História Neurótica - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Hermione Granger
Tags Dramione
Visualizações 101
Palavras 2.088
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo 3


– Você matou Ronald Weasley?

– Não acredita mesmo nisso, não é?

Draco suspirou suprimindo a vontade de olhar pela janela, pois Granger era extremamente irritante e ele sabia perfeitamente que trabalhar com ela seria exatamente desse jeito, mas mesmo assim aceitara por que sua maldita consciência era um pouco mais sensível do que ele próprio e raras eram as vezes em que se manifestava. Além disso, viver em um mundo onde Hermione Granger não estaria ali para lhe contestar no tribunal era extremamente entediante.

– Granger, somos adultos o suficiente para fazermos disso um encontro profissional... Certo?

Ela suspirou e encarou o chão, parecendo perder-se em pensamentos por alguns minutos, os quais ele foi obrigado a esperar. O bem e a sanidade mental de seu cliente sempre vinham em primeiro lugar e Granger não parecia ter nenhum dos dois.

– Não, acho que não matei Ronald.

Levantando uma sobrancelha, balançou a cabeça, consciente de que aquela era a única resposta que obteria de Granger. Com a varinha em mãos, conjurou os documentos iniciais sobre o inquérito de Granger, conseguidos com exclusividade e antecedência por Potter. Nem mesmo o garoto de ouro do Ministério fugia à corrupção.

– Após a causa da morte de Weasley ser oficialmente divulgada ontem, Lilá Brown foi ao Ministério e deu um depoimento acusando-a formalmente de ter assassinado seu marido. – Ela tinha as pernas encolhidas contra o corpo e os cotovelos sobre os joelhos e encarava com determinação os lençóis de linho branco, mas supondo que tinha sua atenção, Draco continuou. – Neste depoimento ela diz, abre aspas: “Ron me disse naquela tarde que iria pedir o divórcio e que talvez não fosse fácil por que Granger não era mais a mesma, mas ainda assim o faria... Por nós.” Agora, você sabia que Weasley tinha um caso com Brown?

Granger passou as mãos pelos cabelos molhados, fechando os olhos e suspirando por um momento. Ele precisou engolir em seco ao acompanhar uma gota d’água descer por seu pescoço e perder-se indecentemente no vale entre os seios dela. Você tem que ser profissional aqui, Malfoy amaldiçoou-se se obrigando a desviar os olhos para qualquer coisa que fosse menos excitante que isso, o que era realmente difícil quando não havia nada de atrativo naquele quarto além dela.

– Ron e eu estávamos em crise há quase três anos. – Ela começou, resignada. - Não sentia mais nada quando estava com ele. Eu... Era uma pedra de gelo, mal nos falávamos, não transávamos há quase um ano.

– Então Weasley procurou em Brown o que não tinha em casa. – Terminou Draco querendo fazê-la voltar para o objetivo inicial daquela conversa. Precisava saber sobre tudo, exatamente tudo, sobre o casamento deles para fazer uma defesa impecável e Granger precisava colaborar desabafando sobre isso. Embora fosse difícil, ela precisava fazê-lo e ele precisava ouvi-la por que era parte do trabalho, apesar de sua curiosidade latente. – Previsível.

– Eu sabia que ele faria isso. Eu sempre soube que em algum momento do nosso casamento Ronald não conseguiria manter as calças fechadas. – Ele surpreendeu-se com o desprezo com que Granger se referia ao marido, não havia emoção em suas palavras, seu tom era morto e deprimente, mas não parecia o de uma esposa em luto. Não era nada do que Malfoy esperava e isso o assustava por que achou que lidar com aquela mulher fosse previsível, mas começava a perceber que não o era e isso o estava tirando de sua zona de conforto. – Mas nunca imaginei, Malfoy, que a culpa disso seria minha. Eu o rejeitei, eu o mantive longe, passei a me dedicar apenas ao meu trabalho... Eu acabei com o meu casamento.

Draco abriu a janela e sentou-se no parapeito, aquela história ainda iria longe. Com um movimento de varinha, silenciou o quarto para que ninguém do outro lado ouvisse o depoimento particular de Granger. Aquele era um momento apenas entre advogado e cliente e, independentemente do que ela dissesse ali, no dia seguinte teria de estar preparada para lidar com uma sociedade inteira de bruxos culpando-a pela morte do marido.

Essa era sua função: colocá-la mentalmente nos eixos. Sem isso, Granger sucumbiria a apenas uma audiência, pois apesar dos inúmeros anos de experiência aquilo era pessoal, aquilo a atingiria de forma particular e, como um parasita, alcançaria todas as pessoas que ela estimava. Por que não apenas o QG iria condená-la como também a Promotoria – representada por Parvati Patil, possível substituta oficial de Granger, caso acusada – e toda a sociedade bruxa – manipulada pelo Profeta Diário e qualquer jornalista mais imparcial que Colin Creevey. E era a função de Draco prepará-la para tudo isso, pois agora ela estava experimentando o outro lado da moeda, o lado em que a opinião pública estava contra.

– Quais foram seus motivos? – Hermione alcançou sua varinha conjurando uma garrafa de uísque caro e dois copos. Observou-a levantar-se da cama vagarosamente, completando ambos com uma dose e oferecendo um a ele. Embora não bebesse enquanto estivesse em serviço, ele aceitou por educação e a viu voltar para a cama e acomodar-se de forma confortável novamente.

– Para não deixá-lo se aproximar? – Meneou a cabeça afirmativamente e Granger soltou um riso irônico, olhando o líquido âmbar dentro do copo. – Os mais fúteis possíveis. Faltava toque, tesão, emoção... Eu não o amava mais.

– E por que não pediu o divórcio nessa época? – Ela respirou fundo e continuou, como se não tivesse o escutado, depois de beber todo o conteúdo de seu copo em um só gole e alcançar a garrafa para tornar a enchê-lo.

– Eu descobri sozinha que Ronald tinha um caso. Ele nunca foi muito bom em me esconder as coisas e um caso... Ele ficava nervoso, balbuciava desculpas esfarrapadas para sair de casa, corava loucamente... – Granger riu amargamente, parecendo sentir um prazer absurdo ao lembrar-se de tais cenas, e ele apenas franziu o cenho. Aquela, com certeza, não era a Hermione Granger com a qual estava acostumado e teria de descobrir se era fruto apenas resultado do estado de choque pela morte do marido ou se tratava-se da real, a qual poucas pessoas realmente sabiam como agia. – Eu o segui até a casa dela e os observei sob a capa de invisibilidade do Harry.

– O quê? – Até aquele momento, Malfoy ainda não havia expressado uma emoção sequer em suas perguntas, tudo fora estritamente profissional, mas saber que Granger havia observado seu marido transar com a amante era demais até para ele.

– E sabe o que eu descobri? - Ela revirou os olhos, ignorando sua reação. – Aquele era exatamente o mesmo modo como ele me tocava. Então... Não sei se sou mesmo frígida ou Lilá é uma vadia que finge orgasmos. Mas o mais incrível e o que o mais me abalou é que não senti nada além de nojo daquela cena. Nojo dos gemidos, do suor alheio se misturando, as expressões de prazer... Eu não senti raiva, não me senti traída, não quis gritar para que eles parassem, não senti nada disso.

– E isso a assustou ainda mais. – Ele concluiu ao vê-la sentar-se no chão, logo a sua frente e esticar as pernas pelo chão frio suspirando satisfeita. Ainda não havia reparado, mas pequenas gotas de suor escorriam pela testa dela, apesar de ter saído do banho há poucos minutos. Granger meneou a cabeça e o encarou, parecendo pensar.

– Quando Ronald chegou naquela noite, eu apenas avisei que ele nunca mais tocaria em mim e ele apenas disse “muito obrigada”. – Ela sorriu irônica, terminando seu copo de uísque e descartando-o para começar a beber direto da garrafa. Para Draco não havia cena mais excitante: Hermione Granger de roupão, o rosto limpo de qualquer resquício de maquiagem, cabelos molhados, bebendo uísque na garrafa. – Eu o livrei da culpa. Apesar de tudo, eu via a culpa nos olhos dele quando chegava em casa depois de um encontro com ela e... Eu o livrei disso. De qualquer maneira, qualquer um poderia perceber que Ronald tinha o emocional de uma colher de chá, então logo havia esquecido sobre isso e voltado a ser o idiota de sempre.

Pela primeira vez na noite, Draco voltou-se para seu próprio uísque e deu um grande gole, obrigando-se a concentrar-se novamente no trabalho. Quem poderia imaginar que Hermione Granger, a impiedosa promotora da Suprema Corte, o prodígio do Ministério da Magia, fosse tão ressentida? Todos imaginavam que Granger tinha o emprego perfeito, o marido perfeito, a casa dos sonhos. E o mais incrível é que ela mesma era a responsável por isso, Granger alimentava tais boatos saindo de propósito em jornais e revistas falando sobre como sua vida era boa e invejada.

Ouvindo-a contar sobre seu casamento e sua vida pessoal, entendia seu modo de agir. O próprio Malfoy havia agido dessa maneira em algum momento de sua vida. Fingia a todos que sua vida era legal e divertida, fazia com que todos tivessem vontade de ser ele por um dia, espalhava aos quatro cantos sobre como era bom ser um Malfoy e quais eram as vantagens disso. Porém, tudo acabou quando percebeu que o castelo de areia que havia meticulosamente montado durante metade de sua existência desmoronara. Por trás das cortinas do belo teatro que havia ensaiado sua vida era um desastre.

– Como a relação de vocês se deu depois disso?

– Fingíamos. – Ela respondeu tão simplesmente e tão inexpressivamente que o perturbou. – Fingíamos em todos os lugares. Sorríamos apaixonados nos eventos, em frente a jornalistas, no Ministério, nos almoços de domingo da família Weasley... Em todos os lugares em que éramos obrigados a aparecer juntos. Mas quando chegávamos em casa, não conversávamos, não nos olhávamos, não nos suportávamos.

– E por que ainda durou tanto tempo?

– Uma promotora divorciada não é bem vista na sociedade.

Granger deu de ombros e encarou o teto, parecendo perdida em pensamentos. Seus olhos já não se encontravam tão firmes, seu estava corado pelo álcool e Draco novamente precisou desviar os olhos para focar novamente no trabalho, nunca havia pegado um caso que o perturbasse tanto. Podia esperar aquele tipo de vida e resposta de qualquer um da alta sociedade, mas não da Srta. Certinha idolatrada por todos.

Sinceramente, achou que defendê-la seria fácil, o faria tão rápida e perfeitamente que aqueles aurores nem veriam por onde haviam sido atingidos. Porém, Hermione Granger não era a mulher rasa, previsível e talvez vazia que imaginara. Muito pelo contrário, Granger era profunda e extremamente difícil de ler e desvendar, pois uma coisa era tê-lo feito tantas vezes no trabalho - onde podia prever quase que com exatidão cada próximo passo que ela daria - e outra coisa completamente diferente era ouvi-la atentamente falando sobre si e ainda não chegar a nenhuma conclusão plausível sobre como ela realmente era.

Draco se considerava um bom ouvinte, um bom julgador de caráter e personalidade, um bom profissional, mas com Granger não estava conseguindo fazer um terço do que normalmente faria em um caso normal. Portanto, levantou-se, terminando o uísque com apenas um gole, pois tinha de admitir que fosse caro e de bom gosto, e guardando a cópia do depoimento de Lilá Brown em sua pasta.

– Granger, você provavelmente será intimidada para depor à tarde, quando todos já estiverem sabendo e o Profeta Diário tiver designado um repórter para cobrir o caso. Sim, eles irão ser baixos a este ponto. – Passou a pasta executiva ao redor dos ombros. – Iremos repassar o seu depoimento de manhã.

– Malfoy? – Ele voltou-se para a figura vulnerável quando já estava à porta, pronto para fugir covardemente dali. – Não quero ficar aqui.

– Diga ao Potter.

– Eu já disse. – A observou se levantar, com dificuldade devido ao fato de suas faculdades motoras estarem alteradas pelo álcool, mas não moveu um músculo para ajudar. – Odeio esse quarto; e essa cama; e esses móveis velhos e melancólicos. Quero ir para a minha casa.

– E por que Potter ainda não providenciou isso? – Perguntou ele, confuso.

– Na condição de meu advogado e responsável pelo meu bem estar, diga a ele que preciso ir para casa. – Ela suspirou cansada e sentou-se aos pés da cama. - Não aguento mais receber condolências de ninguém.

Granger parecia realmente tão cansada que quase considerou Potter um tirano por ainda não ter feito sua única vontade. Sim, única, pois Draco duvidava que, no estado em que encontrava, ela tivesse pedido algo mais.

– Considere feito.

Então, foi embora o mais rápido possível apenas parando para informar a Potter que conversariam no dia seguinte, pois tinha muito que fazer. O que era uma completa mentira, já que apenas não tinha mais paciência para encarar Potter e seus ilustres visitantes ruivos.

 


Notas Finais


OEEEE!!
Mais um capítulo pra vocês de Neurótica, espero que tenham gostado!
Deixem seus comentários pra eu saber ou não, é sempre bom!
:D


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