História Nem tão firmes e fortes - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 13
Palavras 2.025
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Esperem que gostem, foi feito com muito carinho e vamos á leitura!

Capítulo 1 - Tô aqui, tá?


                                                        PRIMEIRO ANO

                                                    09,FEVEREIRO-2015

Aquela ponte era antiga, diziam que ela tinha sido construída bem antes da cidade. Quantas coisas já não haviam acontecido ali, quantas pessoas não haviam se jogado de lá e caído para sempre na escuridão e silêncio do fim. Coisas passaram, pessoas passaram, mas esse incrível e principal ponto turístico continua, nem tão firme e forte, mas continua aqui.

 Marcela estava ali bebendo devagar a cerveja que roubou de seus pais, na verdade ela havia roubado quatro, eu já havia tomado as minhas duas. Eu, Log, realmente não sabia como. Eu odeio cerveja, acho o gosto extremamente decepcionante (sempre esperei algo como guaraná), mas algo que gosto é de beber só pela situação, só pelo social. O social de hoje era beber com minha melhor amiga. Marcela gosta do gosto da cerveja, ela gosta de apreciar todos os goles e sentir da melhor maneira o álcool descer pela garganta, dar aquela coçadinha e bater no estomago como uma bigorna ou um piano cai em cima de um personagem azarado de desenho animado. Ela estava ali com aquele novo corte de cabelo, que para ela era algo rebelde, cortar o cabelo que batia na bunda e deixa-lo na altura ou menor que o ombro, aquela pele branca e rosada do pouco sol que toma, a cor dos olhos combinavam com a cor do cabelo era castanho meio claro e meio escuro. Já o meu reflexo nas águas turbulentas do rio que passa por debaixo da ponte era do garoto negro, com os cabelos cacheados e escuros e com os olhos castanhos escuros, porém fundos, expressão cansada, mas tentando dar um sorrisinho para não deixar com que todo o meu reflexo seja de algo que já não tinha como recuperar.

- Que tu tem?- Marcela me pergunta e me tira do reflexo que some como em um filme clichê qualquer. O que eu tinha, eu sabia, ela imaginava, mas até agora nenhum dos dois haviam tido coragem de tocar no assunto.

- Acho que estou cansado, sabe o que devíamos fazer?- digo e ela arregala os olhos. Marcela me conhecia muito bem pra saber que minhas ideias repentinas que pra mim são revolucionarias                 eram, na verdade, uma grande maneira de tudo terminar em merda.

- Diz logo e rápido pra eu não ter tempo de acabar com tuas expectativas tão brutalmente

- Encher a cara, sair pelas ruas dessa merda, se jogar dessa ponte, sei lá. Só quero me sentir um pouco mais vivo- ela olha pra mim por alguns segundos e abre um sorriso.

- Ok, onde você quer conseguir bebida?- Marcela e eu temos 16 anos, pra uma cidade pequena como a nossa era quase normal que os jovens com essa idade arrume algum jeito de beber, ás vezes escondido e ás vezes não.

- Pegar emprestado dos teus pais?

- Eles vãos perceber, Log!- Eu e ela ficamos calados por uns instantes imaginando milhares de formas de conseguir o que queríamos.

- Marcos!- ela diz

- Aquele babaca do teu namorado não!- Marcos era o namorado idiota da Marcela, sabe quando você sente que aquela pessoa não é uma boa pessoa. Mesmo não tendo nenhum contato muito longo com ele eu senti isso, como se eu o quisesse bem longe de mim.

- Para com tua besteira, Lorran, tu quer encher a cara ou não?

- Prefiro ficar sóbrio vendo Dicovery kids com minha irmã- falo e ela começa a rir

- Vou ligar pra ele!

- Tá, mas vai falar com ele longe de mim, não quero me contaminar com energias ruins.

- Já basta a tua, não é?- ela diz rindo, eu apenas estiro o dedo do meio para ela.                             Marcela vai se afastando devagar enquanto disca do número, eu observava. Estava chamando... Ele atende, ela faz uma cara de raiva e decepção, ele deve ter sido grosso com ela... Depois de um tempo tentando falar com ele ela desliga com uma expressão cansada, ela vem andando devagar da mesma forma de como se distanciou ela se aproxima.

- Consegui!- ela diz forçando um sorriso

- Parece que saiu de uma guerra.

- Sai mesmo, tá me devendo algo muito caro!- ela diz e se senta ao meu lado.

Depois de muitos minutos, de carros de diversos tipos, cores e tamanhos terem passado, de pessoas com jeitos e estilos diferentes e parecidos terem passado, de pássaros que migravam antes do tempo terem voado por cima de nós, das águas do rio indecisas terem acalmado e subitamente se agitaram, depois de tudo isso Marcos chega.

- Você demorou!- Marcela diz indo abraça-lo

- Mas vim, toma!- ele sai do abraço rápido e põe uma caixa de cerveja no chão com uma delicadeza fora do normal para não dizer o contrário.

- Tchau- ele dá um beijo na bochecha dela – Tchau, Lorran!- ele diz e eu aceno, tentando ao máximo não transparecer a minha raiva.

- Vamos? Agora sou eu quem quer encher a cara!- Marcela diz pegando uma das cervejas da caixa e abrindo.

- Ao seu dispor, meu amor!- Digo e pego a caixa. Saímos pelas ruas, já estava escuro, mas mesmo assim nossa noite só estava começando. Marcela e eu estávamos tomando as cervejas como se fosse água, como se não houvesse outra escolha além de engolir aquele liquido decepcionante bem rápido para que ele não secasse. As pessoas nos olhavam torto, outras fugiam para dentro das casas como se fossemos hereges ameaçando a puritanidade de todos da vila, outras queriam vir conosco e outras fingiam que não existíamos e esses eram os que mais pareciam conosco. Eu e Marcela estávamos fingindo que nada ao nosso redor existia, se você fechar os olhos e esvaziar a mente não vai fazer com que tudo que exista desapareça, mas você vai pensar que sim, por algum pouco tempo e era isso que estávamos fazendo, fingindo que nada que nos era incomodo existia e assim estávamos finalmente existindo um pouco.

- Eu não quero voltar- digo bêbado, tudo girava, meu estomago se contraia com ferocidade, minha cabeça doía um pouco. Marcela parecia mais sóbria que eu, tudo parecia mais sóbrio que eu. Até o velho Francisco, o bêbado mais famoso da cidade, não me vencia em minha embriaguez.

- Foda-se, vamos pra casa!

- Não quero!- ponho a criança birrenta que habita dentro do meu ser para fora. Marcela nunca foi uma garota paciente, sabe aquelas pessoas ranzinzas que mesmo que tenha a cabeça dura e teimosa você gosta, você chega de mansinho pra não ser decapitado de primeira, e finalmente, depois de um tempo, você começa a enxergar através daquela armadura de falsa raivosidade.

- Para de putaria, Lorran! olha que eu te jogo da ponte!- sim, tínhamos voltado para a ponte. Aquela ponte era o nosso ponto de encontro, era nela que tínhamos nossos momentos de diversos sentimentos e situações. A ponte nem tão firme e forte era o ponto de encontro de pessoas nem tão firmes e nem fortes.

- Me joga! Seria um favor!- digo e ela me encara com o olhar de raiva e esperando que eu diga que era uma brincadeira, não era brincadeira, mas eu também não queria me jogar no rio e simplesmente morrer, eu tenho medo!

- Vamos, Log, eu te ajudo achegar lá- ela realmente me ajuda a chegar em casa, porém tínhamos um problema: eu não estava com a chave e meus pais iam me matar ao ver que eu cheguei bêbado e as quatro horas da manhã de uma segunda-feira.

- Pela janela? Me deixa filmar!- Marcela começa a rir com a minha brilhante ideia de entrar em casa pela minha janela, que por sorte eu havia deixado aberta. E lá estava eu trepado na metade da parede tentando ao máximo conseguir chegar até a janela, mas o fato de estar podre de bêbado não me ajudava no momento.

- Vem Marcela, me ajuda!

- Ajudar como? Eu não vou dar um empurrãozinho nessa bunda nem que me pague!- ela diz rindo e com o celular na mão para me filmar.

- VEM MARCELA! SE EU CAIR DAQUI EU FAÇO QUESTÃO DE CAIR EM CIMA DE TU!- eu grito

- Para de gritar, desse jeito os vizinhos vão chamar a polícia- ela diz quase entrando em um arbusto próximo a ela.

- FODA-SE OS DOIS, A POLÍCIA E ESSES MERDAS DE VIZINHOS! VEM LOGO ME AJUDAR QUE MINHA PERNA TÁ TENDO CONTRAÇÃO!- Marcela está toda dentro do arbusto agora, só dá pra ver sua mão com o celular de fora.

- Meu Deus, isso vai viralizar!

- Eu vou viralizar a minha mão na tua cara se tu não vier me ajudar!- Marcela vem devagar em minha direção, mas já é tarde, minhas penas não aguentam mais e deslizam me fazendo desequilibrar e eu caiu. Sabe quando tudo fica em câmera lenta e você pensa que nada vai dar errado mesmo que estivesse caindo de uma parede? Era isso que eu estava sentindo nos cinco segundos de queda, talvez o álcool que ainda estava em meu corpo estivesse fazendo isso, mesmo assim eu estava até gostando, mas infelizmente coisas que caem em algum momento tem que chegar a alguma superfície e isso aconteceu comigo.

- Aí meu Deus!- Marcela diz e começa a rir sem parar, estava eu estatelado no chão, todo quebrado.

- Tu tá bem?

- Eu pareço bem?...aí, tô conseguindo nem me mexer!- digo e ela rir mais ainda, Marcela vem tentar me ajudar e consegui me fazer sentar na grama.

- Quer dormir lá em casa hoje?

- Preciso dizer que aceito?- dou um sorriso.

Os pais de Marcela não se importavam nada com o que a filha estava fazendo, não era indiferença da parte deles, mas sim confiança. Eles diziam que era melhor ela fazer o que quisesse na frente deles que pelas costas.

Estávamos eu e Marcela deitados, eu em um colchão no chão e ela em sua cama, eu conhecia muito bem o quarto de Marcela, vivíamos lá, conversávamos em maneiras de escapar de um sequestro ou de como nossos pais se superavam em questão de serem chatos.

- Valeu!

- Nada, tu já tá acostumado a dormir aqui mesmo!

- Obrigado por me aceitar e estar ao meu lado- digo e as lágrimas começam a escorrer sem o menor controle, sinto o nó na garganta, sinto boa parte do que estava guardado saindo.

- Log, você é o meu melhor amigo, eu te conheço até antes mesmo que você

- E..eu.eu sei!

- Me diz o que eu já sei, eu preciso que você me diga, você precisa dizer!- finalmente, eu tenho a oportunidade de dizer tudo que eu preciso dizer para ela.

- Eles não vão me aceitar, eu não vou me aceitar, eu queria ser normal!- eu digo e caiu nos prantos- Eu não posso amar quem eu amo, eu não posso mostrar quem sou e eu não tenho como pedir ajuda- tudo o que vem em seguida é o choro, aquele choro que lava a alma, choro que é correnteza levando o lixo que polui a praia pra margem.

- Você tá pedindo ajuda, Log, você não tá sozinho, meu amor!- ela diz e vem me abraçar, ela envolve nos seus braços, braços amigos, braços da ajuda que tanto queria pedir.

- Você é lindo do jeitinho que é, você é lindo gostando de meninos, pois uma coisa não impede a outra- ela diz beijando minha cabeça – Você quer ser normal pra quê? Lorran Dantas não teria o menor brilho se fosse normal!- eu dou um sorriso entre o choro

- Como eu suportaria a vida se esse viado maravilhoso não estivesse comigo?

- Se eles não me aceitarem? Se só você me aceitar, Cela?- pergunto tentando parar mais de chorar, mas o desespero vem do nada e me toma conta do corpo e da alma.

- Se a vida não te aceita faça com que ela te respeite!

- Desculpa por ser esse otário chorão que você tem que suportar!- digo beijando sua bochecha

- Eu te desculpo. Eu tô aqui por ti, tá?

- Eu também!


Notas Finais


Gostaram? Comentem, favoritem e até a próxima!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...