História Nem por Meio Milhão de Libras! - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Inuyasha
Exibições 88
Palavras 6.200
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Hentai, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, pessoal. Mais um capítulo!

Agradeço a cada um de vocês que me incentivam a prosseguir com esta fanfic maravilhosa. Um abraço especial para o meu mano malégno, @MarcianoF, pela ajuda com o perfil psicológico do Naraku adolescente. O Tigrão é seu, mano! *-*

Não sei se é permitido usar fotos de cosplay...A Izayoi estava no Pinterest, sem crédito a ninguém. Em todo caso, créditos à cosplayer e ao fotógrafo.

Boa leitura!

Em tempo: A quem curte astrologia, Sesshoumaru é de Aquário (07/02) e Naraku é de Gêmeos (22/05) :v

Capítulo 20 - O não-sei-o-quê de Izayoi


Fanfic / Fanfiction Nem por Meio Milhão de Libras! - Capítulo 20 - O não-sei-o-quê de Izayoi

***

 

No WhatsApp, num dia à tarde...

 

Kohaku: Oi, Rin! Como foi o vosso passeio?

Rin: Oi, Kohaku. Foi ótimo, adorei aquela sorveteria. Gostaria de ir lá mais vezes. :-)

Kohaku: Se tu quiseres, podes chamar-me. Vou contigo. ;-)

Rin: Eu estou com saudades de tu, sabia? *-*

Kohaku: Valei-me minha Nossa Senhora! Quem está com saudades de ti sou eu. Nunca havia conhecido uma garota tão afável e meiga como tu. *-*

Rin: Você é tão legal, Kohaku. Quando vamos nos ver de novo?

Kohaku: Quando quiseres, prezada. A propósito, na terça-feira fui chamado para participar de um grupo de oração da Renovação Carismática Católica. É um grupo que tem brasileiros! =D

Rin: Oxe, é mesmo?! E como funciona esse grupo aí?

Kohaku: É uma proposta nova de evangelização de nossa Igreja, onde se fala de Deus de uma forma mais acessível para a juventude. Se quiseres, chama tua anfitriã, a Iza, para ir conosco.

Rin: Vou chamar, sim, isso parece interessante.

Kohaku: Vou gostar muito de rezar ao teu lado, minha linda Rin. *-*

Rin: Eu também! Mal posso esperar para te ver. <3 Agora preciso ir, a Iza me chamou.

Kohaku: Um beijo. Sinto tua falta.

Rin: Outro beijo. Também sinto tua falta.

 

***

 

Londres, 06 de fevereiro de 2000

 

Sir Anthony Weston Ferguson, ou apenas Toga, militar reformado e primo afastado do Duque de Edimburgo (marido da Rainha Elizabeth II), naquela manhã se levantou de sua cama, após passar a noite em claro. John Sesshoumaru, seu único filho biológico, completaria dezoito anos no dia seguinte.

O nobre proprietário da mansão Ferguson se perguntava nos últimos dias como faria para resolver os impasses oriundos da adoção do franzino Naraku Octavio. Já há um ano e meio com o espanhol, Toga se via desesperado ao notar o quão difícil era criar dois adolescentes tão geniosos e turrões como o moreno e seu loiro.

John Sesshoumaru nasceu em 7 de fevereiro de 1982, vindo sua mãe, Satori, a primeira esposa de Toga, a não resistir ao parto, deixando o nobre britânico com o pequeno herdeiro para criar. Talvez por compensar a falta da mãe, Toga não poupava esforços para fazer as vontades de Sesshoumaru, que, desde jovenzinho, acreditava que era um soberano. Em suma, um garoto mimado.

De repente, a rotina da mansão Ferguson foi radicalmente alterada pela presença de um jovenzinho de sangue quente e gênio indomável. Toga não imaginava que as coisas seriam daquele jeito: Naraku conseguia ser tão problemático como somente um adolescente vítima de exploração sexual conseguiria ser. Seu comportamento era assustadoramente libidinoso e, ao mesmo tempo, retraído; o moreno não confiava em adulto algum, sem contar os problemas de saúde que trazia consigo. Começou uma peregrinação para hospitais e clínicas, onde Naraku necessitou de intervenção médica para cuidar de seus rins com cálculos, desnutrição, dentes cariados e quebrados, órgãos genitais e ânus feridos, pulmões infeccionados (ele estava com pneumonia quando conheceu os Ferguson) e, obviamente, apoio psiquiátrico, já que a psique do garoto estava praticamente arruinada depois de anos de estupros e sevícias.

Toga também não imaginava que o comportamento de seu Sesshoumaru fosse se transformar radicalmente. O garoto, de tímido e obediente, virou um rebelde falador de obscenidades e logo descobriu o mundo do sexo por conta própria, de tanto ouvir o amigo discursar com propriedade sobre o tema. Quase que diariamente, chegava ao lar contando suas mais novas descobertas com as colegas de sala. Entretanto, as notas do loiro sempre permaneciam as melhores.

Dentro de casa, Naraku e Sesshoumaru ocasionalmente se atracavam em brigas homéricas, assustando o pobre Toga. Curiosamente, o rancor fenecia em poucos minutos e lá estavam os dois conversando e rindo novamente, suados, sujos, sangrentos e cheios de hematomas, como se nada tivesse acontecido. Era uma amizade estranha, porém entranhável, como se ambos fosse de fato irmãos de sangue. O loiro ia ao extremo de defender Naraku do próprio pai, quando este perdia as estribeiras e tentava lhe dar uma surra. Não demorou para que o espanhol resolvesse imitá-lo e se dispusesse também a impedir que o nobre desse uns corretivos no filho.

Então, os dois amigos apanhavam juntos.

O espanhol não quis ir para a escola e seu tutor preferiu não forçá-lo, cuidando de educá-lo por homeschooling, já que na Inglaterra não há a obrigatoriedade de matricular os filhos na escola¹. Nisso, Toga teve grandes surpresas: Naraku se interessava por política e economia, lia os jornais e fazia apartes críticos e deduções brilhantes. Era um garoto inteligente... E sem papas na língua. O moreno não tinha medo de dizer o que sentia ou o que pensava para ninguém — inclusive aos nobres amigos políticos de Toga. Não foram poucas as vezes em que o rapazote fizera a cara do tutor ir ao chão quando discordava veementemente de um ou outro membro do parlamento que ia a Ferguson Manor. E, evidentemente, as assertivas e tréplicas de Naraku eram recheadas de palavrões.

Difícil era lidar com a licenciosidade permanente do espanhol, o que às vezes levava Toga a imaginar se conseguiria mesmo fazer dele um cidadão de boa moral e respeito às tradições. O garoto respirava sexo, se masturbava compulsivamente, e, apesar de o nobre saber o porquê de seu comportamento, continuava sendo penosa a convivência. Não que Naraku desrespeitasse deliberadamente seu tutor; o garoto de modo geral não erguia a voz para Toga, apesar de sempre ter uma resposta afiada para tudo, e obedecia às suas ordens sem grandes problemas. Entretanto, o jovem parecia não ser capaz de ter um diálogo sadio com alguém sem oferecer o corpo, o que o tornava uma presa fácil para desconhecidos mal intencionados. O jeito era nunca permitir que ele saísse sozinho. Não é preciso dizer que a ansiedade e agressividade de Naraku triplicavam com aquilo.

Naquela manhã, Toga Ferguson levaria os filhos a uma clínica oftalmológica; Sesshoumaru se queixava de ter dificuldades para ver com nitidez ao amanhecer e o espanhol perguntou se poderia também realizar o mesmo exame, “para ficar cegueta igual ao John”. Levantou-se sem muito ânimo e fez uma pequena prece, sentado em sua cama.

— Deus — murmurou ele. — Eu preciso de ajuda. Envie uma alma iluminada para me orientar... Sinto-me confuso. Não quero errar com meus filhos nem pô-los a perder.

E dali se foi até o quarto de Naraku, sabendo que encontraria Sesshoumaru ali também; apesar de cada um ter o seu espaço, quase que diariamente dormiam juntos depois de chegarem de alguma festa.

O loiro, na cama de dosséis do amigo, se encontrava deitado com braços e pernas abertos, boca ligeiramente aberta e expressão suave. No beliche ao lado, estava o espanhol, deitado em posição fetal, o que sempre levava Toga a pensar o porquê de ele se encolher tanto durante o sono. Os cachos castanhos de Naraku cobriam parte de seu rosto e, pelo jeito revolto em que estavam dispostos, levaria tempo até ele desembaraçar tudo aquilo. No fundo, para Toga eram dois garotos ingênuos, que precisavam de amor e cuidados.

— Bem... — suspirou o nobre dono da mansão — Acabou-se o sossego. Hora de acordar os meninos.

De fato, o sossego da casa desapareceu por completo assim que Sesshoumaru e Naraku abriram os olhos. Brigas, discussões, trocadilhos de duplo sentido, brincadeiras e uns gritos do dono de Ferguson Manor fizeram o panorama matinal daquele dia.

Horas mais tarde, Toga finalmente estava sentado na sala de espera da clínica do Dr. Toutousai Geltschimidt; seus filhos estavam de pé, do outro lado, conversando animadamente em sussurros sobre algo que, possivelmente, era muito obscuro para ser dito em alta voz. Seguindo a direção do olhar de ambos, o nobre Ferguson intuiu que estavam observando a recepcionista da clínica. O espanhol, então, deu uma risada maliciosa e disse ao amigo que estava indo para o bebedouro.

Naraku seguiu em direção ao filtro, que ficava ao lado de uma portinhola onde eram guardados os produtos de limpeza. Uma mulher uniformizada se aproximava com um rodo e, sem querer, esbarrou na perna do rapaz, que imediatamente se virou para olhar para ela.

A dita mulher era morena clara e seus olhos eram castanho-escuros; seu aspecto em geral denotava uns trinta e poucos anos e sua compleição física era um pouco magra; parecia melancólica e estava desconfortável. Correu a pedir desculpas para o espanhol, que, como estava vestido com roupas caras, poderia ser mal educado. Para surpresa dela, Naraku sorriu, interessado, ao ver que ela tinha um sotaque diferente. Diferente igual ao seu.

— Moça, você não é britânica, é? Fala como os salamantinos²...

— Na verdade eu sou de Oviedo, sir — respondeu ela, timidamente. — Por quê?

— Eu sou leonês³... Quero dizer, acho. Pelo menos cresci lá.

— Ah... Interessante, sir. Nunca estive lá. Você gosta?

— Mais ou menos... Eu queria mesmo era ir a Ibiza.

— Ibiza é muito bonita, sir — sorriu ela. Os olhos do moreno cintilaram.

— Sério? Ah, como me gustaría conocer a Ibiza...

— Você vai gostar bastante quando for, sir. Agora, se me der licença, eu preciso ir.

— Espera...

E Naraku estendeu a mão para cumprimentá-la.

— É que você tem um não-sei-o-quê, moça... E eu gostei disso. Você parece uma... Uma pessoa boa — admitiu ele, enrubescendo. A mulher acabou sorrindo; apesar de tudo, aquele garoto estranho tinha um olhar doce. — A gente podemos nos conhecer melhor?

— Como assim?

— Naraku! — chamou Sesshoumaru, se aproximando rapidamente, sério. — O pai já disse para você não ficar falando com desconhecidos, seu viadinho... Ah... — o loiro enfim viu Izayoi ali e correu a se desculpar. — Desculpe, milady. Ele estava te incomodando?

— Eu não estava incomodando ela — replicou o outro, azedo, e já se virou para a morena mais uma vez. — Estava, moça? Como é o seu nome?

— Izayoi, sir.

— Bonito como você... Posso te chamar de Iza?

— Naraku, deixe de ser pegajoso. A moça precisa voltar a trabalhar — interveio o loiro. — Não repare, senhora, ele é...

— Eu faço tratamentos psiquiátricos, Iza. É por isso que esse loirinho mimado fica sempre atrás de mim.

— Tenho que ficar mesmo, seu retardado. O pai que mandou. Você fica se oferecendo para todo mundo! — e, rapidamente, Sesshoumaru tentou mudar de assunto. — A senhora é daqui mesmo, moça?

— Mas eu só disse para ela que queria conhecê-la melhor. Não é só porque eu sou um gay tarado que incomodo as pessoas...

Izayoi, atordoada, olhava de um rosto para outro. Não estava entendendo nada. Por fim, Sesshoumaru era chamado para ser atendido e saiu carregando consigo o amigo. Nesse exato momento, Toga chegava ao local, sem entender o motivo da balbúrdia.

— Pai — acusou o loiro. — Ele estava atrapalhando a moça da limpeza!

— Não estava não, Toga. Eu não disse nada de errado!

— Está tudo bem — interveio a mulher, incomodada com aquele excesso de atenção. — O menino não fez nada comigo, só perguntou o meu nome. Perdoem-me. Preciso ir.

Assim eles se apartaram. Sesshoumaru levou um inconformado Naraku consigo para a consulta, enquanto Toga permaneceu com os olhos sobre a outra porta pela qual Izayoi havia entrado. Meio confuso com o pequeno ocorrido, o nobre voltou a se sentar e a folhear uma revista, sem contudo, conseguir entender nada do que estava lendo.

Minutos mais tarde, Izayoi voltava à saleta com balde e esfregão, indo agora em direção ao banheiro. Toga, impulsivamente, se levantou e a chamou:

— Ei! Ei, senhora... Permita-me incomodá-la — e ele se aproximou da mulher, notando o quanto ela era pequena em relação a ele. — Meu filho Octavio a perturbou?

— Oh, não... — respondeu Izayoi com um pequeno sorriso. — Aquele garoto é muito meigo. Ele tem algum problema mental? Disse que estava em tratamento...

— Ele foi vítima de exploração sexual por alguns anos, senhora. Desenvolveu alguns distúrbios por causa disso: depressão, vício sexual, síndrome do pânico... Graças a Deus, nos conhecemos e eu o adotei no ano passado. Está melhorando.

— Pobrezinho! Ele tem o que, uns quinze anos?

— Faz dezessete esse ano. Mas passou anos lá, deve ter sido levado para aquele inferno quando criança ainda.

— Meu Deus... — volveu ela, surpresa e compungida. — Quem seria capaz de fazer isso com uma criança? Quanta maldade... As crianças são puras, são anjos do Senhor...

A voz de Izayoi, mansa e terna, entrava nos ouvidos de Toga como uma canção das mais belas; seu sotaque espanhol só fazia aumentar o gosto com que ele a ouvia. O loiro se pegou pensando em como seria ouvir aquela mulher conversar num espaço como a casa dele.

O olhar penetrante do homem logo fez a espanhola corar e dar um passo para trás, sem graça. Ele, tentando disfarçar, comentou:

— É... Sim, sim, senhora. Já eu creio de uma forma um pouco diferente: as crianças são seres que Deus manda para novas existências, não há como saber o que a inocência da infância esconde. Não sei o que meu filho foi em sua vida passada, só sei que ele tem experimentado grande sofrimento... E eu gostaria não de evitar seu novo aprendizado, mas sim de auxiliá-lo da melhor forma possível.

— Ah, o senhor é espírita?

— Sim, e a senhora? — indagou ele, vendo o crucifixo no pescoço dela.

— Sou católica, mas vou ao centro às vezes. Sinto-me bem... — a mulher, depois de engolir a timidez, retribuiu o olhar de Toga, admirando-o. Na época, ele esbanjava muita saúde e carisma com seus quarenta e cinco anos, sem contar a notória beleza física com que fora agraciado e que se estendera a Sesshoumaru.

Ele com certeza é rico, mas... Que jeito humilde o desse homem... Humilde e, ao mesmo tempo, poderoso. Adotou um menino órfão... Deve ser uma pessoa muito boa. Não: eu sinto que ele é uma boa pessoa, ponderava a espanhola, durante aquela intensa troca de olhares.

— Oh... Preciso ir, sir. Até a próxima...

— Até... A próxima, milady — balbuciou ele.

Despediram-se sem mais palavras, cada um levando consigo uma profunda e marcante impressão do outro.

Naquela noite, na mansão, Toga Ferguson recebia mais uma reclamação dos filhos através de Jaken, que já não suportava mais as “imoralidades” praticadas por eles. O pequeno empregado protestava após ter flagrado os rapazes fazendo uma aposta masturbatória contra uma pobre rosquinha no chão, perto da área de serviço. Logo os garotos eram chamados para uma bronca.

— Pai, era só uma brincadeira — justificava-se Sesshoumaru, aborrecido.

— Brincadeira?! Você ficou maluco?! John, você vai fazer dezoito anos amanhã, não tem vergonha?! — esbravejava o loiro, agora virando-se para o filho adotivo. — E quanto a você, Octavio... Foi você que ensinou essa indecência para ele, não foi?

— Por que eu?!

— Ainda pergunta?! Que eu saiba, a única pessoa desta casa que faz terapia contra compulsão sexual é você, rapaz.

— Não, senhor. Eu não tenho culpa de nada — afirmou Naraku em sua defesa. — Posso ser viciado em dar o rabo, mas não ensinei ao John essa disputa de quem goza mais depressa. Pergunte para ele!

— John, o que me diz disso? — indagou Toga, cenho franzido. Sesshoumaru estava rubro.

— Tá bom, pai... Eu aprendi isso na escola — admitiu o jovem, com as mãos para trás e olhando para a ponta dos pés. — Com os meus colegas. A gente faz uma roda, coloca uma rosquinha no meio e todo mundo toca uma até gozar em cima da rosquinha. Quem gozar por último tem que comê-la.

— Meu Deus! — exclamou o homem, arrepiado. — Que nojo! Isso é inadmissível!

— Não é para tanto, Toga. Uma das garotas que “trabalhavam” para o meu padrinho... — ia dizendo o espanhol.

— Ele não era seu padrinho, Naraku. Aquele cafetão criminoso era um desgraçado que estava destruindo sua vida. Não se refira a ele dessa forma, por favor.

Cierto... Então, uma das garotas que viviam comigo na casa de Mukotsu sempre me contava que era comum os clientes fazerem isso com ela e não com uma rosquinha.

— Eca — fez Sesshoumaru, cara de enojado ao ouvir aquilo. — E com você, já fizeram isso?

— Não. Eu tinha sorte, geralmente só apareciam clientes sozinhos para mim. Só teve uma vez em que vieram dois caras para me comer, bem no dia do meu aniversário de quatorze anos. Confesso que chorei. Fiquei dias sem conseguir me sentar direito, porque...

— Tudo bem, Octavio, já entendemos... Não fique lembrando dessas coisas, está bem? — interrompeu-o Toga, horrorizado. — Então, dessa vez vocês vão ficar de castigo. Sem saídas à noite durante três dias.

— Ah, pai...! — reclamou o loiro. Naraku simplesmente deu de ombros, pois preferia ficar em casa mesmo. Só saía à noite porque Sesshoumaru não abria mão de sua presença.

— Sem “ah, pai”. Agora vão dormir, os dois. Vão, vão! Considerem-se sortudos por não levarem umas cintadas!

Em silêncio os dois saíram da sala de estar, deixando Toga sozinho com seus pensamentos. Ponderava se seria necessário levar Sesshoumaru a um terapeuta também quando notou um par de olhos castanhos o observando de longe.

— O que foi, Naraku? — disse ele. — Venha aqui. Está sentindo alguma coisa?

No, no siento nada.

O moreno franzino se aproximou de Toga, sentando-se em uma poltrona. Parecia não saber como começar.

— Vamos, fale. O que aconteceu?

— Toga, quando a gente vamos voltar ao consultório do señor Geltschimidt agora?

— Hein?! Ora... Eu não sei, Naraku. Por quê?

— Posso ir com Sesshoumaru lá amanhã? Eu quero muito ver a Iza de novo.

— Iza?

— A señora da limpeza.

O nobre arregalou os olhos, intrigado.

— Naraku, o que você... O que você quer mesmo com aquela senhora?

— Fique tranquilo, não estou pensando em sexo. Eu só queria vê-la de novo. Ela é meiga, fofa, toda bonitinha e eu não entendo o que acontece comigo quando estou perto dela.

— Você se apaixonou por ela?! — indagou Toga, muito surpreso.

— Não sei, acho que não. Só sei que passei o dia todo pensando nela. Ela tem um não-sei-o-quê...

— Octavio! — chamou Sesshoumaru, lá de cima, já descendo as escadas. — Cadê você? — viu o amigo e o pai conversando. — Se estiver fazendo fofoca de mim para meu pai, eu te dou uma surra.

— A vida não gira em torno do seu umbigo, Sesshoumaru Craddock — retrucou Naraku meio azedo. — Eu estava falando da doña Izayoi.

— Ah... — fez o loiro, amarrando os cabelos. — A moça da limpeza, não é? Ela é engraçada, tem um não-sei-o-quê. Um jeito de tia fofinha do jardim-de-infância, dá vontade de ficar perto dela o tempo todo.

— Estou pedindo a ele para levar a gente lá amanhã de novo, John — afirmou o moreno. — A gente pede a ela o endereço, telefone...

— Não é má ideia. Ela tem cara de quem faz umas gordices deliciosas — respondeu Sesshoumaru, surpreendendo seu pai.

— Esperem... John, VOCÊ quer mesmo acompanhar Naraku à clínica de novo?

— Qual o problema, pai? Eu também gostei dela! — volveu o rapaz, com seus olhos azuis brilhantes e ainda sadios.

Toga olhou atordoado para os filhos; afinal, ele TAMBÉM havia gostado, e muito, daquela senhora tímida. O que significaria aquilo?

 

***

 

Na tarde seguinte, Toga se viu dentro de seu carro com Sesshoumaru e Naraku indo novamente para a clínica de Toutousai. Era o aniversário do seu filho loiro e ele ainda não sabia o que fazer para comemorar, já que tinha decretado castigo para os dois rapazotes e não era homem de voltar atrás no que dizia.

O nobre se remoía por dentro por ter concordado com aquele disparate dos meninos; afinal, que explicação ele daria para o médico? Pior: com que cara olharia para a espanhola?

— Pai, será que ela gosta de nozes? Este bolo está com um cheiro de nozes tão forte — queixou-se Sesshoumaru com um bolo de padaria em mãos. Naraku tinha consigo um pequenino buquê de jacintos. — Foi esse palerma que me mandou comprar o de nozes, mas agora estou com dúvida...

— Palerma é você. Ficou demorando para escolher o bolo!

— Se você não tivesse gastado tanto tempo se arrumando em casa, eu teria mais tempo para escolher o bolo com calma! Para que ir lá com esse meio quilo de maquiagem nessa sua cara anêmica?

— John, helloooo! Eu sempre ando maquiado e montado! E você me conheceu assim!

— Não tenho culpa se ninguém ainda exorcizou essa alma travesti de você!

— Meninos, por favor, não comecem — ralhou o homem, irritado.

— Toga, o que você vai levar para ela? — indagou o espanhol.

— Eu... Ora, Naraku, quem está indo ver aquela senhora são vocês dois! Eu estou apenas levando vocês lá.

— Mas nós sabemos vir sozinhos, pai. Por que você está tão nervoso?

— Não estou nervoso! Só... Só acho que ela vai achar muito esquisito vocês aparecerem lá com presentes e...

— Toga, a clínica! Vá mais depressa — pediu Naraku, olhando para a fachada do prédio ansioso.

E foi assim que, meio arrastado, Toga se viu entrando com os filhos dentro da clínica oftalmológica. Sesshoumaru foi até a recepcionista, uma ruiva de seus trinta anos, e indagou dela sobre o paradeiro da moça da limpeza. Claro que o loiro tentou usar de seu charme de eu-sou-Sesshoumaru-e-estou-fazendo-dezoito-anos, mas tudo o que conseguiu foi deixar a funcionária com nítida vontade de rir de sua empáfia.

— Aff, John, seu babaca — resmungou Naraku, se aproximando também e perguntando de forma mais natural: — Señorita, a gente queríamos falar com uma moça que se chama Izayoi, ela está aqui?

— Não, sir — respondeu a mulher, agora procurando ficar séria. — A coitada não pôde vir hoje. Ela tem rinite alérgica e hoje está com crise.

— Mais essa agora... — reclamaram os jovens, se olhando decepcionados.

Agora era Toga que se aproximava do balcão, preocupado. A postura da recepcionista mudou; afinal, o charme do nobre loiro que se dirigia a ela era infinitamente maior do que o de seu filho metido a conquistador.

— Ela está doente?! Oh, que pena... Mas a senhorita pode nos dar o endereço dela... Não pode? — pediu o loiro mais velho, com um pequeno sorriso e um olhar penetrante. A moça ruborizou de imediato.

— Ah... Oh, sir, não sei se devo...

— Por favor, senhorita — acrescentou ele, em tom mais brando e persuasivo. Sem se dar conta, a moça pegava uma agenda e anotava o endereço de Izayoi num papel, entregando-o para Toga com um sorriso bobo. — Fico eternamente grato por isto...

— Disponha... — ecoou a ruiva, deslumbrada.

Ao sair, Toga deu um ligeiro tapinha na cabeça do filho loiro.

— Ai, pai! O que foi?

— Ah, John... Parece que ainda falta muito para você chegar ao meu nível — troçou o homem, enquanto o espanhol gargalhava.

 

***

 

Encolhida no sofá velho, Izayoi assistia a um canal de TV qualquer em seu minúsculo apartamento numa rua sem saída de Soho, a várias quadras de distância do seu local de trabalho. Ocasionalmente, fungava. Havia acabado de tomar um banho para relaxar a tensão do corpo e estava com um vestido simples, florido, e com os cabelos soltos.

Ouviu batidas à porta e franziu o cenho. Quem seria? Ela praticamente não tinha amigos; era uma alma solitária no coração de Londres. A mulher se perguntava se tinha esquecido de pagar alguma conta quando abriu a porta e levou um susto imenso.

À sua frente, os garotos que estiveram na clínica no dia anterior. O moreno, que era o menor, estava com uma maquiagem um tanto pesada e cintilava com brincos pequeninos de brilhantes e pulseiras, além de uma calça amarelo-ovo, cachecol branco e suéter azul-escuro, e logo lhe ofereceu um buquê de jacintos simplesmente perfeitos, somado a um gritinho afetado:

Ay, caramba, você fica lin-da de cabelos soltos!

— Dá um tempo, Octavio — interrompeu-o o outro garoto, mais forte e vestido de forma tradicional: calça e camisa social de manga comprida sob um colete. Seus cabelos loiros desciam impecavelmente pelos seus ombros e havia poucos pelos de barba em sua face juvenil. Ele lhe estendia um bolo. — Mrs. Iza, espero de coração que goste de nozes, pois foi esse viadinho aqui que disse que bolo de nozes combinava com você.

— ... — o queixo de Izayoi permanecia boquiaberto, principalmente agora que, meio desajeitado, o adulto do grupo aparecia diante de seus olhos. Alto, forte, loiro, com o olhar de homem experiente e maduro e que havia lhe deixado com a impressão forte de que eles não haviam se encontrado em vão.

Os olhos de Toga, que pela primeira vez em anos se sentia inseguro, encontraram os seus e se perderam neles. Os dois garotos passaram a observar aquilo e começaram a cochichar sem parar.

— Fiquem quietos, meninos — soou a voz do belo nobre, que agora voltava sua atenção total para a morena atônita diante de si. — Perdoe-me, senhora... É que eu não consigo negar os pedidos dos meus filhos...

— Principalmente se for os dele — interveio Sesshoumaru, ciumento, apontando para o amigo com o queixo. — Saudade de quando eu era filho único.

— Larga de ser infantil, seu mimado! — protestou Naraku, a voz instável devido às mudanças hormonais.

— Infantil é você, que dorme com um Tigrão de pelúcia!

— E você, que dorme com o Buzz Lightyear? Já contou isso para aquela morena que você anda pegando lá na escola?

— Ah, é assim? Quer que eu conte do seu Pikachu e do seu Eevee?

— E você, quer que eu conte do seu Capitão América que fica debaixo do travesseiro?

— Rapazes... — chamou-os Izayoi, mansamente. Imediatamente Sesshoumaru e Naraku se calaram e pararam de discutir.

Silêncio total até que Toga, atordoado, gaguejasse:

— Oh... Hehe... V-vamos começar do jeito certo. Meu nome é Anthony, milady.

— Ah... O meu é Izayoi. Vamos entrar...

E assim entraram na pequena residência. Toga ficou surpreso ao ver que, sem cerimônia, seus filhos se sentaram um de cada lado da dona da casa no pequeno sofá (Naraku chegara ao cúmulo de segurar a mão de Izayoi).

— John! Octavio! Posso saber que negócio é esse? Como vocês chegam assim, pela primeira vez à casa de uma senhora, e se esparramam no sofá dela?!

— Ah, pai, o que é que tem? — fez Sesshoumaru, muito à vontade. — Quando eu gosto de alguém, quero me sentar perto... Opa — só então o jovem se dera conta do que havia dito e ficou rubro. — Mrs. Izayoi, não pense que eu quis dizer o que não disse, pois na verdade eu quis dizer que...

— Tudo bem, meu querido — volveu ela, sorrindo afetuosamente para o loiro. — Fico feliz que tenha gostado assim da minha pessoa... Você é um garoto lindo.

— Mentira, quem gostou mais fui eu — afirmou o espanhol, manhoso, do outro lado. — Você gosta de bolo de nozes, não gosta, Iza?

— Gosto muito...

— Eu sabia! — comemorou o rapaz. — Espero que goste de jacintos também.

— Seus jacintos são lindos, meu anjo...

Perdóname, Iza, mas eu não posso ser um anjo. Eu sou gay.

— Não ligo para sua orientação sexual. Para mim, você é um anjo, seus olhos são puros e meigos.

— S-sério?!

, cariño... Sabe, eu adoraria ser la madre de um chico como você.

As bocas dos visitantes se abriram de espanto diante do comentário despretensioso da espanhola. Meio enciumado, Sesshoumaru interveio:

— Ah, assim não vale! Você quer ser mãe só para ele?! Eu sou mais bonito, autêntico britânico e parente de Sua Majestade, Elizabeth II!

Izayoi riu enquanto Toga ficou desesperado com o rumo que a conversa tomava.

— SESSHOUMARU! – ralhou o nobre, indignado. – Isso são modos?!

— O que foi, pai? Eu nunca tive vontade de ter uma mãe, mas, agora que conhecemos Mrs. Izayoi... – as bochechas dele ficaram rubras de novo. — Ela tem um não-sei-o-quê... Sabia que a senhora me faz sentir como se eu fosse um menininho?

— Acho que você ainda é um menininho, seu lindo. Um menininho mais alto do que eu.

— A senhora gostou de mim?! – indagou ele, vermelho e encantado.

O fato é que John Sesshoumaru, aos dezoito anos, prestes a entrar na faculdade e com uma vida sexual já ativa, ainda conservava muitos traços de singeleza infantil, talvez por sua criação regalada e cheia de mimos. Naraku, por ter tido a infância roubada, não era diferente dele. Izayoi os via como eles eram de fato — dois meninos em corpos adultos.

— É claro que ela gostou de você, seu retardado — retrucou Naraku, sem muitos rodeios. — Ela gostou de nós dois.

— Sim, gostei dos dois — afirmou ela, levando a mão aos fios loiríssimos do rapaz, que sorriu contente. — E pode me chamar de você, cierto?

— P****, eu nunca achei que teria um aniversário tão bom, nos braços de uma senhora tão fofa como você — afirmou o loiro, deitando a cabeça sobre o ombro de Izayoi. Só então os dois meninos ergueram os olhos para Toga, que estava completamente mudo, fitando intensamente seus filhos abraçados com aquela mulher de voz doce e serena, que o fazia se sentir seguro. O coração do nobre Anthony Ferguson ribombava no peito ao ver a cena inusitada.

— Toga, você também gostou dela, não gostou? — indagou o espanhol, após ver a força do olhar do seu tutor. — Toga? Você está vermelho!

— Pai, o que você tem? — perguntou Sesshoumaru, sem entender.

— Por favor, meninos... Nos deem licença. Preciso conversar um assunto sério com Mrs. Izayoi, se ela o quiser, claro — afirmou o loiro mais velho, ainda muito sem saber o que pensar.

Sesshoumaru e Naraku não se moveram do lugar. Izayoi interveio:

— Rapazes, por favor... Por que não vão até à cozinha guardar o bolo? A propósito, eu não sei o que me deu hoje... Fiz uma panelada de puchero [4]. Acho que estava adivinhando que teria visitas.

— Puchero? — fizeram os dois juntos, já pulando do sofazinho. — Onde é a cozinha?

— Primeira porta à esquerda... Eu não tenho um armário, então os pratos ficam em cima de um balcão, estão cobertos por um paninho de crochê. Fiquem à vontade.

— Tem pimenta, Mrs. Iza? — perguntou Sesshoumaru, já dentro do cômodo. A espanhola não conseguia parar de rir baixo.

— Meu Deus, que vergonha... — resmungou Toga, vendo os garotos andando dentro da cozinha da mulher sem o menor pudor. — Meninos! Por favor, não me façam passar vexame!

— Deixe-os, Mr. Anthony — pediu Izayoi, serenamente. Levantando-se, ela pegou em uma cadeira velha e a colocou ao lado da que o nobre estava sentado.

O loiro olhou para a espanhola, vibrando por dentro. Que emoção diferente, aquela... Ele já havia tido outros relacionamentos na vida, mas nenhuma das mulheres com quem estivera provocava aquilo nele.

A sensação de ser um navegante cansado que, enfim, encontra o cais e pisa em sua terra natal. Izayoi era um misto de mar sereno com noite de lua cheia e som de colibris. Num estalo, o homem sobressaltou-se, pensando: será que eu já a amo?

— O senhor queria conversar comigo? — murmurou ela, observando a inquietação do belo homem, que muito a agradara no dia anterior.

Izayoi tinha certeza de que estava perante uma alma boa, um homem de bem, que saberia lhe oferecer o que ela nunca tivera antes: um amor profundo e real.

— Perdoe-me, doña Izayoi... — respondeu ele, um pouco tonto devido à avalanche de sensações incríveis de bem-querer que brotaram como um rio de dentro dele. — Eu não sei se vou conseguir falar alguma coisa...

E Toga inclinou-se em direção a Izayoi que, apesar de surpresa, não fugiu daquela aproximação. De repente, ele olhou para a direção onde estavam seus filhos e, discretamente, tirou um envelope pequeno do bolso da calça, entregando-o à espanhola, que o recebeu surpresa.

— Também trouxe algo para dar à senhora, só não queria fazê-lo na frente deles — segredou o homem, coçando a cabeça. — Ah... Se possível, leia depois que formos embora.

— Oh, sim, claro.

Logo os dois rapazes voltavam da cozinha com pratos cheios de puchero, voltando a se sentar no sofazinho enquanto comiam e faziam a habitual galhardia ao ver a mulher sentada perto de Toga. Foi um custo para conseguir levar Sesshoumaru e Naraku de volta para casa; para agonia do homem, o espanhol atrevidamente já chamava a mulher de ‘mamãe’.

Sozinha, Izayoi enfim abriu o envelope. Havia um bilhete escrito em letras cursivas caprichadas.

 

Doña Izayoi,

Pode parecer loucura, mas eu descobri que me apaixonei pela senhora ontem mesmo, na clínica. Quer me conceder a honra de fazê-la feliz ao meu lado? Aguardo sua resposta, ligue-me no número (...) e vamos nos encontrar para nos falarmos. Meus filhos também a amam. Eu vejo isso como uma obra dos espíritos de luz que responderam à oração que fiz antes de sair de casa ontem. A senhora é mais do que eu mereço, mesmo não a conhecendo bem, sinto que é uma mulher virtuosa e cheia de graça, que merece o maior amor do mundo.

Do seu Sir Anthony Ferguson.

 

— Ora... — murmurou ela, emocionada. — Quem diria que eu iria encontrar a felicidade já tão velha...? É claro que eu quero, Sir Anthony. E é claro que amo o senhor e seus lindos meninos. Preciso ligar para ele...

 

***

 

Londres, junho de 2014

 

Kagome Higurashi chegava à escola onde fazia seu estágio pela manhã, no bairro de Otley mesmo. Estava meio desanimada; sua monografia havia chegado a um ponto em que sua orientadora resolvera encaminhá-la para outra pessoa, já que o tema inicial era sobre a aprendizagem da criança relacionada ao lúdico e, de repente, a japonesa se sentia mais inclinada a dissertar sobre alunos com deficiência intelectual. Ela estava no quarto ano do curso de Pedagogia pela Universidade Metropolitana de Leeds.

— Poxa... Será que esse orientador novo é bom, pelo menos? — murmurou ela consigo mesma, enquanto ia para a sala dos professores. Cumprimentou alguns funcionários da escola e encheu uma xícara de café. Logo o sinal de início das aulas começava e os alunos corriam para suas respectivas classes. Como a faculdade era um pouco distante para Kagome e ela era muito querida na escola, a diretora permitia a ela se encontrar com a antiga orientadora lá mesmo. Desta vez, a dita professora agendara um encontro entre Kagome e o novo orientador ali. A japonesa, contudo, não se lembrava do nome dele.

Pensou no namorado, Inuyasha, que estava cada vez mais interessado na sua denominação. O rapaz dificilmente ia à sua congregação presbiteriana, mas era visto quase que todos os domingos no pequeno templo batista onde ela e sua mãe frequentavam. Sorriu. Quando ele conseguisse um bom emprego, iriam se casar e ela faria de tudo para que ele desse seus próprios passos na área profissional.

Kikyou poderia até dizer o contrário, mas Kagome sentia que a vocação de seu Inuyasha era ser professor.

A jovem, sozinha agora, se perguntava se o tal orientador demoraria a chegar quando ouviu passos à porta. Ao virar-se para olhar, vislumbrou um homem totalmente colorido. Cabelos cacheados longos e soltos, maquiagem leve ‘para o dia’, óculos de grau com aros vermelhos, uma túnica com estampa do rosto de Michael Jackson e calças legging masculinas roxas, além de tênis All Star azuis. Nas mãos, uma mochila de notebook e uma garrafinha d’água.

Buenos dias, muchacha — saudou-a o recém-chegado, com uma voz gravíssima que ela não esperava ouvir.

Kagome piscou diversas vezes antes de responder.

— B-bom dia... É o senhor o meu orient-

Senhor? Você me chamou de SENHOR?! — esganiçou-se Naraku Octavio, escandalosamente. — Mas eu não a-cre-di-to, ela pensa que yo soy um velhinho caquético que usa fraldas geriátricas e dentadura e... O que é pior... Impotente, pinto murcho que não sobe! Ay, muchacha, você estraçalhou o meu coração!

A jovem arregalou os olhos e suas faces enrubesceram. Logo ela explodia em uma gargalhada. O espanhol prosseguiu em sua encenação:

— Eu vou dizer só uma vez, muchacha... Meu nome é Naraku e eu sou uma autêntica DIVA, entendeu? Se quiser me chamar de viado, gay, boqueteiro, maricón, eu não ligo, pois sou isso tudo mesmo. Mas não me chame de senhor, porque eu fico LOUCA! LOU-CA! Sou uma flor de jardim, tão bela e tão FRESCA!

— Ai... Está bem, está bem! — arfou Kagome, chorando de rir. — Eu não vou te chamar de senhor... Eu juro.

Okay — e então Naraku se sentou ao lado dela, totalmente sério, esperando que ela se recompusesse. — Você é Miss Higurashi, cierto?

— Sim...

— Prazer em conhecê-la. Naraku DeMarco.

— DeMarco? Como o Johnny Depp naquele filme?

— Exatamente. É um tesão aquele bofe, não acha? — comentou o homem, com naturalidade.

— Sim, ele é um... Ops — e Kagome corou, levando o espanhol a rir. — Esqueça, eu não disse nada.

— Não fique se reprimindo, cariño. Eu não gosto de alunos estressados, eles cansam a minha beleza e suas monografias ficam uma bosta. Enquanto estiver comigo, recuso-me a vê-la ansiosa ou preocupada. E vou empregar todos os métodos possíveis para tal.

A moça voltou a rir.

— Agora — completou Naraku — termine de falar.

— Tá bom, você venceu... O Johnny Depp é um tesão, mas eu ainda prefiro o meu namorado...

— Seu namorado é um tesão? Melhor não me apresentar para ele — troçou o moreno. Kagome gargalhou. — Ay, caramba! É tão bom encontrar gente tranquila como você. Então, vamos ao assunto. Trouxe seu texto?

— Trouxe.

E a manhã se passou sem mais delongas, enquanto Kagome recebia as informações que necessitava para reescrever parte de sua monografia. No fim das contas, as horas se passaram velozes, pois o espanhol provocava tantos risos na jovem que mal sentiram o tempo passar.

Foi assim que Naraku Octavio ganhava mais uma admiradora.

 

***

 

1 — O homeschooling é uma prática bem comum em países de primeiro mundo. Os pais se responsabilizam por ensinar as matérias escolares aos filhos. Na história, Naraku corria sério risco de ir para a escola devido aos seus diversos distúrbios. Esta foi a forma de poupá-lo de bullying e outros problemas sérios.

2 — Samalantino: Natural de Salamanca.

3 — Leonês: Natural de León.

4 — Puchero: prato espanhol que consiste em um cozido de carne bovina com linguiça e legumes diversos.

 

 

   


Notas Finais


O Kohaku tá xavecando a Rin!
O Kohaku tá xavecando a Rin!
O Kohaku tá xavecando a Rin!
Gente, o KOHAKU tá xavecando a RIN! VOCÊS NÃO VÃO FAZER NADA?!
- Não, Okaasan, a autora dessa bagaça é você...

Antes que me crucifiquem, a brincadeira nojenta de Sesshoumaru e Naraku existe; é praticada por heteros e gays e se chama "circle jerk". Não quer dizer que o Sesshy seja homossexual por isso. Ele é hetero MESMO. Podem ficar tranquilos! kkkkkkkkk

Aí um pouco de como a Iza entrou na vida da família Ferguson e no coração do cachorrão *-*

Poxa, Naraku... #SejeMenas, miga. Tá gay demais!
Qualquer semelhança entre o NaraDIVA e o Whindersson Nunes, neste vídeo, não é mera coincidência: https://www.youtube.com/watch?v=mwmfkI8L18I

HU3HU3HU3HU3HU3HU3HU3HU3HU3

E, por falar em Naraku... A minha outra fic sobre ele voltou à ativa! #TodasComemora \o/ #MeuPaizinhoNaraku - https://spiritfanfics.com/historia/meu-paizinho-naraku-3912460

Pra quem não aguenta mais me ler falando do Naraku, há o meu xodozinho, a história #EntreIrmaos (Sesshoumaru e Inuyasha aprendendo a conviver juntos) - https://spiritfanfics.com/historia/entre-irmaos-5125359

Por ora, acho que é só isso. Abraços a todos!

Sugestões, críticas, reclamações, etc.: COMENTEM E FAÇAM UMA MAMÃE FELIZ! *-*

~Okaasan


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