos tão diferentes como a doçura e a amargura, a luz e a escuridão. Ela jamais me aceitaria se soubesse do meu passado.

 

***

 

Naquela mesma tarde, Sandie Cameron, no apartamento pequenino de Andrew Miroku, dormia em sua cama. A moça se queixara de dor nos ombros e ele, prestimoso, ofereceu uma despretensiosa massagem para relaxar. O toque delicado dele nas costas fatigadas foi como um bálsamo e, enfim, Sango adormeceu profundamente.

O rapaz a olhou, apaixonado, e a beijou na testa, tratando de se levantar para ir preparar um lanche leve para ela. No dia seguinte, Sango deveria ir a uma clínica realizar uma endoscopia e, dentro de poucas horas, entraria em jejum.

Um suco natural de uva, torradas, geleia, mel e pão integral foram dispostos em um prato raso (com Miroku se recriminando por não ter sequer uma bandeja em casa) e colocados sobre a mesa da cozinha. Pensando ter ouvido um gemido vindo do quarto, o jovem motorista seguiu para lá. Abrindo a porta, viu que sua querida Sango havia se mexido na cama, de barriga para cima, pernas levemente separadas. A camiseta branca havia subido e o abdômen da jovem estava exposto. O coração dele se acelerou de imediato e seus sentidos todos convergiram para o belo corpo deitado ali.

— Ah, Sango... — murmurou ele, entorpecido. — Adoraria te acordar para tirar suas roupas e te fazer minha... Mas eu aguento esperar. Você não está bem de saúde e tudo o que eu mais quero é te ver sadia. Vai ficar tudo bem...

Lentamente, ele acariciou o rosto e os cabelos da escocesa.

— Eu te amo e vou estar aqui para cuidar de você...

E mais uma vez ele se ausentou do quarto. Sango, que na verdade estava acordada, virou-se para a parede e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas.

Era amor demais. Miroku não se enojava dela e de suas crises de vômito, não se cansava de acudi-la em seus desmaios ocasionais e parecia tolerar tranquilamente a falta de sexo entre eles. Era um jovem compreensivo e meigo.

Um homem que a amava de verdade.

Ah, meu Deus... E se for apenas mais um querendo me iludir e me abandonar depois?

 

***

 

Na volta para Ferguson Manor, os três estavam consideravelmente mais elétricos. Sesshoumaru enfim deixara de lado seu mau humor e resolvera mostrar a Rin qual a sua ‘música idiota’ preferida, The Fox, da dupla norueguesa Ylvis.

Dizer que Rin estava se desmanchando em gargalhadas não era nenhum exagero, já que o loiro cantava em alta voz e ainda fazia uma coreografia, sentado agora no banco da frente. Naraku, guiando o veículo, não tinha como acompanhá-lo como gostaria, então se contentava em cantar junto, exagerando um pouco nas performances com a cabeça. A brasileira identificou aquilo como um autêntico bate-cabelo.

What does the fox say? — cantava o moreno, ao que o outro respondia aos gritos:

— CHACHA-CHACHA-CHACHA-CHOW! CHACHA-CHACHA-CHACHA-CHOW! CHACHA-CHACHA-CHACHA-CHOW!

What the fox say?

— FRAKA-KAKA-KAKA-KAKA-KOW! FRAKA-KAKA-KAKA-KAKA-KOW! FRAKA-KAKA-KAKA-KAKA-KOW!

What the fox say?

— A-HEE-AHEE HA-HEE! A-HEE-AHEE HA-HEE! A-HEE-AHEE HA-HEE!

— Eita bixiga da gata...! — arfou Rin, desesperada de tanto rir das palhaçadas dos dois amigos e da expressão de estranheza das pessoas que viam a bagunça no carro. — Parem, pelo amor de Deus! Meu Padim Padre Ciço...

Descontraído, John Sesshoumaru se sentia um pouco mais feliz agora que sabia que podia fazer a morena rir também.

O loiro também mantinha firme o propósito de saber quem era a tal Kikyou Wright que tanto incomodava seu amigo espanhol. Iria só esperar que a semana começasse para buscar informações sobre ela. Voltou a cabeça para olhar o borrão colorido que era Naraku e deu um ligeiro sorriso.

Ria enquanto pode, viadinho... Prepare-se, porque eu vou te pirraçar!

 

***

 

1 — Torando o aço: passando por situação de medo extremo. A origem do nome tem a ver com a contração dos esfíncteres. A expressão completa é “estar com o c* torando aço”.

2 — Azuretado: confuso.

3 — Frango: homossexual masculino.

4 — Galego: loiro.

5 — Virada no mói (molho) de coentro: Ser capaz das maiores realizações, por exemplo subir em um pé de coentro sem curvar seu caule.

6 — Valrhona: Chocolate amargo francês famoso.

 

 


Notas Finais


O Honest Burgers e o Chin Chin Labs existem mesmo \o/

Eita bixiga... Tem um casal sofrendo, hein? </3

Sobre o medo de escuro (fobia, na verdade) do Naraku, ele é real e se chama #Nictofobia. É uma consequência do passado triste dele. :(

A Rin é incrível, não acham? *-* E ela está mudando de ideia sobre a índole do Sesshoumagoo! #TodasAplaude

Eu SÓ ACHO que a Sango está começando a sentir algo diferente pelo Miroku... SÓ ACHO.

Beijos, seus lindos, até o próximo!

~Okaasan


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