História Nerve - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Palavras 2.525
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpe pela demora, Observadores.
Estou trabalhando em um novo projeto e, acreditem, eu passei essas duas semanas todas tentando escrever apenas o primeiro capítulo.
Mas aqui está, espero que gostem <3

Capítulo 19 - Gato de Schrödinger


Grito, jogo a arma longe e me abaixo com a mão na cabeça. Meu coração bate tão forte que parece estar tentando fugir de dentro de mim. Quando recupero a audição ouço uma música fanhosa que teria sido perfeita para uma quadrilha.

Por mais que eu deteste essa pistola, tateio o chão procurando por ela. Tenho que me proteger dos outros revólveres que, tenho certeza, ainda estão apontados para mim, mesmo na escuridão.

— Shawn? — A voz de Nick gritando me acalma por um segundo. — Você está bem?

Levanto a cabeça. Não sei mais onde estou. Posso estar no meio da sala, ou ao lado do vira-lata do Martin. Detesto a escuridão.

— Sim.

Encontro a arma e suspiro aliviado. Com a luz de strobo piscando, posso ver os olhos claro de Bella do outro lado da sala. A vaca ainda está com o meu homem.

— Não querem saber de nós? — pergunta Martin, forçando um choramingo.

O riso que solto é irônico.

— Aposto que vocês estão bem, considerando que não atirei.

Ele resmunga de volta:

— Mas é claro que o príncipe não atirou. Ou foi o falso do seu namoradinho que atirou em nós.

Nick se estressa.

— Não, algumas pessoas conseguem controlar o dedo em cima do gatilho.

Zayn ri baixo.

— Não foi isso que sua pistola disse.

Bella fala alto, e tenho a impressão de que é a primeira vez em horas.

— Foram cinco tiros. Os primeiros vieram do meu lado, o resto veio do outro lado da sala. Só podem ter sido vocês.

A voz de Nick soa irritada.

— Minha arma está fria. Querem vir aqui dar uma olhada?

É claro que Zayn não perde por esperar. Levanta e caminha até Nick, pegando no cano da pistola. Ele não tem medo de levar um tiro?

— Era de se esperar. Ele tem um cano frio para combinar com o coração frio.

Ele já está me deixando com raiva. Com a pistola apontada para ele, digo:

— O que é, porra? Por que um coração frio? Por acaso, além de serem parceiros em uma edição anterior, vocês também eram amantes? Porque se for isso, é bom que me contem logo.

Não acredito no que estou fazendo

Nick continua com a voz irritada.

— Claro que não. Nunca me interessei por esse maluco. Ele que tinha uma queda por mim, e desistiu de jogar porque “seu amor não era correspondido”.

Sinto um sorriso se formar dentro de mim.

— Será?

Zayn revira os olhos.

— Se for atirar, atira logo.

Continuo com a arma apontada para ele. Claro que não vou atirar, mas isso me passa uma postura de ameaça.

Gigi pigarreia, me assustando. Por um segundo, eu não atiro. Como vou querer ter uma postura de ameaça se sou tão assustado quanto um ratinho? Então, ela diz:

— O NERVE disparou os tiros. Eles devem ter espalhado o cheiro de pólvora no ar pela ventilação enquanto produzia o barulho dos tiros pelos alto-falantes. Queriam que a gente se assustasse e atirasse. Não está na cara? Estamos na final.

Abaixo a arma e passo a mão na cabeça. Todo mundo fica em silêncio por um momento. Até que ela está sugerindo uma boa possibilidade.

Nick comenta:

— A luz de strobo piscando no escuro ajudou a disfarçar, para ninguém saber quem atirou.

Charli choraminga e diz:

— Acendam as luzes, seus idiotas. A plateia não pode ver a gente no escuro.

Não imaginei que ela fosse do tipo chorona. Mas também não pensei que fosse capaz de apontar uma arma para alguém.

— Estou sentindo cheiro de urina — diz Nick.

Isso é cheiro de amônia misturado ao de pólvora e pipoca? Ou alguém realmente se mijou nas calças? Eca.

O NERVE deve estar usando a iluminação para fazer alguma pegadinha, porque, apesar de não ver nenhuma luminosidade no teto, começo a enxergar o contorno dos meus braços. Sento para me afastar do tapete nojento, mas também aproveito para dar uma olhada nas formas que emergem na penumbra: as poltronas namoradeiras, as cabeças se movendo, virando para mim. A mesa continua invisível, mas consigo enxergar os cabos grossos que a prendem ao teto.

TUDO BEM. SEM DESCULPAS.

APONTEM NOVAMENTE A ARMA.

E, PARA NÃO HAVER DÚVIDA, VOCÊS TÊM

QUE MANTER O REVÓLVER APONTADO PELOS

PRÓXIMOS VINTE MINUTOS DE JOGO.

Lembro-me da final do grande prêmio que assisti no mês retrasado, aquela em que o pessoal ficou parado na beirada de um telhado. Eu tinha certeza de que havia uma rede de proteção lá embaixo. Enquanto os jogadores tremiam, o NERVE exibia destaques dos próximos desafios. É o que devem estar fazendo agora. Tudo para garantir a diversão sádica.

Minhas pupilas dilatam quando vejo Nick levantar lentamente, com as mãos para cima, segurando a pistola com o dedo indicador. Ele caminha lentamente na minha direção. Todo mundo acompanha seus passos. Quando chega, ele me abraça forte.

— Vai ficar tudo bem.

Vejo os contornos de Zayn se levantando atrás do assento da poltrona, a arma apontada para mim. Ele cochicha alguma coisa para Gigi, que aponta a arma para Nick. Charli e Martin apontam as armas para mim, ou para a poltrona na minha frente, dá na mesma. Bella também. Nick aponta seu revólver para Zayn.

Suspiro e sinto o peso da minha arma. Ela continua engatilhada. Como não disparou quando eu derrubei ela? Essa arma é mesmo de verdade? Bem, não quero descobrir. Mas será que eu desengatilho? Não, preciso me proteger. E tenho certeza de que ninguém mais desengatilhou a arma, embora o NERVE não tenha falado nada sobre mantê-las engatilhadas. Mas não tenho opção, né? Ajoelho no chão e aponto para Martin por cima do encosto da poltrona.

Esperamos. Mais uma vez, a iluminação é reduzida e o volume da música diminui, tornando notáveis até os sons mais baixos: a vibração da eletricidade, um cano no andar de cima, respirações rápidas, meu coração batendo forte. Soluço, incapaz de controlar a respiração ou os sons que produzo. Alguém do outro lado da mesa dá risada. Martin.

Nick se aproxima de mim, coloca a mão nas minhas costas e cochicha:

— Abaixe a cabeça. Respire devagar, profundamente.

Faço o que ele diz, segurando a arma e mantendo a pontaria. Não me importo com a porcaria do desafio, mas, se Martin começar a atirar, vou ter que reagir. Respiro fundo. Depois de um minuto, acho que consegui me controlar. Tento me imaginar em outro lugar.

De repente, lembro-me de uma aula que o professor de ciências deu sobre física quântica. Alguma coisa sobre um gato. O Gato de Schrödinger. Era uma história sobre como eventos permanecem no reino da probabilidade até realmente acontecerem ou até alguém testemunhar seu acontecimento. Esse cientista chamado Schrödinger disse que, se seu gato estivesse em uma caixa, ninguém poderia saber ao certo se ele estava vivo ou morto até abrir a caixa para descobrir. Mas agora me pergunto se os Observadores só saberão do nosso destino se alguém abrir esta caixa do mal.

Sendo assim, eu posso estar vivo ou morto. Eu estava tentando me convencer de que estava vivo, quando a luz fraca aparece novamente e vejo que do outro lado da sala quatro armas continuam apontadas para mim. O que eu fiz para merecer isso? Eu sou um garoto tão comportado.

Consigo imaginar Camila aparecendo atrás de mim e colocando a mão sobre meu ombro, dizendo que eu vou conseguir. Não sei se isso é uma alucinação, ou se é apenas minha consciência tentando acalmar minha sanidade. De repente, começo a imaginar Nick e Zayn levantando. Nick deita Zayn na mesa de vidro suspensa e começa a beijá-lo loucamente, da mesma maneira que fez comigo no desafio dos Sete Minutos no Paraíso.

Balanço a cabeça. Que merda, agora estão espalhando marijuana pela ventilação?

— Shawn, você está bem? — pergunta Nick de volta ao meu lado.

— Não.

Sinto meus olhos arderem e marejarem, mas me obrigo a não chorar. Enxugo os olhos. Estou com tanto sono.

Uma onda de dor se espalha pelo meu braço direito. Deve ser o esforço de segurar a arma por tanto tempo. Não sei por quantos minutos ainda consigo sustentar o peso do revólver escorregadio. Quanto tempo ainda temos, uns quinze minutos? E se estou ficando cansado, os outros não estão? Se ligarem a strobo de novo, ou se outro estrondo assustar alguém, um de nós pode apertar o gatilho. Quanto mais ficamos cansados, mais fácil é cometer um engano.

A sala fica completamente escura.

Cochicho para Nick.

— Temos que acabar com isso o mais depressa possível, antes que o braço dolorido de alguém se contorça com uma cãibra.

Nick cochicha de volta:

— Estou pensando em um plano.

— Que plano? Se jogar no chão e torcer pelo melhor? — Não quero parecer bruto, mas estou muito nervoso.

Ele resmunga.

— Imagino que não tenha janela no banheiro, certo?

Isso é o melhor que ele pode pensar?

— É claro que não. Não tem janela em lugar nenhum desta balada pervertida.

Talvez a gente consiga abrir uma das portas de algum jeito. Quantas aberturas vimos até agora? Nove? Aperto os olhos tentando enxergar alguma coisa no escuro. O NERVE deve usar câmeras de visão noturna para transmitir as cenas em close. Aposto que os Observadores mais doentes gostariam de estar aqui na sala sentindo o cheiro do nosso medo. Imagino alguns torcendo por sangue, como em uma arena romana, com o imperador apreciando o massacre, sentado em seu trono dourado...

Merda, espera. Só pode ser isso.

Alguém na plateia deve ter requisitado os melhores lugares. Alguém sempre os solicita. A parede à nossa esquerda tem telas diferentes das outras. E essa parede só tem uma porta comum no canto, diferente das outras, nas quais há vários tipos de aberturas escondidas. Quando Nick e eu estávamos chegando no começo da rodada do grande prêmio, passamos por aquelas cadeiras enfileiradas no corredor. A primeira fila.

De repente, tenho certeza de que a cortina de seda no corredor externo é mais que um objeto decorativo. É a cortina que agora está aberta para exibir este espetáculo doentio. E a parede brilhante ao lado da porta não é uma parede, é uma vitrine espelhada. Os Observadores estão a poucos metros. Esse é a grande charada. Se eu estiver errado, prometo que dou um tiro na minha própria cabeça.

Devo contar para Nick? Claro que sim!

Protegendo a boca com a mão, sussurro minhas desconfianças para Nick e torço para ele estar do meu lado.

— Isso é loucura — ele responde, mas pelo tom da sua voz, deve saber que estou certo. — E mesmo que seja verdade, o que podemos fazer? — Pelo menos ele está sussurrando, em vez de divulgar minhas ideias.

— Vamos atirar no espelho e ver no que dá — decido.

Ele solta uma risada abafada.

— Quais são as chances de o espelho ser à prova de bala e ricochetear em alguém aqui dentro?

Reviro os olhos. Contanto que nós dois não se machuquem, estou pouco me lixando para os outros jogadores.

— E se a gente bater no espelho com uma cadeira?

— Elas são pesadas e não têm rodas. Duvido que a gente consiga dar impulso suficiente para quebrar o vidro.

Não temos mais nada na sala para jogar, exceto garrafas de cerveja e embalagens de pipoca. A menos que eu considere os outros jogadores, e eu não me importaria de jogar alguns pelo espelho. Se a gente conseguisse pegar a mesa de vidro…

Paro de respirar por um instante.

Não precisamos pegá-la. Presa pelos cabos, ela é como um pêndulo. E como não há poltronas nas pontas, não tem nada para bloquear o movimento. Cochicho para Nick. No início, ele resiste, mas qual é a alternativa? Discutimos rapidamente como pôr o plano em prática sem levar tiros dos outros. Assim que pensamos em alguma coisa que não parece impossível, desengatilho meu revólver, porém permaneço apontando para Martin. Não quero atirar acidentalmente nele para depois ser preso depois de fugir. Isso se conseguirmos fugir. Nick faz o mesmo.

— Pronto? — ele pergunta.

Não temos tempo para perguntas bobas. A qualquer momento, NERVE pode aumentar a música ou ligar os esguichos contra incêndio, o que pode assustar os jogadores e fazer eles atirarem.

Fico em pé ao lado de Nick e decido:

— É hora de agitar essa balada.

Ele olha para mim e sorri. Cochicho para ele:

— Me proteja, por favor. Aconteça o que acontecer.

— Nós vamos conseguir, Shawn. — Ele me beija na boca, me transmitindo um sentimento eletrizante.

Respiro fundo.

— Tudo bem, ação! — aviso, como se eu fosse meu próprio diretor. Quem sabe, eu não sou escalado para um filme da Hollywood?

Nós nos movemos para a direita. Nick começa a rir baixo, depois mais alto, o que me causa um arrepio, embora eu esperasse por isso. Ninguém atira. Até aqui, tudo bem.

— Qual é a graça, palhaço? — pergunta Martin.

— Nós — responde Nick. — Não tem nada que a gente possa fazer. Então, por que não damos à plateia o espetáculo que ela quer ver? Se formos muito bons, quem sabe não oferecem mais prêmios para todo mundo? — Ele passa por mim.

Agarro sua jaqueta com uma das mãos e continuo apontando o revólver para Martin com a outra até a gente contornar as cadeiras e bater na mesa. Nick afaga minha mão antes de soltá-la, movendo-se para o lado da mesa mais próximo dos nossos inimigos, enquanto fico do lado de cá e levanto a mão até encontrar o cabo que suspende a mesa de vidro. Espero que Nick esteja fazendo a mesma coisa do outro lado. Se ele vai me trair, não vai demorar.

— Alguém quer balançar? — pergunta Nick, empurrando a mesa.

Martin berra.

— Temos que apontar uns para os outros, idiota.

Ranjo os dentes tentando parecer animado, mas a voz trêmula.

— Tem gente que consegue brincar e apontar ao mesmo tempo.

A mesa balança de um lado para o outro. Seguro o revólver perto do peito, mas ainda apontado para Martin.

Nick ri de novo.

— Alguém quer brincar um pouco antes de Shawn e eu subirmos nesta coisa?

A voz de Bella me dá nojo.

— Os cabos podem não aguentar o peso.

— Está me chamando de gordo? — pergunto, forçando uma voz furiosa.

Nick e eu empurramos a mesa com mais força. Os cabos rangem.

— Última chamada — Nick avisa. — Vai, Martin, dá um pulinho aqui. — Enquanto ele fala, a mesa bate na parede. Ninguém percebe, felizmente.

— Sai fora — ele responde.

O NERVE vai interferir e nos fazer parar? Ou saber o propósito de estarmos fazendo aquilo ia aumentar os índices de aprovação entre os Observadores e satisfazer os patrocinadores do jogo?

— Na próxima — sussurra Nick.

É isso. Se meu plano falhar, não sobra mais nada.

Quando a mesa volta para nós, respiro fundo, me preparo e puxo o cabo com toda força que tenho. Nick também vai dar esse último impulso ou vai puxar o cabo para trás e interromper o movimento, revelando sua infiel lealdade?

Mas a mesa voa. Com os cabos rangendo, ela bate na parede que torço para ser mesmo um espelho.

Um estrondo ensurdecedor explode dentro da sala. E depois ouço o som mais gostoso da noite: os gritos da plateia do outro lado do espelho.

Carpe diem.

Bem-vindos ao nosso show, filhos da puta.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, meus queridos Observadores.
Não esqueça de deixar seu comentário.
Beijos.


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