História Neuroplasticidade - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Medicina
Visualizações 3
Palavras 942
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Avisos aos leitores:
• Todos os capítulos dessa história pertencem a um mesmo contexto e universo, mas eles não seguem necessariamente uma ordem cronológica.
• Não está definida a quantidade de capítulos que ela terá, ou a periodicidade das postagens.
• Todos os personagens, bem como a própria cidade e país que serão apresentados eventualmente, foram idealizados por mim.

A todos que decidirem acompanhar, desejo-lhes uma boa leitura. :)

Capítulo 1 - Quadro de avisos


Era perfeito. Tudo se sustentava e se complementava de uma maneira tão bem arquitetada que chegava a causar a vontade de chamar de magia.

Um desenvolvimento minuciosamente regulado de algo grande e vivo que se iniciava de uma única e pequenina célula. As associações de fibras protéicas que conferiam uma adesão de uma unidade morfofuncional de um corpo humano em outra.

Cada órgão.

Cada hormônio.

Cada processo fisiológico.

Ler um livro que falava sobre o funcionamento da maquina perfeita que era o corpo humano era quase como ler poesia para Olivia.

Apoiada com ambos os cotovelos na escrivaninha gasta e manchada, ela passava os olhos pelas intermináveis explicações complexas repleto de nomes quase impossíveis de se decorar, mas reconhecendo a beleza da função de cada uma das estruturas.

Isso até sua atenção ser brutalmente roubada de seus estudos pela milésima vez naquela noite.

“Tine, eu já pedi pra você diminuir o volume das suas musicas umas cinco vezes!” Lançou mais uma reclamação à uma de suas colegas de quarto, que estava deitada na cama folheando um livro de embriologia humana. “Eu preciso terminar de revisar este capitulo para a aula de amanhã!”

Valentine fez uma careta insatisfeita, mais uma vez, porém não reclamou verbalmente, apenas tornou a abaixar o volume. Cada vez que se iniciava uma nova música de sua playlist, ela se entusiasmava e inconscientemente aumentava o volume uma vez mais. Infelizmente para a jovem de cabelos negros com duas mechas vermelhas como sangue, o som de metal pesado não combinava com a leitura complexa de histologia que Olivia tentava realizar.

Após um breve suspiro, a jovem que tentava estudar apenas agradeceu baixinho, voltando-se novamente para o livro aberto sobre a mesa. Antes que pudesse sequer encontrar o parágrafo em que largara sua prévia leitura, sua outra colega de quarto, Alicia, abrira a porta de entrada.

“Cheguei com o nosso jantar!” anunciou a loira, com um sorriso largo e empolgado como sempre. “A cozinha está cheia novamente, vamos ter que comer aqui”

Olivia largou a caneta marca texto que segurava e levantou-se, indo até o armário velho para pegar uma grande toalha de mesa que guardava no canto de uma prateleira velha. Valentine encarregou-se de tirar todos os sapatos do pedaço de chão que ficava exatamente no meio do quarto, entre todas as camas. Assim que a área estava livre, Olivia estendeu a toalha na mesma, como se estivesse montando um pique-nique.

“Será que até nos formarmos conseguiremos comer em uma mesa, que nem gente?”

Valentine suspirou, lamentando a situação, e Alicia soltou um risinho.

“Ora essa meninas, não é tão ruim assim! Pelo menos sempre comemos assim, juntas!”

“Se você diz… O que iremos comer hoje, afinal?” perguntou enquanto fungava os arredores de sua cabeça, tentando identificar o cheiro que saía da pequena sacola de plástico que a outra havia trazido.

“O cardápio de hoje era arroz, carne com abóbora e salada”

“… Ou seja, o mesmo de sempre” deu de ombros. “Suponho que não posso esperar comer filé pagando o preço de, bem… Isto” apontou para a pilha de pequenas marmitas que a loira retirava da sacola.

Alicia continuou sorrindo, porém agora encarava a amiga com certo cansaço ao redor de seus olhos azuis.

“Não posso negar que não seria minha primeira opção caso tivéssemos outras, mas é perigoso sairmos até muito longe à noite neste bairro. E não podemos viver de fast-food e pizza para sempre”

“Eu bem que gostaria” disse Olivia com um tom sonhador, e Valentine apenas acenou positivamente com a cabeça, concordando com o desejo.

As três jovens dividiam um quarto do que era a residência estudantil, a qual fizera a propaganda mais enganosa já vista por qualquer uma delas na vida. O lugar era velho, com as paredes manchadas e tudo fedia a mofo. Ninguém ousava ir a qualquer lugar descalço, e o barulho durante a noite de carros e bêbados passando pelas ruas próximas viviam incomodando seu sono.

O preço e as fotos do anúncio na internet, porém, eram tão convidativos que elas haviam reservado aquele quarto por seis meses, pagando tudo adiantado, o que no fim deu uma quantia considerável para cada uma.

Considerável o suficiente para impedi-las de poder alugar outro lugar por algum tempo, já que qualquer apartamento que visitavam, era sempre um pré requisito pelo menos quatro a seis meses de aluguel adiantados para poder entrar. E elas não tinham no momento. Restava aceitar e se adaptar à situação, então.

Olivia após terminar de comer juntou sua escova e pasta de dentes e saiu do quarto, atravessando o longo corredor de portas em que outras pessoas também compartilhavam um comodo, e chegou até o banheiro que toda essa gente compartilhava.

“Quatro meses vivendo nesse buraco…”

O espelho sujo e trincado do banheiro refletia bem o descontentamento estampado na cara da moça, que só queria viver em um lugar em que não precisasse sentir nojo até das paredes.

Terminando de escovar os dentes, ela iniciou seu pequeno percurso para voltar ao quarto, mas algo a fez querer passar rapidamente em frente ao quadro de avisos perto da recepção. Algo que ela já fazia todos os dias, mas sentiu a necessidade de fazer isso uma segunda vez. Sem questionar esse algo, ela prontamente se dirigiu até lá.

O quadro de avisos tinha de tudo um pouco. Serviços de passeadores de cachorro, encanadores, aulas particulares, e até mesmo algumas outras ofertas bem indecentes.

Naquela noite Olivia encontrara um aviso novo, que não estava lá quando ela havia consultado o quadro mais cedo.

“Dois quartos vagos em apartamento de cinco quartos e três banheiros. Entrada imediata sem necessidade de comissão e aluguéis adiantados.”


Notas Finais


Neuroplasticidade
Capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se a nível estrutural e funcional ao longo do desenvolvimento neuronal e quando sujeito a novas experiências. Esta característica única faz com que os circuitos neuronais sejam maleáveis e está na base da formação de memórias e da aprendizagem bem como na adaptação a lesões e eventos traumáticos ao longo da vida adulta. (Wikipedia)


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