História Nevasca - Capítulo 4


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Categorias Divergente
Personagens Andrew Prior, Beatrice "Tris" Prior, Christina, Jeanine Matthews, Marcus Eaton, Natalie Prior, Personagens Originais, Peter, Tobias "Quatro" Eaton
Tags Fourtris, Nevasca
Visualizações 23
Palavras 1.047
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Velório


Pov. Beatrice (Tris)

 

Lá está a pobre defunta. Deitada em seu caixão, com um véu branco sobre seu rosto sem vida.

Quem diria que ela partiria antes de mim?

Algumas famílias estão presentes no enterro. Temos a família Willians, Warley, Eaton, e entre outras.

Só eu conhecia Pearl. Na verdade era mais uma amizade. Ela era uma das senhoras das quais eu visitava no asilo.

Pessoas choram, outras ficam em silêncio, ou melhor, sofrem em silêncio.

Apesar de estarmos a céu aberto e a neve não parar de cair, há uma certa beleza nesse enterro. É como se fosse a verdadeira despedida. Me refiro à morte instantânea da pobre infeliz.

Ela bateu o carro em uma árvore. A morte foi rápida e dolorosa com ela.

Agora, é como se fosse uma oportunidade real de se dizer um “oi” para a morte. Acho isso lindo. E na verdade, quero que meu enterro seja assim.

Me agacho e pego um pouco de neve com as mãos. Abro caminhos pelas pessoas chorosas e deposito essa neve no caixão dela. É como se a qualquer momento ela fosse acordar. Mas é claro, nós sabemos que Pearl não irá fazer isso.

 

 

Pov. Tobias (Quatro)

 

 

Aquele ambiente estava se tornando deprimente. Aquela tal de Pearl, no caixão aberto, exposta para a neve que cai do céu. Isso é horrível.

Desvio minha atenção para as pessoas.

Minha mãe conversa com Marcus algo em sussurros. Jeanine se aproxima do caixão e pousa uma flor sobre as mãos velhas e desgastadas da falecida. Christina segura o ombro de Melissa para que ela não faça nenhuma traquinagem.

Então, eu a vejo.

A mesma garota da janela.

Ela está parada em frente ao caixão, segurando a mão da idosa. Não há nenhuma lágrima em seus olhos.

Me aproximo dela e toco levemente seu ombro.

- Olá. – Minha voz soa travada.

Seu rosto se vira. Agora vejo claramente que não é uma ilusão. Uma garota de cabelos escuros e olhos também. Traços delicados e braços pequenos, cruzados junto ao seu peito.

- Oi. – Um olhar vago me é oferecido.

- Você conhecia ela? –Aponto para a idosa.

Ela assente.

- Uma das minhas amigas...

- Sinto muito.

Algo inesperado acontece. Ela sorri.

Franzo a testa.

- Acho que te conheço. – Ela diz. – Quatro?

Ótimo, ela realmente se importa com meu livro. Ao que tudo indica, mais uma fã.

- Sim. – Respiro fundo. – Mas pode me chamar de Tobias.

- É uma honra te conhecer. – Ela diz transbordando admiração.

- É...

- Eu adoro seu livro. – Uma pausa. – Aliás, quando irá voltar a escrever?

Estou em um bloqueio criativo.

- Bem... eu estou trabalhando nisso. – Coço a nuca.

- Hum...

Ouço um miado próximo de nós. Logo depois, um gato preto aparece e se aproxima do caixão.

- Sininho! – A garota diz empolgada. – A quanto tempo!

O gato se aproxima dela e se esfrega em suas pernas.

Minhas pernas ficam bambas, meu ar fica escasso. Tenho alergia a gatos.

Me afasto delicadamente para que ela não perceba.

- Que coisa fofa você é! – Ela se agacha e faz um leve cafuné na cabeça dele. – Você fez xixi nela?

- O que? – Pergunto confuso.

- Não sabe? – Ela pergunta confusa.

- Acho que não.

- Sininho é um gato especial. – Ela pisca. – Ele prevê as mortes das pessoas, fazendo xixi nelas.

Fecho minha boca. Junto mentalmente forças para não rir. É impossível. Solto meu fôlego junto com uma risada descontrolada.

- Isso... isso é ridículo. – Digo em meio a risos.

Ela fecha a cara.

- Isso não tem graça. – Ela diz séria. – Sininho realmente faz isso. Ele prevê as mortes.

- É só um gato. – Digo desprendido.

- Não, não é.

Ela descruza os braços e se afasta de mim.

Fala sério. Essa garota é maluca. M-A-L-U-C-A.

Parece que aqui só vivem malucos. Uma cidade de bitolados. Maravilha.

Dou uma última olhada na falecida. Não é algo bonito de se ver. Engulo seco e me afasto do caixão.

 

 

 

+++

 

 

 

No final do enterro, somos recepcionados em uma casa, que pertence a filha de Pearl, que a essa altura já foi identificada.

Uma mesa cheia de bolos e bebidas quentes é exposta na sala de jantar. Algumas pessoas pegam pedaços pequenos, provavelmente calculando calorias e mantendo suas dietas. Outras não pegam nada. Apenas ficam acanhadas de comer na frente de tantas pessoas. Malucas, acrescento mentalmente.

Esbarro novamente na garota de cabelos escuros que... Espera, eu não sei o nome dela ainda. No entanto, ao invés de ter uma reação amistosa dela, seu olhar continua sério. A ficha me cai na hora. Ela ficou ofendida com aquilo que eu disse. Para ela deve ser importante. Eu não devia ter feito desfeita disso.

Quando ela pensa em se afastar, seguro seu braço.

- Ei... Me desculpa, por aquilo. – Digo sincero.

Seu olhar fica confuso só por um instante.         

- “Eu acredito que todos os erros que cometemos tem perdão. – Uma pausa – Bem, eu estou te dando meu perdão.”

Ela está citando meu livro.  Com certeza é proposital.

Sorrio espontaneamente.

- Então... Seu nome é ...  – Puxo conversa.

- Beatrice. – Uma careta lhe surge no rosto. – Por favor, me chame só de Tris.

- Está bem, Tris. – Coloco mais peso em seu nome e complemento com um sorriso.

Uma risada escapa de seus lábios. Que por sinal são finos, delicados e bonitos.

Agora que percebo. Ela segura uma fatia de bolo em um guardanapo.

 

 

Pov. Beatrice (Tris)

 

Pela primeira vez em duas nevascas, eu estava rindo como antes. Olhei - o novamente, mas desta vez ele não percebeu. Diferente dos outros anos, a nevasca havia trazido algo de bom consigo. E eu não me privaria de apreciar meus últimos momentos com ele. Tobias.

Eu estava disposta a fazer a minha proposta. Disposta a revelar minha situação mortífera.

Mas não agora. Não aqui.

Olho no relógio que está em cima de uma lareira no canto da sala.

- Bem, está ficando tarde, eu tenho que ir... – Digo.

- Por que?

- Tenho um compromisso. – Minto.

- Ah, então nesse caso... Mas espera. Quando nos veremos de novo?

- Mais cedo do que você imagina.

Sorrio e pisco pra ele.

Minha mãe não acreditaria nisso nem se eu contasse.

Coloco a mão na boca emitindo um riso. 



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