História Neon - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chansoo, Poderes, Powers!au, Sekai, Subaek, Superhero!au
Exibições 46
Palavras 4.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Super Power, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Cheguei rapidão, batendo recordes e quebrando barreiras aqui - as minhas pelo menos.

Quero agradecer de montão a quem comentou (eu vou responder, relax) e deixou carinho pela fic. Vocês já moram no meu coração. Beijão!

Let's ler!

Capítulo 3 - Puppets


Fanfic / Fanfiction Neon - Capítulo 3 - Puppets

 

“Baekhyun está de férias.” A voz suave do garoto soou e Junmyeon prendeu o ar.

Junmyeon sentiu-se ser empurrado contra o chão, aterrissando no que ele supôs serem corpos desmaiados – ou ao menos era o que esperava. Enquanto ele caía, o ambiente ao seu redor clareava aos poucos, exibindo novamente as paredes cinzentas e as celas abertas da Penitenciária. Aquakill sentiu sua cabeça se chocar com algo no chão e ficou desnorteado por poucos segundos. Quando olhou ao redor viu um mar de corpos desacordados.

“Aquakill?”, a voz do Byun atingiu seus ouvidos, ele parecia ligeiramente confuso. Junmyeon levantou sua máscara, que naquele momento parecia sufocá-lo. Ele viu os olhos castanhos de Baekhyun com mais clareza e se levantou às pressas, querendo conferir o corpo de seu protegido. Ele procurou por manchas negras como as de antes, mas não achou nada que parecesse suspeito.

Junmyeon estava inspecionando os braços e o pescoço do garoto, que se manteve imóvel. “Baekhyun gosta quando você o toca.” o Kim arregalou os olhos e encarou o rapaz. Ele tinha um sorriso brando. “Ele queria que você o tocasse mais vezes, mais profundamente.”, uma risadinha escapou os lábios rosados.   

“Baekhyun, o que está acontecendo?” Junmyeon tocou o rosto do rapaz, que o assustou, soltando um gemido. O mais novo pegou a mão que estava em seu rosto e a fez correr seu peito, até que o Kim, nervoso, se afastou. Junmyeon não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas tudo aquilo era demais. O rapaz queria que ele o tocasse, mas o Byun não parecia ser realmente ele. “Tem algo muito errado aqui.”

Quatro passos de distância, foi o que o chefe decidiu como seguro. Ele apertou seu comunicador para ativá-lo e ouviu um zumbido irritante, seguido da voz de Mirage, “Quem está na escuta?”

“Aquakill. Como está a situação geral, Mirage?”

“Bomber e eu acabamos por aqui; acho que é possível dizer que a situação está controlada. Stonecrow e Coldblood ainda estão trabalhando muito com os feridos e retirada de pessoal e-“

“Ok, Mirage. Eu preciso de você rapidamente no segundo andar.” Junmyeon falava com o garoto pelo comunicador preso em sua orelha, mas sem nunca tirar os olhos de Baekhyun, que estava parado feito uma estátua a encará-lo. Jongin respondeu com um hesitante, “Ok, Chefe.”

“Baek, você está por aí?” Junmyeon tentou, temeroso.

“Isso depende muito.”, o jovem sentou no chão, de pernas cruzas e cotovelo apoiado no joelho. “O Baekhyun está aqui. Quer dizer-” Jongin aparatou ao lado dos dois mais velhos. “Olá, Nini. Baekhyun te chama assim na mente dele”, ele fingiu segredar. “Como eu estava dizendo, Junmyeon. Eu sou Baekhyun, a parte mais especial e legal.”

“Chefe, o que está acontecendo?”, Jongin sussurrou. Ele olhava para Baekhyun, que parecia absolutamente normal, se não fosse mencionado o olhar distante. Parecia um morto-vivo. Do Byun ele olhou para Junmyeon, que tinha uma expressão tensa e olhos firmes.

 “Quando Baekhyun vai voltar ao normal?” Junmyeon perguntou com sua voz de chefe, fria.

“Veja só, chefinho, Baekhyun, eu, tenho muitos poderes que foram negligenciados. Você, Kim Junmyeon, protege seu Baby Robin e esquece que ele poderia ser o próprio Batman. Baekhyun está feliz vivendo em sua mediocridade de meta-humano semi desenvolvido, mas eu não! Eu quero todo poder que eu puder alcançar, eu quero matar o seu Robin. Quero ser o próprio Coringa!”

“Chefe o que está acontecendo? O que o Baekhyun tem? Eu não estou entendendo! Eu estou com medo.”, Jongin estava nervoso e olhava de um lado para outro procurando respostas no ar.

“Chega aqui, Mirage.”, Junmyeon chamou e acenando com a mão. “Precisamos apagar o Baekhyun e levar ele daqui.” O garoto assentiu mesmo sem entender o que estava acontecendo.

“Não, não e não!”, o garoto fez bico e bateu com as mãos no chão. Junmyeon assumiu uma posição de defesa, que Jongin imitou. “Eu não vou ser apagado coisa nenhuma. Eu sou um bom garoto, Junmyeon. Eu sei que você sabe que sou um bom garoto.” Ele soltou uma risadinha sacana e caminhou até os rapazes. Deu as mãos aos dois, ficando no meio. “Vamos, heróis.”

 

X

 

Jongin estava estupefato. Não só ele, como todos os outros no recinto.

Byun Baekhyun – ou seja lá quem era aquele- estava sentado em um sofá velho do salão principal do QG. Tinha um cigarro em mãos e pernas cruzadas em desleixo. Jongin assistiu com precisão os movimentos de Baekhyun; a maneira que ele segurava o cigarro e batia-o com um dedo, levava-o a boca e depois soltava a fumaça, olhando para o alto. Também observava a cara de desdém com a qual olhava seu reflexo em um dos computadores. Ele parecia desgostoso de sua própria imagem.

O Kim sentiu Sehun tocar seu ombro, como se percebesse sua preocupação e medo, mesmo que nenhuma palavra tivesse sido dita. Ninguém havia dito nada desde que Junmyeon informou aos outros a situação, ainda pelo comunicador. Todos eles estavam receosos e sem saber o que pensar. Era possível ver Jongdae sentado em seu lugar de costume, em frente ao computador principal, fitando o Byun de soslaio frequentemente. Kyungsoo, que estava sentado ao lado do garoto – com o intuito de pará-lo com força bruta caso fosse necessário-, estava inclinado para frente e não piscava. Chanyeol estava na mesma situação.

E então havia Junmyeon. O chefe estava de frente para o garoto e manteve-se estoico durante toda aquela situação bizarra; talvez por receio, talvez por choque, ou até mesmo por estratégia. Baekhyun fitava seu mentor e dava risadinhas esporádicas, entre um trago e outro. “Tão chato, Kim Junmyeon.”, o chefe apenas arqueou uma sobrancelha. “Não sei como ele consegue gostar de você.”

Novamente as provocações não receberam resposta e o silêncio se instalou mais uma vez. Entretanto, dessa vez o intervalo foi mais curto, graças a Minseok que trazia Lu Han- com as mãos amarradas. O garoto loiro parecia mais velho do que da última vez. Continuava com os traços angelicais, mas as pernas estavam mais longas e o sorriso mais calmo do que jamais esteve.

“O que aconteceu com Baekhyun, moleque? Responda.” Minseok balançou-o sem gentilezas.

“Oh, vejo que aceitou meu convite!”, o garoto exclamou satisfeito, ignorando as demandas de seu captor. Baekhyun olhou-o de cima a baixo e deu um sorriso de lado, como se fosse o dono do mundo.

“Do que ta falando moleque?”, Minseok interrompeu o discurso animado do menor.

“As trevas que habitam por trás da luz, é isso que eu busco. E é isso que me busca também.” O garoto sorriu. “Eu sou o Oráculo e esse é aquele que eu vejo em meus sonhos. O homem que é dono da luz do mundo, mas que nunca conheceu as trevas.” Ele se desvencilhou das amarras com facilidade e caminhou até Baekhyun. Todos ficaram perplexos. O loiro tocou o rosto do de cabelos negros e onde suas peles se tocaram uma mancha preta surgiu. “O meta-humano mais poderoso. Eu vou lhe dar o mundo!” Ele sussurrou contra o rosto do Byun.

“Lu Han!”, a voz de Junmyeon ecoou com firmeza característica. “Traga ele de volta. Agora.” Ele rosnou. O garoto revirou os olhos e voltou a fixar seu olhar no Byun. O rapaz se perdeu em pensamentos até ser alardeado por um jato fortíssimo de água, que foi capaz de jogá-lo contra a parede, do outro lado do salão. “Agora!” Outro rosnado e começou a chover dentro do QG.

Aquilo era um péssimo sinal. Outro jato, ainda mais forte, foi lançado contra Lu Han, que a essa altura estava todo amassado contra a parede. “Junmyeon! Ele vai morrer! Para com isso!” Yixing gritou, mas o Kim não deu atenção. Ele sabia que se quisesse o moleque já teria feito algo para pará-lo. E Junmyeon estava com tanta raiva.

“Fica quietinho, chefe.” A voz de Baekhyun soprou contra a nuca molhada do mais velho. “Vai ficar tudo bem, mas você precisa ficar quietinho. Você não quer que o Baekhyun vá embora de vez, quer?” Junmyeon congelou no lugar, a água se tornando escassa em suas mãos. “Imagine como ele se sentiria vendo a pessoa que ele mais admira quebrar seu juramento, ferindo sua moral da maneira mais impactante possível. Baekhyun morreria de vez.” Junmyeon se arrepiou com a hipótese.

Lu Han se levantou, limpando o sangue que havia jorrado de suas narinas. O moleque tinha um sorriso cheio de escárnio implícito, o que fez o sangue de Junmyeon ferver e a chuva dentro do cômodo se intensificar. “Eu acho que essa é a nossa deixa, mestre.” O menor se curvou numa reverência carregada de deboche e Baekhyun copiou-o. O mais novo caminhou até a porta da frente, acenando antes de sumir da vista de todos. O Byun seguiu-o, mas antes de cruzar a porta, encarou Junmyeon. “Parece que seu Robin está morto.”, terminou atirando seus óculos e cigarro no chão     

 

X

 

Ele sentiu um cheiro gostoso de terra molhada e fumaça. Cheiro de capim-limão e outras plantas que sua mãe cultivava quando ele era uma criança. Era algo especial para ele e a mãe. Ele se lembrava de correr até o lado de fora da casa nos dias nublados e iluminar ele mesmo a pequena horta no quintal da casa. Fazendo isso ele entendeu que seus poderes secretos eram úteis para mais do que desenhar no ar quando estava entediado.

Mas no inverno seguinte ele foi obrigado a se mudar com sua família e passaram a viver em um apartamento pequeno, que seus pais conseguiram comprar, no interior da cidade que vivia até os dias de hoje. Ele se lembrava de sentir raiva de si mesmo, pois sua mãe gostava muito de ter um quintal grande com uma horta legal. Mesmo que ela dissesse que não havia problema porque ele só tinha oito anos e não sabia controlar tudo que acontecia, ele não aceitava isso.

A culpa era toda sua. Ele não tinha certeza de como fizera, mas foi ele quem envolveu um dos colegas de classe em uma sombra escura. E era sua culpa o menino ter desmaiado em seguida. No entanto, ele ainda teve sorte, pois ninguém testemunhou o uso de seus poderes... Mas crianças não são burras. Elas foram logo apontando o dedo no rosto do assustado garoto de oito anos, chamando-o de nomes feios e acusando-o de ser um meta-humano.

Naquela época, Baekhyun nem sabia o que realmente significava esse termo. Ele só sabia que era diferente dos outros. E ele era só um garotinho assustado que gostava de se esconder atrás da perna de sua mãe.

Bem, talvez ele ainda fosse um garoto assustado e com medo demais de si mesmo e do mundo. Por isso ele gostava de estar no QG, dos garotos com quem trocava farpas e conversa fiada, e da segurança que sentia quando estava com Minseok, Yixing ou Junmyeon. Todos viam o que havia de melhor nele, seu lindíssimo poder, por isso, o Byun resolveu que tentaria ver suas habilidades com a beleza que lhe descreviam.

Talvez a culpa fosse mesmo dele, afinal não havia somente beleza em suas mãos...

“Tem certeza de que ele não está morto?”, uma voz um tanto esganiçada irritou seus ouvidos e Baekhyun foi sendo puxado de volta para a realidade. Uma mão gelada tocou seu pulso e, impulsivamente, o Byun tentou prender o braço do estranho, mas não conseguiu. Atentou para o fato de estar com mãos e pés acorrentados. “Parece que está bem vivo...” o homem acima de si riu.

Ele era alto e bronzeado, dono de madeixas liláceas. Seus olhos puxados exibiam olheiras fundas e seu sorriso era afetado. Baekhyun se encolheu da maneira que pôde e sussurrou, “O que está acontecendo?” Ele realmente não lembrava. A última memória que transitava sua mente era a voz de Junmyeon chamando seu nome, mas não havia imagem que acompanhasse aquele áudio que rodava repetidamente em sua consciência.  

 Com esforço, ele conseguiu sentar – todo torto, mas ainda sim – e observar o local no qual estava. Parecia uma cabana de madeira, com vários amuletos – ele não tinha certeza - pendurados nas toras que sustentavam a estrutura do lugar. Era como o esconderijo de uma bruxa, daqueles que se vê em filmes. O rapaz que lhe acordou, no entanto, não parecia um bruxo, mas sim um modelo com suas calças e botas de couro preto e camisa da mesma cor.

“Oh, Baekhyun!” aquela voz era mais familiar. Baekhyun sentiu um arrepio cruzar sua espinha. Lu Han foi andando até o lugar onde o prisioneiro se encontrava. “Com quem estou falando? Mestre?” o Byun fez uma careta confusa .“Você voltou.” Ele comentou desanimado. “Zitao, ele voltou ao normal! Não podemos dar sequencia ao plano com ele nesse estado.” Lu Han parecia transtornado. Baekhyun observava tudo atentamente, tentando entender onde havia se metido.

 “É só você entrar na cabeça dele e fazer aquelas coisas que você sabe fazer.” Zitao balançou a mão no ar, como se não achasse o assunto grande coisa. “Eu estou mais preocupado é com minhas ervas.” Lu Han encarou-o como o se o rapaz tivesse dito algum absurdo.

“O chefe quer o garoto, mas não a versão pura e reprimida dele. Ele não é útil assim.”, Zitao revirou os olhos. “E se o chefe se zangar, eu e você, mais especificamente eu, vamos nos ferrar feio.”

“Olha, Lu, eu sei que você tá puto e com medo por causa do seu corpo e tudo mais, mas eu já vi o futuro, ok? Não tem nada a temer.”, Zitao puxou de leve o cabelo de Baekhyun, forçando o rapaz a olhar pra cima. “O nosso Nightwing vai ser muito bem utilizado. Se preocupe com os brinquedinhos pendentes.”

Lu Han andou de um lado para outro, com braços cruzados e uma expressão séria demais, que não casava com seu rosto jovem e doce. “É bom você ter certeza sobre isso, Zitao. Eu não quero ficar nesse corpo infantil pra sempre.” O garoto mordeu o lábio, nervoso.

“Confia em mim, Lu. ‘Um rei nascerá e com seus servos partilhará da glória’. Foi o que ele disse, lembra?”, Lu Han hesitou, mas retribuiu o sorriso do rapaz mais alto. Em seguida, o menor voltou até onde Zitao e Baekhyun estavam, passou a mão no rosto do prisioneiro e sussurrou seu nome.

Baekhyun só pôde ver os olhos amendoados de Lu Han e um pingente de gota preso no teto.

“Junmyeon...”

 

X

 

Baekhyun estava desaparecido há cinco dias, os cinco dias mais longos que os garotos do QG já vivenciaram. O clima entre eles era pesado, quase depressivo. Os garotos mal interagiam uns com os outros, e todos ocupavam suas mentes da maneira achavam melhor. Por exemplo, Jongdae passava o dia procurando por informações online; Chanyeol e Kyungsoo procuravam pelo Byun o tempo todo; Jongin e Sehun estavam mais unidos que nunca, tentando lidar com o caos que abatera aquele grupo.

Minseok não dava as caras no QG desde o ocorrido; ele até ligava às vezes para dar notícias, mas tinha dito que precisava ficar sozinho um tempo. Yixing entendeu bem. Ele se sentia desnorteado porque Baekhyun era como um irmão mais novo, que ele prometera proteger. O próprio Yixing estava tendo dificuldade em lidar com tudo e ainda administrar todos. Ele estava vivendo de chás e remédios para dormir. Era estresse demais.

E Junmyeon... Bem, Junmyeon também tinha tomado chá de sumiço, mas este nem ligar, ligou. Yixing achava que o chefe devia estar em sua mansão, isolado, como costumava fazer. Ele tinha feito chover por horas e depois caído no meio da sala em uma espécie de estado de choque. O Zhang apoiava a ideia de o chefe tirar um tempo para pôr a cabeça no lugar e depois poder voltar com força total e recuperar o Byun.

Yixing estava escritório de Junmyeon, terminando de arrumar a bagunça que se estabeleceu por lá depois do Kim jogar tudo pelos ares, num gesto de puro descontrole emocional. Ele tinha protelado a arrumação desse cômodo para evitar a volta do chefe, já que sabia que Junmyeon odiava bagunça. Ele via os porta-retratos espalhados pelas estantes e não conseguia evitar um sorriso. Tantas fotos do chefe com os outros rapazes, muitas delas com Baekhyun.

Ah, Junmyeon achava que enganava alguém! Baekhyun certamente sabia que não era capaz disso, mas o Kim... O que ele tinha de rico tinha de ingênuo. Era tão claro para Yixing que Junmyeon havia se envolvido de um jeito peculiar com o Byun. Parecia até ser algo de natureza inocente, mas havia algo mais do que um relacionamento de mentor e aprendiz ali. Era engraçado ouvir Aquakill elogiar e comentar sobre o quanto Neon estava evoluindo e o quão lindos eram seus poderes. Ou talvez sobre como ele se iluminou em rosa quando Junmyeon o abraçou. Yixing jurou ter visto as bochechas daquele homem adulto se tornarem vermelhas.

É, realmente era algo inocente da parte de Junmyeon... Ele tinha sentimentos conflitantes acerca de Baekhyun, isso era óbvio. E ele amava a personalidade complexa do garoto, outro fato óbvio. Talvez fosse isso que o atingiu com tanta força; ele perdeu Baekhyun de diversas maneiras naquela noite. Era como se o Byun de sempre, o herói pacato, porém cheio de nuances, tivesse morrido, partido, e voltado como um vilão.

Yixing suspirou diante da constatação. Ele levantou uma das fotos que haviam caído e se apoiou na mesa do chefe. O telefone tocou. “Alô? Sehun? Aconteceu alguma coisa?”.

Eu estava voltando da aula de karate quando vi uma garota da minha sala e ela estava um pouco estranha. Eu a segui. Eu não sei o que está acontecendo Yixing, mas tem planta pra todo lado aqui!” Sehun parecia se esforçar para explicar a situação. “Pode mandar alguma ajuda para Rua 11 com a 20? Você poderia vir também porque acho que a garota não está muito bem.”

Yixing confirmou e depois correu para o salão principal. “Jongdae está na hora de você sair desse computador e interagir com a realidade!”, ele gritou e sacudiu o Kim para tirá-lo de frente da tela.

“O que você quer, Xing?”, indagou num tom monótono. Yixing explicou a situação enquanto corria de um lado para outro, procurando seu traje e o de Jongdae. Ele tirava a roupa enquanto enfiava o traje colante e praticamente obrigava o mais novo a fazer o mesmo. Electro se vestiu, contra sua vontade, e logo ambos estavam prontos.

Electro, levando Spectrum, cortou os céus numa velocidade inacreditável. Jongdae era o mais rápido entre eles, o que sempre intrigou Yixing, que não via motivo para este posto não pertencer ao Byun- velocidade da luz e tal. Talvez a hiperatividade do Kim contasse pontos nisso... De todo modo, eles não demoraram a chegar às ruas indicadas pelo mais novo dos heróis, e assim puderam entender do que Sehun estava falando.

O prédio próximo do centro comunitário no qual os mais novos praticavam artes marciais havia sido tomado por plantas. Sehun estava no céu, sua identidade sendo protegida apenas pelo capuz do moletom – mal colocado. Os mais velhos se aproximaram. “Seulgi está ali. Ela está muito esquisita.” Foi o que o garoto disse.

Yixing então viu a adolescentes de cabelos ruivos, que levitavam como prova da descomunal quantidade de energia que seu corpo pequeno exalava. “Sua amiga é uma meta-humana. Você podia ter comentado isso antes.”, Jongdae reclamou. Sehun bufou, irritado e preocupado. “Sehun, cadê o Jongin?” o Kim olhou ao redor, procurando o teleportador.

“Eu o mandei embora. Parecia perigoso.”, Jongdae revirou os olhos e Yixing sorriu, brando.

“Você não pode ficar protegendo seu namoradinho sempre, ele precisa vencer os medos sozinho.” Sehun ignorou a fala enérgica do rapaz elétrico e voou para mais perto da garota. Yixing seguiu em seu encalço e Jongdae cercou-a pelo lado oposto.

“Kang!”, ele gritou. A garota não se moveu. “Seulgi! Responde, caralho!”, ele se aproximou mais, cauteloso das plantas que cresciam ao redor do corpo da menina. Lembrou-se de Jongin dizendo que as plantas deviam ser perigosas por si só. Ele estendeu a mão, lançando uma pequena quantidade de ar nas costas da garota, apenas para testar. As plantas se moveram sozinhas e defenderam-na do ataque.

Ele voou mais perto, a fim de observar os limites de ação e lançou outro jato de ar, dessa vez mais forte e mais rápido. As plantas defenderam novamente, mas dessa vez elas se empinaram como cobras. Sehun se viu sem opções de ataque ali. “Como eu chego nela se essas plantas ficam no meio?”

“Você quer que eu seja agressivo?” Yixing perguntou, fazendo careta. Os outros dois foram rápidos em negar. Os poderes ofensivos do chinês eram um tanto invasivos demais. Jongdae rondou a garota mais uma vez, analisando-a com seus olhos afiados.

“Ela está inconsciente. Eu odeio essa sensação de dèja vu.” Ele estalou a língua, contrariado. “Se for igual à última vez tem alguém aqui controlando ela, caso não, a gente tem que botar ela pra dormir completamente.”

“Não me sinto confortável lutando contra uma garota adolescente.”, o Zhang comentou. Não havia nada de confortável naquela situação.

“Yixing, se prepare para pegar a Seulgi. Você também, Sehun.” Jongdae coordenou. Ele voltou para os arredores da menina. Imitou uma arma com os dedos e apontou para a garota; a outra mão apontava para o céu, que fechou imediatamente.

As nuvens escureciam e se aproximavam em uma velocidade incrível. Paralelo a isto, os olhos de Jongdae viraram e raios começaram a cair sobre o rapaz. “Odeio me recarregar assim.”, ele resmungou, torcendo o rosto. “Estraga meu cabelo.” Seus dedos dispararam uma carga elétrica na garota que levou um baita choque, convulsionou e caiu em queda livre, sendo amparada por Sehun.

O adolescente suspirou e voou até o chão com a garota. Ele notou que a pele dela parecia esverdeada e as unhas estavam alongadas, como no incidente na escola. O garoto pousou em um beco próximo. Yixing veio ao seu encontro, logo esticando a mão e tocando a testa da menina, que suava bastante. “Ela está bem?”, foi Jongdae quem perguntou, enquanto corria em direção ao trio - exibindo seus cabelos arrepiados que apontavam para todos os lados.

“Não tenho certeza. Tem algo estranho com ela.” Yixing declarou, seus olhos brilhando como esmeraldas. Sehun assentiu e sentou no chão, acomodando o corpo de Seulgi próximo do seu. “Tem uma energia pesada nela. É bem parecido com o que senti no Baekhyun, naquele dia na enfermaria.”

“Isso não pode ser bom.”, Jongdae fez careta. “Não dá pra gente exorcizar ela ou algo assim?”

“Não olha pra mim, eu só faço vento.” Sehun tirou logo o corpo fora. “Mas o Yixing bem que podia... Ou melhor, o Spectrum.”

“Isso não é muito perigoso?”, uma quarta voz se fez presente e atraiu a atenção de todos. Era Jongin parado nas escadas de emergência, que ficavam acopladas a lateral dos prédios. “Ouvi Junmyeon dizer que isso é uma coisa muito arriscada e é por isso que Yixing ficava sempre no QG.”, ele se explicou e aparatou ao lado de Jongdae.

 “Eu disse pra você ir embora.” Sehun ralhou, mas Jongin ignorou-o e continuou esperando uma declaração dos mais velhos.

“É perigoso. São duas almas habitando um corpo ao mesmo tempo. As almas podem se misturar, sequelas podem ser geradas, mas agora parece ser nossa única opção.” Jongdae explicou, parecia muito pensativo.

“Como assim? Ela só desmaiou! Aposto que quando acordar vai ficar melhor.” O mais novo se desesperou.

“Eu acho que ela vai acordar como o Baekhyun. Há uma energia muito conflituosa, que está se acumulando dentro dela.” Yixing suspirou. “Eu queria ter feito isso com Baekhyun, mas ninguém sabia o que estava acontecendo. Agora não. Nós temos uma ideia de quais são as consequências.” Jongin não pareceu convencido e estava pronto para relutar. “Eu sei que é imprudente, Jongin, mas é a chance que temos.”

O chinês não esperou pelos argumentou do Kim. Seu corpo tombou para trás, sendo amparado por Jongdae e segundos depois o corpo da garota convulsionou. Yixing podia sentir tudo que a menina sentia, toda a agonia e a sensação de aprisionamento. Era como estar no chão, em meio a uma floresta onde as copas das árvores não deixavam nenhuma luz passar. Era tudo úmido, escuro e conflituoso. Seulgi estava lá dentro arranhando as paredes de sua consciência, lutando para escapar e Yixing era o único capaz de ajudá-la.

Do lado dos observadores, os heróis estavam apreensivos, vendo o corpo desmaiado da garota se mover a cada segundo. Mas a preocupação que todos tinham só aumentou quando a garota começou a arranhar o colo, como se quisesse cavar até arranhar o próprio esterno. Ela, inconsciente, parecia sentia toda a dor. Uma seiva esverdeada saía de sua pele, como sangue, que quanto mais fundo suas garras acertavam, mais escuro ficava. O verde foi aos poucos se tornando preto, até uma pedrinha que unia as duas cores pular da pele da menina.

Seulgi se remexeu uma última vez e então Yixing estava de volta ao próprio corpo. Ele parecia atordoado, mexendo a cabeça para todos os lados, como se procurasse por algo. Jongdae tentava ajudá-lo a manter o equilíbrio, mas foi inútil quando o mais velho focalizou a garota suja com a seiva verde e prestes a colapsar nos braços do Oh. O chinês correu até ela e empurrou Sehun para trás com pressa; envolveu a meta-humana com sua energia verde e pôs as mãos acima do dorso dela.

“Está tudo bem com vocês, Xing?” Jongdae perguntou, receoso.

“Ela e Baekhyun... É a mesma coisa... Para a mesma coisa...” os rapazes se entreolharam, confusos. “Cadê a pedra?”, o chinês virou a cabeça e voltou a sua procura – sem deixar de curar Seulgi.

Sehun apanhou a pedra minúscula no chão e apertou os olhos, tentando entender o que tinha demais naquilo e por que aquilo saiu de dentro de sua colega de classe. “Qual é a dessa coisa?”, Jongin se aproximou para analisar o objeto. “O que essa pedra é?”

“Um sacrifício.” Yixing respondeu, olhos pesados e voz cortante. “Um sacrifício da terra, um dom e uma essência.” Os outros encararam o homem sem entender nada. “Eu não sei pra o que serve, mas essa menina e Baekhyun são sacrifícios.”

“Aquele Lu Han está metido com isso também? Ele machucou Baekhyun e Seulgi?” Jongin parecia incrédulo. “A gente tem que pegar aquele desgraçado!”

“A gente devia começar destruindo isso aqui.” Sehun disse, com a pedra ainda em mãos.

“Ops!” Um vento forte e repentino soprou entre os garotos e um rapaz de cabelos liláceos apareceu. Sehun quis se colocar em posição de defesa, mas não houve tempo para isso. O rapaz, aparentemente mais velho, tomou a pedra da mão do adolescente e deu um pulo para trás. “Que lento.”, ele riu debochado. “Obrigado a todos os envolvidos por garantir a entrega da pedrinha brilhante sem maiores problemas.” Ele fez uma reverência exagerada. “Tenho certeza que a Poison Ivy aí agradece também.” Apontou Seulgi com desprezo. “Tchauzinho, meninos.”

E o homem sumiu.

“Que porra foi essa?”, Jongdae perguntou, fazendo careta.

 

 


Notas Finais


Altas referências nesse capítulo *foge* Alguém aí lembra da Poison Ivy? Amo reaaal
Eu quase coloquei o nome do capítulo de "A Death in the family", mas como poucos leitores manjam de Batman, ninguém ia entender aksjkah Fora que seria uma metáfora pesada né.
Opa, estou divagando. Desculpe.

Deixem suas considerações, pois adoro lê-las. Lots of love pra vocês.

Me achem no:
twitter : byunmster
gatineo curioso: scherry
(e no coração de vocês, gatxs)

Kissus^^


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