História Never Forget - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Dylan O'Brien, Karen Gillan, Thomas Sangster
Personagens Personagens Originais
Tags Câncer, Doença, Morte, Tragedia
Exibições 23
Palavras 1.424
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olá pessoas do universo
Karen Gillan dona da minha vida

Capítulo 3 - Secrets


Fanfic / Fanfiction Never Forget - Capítulo 3 - Secrets

NEVER FORGET – CAPÍTULO DOIS

SECRETS

 

“...Diga-me o que quer ouvir

Algo que agradará os seus ouvidos
Cansado de toda esta insinceridade
Então abrirei mão de todos os meus segredos...”

 

- Secrets, OneRepublic.

 

Hospitais sempre são brancos e isso me irrita profundamente.

Não porque branco seja forte demais para seus olhos depois que acorda de um desmaio, e então fica piscando com dificuldade para fazer sua visão se acostumar com a luz. Odeio o branco nos hospitais porque a cor representa a paz, e não tem nem um pouco de paz em um hospital para crianças com câncer. Você vê as enfermeiras sorrindo o tempo todo, as crianças com a cabeça raspada – assim como a minha era a um tempo  – correndo pelo corredor, algumas na área de recreação, mas no final das contas ninguém é realmente alegre.

Você está falando sobre a morte de novo.

É apenas a realidade cruel que poucos admitem.

Não me peça para ser positivo, por favor.

 

Todos sabem como termina. Ninguém quer um final assim, claro que não, mas o que resta a todos nós é aceitar, ou então morreremos frustrados. Mais do que já somos. Vou apenas aceitar que o fim não está mais próximo do que nunca e que o branco combina perfeitamente com estas paredes mórbidas.

Apenas fingir. Sinto muito.

Venha logo.

 

 

-Super Sparks – Disse o velho baixinho – É uma honra recebe-lo em minha humilde sala.

-Eu venho aqui há quase três anos Senhor Fitzgerald – Puxo uma cadeira e me sento.

-E ainda me chama de Senhor em – George bate de leve com o cotovelo no meu braço – Tudo bem, vamos começar com a tomografia. Sua cabeça está ótima Sparks, tinha quase certeza que você ia ficar doidinho com o tempo – Ele riu facilmente, e eu forcei algo que mais pareceu um suspiro.

Já estou doido, você não percebe?

 

George é o médico que me trata desde o início do câncer, ele é baixo, gordo, tem uma barba esquisita e age como se fosse meu melhor amigo. Médicos que adiam a morte – já precoce – de crianças com câncer têm esse hábito. Até que é uma coisa legal.

Quando saio da sala de George, procuro minha mãe por todo o lugar. A única coisa que eu quero é sair desse hospital de uma vez, mas ainda preciso esperar pela conversa dela com George, no qual ele vai dizer que minha situação não é tão grave, mas que ainda assim preciso de mais remédios. É sempre a mesma coisa.

Estava caminhando por um corredor largo, onde duas meninas com a cabeça raspada brincavam junto da enfermeira, quando finalmente vejo minha mãe, bem no final perto da UTI conversando com uma garota ruiva, aquilo chamou minha atenção porque o laranja do cabelo da garota era a única cor presente naquele lugar.

Sei que não deveria estar ali vendo aquela cena, pois os olhos arregalados da minha mãe em minha direção denunciaram isso. Ela sorriu depois, forçadamente, e disse algo para a ruiva que sacudiu a cabeça e saiu dali, eu sequer vi o rosto dela. Mamãe caminhou rapidamente até mim e o silencio que veio depois foi constrangedor. Como sempre.

 

-Tem certeza que quer ir sozinho? – Ela perguntou pela sétima vez desde que saímos do hospital.

-Mãe eu vou encontrar o Josh lá. – E eu respondi pela sétima vez desde que saímos do hospital.

-Olha, qualquer coisa que você sentir, liga para mim, ou peça para o Josh levar você imediatamente para casa ou para o hospital e...

Eu parei de ouvir depois disso, porque era a mesma coisa há três anos, eu sempre precisaria depender de alguém, pra me levar ao hospital quando eu passasse mal, para me levar para casa se eu me sentisse tonto, e precisarei de alguém para me socorrer quando morrer, e eu não queria necessariamente ser socorrido.

-Olha mãe, qualquer coisa eu ligo para você, ok? – Tentei sorrir e fingir que estava tudo bem, sendo que eu estava mentindo.

-Tudo bem, mas volte com o Josh. – Seu olhar era preocupado, as rugas em volta dos seus olhos deixavam claro que os anos tinham passado mais rápido para ela. Ela foi se afastado e eu fiquei ali – Me liga! – Ela sussurrou e imitou um telefone com as mãos, depois deu as costas e foi embora.

 

Um lugar vazio, cheio de pessoas igualmente vazias era o que estava na minha frente. O cheiro da gordura velha emanava em qualquer lugar que eu fosse, e eu só precisava sentar em uma cadeira qualquer a espera do Josh. Ele viria mesmo, apesar de eu querer ficar sozinho um pouco, só que uma hora mais tarde do que eu falei para minha mãe.

Tinha uma cadeira, perto da janela que dava para a rua deserta, eu me sentei ali e olhei para cada uma das pessoas que passavam na frente. Talvez elas nem reparassem em mim, mas mesmo assim observei cada uma delas. Era um costume meu.  Uma garçonete de olhos escuros veio até mim, eu só pedi uma água, porque era a única coisa daquele lugar que entraria no meu estômago, sem voltar cinco minutos depois.

Eu vi uma mulher entrando, o cabelo dela era loiro, quase branco, ela se sentou a mesa na minha frente e pediu batatas fritas com queijo. Eu só me lembro dessa parte, porque o cheiro enjoado da batata frita fez com que eu me levantasse o mais discretamente possível e corresse para o banheiro.

Tudo foi pra fora, e eu cogitei ligar no mesmo instante para o Josh ou para a minha mãe.

Quando sai do único banheiro que tinha naquele lugar, uma fila havia se formado atrás da porta, isso me deixou envergonhado e com o rosto quente. Coloquei os óculos no rosto novamente e me virei pra sair dali, e isso causou um grande estrago.

-Garoto, você é cego?! – Ela disse.

-Me desculpa, eu não tinha visto você. – Acho que eu gaguejei, ou talvez tenha falado rápido demais.

-Olha o que você fez com a minha roupa! – Só então eu reparei onde estava o estrago, na roupa dela, queijo, molho e refrigerante, espalhado por todos os cantos de uma camisa de botões branca.  – Como vou voltar assim?!

-Olha moça, calma, eu sinto muito e... – A camisa suja chamava minha atenção, mas o cabelo alaranjado dela chamava mais. Quantas ruivas eu vou ver hoje? Eu fiquei tempo demais olhando, provavelmente. – Me desculpa, como eu posso te ajudar?

-Agora não adianta nada. – Eu não tinha visto, que todos os olhares daquele lugar se voltaram para nós e para o meu estrago. – Argh!

O pano de prato em cima do balcão estava úmido quando ela o pegou e passou na camisa, mas não adiantou nada, porque ficou ainda mais laranja, e o cheiro estava me deixando cada vez mais enjoado. Eu gostaria de correr até o banheiro novamente e colocar tudo – nada – para fora, mas a garota ainda estava com raiva.

-Quer saber garoto?! Espero que quando você tiver uma reunião importante, alguém derrube queijo cheddar em você. – Ela falou/gritou pra mim, e eu não deveria ter sentido vontade de rir naquele momento, mas aquela parecia uma ameaça inofensiva.

As pessoas já tinham voltado para os seus respectivos almoços, e eu me senti menos culpado quando a garota tirou a camisa de botões agora laranja e molhada, e ficou só com a blusa que estava por baixo, pelo menos ela não andaria por ai exalando queijo cheddar e deixando leucêmicos enjoados.

-Você vai ficar ai parado feito uma estátua sem dizer nada? – Ao menos não houve gritos. – Argh! Não importa. Eu espero não ter que ver a sua cara de novo. – Ela disse e saiu dali segurando a camisa suja.

-Ei, espera – Poderia ter corrido, mas não vou arriscar isso de novo. Ela parou do lado de fora e me encarou com raiva – Olha, me desculpa mesmo, eu não vi você atrás de mim. – O vento fez o cabelo dela voar, e pareciam chamas na minha direção. – Se eu puder me desculpar, de algum jeito.

-Olha só garoto, agora não importa mais, tá legal? Já foi, passou, espero não ver mais essa sua cara esquisita na minha frente e espero também que você acabe com uma blusa suja de cheddar – Porque ela falava tão rápido? – Agora, adeus.

-Espera, qual seu nome?

-É Emma. – Ela – agora Emma – viu as horas no relógio mais uma vez e correu em direção à outra rua.

-Meu nome é Jared! – Gritei.

Mas ela já estava longe demais para ouvir.  

 

"...Eu estou me desfazendo de todos os meus segredos..."


Notas Finais


Gostaram?

TRETA IS COMING.

Secrets, One Republic: https://www.youtube.com/watch?v=qHm9MG9xw1o


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