História Nem Tudo são Flores - Capítulo 7


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Categorias Inuyasha, Inuyasha Kanketsu-hen
Personagens Ayame, Inuyasha, Kaede, Kagome, Kouga, Miroku, Personagens Originais, Rin, Sango, Sesshoumaru
Tags Amor, Inuyasha, Kagome, Tragedia, Traição
Exibições 96
Palavras 8.029
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi meus amores! Quanto tempo! É, fiquei meio sumida por aqui mas tô de volta na área. Quero pedir mil perdões pela demora, mas finalmente depois de tanto tempo e reunindo muita coragem eu resolvi fazer algo que a muito tempo estava com vontade de fazer: revisar Nem Tudo são Flores. A minha fanfic estava tão desorganizada que eu estava ficando doente com isso, então fui revisando capítulo por capítulo e por isso o capítulo novo não saiu, porque eu queria deixar tudo pronto antes de postar algo novo. Quanto ao capítulo de hoje, tem uma coisinha nele que me incomodou bastante enquanto eu revisava, e preciso conversar sobre ela com vocês: a personalidade do Sesshoumaru. Sim, na fanfic ele tá "soltinho" demais e sei que isso pode incomodar as leitoras que gostam daquele youkai sempre fechadão e preconceituoso. Na verdade gente, eu alterei a personalidade dele porque a minha intenção aqui é simples: Sesshoumaru precisar dormir com a Kagome, e é claro que isso não iria acontecer se ele tivesse aquela personalidade fechada do anime então precisei fazê-lo mais acessível para conseguir alcançar o meu objetivo. Espero que isso não torne 'estranho' demais para vocês. Durante todo o processo de revisão eu percebi que Nem Tudo são Flores possui erros gravíssimos de coesão de enredo e infelizmente eu não posso mais alterar, até porque fazer vocês relerem a fanfic toda de novo está fora de cogitação. Além disso, preciso avisar que tentarei postar o capítulo uma vez ao mês, e antes que haja reclamações eu peço que vocês deem uma passadinha lá nas notas finais que tem algo lá que eu acho que vocês irão gostar.

Bem isso é tudo. Aos novos leitores, seja muito bem-vindos, e a todos, tenham uma ótima leitura ^^

Capítulo 7 - .


Fanfic / Fanfiction Nem Tudo são Flores - Capítulo 7 - .

 

Capítulo 6

 

O Princípio do Fim

 

Mesmo ainda de madrugada o tempo continuava fechado, com pesadas nuvens negras que encobriam o céu escuro, a lua e as estrelas. Na cabana de Kagome, ela e Sesshoumaru se encontravam diante do corpo de Shibuya que, após ter sido limpo de todo aquele sangue, apresentava diversas marcas que se espalhavam por toda a sua extensão. Os olhos da sacerdotisa novamente se encheram de lágrimas enquanto ela iniciava mais uma crise de choro. Seria impossível não olhar o estado em que seu filho se encontrava e não sentir uma dor imensa aplacar em seu peito. A culpa martelava forte dentro de si. Se tivesse sido mais zelosa seu filho não estaria naquela situação, deitado em seu futon com todo o seu corpo coberto de ferimentos, entre a vida e a morte. O inu-youkai ao ver o modo em que a mulher estava, colocou sua mão em seu ombro, como que para consolá-la.

— Nós fizemos tudo o que pudemos para ajudá-lo. Agora, o resto dependerá dele. — ele falou com a voz séria enquanto fitava o garoto, que dormia com a respiração ofegante.

— Eu sei, mas ele ainda está com muita febre. — a jovem respondeu ao mesmo tempo que pegava um paninho, molhava-o na água fria e o colocava na testa do menino. As palavras de Sesshoumaru tinham acalmado seu corpo e seu coração, fazendo-a se sentir melhor. Ela sabia que ele tinha razão. Era preciso que acreditasse que Shibuya ficaria melhor.

— Ele foi muito corajoso. — o youkai comentou, tirando a miko de seus devaneios. Ela virou seu rosto para fitar o jovem e viu uma face que continha uma expressão suave. Quando percebeu que era observado, o youkai se virou para a mulher e continuou — Tenho certeza que ele deve ter sentido o cheiro do youkai perto da cabana de Kaede e, para proteger o irmão, arrumou uma desculpa para ir até a floresta e atrair o mesmo. Ele sabia que não teria chance em uma luta contra o youkai, mas mesmo assim se sacrificou para proteger Sattoro. Esse menino é mesmo igual ao pai, tão teimoso e ousado quanto. Afinal de contas, não é qualquer um que enfrenta um youkai-leão. — terminou, com os olhos se enchendo de um brilho que Kagome pode identificar como orgulho.

— Youkais-leões? Aqui? Mas como? — perguntou, extremamente confusa. Já tinha ouvido falar deles, por meio de InuYasha, e sabia o quanto eram traiçoeiros e perigosos, mas também sabia que eles costumavam viver no norte, então qual o sentido deles irem parar ali? Ela viu Sesshoumaru desviar seu olhar do dela e fitar a parede a sua frente antes de responder.

— Lembra-se do assunto que eu tinha para tratar com você e InuYasha? Bom, acho que este é o momento mais propício para falarmos disso. E pode ter certeza que nele você encontrará suas respostas. — ele falava enquanto se levantava e se dirigia a porta — Acredito que seja melhor nós deixarmos o menino descansar. — terminou, saindo porta afora e deixando a mulher sozinha.

Kagome ainda ficou um tempo olhando o filho adormecido a sua frente antes de se levantar e seguir o dai-youkai, encontrando-o na cozinha a esperando. Após ferver a água e preparar o chá preto ela novamente o serviu em duas xícaras e as colocou diante deles, enquanto se sentava. Todas essas ações eram observadas pelos olhos dourados do youkai que analisava tudo. Quando a sacerdotisa se colocou diante dele o mesmo começou a falar. Contou sobre o antigo senhor do norte, Minno Masuya, a guerra que ele travara com Inu-no-Taishou pelas terras do oeste e a perda desastrosa do lorde-leão, que voltou para suas terras jurando vingança e a destruição da família Hatsurama, sem qualquer exceção, porém, não se passou muito tempo e o mesmo faleceu, passando o título a seu filho mais velho, Tatsuyu, e junto a ele, o desejo de vingança. Agora o jovem, recém-titulado, senhor feudal mobilizava suas tropas para marcharem às terras do oeste, enquanto tramava um plano sórdido para matar os descendentes de Inu-no-Taishou.

A mulher de cabelos negros ouvia todo o relato desesperada, ao mesmo tempo que seus pensamentos se agitavam. Se já não bastasse toda aquela situação com InuYasha, agora ela descobria que um maluco havia mandado atacarem seus filhos e ameaçava sua família de morte! Realmente os cosmos não deveriam estar a seu favor, pensou, dando um longo suspiro. Ao levantar a cabeça, encontrou o olhar de Sesshoumaru a encarando, esperando uma resposta. Ela sentiu seu corpo todo estremecer com aquele olhar, mas ignorou e resolveu tomar a palavra.

— Então, quer dizer que esse Tatsuyu pretende se vingar dos Hatsurama os matando e que o ataque que Shibuya sofreu foi de um subordinado enviado por ele. E agora? O que faremos? Eu já enviei um mensageiro para avisar InuYasha mas vai demorar para ele retornar, pois o feudo onde ele foi fica muito longe. O que devemos fazer até lá? — a sacerdotisa perguntou, nervosa. Ela tinha que tomar uma atitude para defender seus filhos. O youkai a sua frente a olhou avaliativo antes de responder.

— A única coisa que se pode fazer por agora é se defender deles. Não sabemos quais armas Tatsuyu pode usar para atacar e, até que InuYasha chegue, será mais seguro se você se mantiver no vilarejo. Lembre-se que Shibuya foi atacado no momento que estava sozinho, então, o viável é que você se mantenha sempre por perto. — ao terminar de falar, seus olhos baixaram até a xícara redonda a sua frente. Kagome digeriu cada palavra em seu interior, se sentindo um pouco irritada. A última coisa que ela queria naquele momento era ficar enclausurada no vilarejo, porém, não tinha outra escolha. Sua falta de presença e cuidado haviam causado tudo aquilo a Shibuya e ela não iria repetir seu erro novamente. Um longo suspiro novamente escapou de seus lábios enquanto seus olhos se fechavam e a mente aceitava a situação: Mesmo não querendo ela suspenderia seus serviços de sacerdotisa nos outros vilarejos e ficaria em casa.

Apesar de seu olhar preso à xícara de chá preto, Sesshoumaru notou cada movimento da mulher a sua frente. O leve cair de seus ombros, o suspiro que saíra de seus lábios, o leve roçar de seus dedos rosados em sua xícara de chá; todos aqueles gestos que indicavam sua derrota interna foram alvo da atenção do youkai, porém, um som de ronco, vindo do estômago da jovem tirou ambos de seus próprios devaneios. Ele viu Kagome colocar as mãos sobre a barriga enquanto um rubor tingia a sua face.

— E-eu vou preparar o jantar. Você v-vai querer? — a moça perguntou sem graça, esperando uma resposta negativa por parte do youkai mas o que ouviu foi completamente diferente.

— Sim, eu irei aceitar. — ele respondeu enquanto mantinha seu olhar preso ao da miko, que desviou-se dele, levantou-se e começou a trabalhar.

Enquanto suas mãos se moviam picando carne e legumes para colocar no ensopado, seu olhos, vez ou outra, captavam a figura altiva de seu cunhado sentado ao canto, sempre a observando com seus olhos dourados parecendo lhe engolir a alma. Em todo momento ela se sentia nervosa com aquilo e isso lhe rendeu um corte no dedo médio, enquanto picava uma cenoura.

Após terminar a sopa de carne de porco, a sacerdotisa serviu a ambos, voltando a se sentar novamente na frente de Sesshoumaru. Agora, era ela que o fitava intensamente, esperando alguma reação dele. Nunca, em um milhão de anos, ela imaginaria que o dai-youkai iria provar a sua comida e de repente, o medo de ter errado no tempero a afligiu, fazendo-a concentrar seu olhar ainda mais no homem a sua frente. Quando ele colocou um pedaço de carne na boca, sua face assumiu uma expressão estranha e, pouco depois, voltou a suavidade de antes. Ao ver tal cena a miko riu e tomando coragem resolveu perguntar.

— E então, ficou bom? — ela tinha a voz divertida.

— Posso dizer que possui um gosto peculiar. — o youkai respondeu calmamente, notando a face risonha de Kagome. A garota ao ouvir a última palavra arqueou a sombrancelha.

— Peculiar? — ela perguntou sem entender. Será que ele não tinha gostado? Sesshoumaru fitou o rosto dela atentamente antes de responder.

— Sim, mas eu gosto de coisas peculiares.... e ousadas. — as palavras saíram pausadamente uma atrás da outra da boca do youkai e eram escutados pelos ouvidos da jovem, que arregalou os olhos. Aquilo por acaso havia sido uma indireta? Mas desde quando Sesshoumaru era dado a esse tipo de coisa? Enquanto o encarava ela teve que assumir, ele estava bastante diferente desde a última vez que se viram e, ao observá-lo melhor, ela percebeu que as mudanças não foram só internas como externas também. Seu rosto parecia mais largo, porém, mantinha a suavidade de seus traços. Seus cabelos haviam crescido mais, a ponto de quase baterem em seus pés e também estavam mais volumosos e rebeldes, de modo que os fios cor de prata escorriam por todo o seu comprimento entre curvas e linhas retas. Todo aquele conjunto de transformações haviam acentuado a beleza exótica do youkai e o deixado mais... atraente. Tais pensamentos fizeram a mulher balançar a cabeça freneticamente, desviando o olhar e se concentrando no prato de comida a sua frente. Ela tinha que aprender a refrear seus pensamentos, que pareciam ter criado vida própria e andavam por aí soltos, fazendo-a pensar em coisas que não devia.

Após o comentário acerca da refeição, nada mais foi dito e o resto do jantar transcorreu mergulhado em um profundo silêncio. Ao terminarem de comer, Kagome juntou os pratos, lavou-os e, depois de muita insistência, convenceu Sesshoumaru a dormir no quarto de Shibuya e Sattoro, enquanto ela dormia em seu próprio quarto, junto aos dois filhos. Quando o levou até o lugar onde iria dormir, ela falou que se ele precisasse de algo era só lhe chamar. No momento em que ela se retirava, uma voz grossa ecoou pelo estreito corredor dos quartos, parando seu caminhar.

— Kagome? — o lorde youkai a chamou, enquanto a olhava, parado no porta.

— Sim? — a sacerdotisa virou-se para encará-lo, encontrando dois olhos âmbares a lhe fitarem de maneira estranha.

— Amanhã quero jantar com você novamente. — o jovem falou com sua costumeira voz fria. Ao ouvir as palavras do youkai, a miko o olhou com os olhos arregalados, não acreditando no que acabara de ouvir. " Então ele realmente gostou daquela gororoba que eu preparei? Francamente..... que cara mais esquisito! ", pensou, sentindo o riso preso em sua garganta. As constantes reclamações de InuYasha acerca das refeições que ela preparava a haviam feito crer que realmente o gosto delas deveria ser horrível, pelo menos para os youkais, e durante muito tempo ela tentou aperfeiçoar suas práticas culinárias para agradá-lo, mas agora ela não se importava mais. Se dependesse de si, o hanyou poderia morrer engasgado com um pedaço de carne, concluiu amargurada.

— Quer dizer que o gosto ‘peculiar’ do jantar de fato agradou o grande Sesshoumaru Hatsurama? Me sinto honrada com tal elogio. — a jovem falou com a voz carregada de ironia, enquanto se curvava levemente. O riso antes preso agora havia se soltado, trazendo em seu rosto um sorriso debochado, parecido com o de InuYasha — É mesmo de se causar muito espanto que o novo Inu-no-Taishou do oeste desfrute de jantares simples com humanas camponesas. Pelo visto, não foi somente InuYasha que foi adestrado com o passar do tempo não é mesmo? — ela terminou, com uma risada ainda mais alta. A necessidade de provocar o youkai crescia dentro de si cada vez mais, mesmo sabendo que tal ato era como andar em um campo minado, em que qualquer passo em falso acarreta em uma grande explosão, mas ela não estava nem aí. A descoberta da traição de InuYasha a havia feito mudar de tal forma que nada mais que as pessoas pensassem lhe preocupava e, neste momento, sua meta era atingir Sesshoumaru. Se o hanyou conseguia por quê ela não? Com certeza a face dele assumiria uma expressão de puro ódio e lhe cuspiria palavras ásperas por conta da sua ousadia, porém, o que veio a seguir lhe surpreendeu.

— Você está certa, mas me atrevo a dizer que não foi só a comida, mas também a companhia a mesa que mais me agradou esta noite, e é por este motivo que a requisito amanhã. — o dai-youkai falou com o tom de voz calmo, enquanto um meio sorriso brincava em seu rosto. Seus olhos se mantinham vidrados em Kagome a reparando de cima a baixo que, ao ouvir sua resposta, corou fortemente e virou-se de costas para ele.

— E-está bem, nos vemos amanhã. Boa noite. — a mulher falou desconcertada ao mesmo tempo que saia apressada, sem sequer esperar por alguma resposta do outro. Ela foi direto para seu quarto e, ao chegar lá, trancou a porta, deixando seu corpo escorregar pela mesma até que ficasse sentada no chão. Um 'merda!' escapou de seus lábios enquanto seus olhos se semicerravam, fitando a chuva fraca que caia lá fora, através da janela. Seu tiro havia saído pela culatra e Seshoumaru a pegou de jeito, com suas palavras sinceras e elogios. Seu olhos saíram do céu chuvoso e enquanto ela se levantava eles baixaram até seus filhos, que dormiam tranquilamente no futon de InuYasha. Ao chegar perto deles ela colocou sua mão na testa de Shibuya e, para seu alívio, a febre dele havia abaixado. Durante o tempo em que preparava o jantar ela sempre tirava um momento para ir até seu quarto e verificar a temperatura do menino, todas as vezes colocando um pano molhado para diminuir a quentura de seu corpo. Depois de ver se ele estava melhor, a miko se dirigiu ao ofurô, onde tomou um rápido banho e, após de terminar de se arrumar, foi até seu futon, deitando-se logo em seguida.

Foi impossível conter o cansaço que se abateu sobre seu corpo quando as cobertas macias e cheirosas entraram em contato com ele. As pálpebras pesaram como se fossem feitas de aço e automaticamente fecharam, levando Kagome até o sono profundo, onde a figura de um dai-youkai de longos cabelos prateados e sorriso malicioso a esperava, pronto para amá-la até o amanhecer.

**********

O sol brilhava forte na imensidão do céu azul, enquanto seus raios intensos banhavam tudo ao seu redor, inclusive, a estreita cachoeira entre as duas grandes montanhas de Yamata. As águas cristalinas, que pareciam diamantadas com o toque do sol, percorriam todo o percurso do rio em velocidade rápida, como se tivesse pressa para chegar em algum lugar, atravessando pedras, galhos e, por fim, desaguando sobre o olhar admirado de Kagome. A sacerdotisa se encontrava sentada em uma pedra parcialmente submersa na margem do rio, observando os movimentos calmos que este realizava ao chegar ali. Um longo suspiro fugiu de seus lábios ao mesmo tempo que observava os diversos peixes que nadavam naquele local. Em seus pensamentos, a lembrança de cinco dias atrás passavam e isso fez com que as cenas posteriores a ela viessem rapidamente. "Cinco dias.... como a minha vida virou de cabeça pra baixo em apenas cinco dias?", a garota perguntou a si mesma incrédula. Por incrível que pareça, a resposta era simples e surpreendente. Sim, tanto a sua existência como ela não eram mais as mesmas. A quase uma semana havia sido mais do que suficiente para fazerem coisas surgirem a desaparecerem, e também mudarem, umas para boas a outras para ruim. Os exemplos para isso estavam bem claros: nesses dias Shibuya havia melhorado e muito de saúde aponto de conseguir se levantar da cama e realizar suas atividades infantis. A imagem em sua mente do dia em que ela acordara e encontrara o filho brincando junto a Satoro fizeram seus olhos marejarem de emoção. Sesshoumaru estava certo, no final bastava apenas confiar na força do menino. "Sesshoumaru.. " o nome do inu-youkai ecoava em sua mente como em uma caverna, e ela chegou a conclusão de que era ele que havia tornado a sua vida daquele jeito. Desde aquela noite em que haviam jantado juntos, compartilhar a mesa com o dai-youkai se tornou parte de sua nova rotina e isso trouxe consequências ruins, ruins ao ponto dela se acostumar com a sua presença altiva e as poucas conversas que tinham durante as refeições, e tão ruim aponto dela começar a olhá-lo com um olhar 'diferente', fazendo-a ter sonhos nada inocentes com o mesmo. E era esse o ponto negativo das suas novas mudanças. Sesshoumaru não era mais Sesshoumaru diante de seus olhos e sim um predador de olhar perigoso, algo e ser temido, e esse era um dos motivos pelo qual ela estava ali, pois além de querer respirar ar puro após mais de cinco dias presa no vilarejo, ela também queria fugir dele. Se sentia uma criança rebelde e fujona por contrariar as ordens do cunhado mas, comparado a seus sentimentos conflitantes, aquilo não era nada.

— Kagome. — uma voz séria soou as suas costas, fazendo-a dar um sobressalto assustada. Seus olhos desesperados vasculharam tudo ao seu redor até que captaram a figura de Sango parada atrás de si.

— Ah! Sango-chan que susto! — a miko falou com a mão posta sobre seu coração, como que para acalmá-lo.

— O que você pensa que está fazendo aqui? Sabe que é perigoso sair do vilarejo neste momento, imagina se ao invés de mim fosse um youkai-leão que estivesse aqui? Você já estaria morta! — a exterminadora falou indignada. No dia seguinte após ouvir todo o relato de Sesshoumaru, Kagome imediatamente contou a Sango toda a situação e a amiga passara a ser tão cautelosa com a segurança dela quanto o youkai. A sacerdotisa ao ouvir aquilo revirou levemente os olhos.

— Ah Sango-chan não precisa tanta preocupação está bem? Eu já estava voltando. — a jovem falou calmamente enquanto se levantava e, junto a Sango, começava a caminhar rumo ao vilarejo.

— O que fez você sair da aldeia desse jeito? Você sentiu alguma presença? — a caçadora de youkais perguntou, tentando descobrir o motivo do repentino ataque de rebeldia da amiga.

— Eu precisava de ar puro. Estou farta daquele vilarejo e aproveitei que Kaede-obaa-chan pediu para ficar com as crianças. — a garota respondeu, observando os diversos arvoredos se abrirem a sua frente e a visão das primeiras casas do vilarejo aparecerem no final dele. Sango observou atentamente a expressão séria na face de Kagome antes de tomar a palavra.

— Você está com medo não está? — a mulher perguntou desviando seu olhar do rosto da amiga e fitando as árvores ao seu redor — Daqui a dois dias InuYasha estará de volta e será impossível vocês dois não se reencontrarem. Vocês não sabe o que fazer não é? — Kagome ao ouvir tais palavras arregalou os olhos. Sango realmente a conhecia como a palma de sua mão.

— Como sempre você tem razão. De fato não faço a mínima idéia do que fazer. Antes eu achava que quando o encontrasse seria capaz de matá-lo, mas agora...  simplesmente não sinto mais nada, não sei o que dizer. — a miko respondeu com voz calma e em seguida soltou um longo suspiro. Sua raiva do hanyou havia esfriado, mas temia o que poderia acontecer caso fitasse a sua face sínica.

Depois dessa frase nada mais foi dito e ambas caminharam em silêncio até a casa de Kaede. Quando estavam diante da mesma, antes da sacerdotisa entrar pela porta, a voz de Sango às suas costas parou seus passos.

— Kagome. — a moça virou para fitar a exterminadora, que continuou — Eu entendo a sua raiva pelo o que InuYasha fez a você, mas peço que quando o encontrar, por favor, não faça nada precipitado. Lembre-se que, numa situação dessas, cada palavra ou ato  impensado pode não ter volta. Por isso peço que mantenha a calma e converse com ele antes de qualquer coisa. — a jovem falava preocupada. Kagome passou algum tempo fitando a face de Sango antes de responder.

— Não se preocupe. Eu  já disse que não farei nada sem pensar. Vai ficar tudo bem. — a sacerdotisa respondeu calmamente antes de se despedir da amiga e entrar na casa da velha anciã. Ela pretendia buscar as crianças para jantarem, mas devido a insistência da idosa, as deixou passarem a noite ali. Desde a partida de Rin, Kaede, que havia se acostumado com a constante presença da menina, começou a se sentir solitária e era comum que pelo menos uma vez por mês a miko mais jovem deixasse seus filhos ficarem na casa dela para lhe fazer companhia. Depois de se despedir deles ela se dirigiu até sua própria cabana, onde juntou os ingredientes e começou a preparar um Oden para o jantar. Quando os legumes estavam quase no ponto, mergulhados no caldo de peixe fervente, ela colocou uma boa quantidade da comida em duas tigelas de barro e as pôs sobre a baixa mesa que ficava perto da janela. Após terminar de arrumar a mesa para o jantar, ela se sentou e esperou Sesshoumaru chegar.

No momento em que estava ali, se tornou impossível que seu olhar não escorregasse até a paisagem apresentada pela janela aberta. O céu continuava tão azul quanto de manhã cedo, porém, agora diversas nuvens o enfeitavam. Ao visualizar as nuvens negras e sentir a leve brisa fria lhe acariciar o corpo, ela chegou a conclusão de que aquela bela tarde terminaria com  uma forte chuva. Enquanto observava as sutis mudanças que ocorriam na paisagem com o passar do tempo, ela ouviu um barulho atrás de si, fazendo-a virar a cabeça rapidamente a tempo de ver Sesshoumaru adentrar o cômodo com algo em suas mãos.

— Me perdoe a demora. — o youkai falou com a voz calma — Eu resolvi trazer algo especial para esse jantar. — ele terminou, levantando até o olhar de Kagome uma garrafa média com um desenho em kanji onde ela leu 'saquê'.

— Hm .... especial é? Sinto lhe informar, mas não bebo. — a sacerdotisa falou com a face expressando pura diversão. O inu-youkai se sentou a sua frente e puxou um copo que estava sobre a mesa.

— Eu compreendo a sua política de não querer beber, mas vá por mim, o saquê é a melhor saída para aliviar a mente dos problemas, isso sem citar que ele também é um ótimo complemento para qualquer jantar. — ele falava enquanto abria a garrafa, servia uma dose da bebida no copo e o entregava a mulher, que sorveu um pouco do líquido em sua boca o sentindo descer amargo pela sua garganta, queimando tudo. Seu rosto distorceu-se em uma careta, devido aos efeitos do saquê, e o rapaz a sua frente deu um leve sorriso.

— E então? Gostou? — perguntou, vendo a jovem lhe fitar com as sombrancelhas franzidas.

— Tem um gosto estranho... peculiar. — a mulher falou a última palavra tentado imitar a voz de Sesshoumaru, que ouvia a tudo enquanto capturava um pedaço de cenoura da tigela com o hashi e o colocava na boca — E você? Gostou da comida? — ela perguntou divertida ao mesmo tempo que  o fitava degustar o pedaço de Oden.

— Sempre peculiar. — ele a olhou no fundo dos olhos — E ousado. — as palavras atingiram a jovem, que sentiu seu corpo se arrepiar. Com isso ela resolveu desviar seu olhar do cunhado e dar atenção ao prato servido por ela mesma a sua frente.

Durante algum tempo o jantar transcorreu em silêncio, onde os únicos sons que eram escutados eram os dos hashis em contato com os pratos de barro. De um lado da mesa estava Kagome, sentindo seu corpo em estado de nervosismo. Parecia que tudo naquele fim de tarde estava mais diferente... mais intenso, e ela não sabia dizer se era efeito do saquê ou não, mas sentia seu corpo mole, sua visão começando a ficar enevoada e um calor lhe varrer de cima a baixo, fazendo um sentimento de ansiedade aplacar em seu peito. Seu olhar pousava vez ou outra no homem a sua frente, suspirando aliviada que o mesmo não havia percebido as mudanças, enquanto bebia mais um gole de saquê. Em outro momento ela teria se condenado por estar bebendo tanto, porém, naquele momento ela não se importava, pois apesar de tudo a bebida lhe deixava mais leve e solta e, acima de tudo, a fazia relaxar do nervosismo. No fim de tudo ela decidiu que depois do jantar tomaria um banho gelado.

Já do outro lado da mesa estava Sesshoumaru, fingindo estar prestando atenção na comida enquanto observava cada reação de Kagome. Qualquer movimento da mulher a sua frente o fazia dar um leve sorriso de lado, pensando em como o seu plano estava dando certo. Logo a sacerdotisa estaria sob o forte efeito do álcool e ele conseguiria o que mais queria: tê-la para si. Desde que a reencontrara, faz uma semana, a personalidade forte e o jeito da jovem miko o atraíram cada vez mais, até que na noite passada ele decidiu que, custasse o que custasse ele não se conteria mais e a possuiria. Fazia muito tempo que não se divertia com outras mulheres além de Rin e tinha quase certeza que Kagome poderia lhe oferecer experiências que ele tão cedo iria esquecer, afinal de contas, se InuYasha era tão idiota aponto de deixar uma mulher linda daquela sozinha e carente não fazia mal algum ele tirar proveito da situação não é mesmo? Seus pensamentos foram cortados quando ele a viu pegar um pedaço de rabanete e começar a cortá-lo para colocar na comida. Naquele momento ele decidiu que era hora de colocar em prática a próxima fase de seu plano. Seu olhar saiu da figura a sua frente e pousou sobre a janela ao seu lado, antes de sua voz preencher o vazio do silêncio.

— Percebi que Shibuya melhorou bastante nesses últimos dias. — ele começou com um assunto raso. Kagome não levantou os olhos do que fazia, mas ele sabia que sua atenção estava nele, então continuou — Mas tenho certeza que quando InuYasha retornar ele ficará curado, pois a presença dos pais juntos em um momento como esse é essencial para a recuperação do filhote. — o youkai terminou enquanto seus olhos se semicerravam levemente, observando a reação da bela fêmea a sua frente.

A mente da sacerdotisa deu um estalo e, enquanto a imagem dela junto a InuYasha surgia em seu interior, o controle sobre suas mãos fugiu e a faca ao invés de cortar o rabanete passou rente no seu dedo indicador, abrindo um corte.

— Droga! — praguejou a mulher ao mesmo tempo que se levantava e, segurando o dedo ferido com a outra mão, ia até o balde com  água que ficava encima da bancada encostada a uma das paredes do cômodo, para lavar o ferimento. Sesshoumaru observou todos os movimentos da jovem com um pequeno sorriso no rosto. Realmente falar de InuYasha  para a sacerdotisa a afetava e o youkai começou a pensar que algo de muito grave  o hanyou deveria ter feito para que a mesma ficasse desse modo, porém, isso não era da sua conta. O que lhe importava de verdade era a atraente mulher carente de atenção a sua frente a qual ele, com muito cuidado, tomaria conta naquele começo de tarde. Ele se levantou, assim como Kagome, e caminhou em passos lentos até a bancada, se colocando atrás da jovem.

A miko, que estava tão distraída com seu doloroso machucado, só percebeu  a presença do cunhado atrás de si quando ouviu sua voz grave soar em seu ouvido direito e viu duas mãos grandes se espalmarem na mesa retangular a sua frente

— Fico pensando o que o idiota do meu irmão poderia ter feito para receber uma reação dessa sua só ao pronunciar o seu nome. — o youkai sussurrou enquanto diminuía pouco a pouco o contato entre os dois corpos. Ao ouvir essas palavras e sentir a proximidade perigosa do outro, Kagome sentiu seu sangue gelar. Onde , afinal de contas, ele queria chegar com tudo aquilo? Se já não bastasse Sango e Toyorama-sama sentirem pena dela a mesma não precisava que justo ele também se apiedasse de sua situação. E foi com esse pensamento que ela se virou para ele com a raiva brilhando em seu olhar, esperando encontrar dois olhos dourados a lhe fitar de maneira divertida, porém, o que viu foi completamente diferente.

— Nesse caso senhor Hatsurama eu o recomendaria tomar conta da sua vida. Meu assunto com InuYasha é problema meu e dele, então segure essa sua curiosidade. — apesar das palavras firmes proferidas por sua boca, por dentro, Kagome se sentia assustada. Nunca em todo aquele tempo que conhecia aquele inu-youkai, ela imaginou ver tanta malícia e desejo estampados em um olhar que sempre foi tão frio. Parecia ser outra pessoa que estava a sua frente e ela começou a temer estar sozinha ali com aquele homem. Por outro lado, Sesshoumaru fitava o rosto da miko reparando em cada traço leve que este possuía e a desejando cada vez mais. Suas mãos, que antes estavam na mesa, foram em direção a cintura da jovem, apertando-a e a trazendo junto ao seu corpo. Mesmo sentindo o espaço entre os dois corpos se reduzir a nada, Kagome não tomou nenhuma atitude para se afastar dele. Os olhos dourados que pareciam lhe consumir a fitavam atentamente, parecendo a levar para um lugar onde todos os seus desejos poderiam ser realizados, fossem eles quais fossem, e isso a fazia seu corpo paralisar e se entregar ao toque dele. E foi neste momento que o youkai decidiu que a hora da 'verdadeira ação' deveria começar. Uma de suas mãos deixou a cintura da miko e se dirigiu ao seu rosto. Os longos dedos acariciavam a bochecha avermelhada da jovem, que sentia cócegas com o leve roçar das garras pontudas. Os olhos castanhos fitaram a face do youkai e a partir daí eles perceberam que este se aproximava lentamente.

— O que você est... — a jovem começou a falar quando o polegar da mão do inu-youkai que estava no seu rosto se pressionou sobre a sua boca, impedindo-a de continuar.

— Shhhh... fique quieta Kagome. Como eu já disse antes, quero testar uma coisa, e... —o jovem pausou, com o rosto a poucos centímetros da mulher — desta vez, não vou tolerar interrupções. — terminou. Suas mãos seguiram firmes até os ombros da outra enquanto ele lhe tomava os lábios em uma ânsia desesperada. Aquele ato a pegou de forma tão inesperada que ela não conseguiu reagir, seu corpo simplesmente parou, ao mesmo tempo que se sentia pouco a pouco ser consumido pelo desejo flamejante que parecia correr nas veias do outro. Seu beijo quente, junto com suas mãos fortes e corpo tão terno e convidativo pareciam a chamar para praticar aquele ato imoral, e ela estava começando a se entregar, pois não suportava mais se conter e guardar dentro de si o desejo que começara a nutrir por ele. Queria ser amada de todas as formas, ter a maldita carência e sentimento de abandono arrancados de seu coração, queria se sentir verdadeiramente desejada e, nem que fosse por alguns momentos, importante para alguém. Com esses pensamentos em mente ela decidiu que não lutaria mais e resolveu se jogar nos braços de seu cunhado e submergir no profundo oceano da paixão intensa, que era um caminho sem volta.

No momento em que sentiu o corpo da mulher afrouxar em seus braços, o youkai soube que a vitória já era dele, mas também não era menos. Sesshoumaru nunca perdia um desafio, e ele considerava conquistar Kagome um. Ela era um fêmea de personalidade forte e talvez fosse aquilo mais o atraia nela. Durante grande parte de sua vida ele sempre lidou com fêmeas que lhe mostravam total submissão, e começou a perceber com o passar do tempo que aquilo poderia se tornar extremamente maçante, mas ali estava a sacerdotisa, esposa de seu irmão, pronta para quebrar aquela rotina e lhe abrir as portas para o verdadeiro prazer, e enquanto ele entreabria os lábios da jovem com sua língua e aprofundava o beijo, decidiu que transformaria aquele ato bom não só para ele, como para ela também. Ambos ficaram um bom tempo se beijando, sentindo as línguas praticamente valsarem entre suas bocas, até que de repente o youkai abandonou seus lábios. A sacerdotisa ia protestar até que viu Sesshoumaru se abaixar levemente e a erguer no colo, fazendo-a se assustar.

— Mas o que... — ela ia começar a perguntar quando a voz do jovem sussurrou em seu ouvido esquerdo, causando arrepios em seu corpo.

— Vamos para um lugar mais confortável. — ele disse, caminhando lentamente com a jovem em seu colo até o quarto dela. Ao chegar ele a depositou no espaçoso futon que havia ali e voltou a beijá-la, mas desta vez com mais calma. Suas mãos correram o corpo coberto da mulher desde as pernas até o colo, onde os longos dedos adentraram pela abertura do kimono amarelo e a afastou, revelando a pele clara a imaculada de manchas da moça. Seus lábios desceram até o local e distribuíram leves beijos. Com isso Kagome fechou seus olhos, sentindo cada toque acender um fogo em seu interior, aumentado a temperatura de seu corpo. Enquanto os beijos continuavam em seu pescoço, ela sentiu os braços do youkai rodearem seu corpo e a deitarem no futon. Sesshoumaru ergueu seus olhos e observou a mulher abaixo de si, antes de dirigir sua mão até o obi branco do kimono dela. A sacerdotisa, ao sentir a mão do cunhado na faixa que prendia sua roupa, como num reflexo, colocou a sua sobre a dele, o parando.

— Sesshoumaru... — ela sussurrou, hesitante, enquanto abria seus olhos e fitava o homem que já se encontrava sobre si. O rapaz, percebendo o que se passava, começou a acariciar os cabelos da jovem, a olhando ternamente. Ele queria, mais do que tudo, se afundar naquele corpo tão convidativo, mas sabia que tinha que ir com calma, pois aquela situação era complicada demais.

— Kagome, fique calma. — o inu-youkai aconselhou com a voz baixa, dando um beijo calmo nos lábios da miko que ainda o olhava temerosa.

— Mas isso é errado. Não podemos fazer tal coisa. — ela falou com a voz melancólica. Apesar de tudo seu senso crítico ainda gritava dentro de si, chamando-a de puta desgraçada por estar agindo de tal maneira. Ela viu um sorriso brotar dos lábios de Sesshoumaru antes de o mesmo falar.

— Mas você quer fazer isso, não quer? — ele indagou, observando a reação da jovem, que deixava claro a sua resposta. Ao ouvir a palavras do outro, Kagome sentiu seu corpo estremecer , o desejo voltando de forma intercalada, surgindo de seu ventre e se espalhando por toda parte. Não era preciso que ela respondesse àquela pergunta, a resposta estava estampada em seu rosto corado e corpo quente. No momento em que fitava o rosto do cunhado, foi inevitável que a face de seu marido infiel lhe viesse à mente, trazendo, junto a imagem, raiva e revolta em seu coração. InuYasha não a amava mais, e a prova mais concreta para essa afirmação ela havia vivenciado no momento em que o vira nos braços de outra. Na noite em que haviam se entregado um ao outro, ele tinha lhe prometido que ela seria a única mulher na vida dele, e ela também tinha feito a mesma promessa, mas pelo visto, a mesma havia sido cumprida apenas pela miko; da parte do hanyou, só vieram mentiras. Mas, no que mais ele havia mentido? Será que realmente ela havia sido a primeira mulher dele? Ele havia dito tantas palavras que antes lhe eram verdadeiras mas que agora eram vazias e falsas. Ela não suportava mais tanto desgosto, tanta incerteza e queria no fundo do seu coração esquecer tudo aquilo. Havia passado três anos da sua vida desejando arduamente rever InuYasha e só não se arrependia de ter largado tudo na era atual e voltado para ele pois se sentisse isso seria como assumir que ter seus filhos tivesse também sido um erro, e eles eram a única coisa que ainda a mantinha de pé. Com esses pensamentos sentiu seus olhos lacrimejarem, porém, antes que os soluços saltassem de sua boca e as lágrimas de seus olhos, ela envolveu o pescoço de Sesshoumaru com os braços e o puxou para um beijo. Sua língua invadiu a boca do outro sem nenhuma resistência e depois que a deixou, suas mãos foram a cabeça do youkai e a guiaram até o vão de seu pescoço, onde ficava a marca de InuYasha.

— Me faça sua, por favor, só por hoje, me faça esquecer. — Kagome suplicou com a voz manhosa, recebendo como resposta uma mordida leve no local da marca. Um gemido alto saiu de seus lábios e este foi o estopim para que tudo começasse.

Logo a mordida no pescoço alterou-se para um chupão longo, ao mesmo tempo que a mão do dai-youkai seguia até a faixa do kimono da moça e, desta vez sem nenhuma interrupção, o puxava, fazendo o laço nele se desfazer e a veste se abrir, expondo o corpo da mulher. Depois disso, sua mão mais do que rapidamente deslizou pela pele suave, começando pelas coxas, passando pela barriga e chegando aos seios médios. Ao sentir a maciez de um deles, sua boca saiu do pescoço da jovem e desceu até ele, onde começou um succionar forte.

— S-sesshoumaru! Ah! — a miko gemeu, sentindo os caninos pontudos do youkai roçando em seu seio sensível.

Aquela carícia perdurou por mais alguns momentos, onde o youkai alterava seu toque entre um seio e outro, até que ele resolveu descer seus beijos até um certo lugar. Kagome, que mantinha seus olhos fechados, os abriu rapidamente quando percebeu a respiração quente do homem em sua região íntima.

— O-o  que v-você está f-fazendo? — perguntou incrédula enquanto fitava o homem. Ela tentou inutilmente fechar suas pernas, porém, Sesshoumaru a impediu.

— Nem pense em fazer isso. — ele falou com a voz calma — Relaxe, você vai gostar. — terminou, olhando maliciosamente para mulher. Pela reação dela, com certeza InuYasha nunca deve tê-la tocado daquele jeito ali e ele seria o primeiro a ter essa honra. "Hm ... isso é bom. Muito bom.", pensou, ao mesmo tempo que encaixava sua cabeça entre as pernas da jovem e passava a língua por toda a extensão daquele local.

— Oh! Meus deuses! — Kagome exclamou extasiada pela sensação que correu por seu corpo através do toque. Ela nunca havia imaginado que tal ato poderia proporcionar tanto prazer. Suas mãos foram até as cobertas do futon e as apertaram com força, ao mesmo tempo que, instintivamente, arqueava seu corpo e jogava a cabeça para trás, soltando altos gemidos. Os toques começaram a ficar mais intensos, de modo que a língua do youkai começou a penetrar sua feminilidade, fazendo movimentos lentos de ida e volta. O aperto nas cobertas ficou maior com esse toque e a sacerdotisa concluiu que seu gozo estava próximo. Suas pernas se abriram ainda mais, seu corpo estava se preparando para o orgasmo iminente, quando Sesshoumaru abandonou aquela região, seguindo com a boca até a sua coxa esquerda e a mordendo.

— Por .. que .. você .. parou? — a miko questionou com a voz falha e ofegante. Seus olhos seguiram até o inu-youkai, que se ajoelhava diante das suas pernas.

— Porque agora é a hora da minha diversão, e quero você com bastante energia. — ele falou com a voz tranquila. Sua mão foi calmamente até a faixa lilás do seu kimono, abrindo-a lentamente. Quando a mesma já havia saído de sua cintura, seus dedos seguiram até a abertura da vestimenta azul e a empurraram.

— Meus... deuses.... — foi impossível conter a frase que saiu dos lábios da jovem no momento em que o corpo nu de Sesshoumaru se revelou diante dos seus olhos. Se ela achava o corpo forte e bronzeado de InuYasha algo divinal, aquilo que agora fitava diante de si era muito mais do que isso. Os braços fortes e musculosos, as pernas grossas, o abdômen sarado. Todo aquele conjunto parecia ter sido feito na medida certa para agradar a jovem e ela sentiu seu corpo começar a formigar só de imaginar o que eles fariam em breve. Seus olhos percorreram o corpo alvo do youkai até que pousaram sobre a face do mesmo. Ela engoliu em seco ao ver o sorriso debochado que pairava nele.

— Gostou? — ele perguntou enquanto seus dedos indicador e médio pegavam uma longa mecha de seu cabelo prateado e a passavam lentamente entre eles. Kagome quase quis gritar com aquela linda visão, mas ao invés disso virou seu rosto completamente vermelho para o lado.

— Idiota. — ela sussurrou envergonhada, sabendo que mesmo assim ele seria capaz de escutar. Ouviu uma risada vindo dele ao escutar sua fala e após isso sentiu suas mãos grandes pegarem em suas coxas e a puxarem de encontro a ele.

— Venha aqui. — ele falou calmo, passando suas mãos pelos braços da garota e a ajudando a se levantar. Ela se assustou com o ato repentino, porém, fez o que ele pediu e se sentou em seu colo, colocando suas pernas uma de cada lado de sua cintura. O membro ereto dele encostou em seu ventre e ela soltou um gemido baixo, enquanto suas mãos iam ao encontros das costas do outro — Consegue sentir Kagome? Este é o desejo que tenho por você. — ele sussurrava no ouvido dela — Você é tão linda, tão maravilhosa. — sua voz continuava a quase cantarolar no silêncio do quarto enquanto que sua mão se dirigia lentamente até seu falo e o levava em direção à feminilidade da mulher — Eu te quero tanto, sempre quis. — quando suas palavras terminaram, ele deslizou seu membro de forma rápida para dentro do outro corpo.

— Ahhhh! — Kagome soltou um longo gemido que preencheu todo a quietude do lugar enquanto sentia a penetração e a ansiedade que esta trouxe a si. Seus braços que circulavam o tronco do outro o apertaram com força, suas unhas arranhando a pele clara e a enchendo de listras vermelhas. Já o youkai emitiu um gemido baixo com a sensação maravilhosa que era estar dentro da jovem e enfiou sua cabeça no vão de seu pescoço, suas mãos indo de encontro a cintura da mesma e a guiando em seus movimentos. Logo o aposento foi preenchido de sons de gemidos a medida que os corpos de chocavam um contra o outro.

**********

O sol já havia desaparecido por entre as nuvens e uma forte chuva começava a cair quando ambos alcançaram seu prazer maior. Kagome soltou um grito alto quando o mesmo lhe atingiu, enquanto Sesshoumaru dava suas últimas estocadas e gozava, despejando seu sêmen dentro dela. Com isso ambos caíram sobre o futon, de bruços, completamente ofegantes e saciados. Eles passaram um bom tempo tentando normalizar suas respirações até que algo fosse dito. Os olhos castanhos da jovem miko fitavam a parede a seu lado, vendo a chuva intensa que acontecia do lado de fora pela janela aberta. Tentava pouco a pouco acalmar sua respiração, sua mente ainda se encontrando encoberta pela densa névoa do orgasmo, porém, não se passou muito tempo e ela começou a se dar conta de que já anoitecia. Estava tão distraída com seus pensamentos que levou um susto quando sentiu o corpo do inu-youkai sobre si e seus lábios quentes em sua nuca.

— Acho que já se passou mais de quatro horas. — ela comentou com a voz baixa, tentando quebrar aquele silêncio chato que parecia fazer parte do momento pós-sexo.

— Eu sei. — o outro respondeu e, em seguida, deu uma leve risada, que causou arrepios no corpo da mulher — E devo dizer que foram as melhores quatro horas da minha vida. Nunca imaginei que poderia experimentar tantas posições em uma transa só. Assumo que você me surpreendeu. — ele disse divertido, enquanto suas mãos corriam pelas costas nuas dela. Kagome sentiu suas bochechas em brasa com tais palavras e agradeceu mentalmente pela posição que estava deitada, com a cabeça virada para o outro lado.

— Seu bobo. — ela respondeu com a voz baixa. Seus olhos continuavam presos a janela e as gotas de chuva que por ela escorriam, porém, eles começaram a pesar, anunciando que em breve ela adormeceria — Sesshoumaru? — chamou o outro com a voz sonolenta.

— Sim. — ele respondeu, ao mesmo tempo que mantinha sua cabeça perto dos cabelos da jovem, inalando o seu perfume.

— Promete que estará aqui quando eu acordar? — a moça pediu, sentindo seu corpo ser vencido pelo cansaço. Ela queria ter a garantia de que não seria abandonada por ele como era por InuYasha. Quando estava se entregando ao sono, sentiu a risada do youkai em suas costas e as seguintes palavras saírem de seus lábios.

— Eu prometo. — e então ela adormeceu, com um leve sorriso em seu rosto.

**********

As horas pareciam correr tanto quanto os inúmeros pingos de chuva da tempestade, trazendo consigo a noite obscura. Na pequena cabana encostada a um estreito rio, um casal dormia em um sono profundo. Sesshoumaru estava abraçado a Kagome. Sua mão vez ou outra apertava os lençóis, ao mesmo tempo que sua mente era atormentada por um pesadelo, onde uma Rin desolada, com um bebê recém-nascido nos braços, dizia que o odiava e ia embora levando a criança, porém, não foi a imagem perturbadora que o despertou e sim um cheiro bastante familiar. Seus olhos se abriram rapidamente enquanto ele se levantava num sobressalto.

— Esse cheiro.... droga! — ele exclamou alto. Após sair da cama ele vestiu o kimono de forma rápida, sem em nenhum momento olhar para a mulher adormecida no futon. Depois de estar pronto ele correu até o outro quarto, onde estavam sua armadura e espadas, as pegou, colocou e saltou pela janela aberta sem hesitar.

Kagome dormia tranquila quando um barulho alto de trovão a despertou. Seus olhos imediatamente pousaram no lugar vago ao seu lado quando sua mão tateou o local e deu por falta o corpo que descansava ali.

— Sesshoumaru? — ela chamou com a voz fraca, mas uma sensação de arrepio percorreu cada centímetro do seu corpo, tirando-a de seus pensamentos sobre onde ele poderia estar. Ela se levantou lentamente enquanto seu olhar deslizava da janela até a figura que a observava parado na porta. Ao vê-lo, seus olhos se esbugalharam, sua garganta secou e seu sangue pareceu congelar nas veias. Seu corpo todo foi tomado pelo terror intenso, a medida que ela identificava o ser parado a sua frente. Os olhos dourados a encaravam arregalados e incrédulos, seu peito subia e descia freneticamente ao mesmo tempo que a respiração ofegante fugia por seus lábios repartidos, porém, o que fez seu coração acelerar desesperado foi fitar suas mãos. Ambos estavam embebidas em sangue. O líquido carmim escorria de seus dedos e penetrava o tecido de seu kimono, tornando o vermelho presente neles ainda mais forte. Fitar tudo aquilo a deixava sem palavras. O que ela deveria falar?! O que deveria fazer?! Como explicar tudo aquilo?! Estava novamente se perdendo em suas idéias quando ele deu  um passo, o som de seus pés ecoaram no chão de madeira velha. Ao ouvir esse som ela voltou a fitá-lo. O silêncio tornava a situação ainda mais assustadora. Por que ele não falava nada? Ela se perguntou quando um raio riscou os céus, o iluminando, e com isso pode ver algo sua mão. A voz antes adormecida em seu interior despertou e fugiu por entre seus lábios de forma rápida e baixa.

— InuYasha... — sussurrou espantada vendo o mais lindo buquê de flores na mão do outro deslizar pouco a pouco e cair no chão. Os narcisos, rosas e tulipas se desmancharam e se espalharam por toda parte, se empapando na poça de sangue aos pés do rapaz. Seus olhos ainda fitavam a jovem, a fazendo se encolher na cama e cobrir seu corpo nu com as cobertas. Não suportava mais aquele silêncio. Queria que ele falasse algo. Reagisse! Mas ele continuava parado ali, a observando. No momento em que novamente seus olhos se chocaram, a mulher sentiu o fundo de sua alma estremecer. O olhar que agora se erguia diante de si não era mais de um dourado confuso e sim um vermelho brilhante e raivoso e ao ouvir o alto estalo dos dedos de garras afiadas ela teve a certeza de que naquela noite morreria nas mãos de InuYasha. 

      

             

     

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Bem meus amores, como vocês puderam ler nas notas iniciais, Nem Tudo são Flores será atualizada uma vez ao mês, e com isso é comum que aquela simples pergunta venha a nossa mente: mas o que fazer durante todo esse tempo? Há aqueles que se apoiarão em outras estórias para ocupar o seu tempo, mas, pensando naqueles que estão sempre em busca de novas leituras prazerosas, eu venho até aqui com algo novo: Em cada capítulo, nas notas finais, eu recomendarei uma fanfic que li para vocês, mas, antes se seguirmos para a leitura da mini resenha, tem algumas coisinhas que eu gostaria de deixar claro:

*As fanfics recomendadas aqui são estórias que eu LI e GOSTEI, então dispense qualquer pensamento de que estou fazendo isso só para ajudar alguma autora desesperada ou ganhar recomendação de volta;

*Aceito indicação estórias para recomendar, caso você tenha alguma estória que ache que vale a pena seus demais colegas de fanfic lerem, mas tenha em mente que para isso eu preciso LER e GOSTAR da fanfic que você indicar. E estou falando isso para que ninguém ache que é só indicar fanfic que eu irei recomendar.

*Caso a fanfic que recomendar aqui tenha sido alguma que você já tenha lido e você queira fazer alguma observação — seja ela positiva ou negativa — acerca da estória para os demais leitores terem uma opinião a mais ela será bem-vinda;

*Se caso gostou da recomendação e achar que a idéia deve ir pra frente, por favor, diga nos comentários para assim eu saber se vale a pena ou não continuar;

Resenha:

Fanfic: Kakera (Completa)
Casal: Sesshoumaru e Rin

A primeira pergunta que deve vir a cabeça de vocês quando lerem esta resenha é: mas porque ler esta estória que da qual irei falar? É a única resposta que posso lhes dar, é esta: porque, depois da leitura dela, você não será mais o mesmo.
Durante todos esses três anos em que passei lendo compulsivamente fanfics de InuYasha, eu desenvolvi o pensamento de que existem estórias que surgem do nada apenas para mudar o nosso modo de enxergar o mundo, de nos transformar, e Kakera com certeza é uma delas. Seus nove capítulos — incluindo prólogo e epílogo — nos dão uma verdadeira aula de como enxergar a vida em seus aspectos mais simples, e enquanto acompanhamos a saga da pequena Rin, nós aprendemos a lição mais valiosa que parece ter se perdido na futilidade dos dias atuais: a felicidade mora nas coisas mais simples da vida. Ela não mora na riqueza, não mora na beleza, e sim, mora naquilo que nos faz bem, que nos trás segurança e, principalmente, que nos dá a certeza de que estamos no lugar certo. Enquanto que grande parte das autoras de InuYasha gastam seu tempo desenhando mundos de riqueza e beleza supremas em suas estórias, Yoki Downfall resolveu desenvolver em uma pequena trama um enredo que tratasse sobre como as nossas escolhas podem mudar a nossa a realidade, e traçar o nosso destino, e como, em um mundo pintado de hipocrisia e falta de compaixão, a aparência não quer dizer absolutamente nada sobre nós. A sua escrita é simples, o que condiz com a estória desenvolvida, mas fique atento, pois as mensagens subliminares, muito bem elaborados, além da metáfora, sempre tão simples e profunda, podem ser capazes de passar batido por leitores desavisados. A ambientação é única e marcante: um velho apartamento, inabitável aos olhos de qualquer um, mas, que com o passar do tempo, torna-se o lugar onde você mais queria estar em todo o mundo. Os capítulos, em geral, são pequenos e extremamente práticos para aqueles que não possuem muito tempo em seu dia-a-dia. Em resumo, Kakera só pode ser descrita em duas simples palavras: “simples” e “marcante”, e elogios não faltam ao seu desenvolvimento espetacular, porém, para aqueles que sofrem do chamado “Síndrome do final feliz.”, a leitura da estória e desta resenha tornaram-se dispensável.

Link da fanfic: https://www.fanfiction.net/s/7580818/1/Kakera

Bom meus amores, isto é tudo. Espero que tenham gostado da resenha e que também gostem muito da fanfic que lhes recomendei. Peço que me desculpem se caso a resenha tenha ficado meio sem noção, mas é que eu não sou muito boa em recomendar e é aquele ditado: a prática leva a perfeição. Como o tempo os textos ficarão melhores. Beijos e até a próxima ^^


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