História Neve e Sangue - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Capitão América, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), Howard Stark, James Buchanan "Bucky" Barnes, Natasha Romanoff, Pantera Negra (T'Challa), Peggy Carter, Pepper Potts, Personagens Originais, Sam Wilson (Falcão), Sharon Carter (Agente 13), Steve Rogers, Visão
Tags Bucky, Capitão América, Soldado Invernal, Steve Rogers
Visualizações 56
Palavras 6.534
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Sombras e Desejo


Claire sentia como se o tempo tivesse congelado, tudo ao seu redor era silencioso. Os membros do seu corpo pareciam pesados, ela sentia o frio se infiltrar através do chão de concreto onde ela estava sentada, mas não conseguia se importar. Em algum canto de sua mente havia uma urgência lhe dizendo para que ela se levantasse, aquecesse o corpo, mas o simples pensamento de realizar algo como aquilo já a deixava exausta.

O sangue havia secado em suas mãos e rosto, o cheiro de ferro fazia com que seu estômago se revoltasse profundamente, mesmo assim ela não era capaz de limpar nem mesmo suas mãos que agora haviam adquirido um tom laranja suave.

O cadáver do homem estava próximo aos seus pés, a visão era odiosa, a parte superior de sua cabeça havia explodido, ali o sangue quase negro havia coagulado deixando-lhe com um halo macabro. As extremidades de suas mãos já começavam a mostrar uma coloração azulada, mas eram os olhos que assombravam a garota. Petrificados e aquosos, quase esbranquiçados como os de um peixe.

Alguém deveria ao menos fechar os olhos dele pensou a garota incapaz de desviar o olhar. Parecia algo tão simples, era o certo a se fazer, nem mesmo um bandido como ele deveria permanecer ali jogado como um saco de lixo qualquer. Com dificuldade a garota levantou-se, seu próprio corpo lhe parecia estranho, como se ela tivesse se desacostumado a usá-lo. Sentia-se tão sensível como se os ossos sob sua pele fossem feitos de porcelana. Ela ajoelhou-se ao lado do cadáver, o estômago se revoltando vigorosamente, com a ponta dos dedos ela tocou em suas pálpebras, estavam frias a pele parecendo borracha, Claire não conseguiu conter a onda de asco. Lentamente ela fechou seus olhos, mas assim que retirou seus dedos as pálpebras voltaram para cima, se recusando a permanecer fechadas, o rosto dele em sua máscara da morte a encarando de maneira acusatória.

Eu preciso sair daqui. Preciso me mover.

O pensamento soou de maneira clara em sua mente, mas ela não conseguiu se levantar. Era culpa ela percebeu, o remorso que pesava em suas pernas como correntes. Havia algo em sua mente que lhe dizia que ela estava em choque, que precisava se libertar daquele estupor, mas o rosto daquele cadáver em sua mente havia se transformado no rosto do pai, e ela não podia fazer nada a não ser permanecer ali observando-o.

Ela nunca havia visto um cadáver até ter sido chamada para reconhecer o corpo do pai. Era muito pequena para guardar qualquer lembrança do velório de sua mãe, a família sempre havia sido o pai e a irmã e tivera muito sorte durante toda sua vida pois nunca precisara frequentar o velório de um conhecido ou amigo. Até aquela tarde em Viena. As lembranças ainda eram frescas em sua memória, a voz desinteressada do legista, a ausência de cor no necrotério, o frio da sala e o cheiro de álcool irritando seu nariz. O corpo do pai havia sido coberto por um lençol limpo, mas ela podia ver com clareza a ausência de uma perna embaixo do lençol. Ele sofrera muito? Havia sido doloroso? As perguntas se embaralhavam em sua mente e antes mesmo que ela pudesse se preparar o legista havia retirado o lençol descobrindo o rosto do pai.

Ele parecia dormir pensou Claire os olhos fechados, os lábios rígidos e brancos, ele não tinha uma expressão de dor e por um segundo muito rápido ela sentiu-se aliviada. Ela confirmou para o legista com um aceno de cabeça que aquele era seu pai, e deixou o prédio as lágrimas ardendo como fogo dentro de sua garganta. Não havia conseguido chorar uma única vez que fosse.

Os olhos dela recaíram sobre o cadáver a sua frente naquele instante, a porta do galpão devia continuar aberta pois agora delicados flocos de neve pairavam sobre o corpo dele. A cada minuto que passava os olhos ficavam mais brancos e vítreos. Os olhos do seu pai teriam ficado daquela mesma forma antes de alguém fechá-los?

Claire sentiu que seu corpo era levantado, a figura do cadáver foi substituída pelo rosto contraído do Soldado Invernal, os olhos dele de um profundo tom de azul pareciam ainda mais brilhantes. Ela levou um longo momento para perceber que ele a estava segurando no colo.

O medo apertou seu coração, ela tentou se desvencilhar dele, seus movimentos trôpegos, mas os braços dele se apertaram ainda mais prendendo-a contra seu corpo. A garota sentiu sua respiração acelerar, a névoa se formou em torno do seu rosto, quando ele a levou para fora. Ela queria pedir para que ele a colocasse no chão, mas a língua parecia estar colada no céu de sua boca. Com passos firmes, esmagando a neve debaixo de suas botas, ele a levou até um carro, a porta estava aberta do lado do passageiro, com extrema eficiência ele a colocou sentada no banco, sem se dar ao trabalho de colocar o cinto, contornando o carro com passos rápidos ele abriu a porta do lado do motorista e deu a partida no veículo.

Sem uma única palavra e com o olhar fixo na estrada ele dirigiu noite adentro, o som dos pneus do carro triturando a neve recém caída, a neve se acumulava agora sobre o veículo com fúria, os ventos haviam aumentado tornando-se poderosos lamentos. Claire queria encontrar sua voz, para perguntar aonde eles estavam indo, mas não era capaz. Havia uma parte dela, a parte que estava no comando de seu corpo naquele momento que não queria se preocupar com nada que acontecia ao seu redor. Por alguns instantes por mais escassos que fossem ela só queria esquecer de que havia um mundo lá fora daquele carro. Ela deitou a cabeça contra o vidro, o movimento a embalando, deixou que seus olhos se fixassem no céu noturno sem estrelas, e se desligou da realidade.

Quando abriu os olhos novamente Claire percebeu que eles estavam novamente na base da Hidra. O galpão usado como garagem encontrava-se vazio, a maioria das luzes do lugar estavam apagadas, e havia apenas dois guardas na entrada que não aparentavam nem um pouco estar preocupados com ele.

A porta do lado onde Claire se encontrava abriu sem que ela estivesse preparada, sua cabeça pendeu para frente com o movimento, mas seu corpo foi amparado de maneira eficiente, antes que ela pudesse entender completamente o que estava acontecendo os braços do Soldado Invernal, a rodearam por debaixo de suas pernas e ela foi içada em direção ao seu colo.

- Eu posso andar – disse a garota, a voz soando de maneira desarticulada e quebradiça.

Não houve nenhuma resposta por parte dele, os olhos azuis simplesmente olharam em sua direção de maneira determinada. Claire percebeu que seria inútil discutir com ele.

Com passos apressados, ele caminhou até o elevador, assim que chegaram aos corredores subterrâneos da base Claire sentiu tremores violentos tomarem conta de seu corpo. Embora ali dentro a temperatura fosse extremamente mais agradável, ela continuava a sentir o frio penetrar por sua pele, fazendo com que seus dentes batessem castanholas.

Ele a carregou por corredores silenciosos, o corpo trêmulo de Claire pareceu se derreter nos braços dele embora a garota soubesse que nada de bom poderia resultar daquela proximidade. O Soldado Invernal parou diante da porta do seu quarto, por um instante a garota sentiu a curiosidade aflorar dentro de sua mente, como ele sabia que ela estava instalada ali? Segurando-a com apenas seu braço biônico ele abriu a porta seus olhos se estreitando quando viu o lugar onde ela dormia.

Sem dizer uma única palavra ele fechou a porta do quarto e começou a se afastar seus passos se afastando cada vez mais do quarto de Claire.

- Aonde você está me levando? – Ela perguntou sua voz era tremula assim como o resto do seu corpo.

- Aquele quarto não possui um sistema de aquecimento.

- Não tem problema, não é assim tão frio.

Ele parou exatamente onde estava, os olhos azuis brilhando de indignação enquanto respondia:

- Você está em choque. Seu corpo está sofrendo do estresse da situação que presenciou, e você mostra alguns sinais de hipotermia, pode ter todo esse quadro agravado se ficar naquele quarto essa noite, é isso que você quer?

Claire engoliu em seco incapaz de desviar seu olhar do dele. Não achava que estivesse em choque ou com hipotermia, era verdade que seu corpo ainda não havia parado de tremer, mas ali não era um lugar especificamente agradável, ela sentia-se um pouco aérea, mas isso também poderia ser explicado como falta de açúcar no sangue. Ela realmente acreditava que não estava em choque, mas o olhar no rosto dele, dizia que ele não iria admitir ser questionado.

Os passos dele os levaram alguns andares ainda mais abaixo, ali os corredores eram parcialmente iluminados, havia poucas portas, e o silêncio parecia ainda maior e opressor, mas ele parecia conhecer aquele lugar como a palma de sua mão. Eles pararam diante de uma porta de metal simples, no corredor estreito e comprido aquela parecia ser a única entrada. Com o coração apertado dentro do seu peito, Claire notou com apreensão quando ele abriu uma porta. Assim que cruzaram a soleira, ela sentiu seus pés tocarem o chão com delicadeza.

O quarto era razoavelmente maior que o dela, as paredes eram lisas de um tom claro de cinza, a cama encostada contra a parede possuía um colchão de aparência confortável havia vários edredons ali, além de travesseiros. Um guarda roupa de aparência robusta ficava encostado na parede em frente a cama, ao seu lado havia uma compacta e eficiente escrivaninha organizada de maneira metódica, do lado direito uma porta fechada indicava o que a garota achava ser o banheiro. Definitivamente aquele lugar era muito mais confortável que o quarto dela.

Claire cruzou os braços sobre seu corpo tentando conter o tremor incessante. A sua frente o Soldado invernal caminhou até a escrivaninha pegando um controle sobre ela, ele mexeu no aparelho e em poucos minutos a temperatura do quarto tornou-se mais agradável e quente.

- Obrigada... mas eu não posso ficar aqui no seu quarto.

Ele olhou em sua direção por cima dos ombros, não parecia levemente incomodado, como se ela fosse uma tarefa que ele precisasse realizar, mas não possuísse nenhum prazer nisso. Ainda em silêncio, ele caminhou até a porta fechada, como a garota suspeitara ali era um banheiro, ele voltou trazendo uma toalha nas mãos.

- Seque o cabelo, a neve já deve ter derretido.

Os dedos dela se fecharam sobre a toalha, ela tocou levemente com a mão livre as madeixas percebendo que elas realmente estavam úmidas, ela nem ao menos era capaz de se lembrar quando os cabelos haviam se molhado daquela forma. Quanto tempo ela havia passado olhando aquele cadáver em silêncio?

O Soldado Invernal começou a retirar as armas que ainda carregava junto dele. De maneira meticulosa ele depositou sobre a escrivaninha a pequena pistola e uma faca com cerra, retirou o colete militar deixando-o sobre a cadeira, por fim ele vestia apenas calças negras e a blusa de frio.

Claire apertou com força a toalha contra seus dedos, sentia-se deslocada naquele quarto, de repente a ausência de janelas e a porta fechadas fizeram com que ela sentisse claustrofóbica. Queria sair daquele lugar, voltar ao seu quarto e permanecer sozinha ao mesmo tempo em que uma parte dela sentia-se confortável ali, talvez fosse o aquecimento que funcionava ou a simples presença do homem a sua frente. Ela sabia que não podia confiar nele, mas ao menos quando ele estava ao seu lado não se sentia tão solitária.

Ela encostou suas costas na parede, muito lentamente ela começou a secar os cabelos. Eles estavam bagunçados e alguns nós iriam simplesmente ficar ali até que ela pudesse escova-los uma próxima vez. Deixou que seus olhos se fixassem na ponta enlameadas de suas botas, o silêncio ao redor deles se prolongou enchendo os ouvidos da garota, até mesmo sua respiração parecia muito alta ali dentro.

- Você pode se trocar no banheiro – disse o soldado, sua voz fazendo com que o nervosismo corresse solto por suas veias.

Sem pensar duas vezes a garota foi em direção a porta do banheiro, trancando-a atrás de si. Era um gesto tolo, Claire sabia que se ele quisesse derrubaria aquela porta com uma facilidade impressionante, mas havia uma parte de sua mente, talvez uma parte nada racional que se sentia mais tranquila ao ouvir o som do trinco na porta.

Ela tentou não reparar no lugar, mas a curiosidade a venceu, deixou que seus olhos percorressem o banheiro notando cada pequeno detalhe. A garota sabia que nada de bom iria resultar daquele seu interesse pelo homem lá fora, mas não achava que pudesse mais se conter. O banheiro estava limpo e muito bem organizado, talvez aquilo fosse um traço de sua personalidade pensou Claire. Ela pendurou a toalha contra o boxe para que assim ela pudesse secar, com os dedos ainda desajeitados retirou seu colete tático ficando somente com a blusa preta e calças. Sentada no tampo da privada retirou as botas e as meias úmidas de neve. Debaixo dos seus pés o piso era gelado, e a sensação de frio trouxe de volta as lembranças do que haviam acontecido no galpão. Um homem estirado no chão, um tiro sendo disparado e rompendo o silêncio.

A garota fechou os olhos com força, e pressionou a ponta dos dedos contra suas pálpebras as imagens pareciam pintadas ali, tão vividas como se um filme estivesse desfilando em frente a seus olhos. Sua respiração tornou-se acelerada, o coração bombeando sangue por todo seu corpo, junto com o medo que deixou seu corpo trêmulo e pegajoso.

Claire levantou-se e foi até a pequena pia, abriu a torneira deixando que o fluxo da água enchesse aquele lugar com algum som que não fosse sua respiração rasgada. Lavou as mãos com ferocidade tentando retirar qualquer vestígio de sangue dali, tentando substituir o cheiro de ferro pelo aroma limpo do sabonete.

Seus olhos buscaram seu reflexo no espelho dessa vez ela não se espantou com o que via ali refletido. Os cabelos estavam desarrumados, mas agora ela já não conseguia mais se importar com isso, os lábios rachados e inchados de frio. Na face esquerda haviam manchas levemente esverdeadas onde o punho de Anastácia haviam a acertado, na manhã seguinte elas estariam em várias tonalidades de roxo. Fariam um conjunto harmonioso com as manchas que ela ainda exibia em seu pescoço.

Com raiva Claire fechou a torneira agarrando as bordas da pia, incapaz de continuar a se encarar no espelho. O que ela estava fazendo com sua vida? Como tudo de repente podia estar indo tão errado?

As perguntas ecoaram por sua mente sem uma resposta, ela ficou ali um longo momento tentando acalmar o nervosismo que parecia devorar suas entranhas. Ela não podia passar a noite naquele banheiro, então sem nenhum animo a garota voltou para o quarto.

Ele estivera ocupado em sua ausência notou Claire. Ao lado da cama ele havia estendido um edredom que funcionavam como colchão, a cama também havia sido arrumada a espera de uma pessoa para ocupar aquele lugar e dormir. Claire não sentia nem um pingo de sono, mas já que eles iriam permanecer naquele silêncio ininterrupto talvez fosse melhor realmente que ela fosse deitar, já que aparentemente ela não iria deixar o quarto dele naquela noite.

Claire caminhou para a improvisada cama que ele havia feito no chão, mas o Soldado Invernal parou em sua frente.

- Fique com a cama.

- É seu quarto eu não quero tirar a cama de você.

- Não se preocupe comigo, você por outro lado não parece que esteja acostumada a dormir no chão.

Era verdade, Claire nunca dormira no chão em toda sua vida. Havia recusado inúmeros convites de sua irmã quando essa havia saído com os amigos para acampar, nunca havia se considerado uma pessoa aventureira, mas não tinha como o homem a sua frente saber disso. Sentia-se irritada ao perceber que ele também estivera a observando e conseguira informações suas, enquanto ela não sabia nada a seu respeito.

Ela pensou em argumentar, mas não teve tempo, como se estivesse cansado de uma discussão que nem ao menos havia começado, ele deitou-se no chão, cobrindo seu corpo com o edredom e a ignorando completamente.

Contrariada Claire caminhou até a cama, talvez ela soubesse algo sobrea a personalidade dele depois de tudo, o Soldado Invernal era teimoso como uma mula, e detestava ser contrariado.

O colchão era macio sob seu corpo. Ela também se cobriu embora ali dentro não sentisse tanto frio por causa do aquecedor. Seu corpo cansado logo começou a relaxar embora sua mente ainda estivesse trabalhando numa velocidade acelerada. Ela não queria dormir, tinha certeza que teria pesadelos aquela noite, mas não pode evitar em algum momento seus olhos se fecharam contra sua vontade ela caiu num sono agitado.

 

***

Bucky rolou no chão pelo que parecia ser a milésima vez. Com as costas completamente esticadas ele deixou seus olhos vagarem pelo teto do quarto, tentou deixar a cabeça livre de qualquer pensamento, mas esses pareciam terem se acumulado num canto de sua mente se recusando a ir embora; fechou os olhos soltando um profundo suspiro por seus lábios ele não precisava de muitas horas de sono, mas até mesmo alguém treinado como ele teria dificuldade no dia seguinte se ao menos ele não conseguisse dormir uma hora pelo menos aquela noite.

Os lamentos aumentaram de tom até que ele pode ouvir com nítida clareza ao lado de sua cama o corpo da garota tremendo com tal intensidade que a cama estava batendo levemente contra a parede. Ele usou todas as suas forças para permanecer de olhos fechados, mas nada pareceu adiantar, como se tivesse vontade própria, seu rosto virou em direção a cama e ele abriu os olhos mais uma vez a contemplando.

Ela dormia um sono inquieto, estava com as costas viradas em sua direção, o rosto voltado para parede, em algum momento ela havia jogado para longe os edredons e enrolara seu próprio corpo em posição fetal. Logo depois que deitara Bucky havia percebido a respiração dela diminuir gradativamente até por fim estar dormindo, embora o sono logo havia se transformado em algo agitado. Ele ouvira ela se mexer com brusquidão, murmurar coisas ininteligíveis os lamentos também haviam começado assim como os tremores, ela estava tão agitada sobre a cama que Bucky acreditou que ela iria acordar a qualquer momento, mas a garota continuava perdida em pesadelos.

Bucky ergueu-se levemente muito devagar apoiando o rosto contra seu cotovelo. Talvez ele devesse acorda-la? Com certeza ele não conseguiria dormir enquanto ela continuasse fazendo todo aquele barulho. Irritado consigo mesmo, ele deitou novamente sobre sua improvisada cama. Onde ele estava com a cabeça quando trouxera aquela garota para o seu quarto?

Algumas horas atrás essa parecia ter sido a escolha certa a se fazer. Ele ainda podia se lembrar com clareza o olhar distante e petrificado que ela havia assumido no galpão. O típico olhar de uma pessoa que não estava acostumada a violência. O jeito como ela havia apenas ficado sentada ali no chão frio enquanto a neve se acumulava sobre seu corpo, havia lembrado Bucky das pessoas que haviam sofrido os horrores da guerra. Como elas simplesmente pareciam terem desistido. De tudo.

Bucky cobriu os olhos com seu braço mecânico e xingou-se mentalmente. Ele e sua estúpida mania de herói, se não tivesse trazido aquela garota de volta a base da Hidra provavelmente naquele momento ele não estaria tentando desesperadamente dormir no chão duro, mas muito longe dali finalmente livre. Ele duvidava que ela teria tentado o impedir no estado em que se encontrava, provavelmente teria ficado ali completamente abandonada até que o desaparecimento de ambos fosse avisado a Hidra. Ela teria morrido de frio, ou com um tiro na cabeça caso alguém lhe culpasse pela fuga dele. Ele poderia estar livre naquele momento, e ela com certeza estaria morta.

Frustrado Bucky levantou-se, talvez o melhor fosse sair dali, deixa-la com o quarto pra si. Ele poderia ir treinar, despejar toda sua irritação contra alguns sacos de areia, isso o manteria ocupado até ele voltar pela manhã a seu quarto esperando que ela tivesse acordado e ido embora.

Ele parou ao lado da cama observando a garota ali deitada, embora estivesse profundamente adormecida, seu corpo ainda se remexia na cama, lutando contra inimigos inexistentes em seus sonhos. Bucky podia enxergar seu rosto de perfil, sua testa estava franzida os lábios pressionados um contra os outros numa linha fina, ela parecia mais uma vez completamente desamparada.

Bucky sabia que não devia continuar ali, o melhor a se fazer era realmente deixar aquele quarto, deixar aquela garota que ele não era capaz de compreender para trás. Seus olhos voltaram-se por um instante para a porta fechada, mas seus pés continuaram ao lado da cama como se ele estivesse sido enraizado ali. O rapaz percorreu os dedos pelo cabelo bagunçado, estava prestes a fazer um papel ridículo de novo, mas ao que tudo indicava ele era o idiota que gostava de se comportar como um herói.

Sabendo que iria se arrepender daquilo mais tarde, quando seu cérebro voltasse a pensar com mais clareza, Bucky empurrou delicadamente o corpo da garota para mais perto da parede, deixando um espaço na cama pra que ele pudesse deitar ao seu lado. Nem mesmo mexe-la de lugar foi o suficiente para fazer com que ela acordasse. Bucky deitou ao lado dela com extrema cautela, seu corpo tremia, tão perto como ele estava podia ouvir seus dentes batendo. O rapaz enlaçou o corpo dela com seu braço humano trazendo as costas dela contra seu peito. Fechou os olhos esperando que ela não fosse escolher aquele momento para acordar, não seria muito fácil explicar de maneira razoável o que ele estava fazendo naquele momento.

O corpo dela pareceu se acalmar com seu contato, os tremores começaram a diminuir gradativamente até mesmo seus dentes pararam de bater, ela pareceu relaxar completamente enquanto o corpo dela parecia se moldar ao dele apreciando o contato.

Ela murmurou algo em seus sonhos a voz inaudível mesmo com a proximidade de ambos, ela virou-se então de frente pra ele ajeitando-se nos braços dele encostando seu rosto no seu peito em busca de calor ou conforto Bucky não sabia decidir qual.

Um surto de... alguma coisa... percorreu seu corpo, o despertar de sua virirlidade. Quando havia sido a última vez que ele sentira algo como aquilo por alguma mulher?

Ele deixou que seus olhos se fixassem no rosto da garota adormecida, ela era toda delicada ele notou, o rosto era fino o nariz tinha a ponta levemente arrebitada, os lábios formavam um pequeno arco, do tipo que poderia hipnotizar um homem menos cuidadoso. Os cabelos eram curtos, e caiam em sua testa em delicadas ondas, dando-lhe uma aparência clássica e feminina.

O fantasma de um sorriso formou-se em seus lábios. Ela era exatamente o oposto de tudo o que ele costumava achar atraente no quesito mulheres. Em sua juventude ele sempre havia preferido as garotas com cabelos compridos embora naquela época os cabelos curtos também estivessem na moda, era fã de lábios cheios pintados de vermelhos. Gostava daquelas que eram divertidas e nunca buscavam por compromisso. Havia se divertido com muitas garotas como aquelas, embora em suas lembranças não conseguisse se recordar do nome de nenhuma delas. O fato dele sentir-se atraído por uma garota tão diferente dos seus costumeiros gostos o intrigava na mesma medida que o deixava irritado.

O olhar dele se desviou para os hematomas em seu rosto, as sombras já exibiam um tom de lilás que ele podia enxergar claramente mesmo com a baixa luminosidade do abajur sobre sua escrivaninha, a única fonte de luz no quarto naquele momento. Bucky sentiu que trincava os dentes, enquanto sua mão esquerda formava um punho, por algum motivo olhar seus machucados deixava-o perigosamente nervoso. Seus olhos percorreram o pescoço dela, ali ele havia deixado sua própria marca, a lembrança trouxe um desconforto nada bem-vindo ao seu estômago. Ele estivera tão perto de perder o controle naquele instante, poderia ter a matado com uma facilidade que o assustava. Ele ainda não era capaz de compreender como uma garota franzina como aquela podia controla-lo apenas com a força do seu pensamento, mas toda vez que a voz dela ressoava em sua mente ele não era capaz de ir contra, apenas obedecer.

Bucky esticou-se na cama, a proximidade dela, havia aquecido seu corpo deixando-o relaxado, fazendo o próprio braço de travesseiro ele deitou observando o rosto dela. O cansaço de repente pareceu cobrir seu corpo como um manto pesado, ele percebeu quando a respiração deles se acalmou até tornarem-se quase uma, antes mesmo de perceber o Soldado Invernal foi arrastado pelo sono.

 

***

Claire sentiu que começava a despertar lentamente embora estivesse se sentindo tão confortável que a única coisa que gostaria era de continuar ali no calor e aconchego da cama. Ela se remexeu parcialmente tentando se aproximar mais da fonte de calor e dormir pelo menos mais algumas horas. Seus pensamentos estavam sonolentos as pálpebras pesadas ela estava quase adormecendo novamente, quando sentiu uma respiração compassada roçar em sua nuca.

Os olhos dela se abririam num rompante, ela reconheceu o quarto que não era dela, a mente se inundou com as lembranças da noite passava, seus olhos se desviaram para a pessoa ao seu lado da cama, e ela sentiu o coração explodir dentro do seu peito.

O rosto do Soldado Invernal estava muito próximo ao dela, uma mecha de seu cabelo negro caia de maneira displicente contra sua testa dando-lhe uma aparência tranquila, ele parecia estar profundamente adormecido, os longos cílios faziam sombra contra suas bochechas, e os lábios entre abertos ressonavam levemente. Claire desviou os olhos rapidamente focando-os na parede oposta, ela estava perto de mais dele, para se sentir segura observando os lábios dele daquela distância.

A garota sentiu um peso sobre suas costelas, e suas bochechas ficaram quentes quando percebeu que era o braço dele prendendo-a contra seu corpo. Claire fechou os olhos com força tentando conter o sentimento mortificante de vergonha que estava rondando sua cabeça. Como aquilo tinha acontecido? Como um homem do tamanho dele tinha passado a noite deitado do seu lado e ela nem ao menos havia sido capaz de perceber nada de diferente?

Ele parecia muito confortável deitado ali ao seu lado, o braço metálico estava debaixo do travesseiro, enquanto seu outro braço apertava o corpo dela contra o seu, as pernas de ambos pareciam se encaixarem como um perfeito quebra-cabeça. Claire mexeu-se ligeiramente tentando separar o corpo deles, não queria mais continuar naquela posição, mas também não queria acorda-lo naquele momento, ela não achava que seria capaz de encarar o olhar dele enquanto eles dois estivessem tão próximos, ela precisaria de pelo menos algumas horas pra se recuperar daquela experiência, e talvez dois banhos gelados pra conter a excitação nada bem-vinda que rondava seu estômago, como e borboletas dançassem o tango ali dentro.

Por que ele teria deitado ali? Perguntou-se a garota tentando mover o braço dele centímetro a centímetro para não acordá-lo; seria o chão assim tão terrível? O aquecedor havia quebrado durante a noite e ele precisara subir ali para não passar tanto frio? Quanto tempo eles ficaram dormindo?

O simples pensamento de imaginar eles dois próximos daquela forma pelas últimas horas provocou uma nova onda de vergonha na garota. Como se ela já não tivesse problemas em sua vida, agora ela teria que lidar com o fato de sua atração pelo homem ao seu lado alcançar níveis estratosféricos.

O braço dele continuava sobre seu corpo, como se ele mesmo dormindo não tivesse nenhuma intenção de mudar aquela posição. Claire deitou novamente sua cabeça no travesseiro, mordendo o lábio inferior. O coração soava dentro do peito como um tambor, era um absurdo ele continuar a dormir tão profundamente daquela forma, ela tinha certeza que qualquer pessoa seria capaz de ouvir as batidas que ressoavam na sua caixa torácica naquele momento.

Lentamente enquanto as borboletas tornavam-se mais alvoroçadas Claire, virou seu rosto novamente na direção dele, ela não podia simplesmente continuar ali esperando que ele acordasse e ambos dessem início as tarefas diárias como um casal feliz, embora houvesse uma parte dela que não parecia se importar nem um pouco com aquela possibilidade.

A garota mastigou o lábio e decidiu por mais mortificante que aquilo fosse precisava acorda-lo. Com toda cautela do mundo Claire levantou sua mão para tocar o ombro dele. Ela o cutucou gentilmente tentando com todas suas forças não focar demais sua atenção nos músculos debaixo dos seus dedos.

O rosto dele se contraiu levemente, mas aquilo não foi o suficiente para acorda-lo. Ela pensou em chamar seu nome, mas a língua ficou travada em sua boca. Como deveria chama-lo? Soldado? Sargento Buchanan?... Bucky?

O pensamento de dizer o nome dele em voz alta deixou a garota nervosa embora ela não soubesse o motivo. Era só um nome, apenas isso. Não significaria nada demais chama-lo assim, não iria fazer com que ela se sentisse mais próxima dele de forma alguma!

-Bucky – chamou Claire levemente, seus dedos tocando seu ombro – Bucky, acorde.

Os olhos dele se abriram encontrando-os dela, ela sentiu a respiração ficar presa em sua garganta. Ele parecia ainda completamente sonolento como se não tivesse muita ideia de onde estava, houve um lampejo de algo que a garota não pode compreender naquele olhar, e a próxima coisa que Claire notou foi que estava presa debaixo do corpo dele.

Com um único movimento rápido e preciso ele havia girado seu corpo deixando-a completamente a sua mercê. Claire sentiu o fôlego ficar preso em sua garganta, o medo escorregou como gelo por sua espinha, em sua garganta ela quase podia sentir o toque da mão dele retirando o ar de seus pulmões. Ela prendeu o olhar no dele, e então percebeu que havia algo de diferente.

Dessa vez ele não olhava para ela com uma fúria assassina, dessa vez seu olhar era diferente. Os olhos azuis haviam escurecido, e pareciam estar fixo em seus lábios, o medo que ela sentia foi completamente substituído por uma antecipação constante que crescia no seu baixo ventre.

Movida por algum tipo de instinto primitivo a garota ergueu a mão direita tocando no rosto dele. A sensação da barba por fazer era gostosa contra sua pele, ela mordeu os lábios de maneira inconsciente e percebeu as pupilas dele se dilatarem.

- Bucky – murmurou ela, o nome dele uma suplica um desejo inominado.

Como se libertando de um feitiço ao ouvir seu nome, Bucky pulou para longe dela, afastando-se tanto que ele parou sentado sobre seus calcanhares no fim da cama. Claire sentiu o frio e a rejeição a chicotearem com a ausência do corpo dele sobre o seu. Melhor assim pensou a garota tentando se convencer embora uma parte dela, uma imensa parte dela não estivesse nem um pouco satisfeita.

- Me desculpe eu não queria assusta-lo, eu só queria que você acordasse.

A sua frente Bucky parecia levemente confuso, ele deslizou os dedos pelos fios de cabelo compridos, depois esfregou as palmas das mãos contra o rosto como se dessa forma pudesse se livrar de todo o sono que pairava sobre ele.

- Quanto tempo eu dormi? – perguntou o Soldado Invernal.

- Não tenho certeza, não faz muito tempo que eu também acordei.

Erguendo-se da cama, como se tivesse perdido a hora para algum compromisso, Bucky checou o relógio de pulso que havia deixado sobre a escrivaninha.

- Merda...

Aproveitando que agora ela podia se mexer com toda facilidade do mundo Claire levantou-se tentando engolir a vergonha que esquentava suas faces, nunca antes havia estado numa situação constrangedora como aquela.

Sem olhar em sua direção, Bucky começou a organizar as coisas no quarto, ele também não seria nenhum um pouco interessado em falar sobre o que havia acabado de acontecer, a garota não sabia se sentia-se aliviada ou insultada com a atitude dele.

Em silêncio pegou seus pertences que continuavam deixados num canto do quarto, a única coisa que ela queria naquele momento era ficar um pouco sozinha. Carregando o colete de proteção em seus braços, ela foi em direção a porta do quarto, mas antes que pudesse alcançar a maçaneta o Soldado Invernal estava diante dela.

- Onde você pensa que vai?

- Voltar pro meu quarto, eu não tenho motivos nenhum pra continuar aqui.

- Você só sai daqui, quando nós dois acertamos definitivamente algumas coisas.

- Eu não tenho nada pra conversar com você.

- Bem, isso é problema seu, porque eu tenho muitas perguntas e você vai responder todas elas.

Claire ignorou o homem a sua frente, com seu ombro ela tentou empurra-lo para alcançar a maçaneta na porta, mas foi como se tentasse mover uma montanha. Ela ergueu seus olhos em sua direção mas ele a interrompeu falando:

- A quanto tempo você trabalha pra Hidra?

- Isso não é da sua conta – respondeu a garota com os dentes trincados.

- O que eles prometeram pra você em troca do seus serviços?

- Eu já disse, não te interessa os motivos pelo quais eu estou fazendo isso!

Ele se aproximou dela, os olhos voltando a brilhar de uma maneira gélida. Ele colocou seu braço prateado contra a porta, sua mão a centímetros do seu rosto. Claire sentiu seu coração batendo em sua garganta, mas forçou-se a continuar o encarando de frente, ela sabia que ele estava tentando intimida-la e ela não iria demonstrar mais nenhum tipo de fraqueza.

- Eu vi o quarto onde você está instalada ontem a noite – respondeu ele, sua voz rouca pela irritação – Parecia muito mais o quarto de uma prisioneira do que de uma agente, sem aquecedor um edredom, o tipo de descaso que a Hidra costuma oferecer para aqueles que eles consideram facilmente descartáveis.

- Você não sabe do que está falando – disse a garota, mas ela também não tinha certeza. Ela poderia ser descartada? Alguma outra cobaia poderia demonstrar melhores resultados que o dela para o controle mental sobre o Soldado Invernal? O que eles fariam com ela caso a considerassem uma falha? Talvez o mesmo destino do homem que ela havia visto morrer na noite anterior.

- É você quem está se enganando, eu os conheço muito melhor do que você. Eles são monstros que se escondem atrás de mentiras, criando desculpas pra todas as atrocidades que cometem porque desejam um mundo melhor. Eu fui escravo deles por mais de quarenta anos, e você não me parece o tipo de pessoa que se envolveria com isso. Então me diga o que diabos você está fazendo aqui?

- Você não me conhece! Não sabe nada ao meu respeito – respondeu Claire seu tom de voz mais alto que o de costume – Talvez eu seja um desses monstros, que você acabou de descrever!

Um sorriso sarcástico brincos nos lábios de Bucky, e Claire sentiu que prendia a respiração, ela era incapaz de conter a atração que sentia por ele.

Como se quisesse provar um ponto, mas estivesse sem paciência, Bucky agarrou o colete que ela carregava em suas mãos, as balas da arma que ela havia escondido ontem ali para não ser obrigada a ferir ninguém rolaram pra debaixo da cama com um pequeno estrépito. Sem nenhuma cerimônia, ele agachou-se na frente dela, retirando a arma ele pegou o pente mostrando-o completamente vazio.

- Eu vi quando você retirou as balas ontem da sua arma – disse Bucky – Eu pensei que você só estava sendo estúpida, e se colocando em risco a toa, mas eu também notei como você segura bem numa arma, alguém te ensinou a fazer isso, ontem a noite você só não queria usa-la. Por que? Por que não queria ferir ninguém Claire?

A voz dele dizendo seu nome deixou a garota com as pernas tremulas, ela desviou o rosto incapaz de continuar olhando pra ele, não seria capaz de sustentar mais nenhuma mentira se continuasse presa a seus olhos azuis.

- Por que você está aqui? – continuou ele a pressionando com perguntas, que ela não podia responder – Por que está ajudando a Hidra? Ao não ser que você não tenha outra escolha...

- Você está completamente enganado – mentiu a garota, forçando nos lábios um sorriso que ela esperava que o convencesse.

- Eu já disse que você é uma péssima mentirosa.

Claire ergueu suas mãos empurrando o peito dele, ela precisava se distanciar a qualquer custo do homem a sua frente, mas ele não se moveu um único centímetro, ela tentou chuta-lo, mas ele aparou seu chute com o joelho arrastando seu corpo contra a porta e prendendo seus braços contra sua cabeça com apenas uma das mãos.

- Me deixe sair daqui!

- Responda minhas perguntas – gritou o Soldado Invernal socando com sua mão metálica a porta atrás dela.

Claire sentiu as lágrimas arderem em suas gargantas, o gosto amargo queimou sua língua, mas em momento algum ela se permitiu chorar na frente dele.

- Eu não posso – respondeu a garota, um fio de voz quase inaudível – Não posso.

A garota deixou que seu olhar se encontrasse com o dele. Ela sentiu o aperto das mãos dele sobre as suas se afrouxarem, por um instante tudo o que ela mais desejou foi se aninhar novamente ao corpo dele deitar naquela cama e esquecer que o mundo lá fora existia. Um desejo estúpido, inútil e inatingível.

- Claire – disse ele, forçando seu queixo para que dessa forma ela não pudesse desviar o olhar – Me diga a verdade, eu posso...

- Você não pode fazer nada por mim – interrompeu a garota – Não pode fazer nada por si mesmo... Apenas não há nada a ser feito.

As batidas na porta ressoaram no metal assustando ambos. O som abafado da voz de um soldado pode ser ouvida atrás dela.

- Senhorita Stuart, Alexei convoca uma reunião.

Claire sentiu como sentiu um calafrio nojento percorrer sua espinha. Ela nem ao menos queria imaginar como Alexei descobrira que ela estava ali, e o que ele teria a dizer a respeito.

O Soldado Invernal continuava parado a sua frente como uma estátua, e ele não parecia ter nenhum tipo de desejo de se mover dali.

- Você não pode me manter presa aqui, vai prejudicar a nos dois... Acredite em mim por favor... Bucky.

Ela observou em seu rosto a batalha que ele tratava naquele momento, por fim ele apenas deu um passo ao lado liberando seu caminho.

Claire desejou poder se mover, mas até mesmo ela parecia estar petrificada, por algum motivo ela se sentia mais segura ali dentro com aquele homem do que o destino que a esperava lá fora naquele corredor. Ela colocou a mão na maçaneta tentando conter o tremor novamente, destrancou a porta, mas antes de sair, olhou sobre seus ombros para o Soldado Invernal dizendo:

- Eu sinto muito por tudo o que a Hidra fez em relação a você... Mas, por favor não perca seu tempo tentando me salvar, não há nada em mim pra ser salvo.

O silêncio atrás dela ressoou nas paredes.


Notas Finais


E cá está mais um capítulo! Espero que gostem!!

Quero agradecer todo mundo que está acompanhando a fic, principalmente as pessoas que comentaram e favoritaram a historia! Me digam o que você estão achando, isso é realmente muito importante pra mim! Se estou exagerando em alguma coisa, ou sendo muito lerda no desenrolar da historia, ou escrevendo demais... A opinião de vocês é importante e me incentiva muito a continuar escrevendo!

Obrigada mais uma vez e até o próximo capítulo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...