História Nem por Meio Milhão de Libras! - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Inuyasha
Exibições 137
Palavras 4.417
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Hentai, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, pessoal. Feliz Dia das Crianças!
Mais um capítulo dessa bagaça XD Acho que hoje eu apanho. kkkkkkkkkk

Hoje quase não tem Rin... Mas tem o Jakotsu divando! Ui!

A capa do capítulo é um desenho extraído do Deviantart, do(a) fanartista Shirei. Belíssimo o Sesshoumaru nesse traço! *-*
Perdoem eventuais erros.

Boa leitura!

Capítulo 9 - Será que ele é...?


Fanfic / Fanfiction Nem por Meio Milhão de Libras! - Capítulo 9 - Será que ele é...?

 

Foi difícil para os irmãos Wright conseguirem se desvencilhar da recepção hipercalorosa do francês Jakotsu. Depois de convencer o coordenador, com muita dificuldade, de que não era preciso que ele lhes mostrasse as instalações da faculdade, Ann Kikyou e Raymond Inuyasha conseguiram ir até a uma modesta área de alimentação que havia no primeiro andar do prédio. A movimentação de pessoas aumentava gradativamente.

— Ufa — fez a moça. — Pensei que ele não iria nos largar.

— Já estava preocupado. Ele não parava de me olhar com aquele jeito de, de... Sei lá — afirmou Inuyasha, coçando a cabeça. — De bicha louca!

— Raymond, respeite as pessoas. Isso são modos? A Bíblia diz que tudo o que quisermos que as pessoas nos façam, devemos fazê-lo a elas também — aparteou Kikyou, deixando o caçula revoltado. — E vice-versa. Portanto, se você quer respeito...

— Keh! Não me chame de Raymond, Ann!

— Não me interrompa, cadê a educação que eu te dei? Se você quer respeito, respeite!

— Dá um tempo, Ann! Aquele gay estava agarrando nós dois! — protestou o rapaz. — Para você não pega nada, mas e para mim? Eu sou muito macho! E comprometido!

A mulher revirou os olhos, enquanto abria sua pasta.

— Francamente, Inuyasha, você já é um adulto. Não deveria ficar se apegando a essas bobeiras. Mr. Jakotsu tocou apenas em nossos ombros. E... — ela franziu o cenho. — Inuyasha, as fichas de inscrição ficaram com você?

— Espere — disse ele, olhando seus pertences. — Não, mana.

— Ah, meu Deus! Esqueci as nossas fichas em casa! — exclamou Kikyou, nervosa. — E já são cinco e cinquenta e oito...

Inuyasha se pôs de pé.

— Não se preocupe, mana. Eu posso ir até a secretaria e pedir outras. Afinal, já estive lá; tem salas demais por aqui e você pode se confundir. Vá para a sala de aula.

— Mas e você?

— Eu te deixo na porta da sala e vou pegar as fichas. Não demoro.

Os dois irmãos se levantaram e seguiram pelo corredor que Inuyasha indicou; naquele momento, já havia uma quantidade considerável de alunos por ali, procurando por suas respectivas salas. De acordo com o conteúdo programático, Inuyasha e Kikyou teriam a primeira aula juntos. A disciplina em questão era Gestão de Pessoas.

Os dois seguiram até uma folha afixada na parede, que continha as respectivas salas de cada aluno do centro de Ciências Sociais e Aplicadas.

— 17 — disse o moreno. — Vem, mana.

Pegando a mão de Kikyou, Inuyasha andou decidido até encontrar a sala. A moça percebeu que alguns alunos os observavam; ela lutou para não imaginar que aqueles olhares seriam de desdém pelas roupas humildes de ambos. Com o rosto corado, Ann Kikyou decidiu refazer as contas assim que tivesse a oportunidade, para ver se teria condições de comprar ao menos uma camisa nova para Inuyasha. Ele era um pouco vulnerável em relação à própria aparência e a moça não queria vê-lo triste ou abatido por olhares fúteis de pessoas que não tinham a mesma dificuldade na vida.

— Aqui, a sala 17. Eu já venho, mana.

— Inu, espera... — pediu ela, insegura. Não estava muito à vontade. — Vamos juntos.

— Não, você fica aí, eu não demoro — volveu Inuyasha, sem entender o receio da irmã. — O que foi?

— Nada, eu só...

— Boa noite.

Os dois olharam para a pessoa que os cumprimentava: era Sandie Cameron, que acabava de chegar. A escocesa estava vestida com um terninho preto justo que valorizava suas curvas, brincos e acessórios vermelhos e uma maquiagem modesta, porém elegante. Ela trazia no rosto um ar divertido.

— Boa noite — murmurou Kikyou em resposta. A presença poderosa da outra a deixou um pouco atônita e mais do que nunca ela lamentou por não poder ter comprado roupas novas.

— Miss Cameron — saudou-a Inuyasha, com um meio sorriso. — Boa noite. A senhorita vai estudar conosco?

— Vou, mas de uma forma diferente. Eu sou professora — respondeu ela, olhando atentamente para ambos; Ann Kikyou tentara ser simpática, mas a timidez falou mais alto e ela estava muda. — Vocês devem ser irmãos de Andrew Miroku.

— S-somos — gaguejou a mais velha, porém, pigarreou e melhorou a postura. — Somos. De onde a senhorita o conhece?

— Nós somos amigos. Venho no ônibus que ele dirige — foi a resposta evasiva. A escocesa sentiu vontade de troçar do jeito acanhado de Kikyou, mas desistiu; não seria uma atitude honrada de sua parte. Era melhor ficar com suas impressões para si mesma e, também, não queria problemas com o seu mais novo objeto de interesse. Estendeu a mão, formalmente, para Kikyou e Inuyasha. — Sandie Cameron.

— Prazer. Ann Kikyou — respondeu a outra, devolvendo o cumprimento. — E ele é o Raymond Inuyasha...

— Só Inuyasha está ótimo — resmungou o rapaz. — Raymond, Raymond... Nome brega!

— Não seja bobo! — estrilou Kikyou. — Não repare, Miss Cameron. Ele só tem tamanho, é uma verdadeira criança.

— Mentira, Miss Cameron! Ela é que igual uma tia velha!

— Você me chamou de que?!

— Calma, crianças, não briguem — interveio Sango.

— Não somos crianças! — retrucaram os dois, em uníssono; a escocesa gargalhou e só então os dois irmãos caíram em si e se desculparam para ela, que agora dava um sorriso sincero a eles.

— Vamos entrar?

— Eu já volto — afirmou Inuyasha, se afastando. — Com licença, Miss Cameron. Mana, pode ficar tranquila.

— É que esquecemos nossas fichas de inscrição, Miss Cameron — explicou Kikyou, ante o olhar interrogativo da outra. — Ele foi buscar outras.

— Sem problemas. Ele não deve demorar, não é?

— Não. A senhorita é escocesa? Seu sotaque é diferente...

— Sou. E pode me chamar de você, certo?

— Tudo bem.

As duas entraram na sala de aula.

 

***

 

Inuyasha andou rapidamente até a porta do Instituto. Avistou uma silhueta com uma boina e o casaco dos Newcastle Falcons e não hesitou em chamá-lo:

— Andy, Andy!

— Inuyasha? — disse Miroku, se virando para ver o irmão. Ambos trocaram um breve abraço e Inuyasha estranhou o mais velho, que estava nitidamente nervoso.

— Mano, o que você tem?

— Você não deveria estar na aula, menino?

— Sim, mas Ann esqueceu as fichas. Vim pegar outras na secretaria e escapuli para vir te ver.

Miroku entrou com ele, andando lentamente e procurando falar em voz baixa.

— Olha, Inu, vamos fazer o seguinte? Vá assistir a aula, depois a gente conversa.

— Não, Andy. Dá para a gente se falar agora. Quem vai dar aula para nós é aquela professora gostosa que te deixou babando na semana passada.

O rapaz estremeceu e corou vivamente, o que não passou despercebido aos olhos do caçula.

— Que foi, Andy?

— Inu, Kikyou não pode me ver!

— Por quê? Você está tão estranho...

Miroku aproximou-se mais do irmão, falando o mais baixo possível.

— Cara, se Kikyou me vir desse jeito, ela... Ela vai descobrir, ela vai! — lamentou-se ele.

— Descobrir o que, cara?

Eutranseicomela.

— Hein? Fale direito, não deu para entender nada.

O rapaz tirou a boina da cabeça, nervosíssimo.

— Droga, Inuyasha, você é surdo?! Eu estou dizendo que... — e ele murmurou, lívido. — Sabe... Mrs. Cameron?

— O que tem ela? E por que Mistress, ela é casada?

— Divorciada... Então, mano... Ela e eu...

Raymond Inuyasha arregalou os olhos; pelo estado de nervos e pelo rubor do irmão, não era preciso dizer muita coisa.

— Miroku, você não está querendo me dizer que...

— Hoje de manhã, lá no centro de Coventry... — começou a dizer ele, rapidamente, olhando para os lados, morto de medo. — Eu estava conversando com você, ela apareceu, me chamou para comer um desjejum escocês, me fez trocar uma resistência de chuveiro na casa dela, depois tirou a minha roupa e...

— Miroku...!!! — fez o outro, impressionado.

— Não acredito que fui cair nessa... Quando dei por mim, já estava feito um bicho em cima dela, um animal no cio. Ela é tentadora, deliciosa, sabe fazer um monte de coisas... — dizia ele, aturdido. — Não me olha assim, droga!

— Cara, eu também NÃO acredito! — murmurou Inuyasha, olhos enormes. — Você transou com a professora gostosa, mano?!

— Transei! — respondeu ele, com raiva. — Transei duas vezes! E, se você quer saber — completou, irritado. — Ela... Ela me convenceu a ir para lá hoje à noite para a gente transar de novo. Passei o dia inteiro nervoso, nem consegui comer nada hoje, além do café escocês que ela me deu, às nove. Eu não deveria ir, mas...

— SÉRIO QUE VOCÊ VAI TRANSAR COM ELA DE NOVO, CARA?! QUE INVEJA!

As pessoas olharam imediatamente para Inuyasha após ouvi-lo gritar.

— Não grite, seu idiota! — ralhou Miroku, enlouquecido. — Quer me matar de vergonha?!

—Desculpe, não foi por mal... É que eu não consigo acreditar! — volveu o caçula. — Andy, você não se sente culpado?

— Por que acha que estou nervoso?! É ÓBVIO! Eu amo Mrs. Cameron, mas...

Ama?! Já?!

— Desde aquele dia. E você me conhece... Não brinco com essas coisas. Inuyasha, você vai se atrasar, volte para a sala.

— Vou voltar, mas... Mano...

— O que é?

— Vocês usaram camisinha?

— Não, claro que não — corou Miroku, sem jeito. — Não tinha planejado nada daquilo.

— Você enlouqueceu mesmo — retrucou Inuyasha, sério. — Já pensou se ela engravida?

O cérebro de Andy Miroku parou ao ouvir tais palavras.

— Tsc, tsc. Mano, como você foi esquecer isso? — prosseguiu o caçula. — Já pensou o tamanho do problema que seria para você criar um filho justo ag- EI!

O rapaz caiu desmaiado no chão.

 

***

 

Na sala de aula da disciplina Inferência em Processos Estocásticos, no segundo andar...

— Continuando — dizia John Sesshoumaru para uma classe de alunos absurdamente calados e nada animados a lhe fazer perguntas — O resultado não pode, então, ser predito a partir do conhecimento das condições sob as quais o experimento foi realizado. Neste caso, fala-se do experimento como sendo um experimento envolvendo o acaso ou, simplesmente, experimento aleatório.

Um rapazinho que usava um crucifixo grande no pescoço ergueu a mão no ar; Sesshoumaru, sem notá-lo, prosseguiu falando, de pé ao lado da lousa.

— Devido à imprevisibilidade ou ao elemento do acaso no experimento, o tipo de modelo matemático usual envolvendo equações determinísticas é inadequado e um novo tipo de estrutura matemática é necessário para representar os fenômenos de interesse, denominados processos estocásticos.

As pessoas se entreolhavam ao notar que Sesshoumaru não dera espaço ao jovem para fazer sua pergunta.

— Uma vez que o resultado do experimento não é previsível, ele vai ser um dentre os muitos resultados possíveis. O espaço amostral de um experimento aleatório é o conjunto de todos os resultados possíveis do experimento... Posso saber o motivo do burburinho? — indagou ele, incomodado com o som de conversas paralelas.

— Mr. Craddock, eu queria lhe perguntar algo — disse, inseguro, o aluno.

— E por que não pergunta?

— Eu ergui a mão e...

Batidas à porta; o loiro arqueou uma sobrancelha. Odiava alunos que chegavam atrasados.

— Entre! — exclamou ele, incomodado. Os alunos ficaram surpresos ao ver o presidente do Instituto assomando à porta.

— Com licença, boa noite — afirmou Toga Ferguson, carismático como sempre em um terno risca-de-giz, entrando na sala. Era notória a diferença de gênio entre pai e filho, cuja semelhança física era imensa. — Desculpe por interromper sua aula, Mr. Craddock.

— Boa noite, Sir Ferguson — respondeu Sesshoumaru, que tinha o costume de tratar o pai formalmente dentro da faculdade. — Fique à vontade. Para quem não sabe, este é o fundador deste Instituto — disse ele à classe, agora extremamente interessada.

— Vim apenas conhecer esta turma. Bem, meus prezados — disse o homem, educadamente. — É um prazer tê-los conosco. Não sei se vocês todos me conhecem... Sou o Toga.

— O senhor é parente do Mr. Sesshoumaru? – indagou uma mulher, curiosa.

— Apesar de eu ser bem mais bonito, sou o pai dele, senhorita.

A classe riu, se descontraindo um pouco. John Sesshoumaru voltou os olhos aborrecidos para Toga, irritado pela interrupção.

— O senhor deseja alguma coisa, Sir Ferguson?

— Sim, Mr. Craddock. Quero falar à classe.

Discretamente, o loiro mais jovem tateou a parede, procurando a cadeira.

— Bem... Queridos, espero de coração que vocês gostem de estudar conosco. O motivo de eu estar aqui é porque gosto de estar, pelo menos, uma única vez com os alunos do Instituto Craddock. Nossa escola foi fundada há onze anos e, sim, o nome dela é uma homenagem a este garoto aqui, o meu amado filho John Sesshoumaru.

Sir Ferguson, não sei onde está vendo um garoto aqui – rosnou Sesshoumaru, nitidamente constrangido.

— Oh – fez Toga, fazendo-se de envergonhado. – Sorry. Permitam-me fazer uma correção: O nome de nossa escola é uma homenagem a este garoto ranzinza e rabugento aqui.

A classe riu de novo.

— Enfim, caros alunos... Gostaria também de ressaltar que estamos arrecadando agasalhos para doação a pessoas carentes do subúrbio de Londres. Há caixas decoradas em cada corredor do prédio. Quero contar com sua valiosa colaboração.

— Sim, claro — afirmavam uns e outros faziam gestos de aprovação com a cabeça.

— Também mantemos um grupo de apoio a crianças e adolescentes em situação de risco e precisamos de voluntários. Alguém gostaria de obter mais informações sobre nosso trabalho? Se sim, peço que procure pelo coordenador geral, Mr. Naraku Octavio, na sala 21 do segundo andar.

— Eu quero — afirmou o rapazinho ignorado por Sesshoumaru durante a aula.

— Que bom. Qual é seu nome, jovem?

— Kohaku Agnelli, Sir.

— Italiano? — indagou o homem, simpático, levando Kohaku a sorrir.

— Não, sou de San Marino.

— Que interessante! Muito obrigado, Mr. Agnelli. Aguardamos por você na sala 21. Teremos um breve intervalo para lanche às 20:30. Vá até lá para conversarmos.

— Obrigado — murmurou o garoto.

— Por ora, é isso... — exclamou Toga. O clima da classe agora estava consideravelmente mais leve. — Muito obrigado a todos vocês, queridos. Espero que apreciem a aula de Mr. Craddock. Não é por ser meu filho, é que ele é simplesmente brilhante. E nosso corpo docente é composto dos melhores professores do Reino Unido... E, cá para nós, este meu filho é o melhor, em minha singela opinião.

— Pai, pare com isso! — reclamou o loiro, corando. Morria de vergonha de elogios e os alunos se divertiram ao ver o tão sisudo e austero John Sesshoumaru com as faces rosadas. Toga o ignorou solenemente.

— Afinal de contas, quem mais vocês conhecem que defendeu uma tese incrível de doutorado em Física Nuclear, com apenas trinta por cento de visão?

O silêncio se instaurou na sala e as pessoas se entreolhavam, atônitas. Sesshoumaru quis morrer.

— Paaaaaaai! — gemeu ele, furioso. — O que está fazendo?!

— Ué... Ele é deficiente visual? — indagou uma mulher alta, lá atrás.

— Eu não sou cego! — afirmou Sesshoumaru, se sentindo aviltado. Sir Ferguson, atônito, meneou a cabeça.

— John, qual foi o nosso combinado na reunião?

— Nem vem, pai! Eu não vou expor meus problemas pessoais para ninguém! — exclamou ele.

— Isso não é expor seus problemas pessoais, rapaz. Isso é ser realista! Seus alunos precisam saber que você está com dificuldades para enxerg-

— CHEGA, PAI! SE EU ESTOU FICANDO CEGO, É PROBLEMA APENAS MEU! — berrou ele, se levantando e pisando duro até ao borrão escuro que ele sabia ser a porta da sala de aula. Deu uma trombada em alguém que estava parado à porta; a pessoa quase caiu.

John Sesshoumaru apenas disse um “I’m sorry” entredentes e se foi. Não reconhecera que a pessoa que agora o olhava intensamente era Rin Tibiriçá. O coração da brasileira ribombava no peito; ela presenciara toda a discussão, apesar de não haver entendido nada. Suspirou fundo de alívio ao ver que Toga não a convidara para entrar com o loiro lá dentro; as coisas poderiam ser piores.

— Eu sinto muito por isso — afirmou Toga Ferguson. Sua alegria fora varrida de seus olhos. — Peço que perdoem meu filho. Ele não está acostumado a essa nova realidade.

— Nós não sabíamos — comentou a mulher alta, lá do fundo, constrangida. — Kohaku ergueu a mão para perguntar alguma coisa para ele e ele não disse nada... Pensamos até que fosse por... deselegância, Sir Ferguson.

— Eu lamento muito — afirmou Kohaku. — Não deu para notar que Mr. Sesshoumaru não estava enxergando bem.

Toga enxugou o suor do rosto com um lenço.

— Não há problema, queridos. Tivemos uma reunião antes das aulas e ele havia concordado em não esconder sua dificuldade, mas... Enfim, como eu disse, não há problema em relação à aula de hoje. Aguardem, por favor, enquanto envio outro professor para cá. Vocês não ficarão sem estudar. Com sua licença...

E o diretor do Instituto Craddock, fazendo uma mesura, se despediu daquela turma. Rin continuava ali, à porta, apreensiva.

Não era necessário que Toga dissesse nada; ela sentiu a amargura nos olhos dele.

— Eu te ajudo a procurar por ele — disse ela, pausadamente.

Vas a ayudarme?

— Vou.

O imponente Toga saiu lado a lado da jovem indígena, preocupado com o filho.

 

~~~

 

— Eu não consegui, Octavio...

— Você é infinitamente mais burro do que eu pensava. Como esperava conseguir dar aula sem explicar aos alunos sua condição? Sem assistente, sem merda nenhuma?

Sesshoumaru e Naraku estavam sentados na sala da coordenação geral; o espanhol havia empurrado nas mãos do amigo uma barra de chocolate amargo, que era devorada com avidez. A ansiedade estava corroendo o loiro. Uma playlist de música pop era reproduzida no computador.

— Eu já disse que não quero expor essa cegueira...

— Sesshoumaru, largue de ser fresco — fez o outro, revirando os olhos e analisando fichas de inscrição. — O pior erro do seu pai foi ter te mimado. Entenda, lordezinho, fingir que enxerga não vai melhorar sua visão, seu grandessíssimo filho da p***!

— Você não sabe ser solidário em momento algum, não é, seu merda? Eu estou sofrendo!

— Para que ser solidário? Você está nadando no mar da autopiedade, não sou obrigado a aturar choradeira de gente que não quer superar as próprias dificuldades! Sofre é quem não tem o que comer!

— Está louco?! É óbvio que eu quero voltar a enxergar, seu idiota!

— Você deveria era se adaptar à falta de visão, desgraçado! Eu estou tentando te ajudar com isso há tanto tempo. A vida não é como nós planejamos.

— É fácil para você falar disso, porque você enx-

— Fácil o carajo! — exclamou Naraku, indignado. — Sabe de uma coisa, John? Você cansa a minha beleza!

— Beleza? Acho que você deve estar ficando cego também. Você é horroroso...

— Isso é recalque...

Batidas à porta. Uma, duas, três vezes.

— Onde está Jakotsu, Naraku?

— Deve ter saído para comprar mais porcarias. Aquela mona vai ter diabetes em breve se não parar de se entupir de doces — respondeu o espanhol, se levantando de onde estava e indo à porta do escritório.

Lá estava Raymond Inuyasha, meio afobado; não fora fácil escapar tranquilamente da situação desmaio seguido de surto do irmão mais velho. Entretanto, ele agora estava ali, finalmente, para pedir as fichas.

Os olhares se encontraram e Naraku Octavio pareceu deslumbrado pela imagem do rapazinho à sua frente. O espanhol se sentiu imediatamente atraído pelo moreno e sorriu enigmaticamente, perguntando de forma provocativa:

— Pois não, o que deseja?

— Ah... Eu... Boa noite, senhor, eu preciso d-de...

Aquele olhar predatório mexeu com algo no íntimo de Inuyasha, que agora corava e gaguejava, envergonhado. Não bastasse a forma descaradamente franca com que o homem diante de si o admirava; algo não estava certo, e o jovem Wright não sabia explicar o que estava acontecendo.

— Pode falar, meu jovem — afirmou Naraku, com voz macia e sensual. Ele não demonstrava afetação qualquer na hora de conquistar alguém; pelo contrário, o psicanalista agia e falava de forma viril e dominante.

— B-boa noite... Eu p-preciso de fichas d-de inscrição.

— Oh, claro. Pode esperar um minuto? Vou pegar... Quer quantas, muchacho¹? Como se chama?

— D-duas, senhor. E m-meu nome é Inuyasha Wright — gaguejou o rapaz.

— Oh. Japonês?

— D-descendente de imigrantes japoneses, senhor.

— Interessante. Eu sou Naraku Octavio...

— Prazer em c-conhecê-lo...

— O prazer é todo meu — replicou o espanhol, carregando a voz de sensualidade.

Esse garotão não me engana, está louco por mim, pensou Naraku ao analisar a expressão corporal do jovem moreno à sua frente. De fato, as posturas de Inuyasha mostravam tudo, menos indiferença.

— Eu já volto... Mr. Wright — disse ele, sensualmente, fitando sem pudor os lábios de Inuyasha, que imediatamente desviou os olhos. Seu coração batia forte no peito e o jovem Wright se sentia apavorado

E o homem voltou para dentro da sala, abrindo um arquivo de aço e consultando algumas pilhas de papel. O loiro terminava de comer seu chocolate e indagou:

— Para quem você estava se insinuando fazendo aquela voz de viado ativo?

Naraku pegou as fichas em branco e se aproximou de Sesshoumaru, dizendo em tom sigiloso:

— Um aluno novo que é uma delicinha! E, para completar minha sorte, acho que ele ficou bem interessadinho em mim!

— Aluno novo, viado como você? Quero distância — volveu o outro, no mesmo tom. — Como sabe que ele é viado? Ele desmunheca como Jakotsu?

— Não, é bem sério esse aí. Mas foi fácil descobrir... Ele não parava de olhar para a minha boca e ficou vermelho como um pimentão. Imagine, John... Alto, moreno, olhos cor de mel, tímido... Umas coxas grossas...

— Argh! Me poupe! — protestou o loiro. — Não quero saber de macho não.

— Pois eu, sim — respondeu Naraku, sonhador. — Ainda vou ter o privilégio de ver esse garoto de quatro na minha frente. Já volto.

Alheio a tais conversas, Inuyasha esperava, um tanto apreensivo, do lado de fora. O rapaz tremera na base ao ver aquele funcionário do Instituto flertando consigo, ainda que discretamente. Naraku não era corpulento, mas era bastante sensual em seus olhares e gestos comedidos. Seus cabelos cacheados e com certo volume que lhe davam pouco abaixo das omoplatas pareciam ser macios ao toque. Aquelas mãos magras de dedos longos pareciam ser capazes de... Meu Senhor! O que estou pensando?!?

Agoniado, Inuyasha balançou a cabeça. Ficou surpreso ao ver que o homem já estava ali, ao seu lado, com as fichas.

— Perdoe-me pela demora. O outro coordenador precisou sair e não me disse ...

— S-sem problemas, Mr. Naraku — murmurou o jovem, estendendo as mãos para pegar as fichas. Contudo, Naraku deixou-as cair no chão propositadamente.

— Oh, me desculpe. Vou pegar os papeis, querido.

E, sem dar tempo a Inuyasha para se abaixar, o espanhol se inclinou rapidamente e pegou as fichas caídas. Todavia, ainda abaixado ele ergueu os olhos para o jovem, percorrendo o corpo do outro com seus olhares óbvios de flerte. Foi com absoluto pavor que Inuyasha sentiu o sangue fluir rapidamente até seu baixo ventre ao ver o espanhol praticamente de joelhos à sua frente, olhando-o lascivamente. O jovem Wright estremeceu por dentro e, fazendo um grande esforço, desviou o olhar do de Naraku, que agora estava de pé, com um sorriso felino no rosto.

— N-n-não precisava, Mr. N-Naraku... Obrigado — afirmou ele, realmente desesperado, e saindo às pressas da presença do mais velho, sem sequer se despedir.

Ainda de pé à porta da sala, o espanhol sorriu, orgulhoso de si mesmo. Conseguira deixar um homem excitado sem qualquer esforço. Jakotsu voltava para o local, com mais refrigerantes e donuts, e quase foi derrubado pelo Inuyasha que praticamente corria pelo corredor do segundo andar.

— Ui... O que deu no boy magia? Uma diarreia? — comentou o francês para o espanhol que estava observando a cena.

— Nada, Lefevre. Ele só paudureceu ao conversar comigo.

Comment? Ah, Octavio, o que você fez desta vez, salope²?!

O psicanalista gargalhou. Os dois agora entraram para a sala.

— Desta vez, nada! Só olhei para ele... Daquele jeito.

— Conta isso direito, sua safada. Ele é muito religioso; eu o conheci antes da aula começar. Não ia ficar animadinho assim sem que você o provocasse, não acha? Quer uma Coca-Cola?

— Mas é sério, Jakotsu. Eu o provoquei bem menos do que aos outros alunos com quem já transei. E ele sequer soube disfarçar... E, não, eu não posso tomar isso.

— Olha... Agora que você falou, eu parei para pensar... Ele é meio inseguro, não é? Reparei isso. Ele parece ter receio da irmã julgá-lo, é muito agarrado a ela.

— Muito inseguro. Ele tem uma irmã?

— Tem. Ela é desenxabidinha, daquelas fanáticas religiosas que usam saia e cabelão. Mas é tão bonita como ele. E olhe que eu não acho graça em mulher nenhuma!

— Não tenho paciência com fanáticos — comentou o espanhol. — Já não quero nem ver essa irmã do cigarrón³ delicinha.

— Dá para parar com as conversas de viado, seus dois arrombados? Eu ainda estou aqui — protestou Sesshoumaru, sentado na poltrona, emburrado.

— Continue aí, lordezinho cegueta. Se não quer nos ouvir, coloque fones de ouvido. Os meus estão a dois palmos à esquerda do grampeador, na mesa de centro.

— Pois vou colocar mesmo... — e Sesshoumaru estendeu as mãos, tateando pelos fones até encontrá-los e acoplá-los em seu iPhone e ouvir suas músicas favoritas. Aproveitando a distração do loiro, Jakotsu inquiriu de Naraku, em voz baixa, apontando para o outro com o queixo:

— Ele não curte a fruta mesmo, Octavio?

— Quem, Sesshoumaru? Não, ele é hetero de verdade.

— Ah... Tem certeza?

— Absoluta, cariño. Fomos criados juntos, esqueceu?

— Que pena. Eu faria qualquer coisa para ter uma noite com um loirão gostoso desses. Quer uma balinha de menta? — ofereceu Jakotsu, tirando uma bala do bolso.

— Quero. A propósito, preciso de água...

— Mas, e você, Octavio? Convivendo com uma delícia de macho como Sesshoumaru, nunca sentiu vontade de...

— Sendo sincero? — volveu Naraku, bebendo água em grandes goles. — Não. São tantos anos com ele, dormindo juntos, tomando banho juntos, dividindo tudo... É como se ele fosse meu irmão. Não consigo vê-lo como um homem. Qualquer dia desses, vou te contar nossa história.

— Me conte mesmo, morro de curiosidade... — suspirou o outro. — Acho que não resistiria. É tão ruim ficar sozinho, Octavio! Estou na seca, sabia?

— Não se preocupe, Jakotsu, eu te ajudo a descolar uma aventura... — piscou Naraku.

Foi a vez de o francês olhar maliciosamente para o psicanalista.

— Não quer se aventurar comigo?

— Ah, mais essa... — riu Naraku. — Claro que não, gulosa. Você sabe que não me envolvo com colegas de trabalho.

Jakotsu se aproximou do outro homem e sussurrou próximo a seu ouvido:

— Do lado de fora daqui, não precisamos ser colegas de trabalho. Ah, mon cher4... Você nunca me deu a honra de provar seu gosto... Sabia que eu te acho delicioso, salope?

— Todo mundo me acha delicioso — troçou ele. — Acho que até a Rainha toparia ir para a cama comigo, se me conhecesse.

— Convencida — riu o francês. — Então... Posso ter esperança?

— Posso pensar no seu caso, gulosa — replicou o outro, afastando o francês de si com delicadeza, ainda sorrindo. — Mas hoje não. Tenho outros planos.

— Sério? Quais?

— Hoje quero uma cheirosa... — Jakotsu fez cara de nojo ao ouvir essas palavras.

Quelle horreur! Une femme? Je dispense!5

O espanhol riu a valer.

 

***

 

1 — Muchacho: rapaz, em espanhol.

2 — Salope: cadela, em francês. Também é uma gíria para “bicha”.

3 — Cigarrón: gíria em espanhol para “bicha enrustida”.

4 — Mon cher: meu querido, em francês.

5 — “Que horror! Uma mulher? Eu dispenso!”, em francês.

 

 


Notas Finais


.
..
...
Inuyasha ficou animadinho com o flerte do Naraku? A resposta éééé SIM, FICOU! #TodasFicaChocada
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (eu avisei que um dos temas da história seria bissexualidade, coleguinhas leitores, não me apedrejem!) Em todo caso, quero ressaltar que um dos ships da fanfic é InuKag. Fiquem tranquilos, amigos... Mesmo a trancos e barrancos, o amor deles permanece! ;-)
Aqui é #InuyashaKagomeForevermente!

Acharam o Sesshoumaru exagerado em sua reação? Sim, ele exagerou. Mas, convenhamos. Não é fácil perder a visão, não é? Ele terá um pouco de dificuldade para se adaptar, mas a Rin está ali para ajudá-lo (e outras coisinhas mais). HUEHUEHUEBR

Críticas, elogios, reclamações, sugestões... Comentem, por favor. Preciso dos pareceres de vocês para continuar fazendo um bom trabalho. XD

Bom feriado!
~Okaasan


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